6 Edio - O Espectro

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Jornal acadmico online do Ncleo de Cincia Poltica.

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  • O ESPECTRO Ncleo de Cincia Poltica - ISCSP UL 6 EDIO - 24 de Fevereiro de 2014

    Ucrnia

    Revolta Laranja: parte II

    Destaque, 7

    POL TCA EXTERNA

    Suia: um relgio

    com defeito

    Globo, 6

    ONU

    Coreia do Norte

    Globo, 5

    PSD

    Expulsar. Ser

    expulso no

    Poltica Interna, 3

    EXPERINCIAS ERASMUS

    n t e r c mb i o d e A l uno s

    Grenoble, por Ana Catarina

    Jesus

    (pg. 8)

    Praga, por Pedro Aires

    (pg. 10)

    segue-nos no

    twitter.com/O_Espectro

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    COLUNA EX LIBRIS

    C r t i c s L i t e r r i s

    Do socilismo uto pico

    o socilismo cient fico

    Friedrich Engels

    (pg. 4)

    Sudoso 2011

    (pg. 6)

  • 02 | 24 Fevereiro 2014

    O ESPECTRO

    EDITORIAL

    Est sext edi o dO Espectro levr te os nossos leitores os destques e opinio es dos ssuntos que mrcm ordem do di. Tod noss equip n o poder deixr de reflectir e de expressr o seu pesr pelo cen rio de viole nci com o qul Ucr ni se depr. S o protestos e revolts que j durm h qutro meses, que j vitimrm 100 pessos, e que fizerm com que todos os olhos se voltssem pr o centro de Kiev, pr emblem tic Pr d ndepende nci. As luts contr governos opressores e pel defes dos direitos humnos form e ser o sempre um constnte n histo ri. Anos de luts que se trnsformrm com o tempo e que intensificm mior import nci o n vel dos vlores t o em vog ms muitos deles esquecidos. A toler nci e o respeito pel dignidde e pelos direitos humnos s o lguns exemplos. O que ctulmente se presenci n Ucr ni mostr-nos os contornos de mis que um crise pol tic ms sim o despoletr de um verddeir revolu o e firm o de msss. Como form de nos proximrmos de quem nos compnh edi o po s edi o e de dinmizr o nosso projecto, foi desenvolvid um inicitiv de fix o de crtzes lusivos o jornl, em lguns dos principis pontos cde micos d cidde de Lisbo. Esperemos contr com todos vo s pr um mior difus o d leitur e sobretudo do debte sobre os mis vridos tems d ctulidde, desde pol tic economi. Pr concluir, nest sext edi o, premimos-vos com qutro rtigos de opini o sobre os mis vridos tems, tnto relciondos com ssuntos ncionis como interncionis, com cr tics liter ris e ind com dus coluns pr dois lunos do curso de Cie nci Pol tic, que ir o reltr s sus experie ncis enqunto integrntes do plno ERASMUS. Desejmos um bo leitur, sempre de no s pr vo s.

    Cristina Santos

    FICHA TCNICA

    Coordenao Adrin Correi Vice-Coordenao Jon Lemos Coordenador de Entrevistas e Reportagens Adrin Correi Reviso Adrin Correi e Cristin Sntos Editor s Rfel e Jo o Miguel Silv Plataformas de Comunicao Andre Cbrl, Jose Slvdor e Jo o Mrtins Cartaz Cultural Jo o Miguel Silv Redao An Ctrin Jesus Andre Cbrl Jon Lemos Jo o Pedro Louro Jo o Pedro Rodrigues Jo o Silv Pedro Aires Rui Coelho Rui Sous Tigo Sous Sntos

    CONTACTOS Facebook: fcebook.com/OEspectro Correio electrnico: jornloespectro@gmil.com Twitter: twitter.com/O_Espectro

  • 24 Fevereiro 2014 | 03

    O ESPECTRO

    POL TCA NTERNA

    Em 1996, relizou-se o XX Congresso Ncionl do PSD curiosmente, no mesmo locl onde foi relizdo no pssdo fim-de-semn o XXXV - no Coliseu dos Recreios, em Lisbo. Ness ltur, er ent o l der do prtido o Professor Mrcelo Rebelo de Sous. Contv com personliddes bstnte conhecids como os seus vice-presidentes, entre os quis, Mnuel Ferreir Leite, Jose Pcheco Pereir, Anto nio Cpucho, e ind, como secret rio-gerl, Rui Rio. Nesse Congresso, Comiss o Pol tic Ncionl do PPD/PSD d qul Anto nio Cpucho fzi prte levou discuss o e, consequentemente, prov o de um propost de lter o esttut ri do prtido. Tl propost incluiu um sn o disciplinr que preve cess o de inscri o no Prtido [PSD] do militnte que se presente em qulquer to eleitorl () em cndidtur dvers ri d cndidtur presentd ou poid pelo PPD/PSD. Sn o ess que ind const nos Esttutos do PSD. Or, foi est mesm sn o que ditou desfili o de Anto nio

