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  • ISSN 1983-7364 ano 7 2013

    Anurio Brasileirode Segurana Pblica

  • 4 Ficha institucional 4 Ficha tcnica 6 Introduo 8 Segurana Pblica em Nmeros

    sumrio

    2

    Frum Brasileiro de Segurana Pblica Rua Mrio de Alencar, n 103 Vila Madalena So Paulo SP Brasil CEP: 05436-090 tel/fax: 55 11 3081-0925 www.forumseguranca.org.br

  • 4 Ficha institucional 4 Ficha tcnica 6 Introduo 8 Segurana Pblica em Nmeros

    Parte 1 Segurana Pblica em nmeros

    12 Estatsticas criminais 33 possvel reverter a espiral da violncia 44 Encurtando as distncias entre a lei e a poltica pblica 45 Preveno violncia e Agenda das Metas do Milnio e Desenvolvimento Ps-2015

    46 Gastos com segurana pblica e prises 55 Quando muito pouco!

    56 Populao carcerria 72 O sistema penitencirio brasileiro

    74 Efetivos das foras policiais 82 Efetivo e remunerao nas polcias brasileiras

    84 Sistema socioeducativo 90 A distncia entre o ECA e o sistema socioeducativo no Brasil

    92 Municpios 104 Os municpios na segurana pblica

    106 Confiana na polcia 108 Respeito e (Des)Confiana na Polcia

    Parte 2 Sob Fogo Cruzado: um padro inaceitvel de atuao das polcias brasileiras

    112 Sob Fogo Cruzado I: vitimizao de policiais militares e civis brasileiros

    120 Sob fogo cruzado II: letalidade da ao policial

    Parte 3 Apndice metodolgico

    132 Estimando a qualidade das estatsticas criminais

    135 Fontes dos dados publicados na edio 2013 do Anurio Brasileiro de Segurana Pblica

    3

  • 4FICHA INSTITUCIONAL

    FRUM BRASILEIRODE SEGURANA PBLICA

    Presidente de HonraElizabeth Leeds

    Presidente do Conselho de AdministraoSrgio Roberto de Abreu Conselho de AdministraoArthur TrindadeEduardo PazinatoHumberto ViannaJsus Trindade Barreto Jr.Jos Luiz RattonMarcos VelosoRenato Srgio de LimaRoberto Maurcio GenofreLus Flvio SaporiLuiz Antnio Brenner Conselho FiscalCssio RosaSilvia Ramos

    Secretria ExecutivaSamira Bueno

    FICHA TCNICA

    ANURIO BRASILEIRO DE SEGURANA PBLICA 2013

    Coordenao GeralRenato Srgio de Lima Samira Bueno

    Coordenao InstitucionalPatrcia Nogueira Prglhf

    Equipe TcnicaBeatriz Rodrigues Caio ValiengoLas Figueiredo

    Consultoria TcnicaCimar Alejandro Prieto AparicioTlio Khan

    Assessoria de ComunicaoLetra Certa Estratgia e Ttica em ComunicaoJander RamonRaphael FerrariDaniel Lopes

    TextosArthur Trindade Maranho CostaDaniel CerqueiraEdinilsa Ramos de SouzaEduardo PazinatoLiana de PaulaLigia RechenbergLuciana GuimaresLus Flvio SaporiMaria Ceclia de Souza MinayoRafael Alcadipani Renato Srgio de LimaRobert MuggahRodrigo Ghiringhelli de AzevedoSamira Bueno

    EqUIPE FRUM BRASILEIRO DE SEGURANA PBLICA

    Secretria ExecutivaSamira Bueno

    Coordenao InstitucionalPatrcia Nogueira Prglhf

    Equipe AdministrativaDbora Lopes Hilda Soares MancusoGabriela YamadaMarianni Costa

    Equipe TcnicaBeatriz Rodrigues Caio ValiengoLas Figueiredo

    AgradecimentosSecretaria Nacional de Segurana Pblica SENASP/MJSecretarias Estaduais de Segurana Pblica ou Defesa SocialGestores Estaduais do SINESPRafael Rodrigues (SENASP/MJ)Mirella Soares Diniz Luciana Gross Cunha (Direito GV/SP)

    Edio de arteURBANIA (11) 3828-3991

    expedienteCopyrightFrum Brasileiro de Segurana Pblica

    ISSN1983-7634

  • 5Nota legalOs textos e opinies expressos no Anurio Brasileiro de Segurana Pblica so de responsabilidade institucional e/ou, quando assinados, de seus respectivos autores. Os contedos e o teor das anlises publicadas no necessariamente refletem a opinio de todos os colaboradores envolvidos na produo do Anurio.

    Licena Creative Commons permitido copiar, distribuir, exibir e executar a obra, e criar obras derivadas sob as seguintes condies: dar crdito ao autor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante; no utilizar essa obra com finalidades comercias; para alterao, transformao ou criao de outra obra com base nessa, a distribuio desta nova obra dever estar sob uma licena idntica a essa.

    Apoio/Parceiros da Edio 2013 do Anurio Brasileiro de Segurana Pblica

    Open Society Foundations

    Fundao Ford

    Centro de Pesquisas Jurdicas Aplicadas da Direito GV/SP

    Secretaria Nacional de Segurana Pblica/MJ

  • E m meio comemorao dos 25 anos da Constituio Federal de 1988, no momento em que os governos e as polcias esto admi-nistrando as demandas geradas pelas manifes-taes sociais que tomaram as ruas desde junho deste ano e, ainda, no contexto da definio dos contornos da disputa eleitoral de 2014, segurana pblica continua sendo um tema tabu no Brasil.

