8ª edição - o espectro

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Jornal académico online do Núcleo de Ciência Política.

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  • O ESPECTRO Ncleo de Cincia Poltica - ISCSP UL 8 EDIO - 24 de Maro de 2014

    SCAR GASPAR De seu nome, Gaspar! Poltica Interna, 3

    YA B A S TA !

    A resiste ncia zapatista dura ha 20 anos. Ha 20 anos pegaram em armas, disseram basta e desde enta o jamais obedeceram

    a autoridade estatal e capitalista. Comearam a decidir de forma auto noma e com muitas dificuldades te m

    melhorado as suas condio es de vida. De Chiapas vem um grito de revolta e um exemplo de resiste ncia! Globo, 7

    PRTUGAL

    A Moda dos

    Tachos

    Poltica Interna, 3

    BILL GATES

    Tecnologia e

    Emprego

    Economia, 6

    PAI S

    Os smbolos

    alternativos de

    uma democracia

    em crise

    Poltica Interna, 5

    IDELGIAS

    O Regresso dos

    Liberais?

    Destaque, 9

  • 02 | 24 Maro 2014

    O ESPECTRO

    EDITORIAL

    Insanvel Divergncias insanveis. Incr vel como em duas palavras se consegue sintetizar a reunia o entre o primeiro-ministro e o l der do maior partido da oposia o. As palavras de Anto nio Jose Seguro deixam transparecer a falta de orientaa o para os desafios que Portugal vai enfrentar a partir de 17 de Maio deste ano, isto e , a falta de estrate gias concertadas de actuaa o para o po s-Troika. Mas o mais fascinante de todo este encontro na o esta presente nas concluso es e soluo es que dele sa ram se pensou em nenhumas acertou em cheio na quantidade. A verdadeira atraa o vem da troca de acusao es entre ambos, no debate quinzenal, do passado dia 20. To Ze acusou o Pedrinho de so querer brincar quando precisava de fazer novos cortes. Pedrinho relembrou o To Ze que na o pode ser so o Governo a jogar com algo que ambos compactuaram com as regras. PS na o compactua com a pol tica do Governo e este, por sua vez, acusa o PS de competir com o Governo com o mero objectivo de cair nas prefere ncias do eleitorado. Voltamos ao recreio do jardim infantil, com as t picas birrinhas entre duas crianas que querem ter o mesmo brinquedo nas ma os, brinquedo esse com que nenhum dos dois sabe brincar. mais complicado e que ja ningue m tem pacie ncia para estes discursos infantis. Com o final do PAEF a aproximar-se rapidamente, e incr vel como ja esquecemos a governaa o sustentada se e que alguma vez a lembramos em prol do recorrente lambe-botismo cro nico a senhora Merkel ou do discurso do se e assim, eu na o quero. No entanto, so os mais limitados de racioc nio na o conseguem aperceber-se que o jotismo cro nico daquelas que seriam duas das mais preponderantes figuras pol ticas nacionais jamais lhes permitira serem os l deres que o pa s precisa para sair da crise. E nisso, o To Ze e o Pedrinho e uma semelhana insana vel.

    Ricardo Agostinho Presidente do NCP-ISCSP

    FICHA TCNICA

    Coordenao Adriana Correia Vice-Coordenao Joana Lemos Coordenador de Entrevistas e Reportagens Adriana Correia Reviso Adriana Correia e Cristina Santos Editor Isa Rafael Plataformas de Comunicao Andre Cabral, Jose Salvador, Joa o Martins e David Martins Cartaz Cultural Joa o Miguel Silva Redao Isa Rafael Joana Lemos Joa o Pedro Louro Joa o Pedro Rodrigues Joa o Silva Rui Campos Rui Coelho Tiago Sousa Santos

    CONTACTOS Facebook: facebook.com/Espectro Correio electrnico: jornaloespectro@gmail.com Twitter: twitter.com/_Espectro

  • 24 Maro 2014 | 03

    O ESPECTRO

    PLI TICA INTERNA

    O P I N I O d e T I AG O S O U S A S A N TO S

    D e s e u n o m e , G a s p a r !

    Caiu o pano! s actores tiraram as ma scaras e a pea teve in cio. encenador ficou incre dulo com a forma como os person-agens passaram da fica o teatral a realidade, esquecendo conscientemente o que haviam ensaiado. palco deixara de fazer sentido e os protagonistas representavam agora no mesmo plano que a plateia, o que deixava o arquitecto daquele acto inseguro. enredo desenrolava-se em redor de uma disputa entre fam lias, que se gladiavam numa negociaa o de valores de uma herana comum. Uns, recorrendo a mo-de stia e a contena o, na o encon-travam forma de ver esses mes-mos valores aumentados, mes-mo que isso pudesse valer-lhes a apreciaa o colectiva. s out-ros, se o guia o tivesse sido se-guido, lutariam com todos os argumentos poss veis por um aumento da recompensa. A pea estava assim desenhada e sairia desta diale tica de teses e anti-teses a s ntese que represen-taria o meio termo entre as

