a colméia e a abelha (l. l. langstroth)

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  • A Colmia e a Abelha do Langstroth

    Manual Clssico de Apicultura

    L. L. Langstroth

    Traduo C. A. Osowski

  • Assim trabalham as abelhas,

    Criaturas, que por uma lei natural, ensinam A arte da disciplina para o povo do reino. - Sheaskpeare

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  • A Colmia e a Abelha

    do Langstroth

    O Manual Clssico de Apicultura

    L. L. Langstroth

  • A Colmia e a Abelha 3

    Introduo

    Sinto-me feliz por saber do meu amigo Sr. Langstroth, que est prestes a ser lanada uma nova edio do seu trabalho so-bre A Colmia e as Abelhas; considero-o, de longe, de entre todos que tenho conhecido, o mais valioso tratado sobre este assunto. Tomei conhecimento das principais caractersticas de seu siste-ma de apicultura alguns anos antes de sua publicao; j naque-la data me certifiquei que ele era incomparavelmente superior a todos os outros sobre os quais eu tinha lido ou dos quais tinha ouvido falar. Esta convico foi grandemente reforada pelo tes-temunho de outras pessoas, bem como pelos resultados conse-guidos com minhas observaes.

    Durante minha vida tive experincia relevante no manejo das abelhas e, me atrevo a dizer, a colmia criada pelo Sr. Langstroth , em todos os aspectos, muito superior a qualquer outra que eu j tenha visto, seja aqui seja no exterior. Realmente no acredito que algum, tendo real interesse em criar abelhas, possa, por um momento sequer, hesitar em us-la; ou melhor, possa, quando tomar conhecimento da sua natureza e mritos, ser induzido a usar qualquer outra.

    Ao longo deste trabalho desvendado o verdadeiro segredo para fazer que esta comunidade de insetos, a mais industriosa, interessante e til, trabalhe e viva em moradias tanto confort-veis para elas mesmas quanto maravilhosamente convenientes para sua sociedade, sua diviso e seu rpido crescimento; e tudo isto sem diminuir a produtividade do seu trabalho ou lanar mo da cruel necessidade de as destruir.

    O Sr. Langstroth nos ensina em seu livro como criar abelhas sem muito trabalho e sem o risco de sofrer com a arma que o Criador lhes forneceu para sua prpria defesa. At mesmo uma delicada senhora no precisa temer de levar em frente a tarefa de se dedicar a este fascinante ramo da Economia Rural. Nada mais fcil para qualquer famlia que reside numa situao favo-rvel do que ter algumas colnias, e com custo mnimo. Espero, sinceramente, que muitos tirem proveito das facilidades coloca-

  • 4 L. L. Langstroth

    das sua frente para ter sucesso com este fcil ramo de ativida-de, no apenas tendo em vista grandes lucros, em comparao aos custos, que dele se pode conseguir, mas tambm pelo grande prazer que se pode encontrar na observao dos hbitos destas pequenas e maravilhosas criaturas. Quo notavelmente a sua organizao geral ilustra a sabedoria e a habilidade do Grande Criador de todas as coisas.

    No posso acreditar que muitos Ministros do Evangelho, re-sidindo na zona rural, no aceitem a generosa oferta do Sr. Langstroth de livre uso de sua inveno. Com muito pouco tra-balho e custo eles podem obter da apicultura considerveis lu-cros, bem como muito prazer. Nenhuma outra atividade indus-trial ou material pode ser mais inocente, ou menos inconsistente com suas obrigaes.

    Poucas so as regies de nosso pas que no so admiravel-mente apropriadas para a criao de abelhas. A sade da nao ser beneficiada em milhes de dlares se cada famlia, favora-velmente situada para a apicultura, mantiver algumas colmias. No se consegue citar nenhum outro ramo de atividade no qual ocorram perdas to reduzidas do material utilizado, ou que seus lucros se originem do vasto e inesgotvel domnio da Natureza.

    Tenho certeza que o trabalho do Sr. Langstroth contribuir grandemente para instalar um departamento da Economia Rural que, neste pas, tem recebido at agora to pouca ateno da ci-ncia. Cabe-lhe muito bem o ttulo de Benfeitor; infinitamente com mais razo do que a muitos outros que, no mundo inteiro e em todos os tempos, tm recebido este honroso ttulo. No se passaro muitos anos para que sua valiosa inveno seja exten-samente utilizada, tanto no Mundo Antigo como no Novo. pre-ciso apenas que seus grandes mritos sejam conhecidos e o tem-po, certamente, far o resto.

    ROBERT BAIRD

  • A Colmia e a Abelha 5

    Prefcio

    Animado pelo interesse com que a edio anterior deste tra-balho foi recebida submeto ao pblico uma Edio Revisada, i-lustrada com novas figuras e contendo minhas ltimas descober-tas e melhorias. A informao aqui apresentada se adapta no somente para os usurios da colmia de quadros mveis mas a todos que tm interesse numa apicultura rentvel com qualquer colmia, ou com qualquer sistema de manejo.

