A Liberdade Em Kant

Download A Liberdade Em Kant

Post on 05-Aug-2015

80 views

Category:

Documents

34 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

25/11/12

A LIBERDADE EM KANT

Webartigos.com - Publicao de artigos e monografias Ttulo: A LIBERDADE EM KANT Autor(a): Geovane Mariano De Siqueira Endereo da publicao: http://www.webartigos.com/artigos/a-liberdade-em-kant/64540/

Publicado em 24 de abril de 2011, s 00h00min em Filosofia

A LIBERDADE EM KANTA LIBERDADE EM KANT Geovane Mariano de Siqueira Resumo: O presente artigo remonta a questo da liberdade em Kant, que deve ser vista na relao com a filosofia prtica do direito. Portanto, interessa precisar o conceito de liberdade interna e externa, relacionando a primeira com o princpio da autonomia, bem como a distino entre moral e direito. Inicialmente, para mostrar que a liberdade um conceito racional puro que se encontra completamente desconectado da experincia. Segundo, para enfatizar que o conceito de liberdade comprova a sua existncia atravs de leis derivadas da razo pura para efetivao de escolhas, que so oriundas de princpios prticos. Concluirei que a liberdade ponto fundamental de todo o sistema kantiano e condio da lei moral, e que o estado na qualidade de liberdade externa garante a coexistncia das liberdades individuais. Palavras-chave: Kant, liberdade, direito, moral, estado. Abstract: This article relates to issues of freedom in Kant, which must be seen in relation to the practical philosophy of law. Therefore, it is interesting to define the concept of freedom internal and external, relating to the first principle of autonomy as well as the distinction between morality and law. Initially, to show that freedom is a pure rational concept which is completely disconnected from the experience. Second, to emphasize that the concept of freedom proves its existence by laws derived from pure reason for the execution of choices, which are derived from practical principles. Conclude that freedom is a fundamental point of the entire system and condition of the Kantian moral law, and that the state as guarantor of freedom outside the coexistence of individual liberties. Key words: Kant, freedom, law, moral, state.

1 Introduo De incio, faz-se necessrio ressaltar que a liberdade um conceito racional puro, ou seja, isso significa que ela se encontra completamente desconectada da experincia. No uso prtico da razo, o conceito de liberdade comprova a sua existncia atravs de leis derivadas da razo pura para efetivao de escolhas, que so oriundas de princpios prticos, os quais independem de quaisquer condies empricas, demonstrando uma vontade pura no sujeito, da qual nascem os conceitos e as leis morais. A liberdade um conceito que se torna o ponto nodal de todo o sistema kantiano, ao passo que a sua realidade denotada por uma lei irrefutvel da razo prtica. Portanto, Kant denota a partir da que outros conceitos, como o de Deus e da imortalidade, enquanto simples ideias continuam no mbito da razo especulativa, somente adquirindo consistncia e realidade objetiva quando ligados com o conceito de liberdade, a qual revelada atravs da lei moral.www.webartigos.com/artigos/a-liberdade-em-kant/64540/print/ 1/8