    E, nesse contexto, os dados publicados na edio 2013 do Anurio Brasileiro de Segurana Pblica reforam a sensao de que vivemos em uma sociedade fraturada e com medo; aflita diante da possibilidade cotidiana de ser vtima e refm do crime e da violncia.

    No bastasse isso, os dados tambm indicam que o nosso sistema de segurana ineficiente, paga mal aos policiais e convive com padres operacionais inaceitveis de letalidade e vitimizao policial, com baixas taxas de esclarecimentos de delitos e precrias condies de encarceramento. No conseguimos oferecer servios de qualidade, reduzir a insegurana e aumentar a confiana da populao nas instituies.

    No plano da gesto, paradoxalmente, vrias iniciativas tm sido tentadas: sistemas de informa-o, integrao das polcias estaduais, moderniza-o tecnolgica, mudana no currculo de ensino policial, entre outras. A prpria institucionalizao do SINESPJC, que alimenta a seo de estatsti-cas criminais do Anurio Brasileiro de Segurana Pblica, uma iniciativa importante e que merece ser fortalecida.

    Porm, a histria recente da segurana pblica tem sido marcada por mudanas incompletas. Ganhos incrementais nas polticas pblicas tendem a perder fora, na medida em que no so capazes,

    introduo

    sozinhos, de modificar culturas organizacionais anacrnicas.

    As instituies policiais no experimenta-ram reformas significativas nas suas estruturas. Faz anos que o Frum Brasileiro de Segurana Pblica destaca que o Congresso tem dificulda-des para fazer avanar uma agenda de reformas imposta pela Constituio de 1988 e at hoje possui diversos artigos sem a devida regulao, abrindo margem para enormes zonas de sombra e insegurana jurdica.

    Para a Segurana Pblica, o efeito dessa pos-tura pode ser constatado na no regulamentao do art. 23 da CF, que trata das atribuies concor-rentes entre os entes, ou do pargrafo stimo, do artigo 144, que dispe sobre as atribuies das instituies encarregadas em prover segurana e ordem pblica. O prprio projeto de Lei que cria e regulamenta o Sistema nico de Segurana Pblica SUSP, que no incio deste ano tinha chances de ser votado, teve sua tramitao obs-truda na discusso sobre competncias de cada ator institucional envolvido.

    Isso significa que resultados de longo prazo s podero ser obtidos mediante reformas estruturais que enfrentem alguns temas sensveis, tais como: a distribuio e a articulao de competncias entre Unio, Estados e Municpios e a criao de mecanismos efetivos de cooperao entre eles e demais Poderes; a reforma do modelo policial esta-belecido pela Constituio; e o estabelecimento de requisitos mnimos nacionais para as instituies de segurana pblica no que diz respeito formao dos profissionais, transparncia e prestao de contas, uso da fora e controle externo.

    Trata-se de uma agenda que associa mudan-as incrementais e de prticas de gesto com

    6

  • alteraes na arquitetura institucional e legal que regula o setor no Brasil. Sem que essas duas dimenses sejam simultaneamente enfrenta-das, a perspectiva de manuteno de uma perversa realidade.

    Para esta edio do Anurio, o Frum Brasileiro de Segurana Pblica, com apoio da Open Society Foundations, produziu um amplo levantamento sobre letalidade e vitimizao na ao policial no Brasil e suas consequncias para as polticas de segurana pblica. Trata-se de um tema sens-vel para as polcias brasileiras, que muitas vezes veem aqueles que buscam discuti-lo com forte desconforto e desconfiana.

    Todavia, como destacam Samira Bueno, Daniel Cerqueira e Renato Srgio de Lima no texto que apresenta e analisa os dados sobre letalidade poli-cial, importante deixar explcito que, ao buscar esses dados, o FBSP no se coloca contra as polcias. Pelo contrrio, na verdade o que se pre-tende discutir padres operacionais das polcias e demonstrar que, se no avanarmos na agenda acima citada, tais organizaes mais perdero do que ganharo em manterem taxas elevadas de mortes em suas intervenes. No Brasil, os poli-ciais esto matando e morrendo num proporo em muito superior a qualquer mtrica ou padro internacional.

    Ainda de acordo com o texto mencionado, o debate aqui proposto no ideolgico e visa, sobretudo, fortalecer as polcias enquanto ins-tituies que valorizam o respeito ao primado da Lei, a qual, no Brasil, no autoriza o Estado a matar e , pelo Artigo 5 da Constituio Federal, estruturado na defesa e garantia de direitos da populao. Uma polcia forte uma polcia que respeita e defende a sociedade; uma polcia que gera confiana e no temor.

    Isso porque s desta forma que conse-guiremos fazer frente aos dilemas impostos pela multiplicidade de conflitos sociais que o mundo contemporneo nos impe: preveno da violncia, criminalidade urbana, organizaes criminosas, controle de distrbios, manuteno da ordem pblica, conteno de grupos violentos, mediao e administrao de conflitos, entre outros. A pauta de temas e esferas que exigem a interveno das polcias ampla e, portanto,

    falar de padres operacionais, letalidade e viti-mizao na ao policial falar da importncia destas instituies para pensarmos as respostas pblicas para os dilemas do modelo de demo-cracia e desenvolvimento do Brasil atual.

    No podemos acreditar em uma sociedade sem