A GUERRA GRANDE (1839-1852) E OS BRUMMER: ?· a guerra grande (1839-1852) e os brummer: fronteira e…

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A GUERRA GRANDE (1839-1852) E OS BRUMMER: FRONTEIRA E IMIGRAO GERMNICA NO RIO GRANDE DO SUL DO SC. XIX CARLOS EDUARDO PIASSINI1 MARIA MEDIANEIRA PADOIN2 A concepo bsica norteadora do trabalho do historiador est expressa em uma ampla dimenso, que seja: compreender a Histria como cincia do tempo presente. O uso de mtodos, teorias e a pretenso de veracidade carregam em si o carter cientfico da pesquisa histrica, enquanto a autorreflexo do mundo existente em volta do historiador lhe proporciona a elaborao de questes relacionadas ao tempo presente, cujas respostas aludem ao tempo que j se foi. Tal entendimento advm do trabalho de Rsen (2001), cujos esforos voltados Teoria da Histria trouxeram valiosas contribuies para os historiadores (re)pensarem seu oficio. Assim, a realidade vem tona como matria essencial para o desenvolvimento das questes histricas e, tambm, para a interpretao dos eventos encontrados no passado. Dessa forma, o momento atual intrinsecamente influencia na construo do passado que se investiga, e este, passa a ter carter de presente. As trs temporalidades acabam fortemente voltadas para uma delas: o presente. Ao passo que a autorreflexo do presente leva a buscar respostas no passado, a expectativa do futuro move o presente. Ao aludir ao mundo no qual se vive o papel de gerador das questes a partir das quais as pesquisas histricas tomam corpo, destacamos o tema da Fronteira como de suma importncia para a atualidade e, portanto, fonte abundante pesquisa. Inseridos em uma realidade caracterizada por Bauman3 (2001) como lquida, ou seja, ausente de materialidade suficiente a manuteno duradoura de nossas referencias, sujeitas mudanas cada vez mais rpidas que fazem nosso mundo escorrer pelas mos, o papel da referncia ganha destaque. A fronteira, em seus diversos entendimentos, nos auxilia a digerir as mudanas ao nosso redor. Tambm Maffesoli4 (2010) corrobora a percepo de um mundo singrado pelas mudanas, e aplica o conceito de Saturao para tanto, isto , um processo quase qumico, baseado na 1 Mestrando do Programa de Ps-Graduao em Histria da Universidade Federal de Santa Maria, na Linha de Pesquisa Fronteira, Poltica e Sociedade; Bolsista CAPES/DS; cepiassini@yahoo.com.br. 2 Prof. Dr. Maria Medianeira Padoin; Coordenadora do Programa de Ps Graduao em Histria PPGH da Universidade Federal de Santa Maria; mmpadoin@gmail.com. 3 ZYGMUNT, Bauman. Modernidade lquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. 4 MAFFESOLI, Michel. Saturao. (Traduo Ana Goldberger). So Paulo: Iluminuras/Ita Cultural, 2010. mailto:cepiassini@yahoo.com.brmailto:mmpadoin@gmail.com2 desestruturao de um corpo seguida pela reestruturao desse corpo com os mesmos elementos daquilo que foi desconstrudo. O novo surge a partir do velho. Aquilo antes conhecido deixa de ter preponderncia e, dessa forma, torna-se necessrio enfrentar a mudana. Aqui faz-se importante a referencialidade, entendida como um ponto de apoio frente a imprevisibilidade aguda do mundo atual. O movimento causado pelas mudanas tornou a vida mais dinmica. Assim, inserido nesse contexto, o conceito de Fronteira, como Rui Cunha Martins (2008) aponta, passou por transformaes. Antes engessado em um modelo restrito, o conceito passou para o estatuto de dispositivo, ou seja, adquiriu um carter plurifacetado e em adaptao permanente. Ainda assim, continua apresentando grande potencial demarcador, o que o capacita a facilitar o entendimento desse mundo irrestrito. Porm, a dimenso demarcatria da Fronteira tem limites, uma vez que a referncia, isto , o espao demarcado e, por isso mesmo, uma criao, entra em tenso com a contingncia, ou seja, com o imprevisvel do real. A Fronteira , pois, enquanto conceito e espao real, dinmica. Ao tratarmos da migrao de indivduos germnicos para a Provncia de Rio Grande de So Pedro em meados do sc. XIX, especificamente do caso dos Brummer, abordamos a questo da Fronteira, uma vez que, segundo nosso entendimento, esta foi um dos principais elementos mobilizadores de tal deslocamento. Aqui, ao tratarmos da Guerra Grande (1839 1852), vamos nos referir, sobretudo, ao espao fronteirio platino, entendido por Maria Medianeira Padoin (2001) como um espao constitudo atravs de relaes sociais e econmicas, com carter de regio, onde