a china e os extraterrestres

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  • A CHINA E OS EXTRATERRESTRES

    SHI BO

  • Traduo de Antonio Carlos Alves Olivieri1983

  • PREFCIO

    A China entra em campo

    Suponham que um simples cidado, em algum lugar do Leste, desejoso de coletar testemunhos sobre um assunto mal visto pela ortodoxia, empreenda a constituio de uma rede de informaes que tenha correspondentes por todo o pas. Suponham que ele recrute esses correspondentes em todos os setores da sociedade: simples pessoas do povo, mas tambm membros do Partido, Cientistas militares, professores e que, para coroar esse conjunto, ele integre em sua rede correspondentes estrangeiros - imaginem! - americanos, vale dizer, agentes do Grande Sat: que pensam vocs poderia acontecer?Ns o sabemos. O simples cidado seria preso ou internado num hospital psiquitrico, antes mesmo de realizar um quarto do surpreendente programa resumido acima. Uma rede de informaes particular, organizada inutilmente por um jornalista!Foi isso, no entanto, que fez em Pequim o sr. Shi Bo, cujo livro tenho a honra de apresentar, atestando que o espantoso programa foi realizado e prossegue muito bem.

    Expliquemos melhor.O sr. Shi Bo nasceu em Xangai em 1941. Em 1965, diplomou-se pelo Instituto de Diplomacia em Pequim. Passou a trabalhar como jornalista e logo descobriu que estranhos boatos surgiam aqui e ali em seu imenso pas sobre certas "aparies" de que a cincia no fala. Procura pesquisar, e ei-Io engajado nas atividades que acabo de descrever, compreendendo inclusive a troca de correspondncia com estrangeiros.Acontece a queda do Bando dos Quatro, grande celebrao que marca uma virada de pgina na histria da China (talvez no exato momento em que o sr. Shi Bo fazia seus contatos no estrangeiro, e principalmente com o sr. Jean Bastide, autor de notvel livro sobre a

  • simbologia dos OVNls). De qualquer forma, graas ao sr. Bastide, o sr. Shi Bo escreve sra. Simone Gallimard, em 20 de fevereiro de 1982. Num francs quase perfeito, comunica-lhe o projeto de escrever um livro sobre os OVNls na China. A sra. Gallimard mostra-se interessada e o sr. Shi Bo, em 15 de maro, lhe promete seu manuscrito para o fim do ms de junho: aproximadamente 300 pginas, quatro captulos principais, fotos e desenhos:

    Bom, algum dir, um livro chins sobre os OVNls, e da? Um pouco de calma. O manuscrito chegou no prazo estabelecido. Primeiro desempenho fora do comum: em alguns meses, o sr. Shi Bo escreveu, diretamente em francs, um documento de mestre sobre a questo, um estudo que, nesse domnio, marcar poca. Em matria de OVNI, uma iniciao digna, em todos os sentidos, do formidvel pas que a produziu. O livro que se vai ler submeteu-se apenas a correes gerais menores. O editor quis guardar-lhe o perfume original, e creio que se perderia uma parle de sua preciosa singularidade se o transformassem num livro francs. um livro chins, pensado em chins, escrito em trs meses, em francs, por um chins que somente viu sua China natal.

  • As notas do editor nos rodaps no so, claro, do sr. Shi Bo, e talvez seja esta a oportunidade de questionar o contedo da palavra liberdade neste final de sculo. O autor destas notas um cientista francs de renome, pouco preocupado em comprometer esse renome em meio a querelas venenosas e pessoais em que infalivelmente cai, no Ocidente, toda discusso sobre assunto rejeitado pelo consenso prprio da Ortodoxia.No discuto se necessria uma ortodoxia nas cincias. O assunto foi discutido muitas vezes desde Berkeley que, no sculo XVII, expunha as razes de rejeitar todo fato singular que contradissesse a teoria, at Popper e Kuhn. O leitor constatar que, de vez que eles fazem a cincia ocidental, os chineses no diferem de ns neste ponto: l tambm h homens de cincia que temem a ortodoxia sectria de seus colegas. Mas h uma diferena fundamental: no existe (ao menos, que saibamos) um Lyssenko chins. No se pem na priso, na Frana, os que pensam "errado" cientificamente. Mas no temos prova de que, se houvesse aqui uma ortodoxia poltica onipotente, como na China, ela no servisse de brao secular da ortodoxia cientfica. Tem-se mesmo a premonio de que pequenos Lyssenkos se poriam em campo para caar as bruxas, se uma ortodoxia poltica lhes desse o poder: lembrem-se de Galileu. Na China atual, governada pelo Partido Comunista chins, talvez exista sectarismo nas cincias, mas o Partido preserva a liberdade de pesquisa. Por acaso, recentemente (outubro de 1982), tive prova disso: membros do Instituto de Pesquisa sobre Altas Energias (trata-se de fsica pura, se que ela existe) interessam-se livremente pela parapsicologia, domnio tambm severamente condenado pela ortodoxia cientfica, tanto chinesa quanto ocidental. No somente o Partido tolera essa liberdade, mas, como se ver, no que se refere aos OVNls ele a encoraja. Permitam-me achar isso miraculoso. Todavia, conhecendo um pouco da histria da China, fica-se inclinado a atribuir esse milagre a um carter quase constante desse grande povo. H milhares de anos, as seitas filosficas se entregam obstinadamente a controvrsias em que o poder no intervm de

