A AVIAO CONSTITUCIONALISTA NA REVOLUO DE 1932

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  • A AVIAO CONSTITUCIONALISTA NA REVOLUO DE 1932

    Coronel Eng Claudio Moreira Bento

    Historiador Militar e Jornalista.Natural de Canguu-RS. e ex- comandante do 4 Batalho de Engenharia de Combate em Itajuba-MG 1981-1982 e um dos historiadores da Arma de Engenharia.Presidente e Fundador da Federao de Academias de Histria Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB),do Instituto de Histria e Tradies do Rio Grande do Sul (IHTRGS) e da Academia Canguuense de Histria (ACANDHIS) e scio benemerito do Instituto de Histria e Geografia Militar do Brasil (IGHMB) e do Instituto Histrico e Geografico Brasileiro (IHGB) e integrou a Comisso de Histria do Exrcito do Estado-Maior do Exrcito. 1971-1974. Foi instrutor de Histria Militar na AMAN 1978-1980 . Dirigiu o Arquivo Histrico do Exrcito 1985-1980.Resgatou a Histria de seu bero natal Canguu, em especial em vrios livros e artigos e em seu livro Canguu reencontro com a Histria um exemplo de reconstituio de mmoria comunitria.Resende: AHIMTB/ACANDHIS, 2007, cujas capas so de autoria de seu filho Capito de Mar- e- Guerra Carlos Norberto Stumpf

    A r t i g o d i g i t a l i z a d o p a r a d i s p o n i b i l i z - l o e m L i v r o s e P l a q u e t a s , n o s i t e d a F A H I M T B w w w . a h i t b . o r g . b r e c p i a i m p r e s s a n o a c e r v o d a F A H I M T B , d o a d o e m B o l e t i m a A M A N , e e m l e v a n t a m e n t o p a r a c o l o c - l a n o P e r g a m i u m

    http://www.ahitb.org.br/

  • A AVIAO CONSTITUCIONALISTA NA REVOLUO DE 1932

    Cel Claudio Moreira Bento

    A aviao que combatia do lado de So Paulo era chamada de Aviao:

    Constitucionalista; os principais avies de que dispunha pertenciam Aviao

    Militar; alguns j se achavam no Campo de Marte, quando a Revoluo de 1932

    teve incio; outros foram levados em vo, do Campo dos Afonsos, por oficiais da

    Aviao do Exrcito que aderiram Revoluo.

    No incio da Revoluo, os avies de emprego militar de que dispunham os

    paulistas eram: os Potez T.O.E. A-116 e A-212, os Wac; CS.O. C-2 e C-3 e o

    avio de caa Nieuport Delage K-421; os dois Potez e o Waco C-2 j se

    achavam destacados no Campo de Marte, quando deflagrou a Revoluo.

    O Waco C-3 foi levado para So Paulo, no dia 21 de julho, pelo

    Primeiro-Tenente Arthur da Motta Lima Filho que, simulando a realizao de um

    vo de treinamento local, rumou para So Paulo, levando, como passageiro, o

    soldado da Escola de Aviao Militar Jos Cesar Falco, que desconhecia as

    intenes do piloto.

    O Nieuport Delage K-421 foi levado para So Paulo, na segunda quinzena

    de agosto, pelo Capito Adherbal da Costa Oliveira, que, iludindo a vigilncia,

    decolou do Campo dos Afonsos e foi aderir Revoluo.

    Alm dos avies acima mencionados, os paulistas possuam um Fleet e

    um Moth de instruo primria e alguns avies civis que eram utilizados ora na

    instruo, ora como avies de ligao na zona do interior.

    Os outros oficiais da Aviao Militar, que tomaram parte na Revoluo do

    lado de So Paulo, deslocaram-se do Rio de Janeiro, clandestinamente, por via

    martima.

    Os seguintes oficiais da Aviao Militar participaram da Revoluo de

    1932, por So Paulo: Major Ivo Borges, que ficou como Comandante das

    Unidades Areas da Aviao Constitucionalista, Major Lysias Augusto Ro-

    drigues, que ficou como Comandante do Grupo de Aviao Constitucionalista,

    Capito Adherbal da Costa Oliveira, Primeiros-Tenentes Jos Angelo Gomes

    Ribeiro, Orsini de Araujo Coriolano, Arthur da Motta Lima Filho e Nicanor Porto

    Virmond.

    A grande maioria, porm, das misses areas foi realizada pelo Major

    Lysias, Capito Adherbal e Tenentes Gomes Ribeiro e Motta Lima.

  • Vrios oficiais da Fora Pblica de So Paulo e civis participaram das

    operaes areas, quer como pilotos, quer como observadores.

    O Campo-base da Aviao Constitucionalista, na cidade de So Paulo, era

    o Campo de Marte que teve, na ocasio, as suas instalaes muito ampliadas;

    os hangares existentes na orla leste, prximo ao Corpo da Guarda, foram

    construdos durante a Revoluo de 1932.Os paulistas aproveitaram sempre a

    sua posio central, em relao s trs frentes de combate, para, com os

    mesmos avies e pilotos, fazerem incurses de surpresa, ora numa frente, ora

    noutra.

    Durante o ms de agosto, os constitucionalistas conseguiram comprar, na

    fbrica de montagem da Curtiss Wright Corporation, instalada no Chile, nove

    avies de observao e bombardeio Curtiss "Falcon", tipo O-IE; estes avies, de

    construo extremamente robusta, equipados com motor Curtiss D-12, de 435

    H.P., com velocidade mxima de 224 km/h, capazes de realizar "piques"

    verticais de bombardeio, com raio de ao de 1 000 quilmetros e teto de 4 600

    metros, foram os avies militares mais aperfeioados, entre os que participaram

    da luta area, durante a Revoluo de 1932.

    No comeo de setembro, os referidos avies Curtiss "Falcon" comearam

    a ser transladados em vo, um a um, do Chile para o Brasil, por pilotos

    norte-americanos e chilenos; os dois primeiros avies foram entregues aos

    pilotos brasileiros na cidade de Encarnacin, no Paraguai, na fronteira com a

    Argentina; um terceiro avio acidentou-se na Argentina, prximo fronteira com

    o Chile; um quarto avio acidentou-se na aterragem em Concepcin, tendo sido

    apreendido pelas autoridades paraguaias; da para diante os avies "Falcon"

    comearam a ser levados at a cidade de Campanrio, no sul de Mato Grosso,

    onde eram entregues aos pilotos revoltosos brasileiros.

    Ao chegar em So Paulo, os avies "Falcon" ainda tinham que ser

    armados com metralhadoras e porta-bombas; um dos avies ficou inutilizado por

    ter a sua hlice sido perfurada, por tiros de metralhadora, numa experincia de

    sincronizao.

    A primeira vez que os avies Curtiss "Falcon" foram empregados foi a 20

    de setembro, no bombardeio do campo de aviao de Mogi-Mirim.

    A 24 de setembro, uma semana antes do trmino da Revoluo, a Aviao

    Constitucionalista sofre a sua primeira perda de pessoal em combate: o

    Primeiro-Tenente Jos Angelo Gomes Ribeiro, como piloto, e o civil Dr. Mrio

    Machado Bittencourt, como observador, num avio Curtiss "Falcon", so

    abatidos pelo fogo de armas antiareas, quando atacavam o cruzador "Rio

    Grande do Sul", em Santos.

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