circularam homens, ideias, culturas e mercadorias. No estava associado a delimitaes fsicas e polticas, caracterstica essa, segundo Khn5 (2006), inerente Fronteira, pois enquanto territrio de circulao de pessoas e mercadorias, ela no deve ser confundida com o limite poltico, definido pelos tratados internacionais. Esse espao era dinmico e mutvel. Compreendeu o atual territrio de Buenos Aires e provncias litorneas da Bacia do Prata, o territrio atual do Uruguai e a regio da Campanha do Rio Grande do Sul. As relaes construdas nesta regio permitiram a circulao e a troca de ideias, bem como a conscincia de autonomia poltica, de liberdade e de proteo, elementos fundamentais para a difuso de ideias federalistas durante o conturbado perodo de construo dos Estados Nacionais. 5 KHN, Fbio. Gente da Fronteira: Famlia, Sociedade e Poder no Sul da Amrica Portuguesa Sculo XVIII. 2006. 479 p. Tese (Doutorado em Histria) Universidade Federal Fluminense, UFF, Niteri. 2006. 3 As polticas voltadas imigrao germnica para a colonizao de considerveis reas sulinas durante o sc. XIX, de acordo com Jorge Luiz da Cunha (2006), visava, sobretudo, aumentar consideravelmente a populao para promoo da riqueza e prosperidade do sul do pas e a defesa das fronteiras em tempo de guerra. De fato, a Provncia de Rio Grande de So Pedro, durante o referido sculo, fora palco de intensas disputas territoriais. A proteo de sua posse era fundamental ao governo portugus e posteriormente ao imprio brasileiro, pois, segundo Comissoli6 (2008), constitua-se como porta de acesso aos ricos mercados da regio platina. Assim, o contexto fronteirio meridional contribuiu para a consolidao do empreendimento migratrio e colonizador do Rio Grande do Sul durante o sculo XIX ao instalar grupos de indivduos provenientes de regies europeias em seu territrio para a manuteno de sua posse. O caso dos Brummer possui especificidades, pois sua migrao ocorreu no ano de 1852 e esteve descolada do objetivo de fixao dos imigrantes em colnias para a produo de alimentos e a proteo do territrio. Porm, ainda que a fixao no fosse o fim desejado quando da contratao dos Brummer, a proteo do territrio foi fator fundamental. A legio germnica engrossou as fileiras do exrcito brasileiro no conflito conhecido como Guerra Grande (1839 1852). De acordo com Jose Pedro Barran (1979:5), ela pode ser definida atravs de diversos ngulos, [...] h sido definida como la lucha internacional entre la Amrica espaola y la Europa industrial; pugna rio-platense, entre tendncias nacionalistas y autoritrias enfrentadas com tendencias extranjerizantes y liberales; entre federales y unitarios en Argentina; blancos y colorados en el Estado Oriental; intentos hegemnicos tendientes a la reconstruccin del virreinato de Buenos Aires, y combate por sobrevivir del Urugauay y Paraguay. [...] Lo que comenz por ser un conflicto de bandos entre Oribe y Rivera en el Estado Oriental, se transform con la cada de Oribe (octubre de 1838) en guerra internacional.7 Portanto, este conflito envolveu diversos Estados e adquiriu, assim, carter internacional, envolvendo Buenos Aires, Corrientes, Santa F, Montevidu, Entre Rios e o 6 COMISSOLI, Adriano. Os homens- bons e a Cmara Municipal de Porto Alegre (1767 1808). Porto Alegre: Coleo Teses e Dissertaes, v.1. 2008. 7 [...] tem sido definida como a luta internacional entre a Amrica espanhola e a Europa industrial; conflito rio-platense, entre tendncias nacionalistas e autoritrias contra tendncias favorveis a formas estrangeiras e liberais; entre federalistas e unitrios na Argentina; blancos e colorados no Estado Oriental; tentativas hegemnicas de reconstruo do vice-reinado de Buenos Aires, e o combate por sua sobrevivncia do Uruguai e do Paraguai. [...] O que comeou como um conflito de bandos entre Oribe e Rivera no Estado Oriental, se transformou aps Oribe cair (outubro de 1838) em uma guerra internacional. (Traduo nossa). 