A Deliquência Juvenil

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<p>Joo Rosado</p> <p>Os aprendizes do Crime</p> <p>Licenciatura em Sociologia</p> <p>Coimbra Janeiro de 2004</p> <p>Os aprendizes do Crime</p> <p>Realizado no mbito da disciplina de Fontes de Informao Sociolgica</p> <p>Docente: Paulo Peixoto</p> <p>Coimbra, Janeiro de 2004 Joo Rosado 20030945</p> <p>ndiceIntroduo..................................................................................................1 Estado das artes i. Delinquncia juvenil............................................................2 ii. Causas da delinquncia juvenil............................................5 iii. Preveno da delinquncia juvenil.......................................8 iv. Processo de pesquisa...........................................................12 Ficha de Leitura.........................................................................................14 Anlise a uma pgina Internet...................................................................19 Concluso..................................................................................................21 Referncias bibliogrficas.........................................................................22 Anexo 1 Texto de suporte para a realizao da ficha de leitura Anexo 2 Pgina principal do site Internet do programa escolhas</p> <p>Aprendizes do Crime</p> <p>Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra</p> <p>IntroduoA delinquncia juvenil uma questo que merece toda a ateno, pois um problema muito complexo e, acima de tudo, est-se a tornar mais visvel e desta forma torna-se preocupante para as autoridades e as sociedades. Em Portugal, a delinquncia juvenil um tema muito discutido e observado por diversos campos cientficos, com o intuito de a caracterizar e combater de forma eficaz. O tema deste trabalho a delinquncia juvenil, desta forma no estado das artes, pretendo explorar a temtica atravs de trs prismas. So elas: a delinquncia juvenil, pretendo dar a conhecer o que fenmeno; as causas da delinquncia juvenil, analiso os factores que levam um jovem a enveredar pelo crime; e por fim, formas de preveno destes actos delinquentes. Este trabalho engloba ainda uma ficha de leitura, sobre um captulo do livro Delinquncias Juvenis de Jorge Negreiros. Claro que este trabalho no podia ser realizado sem uma pesquisa de informao, quer ao nvel de fontes bibliogrficas, Internet e jornais. Desta forma, incluo no trabalho uma parte dedicada s formas de pesquisa efectuadas para a realizao deste trabalho. No que respeita anlise a uma pgina de Internet, escolhi a pgina do programa ESCOLHAS. uma pgina que est relacionada com o presente trabalho e que aborda a preveno da delinquncia juvenil.</p> <p>Fontes de Informao Sociolgica</p> <p>1</p> <p>Licenciatura de Sociologia</p> <p>Aprendizes do Crime</p> <p>Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra</p> <p>Estado das Artes</p> <p>Delinquncia juvenilDo ponto de vista sociolgico a delinquncia juvenil um facto social que resulta das ocorrncias nas sociedades, fruto da vivncia em sociedade. Os factos sociais so maneiras de pensar, agir, sentir, exteriores aos indivduos e dotados de um poder coercivo. Esta caracterstica significa que tudo o que ocorre em sociedade nos parece determinado exteriormente, como se a sociedade nos impusesse tais modelos de comportamento. O poder coercivo evidencia-se na aplicao de sanes, se no agirmos de acordo com as normas estabelecidas h punio e rejeio. As crianas ao adoptar comportamentos que vo contra as normas sociais so punidas e rejeitadas por grupos sociais. Para uma compreenso significativa dos factos sociais, devemos sempre inseri-los no contexto social em que ocorrem, isto , o relativismo dos factos sociais. Quando confrontados com um tipo de comportamento no aceite pela sociedade, temos tendncia para reagirmos negativamente, porque na nossa sociedade este comportamento no aceite. J noutras sociedades este mesmo tipo de comportamento modelar e aceitvel no contexto cultural, da o relativismo dos factos sociais, da delinquncia juvenil. A delinquncia juvenil cada vez mais preocupante em Portugal, por isso um assunto que tem estado na ordem do dia. Esta questo tem estado mais visvel devido a constante mediatizao por parte dos media. Estes, esto cada vez mais sensacionalistas, da o grande destaque a este tema e tambm a maior visibilidade atribuda a esta delicada questo. Por vezes, ligamos a televiso ou folheamos um jornal e deparamo-nos com notcias sobre a matria. Assaltos, trfico de drogas, vandalismo, so o tipo de comportamentos, entre outros, levados a cabo por estes pequenos marginais. Em toda a sua crueza, a delinquncia juvenil constitui j uma molstia incontornvel da sociedade portuguesa (). (Farinha, 2000: 7)</p> <p>Fontes de Informao Sociolgica</p> <p>2</p> <p>Licenciatura de Sociologia</p> <p>Aprendizes do Crime</p> <p>Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra</p> <p>Nas sociedades actuais, as manifestaes de agressividade e violncia tornaram-se cada vez mais frequentes. Quando comportamentos