a cadeira de rodas de stephen hawking

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Tese doutorado

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  • RESSALVA

    Atendendo solicitao do autor, o texto completo desta tese ser

    disponibilizado somente a partir de 01/03/2012.

  • CARLOS EDUARDO MAROTTA PETERS

    A CADEIRA DE RODAS DE STEPHEN HAWKING: religio, representao do outro e da cincia em escolas pblicas de Penpolis

    na virada do sculo XX para o XXI (1990 2008)

    ASSIS 2010

  • CARLOS EDUARDO MAROTTA PETERS

    A CADEIRA DE RODAS DE STEPHEN HAWKING: religio, representao do outro e da cincia em escolas pblicas de Penpolis

    na virada do sculo XX para o XXI (1990 2008)

    Tese apresentada Faculdade de Cincias e Letras de Assis UNESP Universidade Estadual Paulista para a obteno do ttulo de Doutor em Histria (rea de Conhecimento: Histria e Sociedade)

    Orientador Prof. Dr. Milton Carlos Costa

    ASSIS 2010

  • Peters, Carlos Eduardo Marotta

    P575c A cadeira de rodas de Stephen Hawking : religio, representao do outro e da cincia em escolas pblicas de Penpolis na virada do sculo XX para o XXI (1990-2008) / Carlos Eduardo Marotta Peters. Assis, 2010.

    258p.

    Tese (Doutorado em Histria) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Cincias e Letras de Assis.

    Orientador: Prof. Dr. Mlton Carlos Costa

    1.Escolas pblicas Penpolis(SP). 2. Religio. 3. Alteridade. I. Ttulo.

    CDD 371.104

  • PETERS, Carlos Eduardo Marotta. A cadeira de rodas de Stephen Hawking: religio, representao do outro e da cincia em escolas pblicas de Penpolis na virada do sculo XX para o XXI (1990-2008). Assis, 2010.

    Apresentada Faculdade de Cincias e Letras da Universidade Estadual Paulista para a obteno do ttulo de Doutor em Histria na rea de concentrao Histria e Sociedade.

    BANCA EXAMINADORA:

    Presidente e Orientador___________________________________________ Prof. Dr. Milton Carlos Costa

    Segundo Examinador_____________________________________________ Prof. Dr. Vera Alves Cepeda

    Terceiro Examinador_____________________________________________ Prof. Dr. Leila Marrach Basto de Albuquerque

    Quarto Examinador______________________________________________ Prof. Dr. Cndido Moreira Rodrigues

    Quinto Examinador______________________________________________ Prof. Dr. Ricardo Gio Bortolotti

    Assis, 01 de maro de 2010

  • Para Eduardo Basto de Albuquerque (In Memorian)

    Para meus pais

  • AGRADECIMENTOS

    Esta pesquisa contou com a colaborao de muitas pessoas, mas em especial

    menciono algumas que direta ou indiretamente proporcionaram condies para sua

    realizao:

    Aos professores que contriburam para meu aprendizado no doutorado;

    Aos funcionrios do Departamento de Histria, da Seo de Ps-Graduao e da

    Biblioteca da UNESP de Assis;

    Aos funcionrios do Museu Histrico de Penpolis, em especial Alessandra, e da

    Biblioteca Municipal de Penpolis, em especial Solange;

    Aos professores e alunos da Rede Estadual de Ensino de Penpolis;

    Ao professor Milton Carlos Costa, pelas contribuies e pela orientao no final do

    doutorado;

    Aos amigos Roberto, Valdair, Erclia, Vera, Sidnei, Mariana, Cledivaldo, Dbora,

    Caroline e Mrcia pelo apoio e pelas conversas inspiradoras.

  • PETERS, Carlos Eduardo Marotta. A cadeira de rodas de Stephen Hawking: religio,

    representao do outro e da cincia em escolas pblicas de Penpolis na virada do sculo

    XX para o XXI (1990-2008). 258 p. Assis, 2010. Tese (Doutorado em Histria. rea de

    Concentrao: Histria e Sociedade). Faculdade de Cincias e Letras da Universidade

    Estadual Paulista.

    RESUMO

    A pesquisa A cadeira de rodas de Stephen Hawking religio, representao do

    Outro e da cincia nas escolas pblicas de Penpolis na virada do sculo XX para o XXI

    problematiza a insero do discurso religioso nas escolas pblicas de Penpolis e as

    representaes de mundo ali produzidas. O trabalho analisa principalmente a construo da

    imagem negativa do outro em sala de aula com a utilizao de esteretipos e a identificao

    de supostos inimigos da f, como homossexuais, artistas e, principalmente, cientistas. O

    trabalho discute tambm as representaes de cincia produzidas por diversos textos de teor

    religioso, os combates contra o evolucionismo de Charles Darwin e a legitimao do

    criacionismo como discurso explicativo verdadeiro. A base documental da pesquisa

    composta por textos de contedo religioso, distribudos e discutidos nas escolas, por

    questionrios aplicados a docentes e discentes e por documentos institucionais.