    Impedido, mui severamente, por causa da sade debilitada, de cumprir com as obrigaes de minha profisso e compelido a procurar uma atividade que me levasse, tanto quanto possvel, para a natureza, alimentei a esperana de que meu trabalho numa rea da Economia Rural pudesse ser proveitoso para a comunidade. A apicultura vista na Europa como uma atividade intelectual e todo aquele que estuda os maravilhosos hbitos deste til inseto, sempre encontrar material para novas e e-xaustivas observaes. O Criador afixou o selo de sua Infinitude em todo o seu trabalho, assim impossvel, at mesmo nos m-nimos objetos, "procurando, no encontrar o Onipotente perfei-tamente". Em nenhum deles, porm, ele se mostrou mais clara-mente do que na organizao das abelhas:

    "What well-appoited commonwealths! when each Adds to the stock of happiness for all; Wisdoms own forums! whose professors teach Eloquent lessons in their vaulted hall! Galleries of art! And schools of industry! Stores of rich fragrance! Orchestras of song! What marvellous seats of hidden alchemy! How oft, when wandering far and erring long, Man might learn truth and viertue from the BEE!

    BOWRING.

    Chamamos a ateno, em particular, dos Ministros do Evan-gelho para este ramo da Histria Natural. Uma familiaridade n-tima com as maravilhas das abelhas traz, de vrias formas, be-nefcio para eles e pode, ao mesmo tempo, lev-los, em seus sermes, a imitar mais de perto o exemplo Dele que ilustrava

  • 6 L. L. Langstroth

    seus ensinamentos com "os pssaros do ar e os lrios do campo", bem como com o caminho normal da vida e as atarefadas ativi-dades do homem.

    Sou feliz em reconhecer minhas dvidas com o Sr. Samuel Wagner, de York, Pensilvnia, pela ajuda material na preparao deste Tratado. Meus leitores sentir-se-o devedores pelas infor-maes extremamente valiosas obtidas graas sua extensiva e precisa familiaridade com a apicultura alem,

    L. L. LANGSTROTH

    OXFORD, BUTLER COUNTY, OHIO, MARO, 1859.

  • A Colmia e a Abelha 7

    ndice

    Pgina

    Lista das Lminas e Explicao das Ilustraes so-bre a Histria natural das Abelhas ....................... 13

    Captulo

    I. FATOS LIGADOS INVENO DA

    COLMIA DE QUADROS MVEIS ................. 11 II. AS ABELHAS SO TRATVEIS ....................... 21

    III. A RAINHA OU ME DAS ABELHAS; OS ZANGES; AS OPERRIAS; FATOS DA SUA HISTRIA NATURAL ............................. 25

    IV. FAVO ............................................................. 59 V. PRPOLIS ...................................................... 67

    VI. PLEN OU "PO DA ABELHA" ........................ 71 VII. VENTILAO DA COLMIA ............................ 77

    VIII. REQUISITOS DE UMA COLMIA IDEAL.......... 83 IX. ENXAMEAO NATURAL E

    ALOJAMENTO DE ENXAMES ....................... 95 X. ENXAMEAO ARTIFICIAL .......................... 123

    XI. PERDA DA RAINHA ...................................... 181 XII. A TRAA DA CERA E OUTROS INIMIGOS

    DAS ABELHAS - DOENAS DAS ABELHAS ................................................... 195

    XIII. PILHAGEM E COMO PREVENIR ................... 225 XIV. INSTRUES PARA ALIMENTAR AS

    ABELHAS ................................................... 231 XV. O APIRIO - COMPRA DE ABELHAS -

    TRANSFERNCIA DE ABELHAS DAS COLMIAS COMUNS PARA AS COLMIAS DE QUADROS MVEIS ............. 243

    XVI. MEL ............................................................. 249

  • 8 L. L. Langstroth

    XVII. FORRAGEM APCOLA SUPER-POVOAMENTO ........................................... 255

    XVIII. AGRESSIVIDADE DAS ABELHAS REMDIO PARA SUA FERROADA ............... 269

    XIX. ABELHA ITALIANA ....................................... 279 XX. TAMANHO, FORMA E MATERIAL DAS

    COLMIAS NCLEO DE OBSERVAO ...... 289 XXI. HIBERNANDO AS ABELHAS ......................... 295

    XXII. CALENDRIO DO APICULTOR AXIOMAS DO APICULTOR .......................................... 317

  • A Colmia e a Abelha 9

    Colmia de Quadros Mveis, com todos os Vidros.

  • A Colmia e a Abelha 11

    A COLMIA E A ABELHA

    CAPTULO I

    FFFAAATTTOOOSSS LLLIIIGGGAAADDDOOOSSS IIINNNVVVEEENNNOOO DDDAAA CCCOOOLLLMMMIIIAAA DDDEEE QQQUUUAAADDDRRROOOSSS MMMVVVEEEIIISSS

    A apicultura neste pas est em situao deprimente, encon-trando-se totalmente abandonada pela grande maioria dos mais favoravelmente situados para dela se ocuparem. No obstante as inmeras colmias que foram criadas, a devastao pela traa da cera1 aumentou e o sucesso tem se tornado mais e mais incerto. Enquanto muitos abandonaram a atividade por desgosto, mui-tos, mesmo os mais experientes, comeam a suspeitar que todas as assim chamadas "Colmias Melhoradas" no passam de uma iluso ou embuste