A FORMAÇÃO MILITAR E POLÍTICA DE ALFONSO X, O ?· Este texto tem como objetivo discutir a formação…

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<ul><li><p> 1 </p><p>A FORMAO MILITAR E POLTICA DE ALFONSO X, O SBIO, </p><p>REI DE CASTELA E LEO </p><p>REIS, Jaime Estevo dos (DHI/UEM) </p><p>Este texto tem como objetivo discutir a formao militar e poltica de Alfonso X, o </p><p>Sbio, rei de Castela e Leo (1252 1284). Ocupar-nos-emos em analisar a vida de Alfonso </p><p>X desde o nascimento at a ascenso como monarca do trono da Coroa de Castela, em 1252. </p><p>Num primeiro momento, acompanharemos a educao recebida por Alfonso X de seus </p><p>preceptores. Os ensinamentos referentes s regras de conduta e a educao cavaleiresca do </p><p>futuro monarca. Num segundo momento, discutiremos suas experincias militares, quando, a </p><p>partir dos dez anos de idade, comea a participar das campanhas contra os muulmanos. Por </p><p>ltimo, abordaremos as experincias polticas de Alfonso X, quando este passa a estabelecer, </p><p>em nome de seu pai, Fernando III, acordos de paz entre cristos e muulmanos, como o </p><p>acordo de vassalagem estabelecido com reino muulmano de Murcia, alm de acordos com os </p><p>prprios cristos, como o importante Tratado de Almizra, que estabeleceu com o rei de </p><p>Arago e seu futuro sogro, Jaime I. </p><p>1. Nascimento e educao. </p><p>Alfonso X, o Sbio (1221-1284), era filho de Fernando III (1217-1252), rei de Castela </p><p>e Leo, e de Beatriz da Subia, neta dos imperadores, Frederico I, do Ocidente, e Isaac </p><p>Angelos, do Oriente. O monarca nasceu no dia 23 de novembro de 1221, data em que se </p><p>comemora o dia de So Clemente. Era o primognito dos dez filhos que tiveram Fernando III </p><p>e Beatriz. </p><p>Segundo as fontes alfonsinas, a rainha Beatriz acompanhava Fernando III em uma </p><p>viagem ao sul de Castela para conter a rebelio de um nobre, o senhor de Molina, quando teve </p><p>que recolher-se em Toledo, por ocasio do parto. Na comitiva estava presente a influente av </p><p>materna do futuro rei de Castela e Leo, Berenguela, que sugeriu o nome Alfonso em </p><p>homenagem a seu pai, Alfonso VIII (1155-1214), rei de Castela, vencedor da batalha de Las </p><p>Navas de Tolosa (1212). </p></li><li><p> 2 </p><p>Logo que nasceu foi entregue aos cuidados de uma ama de leite, uma nobre, chamada </p><p>Urraca Prez e de seu marido, Dom Garca lvarez de Toledo, muito prximos ao rei </p><p>Fernando III. As Siete Partidas registram o costume de se entregar as crianas da nobreza em </p><p>seus primeiros dias de vida, a uma ama de leite. De acordo com este importante cdigo </p><p>jurdico alfonsino, os reis devem se preocupar em dar aos filhos e principalmente ao herdeiro </p><p>do trono, </p><p>[] amas sanas e bien acostumbradas, pues bien as como el nio se gobierna, e se cra en el cuerpo de la madre hasta que nace, otros se gobierna y se cra del ama desde que le da la teta hasta que se la cambia []. De donde los sabios antguos, que hablaron en estas cosas, naturalmente dijeron que los hijos de los reyes deben haber tales amas que hayan leche asaz, e sean bien acostumbradas, e sanas, e hermosas, e de buen linaje, e de buenas costumbres (P. II, T. VII, L.III). </p><p>Com apenas trs meses de idade Alfonso foi retirado do convvio com os pais e levado </p><p>para Burgos, em companhia de lvarez de Toledo e de sua esposa. Nesta cidade tiveram </p><p>incio as aparies pblicas do prncipe herdeiro. Em 1222, Alfonso recebeu homenagem dos </p><p>nobres e representantes da cidade que lhes prestaram juramento de fidelidade. </p><p>Quando Alfonso completou dois anos de idade foi colocado sob a tutela de um </p><p>preceptor Dom Garca Fernndez de Villamayor, e de sua esposa Mayor Arias. Garca </p><p>Fernndez havia sido mordomo da me da rainha Berenguela, av de Alfonso, e depois, dela </p><p>mesma. Este nobre foi encarregado da educao cavaleiresca de Alfonso X. </p><p>O costume dos reis castelhanos de criar seus filhos longe das agitaes da corte </p><p>lembrado por Dom Juan Manuel, sobrinho de Alfonso X: </p><p> Et porque estonce non era costumbre de criar los fijos de los reyes con tan grand locura nin con tand ufaia como agora, toviendo que las grandes costas que las debian poner en servicio de Dios et en acrecentamiento de la santa fe et del regno, et que lo que se podia excusar de la costa que lo debian guardar para esto, criaban sus fijos guardando la salud de sus cuerpos lo mas simplemente que podian; as que, luego que los podian sacar de aquel logar que nascian, luego los daban alguno que los criase en su casa (DON JUAN MANUEL, 1952, p. 258). </p><p>O objetivo era proteger o prncipe herdeiro dos riscos da convivncia em uma corte </p><p>itinerante, pouco propcia ao seu desenvolvimento fsico e mental. Preferia-se o convvio em </p><p>aldeias pequenas, a vida tranqila do campo e o contato com a natureza. </p></li><li><p> 3 </p><p>Entretanto, pouco se sabe a respeito da infncia de Alfonso X, apenas que viveu sob a </p><p>proteo e os ensinamentos de seu preceptor dos dois aos treze anos, rodeado de sua famlia, </p><p>participando de jogos e aventuras infantis, e acompanhando-os em viagens s suas </p><p>propriedades e nas visitas corte. </p><p>Entre os companheiros de Alfonso, alm dos filhos de Garca Fernndez, </p><p>encontravam-se os seus irmos, que pouco a pouco foram se juntando a ele, e os filhos de </p><p>outros nobres, como Nuo Gonzlez de Lara, um dos melhores amigos de Alfonso X durante </p><p>o seu reinado, sobrinho de Dom lvaro Gonzlez de Lara, que tambm estava sendo criado </p><p>nas propriedades que os Lara possuam prximo s de Villadelmiro e Celada, que pertenciam </p><p>ao tutor de Alfonso. </p><p>Visitas Galcia, terra natal de Mayor Aras, esposa do seu preceptor, possibilitaram a </p><p>Alfonso o aprendizado do Galego, e o contato com a poesia, a msica dos trovadores e as </p><p>lendas populares clebres na literatura galega. Em Burgos, familiarizou-se com a lngua </p><p>castelhana, que seria a lngua oficial de seus reinos e com a qual escreveria toda a sua obra em </p><p>prosa. </p><p>O prncipe recebeu de Garca Fernndez, ensinamentos especficos sobre a arte da </p><p>guerra, sobre os costumes cavaleirescos, as boas maneiras e como tratar os sditos. Uma </p><p>testemunha da infncia de Alfonso X, o frade Juan Gil de Zamora, tece elogios ao seu </p><p>comportamento. Segundo esse contemporneo, Alfonso era inteligente, aplicado nos estudos, </p><p>tinha uma memria brilhante, era discreto ao falar, modesto ao rir, elegante ao vestir-se, simples </p><p>no andar e moderado ao comer e beber ( Apud GONZLEZ JIMNEZ, 2004, p. 20). </p><p>Essas qualidades so reproduzidas pelo monarca em suas Partidas. Ao tratar das boas </p><p>maneiras que devem possuir os filhos dos reis, Alfonso X determina que: </p><p> [...] los ayos que han de guardar los hijos de los reyes deben pugnar en mostrrselo e hacerles que lo usen; e dbenlos apercibir que cuando alguna cosa les dijeren, que lo no escuchen teniendo la boca abierta [...] que anden apuestamente, no muy enhiestos de ms, ni otros, corvos, ni mucho aprisa, ni mucho de vagar [...]. E cuando quisiese sentarse, que no se dejen caer a so hora, ni se levanten, otros, rebatosamente. Otros, en el vestir le deben mostrar que se vistan de nobles paos [...]. E eso mismo decimos de los frenos, e de las sillas, e de las bestias en que los trajeren, pues todas estas cosas deben ser apuestas e muy limpias (P. II, T.VII, L. VIII). </p><p>Na corte, Alfonso recebeu a formao humanstica caracterstica da Idade Mdia, </p><p>conhecida como as sete artes liberais: o trivium (gramtica, retrica e dialtica) e o </p></li><li><p> 4 </p><p>quadrivium (aritimtica, geometria, msica e astronomia). No se tem um registro exato de </p><p>quem foram os seus primeiros mestres; certamente, algumas personalidades que freqentavam </p><p>a corte de Fernando III, como o jurista italiano Jacobo de las Leyes, autor de um tratado </p><p>dedicado a ele, intitulado Flores de las Leyes. </p><p>Na anlise crtica que