    PALAVRAS-CHAVE: Escola pblica, Representao social, Alteridade, Religio,

    Cincia.

  • PETERS, Carlos Eduardo Marotta. Stephen Hawkings wheelchair religion, the

    representation of the other and science in public school in Penpolis at the turn of the 20th

    century (1990-2008). 258 p. Assis, 2009. Thesis (Doctorate in History. Concentration area:

    History and Society) Faculdade de Cincias e Letras da Universidade Estadual Paulista.

    ABSTRACT

    The research Stephen Hawkings wheelchair religion, the representation of the

    Other and Science in public school in Penpolis at the turn of the 20th century discusses

    the insertion of religious discourse in public schools in Penpolis and the world

    representations produced there. The work mainly analyses the building of a negative image

    of the other in classrooms through the use of stereotypes and the identification of

    supposedly enemies to the faith, such as gays, artists and especially scientists. I also

    discuss the representations of science produced by several religious texts, the struggle

    against Charles Darwins evolutionism and the legitimization of creationism as the true

    explicative discourse. The documents analyzed consist of religious texts distributed and

    discussed in schools, surveys among teachers and students as well as institutional

    documents.

    KEYWORDS: Public school, Social representation, Otherness, Religion,

    Science.

  • INTRODUO

    No livro Um herege vai ao paraso, o historiador Plnio Freire Gomes vasculha a

    formao e as representaes de mundo de um reputado cristo velho natural de Lisboa que

    viveu pelo menos duas dcadas no Brasil no incio de sculo XVIII. A anlise de Gomes,

    calcada numa histria cultural derivada das reflexes de Carlos Ginzburg o autor

    estabelece at alguns paralelos entre seu personagem histrico e o moleiro friulano

    analisado pelo historiador italiano no livro O queijo e os vermes se assenta na noo de

    que existe em sociedades complexas um multifacetado tecido cultural que no pode ser

    reduzido a conceitos simplificadores, como o de nveis culturais (separados por uma

    autonomia relativa de acordo com as diferentes classes sociais), cultura popular, cultura

    erudita etc. A crtica noo de cultura popular, o autor absorveu de autores como Michel

    Vovelle e Jean-Claude Schmitt, para quem a noo de povo da popular subtrai as

    enormes discrepncias que separavam atores sociais como artesos, camponeses, operrios

    e outras categorias sociais. A condio econmica anloga de tais categorias no

    significaria, segundo tal noo, uma unidade cultural homognea.1 Desse posicionamento

    nasceu uma abordagem calcada na questo das trocas simblicas e das possibilidades da

    reelaborao de referncias culturais de matriz oral ou escrita por sujeitos sociais

    tambm multifacetados. H uma nfase, no trabalho do autor, na complexidade do processo

    de incorporao e de repulsa frente ao ambiente cultural em que esto inseridos os

    personagens histricos. Tal abordagem da representao de mundo de indivduos comuns,

    inseridos em contextos histricos cheios de possibilidades e de escolhas, seria a base de

    uma nova histria cultural, purificada de conceitos estanques e simplificadores.2

    Em determinado momento da introduo de sua obra, Gomes acha-se na obrigao

    de fazer uma advertncia ao leitor: para compreender o tema que ele pretende analisar seria

    necessrio um desprendimento frente viso de mundo moderna, que ele categoriza como

    eminentemente atesta. Nesse sentido Devassar os sucos uterinos de Madonna...,

    motivao de primeira magnitude para Henequim, ... j no nos causa mais o furor de

    outrora.3 Segue-se, a tal advertncia, um bem arranjado livro de histria cultural, sensvel

    o suficiente para captar as nuances das concepes de mundo de Henequim e que mantm 1 GOMES, Plnio Freire. Um herege vai ao paraso: cosmologia de um ex-colono condenado pela Inquisio (1680-1744). So Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 24-5. 2 O autor em questo utiliza-se do conceito de dialgica extrado da obra de Mikhail Bakhtin para escapar de conceituaes estanques da cultura. 3 Ibidem, p. 18.

  • relaes profundas com o universo cultural ao seu redor, aquele de um mundo ainda

    predominantemente dominado por representaes sagradas. Essa sensibilidade do autor

    parece, de acordo com sua advertncia, no ter sido to eficaz na compreenso do prprio

    mundo em que estava inserido na poca da elaborao de sua obra (incios da dcada de

    1990). O atesmo da viso de mundo contempornea no era, naquele momento, unnime.

    Alguns anos depois, complexas mudanas no campo religioso no Brasil e em outros

    pases ficariam evidentes demais para que qualquer autor se referisse modernidade

    conceito vazio e auto-explicativo como o contexto da irreligiosidade, do a