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  • A IMPORTNCIA DA HIGIENIZAO DAS MOS NA REDUO DE INFECES EM SERVIOS DE SADE

    Daniella Guimares da Silva1 Carina Rau 2

    RESUMO

    A infeco hospitalar afeta milhares de doentes em todo o mundo, levando os doentes a doenas mais graves, prolongando sua permanncia nos hospitais e alguns incapacidade por longos perodos. Ela ocorre por diversas razes e existem muitos mecanismos que favorecem seu aparecimento, sendo a principal a transmisso de microrganismos pelos profissionais da rea da sade aos pacientes. Em todo o mundo, pelo menos 1 de 4 pacientes que necessitam de cuidados intensivos adquire uma infeco durante sua permanncia nos hospitais. Nos pases latino-americanos, essas taxas variam de 5% a 70% e no Brasil, estima-se que entre 6,5% e 15% dos pacientes internados contraem um ou mais episdios de infeco, e que entre 50.000 e 100.000 bitos anuais estejam associados a sua ocorrncia. Aproximadamente um tero das infeces hospitalares podem ser prevenidas com medidas de controle infeco, sendo que, a higienizao das mos por todos os profissionais de sade, independentemente de sua importncia ou posio, uma das medidas mais eficazes. Apesar desta constatao da eficincia da higienizao das mos na preveno da transmisso de infeces, profissionais de sade desprezam o valor de uma ao simples e no compreendem os mecanismos bsicos da dinmica de transmisso das doenas infecciosas. A higienizao das mos, alm de ser uma medida bsica e barata, a maneira mais eficiente e econmica para a preveno de infeces nosocomiais e este fato mundialmente reconhecido e comprovado por diversos estudos.

    Palavras-chaves: Higienizao das mos; infeco hospitalar; servios de sade.

    ABSTRACT

    Hospital infection affects millions of patients worldwide, leading patients to more serious diseases, prolonging their stay in hospitals and some of the inability for long periods. It occurs for various reasons and there are many mechanisms that favor its appearance, being the main transmission of microorganisms by health professionals to patients. Worldwide, at least one of four patients requiring intensive care acquires an infection during their stay in hospital. In Latin American countries, these rates vary from 5% to 70% and in Brazil, it is estimated that between 6.5% and 15% of hospitalized patients contract one or more episodes of infection, and that between 50,000 and 100,000 deaths annually are associated with its occurrence. Approximately one third of nosocomial infections can be prevented with measures to control infection, and that hand hygiene by all healthcare professionals, regardless of their size or position, one of the most effective measures. Despite this evidence of the effectiveness of hand hygiene in preventing the transmission of infections, health professionals dismiss the value of a simple action and do not understand the basic mechanisms of the transmission dynamics of infectious diseases. Hand hygiene, as well as a basic and inexpensive, is the most efficient and economical for the prevention of nosocomial infections and this fact is recognized worldwide and proven by several studies.

    Keywords: Hand hygiene; hospital infection; healthcare.

    1 Farmacutica. Aluna do curso de Ps-graduao em Vigilncia Sanitria do Instituto de Estudos

    Farmacuticos e da PUC/Gois. E-mail: daniellaguimaraes@yahoo.com.br 2 Orientadora: Farmacutica Industrial graduada pela Universidade Federal do Paran (UFPR);

    Mestre em Cincias Farmacuticas pela UFPR. Professora do Curso de Farmcia do Centro Universitrio Campos de Andrade (UNIANDRADE). E-mail: carinarau26@gmail.com

  • 1. INTRODUO

    A infeco hospitalar um tema antigo e recorrente nos seminrios e

    congressos de diversas reas da sade no Brasil e no mundo. Sempre so

    apresentados novos estudos ou direcionamentos para evitar ou minimizar infeco

    hospitalar. Manuais tambm so desenvolvidos em diversas instituies como

    hospitais pblicos e particulares, Ministrio da Sade e Agncia Nacional de

    Vigilncia Sanitria (ANVISA) (SANTOS, 2002; ANVISA, 2007).

    Infeces hospitalares afetam milhares de doentes em todo o mundo, em

    todos os anos levando os doentes a doenas mais graves, prolongando sua

    permanncia nos hospitais e alguns incapacidade por longos perodos (OMS,

    2005).

    As infeces hospitalares tm, normalmente, uma origem multifacetada e

    esto relacionadas aos sistemas e processos de prestao de assistncia sade,

    ao comportamento humano condicionado pela educao e limitaes econmicas e

    polticas dos pases (OMS, 2005). Elas ocorrem por diversas razes e existem

    muitos mecanismos que favorecem seu aparecimento, sendo a principal a

    transmisso de microrganismos pelos profissionais da rea da sade aos pacientes.

    Essa transmisso pode ser realizada direta ou indiretamente e a maior parte da

    transmisso aos pacientes vulnerveis de microrganismos patognicos (RICKARD,

    2004; FLIX, 2009).

