A IMPORTNCIA DA HIGIENIZAO DAS MOS NA E BIOLOGICAS/A...A IMPORTNCIA DA HIGIENIZAO DAS MOS NA REDUO DE INFECES EM SERVIOS DE SADE Daniella Guimares da Silva1 Carina Rau 2 RESUMO

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  • A IMPORTNCIA DA HIGIENIZAO DAS MOS NA REDUO DE INFECES EM SERVIOS DE SADE

    Daniella Guimares da Silva1 Carina Rau 2

    RESUMO

    A infeco hospitalar afeta milhares de doentes em todo o mundo, levando os doentes a doenas mais graves, prolongando sua permanncia nos hospitais e alguns incapacidade por longos perodos. Ela ocorre por diversas razes e existem muitos mecanismos que favorecem seu aparecimento, sendo a principal a transmisso de microrganismos pelos profissionais da rea da sade aos pacientes. Em todo o mundo, pelo menos 1 de 4 pacientes que necessitam de cuidados intensivos adquire uma infeco durante sua permanncia nos hospitais. Nos pases latino-americanos, essas taxas variam de 5% a 70% e no Brasil, estima-se que entre 6,5% e 15% dos pacientes internados contraem um ou mais episdios de infeco, e que entre 50.000 e 100.000 bitos anuais estejam associados a sua ocorrncia. Aproximadamente um tero das infeces hospitalares podem ser prevenidas com medidas de controle infeco, sendo que, a higienizao das mos por todos os profissionais de sade, independentemente de sua importncia ou posio, uma das medidas mais eficazes. Apesar desta constatao da eficincia da higienizao das mos na preveno da transmisso de infeces, profissionais de sade desprezam o valor de uma ao simples e no compreendem os mecanismos bsicos da dinmica de transmisso das doenas infecciosas. A higienizao das mos, alm de ser uma medida bsica e barata, a maneira mais eficiente e econmica para a preveno de infeces nosocomiais e este fato mundialmente reconhecido e comprovado por diversos estudos.

    Palavras-chaves: Higienizao das mos; infeco hospitalar; servios de sade.

    ABSTRACT

    Hospital infection affects millions of patients worldwide, leading patients to more serious diseases, prolonging their stay in hospitals and some of the inability for long periods. It occurs for various reasons and there are many mechanisms that favor its appearance, being the main transmission of microorganisms by health professionals to patients. Worldwide, at least one of four patients requiring intensive care acquires an infection during their stay in hospital. In Latin American countries, these rates vary from 5% to 70% and in Brazil, it is estimated that between 6.5% and 15% of hospitalized patients contract one or more episodes of infection, and that between 50,000 and 100,000 deaths annually are associated with its occurrence. Approximately one third of nosocomial infections can be prevented with measures to control infection, and that hand hygiene by all healthcare professionals, regardless of their size or position, one of the most effective measures. Despite this evidence of the effectiveness of hand hygiene in preventing the transmission of infections, health professionals dismiss the value of a simple action and do not understand the basic mechanisms of the transmission dynamics of infectious diseases. Hand hygiene, as well as a basic and inexpensive, is the most efficient and economical for the prevention of nosocomial infections and this fact is recognized worldwide and proven by several studies.

    Keywords: Hand hygiene; hospital infection; healthcare.

    1 Farmacutica. Aluna do curso de Ps-graduao em Vigilncia Sanitria do Instituto de Estudos

    Farmacuticos e da PUC/Gois. E-mail: daniellaguimaraes@yahoo.com.br 2 Orientadora: Farmacutica Industrial graduada pela Universidade Federal do Paran (UFPR);

    Mestre em Cincias Farmacuticas pela UFPR. Professora do Curso de Farmcia do Centro Universitrio Campos de Andrade (UNIANDRADE). E-mail: carinarau26@gmail.com

  • 1. INTRODUO

    A infeco hospitalar um tema antigo e recorrente nos seminrios e

    congressos de diversas reas da sade no Brasil e no mundo. Sempre so

    apresentados novos estudos ou direcionamentos para evitar ou minimizar infeco

    hospitalar. Manuais tambm so desenvolvidos em diversas instituies como

    hospitais pblicos e particulares, Ministrio da Sade e Agncia Nacional de

    Vigilncia Sanitria (ANVISA) (SANTOS, 2002; ANVISA, 2007).

