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  • A Junta Nacional das Frutas: corporativismo,

    desenvolvimento industrial e modernização agrícola

    no Estado Novo (1936-1974)

    Leonardo Alexandre Aboim Pires

    Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos

    necessários à obtenção do grau de Mestre em História

    Contemporânea

    Maio de 2018

  • I

    Dissertação de mestrado apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à

    obtenção do grau de Mestre em História Contemporânea, realizada sob a orientação

    científica da Professora Doutora Maria Fernanda Fernandes Garcia Rollo e da

    Professora Doutora Dulce Maria Alves Freire.

  • II

  • III

    A incorporação do passado no presente é uma acção subversiva, porque um dos efeitos

    mais surpreendentes da acção do tempo é transformar o usual em estranho, o

    conhecido em desconhecido, o ordinário em exótico. A incorporação de elementos

    antigos num contexto moderno rompe a continuidade, dispersa a continuidade nociva

    que conduz ao hábito, criando um conflito, um contraste, que não pode senão despertar

    o nosso consciente.

    [Ana Hatherly, 19951]

    Por cada grão de terra encaroçado pela chuva se dizia: a terra é uma criança inocente

    desprotegida, temos de pegar-lhe ao colo e amá-la como às nossas mãos.

    [João de Melo, 19872]

    1 HATHERLY, Ana, A casa das musas, Lisboa, Editorial Estampa, 1995, p. 179. 2 MELO, João de, O meu reino não é deste mundo, Lisboa, Assírio & Alvim, 1987, p. 34.

  • IV

    AGRADECIMENTOS

    Já nos dizia Manuel da Fonseca que “um homem só não vale nada” e se há ocasião

    em que tais palavras nos parecem tão acertadas será, certamente, no término de uma etapa

    académica como é o mestrado. Assim, aproveito, neste pequeno e comedido pedaço de

    texto, para agradecer a todos que deram a sua contribuição, pequena ou grande, direta ou

    indireta para que este trabalho fosse possível. A todos eles a minha mais sincera e

    profunda gratidão.

    Antes de mais, às minhas orientadoras. À Professora Doutora Maria Fernanda Rollo

    que, não obstante o exercício de funções governativas, sempre acompanhou de forma

    atenta esta investigação, além de que sempre demonstrou apreço e espírito de partilha, de

    que já dera sólidas provas ao longo da minha licenciatura. O meu agradecimento também

    à Professora Doutora Dulce Freire que prontamente aceitou a coorientação da tese que

    aqui é apresentada e que sem o seu profundo conhecimento sobre as múltiplas faces do

    mundo rural português esta tese seria certamente outra e menos rica. Os conselhos, os

    reparos, as críticas (contundentes) e a amizade de ambas muito enriqueceram os meus

    périplos pelos domínios da história do Estado Novo.

    Agradecimento extensível ao Professor Doutor Álvaro Ferreira da Silva e ao

    Professor Doutor Álvaro Garrido que com a sua disponibilidade e pertinentes ajudas e

    observações puderam valorizar este trabalho. Um agradecimento especial é feito à

    Professora Doutora Paula Borges Santos, pela confiança depositada no meu trabalho e

    pelo impulso académico dado para o estudo das dinâmicas corporativas em Portugal.

    De igual modo, as páginas que se seguem são devedoras da colaboração de vários

    colegas investigadores do Instituto de História Contemporânea que através de pistas,

    sugestões e, claro está, puderem enriquecer este trabalho: Ana Paula Pires, Ana Isabel

    Queiroz, Maria Inês Queiroz, Susana Domingues, Mariana Castro, Diogo Ferreira, Soraia

    Simões e Inês José. Igualmente ao Francisco Bruno Henriques e ao Paulo Silveira e Sousa

    pelo interesse manifestado por esta investigação.

    À Professora Doutora Alexandra Pelúcia, ao Professor Doutor António Camões

    Gouveia, ao Professor Doutor Daniel Alves e ao Professor Doutor Pedro Aires Oliveira

  • V

    que pelas suas provas de estima e amizade ajudaram a construir o meu percurso

    académico durante a licenciatura em História.

