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A FUGITIVA Anne Mather

Juliet no tolerava mais ser a filha mimada de um pai milionrio e dominador. Todas as suas vontades materiais eram satisfeitas no ato, mas o preo a pagar era elevado demais: sua liberdade. Juliet fugiu de Londres, mudou de identidade e arranjou emprego numa ensolarada ilha do Caribe. Logo, porm, descobriu que a sua situao pouco havia mudado. Seu patro, o nobre portugus Filipe Ricardo de Castro, era to prepotente quanto o pai. Um homem arrogante, acostumado a dispor da vida dos habitantes da ilha e... do amor das mulheres. Juliet tinha que evit-lo, mas descobriu, desesperada, que estava se apaixonando! Filipe era sua perdio...

A fugitiva

Anne Mather

The Arrogant Duke

CAPTULO I

Fugir! Juliet saboreava aquela palavra, ao mesmo tempo que experimentava ligeiro remorso. No devia sentir-se to feliz por ter conseguido, pela primeira vez na vida, vencer seu pai. Mesmo agora, ao pensar em sua indignao, quando descobrisse o que tinha feito, Juliet estremecia, esperando que ele se acalmasse antes de conseguir localiz-la. No duvidava nem um pouco de que ele acabaria por encontr-la. Era um homem teimoso e certamente faria todas as investigaes possveis, at encontrar uma pista que o levasse at ela. Mas, pelo menos durante alguns meses, ela, pela primeira vez, teria a oportunidade de fazer o que bem entendesse, o que lhe provocava profundo alvio.

Olhou pela janela do hidroavio e distraiu-se ao contemplar o belssimo panorama. Tinha deixado Bridgetown, a capital de Barbados, naquela manh e a grande quantidade de ilhas, alm do mar azul e profundo, a encantava mais do que nunca. Pela centsima vez pensou que aquele anncio publicado no jornal The Times, de Londres, ao qual tinha respondido, fora feito especialmente para ela. Sabia que se aproximavam de Venterra, pois a aeromoa j lhe havia pedido para amarrar o cinto. Tentou localizar a ilha em que desceriam. Somente com grande dificuldade seu pai conseguiria encontr-la!

Para Juliet, tudo agora era novidade. Nunca tinha viajado sozinha, pois sempre se via no meio do batalho de assistentes, secretrias e criados de seu pai, alm das numerosas malas e dos equipamentos esportivos. Achou muito estimulante carregar sua prpria mala, chamar um carregador, hospedar-se num hotelzinho confortvel, em vez daqueles verdadeiros palcios to apreciados por seu pai, e poder escolher suas refeies.

Mandy, claro, ficaria horrorizada, se descobrisse que sua filhinha to inocente estava sozinha numa ilha to distante quanto Barbados, no longnquo mar das Antilhas. Ainda bem que ela, assim como seu pai, acreditavam que Juliet iria hospedar-se com alguns amigos, durante uma breve temporada.

Mandy, ou a srta. Jane Manders este seu verdadeiro nome , era a figura que mais se aproximava de sua me. Para grande angstia e desolao de seu pai, a me de Juliet tinha morrido quando a menina nascera. Talvez por isso ele a tratasse de maneira to possessiva, entregando-a aos cuidados de Mandy. Na ocasio, a governanta tinha trinta anos e acabava de recuperar-se da dor provocada pela morte de sua me. Entregara-se com grande dedicao tarefa, dispensando criana todo seu amor. De vez em quando Juliet imaginava por que Mandy permanecera solteira. Quem sabe, sua fiel companheira alimentasse sentimentos no correspondidos em relao a seu pai? Robert Lindsay, pelo visto, no tinha encorajado nem um pouco aquele possvel romance, e o contrato de Mandy, que havia sido encarado como uma soluo provisria, arrastara-se por mais de vinte anos, a tal ponto que ela passara a ser considerada uma pessoa da famlia.

Mandy era a pessoa a quem Juliet menos queria magoar neste mundo. Ela tinha assumido a completa direo da bela casa em que a famlia Lindsay vivera durante muitos e muitos anos, de tal forma que Juliet sabia que sua ausncia em nada afetaria a posio e a importncia da governanta.

Juliet ps de lado tais pensamentos e concentrou-se no futuro imediato. Lembrou, divertida, a entrevista que fizera num escritrio de advocacia em Londres. O anncio que publicaram pedia uma jovem de boa famlia, que pudesse servir de companhia para uma garota de dezesseis anos, rf recente, com certas incapacidades fsicas, e que no momento morava com seu tio em Venterra, uma ilha situada a alguma distncia de Santa Lcia, no Caribe.

Juliet achara que aquele anncio servia perfeitamente sua ausncia de qualificaes. Claro, tinha muitas qualidades. Havia lido bastante, sabia como arranjar flores num vaso, entendia um pouco de decorao, falava vrias lnguas, estava acostumada a ajudar seu pai a receber em ocasies importantes e at mesmo sabia como lidar com as declaraes de amor dos rapazes com quem saa de vez em quando.

