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A ERA DAS EMPRESAS PBLICAS PAULISTAS DE ENERGIA ELTRICA

Fernanda Iema

Gracila Iacy Marzola Segalla

Joo Paulo Simi

Josu Ben-Nun Bertolin

Talita Montiel dOliveira Castro

Resumo

A era das empresas pblicas paulistas de energia est relacionada com o perodo de

formao das empresas pblicas e a estatizao na rea de energia eltrica da dcada de

60, culminando com a criao da Cesp, CPFL e Eletropaulo. Na dcada de 90, ocorreu uma

transio contrria com a privatizao das companhias com a justificativa de reduzir os

dficits governamentais, investir nas empresas e concluir obras paralisadas do setor.

Palavras-Chave

Empresas Pblicas Paulistas Energia Eltrica Estatizao Privatizao CESP CPFL

Eletropaulo.

Introduo

Com o tema A Era das Empresas Pblicas Paulistas de Energia, este trabalho tem

como objetivo inicial elaborar um panorama mundial, nacional e paulista do setor em

questo, visando verificar e apontar quais as decises do poder pblico em torno das

empresas energticas so diretamente influenciadas pelos momentos e cenrios histricos

em que esto inseridas. Partindo desse princpio, analisaremos o perodo de estatizao

dessas companhias do Estado de So Paulo, mostrando, brevemente, como se deu tal

processo.

A partir disso, poderemos ento perceber como foi desenvolvido esse setor na capital

bandeirante e nas regies do Estado, nunca desvinculado do cenrio nacional, tendo como

1

pergunta balizadora: as empresas dessa era pblica atenderam s necessidades dos

setores da sociedade?

A pesquisa abrange desde os primeiros incentivos estatizao da energia, na

dcada de 1940, partindo especificamente para os anos 60, quando h uma preocupao

maior dos governos Federal e Estadual com a energia, chegando na dcada de 1990,

quando observamos a transio para a reprivatizao.

As fontes utilizadas foram livros, revistas e relatrios anuais, pesquisados na

Fundao Patrimnio Histrico da Energia e Saneamento (FPHES). Alm disso, tambm

utilizamos o depoimento de um ex-funcionrio da CESP (Companhia Energtica de So

Paulo) que trabalhou no setor de 1982 a 1999, bem como pesquisas realizadas pela internet

por meio dos sites da CPFL (Companhia Paulista de Fora e Luz) e CESP e teses de

doutorado relacionadas ao tema em questo.

CAPTULO I - Panorama Geral

Para entender a era das empresas pblicas paulistas de energia preciso analisar o

contexto histrico em que surgem e esto inseridas. Vrias questes mundiais que tiveram

influncia no Brasil foram fundamentais para o desenvolvimento do setor eltrico brasileiro e

paulista. Desde os anos 30, com a poltica do presidente norte-americano Franklin Delano

Roosevelt, manifestou-se uma tendncia mundial que se consolidaria aps a Segunda

Grande Guerra: a passagem das grandes empresas de eletricidade, do controle de trustes e

monoplios privados multinacionais para o Estado. O Brasil, seguindo uma tendncia global,

conheceu um grande crescimento econmico e industrial, que est diretamente ligado ao

crescimento do setor eltrico.

At ento, todos os recursos do pas eram utilizados para sustentar artificialmente os

preos do caf no mercado internacional, importar produtos industrializados e pagar uma

imensa dvida externa. O resultado no constitua avano para a nao. Com a Primeira

Guerra Mundial, ficou muito difcil importar, e surge a necessidade de iniciar a produo

nacional. Isso provocou a vinda de numerosas indstrias para o Brasil, principalmente para

So Paulo, todas elas precisando consumir grandes quantidades de energia eltrica. O

governo resolveu, ento, dar incentivos para as empresas de energia eltrica que quisessem

vir para o Brasil.

2

No fim de 1929, estoura a crise e a depresso mundial. Getlio Vargas assume a

Presidncia da Repblica com as reservas financeiras do pas reduzidas a zero. Ele baseou

sua poltica de construo do pas na empresa nacional e no mercado interno, ao mesmo

tempo em que incentivou a exportao de nossos produtos. Suspendeu as transferncias

aos bancos estrangeiros e dirigiu, por meio do confisco cambial, uma parte da renda da

exportao do caf para a industrializao. Ao fundar o Estado Nacional Brasileiro, iniciou-se

um processo de desenvolvimento que levou o Brasil categoria de pas capitalista de maior

crescimento durante quase 60 anos.