    Infeces hospitalares afetam milhares de doentes em todo o mundo, em

    todos os anos levando os doentes a doenas mais graves, prolongando sua

    permanncia nos hospitais e alguns incapacidade por longos perodos (OMS,

    2005).

    As infeces hospitalares tm, normalmente, uma origem multifacetada e

    esto relacionadas aos sistemas e processos de prestao de assistncia sade,

    ao comportamento humano condicionado pela educao e limitaes econmicas e

    polticas dos pases (OMS, 2005). Elas ocorrem por diversas razes e existem

    muitos mecanismos que favorecem seu aparecimento, sendo a principal a

    transmisso de microrganismos pelos profissionais da rea da sade aos pacientes.

    Essa transmisso pode ser realizada direta ou indiretamente e a maior parte da

    transmisso aos pacientes vulnerveis de microrganismos patognicos (RICKARD,

    2004; FLIX, 2009).

    O Ministrio da Sade define infeco hospitalar como aquela infeco adquirida, institucional ou nosocomial, aps a admisso do paciente na unidade hospitalar e que se manifesta durante a internao ou aps a alta, quando puder ser relacionada com a internao ou procedimentos hospitalares (BRASIL, 1989b).

    O agrupamento de hospitais que aconteceu com o passar dos sculos

    agravou a problemtica da infeco hospitalar. Inicialmente essas instituies eram

    tidas como casas de caridade, na medida em que se restringiam a atender invlidos

    e excludos, posteriormente passaram a ser locais de cura, favorecendo o

    conhecimento do corpo biolgico. Entretanto, a conduta e a postura dos profissionais

    de sade interferem nos mecanismos naturais de defesa orgnica, favorecendo a

    aquisio de infeces hospitalares (DANTAS et al., 2010). Diversos especialistas

    acreditam que aproximadamente um tero das infeces hospitalares podem ser

  • prevenidas com medidas de controle infeco, sendo que uma destas medidas a

    adequada higiene das mos (RICKARD, 2004; FLIX, 2009).

    Mesmo depois de muitas dcadas e diversos cientistas e filsofos

    comprovarem e defenderem a causa da assepsia e higienizao das mos como

    uma das medidas mais eficazes na preveno da transmisso da infeco

    hospitalar, profissionais de sade, independentemente de importncia ou posio,

    continuam ignorando o valor de um gesto to simples e no compreendem os

    mecanismos bsicos da dinmica de transmisso das infeces hospitalares

    (SANTOS, 2002; STONE et al., 2007).

    De acordo com o exposto, o objetivo deste artigo mostrar a importncia da

    higienizao das mos e sua assepsia em servios de sade, incluindo hospitais,

    para evitar infeces.

    2. METODOLOGIA

    Foi realizada uma pesquisa bibliogrfica de carter retrospectivo de temas

    relacionados a infeco hospitalar nas bases de dados eletrnicas biblioteca virtual

    em sade; Trip Database, Pubmed e Google. A pesquisa foi realizada no perodo de

    julho a setembro de 2012.

    Os termos utilizados na pesquisa foram: infeco hospitalar; hospital

    infection; infeco hospitalar lavagem de mos; wash hands of hospital infection;

    infeces em hospitais; infections in hospitals; definio em infeces hospitalares;

    setting of hospital infections.

    Tambm foi realizada uma busca no site da ANVISA por publicaes

    relacionadas infeco hospitalar e lavagem das mos.

    Os critrio de seleo dos artigos foram: abordagem temtica do assunto;

    artigos que estavam disponibilizados completos e data do artigo. Foram descartados

    artigos disponibilizados apenas na forma de resumo, aqueles que eram pagos,

    artigos que no tinham como abordagem temtica infeco hospitalar e de anos

    inferiores a 2000 (somente artigos dos ltimos 12 anos).

