A Cultura Da Pimenta-do-reino

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  • PLANTARPimenta--do-reino

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    ediorev. e amp.

    2

  • Embrapa Informao TecnolgicaBraslia, DF

    2006

    Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaEmbrapa Amaznia OrientalMinistrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

    A CULTURA DAPIMENTA-DO-REINO

    2a edio revista e ampliada

  • 2 Embrapa 2006

    Todos os direitos reservadosA reproduo no autorizada desta publicao, no todo ou em parte,

    constitui violao dos direitos autorais (Lei no 9.610).Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)

    Embrapa Informao Tecnolgica

    A cultura da-pimenta-do-reino. 2. ed. rev. amp. Braslia,DF: Embrapa Informao Tecnolgica, 2006.

    73 p. : il. (Coleo Plantar, 55).

    ISBN 85-7383-...-..

    1. Colheita. 2. Doena. 3. Beneficiamento. 4. Plantio. 5.Variedade. I. Embrapa Amaznia Oriental. II. Coleo.

    Coleo Plantar, 55

    Produo editorial: Embrapa Informao Tecnolgica

    Coordenao editorial: Fernando do Amaral PereiraMayara Rosa CarneiroLucilene Maria de Andrade

    Reviso de texto e tratamento editorial: Francisco C. MartinsEditorao eletrnica: Wamir Soares Ribeiro JniorIlustrao da capa: lvaro Evandro X. NunesFotos:

    1a edio1a impresso (2005): 1.000 exemplares

    CDD 633.84

  • 3AutoresElizabeth Ying ChuEng. Agrn., M.Sc., em Microbiologia do Solo,pesquisadora da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.eying@cpatu.embrapa.br

    Gladys Ferreira de SouzaEng. Agrn., D.Sc., em Solos e Nutrio de Plantas,pesquisadora da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.gladys@cpatu.embrapa.br

    Herclito Eugnio Oliveira da ConceioEng. Agrn., D.Sc., em Fitotecnia,pesquisador da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.heraclito@cpatu.embrapa.br

    Marli Costa PoltronieriEng. Agrn., M.Sc. em Melhoramento de Plantas,pesquisadora da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.marli@cpatu.embrapa.br

    Maria de Lourdes Reis DuarteEng Agrn. Ph.D., em Fitopatologia,pesquisadora Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.mlourdes@cpatu.embrapa.br

    Oriel Filgueira LemosEng. Agrn., D.Sc., Melhoramento de Plantas,pesquisador da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.oriel@cpatu.embrapa.br

  • 4Raimundo Freire de Oliveira,Eng. Agrn., M.Sc., em Solos e Nutrio de Plantas,pesquisador da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.freire@cpatu.embrapa.br

    Ruth Linda Benchimol,Eng. Agrn., D.Sc., Cincias Biolgicas,pesquisadora da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.rlinda@cpatu.embrapa.br

  • 5O agronegcio brasileiro carente de informaesdirecionadas ao pequeno produtor. O objetivo daColeo Plantar preencher essa lacuna com informa-es oportunas e precisas sobre como produzir hortali-as, frutas e gros numa rea do stio ou da fazenda, ouat mesmo num quintal.

    Elaborado em linguagem conceitual simples edireta, o texto de cada ttulo dirigido ao produtor familiar,na certeza de que essas informaes vo contribuir paraa gerao de mais alimentos, renda e emprego para osbrasileiros, permitindo, assim, que a agricultura familiarincorpore-se ao agronegcio.

    No momento em que o agronegcio conquista omercado internacional, a Embrapa InformaoTecnolgica reafirma a importncia desta coleodidtica como referncia para o produtor familiar produzircom segu-rana, qualidade e eficincia.

    Fernando do Amaral PereiraGerente-Geral

    Embrapa Informao Tecnolgica

    Apresentao

  • 6

  • 7Sumrio

    Introduo .............................................. 9Clima e Solo ........................................... 10Cultivares................................................ 11Produo de Mudas ............................... 17Sistema de Produo ............................. 26Tratos culturais ....................................... 36Cultivo Sombreado ................................ 40Controle de Doenas.............................. 45Controle de Pragas ................................. 62Colheita e Beneficiamento ...................... 64Cuidados Ps-colheita ........................... 67Composio Qumica ............................ 69Coeficientes Tcnicos ............................ 70

  • 8

  • 9IntroduoA pimenta-do-reino originria da n-

    dia e, desde a dcada de 1930, quando foiintroduzida no Brasil, por imigrantes japo-neses, tem sido o suporte econmico depequenos e grandes produtores da RegioAmaznica.

    Em 2004, existiam, no Par, 30 mil hec-tares plantados, que produziram 30 mil tonela-das de pimenta-do-reino seca, correspondendoa cerca de 85% da produo nacional. O res-tante foi produzido no Esprito Santo (8,5%) ena Bahia (5,5%). Maranho, Cear e Parabaresponderam por apenas 1% da produo quecorresponde a 0,5 tonelada anual (IBGE, 2003).

    Apesar da reduo anual de 10% na reade plantio, como resultado da incidncia dedoenas e da queda de preos no mercadointernacional, h sinais de recuperao, gra-as reduo da oferta do produto.

  • 10

    A pimenta-do-reino vendida nomercado externo como pimenta-preta,pimenta-branca e pimenta-verde ou emsalmoura, ao passo que no mercado interno,ela comercializada como pimenta-preta ebranca, pimenta em p e misturada a outroscondimentos, principalmente cominho.Subprodutos como piperina e oleorresina _extrados de gros chochos de pimenta _so utilizados nas indstrias de embutidos,perfumaria e farmacutica, cujos preospodem atingir at trs vezes o valor obtidodo produto comercializado na forma degros.

    Clima e Solo

    O clima ideal para a pimenta-do-reino o quente e mido, com precipitao pluvialanual entre 1.500 mm e 3.000 mm, bem dis-tribudos na maior parte do ano. A umidade

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    relativa do ar deve situar-se entre 80% e 88%,a temperatura mdia, entre 23C e 28C e obrilho solar, acima de 2.000 horas/ano.

    A pimenta-do-reino adapta-se e crescebem em diversos tipos de solo, especialmenteos bem drenados e com teor de argila sufi-ciente para reter umidade durante o perodomais seco do ano. reas de terra firme sopreferveis, no sendo recomendados ossolos de vrzeas que, embora de boa fertili-dade, so encharcados e midos, o que ostorna imprprios para o cultivo, pela defici-ncia de oxignio que prejudica o desenvol-vimento do sistema radicular da planta, fa-vorecendo o aparecimento de fungospatognicos ou oportunistas.