    O Ministrio da Sade define infeco hospitalar como aquela infeco adquirida, institucional ou nosocomial, aps a admisso do paciente na unidade hospitalar e que se manifesta durante a internao ou aps a alta, quando puder ser relacionada com a internao ou procedimentos hospitalares (BRASIL, 1989b).

    O agrupamento de hospitais que aconteceu com o passar dos sculos

    agravou a problemtica da infeco hospitalar. Inicialmente essas instituies eram

    tidas como casas de caridade, na medida em que se restringiam a atender invlidos

    e excludos, posteriormente passaram a ser locais de cura, favorecendo o

    conhecimento do corpo biolgico. Entretanto, a conduta e a postura dos profissionais

    de sade interferem nos mecanismos naturais de defesa orgnica, favorecendo a

    aquisio de infeces hospitalares (DANTAS et al., 2010). Diversos especialistas

    acreditam que aproximadamente um tero das infeces hospitalares podem ser

  • prevenidas com medidas de controle infeco, sendo que uma destas medidas a

    adequada higiene das mos (RICKARD, 2004; FLIX, 2009).

    Mesmo depois de muitas dcadas e diversos cientistas e filsofos

    comprovarem e defenderem a causa da assepsia e higienizao das mos como

    uma das medidas mais eficazes na preveno da transmisso da infeco

    hospitalar, profissionais de sade, independentemente de importncia ou posio,

    continuam ignorando o valor de um gesto to simples e no compreendem os

    mecanismos bsicos da dinmica de transmisso das infeces hospitalares

    (SANTOS, 2002; STONE et al., 2007).

    De acordo com o exposto, o objetivo deste artigo mostrar a importncia da

    higienizao das mos e sua assepsia em servios de sade, incluindo hospitais,

    para evitar infeces.

    2. METODOLOGIA

    Foi realizada uma pesquisa bibliogrfica de carter retrospectivo de temas

    relacionados a infeco hospitalar nas bases de dados eletrnicas biblioteca virtual

    em sade; Trip Database, Pubmed e Google. A pesquisa foi realizada no perodo de

    julho a setembro de 2012.

    Os termos utilizados na pesquisa foram: infeco hospitalar; hospital

    infection; infeco hospitalar lavagem de mos; wash hands of hospital infection;

    infeces em hospitais; infections in hospitals; definio em infeces hospitalares;

    setting of hospital infections.

    Tambm foi realizada uma busca no site da ANVISA por publicaes

    relacionadas infeco hospitalar e lavagem das mos.

    Os critrio de seleo dos artigos foram: abordagem temtica do assunto;

    artigos que estavam disponibilizados completos e data do artigo. Foram descartados

    artigos disponibilizados apenas na forma de resumo, aqueles que eram pagos,

    artigos que no tinham como abordagem temtica infeco hospitalar e de anos

    inferiores a 2000 (somente artigos dos ltimos 12 anos).

  • 3. DISCUSSO

    As infeces podem ser classificadas como maiores causas de morte de

    todas as idades, principalmente entre os membros mais vulnerveis da populao.

    Quanto mais doente est o paciente, maior o risco de adquirir uma infeco

    associada com cuidados de sade e de morrer por causa dela (OMS, 2009).

    Estudos epidemiolgicos na rea de infeco hospitalar tm-se destacado

    nos ltimos anos. Segundo Couto e colaboradores (2003), entende-se como

    prevalncia de infeco a proporo da populao que tem o evento ou doena de

    interesse em um determinado momento ou perodo de tempo especfico, e tambm

    aponta algumas fontes que podem influenciar nesses resultados. Esses ndices

    podem aumentar com a maior durao da doena, aumento da sobrevida e da

    incidncia, imigrao de casos e a emigrao de indivduos sadios, assim como a

    mudana do mtodo diagnstico (COUTO et al., 2003; SANTOS et al., 2008).

    Em todo o mundo, pelo menos 1 de 4 pacientes que necessitam de cuidados

    intensivos adquire uma infeco durante sua permanncia nos hospitais. Nos pases

    em desenvolvimento, esta estimativa pode ser duplicada e todos os dias, 4.384

    crianas morrem em consequncia de infeces (OMS, 2009).

    Um estudo de prevalncia de infeces hospitalares conduzido sob

    coordenao da Organizao Mundial da Sade (OMS) em 55 hospitais de 14

    pases, representando quatro regies da OMS (Sudeste da sia, Europa,

    Mediterrneo Oriental e Pacfico Ocidental) revelou que, em mdia, 8,7% dos

    doentes em hospitais sofrem infeces nosocomiais. A todo o momento, 1,4 milhes

    de pessoas em todo o mundo sofrem de complicaes de infeces relacionadas

    assistncia a sade. No Reino Unido, mais de 320 mil pacientes adquirem uma ou

    mais infeces associadas relacionadas assistncia a sade durante sua

    permanncia no hospital (OMS, 2005; OMS, 2009).

    Estudos de ocorrncia de infeco hospitalar so importantes, na

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