A integração agroindustrial sob a perspectiva do ... ?· A integração agroindustrial sob a perspectiva…

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<ul><li><p>A integrao agroindustrial sob a perspectiva do desenvolvimento sustentvel: o </p><p>caso da suinocultura brasileira </p><p>Alberto Abadia dos Santos Neto1 </p><p>Srgio Sauer2 </p><p>RESUMO </p><p>Pretende-se, com este artigo, fazer uma reviso bibliogrfica, objetivando identificar a </p><p>evoluo histrica da construo do conceito de desenvolvimento at chegar ao que hoje </p><p>se define como desenvolvimento sustentvel, relacionando o conceito com o modelo </p><p>contratual de integrao produtor-indstria vigente na suinocultura. Partindo do </p><p>princpio de que a integrao agroindustrial uma forte tendncia para grande parte das </p><p>cadeias produtivas do agronegcio, mostra-se necessrio estabelecer mecanismos que </p><p>contemplem as necessidades tanto do produtor, em termos de cobrir seus custos com a </p><p>produo e adequao ambiental, quanto da agroindustrial que necessita de matria-</p><p>prima com qualidade e com padres especficos de transformao. Neste sentido, o </p><p>problema central que norteia este estudo : como o estabelecimento desta integrao </p><p>agroindustrial contempla necessidades das partes e, ao mesmo tempo, preconizando </p><p>dimenses do desenvolvimento sustentvel como fator determinante para a vantagem </p><p>competitiva dos atores ao longo da cadeia produtiva da suinocultura? </p><p>1. INTRODUO </p><p>A produo de sunos no Brasil iniciou uma nova fase a partir do final da dcada </p><p>de 1980 e incio dos anos 1990 a produo deixa de lado o chamado porco banha, </p><p>avanando em seu desempenho sobre as questes tcnicas e comerciais. Nos ltimos 20 </p><p>anos, a cadeia produtiva de sunos aumentou a produo de carne em mais de um </p><p>milho de toneladas, fechando o ano de 2010 com quase quatro milhes de toneladas </p><p>produzidas, e consolidando o pas como o quarto maior produtor e quarto maior </p><p>exportador mundial de carne suna (ABIPECS, 2010). </p><p>A suinocultura nos Estados brasileiros, principalmente nos da regio Sul, torna-</p><p>se representativa nos efeitos multiplicadores de renda e emprego em todos os elos desta </p><p>cadeia, intensificando a demanda de insumos agropecurios e a expanso e </p><p>modernizao dos setores de comercializao e agroindstria. Como atividade rural </p><p>predominante nas pequenas propriedades, responsvel por empregar </p><p>significativamente mo de obra familiar, constituindo uma importante fonte de renda e </p><p>de estabilidade social no campo e com reflexos positivos meio urbano. A produo de </p><p>sunos exerce, conforme j mencionado, influncia direta nas cadeias produtivas do </p><p>milho, da soja, e avanos genticos na espcie animal, visando o seu fortalecimento e os </p><p> 1 Gestor do Agronegcio pelo Universidade de Braslia </p><p>2 Professor Doutor da Faculdade UnB Planaltina </p></li><li><p>elementos intrnsecos nos parmetros exigidos na segurana alimentar (ROESLER, </p><p>CESCONETO, 2004). </p><p>No que se refere a alguns aspectos do desenvolvimento sustentvel, podemos </p><p>fazer relao da atividade da suinocultura com as questes da poluio ambiental e os </p><p>benefcios econmicos gerados pelas regies produtoras do pas e , identificando em </p><p>que medida a atividade tem se preocupado com um desenvolvimento capaz de suprir as </p><p>necessidades da gerao atual em termos de oferta de protena animal de qualidade, </p><p>preservao do meio ambiente, bem com acesso renda, por parte dos produtores, sem </p><p>comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras geraes. Com um </p><p>desenvolvimento que no esgota os recursos para o futuro. </p><p>O intenso crescimento econmico ocorrido durante a dcada de 1950 no se </p><p>traduziu necessariamente em maior acesso de populaes pobres a bens materiais e </p><p>culturais, como ocorrera nos pases considerados desenvolvidos. A comear pelo acesso </p><p> sade e educao (VEIGA, 2008). No caso da suinocultura, o acesso ao mercado </p><p>internacional, por