    Cultivares

    As cultivares adotadas nas principaisreas produtoras so as seguintes:

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    Apra _ Oriunda de estacas de plantas-matrizes provenientes do Estado de Kerala,sul da ndia, na dcada de 1980, tem folhaslargas, com 8,8 cm de largura e comprimentomdio de 13,8 cm, espigas longas, comcomprimento mdio de 12,0 cm, e vriasfileiras de frutos grados (0,53 cm dedimetro). Sua produo mdia de3,5 kg/planta. Deve ser cultivada em sistemaconsorciado com fruteiras, espcies arbrease algumas essncias florestais.

    A pimenta-preta dessa cultivar tem aseguinte composio qumica: 5,41% de le-os essenciais, 14,8% de oleorresina, 8,97%de resina e 55,06% de piperina. Essa culti-var resistente murcha-amarela (Fusariumoxysporum).Bragantina _ Lanada pela EmbrapaAmaznia Oriental em 1982, para usocomercial no Par. Origina-se de propagaovegetativa do hbrido Panniyur-1, obtido da

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    Estao Experimental de Panniyur, Estadode Kerala, ndia. Possui folhas largas,cordiformes, espigas muito longas, comcomprimento mdio de 14 cm, floresbissexuais e frutos grados. Sua caracte-rstica dominante o broto verde-claro.Produz 3,0 kg/planta de pimenta seca, coma seguinte composio qumica: 4,75% deleos essenciais, 14,01 de oleorresina, 10,06de resina e 41,56% de piperina. recomen-dada para ambientes com maior precipitaopluvial.

    Cingapura _ Essa cultivar originria dematerial vegetativo proveniente da Kuching,explorada na Malsia. A partir do terceiroano de cultivo, apresenta a forma cilndrica,ramificao inclinada (45), folhas estreitas,espigas curtas, com comprimento mdio de7,0 cm, e frutos de tamanho mdio. Apresentaproduo mdia de 2,5 kg/planta.

  • 14

    A pimenta-preta dessa cultivar tem aseguinte composio qumica: 2,37% de le-os essenciais, 8,37% de oleorresina, 6,0%de resina e 69,09% de piperina.

    medianamente resistente murcha-amarela.

    Guajarina _ Oriunda da cultivar ArkulanMunda, introduzida da ndia, em 1976,lanada pela Embrapa Amaznia Oriental em1982, com o nome de Guajarina. Suas prin-cipais caractersticas so folhas lanceoladasde cor verde-escura, espigas longas, comcomprimento mdio de 12 cm e 90% deflores bissexuais, e frutos grados. Produz3,0 kg/planta.

    A pimenta-preta dessa cultivar tem4,22% de leos essenciais, 11,28% deoleorresina, 7,06% de resina e 39,37% depiperina.

  • 15

    altamente suscetvel murcha-ama-rela.

    Iaar-1 _ Oriunda de polinizao aberta,foi introduzida da ndia, em 1981. A plantadessa cultivar tem formato cilndrico e folhasestreitas de tamanho mdio. Os ramos decrescimento apresentam razes adventciasbem desenvolvidas. A espiga tem compri-mento mdio de 9,0 cm, repleta de frutose apresenta casca espessa. Produz 2,6 kg/planta, sendo a colheita realizada de agostoa outubro.

    A pimenta-preta dessa cultivar tem a se-guinte composio qumica: 3,48% de le-os essenciais, 10,03% de leorresina, 6,85%de resina e 45,09% de piperina. resistente murcha-amarela.

    Kottanadan-1 _ Introduzida da ndia, em1981, por meio de material vegetativo. Temformato cilndrico quando adulta e fortes

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    razes adventcias. As folhas so largas e detamanho mdio, as inflorescncias sobissexuais, e as espigas so de comprimen-to mdio, com cerca de 13,0 cm e bom en-chimento.

    A colheita tem incio em agosto, pro-longando-se at outubro. Produz 3,2 kg/planta a partir do terceiro ano de cultivo.

    A pimenta dessa cultivar tem a seguin-te composio qumica: 5,33% de leosessenciais, 12,70 % de oleorresina, 7,37%de resina e 56,16% de piperina. resistente murcha-amarela.

    Kuthiravally _ Procedente da ndia e intro-duzida no Brasil em 1981, por meio deestacas. Tem folhas largas e espigas compri-das mdias, com 12,0 cm de comprimentoe extremidade encurvada, repleta de frutosgrados (0,49 cm) e maturao tardia,ocorrendo entre setembro e novembro.

  • 17

    Produz 3,2 kg/planta e sua pimenta-pretatem a seguinte composio qumica: 5,7%de leos essenciais, 11,65% de oleorresina,5,98% de resina e 56,39% de piperina. altamente resistente murcha-amarela.

    Todas as cultivares so suscetveis podrido-das-razes (Fusarium solani f. sp.piperis), ao mosaico (CMV-Pn), ao mos-queado-amarelo (PYMV) e queima-do-fio(Koleroga noxia).

    Produo de MudasA pimenteira-do-reino pode ser

    propagada por estacas semilenhosas pr-enraizadas, por mudas herbceas e porsementes.

    A propagao por sementes s usadaem trabalhos de melhoramento gentico, pororiginar plantas fracas que s produzemdepois de 6 a 8 anos.

  • 18

    A propagao por estacas semilenhosasfoi praticamente abandonada por causa dadesuniformidade das plantas no primeiro anode cultivo, da perda de material no campo,da necessidade de poda de formao e porcausa da comprovao da disseminao dospatgenos Fusarium solani f. sp. piperis edo vrus causador do mosaico (CMV-Pn)por estacas oriundas de pimentais afetados.

    As mudas herbceas apresentam as se-guintes vantagens em relao s estacassemilenhosas:

    Evitam a disseminao da fusariose edo mosaico.

    Reduzem a perda de material vege-tativo no campo.

    Permitem a formao de pimentaismais uniformes.

    Eliminam as prticas de capao (elimi-

  • 19

    nao da primeira florao) e da poda deformao.

    A produo de mudas herbceas, paracomercializao, deve obedecer as normase padres estabelecidos pelo Ministrio daAgricultura, Pecuria e Abastecimento(Mapa).

    Os campos de matrizes podem serestabelecidos em sistemas de tutoresinclinados e verticais. A nova tecnologiade produo de mudas emprega estacasherbceas (de tecido ainda jovem, de corverde) com 1 a 2 ns, e uma folha presaao n superior (Fig. 1).

    No sistema de tutores inclinados,constrem-se canteiros de 4 m de compri-mento e 2 m de largura, enterrando-se osestaces em sistema de espaldeiras, emposio inclinada, e distanciados de 50 cm,em reas sombreadas (Fig. 2).

  • 20

    Fig. 1. Estacas de 1, 2 e 4 ns.