    Cpucho (e de outros militntes) do PPD/PSD, po s su cndidtur independente Assemblei Municipl de Sintr. Assim sendo, pode dizer-se que o ntigo vice-presidente foi expulso por um regr que ele mesmo judr crir. Em 1996, Cpucho poiou, criou, propo s e provou. Hoje, vitim-se pel sn o ser plicd su pesso. Ser incoere nci? Bo quest o. Anto nio Cpucho, em recentes declro es, firmou que Este processo de expuls o so vem confirmr o estdo que chegou o PSD, cd vez mis fstdo d mtriz socil-democrt. Um firm o no m nimo incoerente e controvers um vez que, se expuls o de militntes nests condio es constituir um fstmento d socil-democrci, o ex-militnte ter contribu do, em 1996, pr esse fstmento. Como militnte do PPD/PSD, concordo inteirmente com norm presente nos esttutos que dit expuls o em cso de cndidtur opost do prtido. Estou crente que f pouco sentido fzer prte de um estrutur como

    do Prtido Socil Democrt, qundo n o existe qulquer identific o com mesm num to eleitorl ut rquico. Qundo se ssin um fich de militnte, ssin-se mis do que um folh de ppel. Assin-se um compromisso ideolo gico, de convico es, de ideis e de viso es. Dito isto, defendo convictmente que se, num ddo momento, um militnte deixr de se rever e identificr com vis o do prtido, escolh perfeitmente nturl e percet vel, deve ser su s d. Todvi, n o existe bsolutmente nd que me leve fzer qulquer ju zo de vlor pesso de Anto nio Cpucho. Devo te grdecer-lhe por ter juddo crir o prtido com que me identifico e por tudo o que fez pelo mesmo. Julgo pens titude que o mesmo tem demonstrdo po s su expuls o ter sido conhecid. Cpucho conhece certmente os esttutos. J os conhecer ntes de integrr um list contr ri do PSD. Porque o espnto e dmir o?

    O P I N I O d e J O O P E D R O L O U R O

    E x p u l s a r. S e r e x p u l s o n o .

    Cro leitor, desengne-se se pens que perdeu 324 prtes ds peripe cis desculturis dos nossos pol ticos. Eu e que n o tive tempo pr s cobrir tods, ms, no meio de tnts, est tem obrigtorimente de se sublinhr. A idei gor e desclcetr. Tirr do ch o d noss Lisbo um ds nosss melhores rtes. Substituir o ch o que nos embelez e crcteriz por superf cies mis confort veis e segurs. Est idei foi ontem provd como prte do Plno de Acessibilidde Pedonl n Assemblei Municipl de Lisbo. Eu sou leigo ns res que isto dizem respeito tl como rquitectur, engenhri civil ou geologi tlvez. N o sei. O que sei e que isto e desidentificr e despersonlizr. A cld portugues fz prte d noss identidde. E mtriz del. Vej-se que h 24 nos foi

    crid um escol municipl pr formr profissionis d tividde com o propo sito de n o deixr que el se esv sse por obr do tempo e h qutro nos tr s C mr de Lisbo te edificou um est tu em homengem os profissionis do sector. Agor reduz-se re de cld em nome d comodidde. Prdoxos. Eu compreendo que existe nci do pvimento em certs zons represente um perigo pr circul o de pessos qundo determinds condio es meteorolo gics dverss. Todvi, ser retird d cld u nic solu o? E cpz de ser mis f cil ms com certez n o ser u nic. As miores inclino es poderim muito bem trocr-se por escds de cld e quels que representssem um perigo pels fends que presentm poderim muito bem ser reprds. Prece

    simples ms, tl como disse n primeir linh, n o percebo nd ds cie ncis que o cso dizem respeito. No entnto (e opinr tod gente pode), mnter um identidde (e identidde e cultur) n o e f cil, e te dispendioso e exige scrif cios tl como Churchill notou e bem no contexto d Segund Guerr Mundil qundo foi confrontdo com hipo tese de trnsferir o investimento feito n cultur pr indu stri ds rms. Ent o pr que e que estmos lutr? ter sido respost de Churchill. O sentido de estdo perdeu-se e com ele te m ido bos doses de bom senso. A rte d cld portugues n o se cinge somente os desenhos que exibimos ns res de mior tividde tur stic d cidde. O simples psseio que tr o cminho do lisboet no seu quotidino e t o identidde

    qunto o lrgo do Cmo es ou o Rossio. E Portugl. J que n o se prez noss rte que se preze o nosso espo que, n verdde, sempre foi noss melhor rte. P.s. - sto poder , provvelmente, sor-vos demsido r gido, intolernte, incompreensivo e tod um outr pno pli de coiss do ge nero ms e nos pormenores que est cus de muito ml. Tlvez este sej um deles, o ml d desidentidde. N o h impe rio pr voce s: Pesso e Anto nio Vieir.

    O P I N I O d e A N D R C A B R A L

    B a l a d a d a D e s c u l t u ra : p a r t e 3 2 5

    DR

  • POL TCA NTERNA

    04 | 24 Fevereiro 2014

    O ESPECTRO

    Um jovem dolescente encminh-se pr cix depois d rdu corrid entre prteleirs de supermercdo. r s comprs em hor de pont e tref pr os mis resistentes ou pr os mis necessitdos. A minutos d su vez, o jovem lembr-se de ouvir lgo ns not cis "fctur d sorte" e "carros de alta cilindrada" e, quando questiondo sobre requisi o de fctur, n o hesit e responde firmtivmente com