  • 3. DISCUSSO

    As infeces podem ser classificadas como maiores causas de morte de

    todas as idades, principalmente entre os membros mais vulnerveis da populao.

    Quanto mais doente est o paciente, maior o risco de adquirir uma infeco

    associada com cuidados de sade e de morrer por causa dela (OMS, 2009).

    Estudos epidemiolgicos na rea de infeco hospitalar tm-se destacado

    nos ltimos anos. Segundo Couto e colaboradores (2003), entende-se como

    prevalncia de infeco a proporo da populao que tem o evento ou doena de

    interesse em um determinado momento ou perodo de tempo especfico, e tambm

    aponta algumas fontes que podem influenciar nesses resultados. Esses ndices

    podem aumentar com a maior durao da doena, aumento da sobrevida e da

    incidncia, imigrao de casos e a emigrao de indivduos sadios, assim como a

    mudana do mtodo diagnstico (COUTO et al., 2003; SANTOS et al., 2008).

    Em todo o mundo, pelo menos 1 de 4 pacientes que necessitam de cuidados

    intensivos adquire uma infeco durante sua permanncia nos hospitais. Nos pases

    em desenvolvimento, esta estimativa pode ser duplicada e todos os dias, 4.384

    crianas morrem em consequncia de infeces (OMS, 2009).

    Um estudo de prevalncia de infeces hospitalares conduzido sob

    coordenao da Organizao Mundial da Sade (OMS) em 55 hospitais de 14

    pases, representando quatro regies da OMS (Sudeste da sia, Europa,

    Mediterrneo Oriental e Pacfico Ocidental) revelou que, em mdia, 8,7% dos

    doentes em hospitais sofrem infeces nosocomiais. A todo o momento, 1,4 milhes

    de pessoas em todo o mundo sofrem de complicaes de infeces relacionadas

    assistncia a sade. No Reino Unido, mais de 320 mil pacientes adquirem uma ou

    mais infeces associadas relacionadas assistncia a sade durante sua

    permanncia no hospital (OMS, 2005; OMS, 2009).

    Estudos de ocorrncia de infeco hospitalar so importantes, na medida em

    que so causas frequentes de complicaes e morte. Cerca de 5% dos pacientes

    admitidos em hospitais gerais contraem infeco durante a internao, nos pases

    desenvolvidos. As estatsticas internacionais de incidncia mostravam na dcada de

    80 taxas variveis de 3,5 a 15,5%, com letalidade entre 13% a 17%, nos Estados

    Unidos, e uma prevalncia de 9,2% nessa mesma dcada no Reino Unido (BRASIL,

    1998a; BRASIL, 1998b; OMS, 2009).

  • J nos pases latino-americanos, essas taxas variavam de 5% a 70%. No

    Brasil, apesar de no existirem estatsticas nacionais que revelem a magnitude real

    do problema, estima-se que entre 6,5% e 15% dos pacientes internados contraem

    um ou mais episdios de infeco, e que entre 50.000 e 100.000 bitos anuais

    estejam associados a sua ocorrncia (BRASIL, 1998a; OMS, 2009).

    As infeces relacionadas assistncia a sade na ateno neonatal so a

    principal causa de doenas graves e morte. As taxas de prevalncia de infeces no

    Brasil so de 30%, nos pases europeus de 7 a 19%, e nos EUA, taxa de 14%. De

    acordo com dados da OMS, no Brasil e na Indonsia, mais da metade dos neonatos

    admitidos em unidades neonatais adquire infeces associadas assistncia a

    sade, com uma taxa de letalidade entre 12% e 52%. Em pases desenvolvidos, por

    sua vez, a taxa de infeces hospitalares 12 vezes menor (OMS, 2005; OMS,

    2009).

    As infeces hospitalares infligem altos custos inesperados aos doentes e

    suas famlias como tambm levam a uma pesada carga financeira adicional sobre os

    sistemas de assistncia a sade e por ltimo, mas no menos importantes

    contribuem para mortes desnecessrias de doentes (OMS, 2005).

