A INDISCIPLINA E A VIOLÊNCIA NA ESCOLA (BULLYING) ?· comportamentos desviantes, será a natureza humana?…

Download A INDISCIPLINA E A VIOLÊNCIA NA ESCOLA (BULLYING) ?· comportamentos desviantes, será a natureza humana?…

Post on 08-Nov-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

TRANSCRIPT

  • A INDISCIPLINA E A VIOLNCIA NA ESCOLA (BULLYING)

    ROBERTO RZEWUSKI

    RESUMO

    Este estudo oportuniza a fazer um diagnstico dos fatores que imperam para o

    processo crescente de violncia na Escola. Tratando-se de relacionar a discusso sobre a

    violncia na escola- problema atual, ao qual se debruam especialistas das mais diversas

    reas com a discusso sobre a funo da escola e suas possibilidades de educar na

    sociedade contempornea. Sugere-se que a violncia no mbito do cotidiano escolar

    pode ser tratada a partir da clareza que se tenha sobre nosso lugar como educadores e

    da importncia da escola como instituio realizadora a do direito educao. Com esta

    pesquisa relacionaremos os principais motivos que geram a indisciplina e a violncia, e,

    faremos e mensuras para diagnosticar que tipos de violncia o que leva a violncia,

    quantidade de vezes que um aluno sofre violncia. Natureza da indisciplina. Os alunos

    so indisciplinados por natureza ou porque as circunstncias os estimulam a assumir

    comportamentos desviantes, ser a natureza humana? uma tendncia natural do ser

    humano. Est escrito no cdigo gentico? E, ou a natureza humana um recipiente vazio,

    pronto a ser preenchido pelos estmulos que recebe do exterior. Conforme a natureza

    desses estmulos assim ser a criana ou o adulto? Com esta proposta de trabalho de

    pesquisa avaliaremos em que faixa etria acontece situaes de violncia e indisciplina

    com que intensidade e com qual frequncia. A violncia, no mbito das escolas pblicas

    estaduais, pode ser entendida como um processo complexo e desafiador que requer um

    tratamento adequado, cuidadoso e fundamentado teoricamente, por meio de

    conhecimentos cientficos, desprovidos de preconceitos e discriminaes.

    REVISANDO CONCEITOS

    Atualmente, as diversas modalidades de violncia engendradas na sociedade

    atingem, alm dos espaos privados, queles de domnio pblico. Os efeitos desta

    violncia acabam por afetar praticamente todos os contextos institucionais, entre eles, a

  • escola.

    Ao estudarmos questes referentes dade violncia/indisciplina, circunscrita aos

    estabelecimentos escolares formais, procuramos ter como um dos pontos de orientao

    um conceito ampliado de violncia, visto que esta tradicionalmente percebida

    preferencialmente enquanto danos fsicos e materiais. O conceito de violncia oferecido

    por Chau (1985) bastante abrangente, sobretudo ao ser utilizado na anlise de

    instituies:

    Entendemos por violncia uma realizao determinada das relaes de foras,

    tanto em termos de classes sociais, quanto em termos interpessoais. Em lugar de

    tomarmos a violncia como violao e transgresso de normas, regras e leis, preferimos

    consider-la sob dois outros ngulos. Em primeiro lugar, como converso de uma

    diferena e de uma assimetria numa relao hierrquica de desigualdade, com fins de

    dominao, de explorao e opresso. Isto , a converso dos diferentes em desiguais e

    a desigualdade em relao entre superior e inferior. Em segundo lugar, como a ao que

    trata um ser humano no como sujeito, mas como coisa. Esta se caracteriza pela inrcia,

    pela passividade e pelo silncio de modo que, quando a atividade e a fala de outrem so

    impedidas ou anuladas, h violncia. (CHAU, 1985, p. 35).

    Nos nossos dias, cada vez mais difcil estabelecer a disciplina e faz-la respeitar.

    que, hoje, a posio do aluno muito diferente da que conheceram o seu pai e o seu

    av. Estes viveram entre a famlia e a escola. Em meios homogneos, com toda a gente

    admitia os modos de vida aceitos pela maioria e rejeitava quaisquer outros. Com o efeito

    da evoluo das condies gerais de vida, em todos os meios, as crianas tornaram-se

    mais independentes, menos dispostas a obedecer autoridade dos adultos.

    Hoje, vive-se numa sociedade onde crianas e jovens em alguns casos no tm

    limites, nem to pouco, regras.

    (...) as crianas de hoje em dia no tem limites, no reconhecem a autoridade, no respeitam as regras, a responsabilidade por isso dos pais, que teriam se tornado muitos permissivos. (AQUINO, 1998, p.7).

    Podemos observar que atualmente algumas crianas, tornaram-se indisciplinadas,

    sem limites, sem regras, ou seja, desconhecem uma boa educao; acham que so

    donos de si, e que no precisam receber ou respeitar ordem de ningum. Esse tipo de

    criana aquela que muito mimada, que tudo deve estar ao seu alcance, ao tempo e a

    hora; acha tambm que os pais devem comprar tudo que almeje.

    Esse tipo de criana chega escola, quer fazer o mesmo na sala de aula, grita e

  • d ordens nos colegas, e quer at mesmo mandar a professora calar a boca. Para Julio

    Groppa Aquino (2003). (...) a indisciplina se trata de um fenmeno escolar que ultrapassa

    fronteiras socioculturais e tambm econmicas.

