A GOVERNANÇA TERRITORIAL NO BRASIL: Conceitos e ?· 3 A governança torna-se territorial quando se…

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    A GOVERNANA TERRITORIAL NO BRASIL:

    Conceitos e Modalidades.

    Elson L.S. Pires1

    Lucas Labigalini Fuin2

    Rodrigo Furgieri Mancini 3

    Danilo Piccoli Neto4

    Resumo O presente artigo parte do desafio de compreender a governana territorial em sua

    processualidade de construo incompleta, aberta ao dilogo terico conceitual e identificao

    de suas manifestaes empricas variadas no territrio nacional. Visa tambm mostrar como se

    articulam as novas formas de regulao social e econmica, atravs das estratgias

    organizacionais e institucionais dos atores para conduo de projetos coletivos de

    desenvolvimento territorial local e regional.

    Palavras-chave: Arranjos Produtivos Locais, Cmaras Setoriais, Comits de Bacias

    Hidrogrficas, Governana, Territrio.

    Abstract This paper begins from the challenge of understanding the territorial governance in its

    incomplete processuality of construction, open to theoretical conceptual dialog and to the

    identification of its empiric manifestations varied in the national territory. It aims also to show

    how it articulates the forms of social and economic regulation, through the organizational and

    institutional strategies of the actors to conduce collective developmental projects of local

    territory as well as regional.

    Key-Words: Governance, Local Productive Arrangements, Territory.

    rea Temtica 7: Desenvolvimento e Espao: aes, escalas e recursos.

    1 Professor Livre Docente do Departamento de Planejamento Territorial e Geoprocessamento e do

    Programa de Ps-Graduao em Geografia, rea Organizao do Espao, da UNESP/Campus de Rio

    Claro. E-mail: elsonlsp@rc.unesp.br 2 Professor Assistente Doutor do curso de Geografia da UNESP/Campus Experimental de Ourinhos. E-

    mail: lucasfuini@yahoo.com.br 3 Doutorando do Programa de Ps-Graduao em Geografia, rea Organizao do Espao,

    UNESP/Campus de Rio Claro e membro do Conselho Diretor do Instituto AEQUITAS. E-mail:

    furgieri@terra.com.br 4 Doutorando do Programa de Ps-Graduao em Geografia, rea Organizao do Espao, da

    UNESP/Campus de Rio Claro. E-mail:. danilopiccoli@yahoo.com.br

    mailto:elsonlsp@rc.unesp.brmailto:lucasfuini@yahoo.com.brmailto:furgieri@terra.com.brmailto:danilopiccoli@yahoo.com.br

  • 2

    Introduo

    O perodo recente traz uma srie de mudanas nos paradigmas econmicos e

    polticos, que, por sua vez, acabam por interferir nos mecanismos de organizao

    pblica e privada do territrio. Dois movimentos, ainda que incompletos, tornam-se

    bastantes emblemticos nesse contexto scio espacial: a descentralizao poltico-

    administrativa do Estado, com progressiva distribuio de poderes e responsabilidades

    para municipalidades e instituies regionais; e a desconcentrao industrial com

    estratgias de desverticalizao das grandes empresas precedidas de deslocalizao

    espacial, fazendo proliferar diferentes modalidades de aglomeraes produtivas com

    pequenas e mdias empresas, em sinergia (ou no) com os territrios locais e regionais.

    Posto isso, cada pas reconhece seus prprios mecanismos de lidar com os desafios

    inerentes s novas lgicas de gesto econmica e poltica desses territrios.

    O termo governana aparece com bastante fora a partir da dcada de 1970,

    dentro de um duplo debate: por um lado, associado ao jargo administrativo das boas

    formas de governar os negcios, com eficincia e transparncia; e, por outro, ligado a

    ideia de partilhar e dividir poderes na gesto pblica das regies, coligando prefeituras,

    associaes empresariais, sindicatos e entidades civis. Nesse sentido, a governana se

    situa como conceito intermedirio entre Estado e Mercado, e entre o Global e o Local,

    designando as diversas formas de regulao e controle territorial implementados em

    diferentes tipos de redes e acordos entre atores sociais, que juntos definem mecanismos

    formais ou tcitos para resolver problemas inditos. Esses problemas geralmente se

    colocam no campo dos setores econmicos, das cadeias produtivas e certos produtos

    industriais e agroindustriais. Portanto, esse novo estilo de gerir a produo e o territrio

    merece ser mais discutido e esclarecido em face de uma possvel crise das (j

    ultrapassadas) ferramentas de planejamento regional outorgado ou imposto pelo nvel

    federal ou estadual.

    No Brasil a discusso da governana torna-se mais densa nos anos 1990 com o

    avano de iniciativas que apareciam como respostas a descentralizao poltico

    administrativa e aos quadros de decadncia econmica e degenerao das condies

    sociais de municpios e Estados, exigindo uma postura mais ativa. Os Conselhos

    Regionais de Desenvolvimento (COREDES) no Rio Grande do Sul e a Cmara

    Regional no Grande ABC so os exemplos mais emblemticos. Entretanto, nos ltimos

    dez anos, iniciativas variadas em diversos segmentos e setores da atividade econmica

    apontam para outras modalidades de governana territorial, que indicam sobreposio

    de escalas e novas formas de regulao dos territrios, tais como: os Arranjos

    Produtivos Locais (APLs), os Circuitos Tursticos, os Comits de Bacias Hidrogrficas

    (CBH) e as Cmaras Setoriais da Agroindstria.

    Portanto, a governana aparece nessas modalidades inovadoras de gesto de

    atividades variadas e que se desmembram territorialmente, pois mobilizam cidades,

    empresas, prefeituras, sindicatos, associaes, tendo rebatimentos intensos sobre o

    ativismo poltico, o mercado de trabalho, renda per capita e indicadores sociais e

    ambientais.

  • 3

    A governana torna-se territorial quando se reconhece que o territrio o recorte

    espacial de poder que permite que empresas, Estados e sociedade civil entrem em

    contato, manifestando diferentes formas de conflito e de cooperao; direcionando,

    portanto, o processo de desenvolvimento territorial. O territrio reconhecido por sua

    governana atravs da escala de ao poltico-econmico, sendo que as esferas locais e

    regionais se destacam como a materializao das potencialidades (humanas e

    tecnolgicas) da globalizao. Nesse sentido, a governana territorial, enquanto

    conceito, instrumento e processo de ao, poderia ser reconhecida como o novo piloto

    do desenvolvimento econmico e social descentralizado.

