A integração agroindustrial sob a perspectiva do ... ?· A integração agroindustrial sob a perspectiva…

Download A integração agroindustrial sob a perspectiva do ... ?· A integração agroindustrial sob a perspectiva…

Post on 08-Nov-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

TRANSCRIPT

  • A integrao agroindustrial sob a perspectiva do desenvolvimento sustentvel: o

    caso da suinocultura brasileira

    Alberto Abadia dos Santos Neto1

    Srgio Sauer2

    RESUMO

    Pretende-se, com este artigo, fazer uma reviso bibliogrfica, objetivando identificar a

    evoluo histrica da construo do conceito de desenvolvimento at chegar ao que hoje

    se define como desenvolvimento sustentvel, relacionando o conceito com o modelo

    contratual de integrao produtor-indstria vigente na suinocultura. Partindo do

    princpio de que a integrao agroindustrial uma forte tendncia para grande parte das

    cadeias produtivas do agronegcio, mostra-se necessrio estabelecer mecanismos que

    contemplem as necessidades tanto do produtor, em termos de cobrir seus custos com a

    produo e adequao ambiental, quanto da agroindustrial que necessita de matria-

    prima com qualidade e com padres especficos de transformao. Neste sentido, o

    problema central que norteia este estudo : como o estabelecimento desta integrao

    agroindustrial contempla necessidades das partes e, ao mesmo tempo, preconizando

    dimenses do desenvolvimento sustentvel como fator determinante para a vantagem

    competitiva dos atores ao longo da cadeia produtiva da suinocultura?

    1. INTRODUO

    A produo de sunos no Brasil iniciou uma nova fase a partir do final da dcada

    de 1980 e incio dos anos 1990 a produo deixa de lado o chamado porco banha,

    avanando em seu desempenho sobre as questes tcnicas e comerciais. Nos ltimos 20

    anos, a cadeia produtiva de sunos aumentou a produo de carne em mais de um

    milho de toneladas, fechando o ano de 2010 com quase quatro milhes de toneladas

    produzidas, e consolidando o pas como o quarto maior produtor e quarto maior

    exportador mundial de carne suna (ABIPECS, 2010).

    A suinocultura nos Estados brasileiros, principalmente nos da regio Sul, torna-

    se representativa nos efeitos multiplicadores de renda e emprego em todos os elos desta

    cadeia, intensificando a demanda de insumos agropecurios e a expanso e

    modernizao dos setores de comercializao e agroindstria. Como atividade rural

    predominante nas pequenas propriedades, responsvel por empregar

    significativamente mo de obra familiar, constituindo uma importante fonte de renda e

    de estabilidade social no campo e com reflexos positivos meio urbano. A produo de

    sunos exerce, conforme j mencionado, influncia direta nas cadeias produtivas do

    milho, da soja, e avanos genticos na espcie animal, visando o seu fortalecimento e os

    1 Gestor do Agronegcio pelo Universidade de Braslia

    2 Professor Doutor da Faculdade UnB Planaltina

  • elementos intrnsecos nos parmetros exigidos na segurana alimentar (ROESLER,

    CESCONETO, 2004).

    No que se refere a alguns aspectos do desenvolvimento sustentvel, podemos

    fazer relao da atividade da suinocultura com as questes da poluio ambiental e os

    benefcios econmicos gerados pelas regies produtoras do pas e , identificando em

    que medida a atividade tem se preocupado com um desenvolvimento capaz de suprir as

    necessidades da gerao atual em termos de oferta de protena animal de qualidade,

    preservao do meio ambiente, bem com acesso renda, por parte dos produtores, sem

    comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras geraes. Com um

    desenvolvimento que no esgota os recursos para o futuro.

    O intenso crescimento econmico ocorrido durante a dcada de 1950 no se

    traduziu necessariamente em maior acesso de populaes pobres a bens materiais e

    culturais, como ocorrera nos pases considerados desenvolvidos. A comear pelo acesso

    sade e educao (VEIGA, 2008). No caso da suinocultura, o acesso ao mercado

    internacional, por exemplo, no garantiu a melhoria e a amenizao dos prejuzos

    causados pelas drsticas oscilaes de preos no mercado interno.

    Nesse sentido, mostra-se necessrio avaliar o quanto o processo de mudana na

    estrutura da suinocultura brasileira para um modelo tecnolgico e de base contratual

    produtor-indstria, tem considerado os impactos econmicos, sociais e ambientais em

    seu processo de implementao e desenvolvimento.

    Para Rohenkohl (2007), a integrao produtiva pode assumir vrias formas,

    desde a integrao vertical propriamente dita, com uma empresa detendo a propriedade

    dos ativos utilizados nas vrias etapas de produo-transformao-distribuio, at

    contratos e relaes comerciais e produtivas mais frouxas.

    O processo de consolidao das condies contratuais entre indstria-produtor

    pode ser uma forma de dinamizar e possibilitar aspectos positivos que possam promover

    o desenvolvimento, mas como podemos identificar na suinocultura uma atividade que

    pode ser, ou j , sustentvel (economicamente e ambientalmente)?

    Diante destas perspectivas, de que a atividade da suinocultura, tem relevncia

    social e econmica, pretende-se com este artigo analisar do ponto de vista histrico da

    evoluo dos conceitos de crescimento econmico e desenvolvimento sustentvel o

    modelo de integrao agroindustrial da suinocultura brasileira.