    o nu mero de identific o fiscl. Os contrceptivos comprdos pelo jovem podem jud -lo fzer mor num crro com vidros fumdos e com quse tnt pote nci como su juventude e e extrordin rio pensr que est simples compr ou o depilr de xils d su nmord e o fornecimento de um nu mero podem dr-lhes meios onde sejm felizes. N o questiono efic ci d medid ou inten o d mesm ms um exemplo vencedor como o cim descrito teri um publicidde estrtosfe ric. Ter mos o Correio d Mnh fzer mnchete com " Jovens protegidos gnhm novo veiculo de przer" ou os progrms d mnh entrevistr o csl seguido do segmento crime. Penso que este concurso pode brir ports outrs modliddes: um escpdinh pr um solteiro desesperdo, um vigem Disneylnd pr futuros rebentos prtid rios ou simplesmente ofert de um crro mis modesto. Esclreo desde j que concordo com medid, chndo prtid

    que os pre mios podim ter sido mis reis e n o ostentosos. Bem sei que o vencedor ir vender o crro se n o precisr dele, ms s coiss podim ser mis simples. Um crro fmilir fbricdo em Plmel, sem recurso import o preci-me excelente e digno de pluso, ms l est , veremos os moldes em que o concurso ser feito. Um quest o prece-me importnte e

    inquietnte o longo destes dis. Quem ser presentdor? E pu blico que existe um grnde concorre nci entre os cnis de televis o de modo decidir quem fic com Fctur d Sorte. Vejmos s vntgens de cd est o: n RTP, doce e experiente Serenell Andrde. Se os Jogos Snt Cs tivessem um cr pr definir o Totoloto, ess seri d Serenell. N SC, um certez podemos ter: o leque de opo es pssr pelo FmShow. Entre menin ds chmds de vlor crescentdo ou senhor dos recordes do Guiness, escolh n o ser f cil. Por fim, TV pode recorrer qulquer nin ds trdes domingo ou simplesmente optr pel Mris Cruz e n su experie nci euromilion ri. Por isso, poste decorr o seu NF ou n hbilidde de retirr o Crt o de Cidd o d crteir de modo repentino. N o se esque, sempre que fcturr est poir bos cuss.

    O P I N I O d e R U I S O U SA

    M e n i n a b o n i t a n o f a c t u ra m a s t a m b m n o a n d a

    COLUNA EX LIBRIS

    CRTICA LITERRIA,

    por Joo Silva

    Do Socialismo Utpico ao

    Socialismo Cientfico

    Friedrich Engels

    E sensto firmr que, sem Engels, tlvez n o houvesse Mrx. Ningue m duvid que Mrx e exponente m ximo do Mrxismo o nome isso indic ms Mrx dificilmente teri lcndo o que lcnou sem Engels. Nest obr, Engels bord lgums ds tem tics principis do Mrxismo, pr le m de fzer um explic o histo ric e distin o entre o socilismo uto pico e o cient fico. Primeirmente, bord s teoris uto pics de Owen, Fourier e Sint Simon, socilists por criticrem s injustis e s condio es d sociedde cpitlist, ms uto pics porque visvm um ordem socil idel, imprtic vel ns condio es d ltur. Apresent depois s crcter stics do me todo dile tico, por oposi o metf sic, e do mterilismo, por oposi o o idelismo, e s concepo es mterilists e idelists de histo ri. Se no in cio Engels reconhece que os uto picos fltv colocr o socilismo em terrenos reis, pr o converter em cie nci, po s s explico es do me todo dile tico, do mterilismo e d concep o mterilist de histo ri ess tref fic relizd: nlis-se cientificmente, dess form, o modo cpitlist de produ o, explor o lborl e possibilidde de superr esss condio es. Assim, existe nci do socilismo justific-se como o produto necess rio d lut entre dus clsses ntgo nics e historicmente formds: o proletrido, detentor d for de trblho, e burguesi, detentor dos meios de produ o. Por fim, de um modo conciso ms preciso, nlis s principis contrdio es do cpitlismo, s do cpitl x trblho, e os ntgonismos entre burguesi e o proletrido, o conflito entre s fors produtivs e s relo es de produ o, orgniz o x nrqui, que exigem emncip o e revolu o do proletrido, expressd teoricmente no socilismo cient fico. Est obr e , meu ver, tremendmente importnte e excelente pr ter um vis o so lid do Mrxismo e d su n lise histo ric, econo mic, pol tic e filoso fic, e d evolu o histo ric do socilismo.

    Classificao: 5/5

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  • GLOBO

    24 Fevereiro 2014 | 05

    O ESPECTRO

    O P I N I O d e J O O P E D R O R O D R I G U E S

    C o r e i a d o N o r t e

    A 17 de Fevereiro, RTP noticiou um excerto do testemunho de qutro ex-prisioneiros norte-corenos que s o gor ouvidos pel Comiss o de nque rito d ONU. A pen nsul d Corei tem historicmente sido um zon de conflito, diverss vezes ocupd e plco do surgimento e extin o de diversos estdos o longo de se culos. O tul foco de tens o e ums ds mis pesds fturs d Guerr Mundil que trd em ser liquidd. Aqundo d derrot do Eixo e d rendi o do Jp o, Corei, nteriormente domind pelo impe rio Jpone s, foi dividid entre Sovie ticos e Estdunidenses, cujs trops estvm respetivmente norte e Sul do p s n ltur d rendi o Jpones. Com o poio d Uni o Sovie tic Kim -Sung chegou o poder, inicindo um governo totlitrist que com um punho de ferro continu deixr um mrco negro n histo ri mundil. A divis o d Corei em dois territo rios distintos e um exemplo ctego rico ds trplhds crids no per odo d Guerr-Fri. Com mbs s no es reclmrem soberni sobre tod pen nsul, inici-se em 1950 um conflito rmdo qundo Corei do Norte invde o Sul d Pen nsul e o conflito (ptrocindo por Estdunidenses, Sovie ticos e Chineses) resultou em 2 milho es de mortos, terminndo em 1953. N o deixndo contudo, te hoje, de pirr me de novo conflito visto que pens est em vigor um rmist cio. A condu o pol tic Norte Coren e reprov vel e s orgnizo es interncionis, como ONU e o Tribunl nterncionl d Justi te m flhdo ctegoricmente n resolu o do problem humnit rio. As sno es plicds te m tido custos pesdos principlmente sobre civis, como o embrgo comercil que, lido erros de gest o gr ri t picos de economis de plnific o centrl, conden fome milho es de norte corenos, como testemunhdo. O regime que control os cidd os como