    Com o ttulo A Governana Territorial no Brasil: conceitos e modalidades,

    este artigo procura mostrar brevemente esse fenmeno e, para tanto, est estruturado em

    trs partes, alm desta introduo. A primeira se preocupa com as origens do termo

    governana territorial, em suas prticas e formulaes, reconhecendo seu sentido

    principal e apontando para o desmembrando do debate em outros conceitos de extrema

    valia para o conhecimento mais completo do objeto de estudo e suas relaes com o

    desenvolvimento econmico e social. A segunda parte busca mostrar o processo de

    construo em curso de algumas estruturas da governana territorial no Brasil, fazendo

    dos exemplos das Cmaras Setoriais da Agroindstria, dos Comits de Bacias

    Hidrogrficas e dos Arranjos Produtivos Locais, fontes de esclarecimento sobre como

    as estruturas de regulao e partilha de poderes nos territrios podem interferir

    decisivamente nos processos de desenvolvimento territorial local e regional no pas,

    bem como nos mecanismos de gerao e distribuio de riquezas. A terceira parte

    conclui o quadro analtico com uma apreciao crtica e propositiva da governana

    territorial nascente no Brasil, considerando as diferentes realidades espaciais, setoriais e

    poltico-institucionais.

    1. As origens do conceito de governana territorial

    A estrutura dos governos nas ltimas dcadas vem passando por mudanas

    importantes que marcam uma ruptura com o passado, dando incio a imerso de atores

    em redes de interdependncia que no pertencem necessariamente s esferas de

    governo. Trata-se de formas institucionais associadas com a ao coletiva, mostrando

    novos atores muitas vezes autnomos que assumem a possibilidade de agir sem se

    voltar exclusivamente ao poder estatal (STOKER, 1998). Nesse contexto, a governana

    surge como um processo de construo institucional e organizacional de uma coerncia

    formal dos diferentes modos de coordenao entre atores geograficamente prximos a

    resoluo dos problemas enfrentados pela nova produo dos territrios (PECQUEUR,

    2000).

    desta forma que a governana de um territrio uma forma de governana

    poltica, social e econmica. A anlise da governana na sua dimenso territorial

    considera as articulaes e interdependncias entre atores sociais na definio de formas

    de coordenao horizontal e vertical da ao pblica e regulao dos processos

    econmicos e sociais territoriais. Essa conotao da governana aparece na Frana, no

    contexto poltico dos anos 1990, designando novas formas de ao coletiva em redes de

    atores de carter flexvel e diversificado, surgidas pela fragmentao do sistema

  • 4

    poltico-administrativo e ineficcia na ao pblica estatal, voltada somente aplicao

    e produo de normas jurdicas, portanto, sendo um enfraquecimento do poder do

    Estado nacional em detrimento de outras instncias de autoridade estatal, coletividades

    territoriais e da sociedade civil (BOURDIN, 2001).

    A governana territorial assim definida como o processo institucional-

    organizacional de construo de uma estratgia, para compatibilizar os diferentes modos

    de coordenao entre atores geograficamente prximos em carter parcial e provisrio,

    que atende a premissa de resoluo de problemas inditos. Esses compromissos

    articulam os atores econmicos entre si, e com os atores institucionais-sociais e

    polticos atravs de regras do jogo. Media tambm a dimenso local e a global

    (nacional ou mundial) atravs das aes realizadas por atores ancorados no territrio

    (COLLETIS; GILLY at all, 1999).

    A governana territorial supe a aposta em coerncia, sempre parcial e

    provisria (devido s relaes de fora e os conflitos que o dividem e o

    opem), de compromissos entre atores (econmicos institucionais ou

    mesmo polticos). Estes atores se articulam de duas maneiras. Por um lado,

    entre os atores econmicos (e tcnico-cientficos) e entre estes e os atores

    institucionais sociais e polticos. (regras do jogo). Por outro lado, entre a

    dimenso local e a dimenso global (nacional ou mesmo mundial) atravs

    das mediaes realizadas por atores (tanto institucionais como industriais)

    ao mesmo tempo ancorados no territrio e presentes sobre a cena

    econmica e institucional global (por exemplo, os estabelecimentos de

    grandes grupos). Nestes casos, a concepo da governana territorial da

    competncia, ao mesmo tempo da dimenso estratgica e a dimenso

    institucional (PECQUEUR; GILLY et all, 1999).

    Nesse contexto, concebendo tambm as estruturas de governana como

    alavancas da competitividade e do desenvolvimento territorial das regies e

    aglomerados produtivos, atravs de seus recursos e ativos territorializados, pode-se

    considerar que a governana engloba uma srie de mecanismos sociais e polticos, como

    convenes culturais, instituies e organizaes que buscam obter fatores positivos por

    via de vantagens competitivas e externalidades regionais que tambm assegurem o bem-

    estar da comunidade e maximizem as economias locais e as aglomeraes (SCOTT,

    1998). Nessa concepo, pode-se ainda observar a governana territorial como os

    mecanismos de produo das regularidades de coordenao produtivas localizadas, e o

    processo institucional-organizacional de construo de uma aposta em compatibilidade

    dos diferentes modos de coordenao entre atores geograficamente prximos, visando

    resoluo de um problema produtivo eventualmente indito.

    Assim, a governana territorial pode ser entendida como modalidade de

    coordenao das formas de desenvolvimento econmico envolvendo os atores e as

    formas institucionais em um dado contexto. Esses contextos podem variar de uma

    simples aglomerao (concentrao de atividades econmicas heterogneas

    coordenadas pelos preos do mercado) para uma especializao (concentrao de

  • 5

    empresas em torno de uma mesma atividade ou produto e que resulta em

    complementaridades, externalidades e projetos comuns) e, em ltimo nvel, chegando a

    uma especificao (existncia de estruturas e formas de coordenao pblicas e/ou

    privadas que internalizam os efeitos externos e dirigem o tecido econmico local).

    Analisando a experincia dos COREDES no Rio Grande do Sul, segundo

    Dallabrida (2003), o termo governana territorial se refere s iniciativas ou aes que

    expressam a capacidade de uma sociedade organizada territorialmente para gerir os

    assuntos pblicos a partir do envolvimento conjunto e cooperativo dos atores sociais,

    econmicos e institucionais. Essa governana territorial, presente em estruturas como os

    COREDES, decorre de um processo em que interagem alguns elementos como

    apresentados no Quadro 1 a seguir.

    QUADRO 1 CARACTERSTICAS DA GOVERNANA TERRITORIAL

    ELEMENTOS DA

    GOVERNANA

    TERRITORIAL

    CARACTERSTICAS

    1 Dinmica territorial

    Conjunto de aes relacionadas ao processo de

    desenvolvimento, empreendidas por atores/agentes,

    organizaes/instituies de uma sociedade identificada

    histrica e territorialmente.