    Os custos dessas infeces impem um encarecimento do atendimento, na

    medida em que aumentam os custos diretos com gastos da teraputica,

    principalmente com novos antibiticos, permanncia hospitalar e da morbi-

    mortalidade (BRASIL,1998a; BRASIL, 1998b; OMS, 2009).

    As Infeces hospitalares aumentam tambm os custos indiretos que esto

    relacionados s despesas com os pacientes atingidos pelas infeces como

    afastamento de trabalho, sequelas de doena ou mesmo morte e os custos que so

    impossveis de serem medidos economicamente como distrbios provocados pela

    dor, mal-estar, isolamento, angstia e pelo sofrimento experimentado pelo paciente

    no ambiente hospitalar (BRASIL,1998a; BRASIL. 1998b; OMS, 2009).

    No Brasil o custo de tratamento de pacientes com infeco trs vezes

    maior que o custo dos clientes sem infeco. Os ndices de infeces hospitalares

    permanecem altos, 15,5%, o que corresponde a 1,18% episdios de infeco por

    cliente internado com infeco hospitalar nos hospitais brasileiros (SANTOS, 2002;

    STONE et al., 2007).

    Nessa perspectiva, a infeco hospitalar representa importante problema de

    sade pblica, tanto no Brasil quanto no mundo e constitui risco sade dos

  • usurios dos hospitais que se submetem a procedimentos teraputicos ou de

    diagnstico. Sua preveno e controle dependem, em grande parte, da adeso dos

    profissionais da rea da sade s medidas preventivas (BRASIL,1998a; BRASIL,

    1998b; OMS, 2009).

    A maioria das mortes e sofrimentos de doentes atribuveis a infeces

    relacionadas assistncia sade pode ser evitada. J existem prticas simples e

    de baixo custo para evitar estas infeces. A higienizao das mos, uma ao

    muito simples, que continua sendo a principal medida para reduzir as infeces

    relacionadas assistncia sade e a disseminao da resistncia microbiana, o

    que aumentaria a segurana do paciente em todos os ambientes (SANTOS, 2002;

    STONE et al., 2007). Apesar disto, a observncia da higienizao das mos ainda

    muito baixa em todo o mundo, portanto os governos deveriam garantir que a

    promoo desta prtica recebesse ateno e financiamento suficientes para ser bem

    sucedida (OMS, 2005). Em 1988, Larson revisou 423 artigos publicados entre 1879

    e 1986, sendo que metade desses trabalhos (50,8%) avaliava produtos para a

    higienizao da pele e 10,9% apresentavam estudos sobre comportamento, sendo

    detectado um aumento de artigos que tinham como tema infeco hospitalares,

    principalmente na dcada 80, onde se produziu o maior nmero de artigos

    (SANTOS, 2002; STONE et al., 2007).

    Atualmente o termo lavagem das mos foi substitudo por higienizao

    das mos por abranger alm da higienizao das mos, higienizao antissptica,

    frico antissptica e antissptica cirrgica das mos (ANVISA, 2007; SANTOS et

    al., 2008).

    Muitas publicaes cientficas demonstram a correlao entre a higienizao

    das mos e a reduo na transmisso de infeces. Este estudos tm mostrado a

    importncia da implementao de prticas de higienizao das mos na reduo

    das taxas de infeces. Estes estudos so ferramentas importantes para demonstrar

    a consistncia das indicaes cientficas, tambm, sobre este tema (SANTOS, 2002;

    STONE et al., 2007).

    Estudo realizado por Ignaz Philipp Semmelweis estabeleceu a primeira

    evidncia cientfica de que a lavagem das mos pudesse evitar a transmisso da

    febre puerperal, ao utilizar uma soluo de gua clorada e sabo para a lavagem

    das mos dos profissionais que prestassem cuidados aos pacientes, onde se

  • conseguiu reduzir de 18,27 para 3,07% o nmero dessas infeces, dentro de dois

    meses na unidade de sade (BRASIL, 1989).