    Como diz Aquino; a indisciplina realmente no existe somente atrs do meio

    sociocultural, ou econmico, ela nasce tambm atravs da falta de afetividade, do resgate

    de valores.

    Em um ambiente onde no h compreenso, dialogo amor e socializao familiar;

    com certeza tem-se um sentimento de revolta, e desgosto e uma criana que nasce em

    um lar desequilibrado; onde no existe a afetividade familiar, logicamente, sentir

    rejeitado pela vida, o desanimado, e a tendncia ser descontar, em tudo e todos a sua

    revolta.

    As crianas indisciplinares no admitem receber ordens e no aceitam regras, nem

    to pouco, limites impostos pelo professor ou pela escola.

    Assim podemos ver que a indisciplina lamentavelmente gera graves transtornos,

    em sala de aula e at mesmo na escola, demonstrados atravs do descumprimento de

    regras como tambm pela falta de limites que os alunos evidenciam desafiando aos

    professores por meio de atividades agressivas.

    Disciplina representa a maneira de agir do individuo, em sentido de cooperao,

    bem como de respeito e acatamento s normas de convvio de uma comunidade.

    Conforme adverte Guirado (1996), para pensarmos na violncia escolar

    contempornea imprescindvel que se retire o discurso do eixo das culpabilizaes

    localizadas.

    Dessa forma, ao darmos voz aos sujeitos institucionais, buscamos investigar os

    atravessamentos advindos das redes de poder previamente estabelecidas, ou seja, os

    efeitos que regulam os modos de relaes entre os sujeitos.

    Por meio deste olhar sobre as instituies, a escola pode deixar de ser vista como

    tendo carter essencialmente passivo e passar a ser vista como produtora de relaes e

    prticas sociais especficas.

    Falar sobre indisciplina escolar falar sobre assuntos presentes no cotidiano dos

    colgios. A constatao que a indisciplina escolar no assunto recente e sempre rondou

    o ambiente escolar/educacional (AQUINO, 1996, p. 40; GARCIA, 2001, p.376; ESTRELA,

    2002, p. 13). AQUINO (1996. p. 43) mostra que as relaes escolares da educao de

    antigamente eram permeadas por medo, coao e at mesmo de submisso dos alunos

    demonstra que essas relaes eram determinadas em termos de obedincia

    subordinao, uma pseudo-disciplina.

  • Nesta educao de antigamente, as situaes de disciplina eram descritas

    rigorosamente, para os atos de indisciplina, as correes eram estimuladas e apoiadas.

    A indisciplina sempre existiu, mas a opresso que o professor exercia sobre seus alunos

    na educao de antigamente -, era maior que a existente na atualidade, e o aluno, que

    estava sendo formado eram muito diferentes do atual.

    Para aquele momento, o educando submisso e passivo era almejado. Continuamos

    a guardar herana pedaggica que alheia aos nossos dias? Os tempos mudaram, a

    sociedade muda, os professores e os alunos mudaram, espera-se que os discentes, na

    atualidade sejam mais participativos e atuantes e no apenas assimiladores de contedos

    impostos pelo professor. Os parmetros que norteiam a educao e a escolarizao so

    regidos por aluno ideal ou real? A escola est organizada para um tipo de aluno e est

    ocupada por outro?

    Para GARCIA (2001, P. 376), Devemos conceber a indisciplina como fenmeno de

    aprendizagem, superando sua conotao de anomalia, ou de problema comportamental a

    ser neutralizado atravs de mecanismos de controle, sobrepujando a ideia de que a

    indisciplina uma questo relativa somente ao comportamento. Dessa maneira, o aluno

    indisciplinado no seria apenas aquele cujas aes rompem as regras da instituio, mas

    tambm, aquele que prejudica o seu prprio desenvolvimento cognitivo, moral e atitudinal.

    A violncia para Guimares (1996, p. 73), seria caracterizada por qualquer ato [...]

    que, no sentido jurdico, provocaria pelo uso da fora um constrangimento fsico ou

    moral. Dessa maneira muitos comportamentos apresentados pelos alunos durante as

    aulas agresses fsicas e verbais, vandalismo, entre outros - no seriam indisciplina

    escolar, mas violncia devendo, portanto, ser abordados com formas diferentes.

    Nesse domnio a violncia escolar tambm conhecida como bullyng, um problema

    social que vem preocupando os profissionais das reas de conhecimento da sade e

    educao, chegando a despertar o interesse dos estudos da Psicologia Social.

    A violncia escolar um problema social que vem alastrando-se de forma muito

    rpida, e esta em constante divulgao nos meios de comunicao, tornando-se um

    importante objeto de reflexo e debate pblico, despertando o interesse de educadores e

    pesquisadores das reas.

    A fim de responder estas questes o conhecimento cientfico busca ampliar suas

    investigaes e, subsidiar a elaborao de pesquisas pblicas eficazes preveno e

    enfrentamento desta problemtica (OLVEUS, 2004; FANTE, 2005; LOPES NETO, 2055;

    COUTINHO SILVA, ARAUJO, 2009).

  • O BULLYING REFLEXOS NO RENDIMENTO ESCOLAR . .

