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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE FILOSOFIA E CINCIAS HUMANAS ESCOLA DE SERVIO SOCIAL PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM SERVIO SOCIAL

A CABANAGEM entre a liberdade do trabalho e o mercado da liberdade

Rio de Janeiro 2003

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MARIA JOS DE SOUZA BARBOSA

A CABANAGEMentre o mercado da liberdade e a liberdade do trabalho

Rio de Janeiro RJ

2003

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MARIA JOS DE SOUZA BARBOSA

A CABANAGEM entre a liberdade do trabalho e o mercado da liberdade

Banca Examinadora____________________________ Prof. Dr. Giuseppe Mario Cocco (Doutor em Histria Social/Universit de Paris 1/Panthon-Sorbonne/Frana (Orientador) ____________________________ Prof Dr Maria de Ftima Cabral (Doutora em Servio Social/PUC/SP) _________________________ Prof Dr Maria Elvira Rocha de S (Doutora em Servio Social/UFRJ/RJ)

________________________ Prof Dr. Jos Maria Gmez (Doutor em Cincias Polticas/Universit de Paris 1/Panthon-Sorbonne/Frana) ______________________________ P rof Dr Maria Helena Rauta Ramos (Doutora em Servio Social/PUC/SP)

Rio de Janeiro RJ 2003

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A CABANAGEM entre a liberdade do trabalho e o mercado da liberdade

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Ps-Graduao da Escola de Servio Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito para obteno do grau de doutora em Servio Social. Maria Jos de Souza Barbosa, orientada pelo Prof Dr Giuseppe Mario Cocco, doutor em Histria Social.

Rio de Janeiro 2003

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DEDICATRIA

todos aqueles que historicamente disseram e dizem no! Que em defesa de suas idias construram espaos de rebeldia, fuga e resistncia na labuta diria contra a opresso, a explorao e ao domnio. queles que constroem o continente da liberdade por no curvarem jamais aos poderosos, porque sabem que o poder constitudo resultado de sculos de pilhagens, assassinatos, massacres e extermnio, formas de violncias vis, para impor o privilgio de alguns, fato esse que no natural. Maria Jos Barbosa

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AGRADECIMENTOS

Universidade Federal do Par pela oportunizar os estudos realizados, particularmente, prof Maria Elvira Rocha de S. Aos professores do doutorado, em especial, a prof Maria Helena Rauta Ramos e a prof Maria de Ftima Gomes Cabral. Aos colegas de doutorado, principalmente, Gabriela Lema Icassuriaga, pelos momentos de discusso e de descontrao, amigas sempre presentes. Os afetos, solidariedade, cooperao e crticas muito contriburam para este trabalho. Ao pessoal do LABETeC especialmente Patrcia Daros pela amizade, companheirismo e fraternidade. Ao Prof Guiseppe Cocco, pelos fruns de debates sobre o presente, seus ensinamentos potencializam a rede de cooperao no desejo de produzir o novo, na crtica radical ao pensamento endurecido, cria novos horizontes, na ausncia, o inesperado! mame pela ateno dispensada, ao papai (in memoriun) pela fora e coragem de nunca nos curvar aos poderosos. Maria Luiza Barbosa Maciel, minha irm e companheira, que contribuiu com abertura de contatos no Curso de Histria e a colaborao efetiva na busca de dados nos arquivos pblicos de Belm; ao Alan Maciel e Lorena Gonzaga que tambm ajudaram nessa tarefa. s professoras Rosa Acevedo do NAEA/UFPA e Magda Ricci do Curso de Histria; ao Carlos Bastos, bolsista de iniciao cientfica do Curso de Histria, que gentilmente cedeu seus fichamentos sobre a histria local, otimizando o processo de interpretao dos dados. Ao Joo Poa pela leitura cuidadosa deste texto. Ao Francisco Rodrigues meu companheiro sempre presente, sua ela ateno e ternura ajudaram-me nesta tarefa arduosa.

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ZUSAMMENFASSUNG

BARBOSA, Maria Jos de Souza. A CABANAGEM: entre a liberdade do trabalho e o mercado da liberdade.Orientador: Guiseppe Mariao Cocco.

