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  • ESTUDO

    Cmara dos Deputados Praa dos Trs Poderes Consultoria Legislativa Anexo III - Trreo Braslia - DF

    A COMUNIDADE DOS PASES DA LNGUA

    PORTUGUESA (CPLP) NA REGIO

    DA SIA-PACFICO

    Maria Ester Mena Barreto Camino Consultora Legislativa da rea XVIII

    Direito Internacional Pblico e Relaes Internacionais

    ESTUDO

    OUTUBRO/2013

  • 2

    SUMRIO

    1. COMUNIDADE DOS PASES DE LNGUA PORTUGUESA: FORMAO E ESTRUTURA ............ 3

    1.1. Consideraes gerais ..................................................................................................................................... 3

    1.2. Estrutura........................................................................................................................................................ 4

    1.3. A influncia da CPLP ................................................................................................................................... 6

    1.3.1. Geopoltica e a CPLP na sia ................................................................................................................... 6

    1.3.1.1. Timor-Leste ............................................................................................................................................. 7

    2. CONSIDERAES GERAIS REFERENTES LUSOFONIA ................................................................. 11

    2.1. Pinceladas histricas .................................................................................................................................... 11

    2.2. O domnio da lngua portuguesa no mundo contemporneo ................................................................... 12

    2.3. Regies da sia com influncia lusfona que no fazem parte da CPLP ................................................. 14

    2.3.1. Macau ....................................................................................................................................................... 14

    2.3.2. Goa ........................................................................................................................................................... 16

    2.3.3. Malaca ....................................................................................................................................................... 19

    2.3.4. Diu e Damo ............................................................................................................................................ 21

    3. A IMPORTNCIA ESTRATGICA DA LUSOFONIA NA SIA ........................................................... 21

    4. CONSIDERAES FINAIS ........................................................................................................................... 26

    2013 Cmara dos Deputados.

    Todos os direitos reservados. Este trabalho poder ser reproduzido ou transmitido na ntegra, desde

    que citados(as) o(a) autor(a) e a Consultoria Legislativa da Cmara dos Deputados. So vedadas a

    venda, a reproduo parcial e a traduo, sem autorizao prvia por escrito da Cmara dos

    Deputados.

    Este trabalho de inteira responsabilidade de seu(sua) autor(a), no representando necessariamente a

    opinio da Cmara dos Deputados.

  • 3

    A COMUNIDADE DOS PASES DE LNGUA PORTUGUESA

    (CPLP) NA REGIO DA SIA-PACFICO

    Maria Ester Mena Barreto Camino

    1. COMUNIDADE DOS PASES DE LNGUA PORTUGUESA: FORMAO E

    ESTRUTURA

    1.1. Consideraes gerais

    O ponto de partida para a formao da Comunidade dos Pases de

    Lngua Portuguesa (CPLP) aconteceu em novembro de 1989 ,quando foi decidida a criao

    do Instituto Internacional da Lngua Portuguesa (IILP), em So Lus do Maranho, por

    ocasio da realizao do primeiro encontro dos Chefes de Estado e de Governo dos pases

    de Lngua Portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guin-Bissau, Moambique, Portugal e

    So Tom e Prncipe), realizado a convite do ento Presidente Jos Sarney. Esse instituto

    hoje faz parte integrante da CPLP, nos termos do captulo III, artigos 9 e 10 do seu estatuto,

    estando incumbido, no mbito da organizao, da planificao e execuo de programas de promoo,

    defesa, enriquecimento e difuso da Lngua Portuguesa, como veculo de cultura, educao, informao e acesso ao

    conhecimento cientfico, tecnolgico e de utilizao em fora internacionais.1

    Para Amorim (2011, p.485-486), os primrdios da CPLP esto no

    governo do Presidente Sarney, mas a ideia de criao da CPLP surgiu no governo Itamar

    Franco, promovida pelo embaixador Jos Aparecido de Oliveira, conquanto, formalmente,

    s se tenha concretizado no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.2

    A CPLP foi estabelecida em julho de 1996, na I Conferncia de

    Chefes de Estado e de Governo dos Pases de Lngua Portuguesa, em Lisboa (Cimeira

    Constitutiva).

    Fazem parte da Comunidade dos Pases da Lngua Portuguesa

    (CPLP), os seguintes Estados: nas Amricas, o Brasil; na frica, Angola, Cabo Verde,

    Guin-Bissau, Moambique e So Tom e Prncipe; na sia, o Timor-Leste (que se integrou

    comunidade logo aps a sua independncia em 2002) e, na Europa, Portugal.