Em 1931, a incipiente indstria de bens de capital ferro, cimento e ao, algumas

mquinas e equipamentos comea a crescer. Em 1932, sua produo 60% superior

de 1929. Em 1935, o investimento lquido nesse setor, apesar das importaes terem cado

no mesmo perodo, ultrapassa a do ano anterior. Entre 1929 e 1937, a produo industrial

cresceu 50% e a produo agrcola para o mercado interno cresceu 40%. A renda nacional,

apesar da depresso mundial, aumentou entre os mesmos anos, 20%, enquanto a renda per

capita cresceu 7%.

Para manter o crescimento econmico e reduzir a importao de insumos bsicos

(ao, petrleo, produtos qumicos), h uma concentrao, por meio do Estado, dos recursos

e dos esforos necessrios para criar a Companhia Siderrgica Nacional CSN, a indstria

petrolfera Petrobrs, e a indstria qumica Companhia Nacional de Alcalis.

Houve extraordinrio impulso indstria de mquinas e equipamentos, com a Fbrica

Nacional de Motores, e ocorre a fundao da Companhia do Vale do Rio Doce para utilizar

os recursos minerais, antes explorados e exportados, para o desenvolvimento brasileiro. Um

avano para o setor eltrico foi a promulgao, em julho de 1934, do Cdigo de guas,

marco principal da poca, da regulamentao dos servios e da indstria de energia eltrica

no pas, por meio do qual a Unio passou a ser o nico poder concedente. No ano de 1939,

foi criado o Conselho Nacional de guas e Energia Eltrica CNAEE, reforando a questo

da regulamentao dos servios de eletricidade. O CNAEE viria a ser o principal rgo do

Governo Federal para a poltica setorial.

Com a Segunda Guerra Mundial voltou o problema de importao e de racionamento

de carvo e petrleo. A essa altura a usina eltrica j era utilizada para outras finalidades,

alm da indstria da iluminao pblica e domstica. Uma delas era o transporte eltrico no

Brasil. No entanto, o crescimento da capacidade instalada continuava pequeno. O governo

3

decidiu intervir para aumentar a taxa de crescimento e disciplinar melhor a produo e a

distribuio de energia que, at ento, estava nas mos das empresas estrangeiras.

Um dos primeiros passos foi a criao da Companhia Hidreltrica de So Francisco

(CHESF), em 1945, que imediatamente comeou a construir a usina de Paulo Afonso,

inaugurada em 1955, com o engenheiro Marcondes Ferraz, que quebrava o tabu de que

grandes obras hidreltricas s pudessem ser construdas por estrangeiros. Em 1952, foram

organizadas as centrais de Minas Gerais (CEMIG) no ento governo estadual de

Juscelino Kubitschek com cinco empresas regionais e suas subsidirias. Em 1957, criou-

se as Centrais Eltricas de Furnas, que comandou a construo das usinas de Porto

Colmbia, Marimbondo, Estreito, Volta Grande e gua Vermelha.

No segundo governo Vargas (1950-1954) percebe-se um grande foco na infra-

estrutura, com a criao do Plano Nacional de Viao, Plano Nacional do Carvo, Plano

Geral de Industrializao (metas setoriais), Programa do Petrleo Nacional/Petrobrs, BNDE

(Banco Nacional do Desenvolvimento Econmico) e o Plano Nacional de

Eletrificao/Projeto da Eletrobrs (que s seria aprovado posteriormente).

Assim, entre 1945 e 1962, o que preponderou foi um setor eltrico nacional marcado

pela maior participao do poder pblico na economia, levando ao fortalecimento das

concessionrias pblicas, em cenrios de crescente investimento. Em 1961, foi criado o

Ministrio de Minas e Energia (MME), cujo primeiro titular foi Joo Agripino, e em 1962,

finalmente a criao da Eletrobrs, cujo primeiro presidente foi Paulo Richer, o que mudaria

o panorama da energia eltrica brasileira.

No governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), o desenvolvimentismo continua

aparecendo fortemente. O seu plano de metas influencia diretamente o setor energtico

brasileiro.

Plano de Metas Previsto e resultados

Meta Previsto Realizado %

Energia Eltrica (MW)

Carvo (mil ton)

Petrleo/prod. (mil barris/dia)

Petrleo/ref. (mil barris/dia)

Ferrovias (mil km)

Rodovias (mil km)

Ao (mil ton)

2.000

1.000

96

200

3

13

1.100

1.650

230

75

52

1

17

650

82

23

76

26

32

138

60

4

Cimento (mil ton)

Carros e Caminhes (mil unid.)

1.400

170

870

133

62

78

Fonte:

www.memorial.sp.gov.br/memorial/images/agenda/000364/a_economia_brasileira_na_era_d

o_desenvolvimentismo.doc

O incio da dcada de 1960 caracterizou-se por uma grave crise de carter

econmico, poltico e social, devido eleio, seguida da renncia, de Jnio Quadros, da

poss