A CABANAGEM: Zwischen Arbeitsfreiheit und freien Markt A Cabanagem: wie analysiert in dieser These, beginnt mit der dunklen Problematik der modernen Marktkraefte. Der Schluessel zum verstaendnis, anfaenglich entwickelt von Machioavelli sind seine kritischen Paradigmen der Renecance, a virtu (eigenkraft) und die fortuna (transcentalekraft) sind prinzipien welche antagonistisch sind und die krisen der modernen Zeit schaffen. In diesem Wiederspruechen, der Mensch ist das Zentrum der Seinslehre (ontologia), kritisch zur maschienerie des Kapitals, welches versucht die Kreativitaet und interlektuellen Kraefte der Mehrheit zu verstuemmeln, zu gunsten der previligien der Wenigen. Ueber die Sprache der Kolonisation, die Freiheit der Wilderniss wurde gefessel und abgesetzt und durch einen abhaengigen Arbeitsmarkt ersetzt. Zu diesem Zeitraum, der Staat war ein grosser Agent und Modellierer zur kontrolle der Arbeitermobilitaet und die Europaeische Kultur wurde das universale Modell der Konstitution. Die Juristischen Instrumente waren zu gunsten der Kolonisation und der Zerstoerung der Altenativen.Verwandelte die wilde Natur in einen disziplinierten Koerper durch die Doktrine des Evangelismus,in den mechanismus zur formierung eines Arbeitswesen zur produktion des Ueberschusses der Weltekonomie.In Amazonien, diese Gegensaetzte und linearitaet der Kolonisation schaffte einen Antagonismus welcher zur entstehung der Cababagem, eine revolutionaere Bewegung fuehrte,welche einfache Caboclos in subjekte verwandelte,genuegend fuer einen Riss in der regionalen kolonialen domination und kontrolle. Im Zeitraum der liberation, die kraft der Cabanos brach aus in der form von tausenden subordinationen und schaffte einen Markt der Freiheit. Die Cabanos projektierten und schafften auch einen Antagonismus fuer den kommenden Kampf fuer die Freiheit und die Kraft zu leben mit den Sozioekologischen praktiken verbunden mit unabhaengiger produktion. In diesem Sinn, demontierten sie die koloniale Konstitution des soeben geborenen Brasilieanischen Imperiums. Die Regierung der Cabanos bewies sich direckt im Gegensazt zu den kolonialen Praktiken. Der Endpunkt der Cabana Revolution wurde ausgefuehrt durch restorierte dialektik Einer festigung der freien Arbeiter und unabhaengige Arbeitsweisen. Gezwungene Rekrutierung Sklavenarbeit der Eingeborenen, Neger, freie Menschen und arme im Feld oder Stadt karakterisierte die Wut der Menschen in Amazonien. Eine Unterdrueckung dieser Bewegung bekam ein zentrales Objektiv.

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RESUMO

BARBOSA, Maria Jos de Souza. A CABANAGEM: entre a liberdade do trabalho e o mercado da liberdade. Orientador: Guiseppe Mariao Cocco. A Cabanagem analisada, nesta tese, a partir da problemtica negriana sobre as alternativas de poder na modernidade: constituinte e constitudo, cuja chave para sua compreenso inicialmente foi desenvolvida por Maquiavel e seu paradigma crtico da Renascena, a virt (potncia imanente) e a fortuna (poder transcendente) princpios que operam o antagonismo que produzem a crise da modernidade. Neste paradigma o homem o centro da ontologia que faz a crtica da mquina do capital que tenta mutilar a capacidade intelectual e criativa da maioria para impor o privilgio de poucos. Sob a dialtica da colonizao, se desencadeou a destituio da liberdade do selvagem para se instaurar o mercado de trabalho dependente. Nesse espao-tempo, o Estado foi o grande agente modelador do controle da mobilidade do trabalho e a cultura europia foi tomada como modelo universal de constituio. Os instrumentos jurdicos favoreceram a colonizao e a destruio da alteridade, transformando a natureza selvagem em corpo disciplinar sob a doura da evangelizao, mecanismo de formao de mo-de-obra para a produo de excedentes na economia-mundo. Na Amaznia, a contraposio linearidade da colonizao operou a razo dialtica que produziu a Cabanagem, movimento revolucionrio que produziu transformou simples caboclos em sujeitos adequados ruptura regional do controle e da dominao. No espao-tempo de liberao da potncia que rompeu com as mil formas de subordinao, ao criar o mercado de liberdade. Os cabanos se projetaram materializando o antagonismo na imanncia da luta pela liberdade de poder viver sob prticas socioeconmicas vinculadas pequena produo independente. Nesse sentido, eles desmontaram a farsa a constituio do Estado colonial e do Imprio brasileiro nascente. O governo cabano, em que pese seus limites, mostrou-se frontalmente oposto s prticas colonialistas e imperiais. O termidor da revoluo cabana foi orquestrado pela dialtica restaurada, com a fixao de trabalhadores livres s formas de trabalho dependente. O recrutamento forado escravido dissimulada da mo-de-obra indgena, negra, de homens livres e pobres no campo ou na cidade caracteriza a fria do poder constitudo em face do homem amaznida. A represso a esse movimento teve como objetivo central, consolidar a incorporao do Par ao Estado brasileiro nascente.

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BARBOSA, Maria Jos de Souza. A CABANAGEM: entre a liberdade do trabalho e o mercado da liberdade. RJ, Brasil/Maria Jos de Souza Barbosa, Rio de Janeiro: UFRJ/ESS, 2003. x, p .I L. Tese de doutorado/Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Servio Social. Orientador: Guiseppe Mariao Cocco. Palavras Chaves: 1. Movimentos Sociais; 2. Cabanagem; 3. Liberdade; 4. Trabalho; 5. Tese. (ESS/UFRJ). A Cabanagem entre a liberdade do trabalho e o mercado da liberdade.

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EPGRAFE

Quero tentar uma forma de leitura do passado que me permita, no caso, localizar os elementos passveis de comporem, juntos, a definio de uma fenomenologia da prtica revolucionria constitutiva do futuro. Tentar uma leitura do passado que me permita sobretudo (que nos obrigue a isso) acertar as contas com toda aquela confuso culpada, com todas aquelas mistificaes que de Bobbio a Della Volpe e seus ltimos produtos nos ensinaram desde a tenra infncia a santa doutrina que reza que a democracia Estado de direito, que o interesse geral sublima o interesse particular sob a forma da lei, que os rgos constitucionais so responsveis diante d