    pio es num tbuleiro de xdrez, torn rel cren determin stic d vid. A ctegoriz o dos cidd os segundo grus de import nci pss tmbe m pel estipul o de onde cd um pode viver, qul profiss o desempenhr, qundo poder estudr e te onde poder circulr

    (a entrada na capital Pyonyang na o e permitid todos os cidd os e s vigens o estrngeiro s o proibids). O povo e mntido n obscuridde e educdo pr servir e respeitr o imperdor que mnipul histo ri e vende imgem ludibrios de um Corei forte que resiste contr os inimigos externos (p ses ocidentis). A liberdde de express o e inexistente e o consumo de conteu dos estrngeiros cheg ser punido, ssim como qulquer outr insubordin o, com tortur sobre tod fm li do trnsgressor. O pouco que se sbe sobre Corei do Norte deix-nos ntever um regime pol tico troz, perverso, completmente indiferente os direitos humnos (existem reltos de tortur, escrvtur, descrimin o, viole nci sexul, infntic dio, entre outros) e mnipuldo de

    form tir nic por um indiv duo cuj existe nci so encontr compr o nos grndes vilo es d Mrvel. N divulg o deste relto rio ONU ssumiu pel primeir vez existe nci de crimes contr humnidde, pelo que complce nci ds no es que compo em e

    do pro prio orgnismo j n o e toler vel ou justific vel por desconhecimento, como legdo no pssdo. A interven o num p s totlmente fechdo o exterior, n posse de rms nucleres e que continu sem reconhecer s trociddes do regime e declr -ls de clu nis (como fez recentemente em comunicdo ge nci Reuters), revel-se dif cil e n o devendo ser feit qulquer custo, urge. As No es Unids n o se devem limitr intervir e justificr interveno es pens em territo rios de interesse geostrte gico/ econo mico e devem-se mnter fie is os princ pios funddores. N o e um quest o de demgogi ms sim de humnismo.

    Michael Kirby, presidente da Comisso de Inqurito sobre os Direitos Humanos na Coreia do Norte

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  • 06 | 24 Fevereiro 2014

    O ESPECTRO

    GLOBO

    Enqunto p s europeu, Su tem desde o no de 1999 s sus fronteirs berts imi-gr o de cidd os oriundos dos Estdos-Membros d Uni o Europei (Crregueiro, N., in jornldenegocios.pt).Fcto que se tor-nou fundmentl pr o crescimento econo mico do p s. Sendo um dos p ses com mior rendimento per cpit n vel mundil (sensivelmente 76.000$), este pe-queno Estdo d Europ Centrl desde sem-pre dependeu de m o-de-obr estrngeir pr stisfzer s sus necessiddes produ-tivs e econo mics, o que o torn um dos mis petec veis destinos de emigr o pr os cidd os europeus e n o so . A t tulo de exemplo um ds miores indu stris produ-tivs do p s, relojori, contv em 1970 com 20.000 estrngeiros entre os cerc de 90.000 trblhdores li empregdos, se-gundo o investigdor d Universidde de Neuch tel, Frncesco Grufo. Com um pop-

    ul o imigrd de 23% dos cerc de oito milho es de hbitntes, os su os precem temer pelos seus postos de trblho, num ltur em que regress o econo mic e fi-nnceir se fz sentir um pouco por tod Europ. Est crescente preocup o, como em v rios outros p ses, fz crescer o senti-mento ncionlist e com ele o poio pr-tidos de Extrem-Direit. N o e d scens o deste espectro que qui se escreve. A pre-ocup o e outr, estndo no entnto rel-ciond. O referendo provdo no pssdo di 9 de Fevereiro de 2014 serve os inter-esses dos seus proponentes, Uni o Democr tic do Centro e propo e-se limitr entrd de estrngeiros nos solos helve ti-cos, tendo sido provdo por cerc de 51% dos votntes e registdo mior prtici-p o dos u ltimos nos em referendos, com um prticip o c vic de 56% d popu-

    l o. For d Uni o Europei e usul os Estdos limitrem s entrds cidd os estrngeiros, slvgurdndo ssim os in-teresses econo micos d su pro pri popu-l o, pelo menos no que diz respeito o emprego. N o fosse est decis o tomd pel Su e ml se ouviri flr n mesm, ms foi. Form provdos limites imi-gr o num p s que sempre fez d diver-sidde culturl su for. Ficrm limit-dos os imigrntes com vids sedids em territo rio helve tico. Ficou Uni o Europe-i com um dossier que contrri s m-bio es do projecto europeu. Ficrm s empress su s limitds n contrt o de m o-de-obr (sendo o desemprego de proximdmente 3%). Ficou o cresci-mento econo mico em risco. O Mundo ocidentl tende encurtr s dist ncis entre p ses e pessos, com Europ n vngurd dest globliz o d educ o

