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A Maonaria Brasileira na Dcada da Abolio e da RepblicaJos Castellani

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Ttulo: Repblica Autor: Jos Castellani Editora: CopyMarket.com, 2000

SumrioJos Castellani

Introduo.............................................................................................................. Captulo 01 - Sntese da Histria Anterior a 1860...................................................................... Captulo 02 - 1861 1870 O Movimento Abolicionista e o Manifesto Republicano................ Captulo 03 - 1871 1880 O Fracasso da Unificao, em Meio Luta Abolicionista........... Captulo 04 - 1881 1890 A Dcada da Abolio da Escravatura e da Repblica............. Anexos .................................................................................................................. 1. A Fundao do Grande Oriente Braslico (Depois, Grande Oriente do Brasil) ........ 2. O Alvar Real........................................................................................................................... 3. Carta do Gro-Mestre, D. Pedro I, Ordenando O fechamento do Grande Oriente... 4. A Abdicao de d. Pedro I.................................................................................................... 5. Carta de despedida de D. Pedro I ao seu filho................................................................... 6. 1832 : O Manifesto do Grande Oriente Do Brasil, em seu Reerguimento................... 7. A Circular de Montezuma Fundao do Supremo Conselho....................................... 8. A declarao de maioridade de d. Pedro II......................................................................... 9. A Carta do Supremo Conselho da Blgica ao do Brasil.................................................... 10. Lei do Ventre Livre.............................................................................................................. 11. A Lei urea........................................................................................................................... 12. A Proclamao Republicana............................................................................................... 13. Decreto republicano no 1.....................................................................................................

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Repblica Jos Castellani

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Ttulo: Repblica Autor: Jos Castellani Editora: CopyMarket.com, 2000

IntroduoJos Castellani

Esta uma Histria de apenas 30 (trinta) anos da Maonaria brasileira, em relao atuao poltico-social de muitos de seus componentes, numa poca agitada e de grandes transformaes sociais. Foram trinta anos --- de 1860 a 1890 --- em que diversos acontecimentos importantes e inclusive modificadores de toda a estrutura social brasileira, ocorreram, concomitantemente, ou em rpida seqncia. Era a poca em que os maons brasileiros, nas Lojas, na imprensa, ou na tribuna, j vinham se preocupando com a grave questo da escravatura no Brasil e, em seqncia, com a hiptese de um terceiro reinado, o qual poderia dar sobrevida a um sistema, que j se esgotara e que vinha sendo rejeitado em muitas partes do mundo. E, ao mesmo tempo em que se desenrolavam os dois movimentos --- abolicionista e republicano --- ocorria a questo religiosa brasileira, que teria uma certa influncia no incremento do movimento republicano, por ter indisposto o alto clero com o imperador. Na poca do incio desta Histria, o Grande Oriente do Brasil, matriz da Maonaria brasileira --- fundado a 17 de junho de 1822 --- era a nica Obedincia manica do pas, mas viria, logo, a sofrer uma dissidncia, que duraria vinte anos, promovida, exatamente, por um dos maiores lderes republicanos. Isso no significava, todavia, um enfraquecimento dos movimentos, que, ento, comeavam a empolgar os maons de ponta, porque sua atividade independia das tricas polticas internas. Por isso, ao mesmo tempo em que so mostrados os passos e as atividades dos maons, na campanha republicana, tambm abordada a situao interna da Maonaria brasileira --- com base em documentos e em depoimentos fidedignos --- numa poca em que, sem embargo de suas lutas intestinas, ela agrupava muitos dos melhores homens do pas, sob sua bandeira social. O que importante destacar que, conforme mostra uma farta documentao, s agora resgatada, o Grande Oriente do Brasil, como instituio, no participou das campanhas da abolio da escravatura e da implantao da Repblica. Essa participao foi de Lojas e de maons, que se empenharam em ambas as campanhas, sob a gide e os princpios da instituio, mas sem que esta tomasse, oficialmente, partido, como acontecera em 1822, por ocasio da independncia do Brasil. Trata-se assim, esta sinttica obra, de uma pequena contribuio para a Histria real e documentada da Maonaria brasileira, numa poca de importantes transformaes sociais no pas. A Histria da Maonaria brasileira tem sido mistificada e romanceada h algumas dcadas, por autores simplesmente ufanos, sem base documental e sem a imparcialidade do honesto pesquisador, fazendo com que ela fosse tratada com desdm e at de maneira jocosa nos meios acadmicos brasileiros, com grandes prejuzos para a sua divulgao e para o conhecimento de suas reais e sempre perseguidas finalidades. S de alguns anos para c que a realidade histrica da maonaria brasileira tem vindo tona, sem maquiagem, sem arroubos tendenciosos, sem invenes ufanistas, que destacam fatos positivos e varrem os negativos para baixo do tapete. E isso graas a poucos, mas diligentes pesquisadores, que, paulatinamente, vo mudando o modo de pensar dos maons brasileiros e despertando, junto comunidade pensante, a ateno e o respeito atividade manica. Para que se perpetue dal disposio que as obras que divulgam as fontes primrias devem ser sempre disseminadas entre os maons, para que estes deixem de pensar que a Maonaria uma instituio contemplativa, entregue a elucubraes de ordem ocultista e afastada dos grandes problemas poltico-sociais do pas. Construtora social, ela tem que pugnar pelo aperfeioamento moral, material e intelectual do Homem e no pelo atrelamento de sua mente a conceitos fantsticos de pretensos gurus, cujos ps se encontram na estratosfera e cuja cabea alcana o espao sideral, talvez para equiparar o vcuo interno ao externo.1