    Neste perodo de estudos e observao dentro da escola verificamos que uma das

    mais srias formas de violncia entre os alunos/as o bullying, manifestado em

    agresses fsicas, psicolgicas, simblicas, entre outras constantes,entre outras

    agresses tais como chacota, sarrinhos, ironias, sadismo e preconceitos diversos. A

    diversidade de violncias ocorre nos espaos da escola (banheiros, corredores, ptios,

    sadas e entradas das aulas, onde h muita aglomerao de pessoas). Porm ocorre

    outra forma de bullying pior e mais silenciosa at mesmo dentro das salas de aula, na

    presena dos educadores/as, que, via de regra, no tem incorporado em sua prtica

    docente um trabalho mais sistematizado sobre o tema. Fatores diversos, como salas

    superlotadas e a indisciplina constantes, por exemplo, acabam contribuindo para que

    muitas vezes os educadores optem pela omisso diante de certas situaes de violncia

    quer seja pela dinmica educacional ou seja pela falta de instrumentalizao pedaggica.

    O Bullying remete a uma das violncias intraescolar com grandes prejuzos para o

    rendimento escolar. E os educadores/as podero melhor identificar estes fenmenos

    recorrentes no cotidiano escolar, ao detectar o tipo de bullying que est ocorrendo e no

    silenciar e nem se manter passivo, mas sim, fazer intervenes necessrias

    para sensibilizar a todos os atores envolvidos, fazendo-os refletirem sobre a questo.

    Neste sentido, cada profissional da educao deve atentar para sua formao constante,

    buscando com isso ampliar o leque de estratgias de interveno e a conseqente

    satisfao profissional. O bullying mais comum que ocorre na escola, alm daquele que

    todos(as) veem em aes claras, detectamos tambm, na pesquisa, o tipo silencioso,

    at

    mesmo dentro das prprias salas de aula. E quem sofre so muitas vezes alunos e

    alunas frgeis, que se sentem inferiores e acabam tendo problemas de autoestima, so

    agredidos e permanecem silenciados e raramente pedem ajuda, com medo de piores

    reaes dos agressores. J ocorreram casos que comprovam tal afirmao no colgio

    onde foi implementada esta pesquisa e em uma das situaes,foi necessria a

    interveno da promotoria e Conselho Tutelar, onde os agressores cumpriram Medidas

    Universalmente, o Bullying define-se como um conjunto de atitudes agressivas,

    intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivao evidente, adotado por um ou mais

    alunos, causando dor, angustia e sofrimento (FANTE, 2005, p. 27).

    A autora citada destaca tambm, algumas manifestaes de comportamento

  • bullying, entre os quais, insultos, intimidaes, atuao de grupos que hostiliza,

    ridicularizam, e infernizam a vida de outros alunos causando danos fsicos, morais, e

    matrias, mediante apelidos cruis, gozaes, e acusaes injustas.7Segundo Lopes

    Neto (2005, p.16), o fenmeno bullying pode ser classificado em trs estilos: o bullying

    direto, que engloba a imposio de apelidos, assdios, agresses fsicas, ameaas,

    roubos e ofensas verbais em que as vtimas so atacadas diretamente; o bullying indireto,

    envolvendo atitudes de indiferena, isolamento e difamao, quando as vtimas esto

    ausentes e; o cyberbullying, que ocorre atravs da intimidao eletrnica por celulares ou

    internet, atravs das quais o aluno utiliza-se de mensagens e e-mails difamatrios,

    ameaadores, assediadores, e discriminatrio, provocando agresses.

    2.1 CARACTERSTICAS DA VIOLNCIA

    Na esfera escolar, a violncia se configura atravs de algumas caractersticas dos atores

    e atrizes das situaes violentas, chegando a fatos tpicos, a saber:

    1. Vtimas so expostos a atitudes negativas, causando-os danos de forma intencional

    por parte de outrem ou do grupo (SILVA et al, 2077) Os efeitos agravam-se com o tempo

    e regularidade; so raras as vezes que as vtimas revelam de forma espontnea o

    sofrimento da violncia (bullying), uma vez que temem retaliaes, no acreditam nas

    atitudes tomadas pela escola e receiam crticas advindas depessoas que para elas

    constituem-se com de importncia significativa (LOPES, 2005).Geralmente. A vtima

    discriminada por possuir algum atributo diferente, algo gera o preconceito ou a inveja do

    (s) autor (es) da violncia. (TRINDADE, 2009).

    2. Agressores So aqueles que efetivam as agresses buscando uma afirmao de

    poder, so tipicamente populares, utilizam-se da liderana de um grupo, que lhe auxiliar

    em seus ataques, sendo possvel destituir-se da culpa. Na maioria das vezes, esses

    alunos assumem atitudes antissociais e satisfaz-se com o controle, a dominao e o

    sofrimento da vtima (LOPES, 2005).

    3. Vtimas/Agressores so aqueles que sofrem e tambm praticam violncia (bullying),

    isto , essas pessoas tendem prtica das agresses para acobertar suas limitaes. Em

    geral, so impopulares, rejeitados e inseguros, levando a uma combinao d 8baixa

    autoestima e atitudes violentas (LOPES NETO, 2055; SILVA etal, 2077).

    4. Espectadores essas pessoas constituem maioria das personagens do contexto da

    violncia escolar. Elas mantm-se afastadas dos envolvidos nos atos de bullying, por

    medo de tornarem-se as prximas vtimas, fingindo no ver agresso, contudo no

    deixam de ter sua parcela de participao (CIDADE, 2008). Segundo Lopes Neto (2005),

  • a forma como reagem ao bullying permite classificar essas testemunhas, como auxiliares

    (participam ativamente das agresses), incentivadores (incitam e estimulam o autor),

    observadores (s observam ou se afastam) ou defensores protegem o alvo ou chamam

    um adulto para interromper a agresso) (p. 168).

