78_Suprimento de Fundos - Um Estudo Bibliografico Legal e Pratico (1)

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O Suprimento de Fundos (Adiantamento) como instrumento legal e contbil da despesa pblica: Um estudo realizado na Contabilida

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Suprimento de Fundos: Um estudo Bibliogrfico, Legal e Prtico.

Israel de Oliveira Barros*

Luiz Gustavo Cordeiro da Silva**

Joaquim O. Liberalquino Ferreira ***

Marluce Maria Carvalho de Souza ****

Palavras Chave: Suprimentos de Fundos (Adiantamentos), Finanas Pblicas, Contabilidade Governamental, Controle Interno, Prestao de Contas.

Resumo

O objetivo deste estudo foi realizar um estudo bibliogrfico da abordagem financeira e oramentria dos diversos autores da rea pblica, no tocante aos Suprimentos de Fundos ou Regime de Adiantamento da Despesa Pblica, demonstrando as particularidades desse regime de exceo da despesa, comparando-o com a questo legal e pesquisando na prtica, como esto sendo contabilizados esses fenmenos.

A tcnica utilizada foi a da pesquisa bibliogrfica dos diversos estudiosos da Contabilidade Pblica, da legislao federal, estadual e municipal, quando disponveis, bem como os procedimentos adotados na contabilizao desses fatos, pela Unio, Estados e Municpios, tendo sido aplicado questionrios e entrevistas, nos diversos rgos, das trs esferas governamentais, configurando-se no mtodo dedutivo histrico bibliogrfico com nfase na anlise.

A concluso do estudo indica que a diferena de abordagem terica muito pequena entre os diversos autores, todavia, como alguns concentram seus estudos em determinadas esferas governamentais, com nfase especfica, seria importante complementar as obras com alguns procedimentos normativos ou destacar que aquele procedimento refere-se a experincia de um Estado ou Municpio, em particular. Assim possvel identificar aqueles mais afetos a legislao federal (Piscitelli, Diana Vaz, etc); a legislao estadual (Lino Martins, Heilio Kohama, etc); e a legislao municipal (Joo Anglico e outros). No tocante a contabilizao dos Suprimentos de Fundos a grande diferena a utilizao de aplicativos diferentes, visto que a rea federal utiliza o SIAFI Sistema Integrado de Administrao Financeira e alguns estados usam o SIAFEM - Sistema Integrado de Administrao Financeira para Estados e Municpios, enquanto as totalidades dos municpios, no Estado de Pernambuco, utilizam outros aplicativos, desenvolvidos por empresas particulares ou pela prpria instituio, como o caso do Municpio de Recife, fato que torna a contabilizao do Suprimento Individual diferente.

Como sntese do trabalho recomendada a implantao do SIAFEM para Estados e Municpios, como forma de garantir a transparncia e o controle das despesas pblicas, bem como a padronizao de procedimentos contbeis, devendo na fase de transio, ser adotada a sistemtica esboada no presente estudo.

REA TEMTICA: GE Gesto Econmica e Financeira*Mestre, Contador e Professor do Departamento de Cincias Contbeis da Universidade Federal de Pernambuco UFPE E-mail: israel53@bol.com.br.

**Doutorando, Contador e Professor do Departamento de Cincias Contbeis da Universidade Federal de Pernambuco UFPE E-mail: luiz.silva@sefaz.pe.gov.br.

***Mestre, Contador e Professor do Departamento de Cincias Contbeis da Universidade Federal de Pernambuco UFPE E-mail: jolf@truenet.com.br

****Contadora e Auditora Geral da Universidade Federal de Pernambuco UFPE. E-mail: audint@ufpe.com.br

Introduo

A Administrao Pblica estabelece, em algumas situaes, procedimento especial para execuo de despesas que por sua especificidade ou urgncia, no possam subordinar-se ao processamento normal da despesa, ou seja, o empenho, a liquidao e o pagamento, denominado de Suprimento de Fundos, Suprimento Individual, ou ainda de Adiantamento.

Esse tratamento especial tem o objetivo de simplificar o processamento de despesas de pequeno vulto, urgentes ou de carter sigiloso que ocorre durante a execuo oramentria, assemelhando-se ao Fundo de Caixa, utilizado nas empresas privadas, sendo de grande importncia para a resoluo de pequenos problemas ou gastos do dia-adia.

Embora o regime de execuo da despesa seja simplificado, o procedimento padro, consiste na entrega de numerrios a servidor pblico, devidamente precedido de empenho na dotao prpria, para realizao de gastos autorizados por lei, para posterior prestao de contas. Por tratar-se de bem pblico em poder de terceiros, a concesso, aplicao e prestao de contas desses valores, devem atender a diversas exigncias, regras, controles internos e contbeis, como forma de garantir a transparncia e a sua correta utilizao.

2. Estudo Bibliogrfico

Para Lima. [et.al...] (2000: 30/32)Denomina-se Suprimento de Fundos a modalidade de pagamento de despesa permitida em casos excepcionais e somente quando a realizao dessa despesa no possa subordinar-se ao processo normal de atendimento por via de ordem bancria.

Os Autores citados, afirmam com base na legislao que podero ser atendidas as seguintes despesas por meio de Suprimento de Fundos:

a. com servios que exijam pronto pagamento em espcie; b. que devam ser feitas em carter sigiloso, adotando-se o mesmo grau de sigilo, conforme se classifica em regulamento; e c. de pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujo valor no ultrapasse os limites estabelecidos em lei (5% dos limites de compras e servios e 50% do limite de execuo de obras estabelecidos em processo licitatrio, por meio da modalidade convite.

Continuando suas observaes sobre essa modalidade de despesa na Administrao Pblica, atestam que:

O ato de concesso do Suprimento de Fundos dever conter: a indicao do exerccio financeiro; a classificao da despesa a ser atendida; o nome, CPF, cargo ou funo do servidor a quem ser entregue o numerrio, bem como a indicao da unidade oramentria ou administrativa de sua lotao; a importncia a ser utilizada; o perodo de aplicao e o prazo de comprovao; e o enquadramento da concesso.

Segundo Piscitelli...[et.al.](2002:153/55) O Suprimento de Fundos, a modalidade de realizao de despesa atravs de adiantamento concedido a servidor, para prestao de contas posterior, quando no for realizvel o pagamento utilizando-se os servios da rede bancria. O ordenador de despesa autoridade competente para conceder Suprimento de Fundos, fixando-lhe o valor.

Baseado na legislao de que trata o Suprimento de Fundos, os autores relacionam os casos em que o ordenador pode conceder Suprimentos ou Adiantamentos: I servios especiais que exijam pronto pagamento em espcie; II quando a despesa deva ser feita em carter sigiloso, conforme se classifica em regulamento; e III para atender despesas de pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujo valor, em cada caso, no ultrapassar limite estabelecido em Portaria do Ministrio da Fazenda.

