a conjuração anticristã (tomo 3)

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  • 7

    M O NSE N H O R H E NRI D E L ASSUS Doutor em Teologia

    A C O N J U R A O A N T I C R I S T

    O T emplo Manico

    que quer se erguer sobre as runas da

    Igre ja Catlica

    Asportasdoinfernonoprevalecero

    contraEla.

    (Mat.,XVI,18)

    TOMO III

  • bslBSL logo Portugal

  • 8

    NIHIL OBSTAT:

    Insulis, die 11 Novembris 1910.

    H . Q UI L L I E T , s. th. d.

    librorum censor

    IMPRIMATUR

    Cameraci, die 12 Novembris 1910.

    A . M ASSA R T , vic. gen.

    Domus Pontificiae Antistes.

    Traduzido do original francs

    "La Conjuration Antichrtienne - Le Temple Maonique

    voulant s'lever sur les ruines de l'glise Catholique",

    impresso por Socit Saint-Augustin

    Descle, De Brouwer et Cie.

    LILLE, 41, Rue du Metz

  • 9

    III

    SOLUODAQUESTO

    OMUNDO

    CUETERRA

    ESEUENIGMA

    IAOBRADOAMORETERNO

    EAQUEDA

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    CAPTULO lii

    A O BR A D O A M O R E T E RN O A partir del siglo XVIII la conjuracin anticristiana concentr su principal

    empeo en Francia, hija primognita de la Iglesia. Y, pues, principalmente ah que debemos observarla. Pero como esa conjuracin se extiende a toda la tierra, debemos frecuentemente hacer incursiones en otras partes del mundo para seguir a sus agentes.

    partir do sculo XVIII a conjurao anti-crist concentrou seu principal empenho na Frana, filha primognita da Igreja. , pois, principalmente a que devemos observ-la. Mas como essa conjurao se estende a toda a terra, devemos

    freqentemente fazer incurses em outras partes do mundo para seguir os seus agentes.

    Seus ltimos atos introduziram no cenrio um novo personagem ao qual parece pertencer o primeiro papel. Os franco-maons conduziram-nos aos judeus, em seguida os judeus nos colocaram na presena de Sat.

    Se, pois, desejamos ter uma idia completa e aprofundada da conjurao anti-crist, ele que devemos agora estudar. Quem ele? Que ele quer? Como ele se pe em contacto com os homens e para que fim?

    Uma vez feito esse estudo, deveremos procurar saber se em oposio ao satnica no existe uma outra ao extranatural para combat-la; e se acharmos que existe, deveremos perguntar a quem deve pertencer a vitria.

    Essas questes convidam-nos para as altas regies da filosofia e da teologia. Que nossos leitores no se assustem, com receio de no compreenderem, e no pulem estas pginas. Seremos suficientemente claro, cremos, para que possam seguir sem esforo e encontrar neste estudo um interesse tanto mais cativante quanto mais elevada a ordem em que ele se realiza.

    A explicao da presena do demnio no nosso mundo e a ao funesta que nele exerce

    invocam a questo preliminar do mal e suas origens, e a questo do mal no pode ser resolvida seno com o conhecimento do ser, do ser sobrenatural como do ser natural.

    O ser existe, no posso neg-lo: tenho conscincia de minha existncia e tenho a viso e o contacto com mil e mil objetos que me rodeiam, que agem sobre mim e sobre os quais exero minha ao.

    Existo, mas no existia h cem anos. Eu era menos do que um gro de areia perdido no fundo dos mares. Como existo? No posso explic-lo seno atravs da ao de um outro ser, anterior minha existncia e que me produziu, assim como eu mesmo produzo. E assim como todas as coisas que me circundam, o prprio cu e a prpria terra, tiveram comeo, minha razo conclui pela existncia de um primeiro Ser, que existe, Ele, por Si mesmo, e por conseqncia, eterno. Um tal Ser pode sozinho tirar todas as coisasdaausnciaeterna,afim de que elas existam com Ele.

    A razo que no deseja enganar-se a si mesma no pode se impedir de remontar dessa forma do ser contingente e limitado que , e cuja presena ela observa fora de si, ao Ser necessrio, que carrega em si mesmo a razo do seu ser.

    Existindo em Si mesmo, tendo em si o princpio do ser, ele pode ser a fonte eterna. Por que quis Ele que com Ele existssemos? No podemos oferecer outras razes que no estas: Ele quis ver imagens da sua essncia,

    porque isto que somos. Ele quis transbordar as idias que nEle existem e transmitir sua felicidade.

    Bonnum est diffusivum sui, disse So Toms de Aquino depois de Aristteles. O bem encontra prazer em se difundir, sua natureza de se dar. Conseqentemente, o Bem infinito, o

    A

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    Ser infinito tem um desejo infinito de se comunicar. O apstolo So Joo, inspirado por Deus, deu dEle essa definio: Deus amor, Deus charitas est. , pois, no amor que existe em Deus, que Deus, que se encontra o motivo da criao e o princpio de todas as criaturas.

    Deus se conhece infinitamente porque se ama infinitamente. Conhecer, amar, esta a vida das inteligncias. Conhecer-se, amar-se, no Ser infinito a vida absoluta. Assim Deus chamado nas Sagradas Escrituras: o Deus que vive.1 A vida em Deus Ele no-lo revelou a gerao do Verbo e a exalao do Amor, relaes inefveis de onde promanam as trs Pessoas que constituem a natureza divina.