    Na literatura brasileira sobre o tema da violncia escolar, comum associar o termo

    violncia ao j proposto por Costa em Violncia e Psicanlise: (...) o emprego desejado de

    agresso com fins destrutivos (...). Na violncia, a ao traduzida como violncia pela

    vtima, pelo agente ou pelo observador. A violncia ocorre quando h desejo de

    destruio.

    Outros estudos adotam o conceito de Michaud, o qual afirma que (...) h violncia

    quando, numa situao de interao, um ou vrios alunos agem de maneira direta ou

    indireta, macia ou esparsa, causando danos a uma ou vrias pessoas em graus

    variveis, seja em sua integridade fsica, seja em sua integridade mora, em suas posses,

    ou em suas participaes simblicas e culturais.

    Diferentes olhares sobre as violncias e suas variadas manifestaes j receberam,

    em pesquisas realizadas pela UNESCO, definies aproximadas as anteriores. A

    violncia pode ser considerada como parte da prpria condio humana, manifestando-se

    de acordo com arranjos societrios de onde emergem.

    Mesmo considerando dificuldades em nomear o que seria violncia, (...)

    algunselementos consensuais sobre o tema podem ser delimitados: noo de coero ou

    fora; dano que se produzem indivduo ou grupo social permanente a determinada classe

    ou categoria social, gnero ou etnia. (MICHAUD).

    Considerando a literatura internacional sobre o tema da violncia nas escolas fica

    evidente que h uma variabilidade de sentidos adotados para conceituar esse campo

    especfico. Chama-se a ateno para a existncia de anlises que enfocam 9violncia por

    parte de professores contra alunos, exercidas atravs de castigos e punies. Estudos

    sobre violncia escolar, segundo o autor, devem considerar trs componentes: 1) os

    crimes e delitos; 2) as incivilidades 3) o sentimento de insegurana este ltimo

    resultante dos primeiros componentes. Chenais (2003) apresenta trs concepes de

    violncia que abrangem a violncia fsica (que inclui a violncia sexual), a violncia

    econmica (que se refere a danos causados ao patrimnio, propriedade) e a moral

    ou simblica (que focaliza a ideia de autoridade).

    2.2 FATORES QUE INTERFEREM FORA E DENTRO DO SISTEMA ESCOLAR

    Justificativas para o surgimento e proliferao das diversas manifestaes de

    violncia nas escolas aparecem atreladas tanto a fatores internos como externos s

  • unidades escolares.

    Na categoria dos fatores externos, as causas socioeconmicas parecem

    preponderantes. comum se condicionar, de certa forma, a violncia na escola a um

    agravamento da crise e da excluso sociais, as quais assentidas mais intensamente nas

    classes baixas que estudam na escola pblica. A prpria violncia da sociedade, o rpido

    crescimento do tempo livre e a falta de perspectivas de futuro para a maioria dos jovens

    brasileira so considerados agravantes da violncia nas escolas.

    Considera-se que os jovens (em galeras) procuram contrapor ao vazio de referentes que

    recortam o cotidiano das grandes cidades e reagem a um mundo de sociabilidade que

    entra em colapso. De forma geral isto tambm acontece em cidades de menor porte

    porque os jovens sentem-se excludos, socialmente inteis.

    2.3. VIOLNCIA ESCOLAR, UM FENMENO COMPLEXO E CONTEMPORNEO

    Dentre as perspectivas nas quais a escola tem sido enfocada, a violncia vem

    assumindo propores alarmantes, exigindo dos pesquisadores uma releitura do referido

    fenmeno sob novos enfoques.

    Debarbiex (2001) faz um balano de como os socilogos franceses e

    anglosaxnicos trataram na dcada de 1990, tema: desigualdades dos estabelecimentos

    diante da violncia.

    Segundo Debardiex (2001, P. 34), A maioria dos estudos vincula o aumento da

    violncia em estabelecimentos sensveis condies socioeconmica dos bairros onde

    se localizam. A literatura que trata do assunto, segundo o autor, identifica nestes

    estabelecimentos uma [...] verdadeira subcultura da oposio escolar, uma verdadeira

    subcultura do gueto [...].10

    Tratando-se de comportamento dos alunos no mbito Escolar, percebe-se que nos

    ltimos anos as Escolas vem sofrendo problemas com a violncia crescente em

    decorrncia da indisciplina. Considerando os aspectos pedaggicos e socioculturais a

    Escola deve enfatizar aes que venham de encontro a prevenir e ampliar a capacidade

    de lidar com tais problemas.

    Para Garcia (2001, P. 376), Devemos conceber a indisciplina como fenmeno de

    aprendizagem, superando sua conotao de anomalia, e ou de problema comportamental

    a ser neutralizado atravs de mecanismos de controle, sobrepujando a ideia de que a

    indisciplina uma questo relativa somente ao comportamento. Dessa maneira o aluno

    indisciplinado no seria apenas aquele cujas as aes rompem as regras da instituio,

    mas tambm, aquele que prejudica o seu prprio desenvolvimento cognitivo, moral e

  • atitudinal.