    Fig. 2. Espaldeira para produo de estacas herbceasde pimenta-do-reino

  • 21

    A adubao deve basear-se no resul-tado da anlise do solo. Para solos de baixafertilidade (Latossolo Amarelo), recomenda-se a abertura de um sulco a 50 cm de dis-tncia dos estaces, nos dois lados daespaldeira, devendo-se adicionar, no sulco,de 4 m de comprimento, 100 kg de matriaorgnica curtida (esterco de gado, cama-de-avirio, torta de mamona, etc.), 10 kg decalcrio dolomtico (aplicado 30 dias antesda matria orgnica), 1,5 kg de superfosfatotriplo e 2 kg de termofosfato.

    A adubao com potssio (K) e nitro-gnio (N) deve ser parcelada em quatrovezes, a intervalos mensais, aplicando-se 20 gde cloreto de potssio e 25 g de uria porplanta, por aplicao.

    Aps 8 meses do plantio, as plantasso cortadas a 1 m acima do solo, para pro-duo de estacas com 2 ns e 1 folha. O

  • 22

    tratamento fitossanitrio feito mergulhando-se as estacas em soluo aquosa dosfungicidas Carbendazin (Derosal), Tiaben-dazol (Tecto) ou Tebuconazol (Folicur) nadose de 1 g/L ou 1 mL/L, durante 15 a 20minutos: 1.000 L de calda fungicida sosuficientes para tratar de 5 mil a 6 mil estacas.

    O pr-enraizamento das estacas (Fig.3, 4 e 5) pode ser feito em canteiros de 30 a50 cm de altura, de 1 a 1,5 m de largura e

    Fig. 3. Propagao da pimenta-do-reino com estacas de doisns.

  • 23

    Fig. 4. Muda enraizada aps 15 dias, no pr-enraizador.

    Fig. 5. Muda oriundade estaca herbceacom 2 ns e 1 folha.

  • 24

    comprimento de acordo com a necessidade,preparados com substrato de areia lavadaou casca de arroz carbonizada.

    As estacas devem ser plantadas emposio inclinada com a folha de fora. Asmudas devem permanecer no pr-enraizadorde 30 a 45 dias, quando ento so trans-feridas para sacos de plstico (de 27 cm x17 cm x 0,10 cm) contendo de 2,5 kg a3,0 kg de substrato composto da seguintemistura: 250 kg de terra preta peneirada,125 kg de areia lavada, 125 kg de esterco degado curtido, 2,5 kg de superfosfato triploe 0,5 kg de cloreto de potssio. Aps otransplantio para os sacos de plstico, asmudas devem permanecer no viveiro por umperodo de 2 a 6 meses, antes de seremplantadas no campo.

    No sistema de espaldeira, possvelproduzir 20 mudas por matriz no primeirocorte e 60 mudas no segundo. Uma planta-

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    matriz d apenas trs cortes. Esse sistema mais recomendado para o produtor que pre-fere preparar suas prprias mudas.

    O sistema de plantio vertical mais pra-ticado por viveiristas que tm como ativida-de principal a produo e a venda de mudasherbceas.

    Todos os sistemas apresentam as mes-mas etapas com algumas diferenas. Nosistema vertical, o plantio feito a pleno sol.Os estaces so mais finos (1/3 do dimetrode um estaco normal), enterrados em valasde 0,50 m de profundidade por 0,40 m delargura, no espaamento de 0,40 m entreestaces e 0,50 m entre fileiras (Fig. 6). Asdemais prticas culturais so semelhantes.

    No primeiro ano de cultivo, cada planta-matriz produz 20 estacas, no segundo ano,de 30 a 40, e no terceiro ano, de 50 a 80.

  • 26

    Sistema de Produo

    Escolha da rea A rea deve possuirtopografia ligeiramente plana, lenol freticoprofundo, boa drenagem e no pode estarsujeita a alagamentos. Os tipos de solo maisrecomendados para o cultivo da pimenta-do-reino so o Latossolo Amarelo, o Latossolo

    Fig. 6. Jardim clonal com tutores verticais.

  • 27

    Fig. 7. reapreparada para

    plantio.

    Vermelho, com textura variando de mdia apesada, e o Argissolo Vermelho-Amarelo.

    Alm das caractersticas edficas, de-vem ser observados os aspectos fitossa-nitrios, visto que no Par, a fusariose umdos principais problemas da pipericultura.A rea a ser escolhida deve ficar afastadapelo menos 1 km de distncia de reas infes-tadas (Fig 7).

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    Muitos pipericultores esto adotandosistemas agroflorestais nos quais a pimenta-do-reino consorciada com outras culturascomo maracuj, acerola, cupuau, milho,cacau, mogno, aa, citros, feijo caupi,mamo, dend, mandioca, melo e coco(Fig. 8).

    Fig. 8. Consrcio de pimenta-do-reino com cupuau.

  • 29

    Anlise do solo A anlise do solo imprescindvel tanto para determinar aquantidade de adubo necessria para o bomdesenvolvimento das plantas, como parainformar as necessidades de correo daacidez. Baixos teores de macro e micro-nutrientes so corrigidos com adubaoqumica e orgnica, ao passo que a correoda acidez e a neutralizao do alumnio sofeitas com aplicaes de calcrio dolom-tico, que contm clcio (Ca) e magnsio(Mg).

    No primeiro ano de implantao dopimental, a coleta de amostras de solo deveser feita aps a limpeza da rea. Quando acorreo do solo se fizer necessria, apli-cam-se de 2 a 4 t/ha de calcrio dolomtico,a lano, 30 dias antes do plantio. Para man-ter os teores de clcio e de magnsio, reco-menda-se aplicar 500 g/planta de calcriodolomtico, em anos alternados.

  • 30

    Espaamento Essa operao define adistncia entre as plantas e deve ser feita comtrenas e cordes previamente marcados como espaamento recomendado. As medidasmais utilizadas so: 2,0 m x 2,0 m; 2,5 m x2,5 m ou 2,0 m x 3,0 m, em fileiras simples.O plantio contnuo, no espaamento de2,5 m x 2,5 m, comporta 1.600 pimenteiras/ha, ao passo que o plantio em leirasespaadas de 4,0 m, comporta 1.000 pi-menteiras/ha (Fig. 9).

    Fig. 9. Exemplos de espaamento para o plantioda pimenta-do-reino.

    x x x x x x

    x x x x x x

    x x x x x 2,5 m x

    x x x x x x

    x x x x x x

    2, 5 m 5,0 m

  • 31

    Enterrio dos estaces e preparo de covas Por ser uma planta trepadeira, a pimenta-do-reino precisa de um tutor (geralmente demadeira), que serve de apoio para fixaodas razes adventcias. Recomenda-se usarcomo tutores estaces com 3,00 m a 3,20 mde comprimento e enterr-los a uma profun-didade de 0,5 m.

    As madeiras mais recomendadas paraproduo de estaces so jarana (Eischeilerajarana), acariquara (Minquartia guianensis),sapucaia (Lecythis lurida) e maaranduba(Manilkara huberi). Estaces de eucaliptoou de pinho s podem ser usados se foremautoclavados ou tratados com produtoqumico, podendo durar de 10 a 20 anos.

