81 cooperação intermunicipal

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  • 1. Coleco Documentos de Trabalho n 81 Hermnia Ribeiro Raquel FariaA Cooperao Intermunicipal portuguesa Lisboa 2009
  • 2. O CEsA no confirma nem infirmaquaisquer opinies expressas pelos autores nos documentos que edita.
  • 3. A Cooperao Intermunicipal portuguesapor Hermnia Ribeiro e Raquel Faria como autores principais 2009
  • 4. ACEP Associao para a Cooperao entre Povos ndice1. Cooperao Descentralizada: cooperao Intermunicipal (CIM) __________5 1.1. Origem da Cooperao Intermunicipal_____________________________7 1.2. Formas de Cooperao Intermunicipal: ___________________________12 1.2.1 Geminaes; __________________________________________________12 1.2.2. Protocolos de colaborao/cooperao.____________________________15 1.3. Potencialidades e constrangimentos da Cooperao Intermunicipal______162. Os Municpios e as Associaes Municipais___________________________19 2.1. Associao de Municpios Portugueses____________________________213. A Cooperao Intermunicipal na Unio Europeia: _____________________23 3.1 O caso de Portugal e a sua relao com os Pases de Lngua Oficial Portuguesa: 3.1.1. Municpios e principais acordos estabelecidos: ________________________24 3.1.1.1 Cabo Verde (Municpio de S.Filipe) e a Cmara Municipal de Palmela.____24 3.1.1.2 Cabo Verde (Municpio de Maio) e a Cmara Municipal de Loures: ______26 a) Moambique (Matola) e a Cmara Municipal de Loures b) ndia (Diu) e a Cmara Municipal de Loures 3.1.1.3 Cabo Verde (CM do Paul) e a Cmara Municipal de Odivelas___________29 3.1.1.4 So Tom e Prncipe (Prncipe) e a Cmara Municipal de Odivelas_______29 3.1.1.5 PALOP e a Cmara Municipal de Oeiras ____________________________31 3.1.1.6 PALOP e a Cmara Municipal da Amadora__________________________32 3.1.1.7 PALOP e a Cmara Municipal do Seixal: ____________________________33 a) Protocolo de geminao entre os municpios do Seixal e da Boa Vista; b) Protocolo de geminao e acordo de cooperao entre a Cmara Municipal do Seixal e a Cmara Distrital da Lobata; c) Protocolo de Geminao entre a Cmara Municipal do Seixal e o Conselho Municipal da Beira (Moambique); d) Protocolo de Geminao entre a Cmara Municipal do Seixal a Administrao Municipal do Lobito (Angola); e) Protocolo de Geminao entre a Cmara Municipal do Seixal e Assis Chateaubriand. 4. Concluso_________________________________________________________38 Bibliografia________________________________________________________41
  • 5. 1. Cooperao descentralizada: A Cooperao Intermunicipal (CIM) () The central impetus for what has been described as the second wave of democratization in Africa has been the internal resistance to the centralized authoritarian state and the case for decentralization as an effective tool both for economic development and democratization (). (In Basta,1998:38). () Decentralization is apparently in vogue and is considered by many countries as a highly promising method of solving their many problems and using available potential () . (In Rossi, s.d.: 14) () A cooperao descentralizada reflecte uma nova orientao do papel do Estado, da participao e protagonismo dos beneficirios, e um maior apoio ao envolvimento da sociedade civil no desenvolvimento. Tal, determina que a Cooperao Descentralizada implique uma participao activa dos diversos agentes em todas as fases do processo e, entre outras consideraes, a prioridade capacitao institucional no sentido de incentivar a autonomia e a sustentabilidade das dinmicas locais () . (In Ministrio dos Negcios Estrangeiros, 2006: 40). A cooperao descentralizada pela dimenso e importncia que assume a umaescala no s local mas tambm mundial, contempla diferentes tipos de actuao, deestratgias, formas contratuais sendo acompanhada por um amplo leque de factores,entre os quais se destaca () a participao activa dos diversos agentes em todas asfases do processo () (MNE, 2006:40), sendo que um dos principais agentes queassume a responsabilidade de assegurar essa mesma participao, so os Municpios ouentidades equiparadas dependendo do sistema organizativo de cada pas. justamente nesse sentido que se fala, ento, em cooperao Intermunicipal (CIM),que, muito sucintamente, corresponde a uma forma de cooperao descentralizada na