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Repblica Jos Castellani

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Sntese da Histria Anterior a 1860Jos Castellani O Incio do Sistema Obediencial A 17 de junho de 1822, fora criada a primeira Obedincia manica do Brasil --- O Grande Oriente Braslico, ou Brasiliano (Ver Anexo n 1) --- com a finalidade principal de lutar pela independncia poltica do Brasil1. Para que fosse fundado o Grande Oriente, a Loja Comrcio e Artes, criada em 1815, inativa aps o alvar governamental de 1818 (Ver Anexo n 2) --- que proibia o funcionamento das sociedades secretas --- e reerguida em 1821, foi dividida em trs Lojas, da resultando, alm dela mesma, a Unio e Tranqilidade e a Esperana de Niteri. O agitado perodo de transio de Reino Unido ao de Portugal e Algarves --- existente desde 1815 --- para pas independente, iria trazer intensas lutas polticas pelo poder, envolvendo o Grande Oriente, j que l estavam dois grupos que aspiravam privana do prncipe regente D. Pedro --- depois imperador --- e que desejavam comandar, politicamente a jovem nao independente: o grupo do Gro-Mestre do Grande Oriente, Jos Bonifcio de Andrada e Silva, ministro todo-poderoso da regncia e figura internacionalmente conhecida, e o grupo do 1o. Grande Vigilante, Joaquim Gonalves Ledo, poltico fluminense, que era, realmente, a maior liderana manica da poca, mas no tinha o prestgio nacional e internacional do Andrada. Nos primeiros dias aps a proclamao da independncia, de 7 de setembro de 1822, iam adiantadas as escaramuas entre os dois grupos, dentro do Grande Oriente, as quais culminariam com o golpe aplicado por Ledo, ao conseguir destituir Bonifcio do Gro-Mestrado, socapa e fora de assemblia geral, empossando D. Pedro no cargo, a 4 de outubro de 1822. O troco seria no terreno poltico, com Bonifcio mostrando ao imperador que a luta da independncia exigia um perodo de calmaria poltica interna, que estava sendo quebrada pelo grupo adversrio, com exigncias descabidas a D. Pedro e uma rede de intrigas, que poderiam minar a luta externa. As exigncias descabidas eram: o juramento prvio de D. Pedro Constituio ainda no votada e aprovada e a assinatura de trs papis em branco. Diante disso, enquanto Jos Bonifcio instaurava processo contra os membros do grupo de Ledo, D. Pedro enviava a este a ordem para fechar o Grande Oriente, o que aconteceria a 25 de outubro de 1822. (Ver Anexo n 3). Ressurgimento e diviso da Maonaria brasileira Durante praticamente todo o perodo restante do 1o. Imprio, as Lojas brasileiras permaneceram em recesso, s comeando a ressurgir quando o cenrio nacional caminhava para uma grave crise poltica, que iria levar, a 7 de abril de 1831, abdicao de D. Pedro I em favor de seu filho, D. Pedro, ento com pouco mais de cinco anos de idade, ao qual, alguns dias depois, ele escreveria uma carta, como se adulto fosse o herdeiro, plena de dramaticidade. (Ver Anexos n 4 e n 5) Em 1830, ento, ressurgia a Maonaria brasileira, com a criao do Grande Oriente Nacional Brasileiro, o qual ficou, tambm, conhecido como Grande Oriente da rua de Santo Antnio e, posteriormente, Grande Oriente do Passeio, em aluso aos locais em que se instalou, no Rio de Janeiro.1

O Grand