    Depois do fincamento dos estaces,faz-se a abertura das covas, de 20 a 30 diasantes do plantio. Essas covas devem serabertas do lado Leste dos tutores, comdimenses de 40 cm x 40 cm x 40 cm (deboca e de profundidade).

  • 32

    Em solos argilosos, deve-se fazer acova com draga manual, para evitar acmulode gua no p da planta durante a estaochuvosa. O solo dos primeiros 20 cm deprofundidade deve ser separado do restante,para ser utilizado no fechamento da cova.

    Na cova aberta, aplicam-se de 1,5 kga 3,0 kg de matria orgnica (esterco de gadocurtido, cama de avirio, torta de mamona,algodo ou babau). Cerca de 300 g a 500 gde termofosfato (Yoorin Bo-Zn, Arad Bo-ZN) devem ser misturados terra retiradada cova, enchendo-a em seguida, com essamistura. As covas devem ser adubadas30 dias antes do plantio, para permitir a de-composio, principalmente das tortas vege-tais.

    Plantio das mudas no campo O plantiodeve ser feito no incio da estao chuvosa,de janeiro a fevereiro, podendo estender-se

  • 33

    at a primeira quinzena de maro. Plantiostardios resultam em sistema radicular pobre,insuficiente para manter as mudas durante operodo menos chuvoso.

    As mudas devem ser plantadas em diasnublados ou chuvosos, a cerca de 10 cm dotutor, a Leste (do lado do nascente), em posi-o inclinada, com a parte superior voltada parao tutor. No momento do plantio, o saco deplstico das mudas deve ser removido.

    Nos primeiros 15 dias aps o plantio,as mudas devem ser protegidas com folhasde palmeiras como aa, babau, inaj e ou-tras (Fig. 10).

    Enquanto as pimenteiras no atingiremo topo do estaco, devem ser amarradas comfitas de plstico ou barbante (Fig. 11), parafacilitar a fixao das razes adventcias daplanta jovem ao tutor, e evitar seu tomba-mento.

  • 34

    Fig. 10. Proteo das mudas com folhas depalmeira.

    Fig. 11. Mudas aderidas ao tutor. Notarcobertura morta parcial da muda.

  • 35

    Irrigao A irrigao de pimenta-do-reino no uma prtica agrcola difundidaentre os pipericultores. A irrigao essen-cial nos pr-enraizadores e no viveiro. Noviveiro, as mudas devem ser irrigadas commangueiras ou com micro-aspersores. Emreas sujeitas a perodos de seca definidos,os pimentais devem ser irrigados por gote-jamento. Nesse caso, a gua distribudaem mangueiras perfuradas, a intervalosregulares, distribuindo-se trs furos porplanta. Cada planta deve ser irrigada com2 L de gua por dia, correspondendo a 60litros/ms.

    Plantas irrigadas apresentam melhordesenvolvimento vegetativo, menor ndicede incidncia de podrido-das-razes emaior longevidade, reduzindo em 40% asperdas de produo.

  • 36

    Tratos Culturais

    Os principais tratos culturais usados nomanejo de pimentais so: capinas, coberturamorta e drenagem. A aplicao correta dostratos culturais tem reflexos positivos na pro-duo, na rentabilidade e na vida til dospimentais.

    Capina Na poca mais chuvosa (de janeiroa abril), a capina qumica mais recomen-dada em decorrncia do rpido crescimentodas plantas daninhas. Os herbicidas maisusados so base de paraquat (Gramoxone)e paraquat + diuron (Gramoxil) na dose de200 mL/20 L. No perodo mais seco, deve-se adotar a capina manual. Para reduzir aevaporao da gua do solo, recomenda-seapenas a roagem da rea, mantendo-se ocoroamento das plantas.

    Cobertura morta A cobertura morta exer-ce efeitos benficos no solo como proteo

  • 37

    contra a ao direta das chuvas, reduo doescoamento da gua e das enxurradas, au-mento do teor de matria orgnica e de umi-dade no solo, manuteno do equilbrio datemperatura do solo, reduo da erosolaminar, reduo da incidncia de plantasdaninhas e aumento da populao de mi-crorganismos.

    Para fazer cobertura morta so usadosos seguintes materiais: casca de arroz,serragem de madeira curtida, raspas derazes de mandioca, mas a melhor acobertura com folhas de capim-elefanteroxo (Pennisetum purpureum) ou capim-guatemala (Tripsacum laxum). Para isso, preciso preparar capineiras. Para cober-tura apenas em volta da planta, so neces-srios 1.000 m2 de capineira/1.000 plantas.A cobertura deve ser feita no final do pe-rodo chuvoso.

  • 38

    Drenagem Pimenteiras cultivadas em so-los muito argilosos sofrem os efeitos do ex-cesso de gua, podendo ser afetadas pelapodrido-das-razes ou morrerem por cau-sa do excesso de gua. Os drenos devemser feitos em novembro, ao redor da planta-o e devem medir 0,50 m de profundidadee 0,40 m de largura.

    Adubao A adubao inadequada dapimenta-do-reino, isto , sem base em crit-rios tcnicos, pode causar prejuzos aoprodutor, resultando em baixa produtividadeem decorrncia de desequilbrios nutricio-nais, ou pelo gasto excessivo com adubos.

    A quantidade de adubos a ser aplicadano pimental depende do resultado da anli-se do solo. No primeiro ano, deve-se apli-car na cova de plantio, junto com o aduboorgnico, a dose total de fsforo (P). Aps

  • 39

    30 dias do plantio das mudas, deve-se apli-car um tero das doses de nitrognio (N) epotssio (K) (Tabela 1). Os dois teros res-tantes desses adubos devem ser aplicadosaos 60 e aos 90 dias aps o plantio, respec-tivamente.

    Essa aplicao deve ser feita em meiocrculo, a cerca de 25 cm em frente da planta.A partir do segundo ano, o fsforo continua

    Fonte: Oliveira e Botelho (2004).

    Tabela 1. Adubao de pimenteiras de acordo coma anlise do solo e os diferentes estgios de desen-volvimento.

    Plantio1 ano2 ano3 ano

    0255075

    20-

    4060

    15-

    3030

    0-

    00

    0204060

    0153030

    0000

    P2O5 K2O

    0-10 10-20 0-40 41-90 >90>20

    P no solo(mg/dm3)

    K no solo(mg/dm3)

    poca

    g/planta

  • 40

    a ser fornecido de uma s vez, no incio doperodo chuvoso, com um tero da dosede nitrognio e de potssio, e o restante, 30e 60 dias depois da primeira aplicao.

    As aplicaes devem ser feitas emcobertura, ao redor da planta, na rea deprojeo da copa. Vinte dias depois daaplicao da segunda dose dos adubos,deve ser feita uma amostragem foliar, paraanlise qumica de macros e de micro-nutrientes.

