A historiografia romântico-liberal ?ntese N14... · puma, vento e nada, perante a moderna crítica…

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<p>cuia, porque julga levantar o moral da na-cionalidade opr imida apresen tando- lhe um pas sado que remonta formao do mundo, e u m a dinastia de reis que ascende at N o ! Ridcula a inda, porque no duvida ir at falsificao dos textos comprovat ivos das suas invencionices. A Monarchia prol-fica em invencionices pa t r i t i ca s : o milagre de O u r i q u e , as cortes de L a m e g o , o conclio Bracarense , as relaes epistolares de Afonso Henr iques com S. Bernardo , e t c , etc. Es ta s invencionices de Brito e da sua escola, como uma grande vaga que tudo alagasse e sub-mergisse , veio ro lando a t ravs dois longos sculos, para finalmente se desfazer em es-puma , vento e nada , peran te a mode rna crtica histrica, comeada gloriosamente por P e d r o Ribei ro , os Gaetanos do A m a -ral , e sobre tudo com Hercu lano . A pol-mica t ravada com este a-propsito da cle-bre ba ta lha de O u r i q u e , as de turpaes intencionais do falso arabis ta Antnio Cae-tano Pere i ra , so os l t imos episdios da vida inglria da famigerada historiografia a lcobacence. </p> <p>F o r a m os Be rna rdo de Bri to, os F ran-cisco Brandes e os Alvares de L o u s a d a , quem, com o seu messianismo, as suas tra-paceirices fradescas, fomentaram e d e r a m u m aspecto cientfico a esta vaga que, como u m denso nevoeiro, por sobre a nacionali-</p> <p>dade pairou duran te sculos, e lhe apa-gou em grande pa r t e o bri lho das eras r emotas . </p> <p>Q u a n d o uma gerao ou mais geraes no encont ram perante si perspect ivas ime-dia tas , e se no podem, po r t an to , virar pa ra o futuro, porque este lhe no per tence , vi-ram-se pa ra o passado , e para le vivem. </p> <p>Freder ico Nietzsche, falando dos histo-r iadores , disse que fora de olhar para t raz , torna-se o historiador um c a r a n g u e j o ; passa a crer , outro-s im, para t raz . Isto que no se poder aplicar com justia, genera-lizando, dever-se aplicar com propr iedade aos historiadores des ta poca. Pois que outra coisa mais sero eles, do que caranguejos ante a evoluo da vida nacional e os males que a a s sobe rbavam ? </p> <p>A historiografia des te per odo pois u m seguro ndice da apagada e vil tr isteza da vida mental e econmica de qusi dois sculos, que tem como expoentes o misti-c ismo, o passad i smo, a tute la poltica e eco-nmica da Ingla te r ra , a cont ra- reforma com as suas perseguies religiosas e a perda das l iberdades polticas, com a centraliza-o completa do poder real . S o estes que a p o n t a m o s , ndices b e m claros de per odos de decadncia e abas t a rdamen to mora l , e por isso mesmo merecedores da nossa es-t ima. </p> <p>IV </p> <p>A historiografia romntico-liberal </p> <p>A influncia dos pensadores franceses do sc. xvm, e sbre tudg a reforma pombalina, cont r ibu ram de certa maneira para desas-sombra r a atmosfera menta l em que at a o pa s vivera, e dar cer to esprito crt ico, como consequncia, nossa historiografia. A fundao em 1721 da Academia Rea l de Histria Por tuguesa foi a pr imeira reaco s a l u t a r : comeou-se ento u m a tarefa de reconst ruco da nossa historiografia, que mais t a rde veio a ter o bri lhante fecho que Hercu lano lhe deu com a publicao da sua His tr ia de P o r t u g a l . </p> <p>A ' fundao da Academia Real de His t-ria cor responde o de spe r t a r da vida econ-mica da nacional idade, pela industrial izao crescente , pois no re inado de D. Joo v </p> <p>que sc comea notando o aparec imento de novas indstr ias , sobre tudo indstr ias de luxo. O desenvolvimento industrial do pas sofre o seu pr imeiro g rande impulso com a obra fomentadora d c m a r q u s de P o m b a l . E ' sobre tudo a part i r da reforma pomba-lina que se comea desenhando mais niti-damen te o progressivo evoluir da nossa indstr ia . Pa ra le lamente crescente indus-trial izao, e como consequncia dela, d-se o amadurec imen to poltico da nova burgue-sia industrial , que era a herdeira e cont inua-dora dos velhos a r tesos e dos mercadores e capital istas das descober tas , e que em cada dia que passava via a u m e n t a r a sua importncia econmica na vida da nao , sem que para le lamente aumentasse a sua </p>