    O presente artigo est estruturado, aps a introduo, com uma sesso que

    abrange as referncias que embasaram a discusso do estudo, seguido pela conceituao

  • do agronegcio, posteriormente discutisse questes sobre governana em geral e no

    setor da suinocultura e, por fim, as consideraes finais e conclusivas do estudo.

    2. REFERENCIAL TERICO

    2.1. REGASTE HISTRICO: O CAPITALISMO

    O desenvolvimento do capitalismo abordado em vrias obras de Karl Marx,

    entre as mais representativas e crticas, encontra-se O Capital: crtica da economia

    poltica, ao defender que o dinheiro se transforma em capital, quando se produz mais-

    valia com capital e mais capital com mais-valia. Ou seja, a acumulao primitiva,

    conforme defendido pelo autor, pressupe a necessidade de que a elite capitalista

    acumule capital e que o proletrio, no tendo nada mais a oferecer, oferea sua fora de

    trabalho, para que no futuro, quando tudo estiver estabilizado, inicia-se o processo de

    diviso de riquezas. Para Marx, por causa deste pensamento e direcionamento, a grande

    massa pobre, tendo apenas a fora de trabalho para vender, enquanto cresceu

    continuamente a riqueza de poucos.

    No caso da agricultura, na Inglaterra, a acumulao primitiva, se deu via

    expropriao de camponeses, ou seja, houve a necessidade de separar as pessoas dos

    meios de produo, o que acarretava na liberao de mo-de-obra e quanto maior a

    oferta, menor so os salrios.

    Max Weber em sua obra: A tica protestante e o esprito do capitalismo defende

    que o entendimento sobre o esprito do capitalismo, nasce medida que as pessoas

    passam a analisar que o controle de entradas e sadas financeiras passa a ser uma forma

    de organizao do capital, o autor apresenta um texto escrito por Benjamin Franklin:

    Lembra-te que crdito dinheiro. Se algum me deixar ficar com seu

    dinheiro depois da data do vencimento, est me entregando os juros ou tudo

    quanto nesse intervalo de tempo ele tiver rendido para mim. Isso atinge uma

    soma considervel se a pessoa tem bom crdito e dele faz bom uso

    (WEBWR, 1920, p.43).

    Segundo, Giddens (1998), h poucas relaes intelectuais na literatura

    sociolgica to difceis de interpretar como a existente entre os escritos de Karl Marx e

    os de Max Weber. Para o autor, o fato crucial para a diferenciao foi o fator da poca

    de anlise de cada um. No deve-se apenas considerar que os trabalhos de Weber forma

    em cima da refutao das teses de Marx.

    Ironicamente com a rejeio da anlise de Marx do capitalismo

    contemporneo e de suas esperanas ulteriores na forma futura de uma

    sociedade radicalmente nova. Marx, que escreveu uma gerao antes de

    Weber, acreditava que o capitalismo poderia ser e seria superado por uma

  • nova forma de sociedade. Weber escreveu com a percepo de ter

    testemunhado a formao do capitalismo industrial na Alemanha em

    circunstncias muito diferentes das da Inglaterra ou da Frana. O

    reconhecimento desse fato por Weber foi um elemento, no interior do seu

    pensamento, que lhe permitiu, apesar de recorrer a Marx, escapar da camisa

    de fora que os seguidores de Marx do Partido Social Democrtico buscaram

    impor histria, em nome do materialismo histrico (GIDDENS, 1998, p.

    94).

    Talvez uma das principais diferenas apontadas e percebidas em relao ao

    capitalismo, entre Marx e Weber, seria a questo em que Marx defende que o

    capitalismo surge diante da acumulao primitiva em que o comportamento oportunista

    da burguesia usufrua da mo-de-obra do proletrio para gerar riquezas. Mas para

    Weber, a tica do povo protestante era de que o trabalho era um dever, uma vocao.

    No visando o ganho material como o objetivo final. Como consequncia, os

    trabalhadores protestantes adaptavam com facilidade ao mercado de trabalho, tambm

    eles acumulavam capital j que a pregao de uma vida regada e sem usura era

    predominante. Ao acumular capital, faziam poupana ou criavam seus prprios

    negcios como reinvestimento produtivo.

    As contribuies de Marx e Weber so determinantes para o entendimento da

    evoluo histrica do capitalismo. As diferentes vertentes e perodos possibilitam

    entender que o processo de consolidao dos modelos de capitalismo, ainda hoje vistos

    na sociedade, so de relevncia at mesmo para compreender o cenrio contemporneo,

    em torno dos avanos da economia moderna.

    Para Ianni (2004), a globalizao do mundo expressa um novo ciclo de

    expanso do capitalismo, mas este processo de evoluo das relaes, sociais e

    econmicas, comearam a ser expressas por Marx e Weber, em dcadas passadas e

    ajudam a compreender, hoje, este modelo de produo e processo civilizatrio de

    alcance mundial, que tornou-se um processo de amplas propores envolvendo naes e

    nacionalidades, regimes polticos e projetos nacionais, grupos e classes sociais,

    economias e sociedades, culturas e civilizaes.

    O conceito de globalizao comeou a ser empregado desde meados da dcada

    de 1980, em substituio a conceitos como internacionalizao e transnacionalizao.

    Originalmente, esta ideia era sustentada por setores que defendiam a maior participao

    de pases em desenvolvimento, em especial os NICs (New Industrialized Countries)

    Latino-Americanos e Asiticos em uma economia administrada internacionalmente.