precede a edio do Fuero Real de Alfonso X, elaborada por </p><p>Gonzalo Martnez Dez, este autor apresenta a dedicatria que Jacobo de las Leyes fez ao </p><p>infante Alfonso: </p><p> Al muy noble et mucho ondrado sennor don Alfonso Ffernandez, fiyo del muy noble et bien auenturado sennor don Fernando, por la gracia de Dios Rey de Castiella et de Len, yo maestre Jacobo de las leyes, uestra fiel cosa, uos enbio este libro pequenno, en lo qual me encomiendo en uestra gracia, como de sennor de que atiendo bien et merced (Apud MARTNEZ DEZ, 1998, p. 94). </p><p>Alfonso teve uma educao diferente da adquirida por seus irmos, Felipe e Enrique, que </p><p>freqentaram a Universidade de Paris. Salvador Martnez, considerando o perfil religioso de Fernando </p><p>III, acredita que, primeira vista, a educao humanstica dada pelo monarca ao prncipe herdeiro </p><p>pode parecer paradoxal: </p><p> El rey ms religioso de la Espaa medieval, y el nico que ha tenido el honor de llegar a los altares, no quiso que su primognito fuese educado al abrigo de un monasterio, o bajo la tutela de algn insigne prelado y ni siquiera por los grandes maestros de la escuela de artes o la Escolstica parisina. Por el contrario, todo parece indicar que la educacin de Alfonso fue encomendada a figuras laicas, por cierto, ms conocidas por sus virtudes guerreras, que como letrados (SALVADOR MARTNEZ, 2003, p. 54). </p><p>Tal educao se justifica se considerarmos que, na Idade Mdia, criar e educar um </p><p>futuro rei significava, antes de tudo, formar um guerreiro e ao mesmo tempo um perfeito </p><p>cavaleiro cristo. Nas Partidas, o prprio Alfonso define que os cavaleiros devem, por uma </p><p>parte, ser [...] fuertes e bravos, e de outra parte mansos, e humildes (P. II, T.XXI, L.VII). </p><p>Encerrada a fase de aprendizagem Alfonso comea a empregar, na prtica, os </p><p>ensinamentos recebidos de seus preceptores e dos mestres, na corte. Se Fernando III desejou </p><p>que Alfonso tivesse uma formao mais cavaleiresca do que religiosa, compreensvel que o </p><p>monarca o levasse, desde cedo, em suas campanhas militares contra os muulmanos. </p></li><li><p> 5 </p><p>2. As primeiras experincias militares. </p><p>A participao de Alfonso nas campanhas militares de Reconquista inicia-se, </p><p>efetivamente, em 1231. Foi nesse ano, quando ele atingiu 10 anos, que comearam suas </p><p>primeiras experincias militares. </p><p>Segundo a Primera Crnica General de Espaa, enquanto Fernando III se ocupava da </p><p>organizao do reino de Leo, recm-incorporado Castela, </p><p> [...] mando a su fijo el infante don Alfonso que fuese en caualgada correr tierra de moros; et mando a don Aluar Perez de Castro el Castellano que fuese con el, para guarda del infante, et por cabdiello de la hueste, ca el infante era muy moo aun et non era tan esforado, et don Aluar Perez era omme deferido et muy esforzado (PCG, 1955, p. 724). </p><p>O objetivo dessa campanha era manter o controle dos lugares conquistados na Baixa </p><p>Andaluzia. Uma das principais aes ocorreu nas cercanias de Jerez, quando as tropas </p><p>comandadas por lvar Prez de Castro enfrentaram as de Ibn Hud, emir de Murcia. A </p><p>Primera Crnica General de Espaa relata a cavalgada de Jerez em detalhes: </p><p> El infante don Alfonso [...] et don Aluar Perez el Castellano con el, et don Gil Marrique [...] salieron de Salamanca [...] con su hueste [...] et llegaron a Anduiar. Et desque llegaron, don Aluar Perez, que yua por mayoral, fizo mouer la hueste de alli, et derramar sus algaras por todas las partidas desa tierra; et fueron contra Cordoua, quemando et destroyendo et acogiendo entre si quanto alcanar podien. Et asi esto faziendo pasaron por Cordoua, et llegaron a Palma et tomaronla por fuera, combatiendola muy de rezio de todas partes, et mataron quantos moros fallaron dentro, que sol vno non dexaron a uida. Mouieron de alli et fueronse acostando contra Seuilla, faziendo todas estas estruyiones; et pasaron por Seuilla, et fueron contra Xerez, et tendieronse las algaras