25/11/12

A LIBERDADE EM KANT

A funo da liberdade externa, que representada pelo estado, a de garantir a coexistncia das liberdades individuais. Enquanto a constituio da doutrina do direito configurada quando o estado, atravs do seu poder coercitivo, isola o sujeito que esteja ameaando a liberdade do outro. O que aqui se busca a questo da liberdade em Imannuel Kant, pois tal liberdade dever ser vista na relao com a filosofia prtica do direito. Portanto, interessa precisar o conceito de liberdade interna e externa, e o interesse destas para uma fundamentao de necessidade na constituio de uma doutrina do direito, capaz de coagir o arbtrio individual atravs de normas jurdicas representadas pelo poder estatal. Para Kant, as leis da liberdade chamam-se morais para distinguir-se das leis da natureza. Enquanto se referem somente s aes externas e conformidade lei, chamam-se jurdicas; se, porm exigem ser consideradas em si mesmas, como princpios que determinam as aes, ento so ticas. A ao moral , pois cumprida, no em virtude de um fim, mas to somente pela mxima que a determina. Ela posta em movimento por uma inclinao interior, que o imperativo categrico. Assim, a legislao que erige uma ao como dever, e o dever ao mesmo tempo como impulso, moral. Aquela, pelo contrrio, que no compreende esta ltima condio na lei e, que consequentemente, admite tambm um impulso diferente da idia do prprio dever, jurdica. . Portanto, dever externo manter as prprias promessas em conformidade com um contrato, por exemplo, mas o imperativo de faz-lo unicamente porque dever, sem levar em conta qualquer outro impulso, pertence somente legislao interna. Temos, pois, em conformidade com a perspectiva adotada por Kant, que a distino entre moralidade e juridicidade puramente formal, pois diz respeito forma de obrigar-se, e no ao objeto das aes. 2 O conceito de liberdade A doutrina moral kantiana est fundada sobre a liberdade, a que se chega por constrio do mundo causal. A liberdade encontrada na razo prtica, ou seja, na vontade. Portanto a vontade a prpria razo prtica. Isso implica afirmar que a liberdade pode ser explicitada a partir do conceito de vontade. Nesse vis, assinala Kant: O conceito de liberdade um conceito racional puro e que por isto mesmo transcendente para a filosofia terica, ou seja, um conceito tal que nenhum exemplo que corresponda a ele pode ser dado em qualquer experincia possvel, e de cujo objeto no podemos obter qualquer conhecimento terico: o conceito de liberdade no pode ter validade como regulador desta e, em verdade, meramente negativo. Mas no uso prtico da razo o conceito de liberdade prova sua realidade atravs de princpios prticos, que so leis de uma causalidade da razo pura para determinao da escolha, independentemente de quaisquer condies empricas (as sensibilidade em geral) e revelam uma vontade pura em ns, na qual conceitos e leis morais tm sua fonte (MC, III. p. 64). Para Kant, o homem encontra-se subordinado s leis da natureza, de onde advm o determinismo e, concomitantemente, as leis da liberdade que originam a moral. Esse argumento redunda no fato de o homem possuir condies de autolegislar-se, bem como de que ele quem motiva os fenmenos existentes no mundo. Dotado de razo, capta que essa moral, livre e determinante, e isso que o diferencia dos animais. justamente no mbito da razo que podemos perceber que a liberdade prtica ou a independncia da vontade pode ser vista quando a razo nos propicia regramentos. E a vem tona o que devemos ou no fazer. Essa experincia interior remonta ideia de liberdade independente da vontade de motivos empricos, como causa da razo capaz de determinar a vontade de agir ou no atravs de impulsos, sensveis isto , eivados de interesses. A independncia da vontade de motivos empricos est integralmente relacionada com a fundamentao da moralidade kantiana, em razo da moralidade implicar o conceito de autonomia, pois para Kant todo homem autnomo. Isso resulta na existncia de uma vontade livre de motivos sensveis. E a partir de ento, relaciona-se a ideia de liberdade com a de autonomia. Essa relao percebida como liberdade referente a direcionamentos desconhecidos pelo homem e como liberdade da faculdade da vontade capaz de permitir a autolegislao. Indubitavelmente, Kant precisou dessa liberdade, relacionada dimenso racional do homem, para construir a sua teoria moral. O seu argumento encontra fundamento na ideia segundo a qual sempre que nos pensamos como livres, reconhecemos a conscincia da possibilidade de autonomia. Por conseguinte, como ser racional, o homem dotado de uma vontade livre, capaz de elevada funo a fim de permitir a moralidade. 2.1 A liberdade interna e a autonomia2/8