    e do emprego, num tenttiv de diversi-ficr cultur e s perspectivs lboris dos seus mercdos de trblho (mercdo u nico n UE). Em contrcorrente, um p s dess mesm Europ que se posicion num lugr de destque no colhimento de estrngeiros, pelo voto d su popul o, limit imigr o, qundo necessit desse mesmo fluxo de modo mnter o cresci-mento econo mico dos u ltimos nos. Tl imposi o torn-se preocupnte, por n o ser o desemprego um relidde n Su e pelo fcto ds perspectivs pr econo-mi helve tic pontrem no sentido do crescimento e consequente umento d necessidde de m o-de-obr, que fic, deste modo, limitd. Os relo gios deix-rm de estr certos, os ponteiros est o c-d um pr seu ldo e qundo o desper-tdor tocr poder ser trde pr cordr.

    O P I N I O d e T I AG O S O U S A S A N TO S

    S u i a : U m r e l g i o c o m d e f e i t o

    COLUNA EX LIBRIS

    CRTICA LITERRIA,

    por Rui Coelho

    Saudoso 2011

    No pnorm portugue s, foi o no d Ger o Rsc, d Pltform 15 de Outubro, d ocup o do Rossio e d mobiliz o populr mssiv contr lter o do regime d tx socil u nic. No entnto, n o foi pens o cr tico contexto politico e econo mico ncionl pelr que se sonhsse perigosmente, 2011 foi mrcdo pel erup o de numerosos focos de resiste nci, esplhdos pelo globo. O filo sofo esloveno Slvoj iz ek oferece, no seu u ltimo livro, um reflex o sobre 2011, procurando interpretar alguns dos feno menos pol ticos mis noto rios desse no: os tumultos insurreccion reis nos subu rbios londrinos, s revolts d Primver A rbe e o movimento Occupy Wll Street. A obr conclui com um leitur d se rie televisiv The Wire luz do qudro conceptul pro prio d teori cr tic, servindo como pretexto o utor pr expor o conteu do normtivo do seu pensmento pol tico. Coerente com nteriores tomds de posi o, iz ek refirm su convict promo o tnto do terror revolucion rio como de um resign o p tic, licerd n espern pocl ptic n inevitbilidde de um colpso civilizcionl eminente. Nesse sentido, sendo um utor de ineg vel vlor em res como teori socil ou cr tic d economi pol tic, i ek revela-se, por se manter preso a um crictur d ortodoxi mrxist, um utor significtivmente menos pertinente no que diz respeito interpret o d c o pol tic dos novos movimentos sociis.

    Classificao: 2/5

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  • 24 Fevereiro 2014 | 07

    O ESPECTRO

    DESTAQUE

    O P I N I O d e J O A N A L E M O S

    R e vo l t a L a ra n j a : p a r t e I I

    H 4 meses durm os protestos, h 4 meses que s oposio es se glomerrm e h 4 meses que o Mundo virou os olhos pr Pr d ndepende nci. Cd grnde revolu o tem um elemento precipitnte que desencdei o movimento

    ds msss, e no cso ucrnino o embrgo ds negocio es com UE e o deitr por terr de grndes esforos com vist integr o do p s num Europ 28, derm o mote pr lut contr um governo opressor, contr s violo es dos direitos humnos e contr um proxim o Ru ssi. A lo gic d difus o do protesto entre grupos entrou em c o com grupos de extrem-direit como o Right Sector, d esquerd e grupos orgnizdos de simples trblhdores e estudntes glomerrm-se sob o mnto d lut gerl, ind que qundo n o estejm sob crg policil cd grupo tenh ideis completmente d spres. E e com existe nci de lguns destes grupos que o executivo tem bsedo su rgument o no que toc o uso d for policil que levou confrontos onde se pens que j 100 pessos tenhm morrido, tendo te o Ministro dos Nego cios Estrngeiros suvizdo ctu o policil que tem sido muito tolernte. O mesmo ministro firmou que n Ucr ni ctul h mis visitntes do Oeste do que do Este e que est tem sido um form de fstr Ucr ni d Ru ssi e de europeizr, cusndo o Oeste de usr o p s como um mer rm geopol tic estrte gic no cesso o Oriente e como um form de gnhr cd vez mis poder e difundir su influe nci nquel que e um ds regio es mis importntes do globo:

    Eur si. No entnto, como e poss vel um Ucr ni virr costs s ports d Europ, qundo vontde de grnde prte d popul o e de estreitr los? Ynukovich poi-se no eleitordo d prte orientl do p s que,

    pel su proximidde Ru ssi e miores precens culturis, continu poir o ctul Presidente e um profundr de relo es com os russos e firm ind, tentndo minorr os protestos, que o que se pss em Midn n o corresponde relidde d opini o pu blic. Os protestntes e s msss perceberm-se que entrd n Uni o Europei n o so e um form de se fstrem de um cont nu subjug o os interesses russos, que desde qued do Muro de Berlim tent todo o custo mnter influe nci nos ex-p ses-ste lite trve s do soft power e d diplomci econo mic, ms tmbe m um form de conseguir democrci com que sempre sonhrm e que tem vindo ser o modelo democr tico europeu. Um entrd grnte e obrig que futuros governos obedecessem o mis importnte crite rio de Copenhg: dop o de instituio es que grntm democrci, o Estdo de direito e os Direitos do Homem. E o principl problem que se coloc Ucr ni em rel o entrd n UE e este specto normtivo que ssume gor mior import nci, depende inteirmente do que se pssr seguir: um mudn de lidern do Prtido ds Regio es, o de Ynukovich, e dop o de um nov Constitui o, restituindo cpcidde de c o gentes pol ticos de contr-poder e de blno, que est o de m os e pe s tdos. O cordo que estipulou compr

