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  • MONOGRAFIA

    ANSP ACADEMIA NACIONAL DE SEGUROS E PREVIDNCIA

    A FRAUDE CONTRA O SEGURO ASPECTOS TCNICOS E JURDICOS

    Acadmico catedrtico advogado PEDRO PAULO OSRIO NEGRINI

    Assistente advogado Antonio Carlos Nbrega

  • SUMRIO

    INTRODUO 2

    CAPTULO 1 PRIMRDIOS DO SEGURO 5

    1.1 PRIMRDIOS DO SEGURO NO MUNDO 6

    1.2 PRIMRDIOS DO SEGURO NO BRASIL 14

    CAPTULO 2 A FRAUDE NO MERCADO SEGURADOR BRASILEIRO 17

    2.1 MODALIDADES DE FRAUDE E SEUS AGENTES 20

    2.2 COMBATE FRAUDE NO SEGURO 25

    2.3 A PROVA 26

    2.4 INVESTIGAO POLICIAL 30

    2.5 CRIMES CONTRA O SEGURO 33

    2.6 AO PENAL 38

    2.7 ADVOCACIA CRIMINAL PARA O MERCADO SEGURADOR 43

    CAPTULO 3 CONCLUSO 48

    ANEXO I 50

    BIBLIOGRAFIA 52

  • INTRODUO

    A atividade securitria de significativa importncia no cenrio interno do Pas,

    representando atualmente mais de 3% do PIB nacional, segundo dados

    estatsticos disponibilizados pela FENASEG Federao Nacional das

    Empresas de Seguros e Capitalizao. Tal representatividade dentro do

    cenrio brasileiro demonstra a relevncia deste segmento da economia, que,

    alm de ser responsvel pela gerao de milhares de empregos, propicia o

    desenvolvimento dos mais diversos setores de produo do pas.

    Apesar dessa notvel posio, o mercado de seguros sofre expressivos

    prejuzos com a indstria da fraude. A prtica constante de golpes contra o

    seguro acarreta a elevao dos custos da operao deste servio, j que so

    necessrios vultuosos investimentos em mtodos preventivos e procedimentos

    inibitrios, de modo a criar mecanismos eficientes de combate fraude.

    Ademais, o aumento da sinistralidade uma conseqncia natural da fraude e

    dos ndices fictcios por ela gerados, causando a elevao no valor dos

    prmios em diversas modalidades de seguro, de acordo com a prpria lgica

    mutualista que permeia toda a atividade securitria. Na realidade, evidencia-se

    que o benefcio indevidamente recebido por poucos, que utilizaram mtodos

    fraudulentos para induzir a seguradora em erro, acaba por gerar prejuzo para

    muitos, que arcam com o aumento dos custos para contratao do seguro.

    Por fim, inegvel o prejuzo causado pela fraude imagem das empresas

    que atuam neste importante ramo do mercado, pois a demora para o

    pagamento das indenizaes, acarretada pela necessidade de percias e

    sindicncias nos mais diversos sinistros, e a negativa de pagamento de

    sinistros fraudulentos, acabam por causar uma falsa impresso sociedade,

    que passa a ter uma certa desconfiana em relao prtica do seguro.

    O principal escopo deste trabalho justamente demonstrar a forma como a

    fraude contra o seguro praticada e os danos por ela causados, tanto para as

    empresas que atuam neste segmento de mercado, como para toda a

    sociedade. A identificao das diversas modalidades de golpes realizados por

  • fraudadores tornar possvel uma ao planejada e inibitria contra a fraude,

    de modo a dar credibilidade e segurana ao servio prestado, bem como

    melhorar a imagem das seguradoras perante o pblico.

    Os aspectos penais e processuais penais tambm merecem destaque neste

    trabalho, j que somente com o estudo de tais pontos ser possvel vislumbrar

    o trmite dos procedimentos policiais e judiciais envolvendo fraudadores, alm

    de demonstrar a relevncia das provas colhidas para a comprovao de golpes

    contra o seguro.

    As conseqncias cveis da fraude contra o seguro apresentam-se como tema

    indispensvel para a concluso deste estudo. A quebra da boa-f, paradigma

    do Novo Cdigo Civil, repercute de modo vigoroso no contrato de seguro,

    merecendo, assim, uma abordagem detalhada acerca de suas conseqncias

    legalmente previstas.

  • CAPTULO 1 PRIMRDIOS DO SEGURO

    Antes de adentrarmos no universo da fraude que praticada contra o seguro,

    tecendo uma anlise sobre os aspectos e conseqncias criminais e cveis das

    diversas modalidades desses delitos praticados no mercado, necessria uma

    abordagem histrica sobre a criao e o desenvolvimento do instituto do

    seguro no mundo.

    Diante do quadro que apresentamos a seguir, sobre a histria do seguro, ser

    possvel compreender o nascimento, advindo de necessidade especfica, de

    diversos princpios inerentes prpria natureza dessa modalidade de contrato,

    demonstrando-se, ao fim, como a fraude pode prejudicar o equilbrio de toda a

    lgica atuarial que norteia a atividade seguradora.