4 Paraguai, assim como o Brasil, a Frana e a Inglaterra. De forma geral, dentre as motivaes dos envolvidos, podemos citar os fortes interesses econmicos, a existncia de planos expansionistas, e a defesa da autonomia e independncia de alguns deles (BARRAN, 1979; BETTEL, 1991). Figura central da Guerra Grande, Juan Manuel de Rosas, chegou ao poder na Argentina, ento um emaranhado de provncias politicamente autnomas, em 1829, com o apoio dos caudilhos do interior. De acordo com Bettel (1991), Rosas foi proprietrio de grandes extenses de terra, teve muitos pees a seu servio, comandou milcias, e, ainda, conseguiu adaptar seu discurso para falar de perto com indgenas, estancieiros, polticos e pees. Enquanto governador de Buenos Aires, defendeu uma poltica de expanso e colonizao, alm de privilegiar queles que o apoiavam, isto , um grupo formado principalmente por proprietrios de terra. Como destaca Barran (1979: 15), ao citar Sarmiento, Quin era Rosas? Um proprietario de tierras. Qu acumul Rosas? Tierras. Qu dio a sus sostenedores? Tierras. Qu quit o confisco a sus adversrios? Tierras8. Entre os anos 1832 e 1835, de acordo com Bettel (1991), durante os quais Rosas esteve afastado do poder direto do cargo de governador de Buenos Aires, ele encabeou a Campaa del Desierto (BETTEL, 1991: 282), empreendimento baseado no extermnio e, algumas vezes, acordos com os indgenas do sul de Buenos Aires para a conquista de vastas extenses de terra. O objetivo foi alcanado e teve xito em adicionar a Buenos Aires milhares de quilmetros quadrados de terra. Grande parte das reas conquistadas foi distribuda entre queles que haviam participado da campanha, principalmente aos capites, coronis e generais. A questo da terra teve espao destacado durante os anos do poderio de Rosas. Segundo Bettel (1991), com o prestgio adquirido aps tal empreendimento, o retorno de Rosas ao poder foi triunfal, sobretudo em vista da instabilidade de Buenos Aires e da insubordinao das provncias que compunham a Confederao Argentina. Estes foram 8 Quem era Rosas? Um Proprietrio de Terras. O que Rosas acumulou? Terras. O que deu a seus apoiadores? Terras. O que tomou ou confiscou de seus adversrios? Terras. (Traduo nossa). 5 pretextos suficientes para a interveno de Rosas e a manuteno de seu governo ao longo de 17 anos com poder ilimitado e total. Para Barran (1979), duas garantias foram exigidas a ele pelos grupos que o apoiaram, em particular dos proprietrios de terra da campanha: paz e terras. As terras ele conquistou e concedeu aos seus partidrios e a outros que por esse motivo se inclinaram a apoi-lo. A paz ele tratou de obter eliminando todos aqueles que no seguiam as diretrizes da faco poltica que representava, e nisso fracassou. Rosas aniquilou os partidos, sobretudo o unitrio, como meio para unificar a nao e levar ordem. Usou do terror, da perseguio aos inimigos polticos, e de smbolos e imagens para exaltar sua imagem e seu governo. Segundo Bettel (1991), durante o governo de Rosas, a terra pblica virou moeda de troca. Ele deixou de lado o sistema de arrendamento de terras vigente no governo de seu antecessor e colocou no mercado grandes quantidades de terra, compradas pelos mais ricos. Ainda assim, a pouca procura deu pretexto a Rosas para passar a doar as terras pblicas. Fez generosas concesses de terra aos apoiadores de seu governo, alm de valer-se das doaes para garantir alianas e pagar salrios e penses. De acordo com Barran (1979), o federalismo de Rosas foi peculiar, pois apesar de ter permitido a autonomia poltica das provncias pertencentes Confederao Argentina, guardou para si o domnio econmico da regio ao negar-se a abrir os portos do litoral ao comrcio direto com a Europa e nacionalizar as rendas da aduana portenha. Frente a isso, quando tiveram oportunidade, Corrientes, Entre Ros e Santa F trataram de combater a hegemonia de Buenos Aires. Nesse sentido, para Bettel (1991), a razo pela qual Rosas detestava os unitrios no dizia respeito ao desejo de obterem uma Argentina unida, mas por que eram liberais que defendiam os valores seculares do humanismo e do progresso. Rosas os identificava como maons e intelectuais, como subversivos que ameaavam a ordem e a tradio. As doutrinas constitucionais dos partidos no o interessavam e nunca foi verdadeiramente federalista. Apesar de fazer parte do partido federalista, pensava e governava como um centralista, defendendo a hegemonia de Buenos Aires. Enquanto Rosas governava Buenos Aires com poderes ditatoriais e mantinha o monoplio econmico sobre a Confederao Argentina, o Estado Oriental passava por turbulncias ocasionadas pela oposio de dois grupos, os blancos e os colorados. Segundo Barran (1979), enquanto o primeiro grupo estava enraizado no meio rural, combatia a interveno franco-inglesa, e permanecia fiel a tradio hispnica de ordem autoritria, o 6 segundo grupo estava ligado ao meio urbano, compartilhava das