    A higienizao das mos, alm de ser uma medida bsica e barata, a

    maneira mais eficiente e econmica para a preveno de infeces nosocomiais e

    este fato mundialmente reconhecido. Afinal, as mos so o principal meio de

    transmisso de infeces hospitalares e esta deve ser realizada antes e aps

    qualquer procedimento empregado na assistncia ao paciente (CDC, 2002;

    SANTOS, 2002; OMS, 2005; ANVISA, 2007; FLIX, 2009).

    Esta higienizao importante, pois a pele como um possvel reservatrio

    de diversos micro-organismos a principal via de transmisso por contato direto, de

    pele a pele ou por contato indireto, por contato com objetos e superfcies

    contaminadas (ANVISA, 2007).

    A eficcia da higienizao das mos depende da durao do procedimento e

    da utilizao de tcnica correta e tem como principal objetivo a remoo da maior

    quantidade de micro organismos da flora transitria e de alguns da flora residente,

    de pelos, de clulas descamativas, de suor, de sujidade e de oleosidade (ANVISA,

    2009).

    O Governo brasileiro tem dado grande importncia para a higienizao das

    mos, por meio da publicao das seguintes legislaes: Portaria 2616/1998 e RDC

    50 de 21 de fevereiro 2002, que instrui sobre o Programa de Controle de Infeces

    Hospitalares elaborado pelas Comisses de Controle das Infeces Hospitalares

    nos estabelecimentos de assistncia sade no Pas (SANTOS, 2002; ANVISA,

    2007; SANTOS et al., 2008).

    Alm das legislaes acima citadas, o Ministrio da Sade, em 1989, editou

    o manual de Lavar as mos, com o objetivo de normatizar essa tcnica nas

    unidades de sade brasileiras, proporcionando aos profissionais de sade subsdios

    tcnicos relativos s normas e aos procedimentos para lavar as mos corretamente,

    visando preveno das infeces hospitalares (FLIX, 2009; ANVISA, 2010).

    Outra iniciativa do Ministrio da Sade para diminuir a infeco hospitalar, foi

    a publicao da portaria no 2.616 em 1998, que em seu anexo IV descreve

    recomendaes gerais, sobre a higienizao das mos, a serem seguidas nas

    unidades de sade. Dentre as orientaes sobre a higienizao das mos podemos

    citar: a forma de como deve ser realizada; a importncia da realizao da

    higienizao das mos apenas com gua e sabo; quando deve ser realizada;

  • quando deve ser incorporada a higienizao antissptica; dentre outros (BRASIL,

    1998b).

    A OMS tambm tem dedicado esforos na elaborao de diretrizes e

    estratgias de implantao de medidas visando adeso prtica de higienizao

    das mos (ANVISA, 2007; SANTOS et al., 2008).

    Os profissionais de sade mesmo com a constatao da importncia da

    higienizao das mos na preveno da transmisso de infeces, desprezam o

    valor de uma ao simples e no compreendem os mecanismos bsicos da

    dinmica de transmisso das doenas infecciosas (SANTOS et al., 2008). A

    negligncia dos profissionais de sade em no adotar a prtica da higienizao das

    mos com frequncia, mesmo sendo um procedimento simples e barato, um

    problema mundial. Os dados da OMS sugerem que essa baixa adeso dos

    profissionais est relacionada incorporao a pratica diria e ao hbito, e no a

    falta de conhecimento terico (PRIMO, 2010).

    Em estudo realizado em 2006, foram observados 1.530 procedimentos que

    necessitavam higienizao das mos. Foi realizada uma interveno na equipe de

    profissionais de sade, onde se obteve um aumento da adeso nos procedimentos

    de lavagem de mo de 8% para 49% (aumento da adeso de mais de 500%), o que

    levou a um importante impacto na taxa de infeco hospitalar (3,76 episdios de

    infeco hospitalar/1000 pacientes/dia para 1,58) (CARVALHO, 2007).