No entanto, no tinha recebido qualquer tipo de formao para seguir uma carreira. Seu pai jamais quisera que ela se tornasse uma intelectual. Sua mente muito viva tivera de satisfazer-se em aprender com os livros e aos poucos fora nascendo nela uma grande insatisfao com aquele estilo de vida to vazio.

Talvez nunca tivesse coragem de tomar uma atitude em relao ao assunto, se seu pai no resolvesse que j era mais do que tempo de ela pensar em se casar. Ele, dominador como sempre, havia indicado trs rapazes seus conhecidos, mas nenhum deles era o tipo do homem com quem Juliet gostaria de casar. No estava procura de um cavalheiro galante com quem vivesse num mundo cor-de-rosa para o resto da existncia. Queria um homem de verdade, no um caa-dotes espera de que o sogro lhe desse tudo pelo fato de desposar sua filha.

Ao recordar o que tinha acontecido, ressentia-se ainda agora da atitude de seu pai, mas acalmou-se, constatando que, naquelas circunstncias, ela no poderia ter tomado outra deciso.

A entrevista tinha sido bem divertida. Precisava lembrar que agora seu nome era Rosemary Summers, e no Juliet Lindsay, e, pela primeira vez, havia sido difcil assumir sua nova identidade. Sentia muita gratido por Rosemary. Ela e sua amiga estudavam no mesmo colgio interno. Os pais de Rosemary eram mdicos e sua filha tinha resolvido seguir seus passos, estudando medicina. Ela e Juliet sempre foram amigas ntimas, muito embora o pai desta ltima tentasse desencorajar aquela amizade. No considerava a famlia Summers companhia apropriada para sua filha, mas, nesse ponto, Juliet batera o p e sua amizade com Rosemary prosseguira. Encontravam-se com frequncia e falavam de suas experincias. Juliet invejava a liberdade de sua amiga e sua determinao em escolher uma carreira.

Quando Robert Lindsay comeou a campanha para obrigar Juliet a casar, esta confiou seus problemas a Rosemary. Sua amiga foi muito solidria e ouviu-a com ateno, pesando a situao, da mesma forma como examinaria as queixas de seus pacientes.

Se fosse voc, arranjaria um emprego, qualquer tipo de emprego, pois isso lhe daria alguma independncia opinou Rosemary.

fcil dizer, Rosemary, mas meu pai jamais permitiria! Ele

seria muito bem capaz de subornar quem me empregasse e eu seria

despedida!

Oh, Juliet, deve existir um lugar onde voc possa trabalhar e

escapar influncia de seu pai!

No neste pas.

Mas ento que seja fora dele.

Como?

No sei. H muita gente querendo governantas e babs que se disponham a viajar.

No posso exercer nenhuma das duas funes. No fui treinada para isso!

Rosemary teve de concordar e o problema permaneceu sem soluo at Juliet ler o anncio no The Times. Telefonou para Rosemary e combinaram um encontro durante o almoo, quando examinariam os prs e os contras da situao.

Voc deve saber muito bem que haver dezenas de candidatas ao emprego observou Rosemary, esfriando um pouco o entusiasmo de Juliet.

Mesmo assim, o lugar muito distante e muitas garotas no havero de querer trabalhar to longe de casa.

Talvez... E seu pai?

Ele s ficar sabendo depois de eu ir embora. Se eu contar, ele far tudo para me impedir de aceitar.

Acaso duvida de que ele ir agir? Para ele, localiz-la ser a coisa mais fcil do mundo.

E, acho que voc tem razo!

Claro que tenho. Oh, Juliet, no sei o que dizer!

Mas no h nada a dizer... Subitamente ocorreu-lhe algo: Rosemary, tenho uma ideia! Creio que a soluo perfeita, caso voc concorde!

Diga l. De que se trata?

E se eu usasse o seu passaporte?

Meu passaporte?

Sim! Rosemary, a soluo perfeita! As pessoas vivem dizendo o quanto somos parecidas. Temos o mesmo cabelo, o mesmo peso, a mesma estatura! As fotografias de passaportes so um horror e ningum presta muita ateno a elas. Seu cabelo da mesma cor do meu e a nica coisa que preciso fazer usar um penteado igual ao seu. A cor da nossa pele praticamente a mesma,

Voc mais morena, mas eu no tive a chance de passar trs semanas no Sul da Frana.

Talvez no acredite, Rosemary, mas eu preferia estar em seu lugar!

Eu sei, eu sei. Roseinary arrependia-se do que tinha dito. Comparada com sua vida, a de Juliet era muito vazia. Bem, se concordarmos, isto quer dizer que voc adotar a minha identidade...

mesmo! E essa agora...

O problema no insupervel. Afinal de contas, l ningum sabe o seu nome ou o meu. Voc pode muito bem passar por Rosemary Summers. E um nome um tanto comum.

Quer dizer que est levando a srio a minha proposta? Diga que no

me engano, Rosemary!

No vejo como posso recusar. Gosto muito de voc, Juliet, e, apesar de termos a mesma idade, sempre me senti muito mais velha do que voc. No quero v-la forada a fazer um casamento que a deixar infeliz.

Voc ento acha que vai dar certo?

Bem, pr