    Guimares (1996) observa que possvel haver uma compreenso

    descentralizadora na anlise dos fenmenos escolares ao afirmar que a instituio

    escolar no pode ser vista apenas como reprodutora das experincias de opresso, de

    violncia, de conflitos, advindas do plano macroestrutural. Para a autora, importante

    argumentar que, apesar dos mecanismos de reproduo social e cultural, as escolas

    tambm produzem sua prpria violncia e sua prpria indisciplina (p. 77).

    Com esta perspectiva, do ponto de vista metodolgico, utilizou-se para a para a

    coleta de dados a realizao de entrevistas com os sujeitos institucionais, ou seja, alunos,

    professores e tcnicos, precedidas por sesses de observaes. Tais observaes foram

    realizadas durante as aulas, nos intervalos, em eventos extra-curriculares (Jogos

    Escolares e amistosos esportivos).

    Como cita Aquino (1996, p. 40): [...] a viso hoje, quase romanceada da escola

    como lugar de florescimento das potencialidades humanas parece ter sido substituda, s

    vezes, pela imagem de um campo de pequenas batalhas civis; pequenas, mas visveis o

    suficiente para incomodar. Tais batalhas interferem na maneira de os professores

    pensarem a sala de aula. Os estudos mostram que para os educadores necessrio

    organizao e normatizao das atividades e das relaes em sala de aula para que a

    aprendizagem dos contedos curriculares se efetive, o que implica submisso e

    adequao de comportamentos segundo expectativas docentes. O fracasso na

    constituio da disciplina na escola se revela para os docentes um entrave para o

    desenvolvimento do trabalho pedaggico, para a qualidade de ensino e para a formao

    tica dos alunos, como analisado por Roure (2001). importante ressaltar tambm que o

    termo indisciplina referido neste texto representa comportamentos em sala de aula que,

    conforme relatam muitos professores, perturbam e afetam de forma prejudicial o ambiente

    de aprendizagem.

    Como afirma Xavier (2003, p.14), as posturas mais democrticas postuladas nas

    ltimas dcadas podem gerar insegurana aos professores pela perda do referencial

    tradicional que alicerava seus procedimentos. Essa autora assim escreve sobre esses

    descaminhos tericos:

    O que se percebe que as escolas hoje, pelo menos as comprometidas com

    propostas mais democrticas/progressistas, no se vem como produtoras de

    sujeitos disciplinados/ordeiros, como nas propostas tradicionais, mas

    tambm no assumem a construo de sujeitos autnomos, auto-

    disciplinados, do projeto moderno, como supostamente seria o defensvel.

  • Embora nos documentos oficiais haja, em geral, referncia produo de

    cidados autnomos como meta da escola, isto no parece se concretizar em

    termos de prticas pedaggicas. No h planejamentos, ao menos explcitos,

    para consecuo de tais objetivos. A escola no fala sobre no percebe, no

    assume? (XAVIER, 2003, p. 14).

    No faz parte do contexto educacional tratar questes que dizem respeito a

    padres diferentes de alunos. Assim, se necessrio relativizar a disciplina ou

    indisciplina, mais que qualquer outra explicao, indisciplinado acaba sendo aquele que

    apresenta um comportamento que no condiz com os padres vigentes, como impera na

    perspectiva tradicional de ensino.

    Isso significa que aqueles educadores que conduzem o seu trabalho sem essa

    clareza epistemolgica acreditam, porm, que a homogeneizao alcanada atravs de

    mecanismos disciplinares e que todas as suas relaes institucionais so orientadas por

    essa noo. Rego (1996, p. 91) ressalta que:

    [...] as concepes de desenvolvimento humano predominantes no meio educacional trazem srias consequncias prtica pedaggica pois reforam a idia de um determinismo prvio (por razes inatas ou adquiridas), que acarreta uma srie de perplexidade e imobilismo do sistema educacional. A escola se v, assim, desvalorizada e isenta de cumprir o seu papel de possibilitadora e desafiadora (ainda que no exclusiva) do processo de constituio do sujeito, do ponto de vista do seu comportamento de um modo geral e da construo de conhecimentos.

    O termo "bullying" compreende todas as formas de atitudes agressivas,

    intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivao evidente, adotadas por um ou mais

    estudantes contra outro(s), causando dor e angstia, e executadas dentro de uma relao

    desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre estudantes e o desequilbrio de poder

    so as caractersticas essenciais que tornam possvel a intimidao da vtima. Por no

    existir uma palavra na lngua portuguesa capaz de expressar todas as situaes de

    "bullying" possveis, usamos o termo em ingls. Algumas aes que costumam estar

    presentes nessas prticas: colocar apelidos, ofender, humilhar, discriminar, excluir,

    intimidar, perseguir, assediar, amedrontar, agredir, bater, roubar ou quebrar pertences,

    entre outras formas. As primeiras investigaes sobre "bullying" foram realizadas na

    Sucia nos anos 1970, e a partir da o interesse se generalizou para os outros pases

    escandinavos e outras regies da Europa e Estados Unidos. No Brasil, os estudos

    enfocando o "bullying" so mais recentes e datam da dcada de 1990. Tm se dedicado a

    esse tema, em especial, a Associao Brasileira Multiprofissional de Proteo Infncia e

    Adolescncia (Abrapia) e pesquisadores como Cleodelice Fante (2003), que realizou

  • estudos em So Jos do Rio Preto, estado de So Paulo. ( Observatrio da infncia).