    Diversos fatores influenciam na adeso as prticas de higienizao das

    mos pelos profissionais de sade. Dentre os fatores podemos citar: a falta ou

    excesso de pessoal nas unidades de sade que pode resultar em descontrole da

    rotina, fazendo com que o profissional de sade esquea medidas bsicas de

    higiene; o uso de jaleco e luvas que do a sensao de limpeza das mos; falta de

    estrutura adequada nas unidades de sade, como falta de pias automatizadas que

    diminuem o contato das mos com material contaminado; concentrao do trabalho

    durante a semana, elevando a carga de trabalho dos profissionais de sade em

    apenas um perodo; concentrao de diferentes atividades, com alto risco de

    contaminao em um mesmo profissional de sade e a contratao de profissionais

    inadequados para determinadas atividades (OMS, 2005; OMS, 2009).

    A OMS tambm identificou outros fatores e novas barreiras, relatados

    espontaneamente pelos profissionais de sade, como responsveis pela baixa

    adeso a higienizao das mos (Anexo B) (OMS, 2005).

  • A higienizao das mos pode ser realizada com a utilizao de sabo

    antimicrobiano, lcool gel ou apenas gua e sabo. Diversos estudiosos defendem a

    utilizao de sabo antimicrobiano ou lcool gel, estratgia esta tambm utilizada

    pelo prprio Governo Federal em episdios como a gripe provocada pelo H1N1

    (CARVALHO, 2007). Mesmo sabendo que a utilizao de sabo antimicrobiano ou

    lcool gel higieniza as mos, estudos comprovaram que a limpeza no completa,

    ou seja, mesmo aps a lavagem das mos persiste nmero substancial de

    patgenos nas mos de profissionais de sade (FLIX, 2009).

    Outros autores defendem que o uso de gua e sabo nas mos, apesar de

    no eliminar a flora microbiana transitria, reduz a residente e, na maioria das vezes,

    interrompe a cadeia de transmisso de doenas (SANTOS, 2002; ANVISA 2007). A

    tcnica de higienizao de mos recomendada pela OMS encontra-se no Anexo A,

    no fim deste trabalho.

    4. CONCLUSO

    A reduo de infeco hospitalar est ligada a diversos fatores, dentre eles,

    e o mais importante e barato, a higienizao das mos, que apesar de no retirar

    completamente todos os micro-organismos, diminui substancialmente esse nmero,

    favorecendo o no surgimento de infeco hospitalar.

    Estudos experimentais e no experimentais relacionados lavagem das

    mos foram revisados para verificar evidncias de associao entre lavagem das

    mos e reduo de infeces, onde se conclui a importncia da lavagem das mos

    para reduo da infeco hospitalar e que a permanncia da mesma pertinente e

    deve ser mantida. Outros estudos bem conduzidos mostram a importncia da prtica

    de higienizao das mos para reduo das taxas de infeces hospitalares e a

    maioria absoluta dos especialistas em controle de infeces concorda que esse

    procedimento o meio mais simples e eficaz de prevenir a transmisso de

    microrganismos no ambiente assistencial.

    De acordo com o Ministrio da Sade, os profissionais que trabalham em

    servios de sade, devem adotar em suas prticas dirias as recomendaes

    bsicas de higienizao das mos, o uso de luvas e que as aes educativas so

  • importantes e necessrias para aumentar a adeso dos profissionais de sade

    higienizao.