exemplo, no garantiu a melhoria e a amenizao dos prejuzos </p><p>causados pelas drsticas oscilaes de preos no mercado interno. </p><p>Nesse sentido, mostra-se necessrio avaliar o quanto o processo de mudana na </p><p>estrutura da suinocultura brasileira para um modelo tecnolgico e de base contratual </p><p>produtor-indstria, tem considerado os impactos econmicos, sociais e ambientais em </p><p>seu processo de implementao e desenvolvimento. </p><p>Para Rohenkohl (2007), a integrao produtiva pode assumir vrias formas, </p><p>desde a integrao vertical propriamente dita, com uma empresa detendo a propriedade </p><p>dos ativos utilizados nas vrias etapas de produo-transformao-distribuio, at </p><p>contratos e relaes comerciais e produtivas mais frouxas. </p><p>O processo de consolidao das condies contratuais entre indstria-produtor </p><p>pode ser uma forma de dinamizar e possibilitar aspectos positivos que possam promover </p><p>o desenvolvimento, mas como podemos identificar na suinocultura uma atividade que </p><p>pode ser, ou j , sustentvel (economicamente e ambientalmente)? </p><p>Diante destas perspectivas, de que a atividade da suinocultura, tem relevncia </p><p>social e econmica, pretende-se com este artigo analisar do ponto de vista histrico da </p><p>evoluo dos conceitos de crescimento econmico e desenvolvimento sustentvel o </p><p>modelo de integrao agroindustrial da suinocultura brasileira. </p><p>O presente artigo est estruturado, aps a introduo, com uma sesso que </p><p>abrange as referncias que embasaram a discusso do estudo, seguido pela conceituao </p></li><li><p>do agronegcio, posteriormente discutisse questes sobre governana em geral e no </p><p>setor da suinocultura e, por fim, as consideraes finais e conclusivas do estudo. </p><p>2. REFERENCIAL TERICO </p><p>2.1. REGASTE HISTRICO: O CAPITALISMO </p><p>O desenvolvimento do capitalismo abordado em vrias obras de Karl Marx, </p><p>entre as mais representativas e crticas, encontra-se O Capital: crtica da economia </p><p>poltica, ao defender que o dinheiro se transforma em capital, quando se produz mais-</p><p>valia com capital e mais capital com mais-valia. Ou seja, a acumulao primitiva, </p><p>conforme defendido pelo autor, pressupe a necessidade de que a elite capitalista </p><p>acumule capital e que o proletrio, no tendo nada mais a oferecer, oferea sua fora de </p><p>trabalho, para que no futuro, quando tudo estiver estabilizado, inicia-se o processo de </p><p>diviso de riquezas. Para Marx, por causa deste pensamento e direcionamento, a grande </p><p>massa pobre, tendo apenas a fora de trabalho para vender, enquanto cresceu </p><p>continuamente a riqueza de poucos. </p><p>No caso da agricultura, na Inglaterra, a acumulao primitiva, se deu via </p><p>expropriao de camponeses, ou seja, houve a necessidade de separar as pessoas dos </p><p>meios de produo, o que acarretava na liberao de mo-de-obra e quanto maior a </p><p>oferta, menor so os salrios. </p><p>Max Weber em sua obra: A tica protestante e o esprito do capitalismo defende </p><p>que o entendimento sobre o esprito do capitalismo, nasce medida que as pessoas </p><p>passam a analisar que o controle de entradas e sadas financeiras passa a ser uma forma </p><p>de organizao do capital, o autor apresenta um texto escrito por Benjamin Franklin: </p><p>Lembra-te que crdito dinheiro. Se algum me deixar ficar com seu </p><p>dinheiro depois da data do vencimento, est me entregando os juros ou tudo </p><p>quanto nesse intervalo de tempo ele tiver rendido para mim. Isso atinge uma </p><p>soma considervel se a pessoa tem bom crdito e dele faz bom uso </p><p>(WEBWR, 1920, p.43). </p><p> Segundo, Giddens (1998), h poucas relaes intelectuais na literatura </p><p>sociolgica to difceis de interpretar como a existente entre os escritos de Karl Marx e </p><p>os de Max Weber. Para o autor, o fato crucial para a diferenciao foi o fator da poca </p><p>de anlise de cada um. No deve-se apenas considerar que os trabalhos de Weber forma </p><p>em cima da refutao das teses de Marx. </p><p>Ironicamente com a rejeio da anlise de Marx do