a dívida pública em debate. (livro)

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  • 1. CADERNO DE ESTUDOS A DIVIDA PUBLICA Saiba o que ela tem a ver com a sua vida AUDITORIA
  • 2. 1 4 Caderno de estudos FICHA TCNICA Copyright 2012 by Maria Lucia Fattorelli Auditoria Cidad da Dvida Todos os direitos reservados. Impresso no Brasil. Nenhum a parte deste livro pode ser utilizada, reproduzida ou armazenada em qualquer forma ou meto, seja m ecnico ou eletrnico, fotocpia, gravao etc., sem a permisso por escrito da editora. Iniciativa: Auditoria Cidad da Dvida (w w w .auditonacidada.org.br) Autoria: Maria Lucia Fattorelli Colaborao: Rodrigo Vieira de vila, Eullia Alvarenga, Joo Pedro Casarotto, Joo Gabriel Lopes, Carlos Eduardo Fontes, Edson de Sousa, Joana DArc Farinha, Sam ille Xmenes, Maurcio Jos Nunes Oliveira, Tania Jam ardo Faillace, Jacques D'Qrnellas, Waldisley Rodrigues, Mrcia Tavares, Maria Auxiliadora M ouro Martinez, Marliane Ferreira dos Santos. Ilustrao: Nivaldo Marques Martins Projeto grfico: Roberto Maia, Sygrio Com unicao & Artes Editorao eletrnica: M ojo Design impresso: Inove Grfica e Editora Ficha catalogrfica elaborada pela Inove Grfica e Editora Fattorelli, Maria Lucia Caderno de Estudos A Divida Pblica em Debate / Maria Lucia Fattorelli. Braslia, 2012. eop. 1, Dvida Pblica 2. Caderno de Estudos 3. Auditoria 4, Brasil I. Titulo. CDD 330.981___________________________________ CDU 304(81) iSBN 978-85-66343 00-7 A VENDA NOSiTE: www.inoveeditora.com.br [ A D V I D A H B L I C A E V D E U A T F
  • 3. : A P i T U L O 3 ODELO ECONOMICO 'UIVOCADO E JUSTIA SOCIAL ' n--: . mos, o Brasil um dos pases mais ricos , _ _ndo sob todos os pontos de vista: eco- ocial, cultural, natural e humano. (*CfS5- dessa riqueza, os direitos sociais no soo zevidamente atendidos em nosso Pas. I- ^-ensa maioria da populao, que menos re meios materiais, a realizao dos direi- s continua sendo uma utopia distante, uma pequena parcela dos brasileiros ia rica e tem oportunidade de ter uma lSna. Existe um imenso fosso social. -SCIAMOS UM GRANDE S4.Si.DOXO NO BRASIL: ' #=Economia Mundial; 1 ; ior distribuio de renda do mundo; 1 i- no ranking de respeito aos Direitos -.Tianos -IDH. PORQUE? * E preciso compreender as razes dessas desi gualdades, a fim de possibilitar um amplo debate orientado para a busca de sadas que modifiquem essa realidade. Aadoo de equivocado modelo econmico no Brasil tem aprofun dado as desigualdades sociais e o desrespeito aos direitos humanos, o que se evidencia pela anlise dos seguintes aspectos: f?Concentrao de Renda; Pri vatizaes; Equivocado Regime de Metas de Inflao; Modelo Tributrio Injusto; Poltica de Supervit Primrio e Dvida Pblica. 1 9 A DI v i p a P j B 1.1C A Q :: u a l L | Caderno de estudos
  • 4. CONCENTRAO DE RENDA U m dos grandes problemas brasileiros, e um dos mais facilmente observveis, que nossa riqueza est concentrada nas mos de poucos grandes proprietrios - nacionais e estrangeiros - de terras e negcios, especialmente empreitei ras e bancos que se dedicam a atividades financeiro-especulativas. Ao longo da nossa histria, as decises polticas e econmicas tm privilegiado esses grandes proprie trios (que geralmentefinanciam as campanhas eleitorais), favorecendo a concentrao de recursos e poder nas mos de poucos, o que tem reforado as desigualdades sociais. Em razo disso, o Brasil conside rado, atualmente, o B pas mais injusto do mundo. Apesar dos "Programas Sociais" existentes, como o "Bolsa Famlia", ainda estamos muito distantes de um patamar mnimo dejustia social. Outro dado indicativo da concentrao da ren da no Brasil foi divulgado peia ONU (Organizao das Naes Unidas) em 2008, indicando que para cada 1 dlar destinado aos 10% mais pobres, 51,3 dlares so destinados aos 10% mais ricos. O nvel comparvel a pases como Guatemala (US$ 48,20), Panam {US$ 57,50) e El Salvador
  • 5. por meio das PPP - parcerias pblico-privadas - e do Prollni, programa que concede incentivos fis cais a instituies privadas de ensino universitrio em lugar de realizar investimentos para expanso da educao superior pblica. A atual presidenta Dilma Rousseff tambm realizou inaceitveis privatizaes (previdncia dos servidores pblicos, aeroportos, hospitais universitrios). Ajustificativa legal apresentada para a realiza o dessas privatizaes desde o governo Cotlor, no inicio da dcada de 1990, foi a necessidade de pagamento da divida pblica. Desde o incio foram feitas diversas denn cias de irregularidades sobre este processo. Entidades de todo o Pas se mobilizaram contra a entrega do patrimnio pblico. Aesjudiciais ajuizadas pelo Ministrio Pblico aguardam, at os dias atuais, uma deciso final. At mesmo a Petrobras e o Banco do Brasil tiveram grande parte de suas aes vendidas a investidores privados - brasileiros e estrangeiros. importante ressaltar que grande parte das