violentos so praticados por jovens, quase inevitvel perguntar porque que isso acontece e o que pode ser feito para diminuir a sua probabilidade de ocorrncia. A delinquncia juvenil considerada um comportamento anti-social. Do ponto de vista da gravidade do problema, furtar algo no supermercado, agredir violentamente, prticas de vandalismo, so tipos de comportamento que so transgresses em relao s normas sociais em vigor numa determinada sociedade. () pelo menos ao nvel da conceptualizao terica, poder assumir um significado de relevo a partir do momento em que for definido com clareza, no s em relao aos actos, como s motivaes e organizao psicolgica do indivduo que o comete. (Lopes, 1995: 14) Esta problemtica engloba tambm a distino entre os verdadeiros e falsos delinquentes. Os verdadeiros delinquentes so sujeitos com mais de 16 anos que cometeram actos repetidos, que aos olhos do cdigo penal so considerados crimes; os segundos so sujeitos que se desviam ocasionalmente das regras normais, sem demonstrar apetncia real para crimes e comportamentos de m conduta. Segundo Jorge Negreiros, a relao entre delinquncia e idade reveste-se de interesse para o estudo da delinquncia juvenil. uma relao bvia porque a taxa de delinquncia varia sensivelmente com a idade. Alguns aspectos da relao idade crime tm () merecido uma maior ateno por parte dos investigadores (). (Negreiros, 2001: 46-47) Em termos legais, onde que se enquadra a delinquncia juvenil? A partir dos 16 anos j se maior em termos criminais. Por isso, a delinquncia juvenil diz respeito a crimes cometidos por menores entre os 12 e os 16 anos. At ao fim de Dezembro de 2000 a lei tratava igualmente os menores em perigo e os menores delinquentes. Um menor abandonado pelos pais era</p> <p>Fontes de Informao Sociolgica</p> <p>3</p> <p>Licenciatura de Sociologia</p> <p>Aprendizes do Crime</p> <p>Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra</p> <p>colocado no mesmo colgio que um menor que praticava furtos todas as semanas. A partir de Janeiro de 2001, as novas leis tutelares dividiram-se entre a Lei Tutelar Educativa ( Decreto Lei n. 166/ 99 de 14 de Setembro ) que define o que se faz aos menores delinquentes entre os 12 e 16 anos e a Lei dos Menores em Perigo ( Lei n. 147/ 99 de 1 de Setembro ).</p> <p>Cinco indivduos entre os 16 e os 17 anos de idade roubaram um telemvel, dois jogos para Playstation e dinheiro de um Homem na rua Ana de Castro Osrio Quatro menores, entre os 10 e os 13 anos de idade, assaltaram uma mulher na estao de comboios de Benfica. O roubo por estico rendeu cerca de 500 euros</p> <p>(24Horas, 2004)</p> <p>Fontes de Informao Sociolgica</p> <p>4</p> <p>Licenciatura de Sociologia</p> <p>Aprendizes do Crime</p> <p>Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra</p> <p>Causas da delinquncia juvenilPara identificarmos as causas da delinquncia juvenil, convm falarmos no processo de socializao, tal como nos agentes deste importante conceito. O que a socializao? A Socializao um processo contnuo atravs do qual so aprendidos comportamentos, normas, valores culturais para nos inserirmos em qualquer sociedade. Segundo Boaventura de Sousa Santos, a Socializao trata-se de um processo de aprendizagem atravs do qual nos tornamos pessoas e membros de uma dada sociedade. Ele vital, tanto para os indivduos como para as sociedades. atravs dele que se procede transmisso de cultura e se faz a aprendizagem de papis, expectativas e estatutos sociais. Ao mesmo tempo que os indivduos interiorizam as normas, valores sociais, reforam-nos o que contribui para a coeso da sociedade. (Santos in Oliveira et. al., 2001: 141) Quais os agentes de socializao? Os agentes de socializao so: a famlia, a escola, os media e as relaes sociais. Depois de sabermos o que a socializao e quais os seus agentes, j nos podemos debruar sobre a temtica das causas da delinquncia juvenil e dos comportamentos anti-sociais. A delinquncia o resultado de uma escalada de aprendizagem de comportamentos anti-sociais. (Rijo, 2001) A delinquncia juvenil est inteiramente ligada ao ambiente da criana. Na gnese do comportamento anti-social est habitualmente um meio familiar e social extremamente deteriorado, que no cuida, no orienta a criana nem educa para os limites. (Rijo, 2001) Nomeadamente estes problemas acontecem em ambientes familiares instveis, isto , famlias com um rendimento anual muito</p> <p>Fontes de Informao Sociolgica</p> <p>5</p> <p>Licenciatura de Sociologia</p> <p>Aprendizes do Crime</p> <p>Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra</p> <p>baixo, baixo nvel de instruo dos pais e a ausncia constante destes, devido ao acumular de tarefas para conseguirem sobreviver. A permanente ausncia dos pais, no ambiente familiar, atribui precocemente criana responsabilidades para as quais no esto preparadas. Uma criana precisa de muita ateno e algumas vezes o desejo delas cobrarem com mais intensidade e mais frequncia essa ateno para fazerem ou terem atitudes correctas. Da que muitas crianas adoptem comportamentos menos correctos, s para chamarem a ateno a si, desta forma demonstram que