  • 6. qual os municpios1 envolvidos assumem eles mesmos a funo de participao activados processos de desenvolvimento (Afonso, 1998: 25), podendo assumir diversasmodalidades/vertentes que passam por geminaes2, protocolos, acordos decooperao/colaborao e redes.Precisando, por CIM entende-se: () O estabelecimento de relaes entre duas ou mais comunidades e onde os principais actores so os municpios ou seus equivalentes, de acordo com a organizao administrativa dos diferentes pases. Nestas relaes entre parceiros podem envolver-se outros actores, tais como ONG, outras organizaes da sociedade civil, associaes empresariais/industriais, entre outras. () (Schep, e al., 1995:4).Uma vez referenciada a cooperao descentralizada3 a que se seguiu cooperaointermunicipal enquanto tipologia daquela, como j nos foi possvel observar, consideroser de primordial importncia fazer meno ao seguinte aspecto: a cooperaodescentralizada no se limita a uma escala interna, mas tambm a uma escala externa.Escala essa que lhe atribui a designao de cooperao externa descentralizada que () dever ser suficientemente abrangente e generalista, de molde a no criarconstrangimentos e limitaes actividade autrquica internacional, permitindoparcerias em qualquer parte do mundo e tendo por nico limite, quanto aos seusdestinatrios, a no existncia de reconhecimento ou relaes de Estado a Estado porparte do estado Portugus. Ao nvel dos sistemas de financiamento, referida aimportncia da afectao de recursos financeiros e da criao de mecanismos einstrumentos que permitam contractualizar a cooperao depende, em boa medida ea par da sua correcta gesto, coordenao e aplicao o xito das polticas decooperao internacional () (ANMP, 2000e).1 Apesar da cooperao intermunicipal ser protagonizada por excelncia pelos Municpios, outros actores tmdesempenhado um papel catalisador da mesma, embora em diferentes graus, como as Associaes de Municpios, aAssociao Nacional de Municpios Portugueses e a Unio das Cidades Capitais Luso-Afro-Amrico-Asiticas(UCCLA).2 Podem ser de dois tipos: bilaterais ou multilaterais (existncia de vrias entidades, estabelecendo assim, uma rede demunicpios). Ressalve-se que, ao nvel da CIM encontra-se na geminao bilateral a forma mais comum decooperao.3 Cfr Costa, Maria do Rosrio, Redes intermunicipais: uma nova dimenso econmica no quadro da CPLP?, ISEG,Lisboa, 205 in ANMP, 2000e: Os objectivos da poltica de cooperao autrquica descentralizada, devem contribuirpara a defesa e promoo da Democracia Local e do Estado de Direito, nomeadamente atravs do estabelecimento ereforo de parcerias e do debate poltico assente em valores e objectivos comuns, diferenciando a cooperaosegundo as necessidades e os mritos e incidindo muito particularmente em aces e projectos que se prendam com avida quotidiana dos cidados que intensifiquem o processo de descentralizao para o nvel local, encorajando,tambm, os mecanismos de participao e de encontro dos agentes da sociedade civil.
  • 7. 1.1. Origem da Cooperao Intermunicipal Surgida no perodo ps II Guerra Mundial, a cooperao internacional assumiuuma preponderncia central para os pases do continente europeu que se encontravamprofundamente fragilizados ao nvel das suas estruturas polticas4 e econmico-sociais5,uma vez que () a maior parte dos pases europeus defrontava-se com uma situaode destruio do aparelho produtivo e de grande dependncia em relao aos EstadosUnidos da Amrica, nico pas desenvolvido a ter conhecido um extraordinriodesenvolvimento industrial e tecnolgico no decurso do conflito () (Rato, 1998: 98).A instabilidade e a dificuldade com que os pases europeus se depararam dia aps dia,levou a que os mesmos fossem, progressivamente, consciencializando-se da ideia deque uma aproximao entre todos os povos seria a soluo para a restituio da Europa.Esta aproximao, particularmente na Europa Ocidental na dcada de 40 do passadosculo XX, traduziu-se numa reconciliao entre as naes, () assim como nacriao de novas comunidades de natureza supra-estatal, pelo que o surgimento de umanova ordem econmica mundial assente na cooperao internacional, tendo subjacente asolidariedade entre os estados ()6 era evidente. Quer a criao de uma nova ordemmundial, quer a reconciliao entre os Estados mais afectados com a II Grande Guerra,conduziram, igualmente, ao surgimento de uma importantssima tipologia decooperao - a cooperao intermunicipal (CIM). Com o intuito de promover a paz, acompreenso internacional, a amizade e a reconciliao entre o