privatiza es foram financiadas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico e Social) e que ttulos da dvida pblica foram aceitos como moeda de privatizao. Tais ttulos t.Brady) vinham sendo negociados no mercado secundrio por cerca de apenas 20% de seu valor de face e, ao serem aceitos pelo valor integral para o pagamento das privatizaes, represen taram uma verdadeira liquidao do patrimnio pblico brasileiro: um grande negcio para os compradores das empresas estatais. Na prtica, isso significa que o - j baixo - valor pelo qual as empresas estatais foram leiloadas reduziu- -se ainda mais devido aceitao dos ttulos da dvida brasileira como pagamento. Os efeitos das privatizaes estenderam-se para muito alm disso. Com a venda de empre sas pblicas a multinacionais, foi incrementada a importao de insumos, equipamentos e tecno- logias, algo facilitado pelas medidas de abertura comercial desencadeadas de Collor em diante por todos os governantes. Aumentaram, tambm, as remessas de lucros ao exterior, incrementando- se as perdas de patrimnio nacional. Por fim, a dvida pblica interna e externa que sefalava em reduzir aumentou aceleradamente. Por lei, os recursos apurados em privatizaes destinam-se ao pagamento da dvida pblica. Apesar das privatizaes, essa dvida nunca diminuiu; ao con trrio, tem crescido continua mente desde o inicio do governa FHC, passando por Lula e Dilma. Tambm aumentou o Passivo Externo devido ao crescimento das remessas de lucros e compras de insumos no exterior. EQUIVOCADO REGIME DE METAS DE INFLAO E evidente que todos os brasileiros so favo rveis ao controle da inflao. Ocorre que o "Regime de Metas" adotado no Brasil, sob deter minao do FMI desde 1998, no tem controlado o tipo de inflao verificado no Pas e ainda sig nifica um mecanismo de transferncia de renda da sociedade para o setor financeiro. Isso ocorre I porque tal regime calcado na elevao da taxa de juros "Selic" e no controle do volume de moeda em circulao. No Brasil, ao contrrio do que alegam governo e rentistas, a inflao atual no causada por suposto excesso de demanda, mas tem sido provocada por contnuos e elevados reajustes dos preos de alimentos e preos administrados, principalmente de energia, telefonia e combustvel. Esses itens afetam todos os preos de bens e servios ven didos no Pas, pois fazem parte da composio de seus custos. Adicionalmente, o preo dos alimentos e demais preos administrados no se reduzem quando o governo promove uma elevao da taxa de juros Selic. Para CQjTTjatr^sseripo de inflao - deno- minad^inflao de preos^ o remdio ade quado o efetivo controle de tais preos, o que poderia ser feito pelo governo sem grandes dificuldades, j que estamos falando justamente de preos que em tese devem ser administrados pelo poder pblico. Devido privatizao de tais servios, a exigncia de altos lucros tem provo cado a elevao contnua desses preos. Alm de afetardiretamente a vida dos brasileiros que consomem tais servios, a elevao desses pre os tem pesado no cmputo da inflao, e no sofre reduo alguma quando os juros sobem. 21 | Caderno do estudos
  • 6. Da forma como regulamentado o "Regime de Metas de Inflao", toda vez que a inflao ame aa ultrapassar a meta estabelecida (atualmente em 4,5% ao ano), seu controle tem sido feito por meio da elevao da taxa Selic, desconsiderando -se as verdadeiras causas do aumento de preos no Brasil, Ao mesmo tempo em que os salrios do setor pblico e privado ficaram literalmente conge lados a partir do Piano Real em 1995, a dvida pblica federal passou a ter atualizao mone tria automtica, calculada com base em ndice publicado por instituio privada - IGP-M da Fundao Getlio Vargas - que indica a "expec tativa" de inflao. A est um dos grandes equvocos e distor es do modelo econmico em vigor no Pas, que privilegia o setor financeiro. 0 resultado foi o crescimento explosivo dos gastos coma dvida pblica federal, em detrimen to dos gastos com servios de sade, educao, como mostra o grfico abaixo. A outra ferramenta utilizada pelo Banco Central para controlara inflao tem provocado o crescimento acelerado da dvida e acumulado reservas internacionais a um custo altssimo para o Pas. At a presidenta Dilma reclamou do excesso de moeda que tem ingressado no Brasil, manifestando-se publicamente contra o que cha mou de "tsunami". 0 mecanismo que impediria esse tsunami seria a implantao de controle de capitais, o que j vem sendo praticado por diversos pases em todo o mundo. Ao contrrio de estabelecer esse controle sobre o ingresso de capitais, o Banco Central tem "enxugado" esse excesso de moeda, por meio das chamadas "Operaes de Mercado Aberto", mediante as quais fica com o excesso de dlares e entrega ttulos da dvida pblica brasileira aos bancos. A justificativa para tais operaes o risco de que tal excesso

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