    de t tulos d d vid e ofert de g s nturl mis brto Ucr ni foi um clr estrte gi, que li s Ru ssi tem utilizdo com outros p ses d zon, devido depende nci destes p ses em rel o o g s nturl, que ditou o fstmento d UE

    e que os lig de form vincultiv mntendo influe nci e trvndo o vno do Ocidente. De qulquer ds forms, o governo ucrnino est sob grnde press o n o pens pel import nci geoestrte gic, situndo-se num zon de grnde tens o e sujeito sno es de um Ru ssi forte economicmente, que precem ter prevlecido sob s sno es de um Europ cuj integr o tem gsto muitos esforos e cuj economi continu em crise. N o s o pens s oriento es ideolo gics que seprm o ctul prtido do poder d UE, s o tmbe m os constrngimentos econo micos e press o russ que levm que o PR opte por um solu o mis f cil e bene fic curto przo, ignorndo import nci de reforms no sector energe tico ncionl, como form de firm o de poder e de libert o do jugo que Moscovo impo e h de cds. Tl como no cso turco, import nci geoestrte gic e um dos principis fctores pr que UE n o desist do processo de negoci o e de integr o destes p ses. As u ltims declro es de Merkel ve m no sentido de mnter o p s do ldo europeu e de n o deixr que ci ns m os do excessivo utoritrismo. Ajud-se ssim est segund revolt lrnj, que j n o e pens lrnj do prtido do nterior presidente ms de tods s cores prtid ris.

  • EXPERE NCA ERASMUS

    08 | 24 Fevereiro 2014

    O ESPECTRO

    O progrm Ersmus, estbelecido no no de 1987 tem como objectivo principl o poio mobilidde de estudntes e docentes do ensino superior entre os estdos membros d Uni o Europei e tmbe m entre os estdos ssocidos, normlmente num per odo compreendido de 3 12 meses. E o filo sofo holnde s, Ersmo de Roterd o, que d o nome este progrm e que, por su vez, vijou e viveu em diversos estdos europeus com o grnde objectivo d obten o de novos conhecimentos. Foi no di 4 de Setembro de 2013 que parti de Lisboa para quel que considero ds experie ncis mis enriquecedors d minh vid te o momento: Ersmus. O destino escolhido foi Grenoble, mis conhecid como cpitl dos Alpes, no sul de Frn, situd mis precismente n regi o Rhne-Alpes, deprtmento Isre, perto de Lyon. Grenoble e um cidde onde viveu Jen-Jcques Rousseu durnte dois nos d

    su vid, de 1768 1770, enqunto fugi d conden o do Prlmento de Pris. Desde sempre que nutro um certo fsc nio e dmir o pel

    cultur e l ngu frncess, pesr de possuir mis form o em ingle s, tendo feito o ELTS no Ver o ntes de prtir pr Ersmus, frequentei desde cedo Allince Frnise de Lisbo e por isso Frn preceu-me desde logo um escolh evidente pr viver e estudr durnte um semestre. Ale m disso, Sciences Po e considerd ds melhores escols pr estudr Cie nci Politic, devido o seu pssdo histo rico, por isso preceu-me um desfio interessnte e um locl de encontro com excele nci do conhecimento d Cie nci Politic. Como qulquer pesso, cheguei Grenoble com os medos nturis de quem si d su zon de conforto pr viver num p s novo e com um l ngu diferente. N gare routire de Grenoble esperv-me Mnon, um frnces que estud n Sciences Po de Grenoble e que fz prte de um orgniz o chmd S, que e respons vel pel

    integr o e dpt o dos estudntes estrngeiros. Tnto el como os restntes membros d S form incns veis durnte todo o

    processo inicil pr os estudntes de Ersmus, pois judrm-nos fzer inscri o n fculdde, n reside nci, e compreender todo processo burocr tico pelo qul tivemos de pssr chegd Frn, que n o foi nd f cil e que sem eles seri imposs vel. O meu primeiro choque foi reside nci onde vivi durnte 5 meses, Le Rabot, situada perto d Bstilh de Grenoble que estv de cert form isold e no topo de um colin bstnte dif cil de subir todos os dis. O Rabot e um conjunto de reside ncis trdicionis, ou sej, com um rend mensl (172 euros) mais baixa em rel o s reside ncis perto do cmpus, com um qurto de 9 m2, sem casa de banho privd, isto e , com cs de bnho, duches e cozinhs prtilhdos. Posso dizer que qundo cheguei reside nci pensei: Como e que vou conseguir viver qui 5 meses?, pois n verdde s condio es erm mesmo s m nims. Todvi, po s entrr no meu qurto e verificr que tinh tlvez vist mis espetculr que um hbitnte de Grenoble pode ter sobre os Alpes frnceses, cheguei conclus o que e qundo