Afirmam ainda que o Suprido obrigado a apresentar a Prestao de Contas do recurso aplicado atravs de suprimento de fundos, devendo integrar essa prestao de contas, os seguintes documentos abaixo mencionados: a) cpia do ato de concesso do suprimento; b) 1 via da nota de empenho da despesa; c) extrato da conta bancria, se for o caso; d) demonstrao de receitas e despesas; e) comprovantes, em original, das despesas realizadas, devidamente atestados e emitidos em data igual ou posterior da entrega do numerrio e dentro do perodo fixado para aplicao, em nome do rgo emissor do empenho; no caso de compra de material e de prestao de servios, respectivamente; ou no caso de prestao de servios/pessoa fsica recibo comum ou recibo de pagamento a autnomo (RPA), sendo o beneficirio, neste ltimo caso, inscrito no INSS Instituto Nacional da Seguridade Social; f) comprovante de recolhimento do saldo, se for o caso.

Apoiados na norma legal descrevem as proibies ou restries para as concesses: a) a responsvel por dois suprimentos; b) a servidor que tenha a seu cargo a guarda ou a utilizao do material a adquirir, salvo quando no houver na repartio outro servidor; c) a responsvel por suprimento de fundos que, esgotado o prazo, no tenha prestado contas de sua aplicao; e d) a servidor declarado em alcance.

De acordo com Silva ( 2002:132/135) O regime de adiantamento aplicvel aos casos de despesas expressamente definidas em lei e consiste na entrega de numerrio a servidor devidamente credenciado, sempre precedida da emisso da nota de empenho na dotao prpria, para fim de realizar despesas que no possam subordinar-se ao processo normal de aplicao.Como proibio ou restries s concesses, o autor cita algumas situaes que impedem a liberao de recursos: a) em alcance; b) responsvel por dois adiantamentos a comprovar; c) no esteja em efetivo exerccio; d) esteja respondendo a inqurito administrativo.Cita tambm os casos onde os suprimentos de fundos devem ser aplicados: a) com diligncias policiais; b) eventuais de gabinete; c) midas de pronto pagamento; d) extraordinrias e urgentes; e) de carter secreto ou reservado.Silva adianta alguns aspectos interessantes quanto a competncia de autorizao e a requisio para concesso, a aplicaes e a comprovao dos suprimentos de fundos. Quanto a competncia, essa diz respeito a concesso de adiantamento, estando sujeita a autorizao por parte dos ordenadores de despesa principais ou secundrios.

Alm da autorizao acima, o ordenador deve determinar o tipo de licitao a que obedecer a aplicao ou a sua dispensa.

Salienta que a concesso estabelece que na requisio de adiantamento dever constar: a) indicao do exerccio financeiro no qual o adiantamento requisitado; b) classificao funcional programtica da despesa; c) nome, cargo ou funo e matrcula do servidor a quem dever ser entregue o adiantamento; d) indicao em algarismo e por extenso da importncia a ser entregue; e) prazo para aplicao do adiantamento; f) indicao do tipo de licitao ou de sua dispensa; g) finalidade do adiantamento.

Os comprovantes de despesa (notas fiscais ou faturas) sero expedidos em nome do rgo, com indicao da unidade administrativa, e os respectivos recibos de pagamento sero passados pelas firmas no prprio documento.

O entendimento que o Regime de Adiantamento ou Suprimento de Fundos seja aplicado nas situaes cujas despesas estejam bem definidas em Lei. O procedimento adotado para a execuo de despesa se inicia quando o ordenador autoriza a entrega de numerrio a servidor, precedida da Nota de Empenho na dotao prpria, objetivando realizar gastos que no possam subordinar-se ao processo normal de aplicao.

Para Kohama, podem ser atendidas as seguintes despesas pelo regime de adiantamento ou suprimento de fundos: a) casos excepcionais; b) casos de despesas expressamente definidas em lei; c) despesa que no possa subordinar-se ao processo normal de aplicao.

3. Estudo Legal

Para efeito do marco legal do estudo foram selecionadas pesquisas que envolvem desde a primeira norma brasileira sobre o assunto, datada de 1922, que foi o Regulamento de Contabilidade Pblica, passando pelas Normas Gerais de Direito Financeiro Lei 4.320/64, bem como a Legislao Federal, a do Estado de Pernambuco e os Municpios Pernambucanos.

3.1 O Marco Legal Inicial

A primeira norma brasileira disciplinando o Suprimento Individual, foi o Decreto n 15.783, de 8 de novembro de 1922, ou seja, o Regulamento Geral de Contabilidade Pblica, que na Seco IV Do Pagamento, atravs dos arts. 263 a 267, assim disciplinou essa modalidade de despesa:

Seco IV- Do Pagamento

Art. 263. o pagamento da despesa fixada no oramento ou em crditos addicionaes, e devidamente liquida e justificada, se effectua mediante ordens de pagamento, expedidas a favor dos credores pelos titulares dos diversos ministrios, pelos ordenadores secundrios devidamente autorizados, ou pelas reparties ou funccionrios a que forem distribudos crditos ou feitos adeantamentos de fundos, salvo casos excepcionais autorizados em lei.

Art. 264. a delegao de competncia para a expedio de ordens de pagamento, quando no estiver expressamente consignada em leis orgnicas ou nos regulamentos dos diversos servios pblicos, constar de acto ministerial submetido ao conhecimento do Tribunal de Contas ou suas delegaes, e onde se mencionar o cargo ou o nome do funccionrio delegado, bem como o limite mximo dentro do qual poder exercer o mandato.

Art. 266. importam, igualmente, em delegao de competncia para expedio de ordens de pagamentos as requisies de adeantamentos a serem entregues a funccionrios pblicos, para satisfao das despesas a seu cargo ou das reparties a que pertencerem.

Art. 267. taes adeantamentos somente podero ser pelos ministrios requisitados do Thesouro Nacional ou de suas delegacias nos seguintes casos: a) quando se tratar de servios extraordinrios e urgentes, que no permitam delongas na satisfao das despesas; b) quando se tratar de despesa a ser paga em logar distante de qualquer estao pagadora ou no exterior; c) quando se tratar de despesa midas e de prompto pagamento, nas diversas reparties pblicas; d) quando se tratar de despesas com expedies militares ou navios de guerra; e) quando o adeantamento for autorizado em lei

Essa pesquisa, revela que desde a primeira norma formal sobre o Suprimento de Fundos at os dias atuais, passando inclusive pela nova Constituio de 1988 e pela Lei de Responsabilidade Fiscal, na essncia, nada foi alterado em relao a definio das despesas processadas atravs dessa modalidade de pagamento, como demonstraremos adiante.