ideias das correntes liberais europeias e contava com o apoio dos imigrantes da Europa revolucionria, em particular franceses e italianos, alm de ter o apoio brasileiro. Em 1839 Fructuoso Rivera, integrante do grupo dos colorados, chegou presidncia do Estado Oriental. A tal ponto comprometido com as foras que haviam o auxiliado a conquistar o poder (os farrapos rio-grandenses, os emigrados unitrios argentinos e a esquadra francesa), foi forado a declarar guerra a Rosas. Para esses aliados, Rosas era um empecilho, mas no somente a eles. Segundo Bettel (1991), apesar de Rosas utilizar o aparato burocrtico, o exrcito e a polcia para exercer sua soberania, ainda assim existiu certa oposio a ele. No mbito interno, a oposio partiu dos unitrios e dos jovens reformistas. Os proprietrios de terra do sul da provncia constituram um segundo foco de oposio interna, cujo ressentimento no se devia a questes ideolgicas, mas a interesses econmicos. Sobrecarregados pelas exigncias que lhes eram feitas em homens e recursos para proteger a fronteira, sofreram de forma especial as consequncias do bloqueio comercial francs de 1838 (veremos adiante). Culparam Rosas. Por sua vez, houve grande oposio exterior ao regime, em parte por algumas provncias da Confederao Argentina, e em parte por potencias estrangeiras. A Guerra Grande expos os interesses franco-ingleses na Regio Platina e, ao mesmo tempo, freou e impulsionou seu intervencionismo nesse espao. Impulsionadas pela ideologia liberal, Frana e Inglaterra vivam naquele comeo do sculo XIX a expanso de seus mercados, ou seja, buscavam consumidores para seus produtos industriais em vrias regies do mundo. A Frana dava os primeiros passos, enquanto a Inglaterra j tinha certa experincia. Segundo Barran (1979), o domnio de Rosas sobre a Confederao Argentina, ao considerar o rio Paran como interior, obstaculizava a comunicao direta entre a Europa e as ricas provncias litorneas (Entre Ros, Corrientes e Santa F), e impedia o acesso ao Paraguai. Alm disso, a possibilidade de Oribe, representante dos blancos e apoiado por Rosas, tomar o poder no Estado Oriental significava a anexao deste Confederao Argentina e, consequentemente, o rio da Prata perderia seu carter de rio internacional, livremente navegvel. Os europeus desejavam a negociao direta com o litoral, o Paraguai e o Uruguai, e no estavam dispostos a suportar a intermediao de Buenos Aires e os elevados impostos aduaneiros que teriam de pagar. Ainda, a guerra entre os bandos orientais e a Argentina perturbava o comercio europeu. 7 Assim, a interveno estrangeira no conflito platino se deu atravs de influencias ideolgicas, sobretudo as ideias liberais e de combate ao despotismo, e por conta de interesses econmicos e pela garantia de privilgios aos europeus residentes na regio, os quais, para Barran (1979), poderiam ser instrumentos para as pretenses das potncias estrangeiras. Tambm existiu a pretenso de ocupao territorial. Porm tal projeto fracassou frente a intransigncia de Rosas e Oribe, e pela vigilncia mutua da Frana e da Gr-Bretanha. A Frana teve grande protagonismo no conflito. Segundo Barran (1979), a Frana, visando os interesses antes apontados, exigiu do governo de Rosas indenizaes para alguns de seus sditos detidos pelas autoridades provinciais, a exceo do servio militar a seus imigrantes, visto que todos os estrangeiros estavam obrigados a prestar servio militar, menos os ingleses, eximidos pelo tratado de comercio de 1825, e desejava obter o status de nao mais favorecida, privilgio at ento exclusivo da Inglaterra, o qual implicava que qualquer vantagem concedida a outro estado, automaticamente passava a ser vlida para a nao mais favorecida. As exigncias no foram atendidas. Frente a isso, a Frana bloqueou o porto de Buenos Aires em 1838, impedindo o comrcio e, dessa forma, fortalecendo Montevidu. A prolongao da resistncia argentina e a manuteno da esquadra francesa, de acordo com Barran (1979), foram custosos para a Frana. Alm disso, o bloqueio passou a prejudicar os negcios da Gr-Bretanha na regio platina. Dessa forma, frente aos gastos e a presso inglesa, a Frana suspendeu o bloqueio em 1840, e conseguiu um acordo com Rosas, garantindo as exigncia feitas antes do bloqueio. Com isso, permitiu o fortalecimento de Rosas e a invaso do Estado Oriental pelas tropas de Oribe em 1843. Assim tinha incio um cerco de 9 anos a Montevidu, acarretando imensos danos