    Somente ao fim da dcada de 1980 e, particularmente, na dcada de 1990 que o termo

  • globalizao veio a ser empregado principalmente em dois sentidos: um positivo,

    descrevendo o processo de integrao da economia mundial; e um normativo

    prescrevendo uma estratgia de desenvolvimento baseado na rpida integrao com a

    economia mundial (PRADO, 2001).

    Ao longo das ltimas dcadas, ps Segunda Guerra Mundial, as naes viveram

    um processo de industrializao, forado pelas potncias precursoras na revoluo

    industrial iniciada em pases europeus. A globalizao dos mercados e consequente

    acesso informao, possibilitaram que pases da sia, latino-americanos e africanos

    ingressaram na modernizao industrial e comearam a investir em politicas de

    substituio de importaes.

    Aos poucos, a grande maioria da populao assalariada mundial se v envolvida

    no mercado global, um mercado em que se movem compradores e vendedores de fora

    de trabalho, mercadorias, valores de uso e valores de troca. So transaes que

    multiplicam a generalizam os dinamismos das foras produtivas e relaes de produo,

    propiciando uma acumulao acentuada e generalizada do capital, em mbito mundial

    (IANNI, 2004).

    Para Antunes (1999), uma noo ampliada de classe trabalhadora, refletindo a

    diversidade da transao dos produtos e servios proporcionados pelo inicio da

    globalizao dos mercados, inclui todos aqueles que vendem sua fora de trabalho em

    troca de salrio, incorporando, alm do proletariado industrial, dos assalariados do setor

    de servios, tambm o proletariado rural, que vende sua fora de trabalho para o capital.

    A classe trabalhadora assume, no contexto do capitalismo atual, uma dimenso decisiva,

    dada pelo carter transnacionalizado (ou globalizado) do capital e de seu sistema

    produtivo.

    Assim, o capital um sistema global interligado entre empresas, trabalhadores e

    instituies. Novas regies industriais emergem e algumas desaparecem, alm de cada

    vez mais as empresas se tronarem multinacionais, com a implantao de plantas fabris,

    escritrios e centros de distribuio em deferentes pases.

    Este resgate histrico possibilita compreender de que modo a as questes

    econmicas e sociais eram debatidas, em detrimento poca e contexto instalado nestes

    momentos da sociedade. Neste sentido possvel interligar, de modo geral, como as

    discusses evoluram at chegarmos s discusses das sociedades modernas, portanto,

    veremos na prxima sesso, de acordo com os tempos relevantes em determinados

  • perodos da histria contriburam para a emergncia do termo desenvolvimento

    sustentvel.

    2.2. DO CRESCIMENTO ECONMICO AO DESENVOLVIMENTO

    SUSTENTVEL

    A teoria do crescimento econmico tem mostrado como a economia pode exibir

    taxas de crescimento endgeno, isto , que dependem fundamentalmente de parmetros

    ligados tecnologia e s preferncias dos agentes. Estes modelos, em geral, possuem

    duas caractersticas: (i) nfase nos fatores ligados a oferta e; (ii) uma relevncia

    reduzida dos fatores financeiros como geradores do crescimento econmico.

    No final da dcada de 1960, e incio da dcada de 1970, surgiu uma literatura

    que apontava para a existncia de uma relao positiva entre o desenvolvimento

    financeiro e o crescimento de longoprazo. O desenvolvimento financeiro consiste na

    melhoria do desempenho dos mercados financeiros no exerccio de suas funes, a

    saber: agregao de poupanas, seleo de projetos de investimento e monitoramento do

    uso de recursos (STIGLITZ, 1989, p.56).

    Oreiro et al. (2010), ao estudarem a relao entre desenvolvimento financeiro e

    crescimento econmico, identificaram na literatura sobre o tema que, em primeiro lugar,

    um maior desenvolvimento do setor financeiro, notadamente dos bancos comerciais,

    tem um impacto positivo sobre o crescimento econmico ao aumentar a eficincia da

    alocao de recursos. O efeito do desenvolvimento financeiro sobre a poupana e a

    acumulao de capital tido como negligencivel, ou at mesmo negativo.

    Um segundo ponto ressaltado pela literatura em questo que o

    desenvolvimento financeiro nem sempre resulta de polticas de liberalizao financeira,

    ao contrrio do que foi estabelecido pela assim chamada hiptese de represso

    financeira, de Shaw e McKinnon (1973). Com efeito, a literatura terica e emprica

    aponta para a possibilidade de que polticas de represso financeira e de direcionamento

    de crdito atuem no sentido de estimular o desenvolvimento financeiro, o que tem

    impacto positivo sobre o crescimento de longoprazo.

    Para Smith (1776), o determinante econmico fundamental do crescimento

    econmico a taxa de formao de capital. A taxa de crescimento econmico

    proporcional sua taxa de investimento. Os principais elementos a serem considerados

    ao analisar taxas de crescimento econmico residem em: nveis de acumulao de

  • capital, crescimento populacional e produtividade de mo-de-obra. Smith reconheceu a

    existncia de trs fatores de produo: trabalho, capital e terra.

    O ndice econmico que mede os nveis de crescimento de uma economia

    Produto Interno Bruto (PIB), que a soma de todos os bens e servios produzidos em

    um pas durante certo perodo. O ndice s considera os bens e servios finais, de modo

    a no calcular a mesma coisa duas vezes, por exemplo, a matria-prima usada na

    fabricao no levada em conta. No caso de um po, a farinha de trigo usada no entra

    na contabilidade. Os fatores que influenciam a variao do PIB so: consumo da

    populao, taxas de juros, investimentos de empresas privadas, gastos do governo e o

    salvo da balana comercial.

