81691827 pablo stolze civil 2009 lfg parte geral

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LFG_2 Semestre_2009 1 Civil Pablo Stolze

1a Aula - 28/07/09 Prof. Pablo Stolze Baixar as apostilas (2009.2 - a partir de sexta-feira) dele postadas no site: www.novodireitocivil.com.br Pablo diz para no baixar as do primeiro semestre porque sempre tem atualizao.

P S O E S A

JU D A R IC

E

P S O F IC - P rte I E S A S A a1. PERSONALIDADE JURDICA:Conceito: A personalidade jurdica a aptido genrica para se titularizar direitos e contrair obrigaes na rbita do direito, ou seja, a qualidade para ser sujeito de direito. 1.1 - Pessoa Fsica ou Natural: Natural Em que momento a pessoa fsica adquire

personalidade jurdica? Nos termos da 1a parte do art. 2 do CC, a personalidade civil da pessoa fsica comea do nascimento com vida.Art. 2o A personalidade civil da pessoa comea do nascimento com vida; mas a lei pe a salvo, desde a concepo, os direitos do nascituro.

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luz do princpio da dignidade da pessoa humana, o sistema brasileiro, afastando-se do art. 30 do Cdigo Civil espanhol, para efeito de aquisio de personalidade jurdica, no exige tempo mnimo de sobrevida nem forma humana.

TEORIAS EXPLICATIVAS DO NASCITURO:Conceito: Nascituro o ente concebido, mas ainda Conceito nascido, com vida intra-uterina. Dica 1: o embrio congelado em laboratrio NASCITURO! No utilize essa expresso em prova para design-lo. Dica 2: as Bancas mais conservadoras tendem a seguir a Teoria Natalista que ainda predominante. Duas teorias fundamentais: 1a) TEORIA NATALISTA (Defensores - Vicente Ro, Silvio Rodrigues, Silvio Venosa, Eduardo Spnola): Esta teoria d nfase primeira parte do art. 2, ao considerar que o nascituro no sujeito de direito, gozando de mera expectativa, uma vez que a personalidade s adquirida a partir do nascimento com vida. Dica: Pablo diz que a doutrina brasileira,

predominantemente natalista. 2a) TEORIA CONCEPCIONISTA: CONCEPCIONISTA

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Essa corrente ainda no dominante, mas vem ganhando espao no Direito Brasileiro. Defensores: Teixeira de Freitas, Clvis Bevilqua,

Limongi Frana, Silmara Chinelato (tem um livro especificamente sobre o nascituro. concepcionista de carteirinha). Conceito: para esta teoria, o nascituro seria considerado pessoa, inclusive para efeitos patrimoniais, desde a concepo. Esta teria concepcionista, portanto, considera que o nascituro no goza de mera expectativa. Para essa linha o nascituro considerado dotado de personalidade desde a sua concepo. Para essa linha o nascituro adquire personalidade jurdica desde a concepo, inclusive para efeitos patrimoniais. Essa linha explica muito melhor as situaes de proteo ao nascituro. OBS.: Reforando a Teoria Concepcionista, podemos

observar no sistema brasileiro inmeros dispositivos que, tratandoo como sujeito, confere-lhe direitos (ver Quadro Esquemtico do material de apoio). OBS.: Existe uma Teoria intermediria, posto to relevante: TEORIA DA PERSONALIDADE FORMAL OU CONDICIONAL esta teoria afirma que o nascituro dotado de personalidade em face de direitos extrapatrimoniais, de maneira que os efeitos patrimoniais s seriam observados a partir do nascimento com vida.

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Para Pablo o que esta teoria sugere uma personalidade pela metade. QUAL A TEORIA ADOTADA PELO CC? CC Aparentemente, o codificador, por ser mais prtica, teria adotado a Teoria Natalista, observa Clvis Bevilqua, na obra "Cdigo Civil dos Estados Unidos do Brasil", Ed. Rio, 1975. Todavia, demonstrando a inequvoca influncia concepcionista, o prprio autor aponta inmeras situaes em que o nascituro considerado pessoa. Em reforo Teoria Concepcionista, a lei 11.804/2008

consagrou os alimentos gravdicos, reforando tese j esposada pela jurisprudncia. Existe entendimento no STJ (REsp 931556/RS; REsp 399028/SP1), nascituro. O que dano moral? Dano moral leso a direito da personalidade. O STJ tem admitido indenizao por dano moral ao nascituro, sendo assim o nascituro pessoa! admitindo indenizao por dano moral ao

O que natimorto? O natimorto recm-nascido; aquele que nasce morto. Para o natimorto o Enunciado 1 da I Jornada de Direito Civil

1

Na pg. 10 do material de apoio.

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reconheceu que o natimorto merecedor de tutela jurdica como o direito ao nome, imagem e sepultura. O nascido morto, portanto, goza de tutela. OBS.: Enunciados so Smulas, so atividades de doutrina que vinculam o juiz.