    1 Disponvel em: http://www.cplp.org/Files/Filer/cplp/CCEG/IX_CCEG/Estatutos-CPLP.pdf Acesso em:

    21 out. 13 2 AMORIM, Celso. Conversas com jovens diplomatas. Rio de Janeiro: Benvir, 2011.

    http://www.cplp.org/Files/Filer/cplp/CCEG/IX_CCEG/Estatutos-CPLP.pdf

  • 4

    Para o Ministrio das Relaes Exteriores, a CPLP ...constitui foro

    privilegiado para o aprofundamento das relaes entre seus Membros, que se beneficiam de laos histricos, tnicos e

    culturais comuns. Baseada no princpio da solidariedade, a Comunidade concentra suas aes em trs objetivos

    gerais: a concertao poltico-diplomtica; a cooperao em todos os domnios; e a promoo e difuso da lngua

    portuguesa.

    No mbito da concertao poltica, ...destacam-se a coordenao de posies

    nos foros multilaterais, bem como a cooperao na rea eleitoral, inclusive por meio de misses conjuntas de

    observadores nas eleies dos Estados membros. Sublinha o Itamaraty que os pases africanos de

    lngua oficial portuguesa (PALOP) e Timor-Leste so, atualmente, ...os principais recipiendrios

    da cooperao prestada pelo Brasil, a qual tem priorizado a capacitao nas reas de formao profissional,

    segurana alimentar, agricultura, sade e fortalecimento institucional, entre outras. 3

    1.2. Estrutura

    A CPLP compe-se de um Secretariado Executivo e de trs rgos

    deliberativos: a Conferncia de Chefes de Estado e Governo (com reunies bianuais); o

    Conselho de Ministros dos Negcios Estrangeiros e das Relaes Exteriores (com reunies

    anuais); e o Comit de Concertao Permanente (CCP, com reunies mensais).

    regra estatutria da instituio que todas as decises devem ser

    tomadas por consenso dos Estados membros presentes s reunies (Artigo 23, 1).

    A representao brasileira junto CPLP acontece por meio de uma

    Delegao permanente, criada junto sede da organizao, em Lisboa, em 2006.

    Qualquer Estado, desde que utilize o portugus como lngua oficial,

    poder tornar-se membro da CPLP, mediante a adeso sem reservas aos seus Estatutos, nos

    termos do Artigo 6. Em contrapartida, do ponto de vista institucional da CPLP, a

    admisso CPLP de um novo Estado poder ocorrer desde que haja deciso unnime da

    Conferncia de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, passando a deciso a ter efeito

    imediato (art.6, 2).

    As outras possibilidades de participao de Estados ou entidades

    nessa organizao ocorrem, nos termos do art. 8 dos seus Estatutos, por meio das

    categorias de Observador Associado e Observador Consultivo. Todavia, ao prever essas hipteses, os

    dispositivos estatutrios tambm preveem a possibilidade de reunies serem realizadas sem

    esses observadores, se assim tiver sido deliberado, aps ter sido requerido por algum dos

    Estados Partes participantes.

    3 Disponvel em: http://www.itamaraty.gov.br/temas/mecanismos-inter-regionais/cplp Acesso em: 21

    out. 13

    http://www.itamaraty.gov.br/temas/mecanismos-inter-regionais/cplp

  • 5

    A primeira hiptese de participao externa, na categoria de

    observador associado, poder ser atribuda a Estados, ou a organizaes internacionais,

    universais ou regionais, assim como a organismos intergovernamentais e entidades

    territoriais dotadas de rgos de administrao autnomos, que partilhem dos princpios

    orientadores da Comunidade, especialmente no que se refere promoo das prticas

    democrticas, boa governana e ao respeito dos Direitos Humanos, buscando, atravs das

    suas polticas e dos seus programas, objetivos idnticos aos da CPLP.

    A categoria de observador consultivo, de outro lado, poder ser

    atribuda, tambm nos termos e ritos previstos no Artigo 8, a organizaes de carter

    pblico ou privado que gozem de autonomia e que comunguem dos princpios orientadores

    da organizao, atravs do respetivo envolvimento em iniciativas relacionadas com aes

    especificas no mbito da CPLP.

    Segundo informa o Itamaraty, tm, atualmente, status de

    observadores associados junto CPLP, o Senegal (onde francs o idioma oficial), a Guin

    Equatorial (que, alm do espanhol e francs, recentemente declarou o portugus como

    lngua oficial), e as Ilhas Maurcio (onde o idioma oficial o ingls, mas onde o crioulo

    idioma corrente), enquanto mais de cinquenta organizaes da sociedade civil participam da