    Cultivo Sombreado

    O uso de tutores mortos provocou aexplorao desordenada de madeira, pondoem risco de extino de plantas nobres comoacapu (Vouacapoua americana), jarana(Eischeilera jarana) e acariquara (Minquartiahuberi), contribuindo para o desmatamento da

  • 41

    Floresta Amaznica. Esse sistema de cultivo uma alternativa vivel para a agriculturafamiliar.

    No sistema sombreado, os tutores maisusados so nim (Azadirachta indica) egliricdia (Gliricidia sepium), que podem serpropagados por sementes e por estacas.Estacas de gliricdia so mais empregadaspela facilidade com que so obtidas.

    Plantio de estacas de gliricdia As esta-cas devem medir de 2,5 m a 3,0 m de com-primento e mais de 5,0 cm de dimetro. Acova de plantio deve ter 50 cm de profundi-dade e o solo em torno da estaca deve serbem compactado com o cabo da enxada.O plantio da pimenta-do-reino feito de ja-neiro a fevereiro do ano seguinte, ou seja,1 ano e 2 meses aps o plantio do tutor vivo.

    Um ms antes do plantio, as covasdevem ser abertas e adubadas com uma

  • 42

    formulao bsica de fertilizantes recomen-dada para o sistema com tutor morto (vejasubitem Plantio das Mudas no Campo).

    Aps o plantio, as mudas so amarra-das, para que cresam aderidas ao caule dotutor vivo. As demais prticas de cultivo sosemelhantes ao sistema com tutor morto.

    Plantio das mudas de pimenteira Asmudas de pimenteira devem ser plantadas auma distncia de 20 cm do tronco dos tutoresvivos (Fig. 12). Um ms antes do plantio, as

    Fig. 12 Plantio damuda de pimenteira1 ano aps o dotutor vivo, com20 cm de distncia.

  • 43

    covas devem ser abertas e adubadas com amesma frmula adotada para o plantio aosol.

    Manejo da cultura no primeiro ano Periodicamente, os galhos laterais do tutorvivo devem ser podados at 2,5 m de altura.Se o tutor no atingir essa altura, devem-sedeixar 2 ou 3 ramos eretos na parte superiordo tronco, eliminando-se o restante.

    Se as plantas de pimenta-do-reino ade-ridas aos tutores vivos no emitirem ramoslaterais, faz-se uma poda drstica na metadeda altura da planta, para forar a emisso deramos laterais.

    As doses de fertilizantes so a metadedas recomendadas para o cultivo com tutormorto e o mtodo de aplicao em cober-tura, para evitar o corte de razes da planta.

  • 44

    Manejo da cultura no segundo ano Ao final de 12 meses, os tutores vivos jesto suficientemente fortes, para sustentaras plantas.

    A poda drstica feita no incio daschuvas (janeiro/fevereiro), deixando-se umramo ereto e jovem na parte superior dotronco, ou poda-se toda a copa alturade 2,5 m a 3,0 m. Os ramos que cresceremaps a poda so eliminados, periodica-mente, deixando-se de 1 a 2 galhos.

    No final do perodo chuvoso, deixa-se maior nmero de ramos para que hajamenor luminosidade no perodo seco(Fig. 13)

    A adubao deve ser feita commetade das doses de fertilizantes recomen-dadas para o cultivo com tutor morto,aplicada em cobertura.

  • 45

    Fig. 13. Planta depimenta-do-reino

    cultivada com tutorvivo, com 3 anos

    de desenvolvimen-to. Alguns ramos

    do tutor sodeixados como

    proteo noperodo mais seco.

    Controle de Doenas

    No Viveiro O controle de doenas no vi-veiro muito importante para a produode mudas sadias, para evitar que essas do-enas sejam introduzidas em novas reas por

  • 46

    meio de mudas infectadas. As doenas maisgraves e as medidas recomendadas para seucontrole so descritas a seguir:

    Podrido-das-razes ou fusariose Asmudas oriundas de estacas infectadas porFusarium solani f. sp. piperis tornam-seraquticas e amarelas, devendo ser eliminadas.

    O controle dessa doena deve ser preven-tivo, com o uso de areia lavada ou casca dearroz carbonizada para enchimento doscanteiros, de drenagem e de 1 a 2 pulverizaesquinzenais com carbendazin, tiabendazol ouTebuconazol (1 mL do produto comercial porlitro de gua), alternadas com uma aplicaode mancozeb ou captan (3 g ou 3 mL/L),sempre misturado com um espalhante adesivo(1 mL/L de calda fungicida). Podrido-das-estacas e requeima Mu-das infectadas por Phytophthora capsici

  • 47

    exibem amarelecimento e morte das folhasmais prximas do solo, alm do apodre-cimento das razes e radicelas e da base docaule. Depois que a doena detectada, ocontrole feito com matalaxyl + mancozeb(2 g do produto comercial por litro de gua)ou com fungicidas cpricos (oxicloreto decobre, xido cuproso) na dose de 3g/L.Pythium splendens pode causar a podrido-do-coleto de mudas jovens, sendo contro-lada com os mesmos fungicidas.

    Mosaico causado por uma estirpe dovrus-do-mosaico-do-pepino (CMV-Pn), es-pecializada em infectar pimenta-do-reino. Atransmisso ocorre de planta para planta,pelo pulgo Aphis spiricolae. Mudas comsintomas devem ser arrancadas e queima-das. O pulgo deve ser controlado com in-seticidas base de dimetoato (Diazinon,Perfektion) ou de pirimicarb (Pirimol) na dosede 1 mL/L ou 1 g/L.

  • 48

    Antracnose Em mudas herbceas, man-tidas em viveiros muito mido e com sombre-amento denso, Colletotrichum gloeosporioidescausa a queima rpida das folhas jovens,resultando em queima e morte da muda.

    Quando h mal balanceamento declcio (Ca) e magnsio (Mg), o fungo causaleses negras encharcadas, semelhantes scausadas por bactrias. Para controlar essadoena, deve-se tratar as estacas comtiabendazol ou carbendazin (1 g/L) durante15 a 20 minutos. Usar como substrato: solonovo ou tratado quimicamente. No preparodo substrato, misturar adubos fosfatados,nitrogenados, potssicos, calcrio dolom-tico e micronutrientes, antes da desinfeco.

    Depois, tomem os seguintes cuidados:

    Proteger as mudas contra raios solares eventilao forte durante 5 a 7 dias.

  • 49

    Manter as mudas em viveiros com 50% a60% de luminosidade.

    Pulverizar as mudas com fungicidas cpricose mancozeb (3 g a 5 g/L) alternado comcarbendazin ou tiofanato metlico (2 g/L). Podrido-da-estaca ou mofo-branco causada por Sclerotium rolfsii. Esse fungoproduz esporos esfricos de cor marrom,semelhantes a sementes, chamados deesclerdios, estruturas por meio das quais ofungo sobrevive a condies adversas. Emcontato com as estacas, esse fungo germina,causando o apodrecimento das estacas,principalmente se o substrato, rico em matriaorgnica, no for desinfestado previamente(Fig. 14).