3.2 Lei n 4320, de 17 de maro de 1964.

A Lei 4.320/64 fundamental para o estudo e cumprimento de normas na rea pblica, visto que estatuiu normas gerais de direito financeiro para elaborao e controle dos oramentos e balanos da Unio, dos Estados, dos Municpios e do Distrito Federal, tendo recebido o status de Lei Complementar, com o advento da Constituio de 1988.

De acordo com o artigo 65, da referida norma, consta a primeira meno sobre a possibilidade de existncia dos adiantamentos: O pagamento da despesa ser efetuado por tesouraria ou pagadoria regularmente institudas, por estabelecimentos bancrios credenciados e, em casos excepcionais, por meio de adiantamento.

Conforme o artigo 68, os pagamentos excepcionais foram definidos da seguinte maneira: O regime de adiantamento aplicvel aos casos de despesas expressamente em Lei e consiste na entrega de numerrio a servidor, sempre precedida de empenho na dotao prpria, para o fim de realizar despesas que no possam subordina-se ao processo normal de aplicao.

A norma geral estabeleceu vrias normas relativas a concesso, aplicao e prestao de contas sobre essa modalidade de despesa, destacando-se a proibio para concesso de suprimento a servidor considerado em alcance ou responsvel por dois adiantamentos.

3.3 Controle dos Suprimentos de Fundos.

dever da administrao pblica no interesse de resguardar o dinheiro pblico, estabelea rotinas para controlar essas liberaes de recursos, editando atos normativos internos consubstanciados nos princpios desses artigos (68 e 69). O artigo 77 da Lei n 4.320/64, estabelece trs modalidades de Controles Internos: a) Prvio ou priori; b) Concomitante ou simultneo e; c) Subseqente ou posteriori.

O Controle Prvio nos gastos pblicos da competncia da administrao oramentria e financeira, que utiliza passos pr-determinados que vo da correta classificao destes gastos, desde que haja saldos oramentrios e recursos financeiros para atend-lo e da elaborao de documentos competentes (Nota de Empenho e Ordem Bancria ou Cheque) para sua formalizao.

A legislao, bem como as normas pertinentes a esse tipo de controle, esto basicamente, contidas no Decreto n 93.872, de 23/12/86.

A ferramenta do Controle Concomitante ou Simultneo a Contabilidade, cujas funes esto baseadas nos registros e na escriturao da despesa, cujos resultados figuram nos Relatrios, Balancetes e Demonstraes extradas mensalmente e no final do exerccio financeiro.

O acompanhamento da execuo oramentria, ou seja, o Controle Concomitante ou Simultneo, conforme o artigo 85, da Lei n 4.320/64, ser feito pelo rgo de Contabilidade.

Sobre este Artigo, assim ensina REIS, Heraldo da Costa e outro, 1997:

Aquela abrangncia, de natureza pessoal, a que nos referamos ao comentar o Artigo 83 (do mesmo diploma legal), completa-se neste dispositivo, no sentido horizontal, ou seja, com relao aos registros pertinentes execuo oramentria, posio financeira, composio do patrimnio e determinao de custos dos servios mantidos pela entidade.

O Controle Subseqente ou a Posteriori o que se chama de Tomada de Contas do Dirigente da Entidade e dos Servios de Auditoria no final do exerccio financeiro.

o artigo 84 da Lei n 4.320/64, que determina aos Servios de Contabilidade a superviso do levantamento das Tomadas de Contas.

Nesse artigo a Lei n 4.320/64, assim se expressa, quando s Tomadas de Contas de Dirigentes ou Agentes responsveis por dinheiro ou Bens Pblicos:

Artigo 84 Ressalvada a competncia do Tribunal de Contas ou rgo equivalente, a Tomada de Contas dos agentes responsveis por bens e dinheiros pblicos ser realizada ou superintendida pelos Servios de Contabilidade

3.4 Legislao Federal.

No mbito da administrao federal, os Suprimentos esto disciplinados pelo Decreto n 93.872, de 23 de dezembro de 1986, alterado pelos Decretos n 2.289 de 4 de agosto de 1987, Decreto n 3639, de 23 de outubro de 2000 e Decreto n 941, de 27 se setembro de 1993.

a) Decreto n 93.872/86

A referida norma, estabeleceu atravs dos arts. 45 a 47, os procedimentos e condies para concesso, aplicao e prestao de contas dos Suprimentos Individuais:

Art.45 Excepcionalmente, a critrio do ordenador de despesa e sob sua inteira responsabilidade, poder ser concedido Suprimento de Fundos a Servidor, sempre precedido do empenho na dotao prpria s despesas a realizar, e que no possam se subordinar ao processo normal de aplicao, nos seguintes casos (Lei n 4.320/64, art. 68, e Decreto-Lei n 200/67, 3 do art.74):

I servios especiais que exijam pronto pagamento em espcie;

II quando a despesa deva ser feita em carter sigiloso, conforme se classificar em regulamento; e

III para atender despesas de pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujo valor, em cada caso, no ultrapassar limite estabelecido em Portaria do Ministrio da Fazenda.

IV para atender despesas eventuais, inclusive em viagens e com servios especiais, que exijam pronto pagamento em espcie (Decreto n 2289/97).

1 - O suprimento de fundos ser contabilizado e includo nas contas do ordenador como despesa realizada; as restituies, por falta de aplicao, parcial ou total, ou aplicao indevida, constituiro anulao de despesa ou receita oramentria, se recolhidas aps o encerramento do exerccio.

2 - o servidor que receber Suprimento de Fundos, na forma deste artigo, obrigado a prestar contas de sua aplicao, procedendo-se, automaticamente, a tomada de contas se no o fizer no prazo assinalado pelo ordenador de despesa, sem prejuzo das providncias administrativas para apurao das responsabilidades e imposio das penalidades cabveis (Decreto-Lei n 200/67, pargrafo nico do art. 81 e 3 do art. 80).

3 No se conceder Suprimento de Fundos: a) a responsvel por dois suprimentos; b) a servidor que tenha a seu cargo a guarda ou a utilizao do material a adquirir, salvo quando no houver na repartio outro servidor; c) a responsvel por suprimento de fundos que, esgotado o prazo, no tenha prestado contas de sua aplicao; e d) a servidor declarado em alcance.

Art. 46 Cabe aos detentores de Suprimento de Fundos fornecer indicao precisa dos saldos em seu poder em 31 de dezembro para efeito de contabilizao e reinscrio da respectiva responsabilidade pela sua aplicao em data posterior, observados os prazos assinalados pelo ordenador de despesa (Decreto-Lei n 200/67, art.63).