    s mos d noss zon de conforto que nos supermos. Por esse motivo decidi n o mudr de reside nci como me tinhm sugerido. No finl, o Rabot foi o melhor s tio onde podi ter vivido. Fiz migos pr vid, prendi viver em comunidde, prendi viver com menos e pens com o essencil. Cozinhei em conjunto com pessos de diferentes culturs, prtilhei. Hoje de volt cs, do que tenho mis suddes e de viver todos os dis com os meus migos no Rabot, pois no fim, as dificulddes tornm-nos mis fortes e cbm por crir ligo es mis fortes. E no descobrir de outrs culturs que cbmos por descobrir noss, gnhr conscie nci d mesm e conseguir express -l o outro. O segundo desfio foi o comeo do semestre. Logo n present o percebi-me que er u nic portugues fzer Ersmus n Sciences Po entre cerc de 200 lunos em mobilidde, ms n o foi por isso que tive lgum dificuldde de integr o, pelo contr rio. De seguid, decidi que escolheri tods s uniddes curriculres em frnce s, pesr de estrem dispon veis lgums uniddes curriculres em ingle s. No

    A N A C ATA R I N A J E S U S

    G r e n o b l e

  • 24 Fevereiro 2014 | 09

    O ESPECTRO

    entnto, s disciplins em frnce s precerm-me muito mis interessntes e, pr le m disso, um dos meus objetivos er melhorr o meu frnce s todos os n veis. Ale m do plno de estudos por mim escolhido e provdo pelo SCSP, Sciences Po tinha como obrigto ris uls de Franais comme langue trangere e de Civiliz o Frnces pr os lunos Ersmus, que por su vez me judrm imenso melhorr o meu frnce s, e os meus conhecimentos sobre cultur pol tic frnces e que me form bstnte u teis ns restntes uniddes curriculres. Existim tre s tipos de disciplins dispon veis, Cours Fondamentaux, Cours Spcialiss e Confrences de Mthode. Os primeiros consistim em uls normis de 3 hors que tinhm lugr um vez por semn, sendo s mte ris lecionds mis geris e servim de bse o curso, como por exemplo Sociologi, nstituio es Pu blics, ntrodu o s Relo es nterncionis, etc. O me todo de vli o consisti num exme finl em Jneiro, sob form de um Dissertation. Os cursos especilizdos erm uls de um hor e mei sobre um ssunto mis espec fico e ctul, como por exemplo, As Revoluo es A rbes ou As

    relo es frnco-lem s no se culo XX, o que permiti os lunos ter um conhecimento mis espec fico sobre certs mte ris. O me todo de vli o er igulmente um exme finl. As confere ncis de me todo consistim em uls de 2 hors,

    em que tods s semns deverim ser presentdos trblhos individuis e de grupo, ou sej um me todo de vli o cont nu. Ale m disso ests uls envolvim debte que constitu 20% d vli o finl. Sendo ssim o meu plno de estudos escolhido foi: Les po-pulismes de Droite en Europe dns le XXe me (Cours Spe ci-lise ) ; Droit nterntionl Pu-blic (Cours Spe cilise ) ; Les Reltions Frnco-Allemndes u XXe sie cle (Cours Spe cili-se ) ; ntroduction l Sociolo-gie (Cours Fondmentl) ; Comportements Politiques (Confe rence de Me thode) e nstitutions Publiques (Cours Fondmentl). Apesr de tods s dificulddes iniciis em compreender s uls em frnce s, prendi imenso em tod ests uniddes curriculres. Acim de tudo gnhei um perspectiv diferente, um bordgem diferente dos mis diversos ssuntos pol ticos e n o so . Aprendi bstnte sobre cultur pol tic frnces e sobre s relo es frnco-lem s e sobre um inimizde heredit ri que se tornou um mizde necess ri. Os professores, no gerl, sempre se mostrrm

    dispon veis pr nos judr, mis precismente minh professor de frnce s que sempre me judou nos trblhos relciondos com outrs disciplins, que os corrigiu e me poiou n prepr o de presento es

    oris de trblhos em frnce s. No entnto, nenhum professor nos trtou como diferentes, ou sej, todos os estudntes Ersmus form vlidos e trtdos ns uls como um estudnte frnce s e, por isso, n o existirm fcilitismos nenhum n vel. Ms n o foi so n Sciences Po que dquiri conhecimentos. Foi n vive nci di ri com pessos de diferentes culturs, com diferentes modos de vid e de trblho. Foi ns vigens que fiz, lgums sozinh, onde conheci pessos e s tios espectculres ds quis me lembrrei sempre. Foi o ultrpssr s brreirs d lingugem, d cultur. O meu Ersmus n o foi so Frn e bsor o d cultur frnces, foi Alemnh, Chin, foi rlnd, foi Singpur, ndi, Brsil, EUA, Esco ci, Cnd , t li, Reino Unido. Tods s pessos que fizerm Ersmus comigo em Grenoble mrcrm-me de cert form e ensinrm-me lgum cois o longo de cinco meses. Tudo cb por ser vivido com intensidde pois idei de que um di vmos prtir e que esse di ser e pens poucos meses, est sempre presente. As pessos que connosco vivem cbm por ser noss fm li durnte 5 meses. Fzer Ersmus devi ser considerdo por qulquer estudnte universit rio e pr isso deverim existir mis poios este progrm, nomedmente no que diz respeito s bolss. Ests