    REFERNCIAS

    AGNCIA NACIONAL DE VIGILNCIA SANITRIA (ANVISA). Brasil. Higienizao das mos em servios de sade. Braslia: 2007. Disponvel em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/higienizacao_maos.pdf. Acesso em: 16 set. 2012. AGNCIA NACIONAL DE VIGILNCIA SANITRIA (ANVISA). Brasil. Segurana do Paciente em Servios de Sade: Higienizao das Mos. Braslia: 2009. 105p. AGNCIA NACIONAL DE VIGILNCIA SANITRIA (ANVISA). Brasil. Indicadores Nacionais de Infeces Relacionadas Assistncia Sade. Setembro 2010. Disponvel em: http://www.saude.mt.gov.br/portal/controle-infeccoes/documento/doc/indicadores_nacionais_de_iras_set_2010_anvisa.pdf. Acesso em: 16 set. 2012. BRASIL. Ministrio da Sade. Lavar as mos: informaes para profissionais de sade. Braslia (DF): 1989. BRASIL. Ministrio da Sade. Normas para o programa de controle de infeco hospitalar. Braslia (DF): 1998a. BRASIL. Ministrio da Sade. Portaria no 2616, de 12 de maio de 1998b. Institui o Programa de Infeco hospitalar. Disponvel em http://www.anvisa.gov.br/legis/portarias/2616_98.htm. Acesso em: 16 set. 2012. CARVALHO et al. Higienizao das mos como estratgia para a reduo da incidncia de infeces hospitalares em um nico hospital pblico. Revista Paranaense de Medicina. v. 21, 2007. CENTER for DISEASE CONTROL (CDC). Guideline for hand hygiene in health care settings. Recommendations of the healthcare infection control practices advisory committee and the HICPAC/SHEA/APIC/IDSA Hand Hygiene Task Force. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. v. 51, n. 16, p. 1-45, 2002. COUTO, RC. et al. Infeco Hospitalar - Epidemiologia, controle e tratamento. 3 ed. Rio de Janeiro (RJ): Editora Mdica e Cientfica; 2003. DANTAS, R.A.N. et al. Higienizao das mos como profilaxia das infeces hospitalares: Uma Reviso. Revista Inter Cience Place. Ano 3, n. 13 Maio/Junho 2010. Disponvel em: http://www.interscienceplace.org/interscienceplace/article/viewFile/136/158. Acesso em: 20 agost. 2012.

  • FELIX, C.C.P. Avaliao da Tcnica de lavagens das Mos executado por alunos de graduao em enfermagem. 134f. Programa de Ps-graduao em Enfermagem, Universidade de So Paulo. Revista da Escola de Enfermagem da USP. So Paulo. V.43, n.1, 2009. ORGANIZAO MUNDIAL DA SADE (OMS). WHO Guidelines and Hand Hygiene in Health Care. First Global Patient Safety Challeng Clean Care is Safer Care. 2009. Disponvel em http://proqualis.net/higienizacao/?id=000000669. Acesso em: 16 nov. 2012. ORGANIZAO MUNDIAL DA SADE (OMS). Diretrizes da OMS sobre higienizao das mos na assistncia sade (verso preliminar avanada): Resumo. World Health Organization 2005. Disponvel em http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:BQFl1TfMUzEJ:portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/f7446080474575ee840ad43fbc4c6735/Diretrizes%2Bda%2BOMS%2Bsobre%2BHigiene%2Bdas%2BM%C3%A3os%2B-%2BResumo%2BVS.rtf%3FMOD%3DAJPERES%26useDefaultText%3D0%26useDefaultDesc%3D0+DIRETRIZES+DA+OMS+SOBRE+HIGIENIZA%C3%87%C3%83O+DAS+M%C3%83OS+NA+ASSIST%C3%8ANCIA+%C3%80+SA%C3%9ADE+(VERS%C3%83O+PRELIMINAR+AVAN%C3%87ADA):+RESUMO&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br. Acesso em: 16 agost. 2012. RICKARD NAS. Hand hygiene: promoting compliance among nurses and health workers. Br J Nurs. v. 13, p. 404-410, 2004. SANTOS, D.A.M. Higienizao das mos no controle das infeces em servios de sade. RAS. V. 4, N. 15, Abr-Jun, 2002. Disponvel em http://www.cqh.org.br/files/ARTIGORAS15.pdf. Acesso em: 16 agost. 2012. SANTOS, M.S. et al. Higienizao das mos no controle das Infeces Hospitalares: reviso bibliogrfica. 2008. Disponvel em http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:http://189.75.118.67/CBCENF/sistemainscricoes/arquivosTrabalhos/I3766.E1.T1159.D1.doc. Acesso em: 16 set. 2012. STONE P.W. et al. Effect of Guideline Implementation on Costs of Hand Hygiene. Nurs Econ. v. 25, n. 5, p. 279-284, 2007. Disponvel em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2913245/pdf/nihms216732.pdf. Acesso 20 set. 2012.