campanha e a paralizao do crescimento econmico montevideano. A resistncia de Montevidu foi possvel, sobretudo, graas a sada para o mar, por onde recebia viveres, mercadorias, dinheiro e rendas para sua aduana. Ao mesmo tempo, a Gr-Bretanha, defendendo interesses prprios, impediu Buenos Aires de bloquear o porto de Montevidu. O grupo colorado, governando em Montevidu sob a liderana de Rivera, ficou dependente da Europa, tanto demogrfica, como militar e financeiramente. Por sua vez, o grupo dos blancos, liderado por Oribe, controlou a campanha do Estado Oriental e estabeleceu a sede de um governo prprio nos atuais bairros montevideanos Unin e Cerrito. O apoio de Rosas se deu na oferta de soldados e ajuda financeira. Se sentiam os representantes da genuna americanidade contra as perigosas 8 intervenes europeias. Oribe instituiu governo prprio no Cerrito, exercendo a presidncia e contando com instituies governamentais. Portanto, houve dois Estados Orientais. Em 1845 diplomatas franceses e ingleses exigiram de Rosas a abertura dos rios sob o domnio de Buenos Aires para, de acordo com Barran (1979), garantir a livre navegao nestes. Rosas rechaou as propostas. De imediato, o porto de Buenos Aires foi bloqueado pela frota franco-inglesa. Agindo em prol de seus interesses, reconheceram a independncia do Paraguai e abriram caminho fora pelo rio Paran. Porm, a Inglaterra no desejava guerra contra Rosas e ordenou a retirada de sua esquadra do rio Paran. Todo o mpeto dos europeus, porm, encontrou resistncia nas foras de Rosas e Oribe. Frente aos prejuzos que o bloqueio causava a si prpria, a Inglaterra desistiu da ao em 1847. No ano seguinte foi a vez dos franceses. Dessa forma, tanto a Inglaterra como a Frana recuaram e assinaram acordos com Rosas, abandonando o apoio a Montevidu. Desiludidos com a prepotncia e o abandono europeus, segundo Doratioto (2014), os Colorados cercados em Montevidu buscaram aliados americanos e realizaram acordos com Urquiza, governador da provncia de Entre Ros, e com o imprio brasileiro. Localizado no litoral, Entre Ros sofria com o monoplio porturio bonaerense, um dos motivos que levou Urquiza a unir-se aos Colorados, mas no s isso, tambm pesou suas ambies em suplantar o poderio de Rosas na Confederao Argentina e, enfim, organiz-la constitucionalmente. Assim, em tratado de 1851, formou-se a Trplice Aliana, constituda por Brasil, Montevidu e Entre Ros, comprometidos a derrubar o governo do Cerrito e o ditador Rosas. Como salienta Bettel (1991), as provncias argentinas do litoral e do interior eram menos prsperas que Buenos Aires. As guerras civis que se seguiram guerra de independncia prejudicaram a economia do litoral (Santa F, Corrientes, Entre Ros). Quando conseguiram estabilidade para se recuperar, Buenos Aires monopolizava o comercio. Houve inmeras discusses no intuito de haver mais incentivos a economia do litoral e do interior, mas o monoplio da pecuria impediu qualquer avano em outras reas. Por sua vez, as provncias do interior se mantiveram isoladas do impacto mais direto da independncia, sofrendo menos que o litoral as devastaes e a guerra, entretanto sua produo de cereais, vinhos e tecidos recebeu pouca ateno de Rosas, alm de estarem distantes dos pontos de escoamento da produo. O receio do imprio do Brasil em relao a Rosas, de acordo com Doratioto (2014) residia em seu apoio a Oribe, indcio da provvel incorporao do Uruguai Confederao 9 Argentina. Essa tambm era a interpretao que tinham para a recusa de Rosas em reconhecer a independncia do Paraguai. Apesar disso, o governo brasileiro aceitou, em 1843, uma proposta de aliana feita por Rosas, ento ameaado por foras anglo-francesas que exigiam a retirada de suas tropas do solo uruguaio, e, ainda, enfrentava uma sublevao de Corrientes. A proposta de Rosas objetivava obter apoio brasileiro para bloquear Montevidu e outros portos que estivessem sob o controle de Rivera. Em troca, forneceria os cavalos necessrios para as operaes do Exrcito Imperial contra os farroupilhas, ento sublevados na Provncia de Rio Grande de So Pedro. O tratado de Aliana foi assinado por Pedro II, e seguiu para Buenos Aires, para ser ratificado por Rosas, o qual se negou a faz-lo argumentando que nenhum acordo podia ser negociado sem o consentimento de Oribe. Na realidade, Rosas dispensou a aliana porque a ameaa de interveno anglo-francesa fora afastada e Corrientes fora pacificada. No