    No debate sobre o desenvolvimento, termos como capital humano, capital fsico

    ou natural so por demais conhecidos. Capital social, no entanto, continua para muitos

    um conceito extremamente vago, um conceito passe-partout, que pode ser aplicado a

    certas situaes onde interaes sociais positivas se produzem (SACHS, LAGES;

    2001).

    Sachs e Lages (2001), definem alguns elementos constitutivos desse conceito, ao

    referi-lo como a capacidade das pessoas de uma dada sociedade: (i) de subordinar

    interesses individuais aos de grupos maiores; (ii) de trabalhar juntas visando a objetivos

    comuns ou ao benefcio mtuo; (iii) de se associar umas s outras e formar novas

    associaes; (iv) de compartilhar valores e normas tanto para a formao de grupos e

    organizaes estveis, quanto para constituir, compartilhar a gesto e, em suma, viver

    em sociedade; e (v) De viver em comunidade, interagindo socialmente de modo a criar e

    manter contextos onde se manifeste um ethos de comunidade.

    O conceito de Capital Social proposto pelo autor , portanto, na verdade, muito

    simples, em que tudo depende de padres de organizao e modos de regulao.

    Resumindo mais ainda, existe uma propenso bsica do ser humano para cooperar; para

    cooperar espontaneamente (FRANCO, 2001).

    Segundo Harper (2002), a discusso sobre capital social foi uma nova varivel

    demandada pelo Banco Mundial, que procurou alinhar o conceito com as discusses

    relacionadas ao desenvolvimento sustentvel nas sociedades em desenvolvimento.

    Considerou (por que o BIRD, no?) importante o capital social no contexto do

    desenvolvimento, porque as pessoas que trabalham em agncias e instituies

    desempenham um papel importante na tentativa de envolver comunidades locais nos

    projetos de desenvolvimento.

  • De acordo com Frey (2001), o debate acerca do desenvolvimento sustentvel,

    que ganhou contornos globais com a Conferncia das Naes Unidas sobre Meio

    Ambiente e Desenvolvimento, realizada em 1992 no Rio de Janeiro (Rio92 ou

    ECO92). e no ano de 2012 ratificado com a realizao da Rio+20, foi resultado de uma

    inquietao que parece ter atingido todo o planeta, no obstante a

    multidimensionalidade e as graves divergncias existentes entre os diversos grupos e

    interesses que fazem parte deste suposto novo movimento histrico transnacional. Em

    contraposio, a disseminao do neoliberalismo em todas as partes do mundo trouxe de

    volta um clima favorvel ao economicismo e um discurso pblico irrefletido e mope

    que propaga um crescimento econmico desenfreado e privilegia a questo da gerao

    de emprego a qualquer custo, em detrimento das preocupaes acerca da

    sustentabilidade que prevaleceram no mundo.

    O conceito de desenvolvimento sustentvel um conceito normativo que surgiu

    com o nome de ecodesenvolvimento no incio da dcada de 70. Ele surgiu num contexto

    de controvrsia sobre as relaes entre crescimento econmico e meio ambiente,

    exacerbada principalmente pela publicao do relatrio do Clube de Roma que pregava

    o crescimento zero como forma de evitar a catstrofe ambiental. Ele emerge deste

    contexto como uma proposio conciliadora, onde se reconhece que o progresso tcnico

    efetivamente relativiza os limites ambientais, mas no os elimina e que o crescimento

    econmico condio necessria, mas no suficiente para a eliminao da pobreza e

    disparidades sociais. O tempo jogou a favor de uma ampla aceitao desta proposio,

    mas que, por esta ser basicamente normativa, no foi capaz de eliminar as divergncias

    quanto sua interpretao (ROMEIRO, 2001).

    As dificuldades desse entendimento revelam-se no apenas nas incontveis

    definies de desenvolvimento sustentvel, como tambm nas diferenas de

    interpretao de uma mesma definio. No Relatrio Brundtland (CMMAD, 1988).

    laborado pela Comisso Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que

    apontou a incompatibilidade com o desenvolvimento sustentvel dos padres de

    produo e consumo vigentes, por exemplo, defendeu que o desenvolvimento

    sustentvel basicamente como que satisfaz as necessidades atuais sem sacrificar a

    habilidade de o futuro satisfazer as suas.

    O conceito de desenvolvimento sustentvel um enfoque de desenvolvimento

    socioeconmicos orientado para: a satisfao de necessidades bsicas; o

  • reconhecimento do papel fundamental que a autonomia cultural desempenha nesse

    processo de mudana; e oferecer um conjunto de critrios para se avaliar a pertinncia

    de aes mais especificas (SACHS, 1992).

    No que se refere a agricultura, o Brasil , hoje, um dos grandes exportadores

    mundiais de commodities como soja, acar, lcool, laranja, frango, carne vermelha,

    caf e fumo, entre outras. Da exportao de produtos do setor primrio depende

    fortemente a economia do pas, o que , na verdade, uma de nossas marcas mais antigas

    e contnuas (GRYNSPAN, 2009).

    Com o processo de democratizao da sociedade brasileira na dcada de 1980,

    segundo Delgado (2009), o pas revitalizou seu movimento sindical, surgiram novos

    movimentos sociais no campo, mudaram os personagens e as demandas do mundo do

    trabalho rural e comeou a ser elaborada uma crtica contundente ao modelo de

    modernizao agrcola adotado, conhecido internacionalmente como revoluo verde.