capitalismo </p><p>contemporneo e de suas esperanas ulteriores na forma futura de uma </p><p>sociedade radicalmente nova. Marx, que escreveu uma gerao antes de </p><p>Weber, acreditava que o capitalismo poderia ser e seria superado por uma </p></li><li><p>nova forma de sociedade. Weber escreveu com a percepo de ter </p><p>testemunhado a formao do capitalismo industrial na Alemanha em </p><p>circunstncias muito diferentes das da Inglaterra ou da Frana. O </p><p>reconhecimento desse fato por Weber foi um elemento, no interior do seu </p><p>pensamento, que lhe permitiu, apesar de recorrer a Marx, escapar da camisa </p><p>de fora que os seguidores de Marx do Partido Social Democrtico buscaram </p><p>impor histria, em nome do materialismo histrico (GIDDENS, 1998, p. </p><p>94). </p><p>Talvez uma das principais diferenas apontadas e percebidas em relao ao </p><p>capitalismo, entre Marx e Weber, seria a questo em que Marx defende que o </p><p>capitalismo surge diante da acumulao primitiva em que o comportamento oportunista </p><p>da burguesia usufrua da mo-de-obra do proletrio para gerar riquezas. Mas para </p><p>Weber, a tica do povo protestante era de que o trabalho era um dever, uma vocao. </p><p>No visando o ganho material como o objetivo final. Como consequncia, os </p><p>trabalhadores protestantes adaptavam com facilidade ao mercado de trabalho, tambm </p><p>eles acumulavam capital j que a pregao de uma vida regada e sem usura era </p><p>predominante. Ao acumular capital, faziam poupana ou criavam seus prprios </p><p>negcios como reinvestimento produtivo. </p><p>As contribuies de Marx e Weber so determinantes para o entendimento da </p><p>evoluo histrica do capitalismo. As diferentes vertentes e perodos possibilitam </p><p>entender que o processo de consolidao dos modelos de capitalismo, ainda hoje vistos </p><p>na sociedade, so de relevncia at mesmo para compreender o cenrio contemporneo, </p><p>em torno dos avanos da economia moderna. </p><p> Para Ianni (2004), a globalizao do mundo expressa um novo ciclo de </p><p>expanso do capitalismo, mas este processo de evoluo das relaes, sociais e </p><p>econmicas, comearam a ser expressas por Marx e Weber, em dcadas passadas e </p><p>ajudam a compreender, hoje, este modelo de produo e processo civilizatrio de </p><p>alcance mundial, que tornou-se um processo de amplas propores envolvendo naes e </p><p>nacionalidades, regimes polticos e projetos nacionais, grupos e classes sociais, </p><p>economias e sociedades, culturas e civilizaes. </p><p>O conceito de globalizao comeou a ser empregado desde meados da dcada </p><p>de 1980, em substituio a conceitos como internacionalizao e transnacionalizao. </p><p>Originalmente, esta ideia era sustentada por setores que defendiam a maior participao </p><p>de pases em desenvolvimento, em especial os NICs (New Industrialized Countries) </p><p>Latino-Americanos e Asiticos em uma economia administrada internacionalmente. </p><p>Somente ao fim da dcada de 1980 e, particularmente, na dcada de 1990 que o termo </p></li><li><p>globalizao veio a ser empregado principalmente em dois sentidos: um positivo, </p><p>descrevendo o processo de integrao da economia mundial; e um normativo </p><p>prescrevendo uma estratgia de desenvolvimento baseado na rpida integrao com a </p><p>economia mundial (PRADO, 2001). </p><p> Ao longo das ltimas dcadas, ps Segunda Guerra Mundial, as naes viveram </p><p>um processo de industrializao, forado pelas potncias precursoras na revoluo </p><p>industrial iniciada em pases europeus. A globalizao dos mercados e consequente </p><p>acesso informao, possibilitaram que pases da sia, latino-americanos e africanos </p><p>ingressaram na modernizao industrial e comearam a investir em politicas de </p><p>substituio de importaes. </p><p> Aos poucos, a grande maioria da populao assalariada mundial se v envolvida </p><p>no mercado global, um mercado em que se movem compradores e vendedores de fora </p><p>de trabalho, mercadorias, valores de uso e valores de troca. So transaes que </p><p>multiplicam a generalizam os dinamismos das foras produtivas e relaes