    2 Bloco socioterritorial

    Refere-se ao conjunto de atores localizados histrica e

    territorialmente que, pela liderana que exercem

    localmente, assumem a tarefa de promover a definio dos

    novos rumos do desenvolvimento do territrio, atravs de

    processo de concertao pblico-privada.

    3 Concertao social

    Processo em que representantes da diferentes redes de

    poder socioterritorial, atravs de procedimentos

    voluntrios de conciliao e mediao, assumem a prtica

    da gesto territorial de forma descentralizada.

    4 Redes de poder

    socioterritorial

    Referem-se a cada um dos segmentos da sociedade

    organizada territorialmente, representados pelas suas

    lideranas, constituindo na principal estrutura de poder

    que, em cada momento da histria, assume posio

    hegemnica e direciona poltica e ideologicamente o

    processo de desenvolvimento.

    5 Pactos

    socioterritoriais

    Referem-se aos acordos ou ajustes decorrentes da

    concertao social que ocorrem entre os diferentes

    representantes de uma sociedade organizada

    territorialmente, relacionados definio do seu projeto de

    desenvolvimento futuro.

    Fonte: Dallabrida, 2003

  • 6

    Nesse sentido, poderamos resumir que estruturas como os COREDES so novas

    fontes de gesto e de governana territorial. Caracteriza-se a governana territorial

    como o conjunto de aes que expressam a capacidade de uma sociedade organizada

    territorialmente para gerir os assuntos de interesse pblico. O termo bloco

    socioterritorial se refere ao conjunto heterogneo de atores territoriais que, num

    determinado momento histrico, assume posio hegemnica, este, formado por redes

    de poder socioterritorial. Os acordos resultantes dessa prtica de gesto territorial

    constituem-se em pactos socioterritoriais (DALLABRIDA, 2007).

    Para exemplificar, considerando a organizao institucional proposta pelos

    COREDES, o bloco socioterritorial de uma regio estaria representado na composio

    do Conselho de Representantes e da sua Assembleia Geral Regional, com

    representaes polticas, sociais, institucionais e econmicas regionais. Esse conjunto

    de representantes da sociedade regional pode ser considerado o bloco socioterritorial de

    uma regio, constitudo pelos representantes das redes de poder socioterritorial, ou seja,

    dos segmentos da sociedade organizada regionalmente. Os acordos e consensos sobre

    prioridades de desenvolvimento, municipal e regional, se constituiriam nos chamados

    pactos socioterritoriais, ou planos de desenvolvimento local/regional/territorial.

    As decises pactuadas, ou planos de desenvolvimento, constituiriam-se no

    resultado final do processo de governana territorial. A prtica da governana territorial

    ocorre nos fruns regionais, nas instncias dos COREDES. A concertao social tem

    sido concebida como norma no processo de gesto do desenvolvimento, assim, as

    instncias dos COREDES e de cada regio se constituiriam em espaos permanentes de

    concertao pblico-privada (DALABRIDA, 2007).

    Dessa forma, a concepo de desenvolvimento regional enfrenta, na atualidade,

    um duplo desafio: quanto ao questionamento da regio como categoria explicativa e

    escala estratgia de processos de desenvolvimento econmico, e as novas concepes

    associadas ao desenvolvimento, incorporando formas especficas de governana e

    articulao socioinstitucional nos territrios, envolvendo questes como

    descentralizao poltica e econmica e escalas intermedirias de regulao.

    Abramoway (2000) e Veiga (2002) associam noo de desenvolvimento

    territorial a de capital social, com a valorizao do complexo de instituies, costumes

    e relaes de confiana e cooperao que formatam atitudes culturais e de

    empreendedorismo. Transfere-se, ento, a anlise do conjunto urbano-rural de uma

    lgica puramente setorial para uma lgica territorial, privilegiando-se as aes e

    estratgias dos atores locais em ambientes inovadores.

    Mais importante que vantagens competitivas dadas por atributos naturais,

    de localizao ou setoriais o fenmeno da proximidade social que

    permite uma forma de coordenao entre os atores capaz de valorizar o

    conjunto do ambiente em que atuam e, portanto, de convert-lo em base

    para empreendimentos inovadores. Esta proximidade supe relaes

    sociais diretas entre os atores (ABRAMOVAY, 2000, p. 380).

  • 7

    Dessas interpretaes, podemos afirmar que os conceitos de governana

    territorial resultam das estratgias dos atores coletivos que se engajam para coordenar

    aes que permitam resolver problemas locais e regionais oriundos da aglomerao, da

    especializao ou especificao territorial (PIRES; NEDER, 2008). Portanto, tanto os

    conceitos como as prticas surgem de determinado contexto territorial - podendo ser um

    municpio, uma rede de municpios ou uma regio onde os atores locais relacionam-se

    e concebem instituies que os representem, alm do prprio ambiente institucional pr-

    existente.

    Desse modo, as estruturas de governana, quando abordadas em mbito

    subnacional local, no podem ser reduzidas somente ao limite dos municpios e de suas

    estruturas poltico-administrativas, haja vista que a convergncia de cadeias produtivas

    e de redes de atores locais mobilizados endogenamente (desde baixo, e no atravs do

    planejamento outorgado) se faz em contextos socioespaciais especficos e que

    extravasam limites poltico-administrativos pr-definidos.

    Assim que a governana territorial interfere na competitividade das regies e

    dos territrios, ao definir formas de distribuio de poder em cadeias produtivas e outras

    formas de relacionamento comercial, institucional e industrial, fazendo convergir, em

    torno de um ator central (por exemplo, uma grande empresa), ou compartilhando em

    vrios atores articulados por uma instncia coletiva, a tarefa de definir as estratgias

    competitivas principais de um aglomerado produtivo local. E, nesse sentido,

    direcionam-se as caractersticas, estratgias e possibilidades inerentes ao processo de

    desenvolvimento territorial.

    Nas estratgias competitivas da globalizao, o desenvolvimento territorial

    dinamizado por expectativas dos agentes econmicos nas vantagens locacionais, no qual

    o territrio o ator coletivo principal do desenvolvimento econmico regional, e as

    polticas, as organizaes e a governana so recursos especficos, a um s tempo

    disponvel ou a ser criado. Desse modo, o desenvolvimento territorial o resultado de

    uma ao coletiva intencional de carter local, um modo de regulao territorial,

    portanto, uma ao associada a uma cultura, a um plano e instituies locais, tendo em

    vista arranjos de regulao das prticas sociais (PIRES; MULLER; VERDI, 2006).