Pargrafo nico A importncia aplicada at 31 de dezembro ser comprovada at 15 de janeiro seguinte.

Art. 47 A concesso e aplicao de Suprimento de Fundos, ou Adiantamentos, para atender a peculiaridades da Presidncia e da Vice-Presidncia da Repblica, do Ministrio da Fazenda, do Ministrio da Sade, das reparties do Ministrio das Relaes Exteriores no exterior, bem assim de militares e de inteligncia, obedecero ao Regime Especial de Execuo estabelecido em instrues aprovadas pelos respectivos Ministros de Estado, pelo Chefe da Casa Civil e pelo Chefe do Gabinete Institucional da Presidncia da Repblica, vedada a delegao de competncia.

Pargrafo nico A concesso e aplicao de Suprimento de Fundo de que trata o caput deste artigo, com a relao ao Ministrio da Sade, restringe-se a atender s especificidades decorrentes da assistncia sade indgena. (alterado pelo Decreto n 3639/2000)

3.5 Legislao no Estado de Pernambuco.

A Lei Estadual n 7.741, de 23 de outubro de 1978 e suas alteraes posteriores, nos arts. 156 a 172 disciplinaram o regime de adiantamentos ou suprimentos individuais, no mbito do Estado de Pernambuco, estabelecendo entre outras questes que consiste na entrega de numerrio a servidor, de preferncia segurado sempre precedida de empenho na dotao prpria, para o fim de realizar despesas que no possam subordinar-se ao processo normal, entendidas como aqueles casos excepcionais, devidamente definidos no Cdigo de Administrao Financeira e a critrio do Ordenador de Despesa, compreendendo: a) despesas extraordinrias ou urgentes; b) despesas de custeio no superiores a 600 (seiscentas) Unidades Fiscais do Estado de Pernambuco - UFEPE's, com exceo da Secretaria de Educao, cujo limite ser de 1.800 (hum mil e oitocentas) UFEPE's, ou outro ndice que venha a substitu-la, obrigando-se o responsvel pelo suprimento a comprov-las, mediante a apresentao de prestao de contas, no prazo estipulado neste Cdigo; c) despesas de custeio de pronto pagamento no superiores a 40 (quarenta) UFEPE's ou outro ndice que venha a substitu-la, independentemente de comprovao, bastando relacion-las; d) despesas que tenham de ser efetuadas em local distante da sede da unidade, entendendo-se como tal, fora da Regio Metropolitana do Recife; e) despesas com diligncias policiais ou motivadas pela necessidade de restabelecimento da ordem pblica.

Foi criado pelo Estado de Pernambuco, atravs da Lei n 11.466, de 24 de julho de 1997, o Suprimento de Fundo Institucional que consiste na transferncia de numerrio s escolas da rede pblica estadual, sempre precedida de empenho na dotao prpria, para o fim de execuo de despesas em regime especial, devidamente regulamentada pelo Decreto n 20.246, de 18 de dezembro de 1997.

A legislao estadual estabeleceu os requisitos para solicitao de Suprimentos Individual, determinando como elementos mnimos: a) nome, matrcula, cargo ou funo do servidor a quem deve ser entregue o suprimento; b) classificao completa da despesa por conta do crdito oramentrio; c) exerccio financeiro; d) indicao do valor do suprimento; e) o local ou locais onde ser aplicado o suprimento; f) perodo de aplicao e prazo para comprovao; g) espcie do pagamento a realizar; h) referncia expressa de que o suprimento dever corresponder a determinada nota de empenho, no podendo ser aplicado em mais de um elemento de despesa.

Para melhor controle dos suprimentos foram estabelecidas as seguintes proibies: a) utilizao de suprimento para determinado elemento de despesa em outro; b) a responsvel por dois suprimentos pendentes de prestao de contas, ou em alcance; c) nas despesas cuja licitao no possa ser dispensada; d) Quando o responsvel pelo suprimento funcionar apenas como Tesoureiro, os pagamentos dependero de autorizao do ordenador de despesa no documento hbil.

Os controles sobre os Suprimentos Individuais sero realizados nas condies abaixo: a) prazo para prestao de contas de 60 (sessenta) dias, a contar da data de liberao do suprimento; b) pagamento de multa correspondente a 10% (dez por cento) do valor original do suprimento, atualizado monetariamente pela variao da URF, a partir da expirao do prazo de prestao de contas; c) recolhimento Conta nica do Estado dos saldos no aplicados, devidamente atualizados; d) servidor considerado em alcance, quando no prestar contas no prazo mximo de 90 (noventa); e) instaurao da tomada de contas do responsvel pelo suprimento, quando ultrapassado os 90 (noventa) dias para prestao de contas; f) Encaminhamento da prestao de contas de suprimento individual ao rgo Central do subsistema de Contabilidade mediante ofcio acompanhado dos seguintes documentos:

comprovantes de despesas referidas no artigo 173;

quitao correspondentes a recolhimentos de tributo;

balancetes demonstrativos dos recursos e de sua aplicao;

guia de recolhimento Conta nica, anexada via prpria da nota de anulao de empenho ordem de pagamento, quando houver estorno parcial de ordem de pagamento e respectivo recolhimento.

g) Os documentos de comprovao das despesas sob regime de suprimento individual, obedecidas as normas de liquidao, devero:

ser emitidos em data no anterior ao empenho do suprimento, em nome do Estado, e indicar a unidade oramentria;

ter os recibos firmados pelo credor ou procurador legalmente habilitado, em nome do responsvel pelo suprimento;

conter anotao do documento de identificao, quando se tratar de pessoa fsica;

serem visados pelo titular da Unidade Oramentria.

h) O ordenador de despesa responder pelo atraso das prestaes de conta a que est obrigado pelo responsvel pelo suprimento, sujeitando-se s mesmas penalidades impostas quele, caso no faa comunicao escrita ao rgo central do subsistema de contabilidade do Estado, no primeiro dia til aps decorrido o prazo mximo para a prestao de contas.

i) Impugnada a prestao de contas pelo ordenador de despesa, este determinar ao responsvel a sua imediata regularizao, sob pena de remessa do processo ao rgo central do subsistema de contabilidade do Estado, a fim de ser apurada a responsabilidade do encarregado pelo suprimento.

3.6 Legislao nos Municpios do Estado de Pernambuco.

A regra geral para os Municpios do Estado de Pernambuco a adoo da Lei Estadual n 7.741, de 23 de outubro de 1978 e suas alteraes posteriores, a exceo do Municpio do Recife que possui uma legislao prpria, sem todavia, alterar os dispositivos da norma estadual.

