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A GESTO ESTRATGICA DA INFORMAO DE SADE DO TRABALHADOR NO CONTEXTO DE INTELIGNCIA ORGANIZACIONAL DAS EMPRESAS

A GESTO ESTRATGICA DA INFORMAO DE SADE DO TRABALHADOR NO CONTEXTO DE INTELIGNCIA ORGANIZACIONAL DAS EMPRESAS

PAULO REIS

Mestrando em Cincia da Informao (ICI/UFBA).

Salvador, Bahia, Brasil

paulo.reis@sis.com.br

HELENA PEREIRA DA SILVA

Doutora em Engenharia de Produo (UFSC)

Professora Adjunto do Instituto de Cincia da Informao (UFBA)

Salvador, Bahia, Brasil.

helenaps@ufba.br

Palavras-chave: Informao em Sade do Trabalhador; Administrao e Planejamento em Sade; Organizao e Administrao; Gerenciamento de Informao; Vigilncia da Populao; Levantamentos Epidemiolgicos; Classificao de Doenas.

Introduo

O principal objetivo da gesto da informao identificar e potencializar informaes estratgicas para a organizao, otimizando o processo de aprendizagem e adaptao ao meio ambiente, tanto externo quanto interno. Nesse sentido, o monitoramento contnuo dos ambientes - ou seja, ou fluxo ininterrupto de identificao das necessidades de informao, coleta e anlise para se chegar ao conhecimento e tomada de deciso - reduzir a incerteza e permitir a efetivao do processo de inteligncia organizacional. Normalmente, a maior nfase no processo de inteligncia organizacional dada s informaes provenientes do ambiente externo. No entanto, o ambiente interno deve receber tanto ou mais ateno quanto ao monitoramento das informaes produzidas nesse ambiente. As informaes referentes ao capital intelectual, representado pelos membros que fazem a organizao, so estratgicas para a manuteno da competitividade da organizao. Os trabalhadores so o principal ativo da organizao, sendo assim, o cuidado com a sade deles representa uma ao estratgica. Portanto, o monitoramento da situao de sade uma questo de gesto da informao da sade dos trabalhadores, ainda muito pouco considerada pelas organizaes de maneira geral.

Sade do Trabalhador uma subrea da Sade Pblica que tem como objeto de estudo as relaes entre o trabalho e a sade. No Brasil, o Sistema nico de Sade (SUS) tem como objetivos, para essa subrea, a promoo e a proteo da sade do trabalhador. Procura atingi-los por meio do desenvolvimento de aes de vigilncia dos riscos presentes nos ambientes, condies de trabalho e dos agravos sade, alm da organizao e prestao da assistncia, o que compreende procedimentos de diagnstico, tratamento e reabilitao de forma integrada.

No contexto legal, trabalhadores so todos os homens e mulheres que exercem atividades para sustento prprio e/ou de seus dependentes, qualquer que seja sua forma de insero no mercado de trabalho, nos setores formais ou informais da economia. Esto includos nesse grupo os indivduos que trabalharam ou trabalham como empregados assalariados, trabalhadores domsticos, trabalhadores avulsos, trabalhadores agrcolas, autnomos, servidores pblicos, trabalhadores cooperativados e empregadores particularmente, os proprietrios de micro e pequenas empresas. So tambm considerados trabalhadores aqueles que exercem atividades no remuneradas habitualmente, em ajuda a membro da unidade domiciliar que tem uma atividade econmica, os aprendizes e estagirios e aqueles temporria ou definitivamente afastados do mercado de trabalho por doena, aposentadoria ou desemprego.

Esquematicamente pode-se dizer que o perfil de morbimortalidade dos trabalhadores no Brasil, na atualidade, caracteriza-se pela coexistncia de:

Agravos que tm relao com condies de trabalho especficas, como os acidentes de trabalho tpicos e as doenas profissionais;

Doenas que tm sua freqncia, ocorrncia ou gravidade modificada pelo trabalho, denominadas doenas relacionados ao trabalho e;

Doenas comuns ao conjunto da populao, que no guardam relao de causa com o trabalho, mas condicionam a sade dos trabalhadores.

Os agravos sade mostrados dessa forma trazem o conceito implcito de que a sade dos trabalhadores no pode ser entendida e tratada de forma fragmentada, como se existisse uma sade que estaria relacionada ao trabalho e outra sade devida a outras situaes e sem qualquer relao com o trabalho. Obviamente, a prtica aponta na direo da integrao.

Nesse contexto, o objetivo deste trabalho apresentar a proposta de um modelo de gesto estratgica da informao de sade no trabalho e aplicada ao processo interno de inteligncia organizacional, denominado de Modelo da Pirmide, rotulado como Espectro de Resposta Biolgica (ERB), que, entende-se, tem impacto direto sobre o conhecimento da sade do capital intelectual, o que contribui decisivamente para a gerao do conhecimento da sade dos trabalhadores e reduo da incerteza quanto a produtividade, com a perspectiva de tomada de deciso para a implementao de aes preventivas e corretivas que promovam a sade do trabalhador.