    As perdas podem atingir at 100%.Para controlar a doena, recomenda-sereduzir o sombreamento, a umidade dos can-teiros e fazer pulverizaes com tebuconazol

  • 50

    (Folicur, Silbacur) na dose de 1 mL/L, apsa eliminao de todas as estacas infectadas.

    No campo Doenas como a fusariose, amurcha-amarela, a queima-do-fio, a antra-cnose, a mancha-de-alga e a galha-das-razesso freqentes em pimenteiras adultas e

    Fig. 14. Muda com sintomas avanados de podrido-da-estaca ou mofo-branco.

  • 51

    podem afetar, seriamente, o rendimento dacultura nas principais regies produtoras.

    Fusariose a principal doena dessacultura. Afeta razes e ramos, sendo disse-minada pelo contato de razes, pela gua dachuva e pelo vento. Uma planta afetada exibepodrido do sistema radicular, amare-lecimento e queda das folhas e interndios esecamento dos ramos (Fig. 15).

    Fig. 15. Plantas depimenta-do-reino comsintomas avanadosde podrido-das-razes.

  • 52

    Alguns cuidados no manejo do pimentalajudam a prevenir a incidncia de Fusariumsolani f. sp. piperis, agente causal dessadoena, em especial no que diz respeito podrido-das-razes e ao secamento dos ra-mos.

    Para impedir a podrido-das-razes,devem ser adotadas as seguintes medidas:

    Fazer inspees peridicas nos pimentais. Arrancar e queimar, fora do pimental, asplantas doentes. Regar as plantas prximas planta doentecom soluo de tiabendazol ou carbendazin(2 g/L) na dose de 5 L/planta. Selecionar cultivares precoces e mais pro-dutivas, visando conviver em base econ-mica com a doena. Na poca chuvosa, fazer drenagem dossolos.

  • 53

    No perodo mais seco, irrigar as plantaspor gotejamento, (2 L de gua/planta/dia). Fazer cobertura morta apenas em volta dabase da planta, com folhas de capim Guate-mala, Imperial ou casca de arroz. Durante o perodo seco, plantar, entre aspimenteiras, de forma dispersa, plantas quetenham a copa raleada (mogno, nim tama-rindo), para reduzir a temperatura e a evapo-transpirao na rea.

    Aplicar adubao balanceada com maiorteor de potssio e magnsio. Inspecionar, freqentemente, o pimentalpara detectar e erradicar as plantas infecta-das.

    Evitar o livre trnsito de pessoas e mqui-nas da rea contaminada para a rea sadia.

    Para prevenir o secamento dos ramos,devem ser adotadas as seguintes medidas:

  • 54

    Fazer inspees peridicas, para detectara presena de ramos amarelados entre a fo-lhagem verde. Podar o ramo amarelado at 40 ou 50 cmabaixo do ponto de penetrao.

    Pincelar a extremidade das hastes poda-das com uma pasta feita com tiabendazolou carbendazin. Manter as plantas sob observao e, se asnovas brotaes exibirem sintomas, arran-car e queimar a planta fora do pimental. Pulverizar todo o pimental (uma nica vez)com soluo aquosa de tiabendazol oucarbendazin (1 g/L), para reduzir a quantida-de de inculo do patgeno na rea. Podrido-do-p causada pelo fungoPhytophthora capsici, que apodrece a basedo caule e as razes da pimenteira, resultan-do em murcha, amarelecimento, queda defolhas e morte da planta.

  • 55

    Nas pocas mais chuvosas, surgemmanchas negras, circulares, com as extremi-dades fimbriadas nas folhas mais prximasdo solo, disseminando-se por respingos dechuva e solo, para as folhas baixeiras.

    Controla-se essa doena com as seguintesmedidas: Instalao de pimentais em solos bem dre-nados. Drenagem da rea para evitar o acmulode gua no p da planta. Manuteno da rea apenas roada, con-servando o coroamento das plantas, paraevitar concorrncia da vegetao por gua enutrientes. Pulverizao das pimenteiras infectadas edas plantas vizinhas com soluo aquosa dofungicida metalaxyl associado a mancozeb(Ridomil), fosetil-Al (Aliette) ou fungicidascpricos (Cuprosan, Coprantol), procuran-do atingir a base da planta.

  • 56

    Murcha-amarela causada pelo fungoFusarium oxysporum, que afeta plantas commais de 4 anos de idade. Uma planta afetadaapresenta amarelecimento intenso e quedaprematura de folhas e de interndios. Nahaste, surgem leses triangulares que maistarde tornam-se alongadas, com a parteafetada apresentando metade verde e meta-de negra, sintoma caracterstico da doena(Fig. 16). O progresso da murcha-amarelaresulta em morte parcial ou total da planta.

    Essa doena controlada com as se-guintes medidas:

    Estabelecimento de novos pimentais commudas herbceas oriundas de matrizes sadias. Aplicao de calcrio dolomtico na dosede 500 g/planta em anos alternados. Colocao de cobertura morta parcial nofinal da poca chuvosa.

  • 57

    Fig. 16.Necroseunilateral dahaste, sintomadiferencial damurcha-amarela(Fusariumoxysporum).

    Aplicao, em cobertura, de composto or-gnico inoculado com microrganismos be-nficos (Bokashi), duas vezes ao ano. Drenagem de solos que retm excesso deumidade. Substituio da cultivar Guajarina (muitosuscetvel) por cultivares resistentes como

  • 58

    Apra, Kuthiravally, Kottanadan-1, Iaar-1,Cingapura e Bragantina. Queima-do-fio Essa doena infecta aspimenteiras na poca chuvosa, causando anecrose rpida e a queda da folhagem. Causaperdas de produo, mas raramente provocaa morte da planta. Em condies de ataquesevero, pode ser confundida com o secamen-to dos ramos ou fusariose area.

    Essa doena tem incio da parte medi-ana da planta para cima. Na haste, surgemaglomerados de miclio de colorao parda,que crescem em direo aos ramos lateraise, ao atingir as folhas pela face dorsal, se rami-ficam tornando-se uma teia fina, recobrindotoda a folha. Em poucos dias, a folha seca,adquire a consistncia de pergaminho e sedesprende do ramo, ficando presa plantaapenas pelo fio de miclio, da o nome dadoena (Fig. 17).

  • 59

    Fig. 17. Ramo de pimenteira com sintomas dequeima-do-fio, causada por Koleroga noxia.