4. Estudo Prtico.

Para completar a pesquisa, foram analisadas as formas de contabilizao do Suprimento Individual na Administrao Federal, no Estado e Municpios de Pernambuco, chegando as concluses descritas a seguir, uma vez que atravs da Contabilidade que se pode registrar os fenmenos contbeis e medir a riqueza aziendal, com bem afirmar LOPES DE S (1977: 144): a contabilidade a Cincia que estuda os fenmenos patrimoniais sob o aspecto do fim aziendal.

4.1 Contabilizao na Administrao Federal (Oramentria, Financeira, Patrimonial)

A nvel do Governo Federal, a Contabilidade Pblica se viu fortalecida com a criao de diversos aplicativos, a exemplo do SIAFI Sistema Integrado de Administrao Financeira do Governo Federal, SIAPE Sistema Integrado de Administrao de Pessoal do Governo Federal e SIAFEM Sistema Integrado de Administrao Municipal para os Estados e Municpios.

O SIAFI foi o primeiro aplicativo viabilizado na Contabilidade Pblica e teve como um dos objetivos iniciais o estabelecimento da conta nica, processo esse baseado no fato de que todas as unidades gestoras/on line do Sistema, ficariam com os saldos bancrios registrados e controlados e suas contas escriturais no Banco do Brasil S/A.

O SIAFI tem como legislao bsica a Lei n 4.320/64, o Decreto n 95.452/86 (art. n 12), o Decreto 93.872/86 e a Instruo Normativa MF/STN n 08, de 05.11.93.

O Suprimento de Fundos tem como disciplinamento, a Instruo Normativa n 05 de novembro de 2004, da Secretaria do Tesouro Nacional, que estabelece como regra geral:

I - Excepcionalmente, a critrio do Ordenador de Despesa e sob a sua inteira responsabilidade, poder ser concedido Suprimento de Fundos a servidor, sempre precedido de empenho na dotao prpria s despesas a realizar, e que no possam subordinar-se ao processo normal de aplicao, nos seguintes casos:

a) para atender despesas eventuais, inclusive em viagens e com servios especiais, que exijam pronto pagamento em espcie; b) quando a despesa deva ser feita em carter sigiloso, conforme se classifica em regulamento; e

c) para atender despesas de pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujos valores, em cada caso, no ultrapassarem limites estabelecidos no item 4 (quadros I e II).

II - A entrega do numerrio ao suprido ser mediante:

A emisso de Ordem Bancria, tendo como favorecido o Suprido, para crdito em conta bancria aberta em seu nome e com sigla da UG Unidade Gestora, concedente e respectivo CNPJ, devidamente autorizado pelo Ordenador de Despesa, quando seu montante for igual ou superior a 50% (cinqenta) dos valores estabelecidos para os objetos 1 e 2 do Quadro I .

Obs.1: Quando o evento informado for suprimento de fundos (tipo de despesa=09), o sistema realizar as seguintes crticas:

a) A nota de empenho informada dever possuir Modalidade de Licitao=09 (Suprimentos de Fundos);

b) A conta corrente do favorecido dever ser do tipo suprimento de fundos (tipo conta=2);

c) A UG/Gesto emitente da OB Ordem Bancria, dever ser igual UG/Gesto supridora da conta do favorecido; e

d) A OB poder tambm ser dos tipos OBP (Pagamento), OBD (Carto), OBK (Cmbio) ou OBB (Banco) com lista de credores. Esta dever conter somente contas do tipo suprimento de fundos.

Obs.2: o enquadramento contbil dessas contas, junto ao Banco do Brasil, como pertencente ao Governo Federal para atender suprimento de fundos, poder ser identificada pela codificao compreendida entre 333300 a 333999, podendo ser cadastrada pela prpria UG. Se domiclio diferente de Banco do Brasil, somente a CONFIN (Coordenao Financeira) poder cadastrar esse domiclio.

Obs.3: No caso em que o valor for inferior a 50% nada impede a abertura de uma conta-corrente bancria, em nome do suprido e vinculada ao rgo Concedente.

III - A entrega do numerrio ao suprido, quando o valor for inferior ao previsto no subitem anterior , poder ser efetivada por meio de Carto de Crdito Coorporativo.

IV - A concesso de Suprimento de Fundos deve ser classificada em funo do objeto de gasto.

a) para a concesso de Suprimento de Fundos a despesa dever ser contabilizada no elemento de despesa correspondente ao da sua realizao, subitem 96, no podendo o saldo deste subitem ultrapassar 5% do total do respectivo elemento.

b) caso o valor da despesa ultrapasse o percentual fixado no item anterior, esta dever ser contabilizada no subitem especfico de sua realizao.

V - O Suprimento de Fundos ser contabilizado e includo nas contas do Ordenador como despesa realizada; as restituies, por falta de aplicao, parcial ou total, ou aplicao indevida, constituiro anulao de despesa, ou receita oramentria, se recolhidas aps o encerramento do exerccio.

VI - No ato em que autorizar a concesso de suprimento, a autoridade ordenadora fixar o prazo de aplicao, que no deve exceder a 90 (noventa) dias, nem ultrapassar o trmino do exerccio financeiro, e o da prestao de contas, que dever ser apresentada dentro dos 30 (trinta) dias subseqentes.

VII - Na prestao de contas, para a comprovao das despesas realizadas, devero ser observados os seguintes procedimentos:

a) O servidor que receber Suprimento de Fundos, na forma do subitem anterior, obrigado a prestar contas de sua aplicao, procedendo-se, automaticamente, tomada de contas se no o fizer no prazo assinalado pelo Ordenador de Despesa, sem prejuzo das providncias administrativas para apurao das responsabilidades e imposio estabelecidas pelos Decreto n 2.289, de 04 de agosto de 1987, Decreto n 3.639 de 23 de Outubro de 2000;

b) A comprovao das despesas realizadas, dever estar devidamente atestada, por outros servidores que tenham conhecimento das condies em que estas foram efetuadas, em comprovante original cuja emisso tenha ocorrido em data igual ou posterior a de entrega do numerrio e compreendida dentro do perodo fixado para aplicao, em nome do rgo emissor do empenho.

c) A comprovao das despesas realizadas pelo suprido fora do pais e pagas em moeda estrangeira, necessrio se faz proceder a equivalncia entre esta e o Real, convertida na data de cada despesa, conforme documentos fiscais, devendo ser observada as variaes cambiais passivas e ativas.

VIII - No se conceder Suprimento de Fundos:

a) a responsvel por dois suprimentos;

b) a servidor que tenha a seu cargo e guarda ou a utilizao do material a adquirir, salvo quando no houver na repartio outro servidor;

c) a servidor declarado em alcance.