    A INDISCIPLINA hoje uma das principais queixas tanto de professores quanto de

    alunos, quando perguntados sobre o principal problema de suas escolas. E cada vez

    mais freqente, tanto nas falas dos educadores, quanto na imprensa, ocorrer uma grande

    confuso entre VIOLNCIA e INDISCIPLINA. H, efetivamente muitas situaes em que

    difcil separar com clareza esses conceitos e h muitos casos em que uma ao de

    indisciplina transita para um ato violento: por exemplo, quando dois alunos comeam uma

    discusso durante uma aula e essa discusso desemboca numa briga em que esto

    envolvidas armas. Tambm muito importante reconhecer o sentido anti-tico e

    antipedaggico de certas aes dos prprios professores, como o desrespeito aos alunos,

    o absentesmo sistemtico, o descaso com a qualidade de suas aulas etc. Mas chamar

    todos esses comportamentos de VIOLNCIA (ainda que simblica) tem gerado mais

    confuso do que solues. Uma forma simples de distingui-las que atos de VIOLNCIA

    ferem o Cdigo Penal (por exemplo: porte de armas, uso de drogas etc.); j atos de

    INDISCIPLINA dizem respeito apenas ao mbito escolar, ferem o regimento escolar, os

    acordos (nem sempre bem explicitados) para o bom funcionamento do trabalho

    pedaggico ou as regras de boa convivncia e civilidade.

    O atual clima de medo e violncia generalizados, que reforado pela mdia, tem

    levado muitos educadores a tratarem como casos de polcia situaes que poderiam e

    deveriam ser resolvidas como questes educacionais, por isso considero importante

    distinguir esses dois conceitos. Isso ocorre no apenas no Brasil, como vimos

    recentemente na televiso, com a polcia norte-americana sendo chamada a uma escola

    para prender uma garotinha negra de apenas 5 ou 6 anos de idade, que estava agressiva

    e descontrolada. H dois meses uma pesquisadora da USP presenciou a Guarda

    Municipal de So Paulo ser chamada para dentro de uma sala de aula do Ensino Mdio

    de uma escola pblica de periferia, para obrigar um aluno a tirar o bon!

    Para ns, educadores, o mais importante tentar entender as atitudes de nossos

    alunos e alunas, quais so as mensagens que eles esto nos passando por meio da

    linguagem da indisciplina: por que eles nos desobedecem e desafiam? Por que muitos

    insistem em atrapalhar as aulas? Por que tratam os colegas de forma desrespeitosa e

    agressiva? Por que estragam, riscam e destroem sua prpria sala de aula, sua escola?

    Para compreender esses "recados" cifrados, devemos, em primeiro lugar,

    abandonar duas afirmaes muito frequentes. A primeira que a indisciplina um

  • fenmeno recente nas escolas ou, pelo menos, que aumentou de maneira surpreendente

    nos ltimos anos. No h nada que nos comprove isso, embora haja um aumento de sua

    visibilidade e possa ser verdadeiro um aumento da frequncia de atos indisciplinados. A

    indisciplina escolar objeto de estudo de socilogos, como o francs Emile Durkheim,

    pelo menos desde a passagem do sculo XIX para o XX. Se a escola exige uma certa

    disciplina, um tipo de comportamento regrado para que seus objetivos de aprendizagem e

    socializao se realizem, ela traz sempre consigo a indisciplina, a burla s regras

    estabelecidas. O que h hoje, com certeza, no Brasil um aumento das falas e das

    preocupaes com respeito indisciplina e isso tanto por parte de educadores quanto dos

    prprios alunos.

    A segunda afirmao que devemos abandonar de que esse suposto aumento da

    indisciplina estaria ligado ampliao das oportunidades de acesso escola, que trouxe

    para dentro de seus muros um conjunto de alunos originados de famlias de camadas

    populares. Esses alunos trariam de casa um comportamento desregrado, anti-escolar,

    seriam mal-educados e indisciplinados. Essa idia em geral vem acompanhada de um

    forte julgamento moral das famlias pobres - especialmente das mes - que seriam

    "famlias desestruturadas", incapazes de educar seus filhos adequadamente.

    (Observatrio da infncia; Editor Dr. Lauro Monteiro, mdico pediatra)

    Pensamos que o conceito de indisciplina escolar seja muito mais complexo que

    aquele compreendido no senso comum apenas comportamental , e por isso

    argumentamos sobre a necessidade em clarificarmos e diferenciarmos sua definio do

    conceito de violncia. De acordo com Parrat-Dayan (2008, p. 24) alm de superar a

    idia

    de indisciplina exclusivamente como problema de conduta, importante diferenciar os

    atos de indisciplina e os atos de violncia.

    preciso distinguir a indisciplina escolar de outras formas de violncia que por

    vezes afetam a vida das escolas, provocadas muitas vezes por indivduos que lhes so

    alheios. Se a indisciplina escolar pode tocar as fronteiras da delinquncia, ela raras vezes

    delinquncia, pois no viola a ordem legal da sociedade, mas apenas a ordem

    estabelecida na escola em funo das necessidades de uma aprendizagem organizada

    coletivamente. (ESTRELA, 2002, p. 14).

  • CONCEPES DE ESCOLA

    Questionados sobre o que havia de pior na escola, a maioria disse ser a

    indisciplina, tambm referida como a baguna. A segunda resposta mais recorrente

    referia-se s condies precrias da escola tais como a falta de materiais didticos e falta

    de higiene.