    Deste modo o agricultara brasileira evolui seguindo altos nveis de investimentos em

    mecanizao e com uso intensivo de defensivos, agrotxicos e fertilizantes agrcolas,

    que possibilitaram ao pas atender a demanda mundial por commodities. tica pela qual

    o termo agronegcio inserido no pas.

    2.3.AGRONEGCIO

    O termo agronegcio (agribusiness) tem sua origem vinculada aos trabalhos de

    Davis e Goldberg (1957 apud BATALHA, 2007), sendo definido como

    a soma das operaes de produo e distribuio de suprimentos agrcolas,

    das operaes de produo nas unidades agrcolas, do armazenamento,

    processamento e distribuio dos produtos agrcolas e itens produzidos a

    partir deles (BATALHA, 2007, p.27).

    O estudo formal das relaes da agricultura com os demais setores da economia

    tem no trabalho de Davis e Goldberg (1957) uma das mais importantes contribuies,

    pois foi a partir do conceito de agribusiness proposto pelos autores que inmeros

    trabalhos foram realizados em diferentes pases, tendo como foco de anlise no mais a

    agricultura como um setor isolado da economia, mas como parte de um sistema

    composto por setores a montante e a jusante da produo agrcola (COSER, 2010).

    Durante a dcada de 1960, difundiu-se no mbito da escola industrial francesa a

    noo de analyse de filire. Embora o conceito de filire no tenha sido desenvolvido

    especificamente para estudar a problemtica agroindustrial, foi entre os economistas

  • agrcolas e pesquisadores ligados aos setores rural e agroindustrial que ele encontrou

    seus principais defensores. Com o sacrifcio de algumas nuanas semnticas, a palavra

    filire foi traduzida para o portugus pela expresso cadeia de produo e, no caso do

    setor agroindustrial, cadeia de produo agroindustrial, ou simplesmente cadeia

    agroindustrial (BATALHA, 2007).

    Ainda, segundo Batalha (2007), a literatura francesa utiliza em vez de Sistema

    Agroindustrial, a denominao de Sistema Agroalimentar. Entende-se que o Sistema

    Agroalimentar est contido no Sistema Agroindustrial. Conservar a denominao

    apenas como Sistema Agroalimentar implicaria excluir todas as firmas agroindustriais

    (madeira, fibras vegetais, couro etc.) que no tm como atividade principal a gerao de

    alimentos e, desta forma, o conceito de Sistema Agroindustrial mais amplo.

    No que se refere cadeia de produo, Batalha (2007) defende que esta pode ser

    segmentada de jusante a montante, em trs macrossegmentos:

    A. Comercializao: representa as empresas que esto em contato com o cliente

    final da cadeia de produo e que viabilizam o consumo e o comrcio dos

    produtos finais (supermercados, mercearias, restaurantes, cantinas, etc.).

    B. Industrializao: representa as firmas responsveis pela transformao das

    matrias-primas em produtos finais destinados ao consumidor. O consumidor

    pode ser uma unidade familiar ou outra agroindustrial.

    C. Produo de Matrias-Primas: rene as firmas que fornecem as matrias-primas

    iniciais para que outras empresas avancem no processo de produo do produto

    final (agricultura, pecuria, pesca, piscicultura, etc.).

    Alm destes listados, o setor de produo de insumos poderia entrar como quarto

    macrossegmento, responsvel pelo atendimento da demanda dos produtores rurais, que

    por sua vez so responsveis por atender demanda da indstria.

    Percebe-se, pela Figura 1, que o agronegcio visto como a cadeia produtiva

    que envolve desde a fabricao de insumos, passando pela produo nos

    estabelecimentos agropecurios e pela sua transformao, at o seu consumo. Essa

    cadeia incorpora todos os servios de apoio: pesquisa e assistncia tcnica,

    processamento, transporte, comercializao, crdito, exportao, servios porturios,

    distribuidores, industrializao e o consumidor final. O valor agregado do complexo

  • agroindustrial passa, obrigatoriamente, por cinco mercados: o de suprimentos; o da

    produo propriamente dita; o do processamento; o de distribuio; e o do consumidor

    final (GASQUES et al., 2004).

    Figura 1 - Cadeia do Agronegcio

    Fonte: Zylbersztajn e Farina (1997, apud GASQUES. et al. 2004)

    2.3.1. GOVERNANA DOS SISTEMAS AGROINDUSTRIAIS

    A ruptura da agricultura vista como um setor isolado para uma abordagem de

    cadeia produtiva como componente de um sistema agroindustrial requer formas de

    anlises que sejam capazes de conectar o sistema produtivo, levando em considerao

    os aspectos relativos aos agentes econmicos e ao ambiente organizacional e

    institucional (ZYLBERSZTAJN, 2005).

    Nesse sentido, a Nova Economia Institucional (NEI) utilizada como base

    terica para compreenso dos sistemas agroindustriais, uma vez que prope um novo

    papel para as firmas como estruturas das relaes econmicas, bem como ressalta a

    importncia que desempenham as instituies no desenvolvimento econmico.

    SISTEMA AGROINDUSTRIAL

  • A Nova Economia Institucional (NEI) aborda o papel das instituies sob duas

    instncias de anlise distintas: as macroinstituies (ambiente institucional) e as

    microinstituies (estruturas de governana). As macroinstituies referem-se ao

    conjunto de normas, leis, organizaes e regimes que regulam o sistema econmico

    atravs do ambiente organizacional. As microinstituies correspondem s estruturas de

    governana que regulam uma transao especfica entre os agentes econmicos, como

    contratos e normas das organizaes ou entre as envolvidas (AZEVEDO, 2000).