AS DIFICULDADES PARA A GESTO DA INFORMAO DE SADE DO TRABAHADOR

Tem sido constatada, que a escassez e inconsistncia das informaes sobre a real situao de sade dos trabalhadores dificultam, sobremodo, a definio de prioridades para as polticas pblicas, o planejamento e implementao das aes de sade do trabalhador, alm de privar a sociedade de instrumentos importantes para a melhoria das condies de vida e trabalho, em um processo integral e integrador da sade. As informaes disponveis referem-se, de modo geral, apenas aos trabalhadores empregados e cobertos pelo Seguro de Acidentes do Trabalho (SAT) da Previdncia Social, que representam cerca de um tero da Populao Economicamente Ativa.

Em 2003, os gastos da Previdncia Social com pagamento de benefcios acidentrios e aposentadoria especial (concedida em face de exposio a agentes prejudiciais sade ou integridade fsica, com reduo no tempo de contribuio) totalizaram cerca de 8,2 bilhes de reais. Entretanto, os valores so estimados e se referem apenas ao setor formal de trabalho. Segundo Pastore, 1998 apud PNSST (Poltica Nacional de Segurana e Sade do Trabalhador) (2004), para cada real gasto com o pagamento de benefcios previdencirios, a sociedade paga quatro reais, incluindo gastos com sade, horas de trabalho perdidas, reabilitao profissional, custos administrativos etc. Esse clculo eleva a um custo total para o pas de aproximadamente 33 bilhes de reais por ano.

Apesar do SUS ser responsvel por grande parte da assistncia mdica, hospitalar e ambulatorial s vtimas de agravos relacionados ao trabalho, na rede pblica de sade, no esto disponveis informaes sobre os custos. A ausncia de dados consistentes dificulta a identificao e o dimensionamento de fontes de custeio socialmente justas para as aes em Segurana e Sade do Trabalhador (SST).

Quaisquer que sejam os motivos, fcil constatar que as empresas no conseguiram ainda se organizar de maneira a atender ao preconizado pela NR-7, referente ao uso de instrumentos epidemiolgicos na abordagem da relao entre sade e trabalho. Inmeros fatores de distanciamento ou problemas podem ser destacados. Entre eles, figuram, como principais, os que se seguem:

1. Restrio da abrangncia de ao s doenas ocupacionais. Essa reduo de seu escopo de ao faz com que, hoje, poucas empresas consigam compor quadros de situao de sade de um grupo populacional, passando ao largo das mudanas no perfil epidemiolgico e deixando de abordar agravos extremamente relevantes por sua magnitude, como, por exemplo, as doenas cardiovasculares.

2. Orientao dos processos de trabalho numa tica mais clnica do que epidemiolgica. O objeto de trabalho a doena, os instrumentos para sua abordagem so clnicos e at o produto clnico, na medida em que so preconizados esquemas teraputicos. A diferena essencial que a clnica parte da doena para buscar a causa e a teraputica, enquanto a epidemiologia deve partir de determinantes e condicionantes em direo ao risco. Embora quem defina mesmo o trabalho da epidemiologia seja a clnica, um processo de trabalho estruturado sob a orientao de um processo clnico no pode dar impacto propriamente epidemiolgico. O que feito hoje , talvez, a vigilncia clnica do caso individual multiplicado, quando a preocupao primordial deveria ser conhecer e detectar qualquer mudana dos fatores determinantes e condicionantes de risco.

3. Perda da noo da importncia de cada etapa da vigilncia. Esse item genrico incorpora diversos(?) problemas presentes hoje na rea (os seguintes problemas: (?)

i. O que vigiar. A dicotomia existente que coloca de um lado os agravos ocupacionais e de outro os chamados no ocupacionais, aliado falta de clareza do que vigiar;

ii. Sistemas de informao. Falta de sistemas que promovam uma abordagem epidemiolgica;

iii. Anlise de dados. Ausncia de anlises sistemticas de dados e informaes coletivas faz com que no ocorram aes de interveno com base da deteco de eventos precoces, com baixa ou nenhuma incorporao de inteligncia epidemiolgica que venha a promover a avaliao da sua eficcia e sua correo ou inovao;

iv. Investigao. A ausncia de instrumentos metodolgicos que propiciem uma investigao adequada dos eventos de sade/doena e que contemplem os critrios utilizados na vigilncia daqueles utilizados para fins mdico-legais, um dos principais estrangulamentos da vigilncia da sade do trabalhador no Brasil.

v. Divulgao. As nossas empresas vm desde sempre falando para dentro: no se comunicam com a comunidade de empregados ou sequer com os profissionais de sade, caracterizando um dos maiores problemas do uso da informao de sade, exatamente a falta de uso, o que acarreta espao no ocupado e passvel de ser ocupado com informaes destitudas de consistncia tcnico-cientfica.

4. Formao profissional deficiente. Parece existir um defeito de formao profissional na linha de organizao de dados de sade do trabalhador, com vistas a seu efetivo uso e disseminao, na perspectiva de gerar conhecimento que promova a sade dos trabalhadores.