    A importncia da governana territorial como fonte de competitividade foi

    inicialmente enfatizada nas linhas de trabalho dos distritos industriais e dos estudos de

    inovao na Europa, que consideram a insuficincia da dinmica do mercado para

    chegar competitividade (BECATTINI, 1994). De acordo com Benko e Lipietz (1994,

    p.11), essa nova viso retoma a anlise em duas frentes: o profissionalismo da mo-de-

    obra, por um lado, e, por outro, a inovao descentralizada e a coordenao (pelo

    mercado e pela reciprocidade) entre as empresas: duas caractersticas j evocadas da

    atmosfera social do distrito industrial.

    A competitividade territorial, sustentvel e de longo prazo , portanto, uma

    construo social, em que a localizao das empresas depende da existncia de um

    entorno capaz de responder em melhores condies a complexidade crescente das

    presses da globalizao, e nas relaes ocorridas nesse entorno no deve haver

    direcionamento exclusivo de diretrizes estatais, nem de atividades empresariais

    privadas, as negociaes devem levar em conta no s o modo como a sociedade

  • 8

    organiza a produo social, mas tambm como ela participa da criao dos espaos

    necessrios de negociao entre os diferentes atores sociais em prol de uma meta

    comum; dessas prerrogativas se segue um desenvolvimento territorial socioeconmico

    de forma equilibrada, socialmente justo e ambientalmente sustentvel (PIRES;

    MULLER; VERDI, 2006).

    De tudo que foi dito aqui, pela riqueza e diversidade de temas e pelo carter

    ideolgico e interdisciplinar do prprio conceito, a concepo de governana territorial,

    para ser melhor interpretada, deve se beneficiar de outros conceitos associados

    diversidade de temas tratados nas cincias sociais, tais como: territrio, recursos e ativos

    territoriais, proximidade, atores, instituies, normas, participao, transparncia,

    convenes, capital social, hegemonia, desenvolvimento, sustentabilidade, entre outros

    (PIRES at all, 2011).

    2. Exemplos de Governana Territorial no Brasil

    Conforme j apresentado, existem vrias formas e modalidades de governana

    territorial presentes no Brasil. Inicialmente foram os Conselhos Regionais de

    Desenvolvimento COREDES no Rio Grande do Sul. Paralela e posteriormente a esta

    experincia inovadora no Brasil, vieram as Cmaras Setoriais, os Arranjos Produtivos

    Locais, os Circuitos Tursticos Intermunicipais, os Consrcios Intermunicipais e os

    Comits de Bacias Hidrogrficas (PIRES at all, 2011).

    2.1 As Cmaras Setoriais

    A concepo de Cmaras Setoriais no Brasil surgiu no final da dcada de 1980,

    no setor automobilstico na Regio do Grande ABC. Uma nova dinmica de

    relacionamento entre o Estado, sindicato de trabalhadores e entidades da indstria

    automobilstica brasileira obteve sucesso a partir da constituio consensual de um

    espao de negociao tripartite, denominado cmara do setor automotivo. A cmara

    automotiva constituiu um espao de convergncia para as discusses referentes s

    principais demandas do setor, institucionalizada de maneira tripartite, com a

    participao de representantes do governo, dos empresrios e dos trabalhadores.

    Devido origem desse tipo de dispositivo institucional, os Acordos histricos

    firmados em 1992 e 1993, que criaram o carro popular, foram considerados uma

    inovao nas relaes capital/trabalho no Brasil. Eles assinalaram uma transformao de

    uma relao de anulao entre atores contundentes (sindicatos de trabalhadores e

    montadoras) para uma relao que, sem deixar de ser antagnica quanto aos interesses

    em jogo, mudou a natureza desse antagonismo, tornando-se um antagonismo

    convergente de interesses particulares (OLIVEIRA at all 1993). As negociaes

    avanaram no sentido de enfrentar de forma negociada os efeitos da globalizao e crise

    econmica, a abertura comercial e a modernizao produtiva no setor.

    A cmara assumiu contornos de um arranjo neocorporativista, em um nvel

    intermedirio, em que a concertao social foi desenvolvida com relativo sucesso. Os

    resultados positivos para a indstria com a recuperao flagrante do setor, para o

    governo com o aumento da arrecadao fiscal e afirmao da sua capacidade de

    articulao poltica e, para os trabalhadores, ganhos salariais com estancamento das

  • 9

    demisses (ARBIX, 1996). A cmara beneficiou empresrios, trabalhadores e o Estado;

    ainda que os ganhos tenham sido assimtricos, correspondendo s desigualdades

    estruturais da sociedade brasileira.

    Essa novidade de concertao social territorializada foi em parte transportada

    com certo sucesso para outros setores industriais, como nova contratualidade entre

    capital e trabalho, de novas relaes entre o pblico e o privado, e, enfim, de uma nova

    institucionalidade e sociabilidade que emergia no pas. Em 1995, sem apoio

    institucional e o monitoramento do Estado, o Acordo, como todas as cmaras setoriais

    da indstria de transformao, praticamente desapareceram (ARBIX, 1997; PIRES,

    1997). Onde ainda existem, as cmaras setoriais foram drenadas em suas atribuies

    histricas e transformadas em uma espcie de apndice de alguns ministrios da Unio e

    secretarias de governos estaduais.

    No setor agropecurio, as cmaras setoriais reapareceram principalmente no

    estado de So Paulo j na segunda metade da dcada de 1990, concomitante ao forte

    processo de desregulamentao da economia brasileira e em particular desse setor, que

    sofreu forte impacto dado pelas transformaes da base tcnica por meio do processo de

    modernizao agrcola. A presena da diversidade territorial foi, a partir de ento, uma

    caracterstica marcante nas Cmaras Setoriais da agroindstria.

    Naquele momento, o objetivo das Cmaras no setor era elaborar diagnsticos da

    competitividade dos complexos agroindustriais, detectarem distores e identificar

    propostas de polticas. De acordo com Staduto et al (2007), as cmaras setoriais

    agrcolas surgiram no estado de So Paulo como uma proposta de instrumento

    organizacional ativo para suprir algumas funes antes exclusivas do Estado, para que

    os setores produtivos pudessem ter a possibilidade de autoregulamentao. Esses setores

    buscavam, por meio de um espao organizativo, como a cmara setorial, em conjunto

    com o Estado, mudar o ambiente institucional de forma favorvel.

    De acordo com Takagi (2000), as primeiras Cmaras criadas entre 1991 e 1995

    caracterizaram-se mais como fruns de reivindicao e lobby por polticas

    discricionrias em direo aos governos federal e estadual, do que fruns de

    planejamento e de autorregulao por parte do setor privado. Segundo a autora, essas

    cmaras podiam ser caracterizadas como unidirecionais (do setor privado para o

    pblico) nas quais, em muitas delas, durante esse processo, deixaram de se reunir.