Brasil essa recusa foi interpretada como uma afronta a Pedro II e fez os governantes brasileiros se convencerem de que Rosas era um inimigo do Imprio. Para Doratioto (2014), enfrentar Rosas era importante para o Brasil na medida que este poderia acabar com o equilbrio platense a favor da Confederao Argentina caso essa absorvesse o Paraguai e o Uruguai. Tambm lhe interessava garantir a livre navegao nos rios afluentes do Prata, pois atravs do rio Paran e do Paraguai se chegava na Provncia de Mato Grosso, enclausurada por terra, aberta ao progresso econmico apenas por via fluvial. Por fim, debilitar a Confederao Argentina significava deixar o Uruguai sem aliados frente ao Imprio brasileiro. Assim, os governantes brasileiros aceitaram auxiliar Montevidu, contudo assinaram cinco tratados que favoreceram o Brasil e debilitaram a autonomia de Montevidu, o subordinando em vrios aspectos ao imprio brasileiro. A aliana deu certo. Segundo Barran (1979), ainda em 1851 as foras aliadas aos Colorados moveram-se contra as foras de Oribe, que se entregaram sem combate, dando fim ao governo do Cerrito. A paz foi negociada e o cerco a Montevidu acabou. Alguns acordos foram estabelecidos: se reconhecia que a resistncia que se havia feito interveno franco-inglesa por parte de Oribe e do governo do Cerrito ocorreu sob a crena de que com ela se defendia a independncia oriental; se reconhecia como dvida nacional aquela contrada pelo governo do Cerrito; todos os cidados orientais gozariam de direitos iguais, procedendo-se a eleger oportunamente senadores e deputados para estes designarem o futuro presidente; se declarou que entre as diferentes opinies em que estavam divididos os orientais no havia vencidos nem vencedores, pois todos deviam reunir-se sob o estandarte nacional, para o bem 10 da ptria e para defender suas leis e a independncia. De acordo com Doratioto (2014), aps a rendio de Oribe, Rosas declarou guerra ao Brasil. Foi assinado o tratado de aliana entre o Imprio, o governo uruguaio e as provncias de Entre Ros e Corrientes contra o ditador. O governo brasileiro auxiliou os aliados com 4.000 homens, e um emprstimo de $ 400.00. Urquiza contou com o apoio da Marinha de Guerra imperial para o transporte de tropas, e, dessa forma, os aliados americanos venceram as foras de Rosas na batalha de Caseros, travada em 3 de fevereiro de 1852. Chegava ao fim o governo ditatorial de Juan Manuel de Rosas e a Guerra Grande. A participao do Brasil neste conflito de carter internacional acarretou no recrutamento da legio alem dos Brummer. Segundo Ryan Sousa Oliveira (2008), os legionrios alemes contratados em 1851 teriam marcado profundamente a sociedade teuto-brasileira. Ainda de acordo com Oliveira (2008, p. 30), Esses imigrantes se sobressaram no exerccio de atividades em setores de destaque no mundo colonial, como o comrcio, a imprensa e a diretoria de colnias, o que lhes garantiu legitimidade para se tornarem representantes polticos do grupo teuto-brasileiro da provncia. Para Schmid (1951), grande parte dos legionrios recrutados por Rego Barros veio da dissoluo do exrcito de Schleswig-Holstein, que lutara contra a Dinamarca. A heterogeneidade dos recrutados exemplificada por Schmid (1951) em uma fala de Karl Von Koseritz, na qual aponta que havia homens velhos, com experincia de atuao em campanhas na frica, na ndia, na Polnia, e na Espanha, e tambm muitos jovens, alguns ainda sem concluir os estudos. A idade dos recrutados variava de 17 a 50 anos de idade. De acordo com Maria Amlia Schmidt Dickie (1989), a maioria dos Brummer, [...] havia lutado nos movimentos liberais dos anos 46 a 50, nas regies do Schleswig-Holstein e Baden. Filhos de famlias abastadas ou nobres, educados e principalmente, politizados, foram se estabelecendo em Porto Alegre e nas zonas coloniais como professores, advogados, engenheiros, agrimensores, mdicos, etc. Eram, na maioria, protestantes, maons e partidrios de uma monarquia liberal. As contribuies dos Brummer para os imigrantes e descendentes de elementos germnicos instalados no Rio Grande do Sul foram, segundo Tesche (2014) e Angela 11 Brandalise Froemming9 (2009), a participao mais intensa na vida pblica, a influencia no desenvolvimento da vida comunal dos alemes e teuto-brasileiros, o aparecimento de uma imprensa alem na Provncia, o desenvolvimento das associaes recreativas e o intercmbio intelectual com a Alemanha. De acordo