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  • MARINA MAYUMI BARTALINI

    A CIDADE, A ARTE E A EDUCAO A EXPERINCIA DAS DERIVAS

    URBANAS E SUA POTENCIALIDADE EDUCATIVA

    CAMPINAS 2013

    i

  • ii

  • v

    Profa. Dra. Alda Regina Romaguera

    Prof. Dr. Marco Antnio Alves do Valle

  • vi

  • AGRADECIMENTOS

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  • viii

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  • RESUMO

    De que maneira nossa vivncia na cidade pode ser menos montona para gerar experincias significativas que nos faam produzir novos sentidos para seus usos e novas maneiras de habit-la? Como a arte pode ser usada para nos expressarmos em meio ao caos urbano? De que maneira as experincias na cidade, na arte e na educao, podem interagir entre si, configurando um pensamento em todos esses campos que possam inspirar educadores e artistas em seus processos? A presente pesquisa envereda por possveis caminhos que levem reflexo destas perguntas por meio do relato de experincias em diversas cidades por onde passei, relacionando-as s prticas educativas em espaos de educao no-formal situados na cidade de Campinas, So Paulo, especificamente nos bairros Jardim So Marcos e Satlite ris I. A presente dissertao transcorre por experincias que ora so de mapeamento, que orientam os percursos quanto aos pontos de partidas e chegadas, ora so labirnticas, que visam a desorientao por meio de derivas, por caminhos incertos, que so feitos para perder-se. Busco, a partir do mapa ou labirinto, relacionar as experincias de viagem, de trabalho, de vivncias nas cidades onde morei, com proposies de atividades no campo da educao. As derivas, as intervenes urbanas e os mapeamentos foram as prticas utilizadas para potencializar e inspirar processos educativos que levem em conta a cidade como um campo de experimentaes e aprendizagens valiosas. Palavras-chave: Arte; Cidade; Educao; Derivas; Interveno Urbana; Mapas; Educao no formal.

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  • xii

  • ABSTRACT

    How our living experience in a city could be less monotonic so that relevant facts enable us to produce new senses, feelings or even new ways to live in such context? How could art be expressed in such caothic environment? How could the experiences in art, city and education interact together in order to structure thoughts that could inspire educators and artists in their processes? The current research is based on possible alternatives to make people think about such questions through experienced facts in several cities I've lived in and relating them to educational practices in places where no formal education happens, for example, Campinas, So Paulo, specifically in boroughs Jardim So Marcos and Satlite Iris I. This reserch also goes by experiences that are related either to mapping strategies, which guide the route from start to end, or to labyrinthine strategies, which aim to disorient people by derive to uncertain paths that are build with the purpose to make people feel disoriented. Herewith I seek for the map or labyrinth, taking into consideration, travel, business, living experiences in the cities where I lived, with the proposal for educational activities. Deriv, Urban Intervention and Maps were the chosen practice to potencialize and also inspire educational processes in which the city is regarded as an experiment field and valuable learning experiences. Key-word: Art; City; Education; Deriv; Urban Intervention; Maps; No formal education.

    xiii

  • xiv

    SUMRIO

  • I ESTILHAOS ...........................................................................................................21 A CIDADE CONTROLADA ...............................................................................23 A CIDADE ACALORADA...................................................................................29 A CIDADE MULTICOLOR..................................................................................33 A CIDADE IMAGINADA......................................................................................37 A CIDADE INUSITADA.......................................................................................41 A CIDADE EDUCATIVA......................................................................................47 A CIDADE MEDIEVAL........................................................................................51 II PERCURSO...............................................................................................................61 O MTODO CARTOGRFICO ..........................................................................66 III LABIRINTO...............................................................................................................85 A CIDADE-LABIRINTO.......................................................................................86 A FLANERIE...................................................................................................... 89 AS ERRNCIAS................................................................................................ .92 AS DERIVAS.......................................................................................................95 IV MAPAS.....................................................................................................................111