IX - Cabe aos detentores de Suprimento de Fundos fornecer indicao precisa dos saldos em seu poder em 31 de dezembro, para efeito de contabilizao e reinscrio da respectiva responsabilidade pela sua aplicao em data posterior, observados os prazos assinalados pelo Ordenador de Despesa, devendo a importncia aplicada at 31 de dezembro ser comprovada at 15 de janeiro seguinte.

X - A concesso e aplicao de Suprimento de Fundos, ou Adiantamentos, para atender peculiaridades da Presidncia e Vice-Presidncia da Repblica, do Ministrio da Fazenda, do Ministrio da Sade, das Reparties do Ministrio das Relaes Exteriores no Exterior, assim rgos Militares e de Inteligncia, obedecero a regime especial de exceo estabelecidos em instrues aprovadas pelos respectivos Ministros de Estado, pelo Chefe da Casa Militar e pelo Secretrio-Geral da Presidncia da Repblica, sendo vedada a delegao de competncia.

XI - A concesso e aplicao de Suprimento de Fundos no mbito do Ministrio da Sade restringe-se a atender s especificidades decorrentes da assistncia sade indgena.

XII - As despesas decorrentes dos deslocamentos do Presidente e do Vice-Presidente da Repblica, dos Ministros de Estado e dos integrantes das respectivas comitivas oficiais, como hospedagem, alimentao e locomoo, no Territrio Nacional, sero realizadas mediante concesso de suprimento de fundos conta dos recursos oramentrios consignados a essas pessoas, obedecido o disposto nos itens e subitens anteriores e nos quadros I e II.

QUADRO I

OBJETOLIMITE

1- Obras e Servios de Engenharia5% do valor mximo para obras e servios de Engenharia na Modalidade de Licitao CONVITE (alnea a) do inciso I do art. 23 da Lei 8.666/93 alterada pela Lei 9648 de 27/05/98.

2- Outros Servios e Compras em Geral5% do valor mximo para outros servios e compras em geral na modalidade de Licitao CONVITE (alnea a) do inciso II do art. 23 da Lei 8.666/93 alterada pela Lei 9648 de 27/05/98.

II - O limite mximo de cada despesa de pequeno Vulto deve obedecer aos valores do quadro II.

a) o limite a que se refere este artigo o de cada despesa, vedado o fracionamento de despesa ou documento comprobatrio, para adequao a este valor.

QUADRO II

OBJETOLIMITE

1- Obras e Servios de Engenharia0,25% do valor mximo para obras e servios de Engenharia na Modalidade de Licitao CONVITE (alnea a) do inciso I do art. 23 da Lei 8.666/93 alterada pela Lei 9648 de 27/05/98.

2- Outros Servios e Compras em Geral0,25% do valor mximo para outros servios e compras em geral na modalidade de Licitao CONVITE (alnea a) do inciso II do art. 23 da Lei 8.666/93 alterada pela Lei 9648 de 27/05/98.

III - os valores referidos nos Quadros I e II sero atualizados na forma do pargrafo nico do artigo 120 da Lei 8.666/93 (valores publicados no Dirio Oficial da Unio pelo Poder Executivo Federal).

Conforme dados colhidos no SERPRO Servio Federal de Processamento de Dados do Ministrio da Fazenda, o SIAFEM registra: a) A Dotao Oramentria; b) O Empenho da Despesa; c) A Liquidao da Despesa; d) O Pagamento da Despesa; e) O Depsito ou Recolhimento de algum pagamento efetuado ou restituio devida suas principais funes do SIAFEM so: 01 Tabelas; 02 Plano de Contas; 03 Eventos; 04 Carga do oramento; 05 Descentralizao de Crdito; 06 Liberao de Cota Financeira; 07 Rolagem de Cota Financeira; 08 Empenho da Despesa; 09- Consultas Oramentrias; 10 Consulta de Documentos Oramentrios; 11 Liquidaes e Pagamento de Despesas; 12 Execuo de Programao de Desembolso; 13 Consultas Financeiras; 14 Consultas Contbeis; 15 Encerramento de Exerccio; 16 Conta nica.

4.2 Contabilizao no Estado de Pernambuco

Em relao ao Estado de Pernambuco, como o aplicativo utilizado o SIAFEM - Sistema Integrado de Administrao Municipal para os Estados e Municpios, os procedimentos so os mesmos adotados pelo SIAFI, exceto quanto a movimentao de contas correntes que so mantidas no BANDEPE Banco do Estado de Pernambuco e os valores que so estabelecidos com base em UFEPES, conforme citado no item 3.5, deste estudo.

4.3 Contabilizao nos Municpios do Estado de Pernambuco

Em relao aos Municpios do Estado de Pernambuco, foi constatado que a no se utiliza o SIAFEM para contabilizao dos fenmenos da rea pblica. Dessa forma, os municpios no utilizam conta-corrente para fornecerem os Suprimentos Individuais e 80% (oitenta por cento), no usam o sistema de compensao para registrarem os valores dos supridos, enquanto no prestam contas.

5. Anlise de Resultados

A anlise de resultados ser realizada em relao ao marco terico, que foi o estudo bibliogrfico, a legislao e a forma de contabilizao que foi o estudo prtico.

5.1. Em relao ao Estudo Bibliogrfico

Em decorrncia da reviso bibliogrfica efetuada foram constatadas:

a)Na concesso

Com respeito a liberao de recurso em regime de adiantamento ou Suprimento de Fundos, este trabalho acadmico consultou os autores abaixo mencionados, bem como os aplicativos SIAFI e SIAFEM, criados pelo Governo Federal para acompanhar as atividades relacionadas com a Administrao Oramentria/Financeira da Unio, Estados e Municpios.

Assim, constatou-se que podero ser atendidos as seguintes despesas por meio de Suprimento de Fundos: i) Midas e de Pronto Pagamento; ii) Extraordinrias e Urgentes; iii) Com Diligncia Especial; iv)Eventuais de Gabinete; v) Secreta ou Reservada; vi) Pequeno Vulto (5% para compra e servio); vii) Expressamente definidas em Lei; viii) Que no possa subordinar-se ao processo normal; ix) Pequeno Vulto (50% para execuo de obras); x) Limite - 5% do valor mximo para obras e servios de Engenharia na Modalidade de Licitao CONVITE (alnea a) do inciso I do art. 23 da Lei 8.666/93 alterada pela Lei 9648 de 27/05/98; xi) Limite - 5% do valor mximo para outros servios e compras em geral na modalidade de Licitao CONVITE (alnea a) do inciso II do art. 23 da Lei 8.666/93 alterada pela Lei 9648 de 27/05/98; xii) Limite - 0,25% do valor mximo para obras e servios de Engenharia na Modalidade de Licitao CONVITE (alnea a) do inciso I do art. 23 da Lei 8.666/93 alterada pela Lei 9.648 de 27/05/98; xiii) Limite - 0,25% do valor mximo para outros servios e compras em geral na modalidade de Licitao CONVITE (alnea a) do inciso II do art. 23 da Lei 8.666/93 alterada pela Lei 9648 de 27/05/98.