    A definio do seguro, nos moldes atuais, deu-se atravs de um extenso

    processo de formao, com a construo de uma base normativa adequada ao

    longo dos sculos, baseada, muitas vezes, somente nas experincias

    vivenciadas por aqueles que atuavam naquele ento ainda desconhecido setor

    econmico.

    Apesar da falta de registros histricos sobre as fraudes contra o seguro

    cometidas no passado, certo que, neste longo percurso, a prpria natureza

    humana se incumbiu de criar diversos mecanismos para a proteo do

    mutualismo atinente ao contrato de seguro, j que se pode afirmar, com algum

    grau de preciso, que desde os primrdios, em qualquer coletividade social,

    sempre h aqueles que tentam, de alguma forma, tirar proveito das fragilidades

    que integram os mais variados tipos de negcio.

    Para um entendimento introdutrio, segue adiante uma abordagem histrica

    sobre a formao do instituto do seguro, seus princpios e o modo com que os

    Estados Soberanos passaram a conviver com essa modalidade de contrato,

    complementada com uma referncia ao histrico da atividade no Brasil.

    Aps a construo de tais alicerces, necessrios para a compreenso de toda

    a complexidade que envolve a atividade seguradora, ser possvel passar ao

  • exame das vrias faces da fraude contra o seguro, prtica que nem sempre

    vista com a relevncia e gravidade devidas pelas autoridades pblicas,

    tornando-se socialmente aceita por parte da populao.

    1.1 Primrdios do Seguro no Mundo

    A atividade seguradora surgiu e se desenvolveu de forma lenta e gradativa, na

    medida em que os antigos tinham a necessidade de se proteger contra os

    infortnios a que estavam sujeitos. No possvel apontar um momento

    histrico para o aparecimento do instituto do seguro, j que sua criao no

    est necessariamente vinculada capacidade criativa de algum, sendo, na

    realidade, o resultado de um esforo coletivo de pensamento e trabalho

    desenvolvido ao longo dos sculos.

    Segundo os estudiosos, o nascimento do seguro decorreu da necessidade

    especfica dos homens do comrcio, que precisavam de um instrumento hbil

    para proteger seu negcio contra a incidncia dos riscos inerentes s suas

    atividades.

    A evoluo do instituto acompanhou a tendncia do progresso mundial,

    aglutinando os ensinamentos da prtica e das cincias que iam nascendo, em

    razo da expanso e da especializao da cultura humana.

    Porm, antes de se transformar em instituio autnoma, baseada na

    sistematizao de seus elementos essenciais, assumiu variadas formas que

    no lhe permitiam uma configurao perfeita e lgica, tendo sido necessrio

    muitos sculos de prtica para que a atividade seguradora se tornasse uma

    cincia prpria, merecedora de estudos aprofundados sobre suas principais

    caractersticas e peculiaridades.

    Os primeiros registros histricos referentes ao contrato de seguro propriamente

    dito surgiram somente no sculo XIV. Tais documentos ainda no abordavam

    de forma clara o instituto do seguro, sendo confundidos com contratos de

    compra e venda, j que se utilizavam de muitas clusulas semelhantes,

    sobretudo as que se referiam promessa de compra e venda.

  • Na Itlia do sculo XIV, as cidades de Pisa, Florena e Gnova detinham uma

    grande concentrao da atividade de seguro. Posteriormente, em virtude do

    sucesso de sua prtica, a celebrao de contratos de seguro irradiou-se para

    outros pases da Europa, tais como Espanha, Inglaterra, Portugal e Pases

    Baixos.

    Segundo apanhado documental, as primeiras aplices de seguro surgiram em

    Pisa e em Florena, com origem nas datas de 11/07/1385 e 10/07/1387,

    respectivamente. As clusulas inseridas naqueles instrumentos revelaram uma

    disciplina jurdica marcada pelo uso e costumes das diferentes praas

    comerciais, o que pode ser atribudo ausncia de uma sistematizao

    normativa da matria.

    Desde ento, quando se acentua o desenvolvimento dos negcios envolvendo

    contratos de seguro e a relativa dependncia que a atividade comercial passou

    a ter sobre tal prtica, despertado o interesse das autoridades pblicas da

    poca. O Estado passa a entender que era imprescindvel fixar bases jurdicas

    mais estveis para esse tipo de atividade que, inicialmente, se apoiava

    exclusivamente nos usos e costumes das praas comerciais.

    Assim, as Ordenanas de Barcelona, publicadas em 1435, j demonstravam

    uma preocupao do Estado com a normatizao das regras inerentes aos

    contratos de seguro, destinando diversas de suas disposies

    regulamentao desse instituto. No mesmo perodo, cria-se um tribunal

    especializado para a apreciao e julgamento de assuntos ligados ao seguro,

    cujo principal objetivo era coibir a prtica de determinadas operaes que

    pudessem afetar e desqualificar a natureza dessa modalidade de contrato.

    possvel que diante deste contexto histrico a fraude j comeasse a se

    man

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