a grande guerra em moçambique

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  • Fernando Abecassis et al.

    A Grande Guerra Em

    Moambique

    Fernando A

    becassis et al.

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    oambique

  • A Grande Guerra Em

    Moambique

  • Fernando Abecassis et al.

    A Grande Guerra Em

    Moambique

    Seco de Cincias Militares2014

  • Apresentao

    O conflito que havia de tomar a designao de Grande Guerra, World War I em ingls, ou de a Primeira Guerra Mundial e que, iniciada na Europa haveria de alastrar a todo o mundo, eclodiu em Agosto de 1914, concretamente a 4 de Agosto, data da declarao do estado de guerra entre a Inglaterra e a Alemanha.

    Vo cumprir-se 100 anos desde o seu incio. Efemride que no tem nada para se comemorar ou para celebrar, a no ser para se concluir dos terrveis erros que a ela conduziram, da sua inutilidade e, sobretudo, do erro que constituiu o desejo e a esperana de absoro, pela guerra, das tenses sociais que grassavam nas sociedades mais avanadas.

    Nesse sentido, e para entender a marcha dos acontecimentos em territrios que foram, desde sempre, o objecto da ateno da Sociedade de Geografia de Lisboa, resolveu a sua seco de Cincias Militares proceder a uma compilao do que foi a campanha da Grande Guerra nos territrios portugueses do norte de Moambique.

    Este trabalho, como se disse uma compilao, tomar o aspecto de uma narrativa; narrativa sem comentrios ideolgicos ou interpretaes escatolgicas sobre o fluir dos acontecimentos, antes focando os aspectos prcticos do que foi uma campanha muito sria nos seus desenvolvimentos militares.

    Esta narrativa ser ilustrada por comentrios, ou simplesmente por descries, dos governantes e chefes militares portugueses que, por terem sido escritos anos mais tarde, num quadro de memrias, quer individuais quer coletivas, j vm emocionalmente depuradas, porventura mais objectivas e de maior valor testemunhal.

    Tudo est escrito sobre a campanha da Grande Guerra no norte de Moambique e estudados os seus enquadramento estratgico e desenvolvimentos tcticos.

    Ficha tcnica

    TtuloA Grande Guerra Em Moambique

    AutorFernando Abecassis et al.

    EdioSociedade de Geografia de Lisboa

    Comisso Portuguesa de Histria Militar

    CapaJorge Silva Rocha (CPHM)

    Impresso e AcabamentoRainho & Neves, LDASanta Maria da Feira

    Tiragem250 Exemplares

    DataOutubro de 2014

    Depsito Legal

    ISBN978-989-98649-1-7

    Imagem da capa: Travessia do Rovuma, Arquivo Histrico Militar

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    Apresentao

    O conflito que havia de tomar a designao de Grande Guerra, World War I em ingls, ou de a Primeira Guerra Mundial e que, iniciada na Europa haveria de alastrar a todo o mundo, eclodiu em Agosto de 1914, concretamente a 4 de Agosto, data da declarao do estado de guerra entre a Inglaterra e a Alemanha.

    Vo cumprir-se 100 anos desde o seu incio. Efemride que no tem nada para se comemorar ou para celebrar, a no ser para se concluir dos terrveis erros que a ela conduziram, da sua inutilidade e, sobretudo, do erro que constituiu o desejo e a esperana de absoro, pela guerra, das tenses sociais que grassavam nas sociedades mais avanadas.

    Nesse sentido, e para entender a marcha dos acontecimentos em territrios que foram, desde sempre, o objecto da ateno da Sociedade de Geografia de Lisboa, resolveu a sua seco de Cincias Militares proceder a uma compilao do que foi a campanha da Grande Guerra nos territrios portugueses do norte de Moambique.

    Este trabalho, como se disse uma compilao, tomar o aspecto de uma narrativa; narrativa sem comentrios ideolgicos ou interpretaes escatolgicas sobre o fluir dos acontecimentos, antes focando os aspectos prcticos do que foi uma campanha muito sria nos seus desenvolvimentos militares.

    Esta narrativa ser ilustrada por comentrios, ou simplesmente por descries, dos governantes e chefes militares portugueses que, por terem sido escritos anos mais tarde, num quadro de memrias, quer individuais quer coletivas, j vm emocionalmente depuradas, porventura mais objectivas e de maior valor testemunhal.

    Tudo est escrito sobre a campanha da Grande Guerra no norte de Moambique e estudados os seus enquadramento estratgico e desenvolvimentos tcticos.

    Ficha tcnica

    TtuloA Grande Guerra Em Moambique

    AutorFernando Abecassis et al.

    EdioSociedade de Geografia de Lisboa

    Comisso Portuguesa de Histria Militar

    CapaJorge Silva Rocha (CPHM)

    Impresso e AcabamentoRainho & Neves, LDASanta Maria da Feira

    Tiragem250 Exemplares

    DataOutubro de 2014

    Depsito Legal

    ISBN978-989-98649-1-7

    Imagem da capa: Travessia do Rovuma, Arquivo Histrico Militar

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    A Grande Guerra

    Seguimos um fio condutor na descrio dos acontecimentos como narrados por Manuel Amaral no Portal da Histria.