necessitam de constante ateno, carinho e afecto. Outros dos agentes que levam a delinquncia juvenil, so os media. Segundo Lus Farinha (2000), um dos casos de incio da actividade delinquente, so os meios de comunicao, tanto o cinema como a televiso, que transmitem filmes com comportamentos violentos que os jovens tentam seguir. Tambm Marshal McLuhan (apud Santos, 2001) diz que os meios de comunicao vinculam as ideologias dominantes. Logo, ao ter contacto com certos comportamentos, os jovens so facilmente influenciados a agir em conformidade com os seus heris e a adoptar os seus ideais de comportamentos. Sendo assim, podemos dizer que uma maior exposio a comportamentos violentos transmitidos pela comunicao social se pode constituir como uma causa da delinquncia juvenil. Esta tese, alis, recorrentemente evocada para, em termos de associao causa efeito, explicar crimes cometidos por crianas. A escola tambm est associada ao incio da actividade delinquente, nomeadamente o insucesso escolar. Face a um ambiente familiar desestruturado ou simplesmente inexistente, a escola funciona normalmente como um local de escape, o stio onde o jovem projecta os conflitos e dificuldades de adaptao sobre o professor. (Felner, 2001a) Desta forma, a escola serve s como um ponto de encontro e local de manifestao das frustraes familiares. Quando as dificuldades se tornam acrescidas face s matrias leccionadas pelo professor, os jovens perdem o interesse e comeam mesmo a faltar s aulas. A falta escola e por repetio pode ser feita de modo solitrio ou em bando (), o que um</p> <p>Fontes de Informao Sociolgica</p> <p>6</p> <p>Licenciatura de Sociologia</p> <p>Aprendizes do Crime</p> <p>Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra</p> <p>aspecto significativo. O insucesso</p> <p>e a delinquncia so a consequncia da</p> <p>posio que as classes sociais inferiores adoptam. (Lopes, 1995: 87-88) As ms companhias na escola tambm levam a que entrem no domnio da delinquncia juvenil, desde o faltar s aulas, at adopo de comportamentos desviantes que, aparentemente, nada tem a ver com as atitudes das crianas. Com um outro olhar, numa sociedade altamente reguladora e disciplinadora, em que as crianas so educadas de forma a ter comportamentos e atitudes padronizadas, quando estas adoptam comportamentos que se desviam desses padres pr-concebidos, consideram-se comportamentos delinquentes e que em nada esto relacionados com as crianas. Normalmente essa manifestao de comportamento associam-se aos gangs. O gang funciona como um refgio, um meio de integrao e de um modo de aprovao que o delinquente necessita para readquirir confiana em si prprio. O bando valoriza as falhas, d ao indivduo a possibilidade de desempenho de um papel, mas tambm um meio que liberta a violncia e proclama a injustia da ordem estabelecida, uma vez que os liberta da interdio do mundo social. (Lopes, 1995: 44) Estas companhias podem levar a comportamentos associados ao alcoolismo, s drogas, brigas e a causar os mais diversos distrbios. Alm disso, tambm esto prximo de roubar e irem presos. Logo estes comportamentos levam as escolas, inclusive professores, a adoptar medidas para acabar com este tipo de situaes. A escola surge como manipuladora de imagens e atitudes, um discriminador social portanto, ao ser reflexo da sociedade dominante, torna-se tambm ela sua semelhana controladora e coerciva forando a adaptao. (Lopes, 1995: 87-88) Outras das supostas causas da delinquncia juvenil, sobretudo na famlia, os fluxos migratrios. Os retornados das antigas colnias, depois do 25 de Abril, bem como a migrao de populao do interior do pas, esto na gnese da delinquncia juvenil, nos ltimos 10 anos. Segundo o relatrio do gabinete da</p> <p>Fontes de Informao Sociolgica</p> <p>7</p> <p>Licenciatura de Sociologia</p> <p>Aprendizes do Crime</p> <p>Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra</p> <p>Procuradoria Geral da Repblica, este fluxo sbito criou um desenraizamento cultural e social e em termos econmicos um aumento do desemprego com as suas inevitveis consequncias. (Felner, 2001b) A chegada de novas pessoas a determinada sociedade e consequentemente o acesso sua cultura frequentemente apontada como uma causa de conflitos. Estas novas famlias que chegam, deparam-se com o problema de se inserirem na sociedade em questo e tambm de serem aceites pelos outros. Nas sociedades em que se privilegia o individualismo, onde h um grande hiato entre os ricos e pobres e se marginalizam certas etnias e raas, estes indivduos revoltam-se contra a situao e facilmente adoptam comportamentos anti-sociais. O relatrio mencionado tambm identifica a violncia grupal, sobretudo com a segunda gerao de africanos, nascidos e criados nos bairros, adoptando a liberdade como sua, adoptando a americanizao da cultura europeia, a que Portugal no foi alheio, e vtimas da sua prpria cultura bairrista. (Felner, 2001b) Destes grupos destacam-se os actos de vandalismo, os roubos a pessoas, as agresses fsicas, noutra fase a especializao em determinado tipo de crimes, bem como a utilizao frequente de armas. Convm tambm identi...</p>