de produo, </p><p>propiciando uma acumulao acentuada e generalizada do capital, em mbito mundial </p><p>(IANNI, 2004). </p><p> Para Antunes (1999), uma noo ampliada de classe trabalhadora, refletindo a </p><p>diversidade da transao dos produtos e servios proporcionados pelo inicio da </p><p>globalizao dos mercados, inclui todos aqueles que vendem sua fora de trabalho em </p><p>troca de salrio, incorporando, alm do proletariado industrial, dos assalariados do setor </p><p>de servios, tambm o proletariado rural, que vende sua fora de trabalho para o capital. </p><p>A classe trabalhadora assume, no contexto do capitalismo atual, uma dimenso decisiva, </p><p>dada pelo carter transnacionalizado (ou globalizado) do capital e de seu sistema </p><p>produtivo. </p><p> Assim, o capital um sistema global interligado entre empresas, trabalhadores e </p><p>instituies. Novas regies industriais emergem e algumas desaparecem, alm de cada </p><p>vez mais as empresas se tronarem multinacionais, com a implantao de plantas fabris, </p><p>escritrios e centros de distribuio em deferentes pases. </p><p>Este resgate histrico possibilita compreender de que modo a as questes </p><p>econmicas e sociais eram debatidas, em detrimento poca e contexto instalado nestes </p><p>momentos da sociedade. Neste sentido possvel interligar, de modo geral, como as </p><p>discusses evoluram at chegarmos s discusses das sociedades modernas, portanto, </p><p>veremos na prxima sesso, de acordo com os tempos relevantes em determinados </p></li><li><p>perodos da histria contriburam para a emergncia do termo desenvolvimento </p><p>sustentvel. </p><p>2.2. DO CRESCIMENTO ECONMICO AO DESENVOLVIMENTO </p><p>SUSTENTVEL </p><p>A teoria do crescimento econmico tem mostrado como a economia pode exibir </p><p>taxas de crescimento endgeno, isto , que dependem fundamentalmente de parmetros </p><p>ligados tecnologia e s preferncias dos agentes. Estes modelos, em geral, possuem </p><p>duas caractersticas: (i) nfase nos fatores ligados a oferta e; (ii) uma relevncia </p><p>reduzida dos fatores financeiros como geradores do crescimento econmico. </p><p>No final da dcada de 1960, e incio da dcada de 1970, surgiu uma literatura </p><p>que apontava para a existncia de uma relao positiva entre o desenvolvimento </p><p>financeiro e o crescimento de longoprazo. O desenvolvimento financeiro consiste na </p><p>melhoria do desempenho dos mercados financeiros no exerccio de suas funes, a </p><p>saber: agregao de poupanas, seleo de projetos de investimento e monitoramento do </p><p>uso de recursos (STIGLITZ, 1989, p.56). </p><p>Oreiro et al. (2010), ao estudarem a relao entre desenvolvimento financeiro e </p><p>crescimento econmico, identificaram na literatura sobre o tema que, em primeiro lugar, </p><p>um maior desenvolvimento do setor financeiro, notadamente dos bancos comerciais, </p><p>tem um impacto positivo sobre o crescimento econmico ao aumentar a eficincia da </p><p>alocao de recursos. O efeito do desenvolvimento financeiro sobre a poupana e a </p><p>acumulao de capital tido como negligencivel, ou at mesmo negativo. </p><p>Um segundo ponto ressaltado pela literatura em questo que o </p><p>desenvolvimento financeiro nem sempre resulta de polticas de liberalizao financeira, </p><p>ao contrrio do que foi estabelecido pela assim chamada hiptese de represso </p><p>financeira, de Shaw e McKinnon (1973). Com efeito, a literatura terica e emprica </p><p>aponta para a possibilidade de que polticas de represso financeira e de direcionamento </p><p>de crdito atuem no sentido de estimular o desenvolvimento financeiro, o que tem </p><p>impacto positivo sobre o crescimento de longoprazo. </p><p>Para Smith (1776), o determinante econmico fundamental do crescimento </p><p>econmico a taxa de formao de capital. A taxa de crescimento econmico </p><p>proporcional sua taxa de investimento. Os principais elementos a serem considerados </p><p>ao analisar taxas de crescimento econmico residem em: nveis de acumulao de </p></li><li><p>capital, cresci...</p></li></ul>

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