    propostas de cada fam lia. Que emocionante debate seria! A plateia na o chegou a assistir a este desfecho. Na o por falta de ensaio por parte dos actores. esforo, esse, ningue m o nega. desfecho encenado ao n vel da plateia, no acto de rebelia o dos personagens, colocou as duas fam lias a discutir sobre os mesmos valores herdados, referidos no texto original, mas desta feita discutiam sem discordar. aumento do valor era irresponsa vel e os dois la-dos entenderam-no a tempo. A discussa o era uma desculpa para a continuidade do espe-ta culo, uma forma de entreter o pu blico. Anto nio Jose Seguro, o encenador, deixou a sua pea a livre interpretaa o dos ac-tores e o personagem princi-pal, de seu nome Gaspar, in-verteu o dia logo, deixando o pensador desta magnificente obra sem saber como con-quistar a aprovaa o daqueles que ali, em pleno teatro, haviam gasto o seu dinheiro na esperana de ficarem presos a

    um conjunto de tramas que fizessem valer o ingresso. Afi-nal o sala rio m nimo na o pode ser aumentado, as circunsta n-cias assim o determinam. Afi-nal tudo o que antes se passou foi um discurso vago, popu-lista e marcado pela demagog-ia que tanto caracteriza o Par-tido Socialista de Anto nio Jose Seguro. Todas as cr ticas e todas as culpas apontadas a Pedro Passos Coelho na o pas-saram sena o de uma tentativa de angariaa o pre via de votos, quando no seio daquela fora pol tica todos sabiam que era imposs vel ser diferente. Isto, claro esta , se quisermos con-tinuar a ser um Estado. Em pleno Teatro Pol tico Nacional,

    as ma scaras ca ram, a realidade tomou a pea de assalto, a co-ere ncia foi esquecida. A plateia tem a agradecer a altura em que a sanidade se apoderou dos ac-tores, assim pode saber com o que contar daqueles que pun-ham em causa a contena o do actual executivo. s mesmos que agora, pelas as palavras de scar Gaspar, consideram im-poss vel regressar aos n veis de ha tre s anos atra s. Quando a pea se submeter a cr tica, em 2015, veremos se o ingresso valeu a ponderaa o nele depos-itada, ou se por outro lado, a plateia vai decidir-se pelo en-redo que teve o papel de estabi-lizar a loucura em que o acto se tornou.

    O P I N I O d e I S A R A FA E L

    A m o d a d o s t a c h o s

    A existe ncia de tachos em Portugal na o e novidade nenhuma. E na o me refiro aos tachos de inox que se tem na cozinha. Refiro-me a um sentido figurativo em que a obtena o de um emprego, normalmente bem remunerado, deve-se na o ao me rito e reconhecimento de um ind viduo mas atrave s de um especial favorecimento. Este modo de desenrascar o amigo, o familiar ou o apoiante que fez uns quantos favores e bastante comum em Portugal. Diria ate que e habitual ou considerado normal. Uma investigadora da Universidade de Aveiro Patr cia Silva - acabou de confirmar o que ja e do conhecimento popular. Esta

    concluiu que as nomeao es para a Administraa o pu blica sa o influenciadas por interesses partida rios, independentemente do partido que se encontra no Governo, para recompensar servios prestados ao partido do poder. estudo verifica que a maioria destas nomeao es serviram para recompensar lealdades. Quando este foi revelado nos meios de comunicaa o social, na o houve esca ndalo nem indignaa o. A populaa o portuguesa ha muito que esta a par das modas pol ticas, desde os ditos tachos a s regalias exorbitantes da elite pol tica. Simplesmente conformou-se com isso, tal como se conforma com tudo o

    resto. E o pensamento t pico portugue s deixa andar, a espera que algo mude por si so . Mas relativamente a isto, a mudana esta muito longe de acontecer pois na o ha nada nem ningue m que impea esta realidade. s habituais tachos dentro da esfera pol tica continuam em voga. Uma moda intemporal, com previsa o para perdurar. Uma moda que os pol ticos na o querem abdicar porque lhes conve m. Assim como conve m aos seus apoiantes e camaradas. Enquanto houver benef cios e vantagens para os dois lados, havera sempre tachos. Estes tornam-se cada vez mais apelativos a qualquer indiv duo que queira sobreviver na conjuntura

    actual de crise e austeridade, pois cada um e capaz de fazer uns favores para receber um bom emprego e para poder sustentar-se convenientemente. E a lei da sobrevive ncia. E e a forma mais fa cil de sobreviver. Mas ate quando podera isto acontecer? Ate quando ira seleccionar-se indiv duos sem capacidades para um determinado emprego, tirando a oportunidade a outros? Ate quando os indiv duos podera o ser privilegiados simplesmente por possuirem vantajosos contactos e usa -los para benef cio pro prio? A resposta esta em no s. Enquanto no s permitirmos, enquanto fecharmos os olhos a este tipo de realidade, na o deixara de acontecer.

    DR

  • PLI TICA INTERNA

    04 | 24 Maro 2014

    O ESPECTRO

    Constantemente nas bocas do mundo, o liberalismo raramente e objecto de uma cr tica devidamente fundamentada na correcta compreensa o da tradia o ideolo gica em causa. E a essa tarefa que se propo e o teo rico pol tico John Gray em Ps-Liberalismo: Estudos em Pensamento Poltico. Trata-se de uma compilaa o de artigos e ensaios que da continuidade a Liberalismo: Ensaios de Filosofia Poltica, publicado no final da de cada de 80. autor oferece uma perspectiva acerca da ideo