    A queima-do-fio causada pelo fungoKoleroga noxia e pode ser controlada comduas pulverizaes, a intervalo semanal, como fungicida tebuconazol, na dose de 1 g/Lde gua. Antracnose Os sintomas dessa doenamanifestam-se por leses escuras, que come-am nas bordas ou no pice das folhas,podendo causar rachadura nos frutos. Plantas

  • 60

    com deficincias nutricionais, especialmentede potssio, so mais suscetveis, princi-palmente na poca de maturao dos frutos.

    O controle feito com aplicaes demaior quantidade de potssio. Pulverizaescom mancozeb (3 g/L) ou carbendazin (1 g/L)tambm controlam essa doena, no campo.

    Rubelose De ocorrncia espordica,essa doena tem surgido apenas em pimen-tais mal cuidados. Em 2005, surgiu empimentais formados com a cultivar Bento,nos municpios de Castanhal e Acar, noPar.

    provocada pelo fungo Corticiumsalmonicolor, que causa o enrugamento dasfolhas e a queda dos interndios. Quandoinfectados, os ramos mais grossos ficamrevestidos por uma camada pulverulenta de

  • 61

    colorao rsea, com pontuaes rosa-escu-ra, da o nome dessa doena.

    O controle da rubelose feito com apoda e a queima de todos os ramos e folhas,fora do pimental. As plantas atingidas devemser pulverizadas com fungicida base decobre (Cuprosan, Cupravit), na dose de 3 g/L. Galhas-das-razes Plantas muito pa-rasitadas por nematoides (Meloidogyneincognita, M. javanica) apresentam folhasamareladas e so mais suscetveis ao ataquede fungos do solo, principalmente deFusarium solani f. sp. piperis e Fusariumoxysporum.

    Alm da aplicao de nematicidas, al-gumas medidas preventivas como a produ-o de mudas sadias, aplicaes de matriaorgnica no solo e adubao balanceadaajudam a controlar essa doena.

  • 62

    Mancha-de-alga Plantas afetadasapresentam manchas ferruginosas e avelu-dadas, nas folhas e nos frutos. Em plantasque vegetam prximo mata, em regiessujeitas a neblina, Cephaleuros virescenspode causar manchas irregulares, salientes,de cor negra-brilhante e leses alongadasnos ramos jovens. O controle dessa doen-a feito com adubao balanceada. Emcaso de ataque severo, devem-se fazer pul-verizaes com carbendazin, na dose de1 g/L.

    Controle de Pragas

    Apesar do potencial inseticida apre-sentado pela pimenta-do-reino, a planta afetada por alguns insetos que causamdanos nas hastes, nos brotos, nas folhas enos frutos, que podem levar a planta morte.

  • 63

    Alm dos danos diretos, alguns dessesinsetos so vetores de vrus que afetam ocrescimento das plantas e reduzem seve-ramente a produo. As pragas das pimen-teiras so besouros, pulges, cochonilhas,escamas, caros e, em alguns locais, caracis.Os insetos mais freqentes na cultura encon-tram-se na Tabela 2.

    Tabela 2. Principais pragas da pimenta-do-reino e seucontrole.PragaEscama

    Mosca-branca

    Pulgo

    Broca-do-caule

    Pulga-preta

    Cochonilha

    Besouro-da-folha

    Nome cientificoProtopulvinarialongevalvata

    Aleurodicus cocois

    Aphis spiricolae

    Lophobaris piperis

    Epitrix sp.

    Psudoccoccus elisae

    Litostylus juvencus

    Ocorrnciaabr jul

    fev jun

    jan mar

    mar jun

    fev mai

    jul dez

    jun mai

    Controleleo mineral a 1% +inseticida fosforado (0,1%)leo mineral a 1% +inseticida fosforado (0,1%)Inseticida fosforadona dosagem do rtulo

    Dimetoato (25 mL para100 L de gua)Inseticida fosforadona dosagem do rtulo

    Inseticida dimetoatona dosagem do rtulo

    Inseticida Sevin,na dosagem do rtulo

  • 64

    Colheita e Beneficiamento

    A colheita da pimenta-do-reino ma-nual e as espigas so colhidas indivi-dualmente, sendo destacadas dos ramoscom o auxlio das unhas, de canivete ou depequenas facas. proporo que vo sendocolhidas, as espigas so colocadas em sacosde aniagem ou de polipropileno tranado.Para colher a pimenta do tero superior daplanta, devem-se usar escadas de madeirado tipo trip. Aps a colheita, a pimenta-do-reino debulhada em debulhadores, paraseparar os frutos do eixo da espiga. Emseguida, os frutos so postos para secar aosol ou em secadores a lenha, a leo dieselou eltricos.

    Dependendo do estgio de maturaodos frutos, podem ser processados trs ti-pos de pimenta: a verde, a preta e a branca.

  • 65

    Pimenta-do-reino tipo verde Para pro-duzir pimenta verde, as espigas so colhidasquando os frutos atingem 2/3 do cresci-mento. Nesse caso, a espiga debulhada eos frutos so colocados em salmoura a 12%(sal a 12% e cido ctrico a 0,5%), durante24 horas.

    Aps a drenagem, a soluo renova-da e o produto vendido embalado a vcuo,em sacos aluminizados ou em tambores deplstico hermeticamente fechados.

    Pimenta-do-reino tipo preta Para pro-duzir pimenta-preta, as espigas so colhidasquando os frutos esto completamente de-senvolvidos, de colorao verde-clara ouamarelados e debulhadas em mquinas(debulhadores) ou manualmente.

    Depois, os frutos so secados ao sol,em encerados de plstico tranado, em reascimentadas da propriedade ou em secadores

  • 66

    a lenha ou a diesel (Fig. 18). O rendimentofinal de pimenta-preta fica em torno de 30%a 35% do peso dos frutos frescos.

    Fig. 18. Secagem de pimenta-preta ao sol, em encerados.

    Pimenta-do-reino tipo branca Para pro-duzir a pimenta-branca, as espigas devemser colhidas quando os frutos apresentam acor amarelada ou vermelha. Em seguida, elasso maceradas em tanques de alvenaria e emgua corrente. Para evitar o odor putrefato,deve-se adicionar calcrio, para elevar o pHda gua.

  • 67

    Para fazer a macerao, colocam-se 3 tde pimenta num tanque de 20 mil litros.Durante 12 dias, a gua desse tanque deveser trocada a cada 3 dias, adicionando-se500 g de calcrio dolomtico, toda vez quea gua for trocada. Nesse procedimento,gasta-se 1,5 kg de calcrio.

    Ao final de 12 dias, os tanques so dre-nados e lavados para reutilizao. Aps amacerao, a pimenta-branca secada aosol. No recomendado secar a pimenta-branca em secadores. O rendimento do groseco de 18% a 20% em relao a seu pesofresco, ou seja, cada quilo (1.000 g) depimenta madura produz de 180 a 200 g depimenta-branca.