    OUTRAS CARTOGRAFIAS...............................................................................114 O MAPA E O BAIRRO........................................................................................116 A INTERVENO URBANA E OS ESPAOS ESQUECIDOS..........................119 REORGANIZAES DE LIXO...........................................................................122 CAD?/ACHEI! ..................................................................................................123 OS MAPAS NO SO A REPRESENTAO DO TERRITRIO......................124 V LINHAS DE CONTINUIDADE....................................................................................127 PULANDO O MURO DA ESCOLA.......................................................................127 VI REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS...........................................................................131 xv

  • xvi

  • Os fragmentos so separaes inacabadas; o que eles tm de

    incompleto, de insuficiente, trabalho da decepo, sua deriva, o

    sinal de que, nem unificveis, nem consistentes, eles se deixam

    separar por marcas com as quais o pensamento, ao declinar,

    imagina conjuntos furtivos que, ficticiamente, abrem e fecham a

    ausncia de conjunto, mas, definitivamente fascinado, no pra,

    sempre mantido pela viglia nunca interrompida.

    Maurice Blanchot

    xvii

  • xviii

  • Buenos

    Aires Tour, 2004, Jorge Macchi

    xix

  • xx

  • 21

    I ESTILHAOS

    Buenos Aires Tour (2004) um trabalho do artista visual argentino Jorge Macchi

    em parceria com a poetisa Maria Negroni e o msico Edgardo Ruditzky. Sobre um mapa

    de Buenos Aires, Macchi quebra um vidro. As rachaduras entre um estilhao e outro

    formam desenhos sobre o mapa oficial da cidade. Estes desenhos so vistos pelo artista

    como possveis caminhos para uma nova cartografia. Um mapa nascido do acaso.

    Os novos caminhos se converteram em um roteiro alternativo e experimental a

    partir da eleio de quarenta e seis pontos ao longo de oito linhas traadas sobre os

    desenhos das rachaduras. Macchi utilizou seu mapa para deambular pela cidade em

    busca de elementos que para ele, eram significativos. O artista gravou sons em alguns

    pontos das ruas por onde passou, gravou vdeos, tirou fotos e escreveu suas impresses

    em seu caderno de campo. Tudo o que foi coletado inspirou a organizao de um material

    grfico e uma instalao1, realizada em galerias e museus de arte.

    O material grfico confeccionado pelo artista um guia que ao invs de pontos

    tursticos, mostra a cidade a partir de seu carter mais efmero, em que o acaso

    permanece em jogo, j que cada pessoa que eventualmente venha a seguir o mesmo

    roteiro de Macchi, seguramente ter experincias distintas das dele. Nunca se sabe o

    que se pode encontrar nas ruas de uma cidade movimentada e complexa como Buenos

    Aires.

    Como diz Alderoqui (2002) nunca nos banhamos no mesmo rio os passeios e

    trajetos urbanos pelas ruas da cidade, as experincias, nunca sero iguais e nunca se

    esgotaro, ainda que caminhemos pelas mesmas ruas. (P.18, traduo nossa)

    1 Termo que ganhou visibilidade nos anos 60 para designar obras concebidas para um espao interior especfico, convidando o espectador a entrar literalmente dentro do trabalho de arte, o atraindo no somente pela visualidade, mas tambm, muitas vezes, por meio da audio e olfato. Alguns desses trabalhos demandam um envolvimento ativo do espectador. Disponvel em: Acesso em: 11.dez.2011.

    http://www.moma.org/collection/theme.php?theme_id=10101

  • 22

    A aleatoriedade da quebra do vidro criou um novo caminho labirntico, inusitado e

    irregular, e os pontos elegidos pelo artista so utilizados como forma de mapear os

    lugares especficos onde o artista encontrou os elementos que compem sua obra.

    O trabalho Buenos Aires Tour utilizado como imagem deflagradora para a

    construo conceitual da presente dissertao. Os estilhaos do vidro quebrado de

    Macchi so utilizados como metfora para sete experincias vivenciadas em cidades

    distintas, relatadas em forma de crnicas narrativas. Os caminhos labirnticos, que se

    formam entre os estilhaos de experincias urbanas, levam a pontos de i

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