    Os resultados apresentados são também produto da colaboração e voluntarismo de

    vários funcionários dos arquivos e bibliotecas consultados ao longo da nossa

    investigação. Assim, agradeço, em especial, ao Sr. Leonel Viegas, da Biblioteca Nacional

    de Portugal; à Dr.ª Paula Cristina Ucha e restantes arquivistas do Núcleo de

    Documentação e Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Economia; à Dr.ª Maria

    João Monteiro do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral do

    Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural e à Sra. Isabel Polleri, da

    Direcção-Geral do Tesouro e Finanças. Igualmente agradeço à Sra. Célia Moleiro e à Sra.

    Mafalda Jardim pela atenção e profissionalismo no agendar das várias reuniões no

    Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

    Um merecido e incontornável agradecimento à minha família que sempre se

    mostrou atenta e interessada nos caminhos percorrido em torno deste objeto de estudo,

    aparentemente inusitado, e em particular à minha mãe que sempre me incutiu o gosto pela

    leitura e pela investigação dessa imensidão temporal que nos antecede a que damos o

    nome de passado. As raízes familiares entrecruzam-se, para lá do interesse científico, na

    escolha deste tema, fazendo parte da minha memória um monolítico e devoluto edifício,

    em Vinhais, apelidado pelos habitantes como a casa das frutas que nada mais era do que

    um dos armazéns da Junta Nacional das Frutas.

    Last but not the least, agradeço ainda aos amigos e colegas que me acompanharam

    durante este trabalho, cujo espírito de entreajuda e partilha, a inestimável amizade,

    camaradagem e apoio me permitiram levar a carta a Garcia. Assim, uma palavra de

    agradecimento à Joana Rocha, André Pita, Catarina Monteiro, Henrique Pereira, Gil

    Gonçalves, Raquel Lourenço, Joana Santos, Rita Lucas, Sara Cerdeiral, António Santos

    Teixeira, Rodrigo Martins, Camila Campino, Artur Gonçalves, Mariana Pereira, Joana

    Beato Ribeiro e Beatriz Ferreira. A todos, obrigado por tornarem um horizonte, tantas

    vezes ilusoriamente distante, um pouco mais próximo e tangível.

  • VI

    A JUNTA NACIONAL DAS FRUTAS: CORPORATIVISMO,

    DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL E MODERNIZAÇÃO AGRÍCOLA NO

    ESTADO NOVO (1936-1974)

    RESUMO

    O objetivo desta investigação é a análise da relação entre o enquadramento institucional

    e desenvolvimento económico, procurando a significância histórica deste postulado,

    através da compreensão de alguns preceitos como o modelo de intervenção estatal e a

    rede de organismos e instituições criadas para o cumprimento deste objetivo assim como

    a regulação do mercado e o comportamento dos agentes económicos e da iniciativa

    privada.

    Este tema é analisado no contexto português, a partir da perspetiva do sector agrícola,

    através do estudo da ação de um organismo corporativo de coordenação económica, a

    Junta Nacional das Frutas (JNF), responsável pela regulação do sector frutohortícola. É

    nossa intenção refletir sobre inserção desta instituição na economia portuguesa entre as

    décadas de 1930 e 1970. Além disso, o que se pretende é também a análise do

    investimento que a JNF fez em ciência, inovação e know-how de modo a enfatizar as suas

    consequências no processo de industrialização e da modernização agrícola em Portugal.

    Em suma, a nossa pesquisa baseia-se na apresentação das linhas-chave da atuação da JNF,

    a sua inserção no contexto do Estado Novo e quais as suas consequências, interpretando

    o caminho dos objetivos económicos que permite conhecer, não apenas os

    desenvolvimentos e os sucessos, mas também, as limitações e os fracassos do regime.

    Palavras-chave: Estado Novo; Instituições; Agricultura; Indústria; Corporativismo.

  • VII

    THE NACIONAL BOARD OF FRUITS: CORPORATISM, INDUSTRIAL

    DEVELOPMENT AND AGRICULTURAL MODERNIZATION IN THE

    ESTADO NOVO (1936-1974)

    ABSTRACT

    The purpose of this research is to analyse the relation between institutional framework

    and economic development, searching the historical meaning of this postulate, by

    understating the some ideas such as the model of State intervention and the network of

    organisms and institutions created to accomplish that purpose as well the market

    regulation and the economic agents and private initiative behaviour.

    This subject is studied in the Portuguese context, from the perspective of the agricultural

    sector, by revising the role of an corporative organization of economic coordination, the

    Junta Nacional das Frutas (JNF), responsible by the regulation of hortifruticulture sector.

    Is our intention to reflect on the process of transformation suffered on this sector by

    understanding the insertion of this institutio