25/11/12

A LIBERDADE EM KANT

A doutrina moral kantiana encontra-se alicerada na liberdade. Assim sendo, na introduo Metafsica dos costumes, a liberdade um conceito racional puro, que independe da experincia, isto , um conceito tal que nenhum exemplo que corresponda a ele pode ser dado em qualquer experincia possvel de cujo objeto no se pode obter qualquer conhecimento terico (Cf. Kant, 2003, p. 64). Destarte, o conceito de liberdade no pode ter validade como princpio constitutivo da razo especulativa, mas exclusivamente como seu princpio regulador. J no uso prtico da razo, o conceito de liberdade comprova sua existncia por meio de princpios prticos, que so leis de causalidade da razo pura para determinao de escolhas, independentemente de quaisquer condies empricas que denotam uma vontade ? que origina conceitos e leis morais ? pura em ns. Por isso a liberdade interna encontra-se determinada na moral. Ela se oriunda da nossa liberdade interior, de onde se determina o dever, ocorrendo uma situao autnoma, em que o sujeito est munido de uma liberdade que apresenta impedimentos que se originam dele mesmo Um imperativo categrico que objetiva mencionar o que uma obrigao, pode ser assim contemplado: "age com base em uma mxima que tambm possa ter validade como uma lei moral". Nessa esteira, o sujeito deve obedecer a um parmetro que seja aceito pelos demais, caso contrrio no agir moralmente. Vislumbra-se aqui a idia do exemplo dado a fim de ser seguido; porm h limitaes numa mxima, encontrando-se uma limitao da liberdade, isto , a liberdade para ser liberdade tem que ter um parmetro, no ilimitada. Na obrigatoriedade moral em Kant, o sujeito no forado a prestar contas liberdade dos outros. Somente necessrio que admita que cada semelhante faa uso do seu livre-arbtrio. Para Kant, a pessoa que age de acordo com a legislao moral no impede o livre-arbtrio de outrem, porque o preponderante o seu uso sem a necessidade de uma pessoa adentrar na esfera de liberdade interna de outra, uma vez que tal liberdade de cunho estritamente ntimo, em que o agir moral atribudo ao uso do puro dever de forma autnoma. Consequentemente, s age moralmente quem age por puro dever. No posso mencionar sobre a liberdade interna sem levar em considerao o princpio da autonomia, que a qualidade que a vontade tem de ser lei para si mesma (independentemente de uma qualidade qualquer dos objetivos do dever), (FMC, 2007, p. 67). Isso se deve ao fato da vontade moral ser indubitavelmente uma vontade autnoma que no se permite determinar por inclinaes ou interesses de fornecer leis a si mesmo. Por intermdio da vontade, o sujeito dotado de razo e por isso age somente segundo leis dadas naturalmente. No tocante s inclinaes assinala Kant: [... Enquanto o prazer prtico, a determinao da faculdade apetitiva, que necessariamente deve ser precedida por esse prazer como causa, se chamar apetite, e o apetite habitual, inclinao. E como a unio do prazer e da faculdade apetitiva, enquanto o entendimento julgue essa unio vlida, segundo uma regra geral (porm, em todo caso, somente para o sujeito), se chama interesse, o prazer prtico , neste caso, um interesse da inclinao...] (DD, 1993, p. 20) O princpio da autonomia, portanto, exige que a lei no seja dada pelo objeto e que a vontade no seja determinada por inclinaes sensveis, sob pena de no ser mais legisladora, tornando-se heternoma (Cf. Leite, 2007, p. 115). A autonomia entendida como a faculdade de fornecer leis a si mesmo. A autonomia possui dois componentes. O primeiro que nenhuma autoridade externa a ns necessria para constituir ou nos informar sobre as demandas da moralidade (Cf. Perez, 2005, p. 172). Cada um de ns sabe, sem que seja dito, o que deveria fazer porque as exigncias morais so exigncias que impomos a ns mesmos. O segundo que na autolegislao podemos efetivamente nos controlar. Por conseguinte, nenhuma fonte externa de motivao necessria para que nossa autolegislao seja eficiente em controlar nosso comportamento. Assim sendo, em sentido estrito, a autonomia exige no apenas que a lei no seja dada como objeto, como tambm a vontade no seja determinada por inclinaes sensveis. Isso implica que a autonomia deixa de ser legisladora e passa a ser heternoma. A vontade, se autnoma, s pode ser determinada objetivamente pela lei moral e subjetivamente por respeito a esta lei. O mbil da vontade deve ser a prpria lei. Por esta razo, no plano tico, a ao realizada no apenas conforme o dever, mas por dever, uma vez que o mbil includo na lei. 2 Distino entre moral e direito no pensamento kantiano Na doutrina kantiana o ponto fundamental da distino entre moral e direito o mbil pelo qual a legislao obedecida. Nesse vis, tem-se o motivo absoluto do dever pelo dever concernente a legislao moral, considerada interna, e outro motivo emprico referente legislao jurdica, que externa. Analisar a relao da moral com o direito exige que se precise o sentido desses termos, que possuem, swww.webartigos.com/artigos/a-liberdade-em-kant/64540/print/ 3/8

25/11/12

A LIBERDADE EM KANT

vezes, uma acepo ampla e outra restrita. Ao distinguir as leis da natureza das leis da liberdade, o termo moral em Kant adquire sentido amplo. As leis da liberdade so denominadas leis morais e enquanto, segundo Kant, dizem respeito apenas s aes exteriores, e sua legalidade: denominam-se jurdicas; mas, se exigem tambm que estas leis devam ser os princpios de determinao das aes, elas so ticas. Na Metafsica dos costumes, Kant esfora-se na clssica distino entre a legislao moral e a jurdica. E como ponto de partida indica o problema inicial da filosofia do direito, que a distino entre ambas. Nesse sentido, o que efetivamente distingue as duas legislaes no apenas o fato de uma legislao ser interna e a outra externa, mas especificamente a idia do dever como impulso. Portanto, para se entender melhor essa idia, deve-se considerar que toda legislao possui dois elementos constitutivos, quais sejam: o elemento objetivo que significa a representao da lei como necessria ao e que desta forma converte a ao em dever, e um elemento subjetivo que liga a representao da lei ao fundamento de determinao do arbtrio para realizao de tal ao. No primeiro momento, tem-se o que Kant denominou de conhecimento terico da possibilidade da regra prtica e, no segundo, o dever como impulso. A implicao mais imediata desta distino o fato de que os deveres caractersticos da legislao jurdica so externos, pois no exigem a idia de um dever interior. Moral em sentido amplo compreende a doutrina dos costumes englobando tanto o direito quanto a tica, o primeiro a prpria a legalidade, a correspondncia lei jurdica; a segunda a moralidade, a conscincia tica. Para Kant alguns conceitos so comuns s duas partes da metafsica dos costumes, entre eles, o dever e a obrigao. Dever entendido como a ao na qual algum obrigado. A distino dos dois campos vai se localizar na diferena do mbil, isto , a legislao que faz de uma ao um dever e, ao mesmo tempo, deste dever um mbil, tica; mas aquela que no inclui o mbil na lei, e por via de consequncia, admite tambm um outro mbil que no a ideia do dever, jurdica. Na tica, o mbil, que o princpio de...

Recommended

View more >