    Algumas passaram a existir apenas no papel, sendo que as poucas que continuaram a

    realizar reunies aglutinavam basicamente os membros dos rgos pblicos. A partir de

    1997, um novo modelo de Cmaras surgiu com mudanas na composio, na perda

    progressiva do carter reivindicativo de preocupao geral com o setor agrcola e nas

    decises e aes formadas. Iniciou-se uma proporo maior nas aes com carter de

    autorregulao e cogesto, a partir da articulao da cadeia produtiva e reforada com a

    participao do Estado, garantindo o status pblico.

    Pode-se dizer que at hoje as cmaras setoriais existentes se assemelham

    particularmente a esse modelo. Como foi dito anteriormente, muitas delas foram

    drenadas dos seus objetivos bsicos de governana democrtica, tornando-se apndices

    burocrticos de rgos pblicos, ou instncias de presso pblica legtima dos interesses

    de grupos privados. Ainda assim, em que pese esses desvios, as Cmaras Setoriais na

  • 10

    agroindstria tem se constitudo como instncias pblicas e legtimas para a governana

    territorial, principalmente no estado de So Paulo, mostrando as potencialidades dos

    territrios, seus ativos e recursos especficos (CHIAPETTA, 2010).

    2.2 Os Comits de Bacias Hidrogrficas

    A gesto dos recursos naturais resulta de um conjunto de aes empreendidas por

    numerosos atores privados e pblicos, intervindo diretamente no processo de gesto,

    no se restringindo a trabalhos bem estruturados tecnicamente, mas tambm ao

    resultado de debates e negociaes com os diversos atores sociais e econmicos

    (GODARD, 2002). A participao pblica e dos atores sociais uma ferramenta

    importante para as tomadas de deciso e para a diminuio dos conflitos, oferecendo

    comunidade a oportunidade de exercer seus direitos e assim como de reconhecer suas

    responsabilidades (GALLO; TEIXEIRA, 2007).

    Nessa linha o contexto territorial no pode ser considerado neutro no processo de

    criao de uma modalidade de gesto, assim possvel identificar uma pluralidade de

    recortes territoriais, dependendo da natureza especfica de cada recurso. A gesto da

    gua pode ser realizada na escala das grandes bacias hidrogrficas, dos rios e dos

    lenis freticos; a gesto das florestas poderia ser empreendida essencialmente na

    escala dos macios florestais; j a gesto dos solos agricultveis implicaria ao mesmo

    tempo os nveis mais elevados e os nveis inferiores de gesto, alcanando at mesmo os

    limites das exploraes agrcolas ou de parte deles (GODARD, 2002).

    O gerenciamento dos recursos hdricos compreende um conjunto significativo de

    atividades que vai do planejamento e administrao do aproveitamento mltiplo,

    controle e proteo das guas at a articulao dos interesses, geralmente conflitantes,

    da complexa rede de agentes composta por rgos da administrao pblica, empresas

    privadas e organizaes da sociedade civil. Isso se deve principalmente s mltiplas

    finalidades da gua abastecimento urbano, abastecimento industrial, controle

    ambiental, irrigao, gerao de energia eltrica, navegao piscicultura, recreao,

    dentre outras (GALLO; TEIXEIRA, 2007).

    No Brasil, a partir dos princpios e obrigaes estabelecidos na Constituio de

    1988 e em sintonia com os conceitos derivados das conferncias internacionais sobre

    meio ambiente e recursos hdricos, como a Conferncia de Mar Del Plata e o Terceiro

    Frum Mundial da gua, foi instituda em 1997 a Poltica Nacional dos Recursos

    Hdricos e criado o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hdricos

    (SINGREH) por meio da promulgao da Lei Nacional n. 9.433/97, com os seguintes

    objetivos:

    (I) Garantir a quantidade dos recursos hdricos e sua qualidade

    atual e s futuras geraes;

    (II) Promover objetivos de desenvolvimento sustentvel;

    (III) Preservar e defender os recursos hdricos, promovendo seus usos

    racionais;

  • 11

    (IV) Prevenir contra eventos hidrolgicos crticos de origem natural ou

    decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais.

    A Lei estabelece como fundamento para alcanar os objetivos da Poltica Nacional

    de Recursos Hdricos:

    (I) gua como bem de domnio pblico;

    (II) gua como recurso limitado, dotado de valor econmico;

    (III) Prioridade para consumo humano e dessedentao de animais;

    (IV) Uso mltiplo das guas;

    (V) Bacia hidrogrfica como unidade de planejamento e gesto;

    (VI) Gesto descentralizada e participativa.

    Para colocar em prtica tais princpios, o Sistema Nacional de Gerenciamento de

    Recursos Hdricos (SINGREH) dotado de um conjunto de instncias decisrias,

    composto por um colegiado deliberativo superior formado pelo Conselho Nacional dos

    Recursos Hdricos e seus correspondentes nos estados, os Conselhos Estaduais de

    Recursos Hdricos; colegiados regionais deliberativos a serem instalados nas unidades

    de planejamento e gesto, os Comits de Bacias Hidrogrficas de Rios Federais para os

    rios de domnio da Unio e os Comits de Bacias Hidrogrficas de Rios Estaduais para

    os rios de domnio dos Estados ou Distrito Federal e instncias executivas das decises

    dos colegiados regionais, as Agncias de gua de mbito federal e estadual.

    Uma das principais caractersticas do SINGREH a abertura dada a participao

    de usurios e da sociedade civil em todos os plenrios por ele constitudos, desde o

    Conselho Nacional de Recursos Hdricos at os Comits de Bacias Hidrogrficas, como

    forma de legitimar a deciso e tambm garantir sua implantao.

    Os Comits de Bacias Hidrogrficas funcionam como rgos colegiados com

    poderes consultivos e deliberativos, atribudos por leis, com a participao de usurios

    das bacias, da sociedade civil organizada, de representantes de governos municipais,

    estaduais e o federal, para gesto de recursos hdricos por meio da implementao dos

    instrumentos tcnicos e negociao de conflitos; promoo dos usos mltiplos da gua;

    respeito aos diversos ecossistemas naturais; promoo da conservao e recuperao

    dos corpos dgua e garantia da utilizao racional e sustentvel dos mesmos.