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=0080-6234&lng=en&nrm=iso

  • ANEXO A TCNICA DE HIGIENIZAO DAS MOS DA ORGANIZAO MUNDIAL DA SADE (OMS, 2005)

    Com a mo em forma de concha, encha-a com o produto e espalhe-o por toda a superfcie das mos;

    Esfregue as palmas das mos;

    Esfregue a palma da mo direita sobre o dorso da mo esquerda com dedos entrelaados e vice versa;

    Palma com palma com os dedos entrelaados;

    As costas dos dedos virados para a palma da mo oposta com os dedos presos uns aos outros;

    Movimentos de rotao do polegar esquerdo esfregando as costas da mo direita e vice versa;

    Movimentos de rotao, esfregando para trs e para frente, com os dedos da mo direita unidos esfregando a palma da mo esquerda e vice versa depois de secas, suas mos esto seguras. TCNICA DE HIGIENIZAO DAS MOS COM GUA E SABO, MODIFICADA DE ACORDO COM EN1500 (OMS, 2005)

    Molhe as mos com gua;

    Aplique sabo suficiente para cobrir toda a superfcie das mos;

    Esfregue as mos palma com palma;

    Palma da mo direita sobre o dorso da mo esquerda com dedos entrelaados e vice versa;

    Palma com palma com os dedos entrelaados;

    As costas dos dedos virados para a palma da mo oposta com os dedos presos uns aos outros;

    Rotao do polegar esquerdo esfregando as costas da mo direita e vice versa;

    Rotao esfregando para trs e para frente com os dedos da mo direita unidos esfregando a palma da mo esquerda e vice versa;

    Enxgue com gua;

    Seque as mos com uma toalha descartvel e use a toalha para fechar a torneira.

  • ANEXO B OS PRINCIPAIS FATORES QUE INFLUENCIAM A ADESO A PRTICAS RECOMENDADAS DE HIGIENIZAO DAS MOS (OMS, 2005)

    Fatores de risco observados para baixa adeso:

    trabalho no tratamento intensivo;

    trabalho durante a semana (em relao ao de fim de semana);

    uso de jalecos e luvas;

    pia automatizada;

    Atividades de alto risco de contaminao cruzada;

    Falta ou excesso de pessoal;

    Alto nmero de oportunidades para higienizao das mos por hora de

    cuidado de doentes;

    Cargo de auxiliar de enfermagem (em vez de enfermeiro);

    Cargo de mdico (em vez de enfermeiro)

    Fatores relatados espontaneamente para a baixa adeso:

    Produtos de higienizao das mos provocam irritaes e secura;

    Pias esto localizadas em locais inconvenientes ou faltam pias;

    Falta de sabo, papel descartvel e toalha;

    Normalmente h falta de tempo ou a pressa grande;

    As necessidades do paciente exigem prioridade;

    A higienizao das mos interfere no relacionamento do profissional de

    sade com o paciente;

    Baixo risco de contrair infeces de pacientes;

    O uso de luvas ou a crena de que o uso de luvas torna desnecessrio

    a higienizao das mos;

    Falta de conhecimento de diretrizes e protocolos;

    No pensa sobre isso, esquecimento;

    No tem o exemplo dos colegas ou superiores;

    Ceticismo sobre o valor da higienizao das mos;

    Discorda das recomendaes;

  • Falta informao cientfica sobre o impacto definitivo da melhoria da

    higienizao das mos nas taxas de infeco relacionada assistncia

    sade.

    Barreiras adicionais percebidas para a higienizao adequada das mos:

    Falta de participao ativa na promoo da higienizao das mos a

    nvel individual ou institucional;

    Falta de um modelo padro para higienizao das mos;

    Falta de prioridade institucional para a higienizao das mos;

    Falta de sano administrativa a no cumpridores das normas/

    recompensa a cumpridores das normas;

    Falta ambiente de segurana institucional.

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