A AnáLise Do Amor Sob A Perspectiva Da TríPlice ContingêNcia Skinneriana

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Anlise do amor a partir dos pressupostos da Anlise do Comportamento

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  • 1. ANLISE DO AMOR SOB A PERSPECTIVA DA CONTINGNCIA SKINNERIANA por Thiago de Almeida (Psiclogo e pesquisador do IPUSP Departamento de Psicologia Experimental) Home page:www.thiagodealmeida.com.br

2. Questionamentos

  • Passado muito tempo desde que a Psicologia tenha se firmado enquanto uma cincia que enfoca o comportamento, o que ela tem a nos dizer sobre o amor e seus desdobramentos?
  • possvel analis-lo sob a perspectiva da trplice contingncia skinneriana?
  • Em caso afirmativo de que forma?

3. Primeiro problema

  • Discorremos, em psicologia, sobre a aprendizagem, personalidade e emoo. Abordamos tcnicas e mtodos, mas, com exceo da abundante literatura de auto-ajuda,pouco encontramos sobre o amor, sistematizado em seus processos e em suas formas. Apesar disso, nunca dele se falou tanto. Tido como algo indispensvel felicidade individual, que se deveria aprender, cada qual aspira ao amor, a tal ponto que ele se tornou praticamente uma procura constante no cotidiano das pessoas.

4. Segundo problema

  • O behaviorismo radical corresponde a uma filosofia da psicologia que afirma ser o objeto de estudo cientfico da psicologia o comportamento, sendo esse suscetvel a uma explicao plausvel que produza a possibilidade de previso e de controle. O "amor" no , para o Behaviorismo Radical, um termo tcnico, mas sim um fenmeno complexo que se dispe a uma interpretao. Isso significa basicamente que no est contido em nenhuma de suas proposies que se referem a resultados experimentais, mas que diz respeito aos mesmos processos em um nvel superior de complicao.

5. Definio

  • Um conjunto diversificado de sentimentos, distintas instncias comportamentais e mltiplas classes de respostas encobertas que, embora ocorrendo com uma grande variabilidade topogrfica, esto funcionalmente relacionadas entre si, por meio do compartilhamento de estimulaes que acabam contribuindo para caracteriz-lo. So inerentes ao ser humano, tendem a se perdurare possuem inmeras formas reconhecidas de manifestao. Assim, em termos comportamentais, o amor pode ser interpretado como um resultado especial das contingncias que afetam as relaes interpessoais. Nesse sentido, conspicuamente multideterminado, dada a complexidade de variveis independentes envolvidas (Almeida & Mayor, 2006).

6. Distino entreato de amoreamor para Skinner

  • Skinner (1980, p. 132) faz distino entreato de amoreamor como um estado . Assim:
  • Afinal, diz Frazier, o que amor se no reforamento positivo? Ou vice-versa, diz Burris.
  • Eles esto ambos errados, afirma Skinner deveriam ter ditoum ato de amor .
  • "Amor como um estado" uma disposio para agir em relao ao outro de maneiras reforadoras, mas " sem atentar para nenhuma contingncia"(" Without attention to any contingencies "). No amor agimos para agradar e no para ferir, para ser genuno e no para ser sedutor " mas, no agimos para mudar comportamento"(" we do not act to change behavior").Sem dvida, ns mudamos comportamento, uma vez que mais provvel que atuemos de maneiras reforadoras quando acabamos de ser tratados dessas mesmas formas. Ao recproca pode aumentar gradativamente, sem que isso envolva um contrato (nenhum dos parceiros diz Eu vou am-lo mais se voc me amar mais).

7. Posteriormente, Skinner em 1991 nos coloca que

  • Se podemos dizer queeros primariamente uma questo de seleo natural, ephilia , de condicionamento operante, entogapesignifica um terceiro processo de seleo: evoluo cultural.gapederiva de uma palavra que significa ser bem vindo ou, como define o dicionrio, ser recebido com alegria. Ao demonstrar que estamos contentes quando uma pessoa se une a ns, reforamos a unio. A direo do reforamento invertida. No o nosso comportamento, mas o comportamento daquele que amamos que reforado. O efeito primeiro sobre o grupo. Ao demonstrar que sentimos prazer pelo que outra pessoa fez, ns reforamos o fazer, e assim fortalecemos o grupo.

8. Alguns conceitos relacionados...

  • Embora o estudo do amor, enquanto um fenmeno especfico, no seja foco de estudo da AC, podemos utilizar das ferramentas e dos instrumentais desta para entendermos os bastidores dos relacionamentos amorosos.
  • Existem muitas formas de se interpretar o amor dentre os vrios modelos tericos existentes.

9.