    Os discursos parecem conter a tnica fundante na culpa da indisciplina, sendo a

    responsabilidade pela sua ocorrncia atribuda de forma polarizada, com variaes

    quanto aos culpados, podendo ser o aluno, o professor ou o diretor.

    A indisciplina est associada quebra de normas, que so essencialmente

    reguladoras de atitudes. Possuem um teor moral, enquanto as normas regem a linguagem

    e o movimento dos corpos.

    A maioria no percebe a existncia de violncia na escola, deixando transparecer

    que esta evidncia se associa, basicamente, a danos fsicos, o que possvel depreender

    de trechos, como: tem violncia sim, tem uns alunos que s de voc olhar, j querem

    brigar, bater. Eles ameaam que vo te pegar na rua e (...) j teve briga aqui sim.

    Hoje as coisas so bem mais difceis. Antes a maioria tinha interesse. Hoje no,

    s 10% quer saber de alguma coisa. Se os pais participassem mais da vida dos filhos, eu

    acho que eles teriam mais motivao e iriam saber que o pai est ciente de tudo o que ele

    faz e o que ele no faz.

    Eu acho que a famlia o lugar onde se deve aprender os valores. (...) Hoje,

    querem transferir para a escola uma funo que no dela. A funo da escola

    preparar o aluno pra profisso.

    Falam que a Educao na minha poca era pelo medo, decoreba. Mas que eu

    saiba ningum ficou traumatizado. S sei que a escola era um lugar de ordem, respeito,

    isso sim tinha. Muitos alunos j chegam aqui com certos vcios, frutos da convivncia

    familiar.

    Acham que o que voc est falando bobagem. A gente tenta passar tanto valores

    como matria, mas eles no querem.

    Da mesma forma que os professores atribuem a si mesmos funes que

    extrapolam contedos cientficos, as funes da escola parecem evocar imagens de uma

    entidade onipotente, o que acaba por resultar num misto de contradio e frustrao, j os

    resultados esto aqum dos esperados.

  • DESENVOLVIMENTO E RESULTADOS

    Como j foi assinalado, a realizao desta pesquisa objetivou uma reflexo

    sobre o fenmeno da violncia e da indisciplina ocorridas em instituies escolares

    formais e o tratamento dispensado para resoluo destas questes especficas e outras a

    elas relacionadas, no interior das mesmas instituies.

    Cabe ainda sublinharmos que, no nosso ver, a escola, com todas as crticas

    pertinentes que a ela se possa fazer, constitui-se como espao de produo, e como tal,

    pode vir a ser espao de reflexo e fazer crtico.

    Quadro 01 (Depoimentos de Professores, funcionrios e alunos)

    Concepo da violncia escolar

    O que violncia em sua opinio?

    toda manifestao de falta de respeito para com o prximo. Mas a primeira violncia

    ocorre contra si mesmo, quando se v margem da boa convivncia social.

    Uma forma de coero quando a situao ultrapassa o limite das outras. Um meio para

    atingir um determinado fim.

    todo ato de agresso fsica ou verbal.

    Atos que retratam certa forma de agresso sejam fsica ou verbal.

    Ato de agresso.

    A violncia manifestada atravs de vrias formas, tanto agresses fsicas, verbais e

    psicolgicas.

    Agredir o outro com palavras, gestos e aes.

    Quando uma pessoa agride outras, podendo ser: verbal, agresso fsica e etc.

    Falta de amor com o prximo.

    Quadro 02 (Depoimentos de professores, alunos e funcionrios)

    Manifestao da violncia escolar

  • De que forma ela se manifesta na sua escola?

    Na verdade ela reproduzida na escola, entre todos que compem a comunidade

    escolar.

    De diversas maneiras. Agresso fsica, verbal e psicolgica.

    Por meio de brigas, agresses, ameaas, etc.

    A violncia na escola se manifesta tanto fsica como verbal.

    Falta de respeito para com os educadores e colegas de turma, xingamentos, enfim todo

    tipo de agresso verbal e fsica.

    Atravs de apelido, xingamentos, ameaas tanto por parte dos alunos e pelos prprios

    pais, que na maioria das vezes incentivam a violncia.

    Fofocas, apelidos, agresses fsicas e etc.

    Atravs de apelidos ou empurres, isso que est tornando o comeo da violncia na

    escola.

    Atravs da falta de unio e de respeito um com os outros.

  • ANEXOS

    - 01) VOC J SOFREU ALGUM TIPO DE VIOLNCIA NO ESPAO ESCOLAR?

    - 02) VOC ACHA QUE A ESCOLA OFERECE SUPORTE PARA LIDAR COM A

    VIOLNCIA?

    78,00%

    22,00%

    SimNo

    92,00%

    8,00%

    SimNo

  • - 03) ESPAOS ONDE OCORREM AS AES DE VIOLNCIA.

    .

    -04) EPISDIOS QUE GERAM VIOLNCIA NA ESCOLA

    10,00%

    16,00%

    22,00%

    52,00%

    sala de aulacorredoresrefeitrioPtio

    51,00%

    4,00%

    45,00%Agresso verbal Agresso fsica Ameaas

  • CONSIDERAES FINAIS

    Ao longo desse trabalho, foi abordada a violncia na histria, sendo ela uma constante na

    bibliografia da humanidade; discutiram-se os complexos conceitos de violncia; foram

    feitas distines conceituais de violncias no mbito escolar; e por fim, culminou - se em

    uma pesquisa de campo, que corroborou alguns dados, manchetes e as constantes

    noticiais sobre o fenmeno da violncia escolar, que angustiam pais, educadores e a

    sociedade como todo.