    Diante do exposto, a Estrutura de Governana caracteriza-se como um conjunto

    de regras (instituies) tais como contratos entre particulares ou normas internas s

    organizaes que governam uma determinada transao (FARINA, 1999).

    Sistemas de governana nada mais so do que mecanismos de coordenao que

    permitem lidar com uma dimenso fundamental do agribusiness, ou seja, a dimenso

    temporal, associada perecibilidade dos produtos e sincronicidade da produo,

    envolvendo vrios agentes (SIFFERT FILHO; FAVERET FILHO, 1999).

    Com relao a anlises de estruturas governana, a atividade da suinocultura

    brasileira apresenta-se como uma atividade agroindustrial que compreende inmeras

    relaes de poder e subordinao entre produtor e indstria que possibilitam debater a

    governana na estruturao desta cadeia produtiva.

    2.3.2. GOVERNANA NA SUINOCULTURA

    De acordo com a ABIPECS (2010), o Brasil possui fortes vantagens

    competitivas na produo e comercializao de sunos, sendo elas: sistema de produo

    integrao vertical - tecnologicamente atualizado; mercado interno competitivo;

    institutos de pesquisa; empresas com marcas mundialmente conhecidas; condies

    climticas ideais para a produo; e soja e milho disponvel para a alimentao. Alm

    disso, possui uma rea maior que 4 milhes de Km2 e PIB superior a US$ 500 Bilhes,

    situao em que s os Estados Unidos e a China compartilham atualmente.

    A garantia no suprimento de matria prima em quantidade, qualidade e

    regularidade para o abastecimento da indstria frigorfica, e a necessidade de maior

    segurana na comercializao para os produtores, foi determinante para o avano de

    sistemas que permitam maior interao entre diferentes elos de uma mesma cadeia.

    Dentro das diferentes possibilidades existentes, os contratos de integrao de sunos se

  • destacaram, proporcionando melhor coordenao entre a produo e o mercado, e

    possibilitando um rpido crescimento da atividade (COSER, 2010).

    Contrato de integrao de sunos a denominao mais utilizada para o sistema

    de coordenao da produo baseado no acordo formal entre produtores de sunos e

    agroindstrias. Tomando como base a teoria da Nova Economia Institucional, este

    sistema classificado como uma forma hbrida, tambm denominada simplesmente de

    governana contratual (COSER, 2010).

    A possibilidade de oportunismo pelo envolvimento de ativos de alta

    especificidade, as mudanas no ambiente institucional ou organizacional, a diviso dos

    riscos, a busca por uma relao mais equitativa e as exigncias do mercado, so alguns

    dos fatores que implicam em possibilidades de alteraes nos acordos firmados entre

    produtores de sunos e agroindstrias.

    Paiva (2007) descreve da seguinte maneira as caractersticas bsicas dos

    contratos agroindustriais vistos sob um enfoque econmico. A partir de uma anlise

    econmica, podem ser individualizadas trs caractersticas bsicas dos contratos de

    integrao vertical agroindustriais:

    a) Repartio dos riscos e at mesmo a reduo ou anulao de alguns

    destes, seja para o produtor, quanto colocao dos seus produtos no

    mercado, seja para a indstria quanto ao fornecimento regular de

    matria-prima de qualidade.

    b) Concernente multiplicidade e particularidade das formas de

    remunerao acordadas pelas partes.

    c) Caracterstica desses contratos representada pela renncia por parte do

    produtor agrcola (via de regra sobre a indstria que recai a maior parte

    do poder de deciso) de parcela dos seus poderes de autodeterminao

    em favor do integrador, atravs da assuno de obrigaes, dentre as

    quais a mais comum a de submeter-se s regras tcnicas, ao controle,

    produo exclusiva de determinados bens determinada pela indstria.

    O agronegcio da suinocultura, portanto, uma atividade que tem

    representatividade e importante papel para o pas. A cadeia , sobretudo, dominada pela

    governana exercida pelas agroindstrias mediante contratos de parcerias com os

  • produtores, a Figura 2, ilustra de maneira geral quais so as responsabilidades do

    produtor e indstria definidas nestes contratos.

    Figura 2 - Ambiente de Formao de Contratos de Integrao de Sunos

    Fonte: COSER (2010, p. 66).

    Coser (2010), ao estudar uma amostra de 14 contratos de integrao na

    suinocultura do Brasil, das principais indstrias do setor, identificou que nesta estrutura

    de governana os produtores assumem as despesas de investimento, mo de obra e meio

    ambiente, enquanto as integradoras assumem as despesas com raes e animais,

    assistncia tcnica e estrutura logstica.

    3. CONSIDERAES FINAIS

    Para Max Weber, o capitalismo existe onde quer que se realize a satisfao das

    necessidades de um grupo humano, com carter lucrativo e por meio de empresas. Ele

    estabeleceu como condio prvia para a existncia do capitalismo moderno, a

    contabilidade racional do capital, como norma para todas as grandes empresas lucrativas

    que se ocupam das necessidades cotidianas. Para Marx, as condies de produo do

    sistema capitalista obrigam o trabalhador a vender mais tempos de trabalho do que o

    necessrio para produzir valores equivalentes s suas necessidades de subsistncia.

    A utilizao da integrao agroindustrial na suinocultura, objeto de anlise do

    presente artigo, tem no setor uma histria de mais de 50 anos de experincia, onde

    pode-se observar as ideias defendidas por Weber. O sistema de produo integrada de

    sunos foi o meio encontrado pela agroindstria para garantir o fornecimento de matria

    prima em quantidade, qualidade e regularidade na oferta e consequente lucratividade

  • dos mesmos. De acordo com Coser (2010), os sistemas de integrao foram iniciados a

    partir de acordos tcitos entre produtores de sunos e pequenos frigorficos regionais.