  • Os homens agem sobre o mundo, modificam-no, e so modificados pelas conseqncias de suas aes. Certos processos, em que o organismo humano compartilha com outras espcies alteram o comportamento de tal forma que ele obtm um intercmbio mais seguro e til com um ambiente particular. Quando o comportamento apropriado tem sido estabelecido, suas conseqncias trabalham por meio de processos similares, aumentando a sua fora. Se por acaso, o ambiente se modifica, velhas formas de comportamento desaparecem, enquanto novas conseqncias constroem novas formas (Skinner, 1957, p.1)

10. O amor e a trplice contingncia

  • A trplice contingncia um paradigma til para trabalhar a questo da relao do casal, e mesmo para aquelas pessoas que sentem grande dificuldade em se vincular a outro ser humano, porque decodifica uma seqncia comportamental que eles ainda no conseguem tatear. Dessa forma, estaria a contingncia de trs termos relacionada estrutura, ao aparecimento e as regras sob as quais se fundamentam os comportamentos das pessoas.

11. Alguns exemplos

  • SD(parceiro)-> beijar (R)-> contato dos lbios (SR)
  • SD(objeto em loja de departamento)-> comprar (R)-> obteno de algo que agradar o parceiro (SR)

12. Amor e Operaes Estabelecedoras

  • Ainda o amor tambm pode estar relacionado com o conceito de operaes estabelecedoras.
  • O conceito de operao estabelecedora se refere a operao que altera a efetividade do reforamento e evoca a resposta correspondente a sua produo (Michael, 1993).
  • Algumas operaes estabelecedoras, modificando o potencial reforador de estmulos que se referem, em ltima instncia, a objetos ou eventos que fazem bem ao parceiro, poderiam ser compreensivelmente denominadas de reforadores amorosos.

13. Amor: tatos e mandos

  • Para a Anlise do Comportamento, "amor" se refere ou qualifica igualmente um conjunto de verbalizaes e "sentimentos". Por exemplo, tactos impuros como - Estou apaixonado por voc so emitidos sob o controle tanto de estimulaes provenientes de comportamentos que se caracterizam como de um apaixonado, como tambm sob o controle de operaes emocionais relacionadas com o reforamento amoroso, que seria, no caso, a correspondncia na forma de beijos e abraos. J mandos referem-se a prtica de reforamento especfico, quando por exemplo, pede-se um beijo no relacionamento interpessoal entre dois enamorados.

14. Outros questionamentos:

  • Embora o amor parea corresponder a uma espcie de um reforamento intrnseco, ser que a manuteno de um relacionamento dada somente pela presena de elementos como amor e satisfao, por exemplo? Como se explicariam, ento, casos comuns a todos, como aqueles em que, no obstante a evidente ausncia destes fatores, a relao se mantm? Ou ainda, situaes comuns a todos ns, em que o amor, a paixo e a satisfao que cultivam com o parceiro so indiscutveis, no entanto, a estabilidade da relao inapelavelmente precria?

15.

  • Uma das respostas que poderia preencher tais lacunas pode estar associada ao reforamento intermitente, pois somente o amor, no o nico preditor de estabilidade para relacionamentos amorosos (Cate, Levin & Richmond, 2002). Embora, para Gottman e Silver (1998), os fatores que podem fazer um relacionamento dar certo ou se desintegrar esto longe de serem bvios.

O amor e o reforamento intermitente 16. Implicaes do Reforamento Intermitente para os relacionamentos amorosos

  • No reforamento em intervalo varivel, ou intermitente, o perodo de tempo compreendido entre um e outro reforamento modifica-se sempre. O reforamento intermitente ocasional, no contnuo e no sujeito a tempo (intervalo) nem razo. o reforamento mais comum no dia-a-dia. O efeito do reforamento em intervalo varivel manter estvel e elevada a freqncia do comportamento. Logo, este esquema pode ser extremamente til na formao de hbitos. Dessa forma, quando as pessoas no sabem quando lhes sobrevir o reforo elas estaro sobre o regime do reforamento intermitente. Portanto, em se tratando de relacionamentos amorosos, manter as pessoas sob a gide do reforamento intermitente ( e.g.ora se vendo, ora no; ora saindo juntos, ora no, etc) um poderoso conhecimento aliado se quisermos otimizar a qualidade dos nossos relacionamentos.

17. A importncia disso

    • Reprogramar os nossos relacionamentos com vistas a otimiz-lo, e compreender a psicodinmica implcita nos mesmos;
    • Gerar uma tecnologia que d suporte para a clnica e os problemas que so encaminhados para ela.

18. Concluso

  • A tentativa de caracterizar o amor em uma perspectiva comportamental tem um objetivo principal que o de permitir o entendimento e o correspondente manejo de relaes interpessoais amorosas, de forma a torn-las mais adaptadas. Entender que o amor tem uma forte relao com a produo cultural corresponde a aceitar, tambm, o importante papel que desempenha o terceiro nvel de seleo pelas conseqncias, que o da seleo cultural, no seu estabelecimento e manuteno.

19.

  • Nesse sentido, a comunidade verbal responsvel pelos repertrios verbais que, de uma maneira quase inevitvel, leva aos padres de relaes interpessoais amorosas de uma dada sociedade. claro que, para entender suficientemente um repertrio amoroso, preciso compreender tambm que contingncias verbais e no verbais trabalham em conjunto.

20. A todos vocs

  • Muito obrigado pela ateno e .
  • Ao Amor Sempre!!

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