Quadro II - da ConcessoItensLima DianaPiscitelliSilvaKohamaSIAFISIAFEM

iSIMSIMSIMSIMSIMSIM

iiNOSIMSIMSIMSIMSIM

iiiNOSIMSIMNOSIMSIM

ivNONOSIMNONONO

vSIMSIMSIMNOSIMSIM

viSIMSIMSIMNOSIMSIM

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viiiNONONOSIMSIMSIM

ixSIMSIMNONOSIMSIM

xSIMSIMNONOSIMSIM

xiSIMSIMNONOSIMSIM

xiiSIMSIMNONOSIMSIM

xiiiSIMSIMNONOSIMSIM

Embora possa ser observada discrepncias em relao a citao de normas explcitas quanto algumas questes na concesso, acreditamos que itens obrigatrios no podem ser excludos, com o item VII Expressamente definidos em lei.

b) Na proibio ou na restrio

Quanto as proibies ou restries de concesses a tabela abaixo aponta o que pensam os autores consultados e o que so estabelecidos pelos aplicativos SIAFI e SIAFEM, com relao aos servidores/supridos: i) servidor em alcance; ii) servidor responsvel por dois adiantamentos a comprovar; iii) servidor que no esteja em efetivo exerccio; iv) servidor que esteja respondendo a inqurito administrativo; v) servidor responsvel pela guarda de material (almoxarife).

Quadro III Restries e ProibiesItensLima DianaPiscitelliSilvaKohamaSIAFISIAFEM

iSIMSIMSIMSIMSIMSIM

iiSIMSIMSIMSIMSIMSIM

iiiNOSIMSIMNOSIMSIM

ivSIMNOSIMNOSIMSIM

vSIMSIMNONOSIMSIM

A mesma observao feita anteriormente serve para o quadro de Restries e Proibies, no podendo deixar de ser mencionada pelos autores de forma explcita.

c) Na formao da Prestao de Contas

A Comprovao de despesa por meio de Suprimento sugerida e estabelecida pelos autores abaixo citados e pelos Aplicativos constantes da tabela a seguir, atravs de documentos que definem os gastos de maneira fidedigna: i) Documento de Concesso; ii) Primeira via da nota de empenho; iii) Extrato da Conta Corrente que movimentou o Recurso Liberado; iv) Comprovante de recolhimento do saldo no utilizado; v) Balancete de Receita e Despesa; vi) Cheques no utilizados; vii) Comprovantes de Despesas Realizadas.

Quadro IV Formao da Prestao de Contas

ItensLima DianaPiscitelliSilvaKohamaSIAFISIAFEM

iSIMSIMNOSIMSIMSIM

iiSIMSIMSIMSIMSIMSIM

iiiSIMSIMNONOSIMSIM

ivSIMSIMSIMNOSIMSIM

vSIMSIMSIMSIMSIMSIM

viNONOSIMNONONO

viiNOSIMSIMNOSIMSIM

fundamental insistir sobre a necessidade de reformulao de alguns conceitos, devendo, os autores, serem claros quanto aos itens obrigatrios para Prestao do Suprimento de Fundos.

d)Quanto a Escriturao Contbil (Financeira e Oramentria)Constatou-se que os autores consultados apresentam os registros contbeis das transaes relativas ao pagamento de recursos em regime de adiantamento ou Suprimento de Fundos, ora semelhantes, ora diferentes, quando comparados entre si.

Assim, os autores LIMA, DIANA...[et.al].(2000), optou pelo SIAFI - Sistema Integrado de Administrao Financeira ou SIAFEM - Sistema Integrado de Administrao Financeira para os Estados e Municpios, ressaltando que esses aplicativos possuem um SOFTWARE que ao receber os dados corretos alusivos a cada evento faz a escriturao contbil de forma automtica e padronizada.

PISCITELLI...[et.al](2002), adotam tambm o SIAFI/SIAFEM, pelas mesmas razes dos autores anteriores, mas apresentam modelo de contabilizao para as operaes tpicas numa Administrao Estadual ou Municipal.

SILVA, LINO (2002), nessa obra de grande valia para a Contabilidade Pblica esse autor exerce com muita maestria o vasto conhecimento e experincia adquiridos nos rgos pblicos onde trabalhou.

Assim, o roteiro de contabilizao para a concesso e prestao de contas de recursos liberados para o Suprimento de Fundos, esse autor centralizou seus exemplos com base na Prefeitura do Rio de janeiro, conhecimentos esses conseguidos aps a implantao da Controladoria Geral naquele Municpio.

KOHAMA (2003), inova na questo metodolgica em relao aos registros de forma mais abrangente, envolvendo todos os sistema e reflete sua experincia a nvel de estados, especialmente o de So Paulo.

5.2.Quanto ao Estudo Legal

importante destacar a observao realizada j no Regulamento Geral de Contabilidade Pblica, editado em 1922, uma vez que as mesmas normas so mantidas em todo o seu contedo, seja pela Unio, Estados e Municpios, mudando apenas as expresses e termos, mas sem alterar seu contedo e abrangncia.

5.3.Quanto ao Estudo Prtico

5.3.1SIAFI e SIAFEM: a) A concesso, a proibio ou restrio e a formao documental da prestao de contas, tem como fundamento legal os dispositivos devidamente comentados no desenvolvimento da reviso bibliogrfica; b) A escriturao contbil da liberao de recursos em regime de Suprimento de Fundos, segue as regras preconizadas pelo SIAFI, a partir do Plano de Contas aprovado pela Instruo Normativa, n 23, de 23 de dezembro de 1986, DOU n 248, de 30 de dezembro de 1986, da Secretaria do Tesouro Nacional, que obedecendo a sistemtica da Contabilidade Pblica, so registrados em funo dos documentos de entrada de dados. (Nota de Dotao, Nota de Lanamento, Nota de Empenho, etc.) e dos eventos.

Os registros contbeis de acordo com a liberao de recursos para aplicao e despesas no regime de Adiantamento ou Suprimento de Fundos/SIAFI, so a seguir exemplificados:

1 Caso: A Concesso e Prestao de contas ocorreram no mesmo exerccio e valor concedido foi aplicado integralmente.

a)Na Concesso

Local, 2004.

Lanamento n 01/Sistema Oramentrio.

