a inclusão escolar de deficientes mentais

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CENTRO UNIVERSITRIO DA FUNDAO EDUCACIONAL GUAXUP

MARIA ANCILA JACON

A INCLUSO ESCOLAR DE DEFICIENTES MENTAIS

GUAXUP 2011

MARIA ANCILA JACON

A INCLUSO ESCOLAR DE DEFICIENTES MENTAIS

Trabalho de Concluso de Curso apresentado ao Centro Universitrio da Fundao Educacional Guaxup, como exigncia parcial para concluso do Curso Capacitao em Educao Especial e Inclusiva. Orientadora: Prof. Jurema de Oliveira Mattos

GUAXUP 2011

ATA DE APROVAO

minha querida me, Maria Teresa Mizurini Jacon, educadora nata, brilhante em tudo que fazia.

AGRADECIMENTOS

A todos aqueles que me ajudaram nessa caminhada, meus familiares, professores e minha querida amiga Marcela Navarro Zonaro Anequini.

"S h duas opes nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu no vou me resignar nunca.

(Darcy Ribeiro)

RESUMO

JACON, Maria Ancila. A incluso escolar de deficientes mentais. 2011. 34 f. Trabalho de concluso de curso (Capacitao em Educao Especial e Inclusiva) Centro Universitrio da Fundao Educacional Guaxup, Guaxup, 2011.

Esta pesquisa utilizou-se da pesquisa bibliogrfica, realizada em artigos, textos e livros, sobre a incluso escolar de deficientes mentais e, nessa direo, seu contedo aborda: algumas consideraes sobre a deficincia mental; o deficiente mental e a famlia; incluso escolar de indivduos com deficincia intelectual. As consideraes finais evidenciam que os deficientes mentais, estado onde existe uma limitao funcional em qualquer rea do funcionamento humano, considerada abaixo da mdia geral das pessoas pelo sistema social onde a pessoa est inserida, o ambiente familiar essencial para seu desenvolvimento. Portanto, a famlia do indivduo com deficincia mental deve trabalhar na organizao de suas atividades de vida diria e no processo de estimulao, com vistas sua integrao social, pois so merecedores de uma vida digna, onde possam exercer o direito cidadania como qualquer cidado, para o que a incluso escolar contribui efetivamente.

Palavras-chave: Ambiente Escolar; Deficincia Mental; Processo Inclusivo.

SUMRIO

INTRODUO .................................................................................................................................... 08

1 ALGUMAS CONSIDERAES SOBRE A DEFICINCIA MENTAL ........................................ 09

2 O DEFICIENTE MENTAL E A FAMLIA ...................................................................................... 14

3 INCLUSO ESCOLAR DE INDIVDUOS COM DEFICINCIA INTELECTUAL ..................... 19

CONSIDERAES FINAIS ............................................................................................................... 24

REFERNCIAS .................................................................................................................................... 25

ANEXOS .............................................................................................................................................. 27

08

INTRODUO

De acordo com Mantoan (1989), a histria da deficincia mental marcada pela hegemonia das cincias mdicas e paramdicas. Esse fato influiu significativamente na explicitao do significa da deficincia e encaminhou sua abordagem para uma linha mais teraputica que educacional. De fato, no sculo XVI, Cardano e Paracelso, como afirma Mantoan (1989), j registravam as primeiras contribuies para a Medicina na interpretao do comportamento de pessoas deficientes mentais. Misturadas com muita superstio, as ideias sobre a deficincia mental avanaram: de fora sobrenatural transformaram-na em doena. Com isso, os deficientes mentais passaram a receber cuidados e assistncia que outrora lhes eram negados. Muito embora esse fato j se configurasse num grande avano na evoluo da compreenso da deficincia mental, com o advento do naturalismo humanista que se registram as primeiras manifestaes de interesse pelo lado educacional da questo. Na segunda metade do sculo XVIII, sob o clima ideolgico dos enciclopedistas franceses, do pensamento de Rousseau e de Locke e, principalmente, da reao Inquisio e Reforma, o homem passou a ser visto como sendo naturalmente bom, puro e generoso. Essas novas ideias deram deficincia mental a to almejada oportunidade de ser encarada do ngulo educacional, apesar de ainda fortemente influenciada pela viso mdica e com vistas a confirmar as mximas do ideal naturalista (MANTOAN, 1989). A opo por focalizar esse tema surge da compreenso de que de mxima relevncia refletir sobre a incluso escolar de pessoas com deficincia mental ou intelectual, conhecida, conforme Santana (2007), por problemas com origem no crebro e que causam baixa produo de conhecimento, dificuldade de aprendizagem e um baixo nvel intelectual. Busca-se nesse trabalho discorrer sobre a incluso escolar de indivduos com deficincia mental. Para tanto, os objetivos especficos tratam de: apresentar algumas consideraes sobre a deficincia mental; analisar o deficiente mental e sua famlia; abordar a incluso escolar de indivduos com deficincia intelectual. Para a elaborao deste estudo, utilizou-se a pesquisa bibliogrfica, realizada em artigos, textos e livros, sobre a relao familiar e deficiente mental, por considerar ser esta uma forma efetiva de buscar mais conhecimentos e informaes na elaborao da pesquisa.