2. CAPACIDADE: um tema conexo ao tema da personalidade. A capacidade tambm um conceito fundamental do Direito Civil. A capacidade se desdobra em: capacidade de direito e capacidade de fato (ou de exerccio). Quando a pessoa rene as duas capacidades, fala-se que ela tem capacidade plena. Esta, em geral adquirida a partir dos 18 anos (desde que tenha sade mental).

CAPACIDADE DE DIREITO: DIREITO No atual estgio do direito moderno h como se separar os conceitos de personalidade e de capacidade de direito (Orlando Gomes), porque a capacidade de direito uma capacidade genrica, qualquer pessoa tem. Capacidade de direito e personalidade so faces da mesma moeda. Todo mundo tem capacidade de direito, mas nem todo mundo tem capacidade de fato.

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A

capacidade

de

fato

traduz

a

aptido

para

pessoalmente praticar atos na vida civil.

OBS.: O que , na teoria do Direito Civil, a "legitimidade"? Seguindo a doutrina do professor Calmon de Passos, temos que a legitimidade a pertinncia subjetiva para a prtica de determinado ato. Nada tem a ver com capacidade. Faltar legitimidade significa existir um impedimento especfico para a prtica de determinado ato (art. 1749, I e 1521, IV).Art. 1.749. Ainda com a autorizao judicial, no pode o tutor, sob pena de nulidade: I - adquirir por si, ou por interposta pessoa, mediante contrato particular, bens mveis ou imveis pertencentes ao menor; Art. 1.521. No podem casar: IV - os irmos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, at o terceiro grau inclusive;

O impedimento para a prtica de determinado ato o que chamamos de ilegitimidade. O art. 1521, IV impede o casamento entre irmos, embora ambos sejam capazes. uma falta de legitimidade. De igual modo no art. 1749, I, h falta de legitimidade, embora haja capacidade. Ausente a capacidade de fato, fala-se que h

incapacidade. A incapacidade a ausncia da aptido de praticar atos da vida civil (falta da capacidade de fato).

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Essa

Incapacidade

subdivide-se

em:

incapacidade

absoluta e incapacidade relativa. Os absolutamente incapazes so representados; os relativamente incapazes so assistidos. luz do NCC os absolutamente incapazes esto no art. 3 e os relativamente incapazes esto no art. 4 do CC/2002. Os arts. 3 e 4 so os que Pablo chama de artigos matriciais do CC. Art. 3:Art. 3o So absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I - os menores de dezesseis anos; II - os que, por enfermidade ou deficincia mental, no tiverem o necessrio discernimento para a prtica desses atos; III - os que, mesmo por causa transitria, no puderem exprimir sua vontade.

Inciso I - so chamados de menores impberes. Inciso II - o CC, seguindo a linha mais moderna da medicina, usa mais a expresso "louco de todo gnero", esta viola a dignidade da pessoa humana. OBS.: A doutrina, interpretando o inciso II do art. 3

forte no sentido de que, uma vez interditado, caso o incapaz pratique o ato em momento de lucidez, este permanecer invlido (porque houve a presena de seu curador). Questo de concurso: O incapaz, portador de enfermidade ou deficincia mental, ainda interditado, que venha a praticar ato prejudicial ao seu interesse, pode ter este ato posteriormente invalidado?

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O CC omisso quanto a isso; quem nos responde questo a doutrina. A doutrina brasileira, especialmente influenciada pelos sistemas italiano e francs, sustenta a possibilidade de invalidao do ato. Segundo Orlando Gomes, a invalidao deste ato pressupe: 1) a incapacidade do agente; 2) o grave prejuzo sofrido por ele; 3) a demonstrao da m-f da outra parte. Silvio Rodrigues assevera que a m-f da outra parte pode ser circunstancialmente demonstrada. Em reforo tese exposta, o art. 503 do Cdigo da Frana admite a invalidao dos atos praticados pelo incapaz ainda interditado. Inciso III - Novidade! Por exemplo, o estado de coma pode caracterizar um exemplo desse inciso (Felipe Massa, por exemplo, quando estava em coma induzido). O "boa-noite" cinderela tambm.

OBS: A pessoa que, lanando mo de substncias estupefacientes ou congneres, voluntariamente, coloca-se em estado de incapacidade no pode alegar iseno de responsabilidade com base na Teoria da Actio Libera in causa. Esta teoria, segundo o grande Alvino Lima em sua tese "Da Culpa ao Risco" tambm se aplica ao Direito Civil.

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Dica: Texto de Claus Roxin sobre a actio libera in causa, baixar texto em espanhol no site: www.cienciaspenales.net Art. 4 - INCAPACIDADE RELATIVA:Art. 4o So incapazes, relativamente a certos atos, ou maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II - os brios habituais, os viciados em txicos, e os que, por deficincia mental, tenham o discernimento reduzido; III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; IV - os prdigos. Pargrafo nico. A capacidade dos ndios ser regulada por legislao especial.

Inciso

I

-

so

os

chamados

menores

pberes

-

relativamente capazes -. Inciso II P