Evento: 40.1.091- Empenho da Despesa

D Crdito Disponvel

C Crdito Empenhado a Liquidar

Valor que se empenha................R$ 100,00

b)No Pagamento

Local, 2004.

Lanamento n 02/Sistema Financeiro.

Evento: 51.0.xxx Suprimento de Fundos

D Despesa Oramentria (Natureza da Despesa)

C Bancos (Conta nica)

Valor de Apropriao da

Despesa.........R$ 100,00

c)Baixa da Nota de Empenho

Local, 2004.

Lanamento n 03/ Sistema Oramentrio.

Evento 51.0.116 Liquidao do Empenho

D Crdito Empenhado a Liquidar

C Crdito Empenhado Liquidado

Valor da Baixa da Nota de

Empenho...R$ 100,00

d) Registro da Responsabilidade do Suprido

Local, 2004.

Lanamento n 04/Sistema de Compensao.

Evento: 54.0.157 Registro da Responsabili-

dade

D Responsabilidades de Terceiros ( Nome

do Suprido )

C Valores, Ttulos e Bens sob Responsabilidades

Valor da Responsabilidade atribuda ao servidor..........................................R$ 100,00

e)Recebimento da Prestao de Contas

Local, 2004.

Lanamento n 05/ Sistema de Compensao.

Evento: 54.0.158 Baixa da Responsabilidade de Terceiros

D Valores, Ttulos e Bens sob Responsabilidades

C Responsabilidades de Terceiros ( Nome do Suprido )

Valor da baixa de Responsabilidade..................................................................R$ 100,00

2 Caso: O Valor concedido no foi aplicado integralmente, mas a prestao ocorreu no mesmo exerccio e a importncia no aplicada foi de R$ 8,00.

a)Anulao da Despesa Empenhada

Local, 2004.

Lanamento 01/Sistema Oramentrio

Evento: 40.1.093 Anulao da Despesa Empenhada

D Crdito Empenhado a Liquidar

C Crdito Disponvel

Valor que se anula... ....................R$ 8,00

b)Recebimento da importncia no Aplicada

Local, 2004.

Lanamento n 02/Sistema Financeiro

Evento: 80.1.xxx Receita (Estorno)

51.5.xxx Suprimento de Fundos

D Bancos (Conta nica)

C Despesa Oramentria (Natureza da Despesa)

Valor Recebido face anulao

de despesa.................................R$ 8,00

Observao:O sistema de compensao permanece com os mesmos registros, uma vez que houve a prestao de contas, com a devoluo devida.

3 Caso: O Valor concedido no foi aplicado integralmente; a prestao de contas e a devoluo ou saldo R$ 8,00 no aplicado ocorreram no exerccio seguinte.

a)Anulao da Despesa Empenhada

Local, 2004.

Lanamento n 01/Sistema Financeiro

Evento: 80.1.xxx Receita (Estorno)

52.0.260 Receita Pendentes de Classificao

D Bancos ( Conta nica)

C Receitas Correntes Pendentes de Classificao

Valor Recebido pela no aplicao integral de Suprimento de Fundos

concedidos no exerccio anterior............................................................R$ 8,00

Observaes: 1A receita acima ser classificada no exerccio; 2 A baixa da responsabilidade do suprido ser registrada integralmente.

5.3.2No Estado de Pernambuco

Como o Estado de Pernambuco utiliza o SIAFIM - Sistema Integrado de Administrao Financeira para Estados e Municpios, podemos concluir que a sistemtica de contabilizao a mesma do SIAFI.

5.3.3Nas Prefeituras Pesquisadas

Nas Prefeituras pesquisadas so adotados outros sistemas de aplicativos na contabilizao de suas transaes oramentrias (Receita e Despesa), podendo destacar apenas as situaes onde no so utilizados os sistemas de compensao, que correspondem 80% (oitenta por cento), do universo de cento e setenta e uma.

Em visita realizada no TCE Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, foi constatado que nenhuma Prefeitura de Pernambuco implantou o SIAFEM como um sistema computacional de integrao de programao financeira, de execuo oramentria e de contabilizao das transaes realizadas por suas Secretarias e seus rgos.

6. Concluses, recomendaes e sugestes para pesquisas futuras.

De acordo com as anlises realizadas junto ao SIAFI (Administrao Federal), Estado de Pernambuco (Secretaria da Fazenda e Prefeituras Municipais), bem como nas fontes secundrias analisadas, sugere-se: a) Quanto ao Estudo Bibliogrfico - que os autores sejam explcitos quanto aos sistemas normativos de Suprimento Individual, complementado suas obras com os demais dispositivos ou chamando a ateno que o estudo se aplica exclusivamente quela unidade federada; b) Quanto ao Estudo Legal que os Estados, padronizem atravs dos Cdigos de Administrao Financeira as normas gerais para os Municpios; c) Quanto ao Estudo Prtico - esforos para divulgao e implantao do SIAFEM - Sistema Integrado de Administrao Financeira para Estados e Municpios, em todas as Prefeituras do Estado, objetivando promover a modernizao e a integrao dos sistemas de programao financeira, de execuo oramentria e de contabilidade, bem como padronizar os procedimentos e diminuir os custos; e d) Enquanto no for aplicado e implantado o SIAFEM, que os registros contbeis para os Municpios adotem as regras e roteirizao estabelecidas pelo SIAFI/SIAFEM Sistemas Integrados de Administrao Financeira para a Unio, Estados e Municpios.

Espera-se que este trabalho acadmico contribua para aprimorar ainda mais as obras existentes na rea contbil, com aplicao para Administrao Financeira e Oramentria, que o sistema normativo seja implantado por todos os Estados e Municpios, bem como a adoo do tratamento contbil padronizado e nico para o Regime de Suprimento de Fundos, contribuindo para a transparncia, controle e correta aplicao dos recursos pblicos.

Bibliografia

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MACHADO JR., Teixeira Reis; COSTA, Heraldo da. A Lei 4320/64 Comentada. 28. ed. Rio de Janeiro: IBAM, 1997. 406p.

PETER, Maria da Glria Arais e Malhado, Marcus Vinicos Veras. Manual de Auditoria Governamental. So Paulo: Atlas, 2003

PISCITELLI, Roberto Bocccio; Timb, Maria Zuleide Farias; Rosa, Maria Berenice Contabilidade Pblica. - 5.ed.rev. e atualiz. So Paulo: Atlas, 2002.

S, Antnio Lopes de. Curso de Auditoria. 6. ed. So Paulo: Atlas, 1980.

S, Antonio Lopes de. Dicionrio de Contabilidade. 6a. ed. Revista e ampliada. So Paulo: Atlas, 1977.

SILVA, Lino Martins da. Contabilidade Governamental: um enfoque administrativo. 3.ed. So Paulo: Atlas, 2004.