    Cuidados Ps-Colheita

    Durante o manuseio e a secagem, apimenta-do-reino pode ser contaminada por

  • 68

    Salmonella sp. e por coliformes fecais, quetornam o produto imprestvel para consumoin natura. Essa contaminao ocorre princi-palmente durante a secagem. Ao ser expostaao sol, a pimenta-do-reino pode ser contami-nada por fezes e urina, tanto de animaisdomsticos como de ces, gatos, galinhas eporcos, quanto de animais silvestres.

    Os trabalhadores tambm podem con-taminar o produto ao pisarem a pimenta comchinelos, botas com os ps sujos ou comcoliformes fecais. Isso s acontece, se elesno praticarem bons hbitos de higiene,como tomar banho diariamente, usar sempreroupas limpas e lavar as mos sempre queusarem o sanitrio.

    Durante a armazenagem, a pimenta podeser contaminada por ratos, morcegos e rpteisque transitam livremente sobre as sacas, emarmazns desprovidos de paredes laterais.

  • 69

    O produto pode ainda ser contaminadopor aflatoxinas e defensivos agrcolas. Afla-toxinas so substncias txicas produzidaspor fungos do gnero Aspergillus sp. quecausam cncer de fgado quando ingeridas.

    Resduos de defensivos agrcolas tam-bm podem se acumular nos gros depimenta-do-reino, quando so aplicadosinseticidas e fungicidas sem observao doperodo de carncia dos produtos.

    Composio QumicaDo ponto de vista qualitativo, os com-

    ponentes qumicos mais importantes encon-trados nos gros da pimenta-do-reino so apiperina, responsvel pela pungncia (ardor),e os leos essenciais, responsveis pelo aro-ma caracterstico dessa pimenta.

  • 70

    Tabela 3. Composio qumica da pimenta-do-reino.

    Componente qumicoAmidoCinzaFibra crualeo-resinaleos essenciaisPiperinaResinaUmidade

    Teor encontrado no gro (%)22,00 48,005,00 6,0010,30 18,3010,03 14,802,37 5,7039,37 69,095,98 10,0612 14

    Na Tabela 3, so apresentados os prin-cipais componentes qumicos e os limitesde variao encontrados nos gros das cul-tivares de pimenta-do-reino, exploradas co-mercialmente.

    Coeficientes Tcnicos

    A Tabela 4 mostra a quantidade de mo-de-obra e de insumos necessrios para a ins-talao de 1 ha de pimenta-do-reino. Combase nesses dados, o agricultor pode fazersua prpria previso de custos, usando como

  • 71

    Tabela 4. Coeficientes tcnicos para instalao de 1 ha depimenta-do-reino com 1.600 ps.

    1. Preparo da rea a) Manual Brocagem Derrubada (machado) Aceiro Queimada EncoivaramentoDestocamento (tocos menores) b) Mecnico

    BrocagemDerrubada (motosserra)AceiroQueimada (aps 6 dias)Limpeza (trator de esteira)Limpeza manual

    Gradeamento (trator de rodas)2. Calagem3. Preparo das leiras4. Piqueteamento5. Enterrio do estaco6. Abertura das covas e adubao7. Plantio das mudas (250 ps)8. Capina Manual (enxada) Qumica Coroamento (R$ 0,05/p)Aplicao de glifosato (Round-up)Aplicao de Paraquat (Gramoxone)9. Drenagem a) Manual (enxadeco) b) Mecanizada (retroescavadeira)10. Adubao qumica11. Adubao foliar12. Amarrio13. Refazer amontoa14. Colheita (3 ano)15. Beneficiamento

    a) Debulhamento (1.500 kg) (R$ 0,03/kg)b) Secagemc) Ventilao (4.500 kg)

    10 HD10HD2 HD HD25 HD20 HD

    10 HD1 HD2 HD HD4 hT10 HD4 Ht4 HD20 HD6 HD19 HD22 HD6 HD

    12 HD

    1 HD2 HD

    30 HD24 h3 HD3 HD4 HD6 HD90 HD

    10 HD1 HD

    Atividade Quantidade/Unidade

  • 72

    referncia os preos unitrios de cada fatorde produo, em sua regio.

    Os coeficientes tcnicos para instalao dejardins clonais, em rea de capoeira raleada,com vistas produo de mudas, no siste-ma em espaldeira, so apresentados naTabela 5.

  • 73

    0,5 HD0,5 HD

    1 HD10 HD

    2 HD1 HD

    0,56 HD

    12 HD10 HD

    3 HD1,5 HD18 HD

    5 Mil2 t

    60 kg50 kg

    2 unid.1 kg1 L

    1 kg1 L

    1 unid.

    Tabela 5. Coeficientes tcnicos para produo de 5 mil mudasde pimenta-do-reino, no primeiro ano de atividade, em rea decapoeira raleada.

    Componentes do sistema

    1. Mo-de-obra Escolha de pimentais sadios Seleo de matrizes no campo Pulverizao das matrizes Construo das espaldeiras Preparo e manuteno do pr-enraizador Corte das estacas e tratamento qumico, plantio Plantio das mudas nas espaldeiras Manuteno das plantas na espaldeira Irrigao das mudas Enchimento de 1.000 sacos de plstico Transporte do adubo orgnico Adubao qumica e orgnica Corte de 30 folhas, esteiros, enterrio e amarrio2. Insumos Sacos de plstico pretos, perfurados Esterco de gado curtido Cinza oriunda da queimada Fertilizante qumico (NPK: 10-10-10) Tesoura de podar Carbendazin Dimetoato Oxicloreto de cobre Adubo foliar

    Quantidade/Unidade

  • Endereos

    Embrapa Informao TecnolgicaParque Estao Biolgica (PqEB)

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    Embrapa Amaznia OrientalTravessa Dr. Enas Pinheiro, s/n.

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    sac@cpatu.embrapa.brwww.cpatu.embrapa.br

  • Coleo Plantar

    Ttulos Lanados

    A cultura do alhoAs culturas da ervilha da lentilhaA cultura da mandioquinha-salsa

    O cultivo de hortaliasA cultura do tomateiro (para mesa)

    A cultura do pssegoA cultura do morangoA cultura do aspargoA cultura da ameixeiraA cultura da manga

    Propagao do abacaxizeiroA cultura do abacaxiA cultura do chuchu

    Produo de mudas de mangaA cultura da ma

    A cultura do urucumA cultura da pimenta-do-reino

    A cultura da castanha-do-brasilA cultura do cupuauA cultura da pupunha

    A cultura do aaA cultura da goiaba

    A cultura do mangostoA cultura do guaran

  • A cultura da batata-doceA cultura da graviolaA cultura do dendA cultura do caju

    A cultura da amora-preta (2 edio)A cultura da melancia

    A cultura do mamo (2 edio)A cultura da banana (2 edio)

    A cultura do limo-taiti (2 edio)A cultura da acerola (2 edio)

    A cultura do maracuj (2 edio)A cultura da batata

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