    Dessa forma, este estudo apresenta alguns dados sobre violncia escolar, mesmo

    porque o quadro j notrio e infelizmente bastante noticiado, e claro no precisa de

    outros dados para refor-lo. Contudo, a partir das anlises e discusses realizadas pode-

    se concluir que a violncia escolar uma realidade que no deve ser mais negligenciada,

    de suma importncia que as autoridades pblicas, educadores, famlia e sociedade

    como todo estejam unidos para enfrentar s situaes de violncia inserida na escola,

    que deixou de ser um espao seguro de socializao e trocas, para se tornar palco de

    inmeras cenas de violncias.

    Os fatos que levaram a produo deste trabalho, inicialmente, eram entendidos

    como a pura expresso da violncia, no negar que a violncia escolar exista, ela

    existe, mas configur-la de forma correta, de maneira a no estigmatizar a escola.

    Entendendo que as aes ocorridas na escola em questo, esto explicitamente atreladas

    a incivilidades e indisciplinas ramificaes da violncia escolar do que a violncia

    propriamente dita. A violncia contradiz as leis, usa a fora ou ameaa us-la, a

    indisciplina no contradiz a lei, mas sim ao regulamento interno da instituio e a

    incivilidade no contradiz nem a lei e nem ao regimento da instituio, mas as regras da

    boa convivncia. (CHARLOT, 2002).

    Desse modo, vale ressaltar que no se pode fechar os olhos e nem mesmo negar o

    fenmeno da violncia escolar, mas de suma importncia que seus agentes tenham

    conhecimento das diversas formas e caractersticas dessas violncias de modo a

    combat-la de maneira adequada. A educao sempre depender da articulao de duas

    instituies fundamentais: a escola e a famlia. Toda via, preciso que essas instituies

    despertem o quanto antes para o enfrentamento dessas violncias dirias na escola,

    violncias essas, que impossibilitam a prtica pedaggica e conseqentemente

    oportuniza o dficit no processo de ensino aprendizagem.

  • BIBLIOGRAFIA

    ALVES, C. M. S. D. (In) Disciplina na Escola; cenas de complexidade de cotidiano escolar.2002.

    176 f. Dissertao (Mestrado em educao) UniversidadeEstadual de Campinas, 2002.

    AQUINO, Julio Groppa. Indisciplina na escola: alternativas tericas e prticas. So Paulo:

    Summus, 1996.

    BRITO, C. S. A indisciplina na educao Fsica Escolar. 2007.134 f. Dissertao (Mestrado em

    Educao) Universidade Tuiti do Paran, Curitiba, 2007.

    CARVALHO, Marlia. Sucesso e fracasso escolar: uma questo de gnero, Educao e Pesquisa,

    So Paulo, v. 29 n.1, jan./jun. 2003, p.185-193. (http://www.scielo.br/)

    CHAU, Marilena. Convite Filosofia. tica 1998.

    CHARLOT Bernard.Da relao com o saber s prticas educativas. Editora Cortez. 2002.

    COUTINHO, M. P.; SILVA, C.M. L., ARAJO, L. S. O adolescente e o bullying no contexto

    escolar; Um assunto psicolgico.

    ESTRELA, M. T. Relao pedaggica, disciplina e indisciplina na aula. 4 ed.Porto: Porto 2002.

    FANTE, Cleodelice e PEDRA, Augusto. Fenmeno bullying: estratgias de interveno e

    preveno da violncia entre escolares. So Paulo, 2003.

    GALVO, Izabel. Cenas do cotidiano escolar: conflitos sim, violncia no. Petrpolis: Vozes,

    2004

    LOPES, Neto A. A, Bullying comportamento agressivo entre estudantes. Jornal da Pediatria. Rio

    de Janeiro. 2005.

    LOPES, a. Disciplina: mais fcil para os alunos seguir regras que eles ajudam a criar. Nova

    Escola, So Paulo, n. 183, p. 45-49 jun./jul.2005.

    MICHAUD, Yves. A violncia. So Paulo: tica, 1989, p. 14.

    M. MONTEIRO. A violncia na escola: a percepo dos alunos e professores (Relatrio de

    pesquisa). So Paulo, 1995 mimeo, p.5

    NASCIMENTO in CANDAU e SCAVINO, op. cit., p. 154. OLWEUS, D. Buyilling em la

    escuela: datos e intervencin. Centro Reina Sofia, Estudio de La Violncia, 2004.

    TRINDADE, Alcione Melo. Aspectos Psicossociais da Intimidao/Bullying. Nova

    http://www.scielo.br/

  • Criminologia.com. br. Disponvel em:

    Http://www.novacriminologia.com.br/artigos/leiamais/default.asp?id=1977. Acesso

    em: 10 de junho de 2012.

    SPOSITO, M. e GALVO, I. A experincia e as percepes dos jovens na vida escolar na

    encruzilhada das aprendizagens: o conhecimento, a indisciplina, a violncia. Perspectiva,

    Florianpolis, v. 22 n. 2, p. 345-380, 2004.

Recommended

View more >