    Nos transportes do seu amor natural, as trs Pessoas divinas chamaram do nada novas pessoas para nelas verem a repetio da sua felicidade.2 Elas nos concederam o dom do ser, da vida e da inteligncia para nos amarem e para serem amadas por ns, para obterem essa glria acidental e derramar em ns algo da felicidade dElas. Tal o mistrio da criao: exploso do Amor de Deus, como diz Saint-Bonnet, transbordamento do amor infinito. Deus bom, Ele impelido por Sua natureza a Se dar. Tal a evidncia que se coloca diante do homem quando ele reflete sobre o que ele , sobre o que o universo.

    Blanc de Saint-Bonnet comea o livro pstumo editado pela piedade fraternal, com o ttulo de LAmouretlaChute [O Amor e a Queda], com estas palavras:

    Ocristianismotorna-se hoje menos visvel aos espritos nas suas duas grandes noes: o Amor, que a vida de Deus, e a queda que compromete a vida do homem. Esse esquecimento, que produz todos os nossos males, ameaa deixar desabar a civilizao. Se o pensamento da queda do homem e do amor que Deus lhe vota pudesse entrar de novo nos espritos tudomudaria de aspecto na Europa. Todos os escritores que compreenderam aRevoluo, que gostariam de libertar o mundo dela, esforam-se em restaurar o pensamento da queda. O divino Salvador Jesus encarregou-se a Si mesmo de restaurar o pensamento do amor, manifestando o abrasamento do seu Sagrado Corao.

    Deus no podia satisfazer sua Bondade no dom da existncia de uma nica criatura, como no podia esgotar sua Beleza numa nica imagem da sua essncia. Ele ento multiplicou suas criaturas e multiplicou as espcies (species, imagem). Deus, diz So Toms de Aquino, transportou as idias ao ser para comunicar s criaturas sua bondade e represent-la nelas.3 Ele produziu naturezas mltiplas e diversas a fim de que aquilo que falta a uma delas para representarsuaBondadedivinasejasupridoporoutra.Eacrescenta:Existedistinoformal para os seres que so de espcie diferente; existe distino material para aqueles que diferem apenas do ponto de vista numrico. Nas coisas incorruptveis (os puros espritos) existe somenteum indivduoparacadaespcie. A incontvelmultidodos anjos apresenta, pois, graus infinitos de perfeio sempre mais alta, de beleza sempre mais perfeita, de bondade sempre mais comunicativa.

    Puros espritos e seres materiais no constituem toda a criao. Deus tambm produziu os seres mistos, que somos ns, animais racionais compostos de corpo e de alma. O conjunto desses seres formaomundo. Aquelequeviveeternamente, diz aSagradaEscritura, crioutudoaomesmotempo.4 Os seres animados no puderam aparecer seno quando a matria

    1 A palavra Deus, com a qual se denomina o Infinito, deriva de um verbo grego que significa: viver. 2 Somente as inteligncias, somente as pessoas so capazes de felicidade; mas se as criaturas materiais no so feitas para serem felizes, elas o so para contribuir para a felicidade dos seres espirituais. 3 Summa Theologica, parte I, q. XLVI. Nas edies ordinrias esta questo contm apenas trs artigos. No manuscrito 138 da Biblioteca de Monte Cassino encontra-se um outro, que est reproduzido na edio das obras de So Toms, publicada por Leo XIII: Da subordinao das coisas. 4 Ecles. XVIII, 1. Deus simul ab initio temporis utrumque de nihilo condidit creaturam, spiritalem et corporalem, angelicam videlicet et mundanum et deinde humanam quasi comunem ex spiritu et corpore constitutam (4 Conclio de Latro, cap. 1).

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    chegou ao ponto de poder prestar-se formao dos seus corpos. Eles existiram inicialmente apenas no princpio de suas espcies, que se desenvolveu em indivduos atravs de sucessivas geraes.

    Assimnasceuomundo:OmundofoifeitoporEle,dizSoJoo.5 Colocando no singular aexpressoomundo,oapstoloassinalaqueexisteapenasummundo,querdizer,quenose encontra na criao nenhuma parte que seja estranha s outras.

    Mas, nessa unidade, que multiplicidade e que diversidade! Falando apenas dos anjos, Daniel6 exclama:MilmilharesOservemeumamiradedemiradesOassiste,oSenhordosexrcitos,oSenhordetodaahierarquiadasdiversasordens de seres.

    Comentandoessapalavra,dizSoToms:Osanjosformamumamultidoqueultrapassatoda a multidomaterial. EleseapiasobreoqueSoDenis,oAreopagita, diz no captulo XIV da Hierarquia Celeste: So numerosas as bem-aventuradas falanges dos espritos celestes; elas ultrapassam a medida nfima e restrita dos nossos nmerosmateriais.7

    Ora, formando uma espcie nica para si, cada um desses espritos reflete, por assim dizer, um ponto do infinito, constitui uma imagem diferente da perfeio divina, um resplendor especial da divina Bondade. Que imaginao poderia representar o esplendor crescente desses espelhos da divindade que, partindo dos confins do mundo humano, vo, subindo sempre