com Tesche (2014), muitos Brummer se dedicaram docncia, participando diretamente da fundao de diversas associaes, atuando nelas e por meio delas com o objetivo de preservar o Deutschtum, ou seja, a germanidade. Para Dickie (1989), os Brummer lutaram pela ampliao real da elegibilidade dos no catlicos e naturalizados. A meta era obter a elegibilidade para a Cmara dos Deputados e, assim, garantir a legitimidade de sua participao no mbito provincial. Dessa forma, elaboraram um discurso que fez avanar suas ideias sobre os direitos polticos dos "alemes", atingindo tanto a sociedade rio-grandense quanto os colonos que j viviam no Rio Grande do Sul h 40 ou 50 anos. Para tanto, de acordo com Dickie (1989), os Brummer agiram atravs da maonaria, da fundao da Sociedade Auxiliadora e da ideologia do Deutschtum. Ao estudar a ideologia do Deutschtum, Seyferth (1976 apud DICKIE, 1989) aponta que essa era derivada da construo social da noo alem de cultura (Kultur), isto , as realizaes dos homens e seus produtos: obras de arte, livros, sistemas religiosos, filosficos, que so reveladores de particularidades de grupos. Alm de exprimir estas particularidades, tambm exprimi o orgulho por elas, e as considera como naturais de um povo ou grupo. O Deutschtum, baseado nessa noo, expressa uma herana cultural garantida pela descendncia, que supe continuidade. A noo do Deutschtum no pergunta a uma pessoa onde ela nasceu, mas de quem ela nasceu, no s fsica, mas culturalmente. A nacionalidade, portanto, definida pela cultura. A partir do Deutschtum, os Brummer formularam um discurso que buscou forjar uma identidade tnica global, no sentido de que tentou reunir os vrios "alemes", e isso se fez atravs da valorizao dos colonos pelo reconhecimento do trabalho destes. Os autores mencionados convergem ao destacar que os Brummer tinham alto nvel intelectual, boa formao e princpios filosficos e liberais. Nas picadas e cidades onde se instalaram tornaram-se representantes e reivindicadores dos direitos dos imigrantes e de seus 9 FROEMMING, A. B. Migrao e Identidade: Formao de Comunidades Evanglicas nas Colonizaes Mistas de Trs de Maio, Horizontina e Dr. Maurcio Cardoso no Sculo XX. 2009. 137 f. Dissertao (Mestrado em Teologia)-Escola Superior de Teologia, So Leopoldo, 2009. 12 descendentes. Para Dreher (2008 apud ASSMANN10, 2012), pode-se afirmar com certeza que, ao lado de sacerdotes jesutas e pastores luteranos, os Brummer formaram a liderana da cultura, da economia e da poltica entre alemes e descendentes. A participao de estrangeiros na poltica rio-grandense durante o sc. XIX, segundo Sandra J. Pesavento (1980), foi restrita. A primeira constituio brasileira, de 1824, instituiu o regime das eleies indiretas, e instituiu que apenas imigrantes naturalizados poderiam participar das eleies. Entretanto, pela restrio do valor da renda lquida anual, a grande maioria dos colonos acabava no participando do processo eleitoral. A partir de 1828, os imigrantes que conseguiam ultrapassar a limitao da renda passaram a ter a possibilidade de atuarem a nvel municipal, onde as eleies eram diretas e todos os votantes poderiam ser eleitos para vereadores, tendo como condio para isso residirem, no mnimo, h dois anos no termo. Aos cargos mais elevados se requisitava a exigncia de o candidato ser catlico e brasileiro nato, o que exclua tanto os imigrantes naturalizados quanto os de religio protestante. Dessa forma, a participao poltica dos imigrantes durante o Imprio foi quase nula. A partir de 1881, com a Lei Saraiva, segundo Pesavento (1980), a elegibilidade foi estendida aos acatlicos e estrangeiros naturalizados, com seis anos de permanncia no pas. Enfim, os imigrantes passaram a ter acesso a cargos eletivos no Legislativo provincial. A partir desse avano um pequeno grupo de imigrantes germnicos, sendo 4 destes legionrios Brummer, conseguiu ocupar o cargo de deputado na Assembleia Legislativa Provincial de Rio Grande de So Pedro, ainda no perodo do Imprio. Os Brummer Frederico Haensel, Karl von Koseritz, Wilhelm Ter Brggen e Karl von Kahlden, segundo Jos Fernando Carneiro (1959, p. 47-48 apud PESAVENTO, 1980, p. 166), [...] estavam servindo de pea intermediria entre a colnia, com seus horizontes estreitos, sua vida insular, seu tradicionalismo germnico e o Brasil. Eles no eram expresses coloniais, autctones, no haviam nascido nem trabalhado nas picadas, mas muito naturalmente aceitos, tornaram-se os intrpretes daqueles pequenos agricultores e pequenos industriais, exercendo uma liderana autntica [...]