09

1 ALGUMAS CONSIDERAES SOBRE A DEFICINCIA MENTAL

Fica bem salientado por Marques (2001) que a deficincia representa, na trama das relaes sociais, um fato merecedor de uma anlise profunda por parte dos estudiosos do comportamento humano. Em suas palavras:

inegvel o fato de que a sociedade enfrenta enormes dificuldades para lidar com o que diferente, com tudo aquilo que se afasta dos padres estabelecidos como normais. Todas as categorias sociais que no se enquadram nesses padres so, de alguma forma, identificadas como desviantes e colocadas margem do processo social (MARQUES, 2001, p. 35).

Marques (2001) afirma que o discurso e a prtica sociais de atendimento pessoa com deficincia passam primeiramente pelos interesses das classes sociais dominantes de identificar e manter o desviante segregado em uma instituio especializada. Figueira apud Marques (2001) destaca que desde o incio dos tempos em todo o mundo, essas pessoas foram alijadas do convvio social, impedidas de participar e de desenvolver sua capacidade como indivduo e cidado. Os registros histricos do conta de que, segundo Marques (2001), as sociedades sempre tiveram muita dificuldade para lidar com a diferena imposta pela deficincia, pois a prtica da discriminao das pessoas com deficincia remonta s remotas eras da humanidade, o que confirmado por Figueira apud Marques (2001, p. 36) ao relatar:

A histria conta e a antropologia est a para quem quiser confirmar! Nas antigas civilizaes (e em algumas sociedades tribais nos dias atuais), a prtica de eliminao pura e simples de seus membros que nasciam ou adquiriam deficincias atravs de doenas, acidentes rurais ou de caa. Usavam como argumento para o sacrifcio a ideia de que o indivduo iria sofrer ao longo de sua vida as condies precrias da poca, alm da eliminao da vtima em funo da coletividade. Naqueles tempos, j existia o conceito da inferioridade; um sujeito com algum tipo de deficincia, na viso pr-concebida de sua tribo, nunca seria um bom caador, no poderia ir para o campo de batalha, no era digno de uma esposa, nem de gerar novos e bons guerreiros, etc. J existia a discriminao e segregao.

Nota-se que a deficincia esteve sempre revestida de uma imagem negativa, muitas

10 vezes maligna, cuja origem, cuja origem estaria ligada a atos pecaminosos dos homens ou a arbitrariedades e foras superiores. Nos dizeres de Fonseca apud Marques (2001, p. 37):

Desde a seleo natural, alm da seleo biolgica dos espartanos, que eliminavam as crianas mal formadas ou deficientes, passando pelo conformismo piedoso do cristianismo, at a segregao e marginalizao operadas pelos exorcistas e exconjuradores da Idade Mdia, a perspectiva da deficincia andou sempre ligada a crenas sobrenaturais, demonacas e supersticiosas.

Rodrigues (2005) ratifica que antigamente, e por muito tempo, os indivduos com deficincia viveram em condies desfavorveis e excludas da sociedade. Tambm muitas eram, e ainda so, protegidas em demasia por seus familiares, outras em total abandono e descaso. Ballone (2005), tambm abordando a deficincia mental, discorre que a partir do sculo XX comeou-se a estabelecer uma definio para o deficiente mental e essa definio diz respeito ao funcionamento intelectual, que seria inferior mdia estatstica das pessoas e, principalmente, em relao dificuldade de adaptao ao entorno. Figueira apud Rodrigues (2005) acredita que as entidades, associaes e profissionais que lidam com as deficincias, devem trabalhar para apresentar uma imagem positiva destas pessoas, substituindo temores, preconceitos e permitindo que as pessoas as vejam como: - seres humanos como quaisquer outros, nas suas necessidades e sentimentos; - pessoas que podem aproveitar o que a vida oferece e trazer felicidade para aqueles que a conhecem; - pessoas que com ajuda adequada, podem crescer em habilidades e fazer as suas prprias contribuies para a famlia e a comunidade; - seres humanos que merecem o mesmo respeito que qualquer outro ser humano. Para Rodrigues (2005) o conceito de deficincia mental, com o decorrer dos anos, tem passado por diversas definies e terminologias para caracteriz-la, tais como: oligofrenia, retardo mental, atraso mental, deficincia mental, etc. No conceito de Krynski et al. apud Rodrigues (2005), a deficincia mental um vasto complexo de quadros clnicos, produzidos por vrias etiologias e que se caracteriza pelo desenvolvimento intelectual insuficiente, em termos globais ou especficos. Tal deficincia pode ou no ser acompanhada por