    Solicitada a concordncia do historiador utilizao dos seus textos, Manuel Amaral deu o seu acordo em termos encomisticos, citamos: claro que no precisa de pedir autorizao para utilizar o que quer que seja do Portal da Histria. S existe para isso mesmo: para usar, abusar e deliciar quem o quiser. Obrigado pelo seu pedido..

    Esta narrativa ser iluminada por flashes sobre as condies especiais da campanha, como ataques, tentativas de ocupao, cercos e retiradas, que permitam entender os aspectos do dia-a-dia das tropas envolvidas e dos seus comandantes, bem como do comportamento das suas tropas em combate que, em muitos aspectos assumiram laivos de herosmo.

    Ser mantida uma narrativa paralela do desenvolvimento do conflito na colnia alem da AOA, frica Oriental Alem, e, naturalmente, a narrativa da improvvel tentativa de ocupao do territrio de Moambique pelas foras alems do general von Lettow, data tenente-coronel, e da sua retirada para os territrios que haviam sido os seus at ao Armistcio.

    A narrativa ser, nalguns pontos reforada com textos escritos pelo Ten General Antnio Bispo, da direco da Sociedade de Geografia de Lisboas; o Ten General Joo Carlos Geraldes, presidente da Seco de Cincias Militares daquela Sociedade, assina o postfcio: ambos acompanharam de perto este trabalho, e as suas contribuies iro sendo assinaladas ao longo do livro. Sem a sua colaborao este livro no estaria agora nas vossas mos.

    Em Portugal viviam-se os tempos complicados da mudana de regime, mudana essa que arrasta sempre consigo conflitos improvveis e impensveis que vo desde a questo da bandeira at questo religiosa, passando pela questo colonial.

    Em 1914 era Presidente da Repblica Manuel da Arriaga e, desde Fevereiro, primeiro-ministro Bernardino Machado.

    Mas a partir de Dezembro tudo se complicou, em 6 meses dois

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    em Moambique

    governos caram, os liderados por Azevedo Coutinho e Pimenta de Castro, at que, em 14 de Maio de 1915 um golpe de extrema violncia levou ao poder o partido Democrtico, a primeiro-ministro Joo Chagas e a Presidente da Repblica Bernardino Machado.

    De acordo com o pedido feito pelos ingleses, logo no incio da guerra, e transmitido ao governo portugus pelo ministro ingls em Lisboa, Lancelot Carnegie, em nome do ministro dos estrangeiros britnico, Eyre Crowe, Portugal absteve-se de se declarar neutral. Portugal colocou-se, assim numa posio muito ambgua de aliado no-beligerante.

    O governo de Joo Chagas era claramente a favor da participao de Portugal na guerra!

    Esta foi-nos declarada unilateralmente pela Alemanha em 9 de Maro de 1916, na sequncia da requisio pelas autoridades nacionais, e a pedido da Inglaterra, de todos os navios mercantes alemes refugiados em portos portugueses, quer continentais, insulares ou ultramarinos, uma clara provocao!

    Vale a pena ler a declarao de guerra da Alemanha a Portugal.

    Declarao de Guerra da Alemanha a Portugal

    Entregue por Friedrich von Rosen a Augusto Soares, ministro portugus dos negcios estrangeiros.

    Senhor Ministro, estou encarregado pelo meu alto Governo de fazer a V. Exa a declarao seguinte: O Governo portugus apoiou, desde o comeo da guerra, os inimigos do imprio Alemo por actos contrrios neutralidade. Em quatro casos foi permitida a passagem de tropas inglesas por Moambique. Foi proibido abastecer de carvo os navios alemes. Aos navios de guerra ingleses foi permitida a larga permanncia em portos portugueses, contrria neutralidade, bem

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    A Grande Guerra

    como ainda foi consentido que a Inglaterra utilizasse a Madeira como base naval. Canhes e material de guerra de diferentes espcies foram vendidos s Potncias da Entente, e, alm disso, Inglaterra um destruidor de torpedeiros. O arquivo do consulado imperial em Momedes foi apreendido.

    Alm disso, foram enviadas expedies a Africa, e foi dito ento abertamente que estas eram dirigidas contra a Alemanha.

    O governador alemo do distrito, Dr. Schultz-Jena, bem como dois oficiais e algumas praas, em 19 de Outubro de 1914, na fronteira do Sudoeste Africano alemo e Angola, foram atrados, por meio de convite, a Naulila, e ali declarados presos sem motivo justificado, e como procurassem subtrair-se priso, foram, em parte, mortos a tiro enquanto os sobreviventes foram fora feitos prisioneiros.

    Seguiram-se medidas de reforo da tropa colonial. A tropa colonial, isolada da Alemanha, procedeu na suposio, originada pelo acto portugus, de que Portugal se achava em estado de guerra com o Imprio Alemo. O Governo portugus fez representaes por motivo das ltimas ocorrncias, sem, todavia, se referir s primeiras. Nem sequer respondeu ao pedido que apresentmos de ser intermedirio numa livre troca de telegramas em cifra com os nossos funcionrios coloniais, para esclarecimento do estado da questo.

    A imprensa e o Parlamento, durante todo o de curso da guerra, entregaram-se a grosseiras ofensas ao povo alemo, com a complacncia, mais ou menos notria, do Governo p