  • modo rgido e dogmtico, seno excepcionalmente, desde que a poltica no esteja em jogo. Alis, sabe-se bem como esse liberalismo do poder poltico chins, em matria de idias, foi utilizado por nossos filsofos das Luzes, no sculo XVIII, no sem interpret-lo sua maneira.Em tal contexto, o livro do sr. Shi Bo nos convida a severo exame de conscincia, referente a algo que nos vangloriamos, com tanto prazer, de ensinar aos outros: a questo da liberdade de pensamento. Belo objeto de estudo: como os chineses fazem para livrar seu poder poltico do encampamento por parte das muitas formas de ortodoxia no poltica?Para terminar, a esse respeito, reconheamos que h outra interpretao possvel dessa aparente liberdade de que goza o sr. Shi Bo na China para difundir, sem restries, as informaes sobre os OVNIs: no se trataria, por parte das autoridades polticas chinesas, de uma vontade deliberada de preparar a opinio pblica? No Ocidente, como na URSS, a existncia dos OVNIs oficialmente no reconhecida.Mas, nos mais altos nveis polticos e militares, acaso, no se saberia que atitude assumir? Nessa hiptese, o poder poltico chins, que tambm saberia com que se preocupar, no teria decidido unilateralmente romper essa conspirao de silncio, seguro que est de jamais prejudicar sua imagem, ao fazer tal escolha?

    Vamos, agora, examinar mais de perto o tema deste livro. Qualquer leitor, um pouco informado, no deixar de fazer as seguintes observaes:

    1. O sr. Shi Bo parece bem a par da literatura estrangeira sobre os OVNIs, mas o povo chins est incontestavelmente mal informado - pelo menos at h pouco tempo. Prova disso o fato de que inmeras testemunhas dizem ao autor que, na poca em que eles fizeram suas observaes, ignoravam tudo sobre os OVNIs e at mesmo sua existncia! Essa ignorncia remonta mesmo a uma data

  • muito prxima da ltima "revoluo cultural". Alis, o sr. Shi Bo incluiu em seu manuscrito muitos captulos que tratam da observao do Yti abominvel homem das neves na China (captulos que o editor francs foi obrigado a suprimir por evidentes razes de unidade e conciso da obra). Trata-se de uma surpreendente mistura, ainda mais surpreendente pelo fato de o autor no manifestar nenhuma confuso entre os dois temas. Mas, de qualquer modo, nota-se bem, pela leitura do manuscrito, que o abominvel homem das neves como os OVNIs, assim como so sentidos pelo povo chins, so problemas nascidos em solo chins que nada devem ao "rumor" internacional. No Ocidente, com efeito, h dois "rumores" que resultaram, aps dezenas de anos, em duas famlias de livros que no se misturam. Esses rumores se encontram apenas em artigos efmeros, conhecidos apenas por curiosos, e desenvolvendo especulaes que no se acham no livro do sr. Shi Bo.

    2. Entretanto, (e isso capital) a fenomenologia ou fantasmagoria, como quiserem, dos OVNIs chineses reproduz exatamente, at nos mnimos detalhes, o que se conta no resto do mundo. As descries colhidas na China, de origens indiscutveis, so idnticas s do resto do mundo e independentes delas. Eis um fato real e espantoso que necessrio ter-se em conta, no sem se lembrar o quanto a China diferente, singular, nica, mais assimiladora dos modos estrangeiros do que assimilada por eles, e quase que somente alimentada por sua prpria cultura - o Imprio do Meio. Que o leitor se lembre dos sinlogos ocidentais e se interrogue: como o disco voador, se ele no tem uma existncia fsica intrnseca, pde surgir e se desenvolver, neste outro planeta chamado China, exatamente como na Europa e na Amrica?

    No Ocidente assistiu-se a uma espcie de "deteriorao" do problema, talvez explicvel pelo exibicionismo tolo de nossa cultura, sempre obrigada a ampliar-se para no perecer. Qualquer que seja a causa dessa deteriorao, estamos mais do que nunca longe de

  • saber do que falamos, ainda que - no nos esqueamos - o fenmeno OVNI, seja o que for, continue a se manifestar e evoluir. Ser interessante ver se o mesmo processo se desenvolve tambm nos confins inacessveis dos campos chineses. Em caso afirmativo, serei tentado a dizer que, definitivamente, nosso final de sculo deve ficar por conta do exorcismo - j que no existem mais psiquiatras, dizem. No que eu considere o OVNI como um pesadelo coletivo, ao contrrio. Mas porque seria impressionante que, aps quarenta anos de reflexo sobre esse enorme no-sei-o-qu, ele persistisse em tornar-se cada vez maior, como um cncer, sem jamais deixar de ser um no-s