    Essa organizao no possui personalidade jurdica, portanto no tm CNPJ, bens,

    funcionrios, utilizando estruturas fsicas e equipe tcnica de seus membros (rgos

    estaduais, municipais, ONGs, etc.) para seu apoio, inclusive para estudos de temas e

    elaborao de propostas. Com implantao das Agncias de Bacias, os Comits passam

    a contar com um brao executivo, com personalidade jurdica.

    Para os rios de domnio da Unio, os Comits possuem a seguinte composio:

    representantes dos poderes executivos, federal, estaduais e municipais (mximo 40%);

    representantes dos usurios (40%) e representantes das organizaes civis (mnimo

  • 12

    20%). J os Comits de rios de domnio estadual regulamentado pelas respectivas leis

    de cada Estado (IRRIGART, 2011).

    Nesse contexto, a gesto dos recursos hdricos se consolidou com enfoque na

    bacia hidrogrfica como unidade de gesto e assumiu vrias dimenses com conotaes

    diversas que passaram a contar com o apoio gradual e consensual de cientistas,

    administradores pblicos, industriais e associaes tcnico cientficas (GALLO;

    TEIXEIRA, 2007). importante ressaltar ainda que, antes da criao do comit, o

    gerenciamento da gua era feito de forma isolada por municpios e Estado e as

    informaes dispersas em rgos tcnicos, ligados ao assunto com dados no

    compatveis, dificultando o planejamento sobre captao, abastecimento, distribuio,

    despejo e tratamento da gua.

    A partir desse sistema, percebe-se que os problemas relacionados aos recursos

    hdricos tm fomentado a modificao das instituies, das prticas sociais e

    consequentemente tm influncia sobre a organizao do espao geogrfico

    representado pela bacia e pode ser ponto inicial importante e facilitador na tomada de

    planejamento local/regional, auxiliando o gerenciamento de forma sustentvel, baseado

    na cooperao entre atores locais, por meio dos comits.

    2.3 Os Arranjos Produtivos Locais

    Os modelos de desenvolvimento dos distritos industriais italianos e do Vale do

    Silcio californiano aliado aos estudos de sistemas produtivos e inovativos locais,

    inspiraram no Brasil a criao do termo Arranjo Produtivo Local (APL). O termo em si

    ainda gera controvrsias no meio acadmico pela carncia de uma definio precisa, no

    entanto, ganhou ampla aceitao como referncia de poltica pblica. Vale ressaltar que

    o conceito de Arranjos Produtivos Locais j foi bastante debatido tanto no meio

    acadmico quanto nas instituies, principalmente naquelas de apoio ao

    desenvolvimento de micro e pequenas empresas.

    Os APLs suscitam recente interesse de governos, entidades representativas e

    especialistas, no Brasil, em face do seu dinamismo econmico e potencial competitivo,

    sobretudo no que tange possibilidade de desenvolvimento baseada em concentraes

    de micro e pequenos estabelecimentos como alternativas crise do modelo de

    crescimento econmico e industrializao dos anos 1960.

    Os APLs aglutinam, dentro de sua base territorial, as duas vantagens em termos

    de proximidade existentes: a proximidade geogrfica, que permite obter ganhos de

    escala crescentes em termos de externalidades acessveis a custos baixos em linkages

    com fornecedores, firmas subcontratantes, entidades pblicas e privadas de apoio; e a

    proximidade organizacional, construda em torno de estruturas comuns de aprendizagem

    e conhecimento associadas a determinadas instituies, organizaes e convenes que

    permitem reforar as especificidades culturais e cognitivas locais voltadas a aes de

    cooperao, inovao e regulao (TORRE, 2003).

    O BNDES (2004, p. 29-30) define Arranjos Produtivos Locais (APL) como uma

    concentrao geogrfica de empresas, sobretudo pequenas e mdias, e outras

    instituies que se relacionam em um setor ou cadeia produtiva particular e tem sua

    existncia definida a partir de vantagens competitivas locacionais.

  • 13

    Tais vantagens so definidas como os benefcios que as empresas podem acessar

    por estarem localizadas em uma aglomerao e que no envolvem custos especficos

    (transportes, fiscais), ressaltando seu papel gerador de externalidades econmicas. A

    existncia de fornecedores especializados, centros de treinamento, centros tecnolgicos,

    agncias governamentais aparecem como importantes indutores de externalidades,

    concomitante cooperao entre os atores locais para o sucesso competitivo da regio.

    A premissa bsica que est por detrs da noo de APL a associao de seu sucesso

    competitivo a fatores no necessariamente mercantis e quantificveis, como a ideia de

    atmosfera marshaliana, oriunda da conjugao de um conjunto de empresas

    cooperando entre si e com a comunidade local em um bom sistema de coordenao

    territorial, imerso no ambiente cultural e institucional local. Nessa perspectiva, a base

    do APL a teoria dos Distritos Industriais, cujo exemplo tpico o modelo de pequenas

    empresas de produo artesanal da Terceira Itlia (BECATTINI, 1994). Em outro plano

    se coloca a teoria dos Clusters industriais de Michael Porter (1999).

    O Governo Federal brasileiro, atravs do Ministrio do Desenvolvimento,

    Indstria e Comrcio Exterior (MDIC), tem estimulado a criao de polticas pblicas

    especficas focadas em Arranjos Produtivos Locais, criando inclusive um Grupo de

    Trabalho Permanente para APL (GT APL), composto por 23 instituies, com o apoio

    de uma Secretaria Tcnica, lotada na estrutura organizacional do MDIC, o qual elaborou

    um Termo de Referncia para polticas de apoio ao desenvolvimento de APLs. Esse

    grupo realizou, em agosto de 2004, a primeira Conferncia Brasileira sobre Arranjos

    Produtivos Locais e paralelamente ocorreu a Oficina Latino-Americana de Sistemas

    Produtivos Locais, patrocinada pela CEPAL e SEBRAE. Em outubro do mesmo ano, o

    Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico e Social BNDES - realizou um

    grande seminrio especfico para APLs denominado Arranjos Produtivos Locais como

    Instrumento de Desenvolvimento. No ano de 2005, o Grupo de Trabalho Permanente

    realizou a segunda Conferncia sobre APLs intitulada O crdito e o financiamento s

    micro e pequenas empresas, e no ano de 2007, ocorreu, em Braslia, a 3 Conferncia

    Brasileira de Arranjos Produtivos Locais, promovida pelo Grupo.

    O Termo de Referncia para Poltica Nacional de Apoio ao Desenvolvimento de

    Arranjos Produtivos Locais foi elaborado em 2004, pelo j referido Grupo de Trabalho.