contra Beger et por todas esas partidas, et corrieron et acogieron quanto y fallaron, et tornaronse con todo su hueste. El infante don Alfonso et don Aluar Perez mandaron fincar las tiendas en Guadalete, y cabo de Xerez, et fizeron llegar su presa derredor de si (PCG, 1955, p. 725). </p><p>De acordo com essa fonte, foi durante tal cavalgada que Alfonso vivenciou um dos </p><p>episdios mais marcantes de suas primeiras experincias militares: a decapitao de </p><p>quinhentos muulmanos presos sob sua escolta: El infante tenie la aga et traye y quinientos </p><p>moros catiuos que desa caualgada tomaron, et enbiol don Aluar Perez dezir, que traya la </p><p>delantera, que fezies descabear los catiuos todos; e fizeronlo asi (PCG, 1955, p. 726). </p></li><li><p> 6 </p><p>A prtica da decapitao era uma punio comum na Espanha medieval, sobretudo nos </p><p>reinos de Castela e Leo. Era imposta tanto nos crimes de traio entre a nobreza, por </p><p>exemplo, nos casos de rebelio contra o rei, bem como nos caos em que os inimigos, </p><p>notadamente os muulmanos, ao invs de se renderem enfrentavam os reis cristos at a perda </p><p>da batalha. </p><p>A Crnica de Veinte Reyes destaca o impacto psicolgico que esse acontecimento teve </p><p>sobre os muulmanos de Jerez: </p><p> [...] la cosa del mundo que ms quebrant a los moros, por que el Andaluza ouieron a perder e la ganaron los christianos dellos, fue esta caualgada de Xerez, ca de guisa fincaron quebrantados los moros, que non pudieron despus auer el atreuimiento nin el esfuero que ante aven contra los cristianos; tamao fue el espanto e el miedo que tomaron desa vez (CVR, 1991, p. 309). </p><p>De acordo com a Primera Crnica General de Espaa, finalizada a cavalgada de </p><p>Jerez, o [...] infante et don Aluar Perez fueronse para Palencia o era el rey, et fueron bien </p><p>reibidos (PCG, 1955, p. 729). </p><p>Aps essa primeira experincia, Alfonso voltou a participar das campanhas militares </p><p>em 1236, aos quatorze anos, quando ocorreu um novo cerco cidade de Crdoba. Novamente </p><p> a Primeira Crnica General de Espaa que fornece as informaes mais precisas sobre essa </p><p>segunda experincia do infante, dessa vez ao lado de seu pai: </p><p> [...] el noble rey don Fernando torno a Cordoua otra uez con don Alfonso et com don Fernando sus fijos, que escomenauan estones a ser manebos et auien sabor de salir et cometer grandes fechos como su padre el rey don Fernando [...] et corrieron tierra de moros a todas partes, et robaron et quebrantaron et fizieron quanto quisieron (PCG, 1955, p. 729). </p><p>Em 1240, aos dezenove anos, Alfonso foi alado publicamente condio de prncipe </p><p>herdeiro do trono de Castela, dispondo de casa, rendas e servidores prprios. A inteno de </p><p>Fernando III era de que o infante adquirisse experincia administrativa e maturidade poltica. </p><p>Segundo Manuel Gonzlez Jimnez: </p><p> El ncleo principal del infantado de Alfonso se localizaba en el sector meridional del reino de Len y parece que comprenda las villas y ciudades de Alba de Tormes, Ciudad Rodrigo, Salamanca, Len y Toro. Da, por tanto, la impresin de que Fernando III, adems de dotar al herdero de </p></li><li><p> 7 </p><p>rentas y seoros leoneses, le confi el gobierno y la representacin regia en todo el reino de Len. Se trataba de que el infante herdero adquiriese experiencia en el manejo de los asuntos de gobierno, pero, al mismo tiempo, el encargo no estaba exento de un alto significado poltico pensado para dar seguridades y atencin a un sector del reino, recientemente unido a Castilla (GONZLEZ JIMNEZ, 2004, p. 22). </p><p>Alfonso exercia, em nome de Fernando III, poderes judiciais em todo o reino de Leo. </p><p>Em documento emitido em 1240, ordenou a seu mordomo-mor e aos juzes de Capranes que </p><p>protegessem os bens que dona Mayor lvarez, mulher de Gil Gonzlez, um vassalo seu, </p><p>possua em Astrias. Outro documento revela que um pleito que envolvia o Conselho leons e </p><p>o monastrio de San Isidoro foi resolvido mediante sua