    Mas atualmente os contratos de integrao de sunos so acordos complexos, que

    coordenam diversos aspectos da produo, garantem segurana de fornecimento de

    matria prima agroindstria e oferecem garantia na comercializao aos produtores.

    As ambiguidades encontradas na constituio dos contratos produtor-

    agroindstria na suinocultura residem principalmente com relao ao modo de

    distribuio dos direitos de propriedade entre as partes, ao sistema de remunerao do

    integrados, escala de produo envolvida, localizao geogrfica da produo, ao

    momento econmico da atividade, entre outras. De modo geral, os acordos contemplam

    o modo de diviso dos ativos compartilhados entre as partes; o sistema de fornecimento

    de insumos, tecnologia e assistncia tcnica; a definio do sistema de produo; o

    padro de remunerao do integrado; o prazo de vigncia e as possibilidades de resciso

    so todos aspectos definidos apenas pela agroindstria.

    As mudanas relacionadas ao ambiente organizacional, como a concentrao

    empresarial por parte das agroindstrias e o aumento das escalas de produo por parte

    dos integrados; as alteraes impostas pelo ambiente institucional, que impem regras

    mais rgidas de produo em relao aos aspectos ambientes, sociais, de segurana dos

    alimentos e bem-estar animal; e o aumento das exigncias dos consumidores externos e

    internos; so todos fatores que aumentaro a complexidade desta relao de negcios, e

    muito provavelmente induziram uma mudana na agenda dos participantes desta

    relao.

    No que se refere s divergncias que produtores e agroindstrias possuem a

    respeito dos contratos de integrao de sunos, sobretudo no que diz respeito ao

    equilbrio das partes nesta relao de negcios, os contratos de integrao tm se

    mostrado eficientes na coordenao tcnica. Se este modelo eventualmente pode ser

    considerado pouco equitativo, ao mesmo tempo podem ser considerados extremamente

    eficientes do ponto vista econmico, como mostram os dados de crescimento do setor.

    Ao mesmo tempo possvel identificar pequenos produtores que no esto

    inseridos neste contexto. So produtores, muitas vezes, que deveriam produzir um

    animal, que mais tarde tornaria a protena animal da famlia, com padres de qualidade

    que garantissem esta relao, porm estes pequenos agricultores desprovidos de

    qualquer tipo de assistncia tcnica e/ou orientao sobre a produo e sem. Muito

  • menos, acesso a qualquer tipo de crdito no conseguem ter uma boa relao econmica

    e ambiental com a produo.

    A produo de sunos no pas vive, atualmente, uma das maiores crises

    provocada, principalmente, pela sua estrutura de governana dominada pela

    agroindstria, mediante os contratos de integrao, o oligoplio formado pelo setor

    causa danos sociais e econmicos, em regies do Sul do pas que sempre tiveram

    tradio na produo de sunos. Cada vez mais produtores migram, devido a

    insatisfao com os retornos financeiros, para outras atividades agropecurias que, em

    geral, dependem de investimentos nas especificidades de culturas que no so a vocao

    da regio.

    A gesto de resduos gerados pela suinocultura trouxe nos ltimos anos,

    vantagens competitivas aos produtores que a fazem de forma correta. A utilizao de

    sistemas como cama sobreposta, lagoa de tratamento de dejetos e biodigestores,

    possibilitam tais vantagens frente aqueles produtores que no adotam estas tecnologias.

    A criao de sunos em confinamento tem potencial para poluir, essa

    caracterstica se deve, fundamentalmente, composio qumica dos dejetos e quando

    estes so lanados ao solo, cursos ou fontes de gua, sem o adequado tratamento podem

    contamina-los. Esses dejetos devem passar pelo tratamento adequado, pois desta forma

    pode-se evitar os problemas citados, fazendo necessria uma reciclagem de dejetos,

    dentro dos princpios da preservao ambiental. A dimenso econmica do

    desenvolvimento sustentvel integra aspectos de competividade e viabilidade em

    relao capacidade tecnolgica de produzir.

    Com a reciclagem dos dejetos de sunos e uso de biofertilizantes nas reas

    agrcolas, possvel o retorno econmico. Os sistemas de produo e o grau de

    especializao das unidades, buscam a viabilidade e o alcance social da suinocultura no

    desenvolvimento sustentvel.

    Em contrapartida o acesso a estas tecnologias, tambm, esto relacionadas ao

    poder aquisitivo dos produtores, empresas de tecnologias proteo do meio ambiente

    criam mecanismo de incentivo aos produtores para adquirirem seus produtos, mas este

    acesso limitado e ainda no atinge grande parcela dos suinocultores brasileiros.

    Em linhas gerais, a suinocultura uma atividade econmica agropecuria que

    emprega e gera renda a diversas comunidades do pas concentradas no Sul, Sudeste e

    Centro-Oeste do pas e, atualmente, avana na fronteira da regio Nordeste.

    Ambientalmente, mostra-se como uma atividade de alto risco, vista a toxidade dos

  • dejetos dos animais, de modo que a qualidade da carne est associada a investimentos

    em tecnologias que possibilitem uma produo limpa e livre de riscos de contaminao.