    No texto possvel identificar uma evoluo do conceito de APL, que passou de

    simples indicao de concentrao industrial geogrfica de pequenos e mdios

    produtores, para dimenses, como territorialidade e especializao, contendo cultura

    local, existncia de cooperao entre MPME e organizao institucional, formas de

    governana, aprendizagem coletiva, potencial de promover inovaes e presena de

    fornecedores locais (BRASIL, 2004).

    De acordo com esse termo, um Arranjo Produtivo Local seria em linhas gerais,

    um nmero significativo de empreendimentos e de indivduos que atuam em torno de

    uma atividade produtiva predominante, e que compartilhem formas percebidas de

    cooperao e algum mecanismo de governana, e pode incluir, pequenas, mdias e

    grandes empresas (BRASIL, 2004, p. 5).

  • 14

    Fica claro que esse conceito mais usual para a definio de polticas pblicas,

    sendo que o governo tomar como APL os locais que apresentem um conjunto das

    variveis definidas como (BRASIL, 2004):

    (a) Concentrao setorial de empreendimentos no territrio, onde o

    nmero mnimo de unidades produtivas que compe um APL deve ser

    relativizado tambm em relao s particularidades do setor e do

    territrio onde se localiza o arranjo;

    (b) Concentrao de indivduos ocupados em atividades produtivas

    relacionadas com o setor de referncia do APL;

    (c) Cooperao entre os atores participantes do arranjo

    (empreendedores e demais participantes), em busca de maior

    competitividade, entendido como formas percebidas de interao entre os

    atores, para a realizao de aes que buscam um objetivo comum,

    relacionado ao desenvolvimento sustentvel do arranjo, a cooperao

    pode acontecer entre as unidades produtivas, mas tambm entre essas e

    outras instituies presentes no arranjo, tais como associaes de classe,

    associaes comerciais, redes de empresas, instituies de ensino e

    pesquisa, ONG;

    (d) Existncia de mecanismos de governana, entendida como

    existncia de canais (pessoas fsicas ou organizaes) capazes de liderar,

    coordenar ou organizar atores em prol de objetivos comuns nas

    atividades em APL, negociando processos decisrios locais ou

    promovendo processos de gerao, disseminao e uso de

    conhecimentos.

    As polticas pblicas de apoio a APLs por parte do governo federal tambm esto

    incorporadas nos Planos Pluri Anuais (PPA) 2004-2007 e PPA 2008-2011, havendo,

    nesse ltimo, uma clara poltica para o apoio exportao de micro e pequenas

    empresas e ampliao do mercado interno. Em 2010, o GT APL atualizou o

    levantamento dos APLs no pas e identificou 957, possibilitando a gerao de relatrios

    a partir do setor econmico, da unidade da federao e da instituio atuante na

    localidade. Esse mapeamento e as informaes, que fazem parte do desenvolvimento de

    Sistema de Informao para APLs em construo, so oriundos de 33 instituies

    governamentais e no-governamentais, federais e estaduais, com atuao nesse tema.

    O Governo do Estado de So Paulo, por meio do meio do Decreto N 54.654, de 7

    de Agosto de 2009 criou o Programa Estadual de Fomento aos Arranjos Produtivos

    Locais, que ser coordenado Rede Paulista de Arranjos Produtivos Locais, composta

    por representantes do Estado, do Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas

    Empresas do Estado de So Paulo - SEBRAE-SP -, da Federao das Indstrias do

    Estado de So Paulo FIESP - e de outras entidades que atuam diretamente nos

    arranjos produtivos locais paulistas, designados por resoluo do Secretrio de

    Desenvolvimento.

  • 15

    Nesse decreto, o Arranjo Produtivo Local se caracteriza pela concentrao

    geogrfica de micro, pequenas e mdias empresas de um mesmo setor ou mesma cadeia

    produtiva, as quais, sob uma estrutura de governana comum, cooperam entre si e com

    entidades pblicas e privadas. O Programa de APLs do Estado de So Paulo

    reconhece 24 APLs e 22 Aglomerados produtivos distribudos em 119 municpios.

    Ainda de acordo com esse decreto, o Programa Estadual de Fomento aos Arranjos

    Produtivos Locais ter como objetivo de estimular e apoiar (So Paulo, 2009):

    (a) A descentralizao do desenvolvimento produtivo de forma a

    contribuir para o fortalecimento da economia local e regional;

    (b) O desenvolvimento das cadeias produtivas paulistas;

    (c) O aumento da competitividade das micro, pequenas e mdias

    empresas;

    (d) O empreendedorismo, baseado na interao e cooperao;

    (e) A cooperao entre o setor produtivo, entidades de classe e de apoio

    empresarial, rgos da Administrao Pblica, universidades, institutos

    de pesquisa, desenvolvimento e inovao e centros de educao

    tecnolgica, com vistas ao estabelecimento de estratgias e investimentos

    conjuntos, ao compartilhamento de infraestruturas, qualificao da

    mo-de-obra e outras medidas que levem melhoria da qualidade dos

    produtos e processos produtivos, reduo dos custos e gerao de

    economia de escala.

    Outro importante dinamizador das polticas relacionadas aos APLs o Servio

    Brasileiro de Apoio s micro e Pequenas Empresas SEBRAE -, que tem atuado em

    conjunto nos programas governamentais e focado no desenvolvimento das micro e

    pequenas empresas. O SEBRAE possui vrios documentos e artigos publicados sobre o

    tema, como o Termo de Referncia para Atuao do Sistema SEBRAE em Arranjos

    Produtivos Locais (2003) e mais recentemente a cartilha intitulada Arranjos Produtivos

    Locais (2010) na srie Empreendimentos Coletivos e que aborda o conceito,

    caractersticas, classificao, dentre outros assuntos. Essa srie Empreendimentos

    Coletivos tem por objetivo disseminar conhecimentos sobre as possibilidades que a

    cooperao gera e apresenta diversos conceitos relacionados s estratgias cooperativas,

    como as associaes, as cooperativas, as centrais de negcios, os consrcios de

    empresas, as empresas de participao comunitria, os Arranjos Produtivos Locais,

    entre outras (SEBRAE, 2003).

    No referido termo, a cooperao entendida tanto visando a obteno de

    economias de escala e de escopo, bem como (...) a cooperao inovativa, que resulta na

    diminuio de riscos, custos, tempo e, principalmente no aprendizado interativo,

    dinamizando o potencial inovativo (SEBRAE, 2003, p.13). Um dos principais

    objetivos propostos pelo SEBRAE, ao abordar APLs, o de preservao do meio

    ambiente, onde a questo ambiental deve estar presente na formulao,

    implementao e avaliao das aes desenvolvidas (SEBRAE, 2003, p. 16).