interveno (GUERRERO DE LA </p><p>FUENTE, 1972, p. 10). </p><p>Alfonso tambm exercia poderes judiciais em Castela. O Libro de los Fueros de </p><p>Castilla relata, em sua Lei 302, uma condenao proferida por ele: </p><p>Querellse una maneba de un omne de Castro Ordiales quel ava forada e quel ava quebrantado su natura con la mano e era apreiada como era derecho. Et juzgaron en casa del infante don Alfonso, su fijo del rrey don Ferrando, quel cortasen la mano e despus quel enforcasen (LFC, 2004, p. 352-353). </p><p>Em 1241, Alfonso desempenha o papel de mediador entre seu pai e Diego Lpez de </p><p>Haro As crnicas no apontam claramente as razes que levaram esse nobre a se rebelar </p><p>contra o monarca. Deduz-se que Lpez de Haro, que exercia o cargo de alfrez do rei, teria </p><p>cometido graves improbidades nas terras do monarca, localizadas na regio do senro de </p><p>Viscaya, pertencente a ele, e que, portanto, estavam sob sua proteo. </p><p>Fernando III, assim que soube dos desmandos de Diego Lpez, destruiu o castelo de </p><p>Briones e alguns outros que esse nobre possua na regio de Haro. Ao retornar para Burgos, </p><p>deixou Alfonso como frontero em Medina. </p><p>Diego Lpez, que havia se retirado para evitar o confronto direto com o rei, assim que </p><p>soube da presena do infante Alfonso em suas terras, [...] vinose para el, et el leuou consigo </p><p>para Miranda; et el rey acogiol, et dende mouieron todos en vno et venieronse para Burgos, </p><p>et dende a Valladolit (PCG, 1955, p. 741). </p><p>No retorno para suas terras, Lpez de Haro foi seguido de perto pelo rei e por Alfonso. </p><p>O objetivo do monarca era evitar que o vassalo provocasse destruies nos territrios por </p></li><li><p> 8 </p><p>onde passasse. Alfonso assumiu novamente a funo de portero que executava mandados </p><p>reais -, dessa vez em Vitria, prximo ao seoro de Lopez de Haro. </p><p>Segundo a Primera Crnica General de Espaa, Diego Lpez, ao perceber que estava </p><p>sendo monitorado por Alfonso, retornou ao rei [...] et metios en su mered et en su poder; et </p><p>non fue y mal acordado, ca todo fue crecimiento de su pro et escusamiento de su danno </p><p>(PCG, 1955, p. 741). </p><p>3. As experincias polticas. </p><p>A partir de 1243, a participao de Alfonso no governo do reino se tornou muito mais </p><p>freqente. Um dos motivos teria sido a doena de Fernando III, que o impediu de realizar </p><p>pessoalmente novas operaes militares. No incio desse ano, enquanto Alfonso preparava em </p><p>Toledo uma nova interveno em Granada, recebeu os mensageiros do rei de Murcia, </p><p>Muhammad Buha al-Dawla, o Abenhudiel citado nas crnicas castelhanas, os quais se </p><p>dirigiam a Burgos para negociar com Fernando III [...] en pleytesia de Murcia et de todas las </p><p>otras uillas et castiellos dese regno, que se querien dar al rey don Fernando su padre et </p><p>meterse en su mered (PCG, 1955, p741). </p><p>Segundo Gonzlez Jimnez, a solicitao de ajuda por parte do rei de Murcia estava </p><p>mais que justificada, uma vez que: </p><p> [...] a la debilidad de su posicin personal en Murcia, comprobada a los pocos meses del inicio de su reinado cuando fue depueso por Ibn Jattab, en agosto de 1238, se aadan otros factores amenazantes como la presencia de la Orden de Santiago en el flanco suroccidental del reino. A ello se una la profunda divisin interna de los caudillos murcianos, partidarios unos del acercamiento a Castilla y otros de la integracin en la Granada de Ibn al Ahmar (GONZLEZ JIMNEZ, 2006, p. 185). </p><p>Portanto, no restava ao rei de Murcia outra sada a no ser solicitar a proteo de </p><p>Fernando III, ainda que isso implicasse a renncia de sua independncia e o pagamento de </p><p>rendas, tornando-se assim seu vassalo. </p><p>Alfonso impediu que os enviados do rei murciano seguissem para Burgos, e pediu-lhes </p><p>que retornassem a Murcia e aguardassem o contato do monarca. </p></li><li><p> 9 </p><p>Impossibilitado de cavalgar de

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