    Por fim, para responder a questo central deste artigo seria necessrio

    acompanhar fluxos econmicos, distribuio dos resultados financeiros entre os atores

    que compem esta cadeia produtiva, os nveis de satisfao com a atividade dos

    produtores e de suas famlias, a destinao de dejetos dos animais e etc., ou seja,

    analisar o equilbrio da atividade entre a regio de produtora, a comunidade local e meio

    ambiente. Em caso de uma analise positiva a atividade encaminha-se para um

    desenvolvimento sustentvel.

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

  • ABIPECS. Associao Brasileira das Indstrias Produtoras e Exportadoras de

    Carne Suna. Disponvel em: . Acesso em: 03 Jun. 2012.

    ANTUNES, Ricardo. Os sentidos do trabalho. Ensaio sobre a afirmao e a negao

    do trabalho. So Paulo: Boitempo, 1999.

    AZEVEDO, P. F. Nova Economia Institucional: Referencial Geral e Aplicaes para a

    Agricultura. Agricultura So Paulo, v.47, n.1, p. 33-52, 2000.

    BATALHA, Mrio O. Gesto Agroindustrial. 3 ed. So Paulo: Atlas, 2007.

    COSER, F. J. Contrato de integrao de sunos: formatos, contedos e deficincias

    da estrutura de governana predominante na suinocultura brasileira. Dissertao

    (Mestrado em Agronegcios) Universidade de Braslia, 2010.

    DAVIS, J. H.; GOLDBERG, R. A. A concept of agribusiness. Boston: Harvard

    University, 1957.

    DELAGADO, N. G. O papel do rural no desenvolvimento nacional: da

    modernizao conservadora dos anos 1970 ao Governo Lula. BRASIL. Ministrio

    do Desenvolvimento Agrrio. Brasil Rural em debate. Braslia, CONDRAF/MDA,

    2010.

    FARINA, E. M. M. Q. Competitividade e Coordenao de Sistemas Agroindustriais:

    Um Ensaio Conceitual. Revista Gesto & Produo, vol. 6, n.3, p. 147-161, dez.

    1999.

    GASQUES, J.G. et al. Desempenho e Crescimento do Agronegcio no Brasil. In.:

    Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada, IPEA. N 1009, Braslia, 2004.

    GIDDENS, Anthony. Poltica, Sociologia e Teoria Social: Encontros com o

    pensamento social clssico e contemporneo. So Paulo. Editora da Unesp, 1997.

    GRYNSPAN, Mrio. A afirmao do agronegcio: novos agentes e representaes

    do rural. Anais do XXXIII Encontro Anual da Anpocs, Caxambu, 2009.

    HARPER, R. The measurement of Social Capital in the United Kingdom. Office for

    National Statistics. September, 2002.

    IANNI, O. A era do globalismo. 8 edio. Rio de Janeiro: Civilizaes brasileiras,

    2004.

    KLAUS, F. A dimenso poltico-democrtica nas teorias de desenvolvimento

    sustentvel e suas implicaes para a gesto local. Ambiente & Sociedade - Ano IV

    n. 09, 2001.

    MARX, KARL. O Capital: Crtica da economia poltica. Rio de Janeiro: Civilizao

    brasileira, 1980, Livro 1, vol. 2.

    http://www.abipecs.org.br/

  • MCKINNON, R.I. Money and Capital in Economic Development. Brookings

    Institution, Washington, 1973.

    OREIRO, J. L. et al., Desenvolvimento financeiro e crescimento econmico: teoria e

    evidncia. Seccin de Estudios del Desarrollo, Santiago de Chile, outubro do 2010.

    PAIVA, N. S. Contornos Jurdicos e Matizes Econmicas dos Contratos de Integrao

    Vertical Agroindustriais no Brasil. In: _______. XI Conferencia Anual da ALACDE,

    2007, Braslia.

    PEREZ, L. H. Evoluo das exportaes de carne suna. In.: Informaes Econmicas,

    v.36, n.8, So Paulo: FGV, Ago. 2006.

    PRADO, L. C. D. Globalizao: notas sobre um conceito controverso. UFRJ, 2001.

    ROHENKOHL, J. E. A Integrao Produtiva entre Agropecuria e Agroindstria: uma

    discusso introdutria em torno da Suinocultura, Revista Economia e

    Desenvolvimento, n. 19, 2007.

    ROMEIRO, A. R. Economia ou economia poltica da sustentabilidade? Texto para

    Discusso. IE/UNICAMP n. 102, set. 2001.

    SACHS, Ignacy & LAGES, V. N. Conferencia Regional sobre Capital Social y

    Pobreza. Organizadores: Cepal Y Universidad Del Estado De Michigan Santiago, Chile

    24 A 26 De Septiembre De 2001.

    SIFFERT FILHO, N.; FAVERET FILHO, P. O Sistema Agroindustrial de Carnes:

    Competitividade e Estruturas de Governana. Campinas, 1999.

    STIGLITZ, J. Financial markets and development. Oxford Review of Economic

    Policy, Vol. 5, N.4. 1989.

    VEIGA, J.E. Desenvolvimento Sustentvel: o desafio do sculo XXI. 3 edio. Rio

    de Janeiro, Garamond, 2008.

    WEBER, Max. tica protestante e o esprito do capitalismo. So Paulo: Companhia

    das letras, 2004.

    ZYLBERSZTAJN, D. Papel dos Contratos na Coordenao Agro-Industrial: Um Olhar

    Alm dos Mercados. Revista de Economia e Sociologia Rural, SOBER, Rio de

    Janeiro, vol. 43, n. 03, p. 385-420, julho/set 2005.

Recommended

View more >