. Esses Brummer, de acordo com Pesavento (1980), atuaram como uma elite poltica e intelectual, que fazia a mediao entre o Partido Liberal, controlado por pecuaristas, e as colnias de imigrantes. Deste grupo, Ter Brggen e Haensel eram comerciantes, membros da 10 ASSMANN, A. B. As Schtzenvereine Sociedades de Atiradores de Santa Cruz do Sul: um tiro certo na histria do esporte no Rio Grande do Sul. Esporte e Sociedade, Rio de Janeiro, ano 7, n. 20, Set/2012. Disponvel em: . Acesso em: 23 de setembro de 2014. 13 Praa do Comrcio de Porto Alegre. O primeiro era comerciante na capital e foi cnsul honorrio alemo, tendo sido deputado pelo Partido Conservador. J Haensel, filiado ao Partido Liberal, era comerciante em Santa Cruz e teve uma casa de confeces em Porto Alegre. Alm de fundador da Companhia Fluvial, teve seus interesses ligados ao beneficiamento de fumo em Santa Cruz. Karl von Kahlden foi diretor da colnia de imigrantes germnicos Santo ngelo. Por sua vez, Karl von Koseritz destacou-se por sua atividade jornalstica. Marcos Antonio Witt (2001) concorda parcialmente com Piccolo quando a autora afirma que durante o perodo imperial a participao dos colonos na poltica teria sido restrita, pois encontrou em dados empricos significativa prtica poltica em nvel municipal entre os colonos alemes do Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Naquela regio, em pequenas e mdias extenses territoriais, alguns proprietrios estiveram ligados burocracia atravs de cargos pblicos e alianas polticas. O fracionamento poltico ocorrido ali permitiu o surgimento de uma disputa por migalhas, ou seja, nacionais11 e colonos alemes12 disputaram pequenas benesses capazes de os projetar politicamente frente aos demais. As relaes de poder teriam ocorrido pelas disputas de poder no mbito do micro. Assim, aps o que foi exposto, apontamos a instabilidade fronteiria da regio platina como elemento gerador de um espao com dinmica prpria. Inserido nesse espao, o Rio Grande do Sul compartilhou dessa peculiaridade. Reflexo disso foi o processo colonizador com elementos germnicos nesta provncia cujo carter de ocupao e instalao de pequenas propriedades produtoras de gneros alimentcios destoou da finalidade da imigrao europeia realizada no Sudeste brasileiro, voltada ao objetivo de angariar mo-de-obra para as lavouras de caf. Alm disso, a proteo do territrio foi fator fundamental nessa distino, ao passo que perseguia a manuteno do territrio sulino frente a instabilidade fronteiria da regio. A Guerra Grande, portanto, apesar do carter internacional, foi um conflito platino que ameaou as fronteiras do Rio Grande do Sul e a preponderncia do Imprio brasileiro na regio. Dessa forma, a aliana americana para combater Rosas e Oribe, bem como a postura de Oribe e 11 De acordo com Witt (2001) o termo nacional designa os descendentes de portugueses e aorianos, bem como os demais elementos caracterizados como brasileiros (escravos libertos, por exemplo). 12 De acordo com Witt (2001) a expresso colono alemo (ou simplesmente colono) designa os imigrantes alemes e seus descendentes. Embora saibamos que a Alemanha surgiu como estado unificado somente em 1871, o termo alemo utilizado para identificar os imigrantes que vieram para o Brasil antes desta data. Ressaltamos que o termo nacional desqualifica o filho do imigrante, situao que perdura, realmente, at 1881, quando a lei Saraiva permite o ingresso destes homens de forma mais intensa na poltica. 14 Rosas frente as tentativas intervencionistas da Frana e Inglaterra, constituram elementos de consolidao dos Estados platinos envolvidos no Conflito. REFERNCIAS BARRAN, Jose Pedro. Apogeo y Crisis del Uruguay Pastoril y Caudillesco - 1839-1875. Montevidu: Ediciones de la Banda Oriental, 1979 (Historia Uruguaya; 4). BETHELL, Leslie. Historia de Amrica Latina Amrica Latina Independiente, 1820-1870. (Traduccin de ngels Sol). Barcelona: Editorial Crtica, 1991. Tomo 6. CUNHA, Jorge L. Imigrao e Colonizao Alem. In: Imprio. PICCOLO, Helga Iracema Landgraf; PADOIN, Maria Medianeira Padoin (org.). Passo Fundo: Mritos, 2006. v.2. (Coleo Histria Geral do Rio Grande do Sul). DICKIE, M. A. S. Dos Senhores do Sul aos Brummer: a trajetria da construo social do trabalho, RS 1824-1880. 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