  • 16

    O SEBRAE j tem identificados quase trs centenas de aglomerados produtivos,

    alguns com baixo nvel de articulao interna e outros com altos patamares de eficincia

    e competitividade. Instituies e entidades que atuam com micro e pequenas empresas,

    como prprio SEBRAE, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico e

    Social) e a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos, ligada ao Ministrio da Cincia

    e Tecnologia) descobriram esse potencial e passaram a estabelecer programas

    especficos para APLs a partir de 1999. O primeiro estado a atuar nesse sentido foi o de

    Minas Gerais, atravs da Federao das Indstrias e do IEL (Instituto Euvaldo Lodi).

    Em termos prticos, existem APLs em diferentes estgios de coordenao

    produtiva e institucional, refletindo cada qual com o nvel econmico e tecnolgico

    adequado ao seu contexto regional e setorial.

    Nos estgios mais avanados, os APLs adquirem, portanto, um carter de

    plataforma de governana em funo dos vnculos cooperativos e interorganizacionais

    que estabelecem em torno de um aglomerado setorial especfico, que serve de base para

    a construo de convenes e identidades comuns localizadas. Essa instncia de

    regulao do territrio tem como premissa a proximidade geogrfica entre as empresas,

    que desenvolvem redes e linkages com fornecedores, firmas subcontratadas e

    instituies de apoio. Nesse sentido, o setor e o territrio atuam como instncias

    regulatrias importantes, definindo a governana como uma forma de coordenao do

    complexo industrial em sua base territorial (FUINNI; PIRES, 2009; FUINNI, 2010).

    Em alguns setores e localidades no Brasil, a governana territorial nos APLs vem se

    manifestando institucionalmente atravs dos Comits Gestores, como se deu no

    Programa do BID com os estados de Minas Gerais, Bahia e So Paulo, ainda com forte

    predomnio do setor empresarial e do Estado, sobre a baixa e quase inexistente

    participao dos sindicados de trabalhadores e da sociedade civil.

    3. Concluses

    Chega-se ao fim deste artigo com a impresso de que muitas questes ainda

    poderiam ser exploradas. Sim, isso era esperado e s possvel que acontea quando se

    abre um tema discusso e se expe seus aspectos centrais, debatendo teorias e

    tipologias conceituais, alm de exemplos empricos de localidades e regies em

    processos de desenvolvimento. Nesse sentido, procurou-se explorar as mudanas que

    ocorrem atualmente no panorama econmico e poltico-institucional brasileiro, e que

    trazem fortes rebatimentos na reorganizao do territrio e em suas escalas regulatrias.

    O duplo movimento de desconcentrao produtiva e descentralizao poltico-

    administrativa, na condio de eventos incompletos e de intensidade regional variada,

    trazem os novos desafios ao manejo dos recursos territoriais e do desenvolvimento

    econmico e social. Assim, emerge a abordagem terica e emprica sobre a governana.

    A governana entra em cena exatamente no momento em que se constroem modalidades

    diferentes de administrao poltico-regional/local com demonstraes inditas de

    acordos e redes de partilha ou hierarquia de poderes entre empresas, poderes pblico e

    entidades civis.

    Este artigo conclui que o sucesso ou fracasso dessas novidades em formatos de

    governana territorial vai depender da capacidade de mobilizao dos atores sociais

  • 17

    para a cooperao e de sua eficincia na gesto de recursos e ativos especficos dos

    territrios, definindo meios institucionais para ativao de potencialidades locais com

    gerao de competitividade e desenvolvimento territorial. Ainda assim, muitas

    localidades ainda dependem fortemente de energias e ferramentas que apenas o Estado

    ou as grandes empresas possuem no que tange ao poder poltico e econmico de

    distribuir riquezas. No entanto, a governana tambm a se torna til para entender os

    conflitos e as diferentes hierarquias de poderes que se consolidam em cada regio, em

    arranjos de pequenas empresas horizontalmente ligadas ou em um anel ncleo em que a

    grande empresa estabelece os parmetros de governana.

    Portanto, este artigo procurou mostrar que a governana territorial pode se

    colocar tanto na condio de instrumental terico de anlise de conceitos e modelos de

    regulao quanto como ferramenta prtica para as aes coletivas e formulao de

    polticas pblicas de desenvolvimento local/regional. Regies que conseguirem

    mobilizar suas populaes, seu capital social e captar os fluxos econmicos locais e

    globais, certamente tero mais sucesso e dinamismo competitivo, fazendo crescer e

    desenvolver seu territrio. Os exemplos procuraram mostrar que atravs dos diferentes

    setores da atividade econmica (agricultura, indstria e servios), articulados em

    cadeias produtivas adensadas e ancorados em seus arranjos espaciais especficos, que

    esto surgindo as manifestaes de busca por acordos entre atores territoriais, dotados

    de representao e poder, e onde se estabelecem os novos mecanismos de coordenao

    para conduzir os recursos institucionais necessrios no caminho do desenvolvimento

    territorial.

    O Brasil foi utilizado como cenrio dos estudos e mostra que ainda h muito por

    pesquisar e fazer no sentido de se estimular projetos poltico-institucionais e de

    proximidade organizacional e institucional nos nveis regional e local. Municipalidades

    e Estados da federao buscam apoio e comeam a se organizar no sentido de

    fomentarem atividades econmicas e recursos humanos, na busca dessa energia

    criativa e empreendedora. Nisso fundamental o ingresso do Estado federal para

    apoiar tais iniciativas, acompanhar seu andamento e dar sustento financeiro e tcnico,

    para que os acordos pblico-privados criados localmente evoluam para arranjos e

    sistemas institucionais consolidados de organizao de atividades, de regulao dos

    territrios e de produo de riquezas. Nas localidades e segmentos mais frgeis

    economicamente e escassas em ativos especficos, essas deveriam ser mobilizadas para

    que ingressassem nas cadeias e nos fluxos virtuosos regionalizados de produo-

    distribuio e circulao de bens e servios.

    A governana dos territrios no , portanto, uma panaceia ou remdio contra

    todos os males da gesto do desenvolvimento econmico e social. Ela um conceito e

    ferramenta importante de anlise da histrica recente do pas e de reflexo para o futuro,

    pois das diversas modalidades de relacionamento entre atores e recursos que viro as

    mudanas nos contedos dos processos de desenvolvimento dos diversos lugares. Da

    governana territorial poder surgir uma regulao do desenvolvimento democrtico e

    descentralizado, que articule o Estado, o mercado e a sociedade civil, para alavancar as

    potencialidades e reduzir as disparidades regionais e de renda da populao e que gere

  • 18

    igualdade de oportunidades e benefcios para a maior parte dos cidados e das

    comunidades locais e regionais.

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