    deverim ser concebids ntes d prtid e n o chegd, tl como o sistem em vigor, qundo, por exemplo, todos os meus colegs ERASMUS n vel d Uni o Europei receberm bols ntes e durnte mobilidde (Alemnh, rlnd, Esco ci, Reino Unido, Hungri, etc.). Ale m disso, tmbe m no s como lunos, dever mos promover cri o de um orgniz o que recebesse e judsse n integr o dos novos estudntes Ersmus que chegm o SCSP, pois pesr de todos os condicionlismos presentes, e poss vel nest fculdde ter um vis o do contexto interncionl e europeu. Os conhecimentos que qui dquiri o longo de tre s nos de Licencitur servirm-me de bse pr conseguir compnhr s uls n Sciences Po, como por exemplo os tems d disciplin de Projecto Europeu em muito me judrm conseguir compreender bse fundcionl ds Relo es Frnco-Alem s. Adorei todos os dis que vivi em Grenoble durnte este semestre de nverno, especilmente os dis em que cordei e nevv l for. Considerrei sempre Frn como minh segund cs, qul pretenderei sempre voltr. Por fim, posso concluir que cumpri miss o deste progrm: quisi o de novos conhecimentos trve s d vive nci num p s europeu, que n o o meu, tl como Ersmo de Roterd o fez.

    EXPERE NCA ERASMUS

  • EXPERE NCA ERASMUS

    10 | 24 Fevereiro 2014

    O ESPECTRO

    Derm-me est colun pr escrever sobre minh experie nci de ERASMUS e ssim o frei, correndo o risco de desiludir o leitor. N o venho qui contr o que todos contm nem gurdei memo ris iguis s que todos gurdm. A minh experie nci teve, cim de tudo, o objetivo de ver um Europ que so conheci pel televis o como um suposto pr so perdido no meio deste plnet. Espero, pesr de tudo, que no meio ds peripe cis que vos contrei, possm sentir-se ctivdos e perceber como est experie nci vos ir enriquecer mis do que qulquer licencitur que possm tirr.

    O meu destino foi Prg (Repu blica Checa), local onde permneci durnte 5 meses, de Fevereiro Setembro. Como plnedo e, porque o dinheiro e limitdo, fui pr um reside nci universit ri. A decis o n o podi ter sido melhor. Conheci pessos fnt stics, prest veis, migs e, cim de tudo, conscientes politicmente (embor um minori). Este pequeno grupo de pessos i desde independentists glegos, progressists itlinos, te ex-jugoslvos (eslovenos, crots e bo snios) quem o ntigo p s fzi flt, pr n o flr dos reltos sobre o u ltimo grnde conflito em territo rio europeu - terceir guerr dos Blc s.

    Durnte estes fnt sticos 5 meses posso firmr que vivi num pequeno pr so socilist onde solidriedde er plvr de ordem. Espero sincermente que este texto chegue, mis do que qulquer outros, o nosso governo pr que v o fzer ERASMUS e prendm os vlores d solidriedde e leldde.

    Psso gor pr o que, pr mim, foi melhor prte do ERASMUS: vijr. N o posso deixr de sentir um sbor

    gridoce sempre que recordo s minhs vigens. Embor tenh tido oportunidde de conhecer imensos p ses tl como Repu blic Chec, Eslov qui, Hungri, A ustri, Polo ni e Alemnh, tmbe m pude, pel primeir vez, consttr triste relidde que e este continente. Um Europ que nos tentm esconder todos os dis e cuj relidde nos cheg chei de pincelds de mentir trve s dos media.

    O mis chocnte que vi foi quest o d hbit o. Todos os p ses por onde pssei viverm em regimes socilists, excepto A ustri.

    Nesses tempos o problem hbitcionl j tinh sido resolvido. A hbit o er grntid pelo Estdo e ser sem brigo er cois do pssdo. Com qued do socilismo no leste, tods s css form privtizds e, sem que muitos pudessem pgr rends, c rm em lgo que n ltur se julgv inimgin vel: ser sem brigo.

    A presen dest relidde continu mis vincd n Hungri cujo governo provou h uns meses um lei que impede s pessos de dormirem ns rus de Budpeste. A conseque nci dest medid consiste em sobrelotmento de priso es. Em muitos destes p ses, pris o tornou-se um mneir de fugir s rus e fome.

    Com o objectivo de distncir-me um pouco do centro ustr co com o objetivo de conhecer o Mrtim Moniz de Vien, comecei rpidmente perceber-me de pessos vsculhrem o lixo, pessos sem teto.

    Muitos s o queles que me dizem que isso vi sempre existir ou que iguldde e imposs vel. Pr mim el e

    poss vel. Est iguldde existiu no leste europeu. Hoje, o povo est pgr com destrui o do socilismo no leste com existe nci de interesses v rios de pequenos grupos. E pir muit nostlgi nests pessos.

    Todvi, n o vejo um modelo pr o futuro dos sistems de leste, pelo menos de um mneir integrl. O prtido elitizou-se e din mic revolucion ri que os crcterizou inicilmente evporou-se, sem contr com os busos de poder. Nest vigem percebi um cois: este sistem e , v rios nos-luz muito mis vi vel do que mentir que vivemos.

    No que diz respeito o ensino, este foi um dos melhores spectos que estes sistems nos derm e que dev mos proveitr mis. N Repu blic Chec estimulm o pensmento cr tico e

    discuss o. mpens vel pr Portugl, onde os melhores lunos s o os que memorizm mis coiss em menos tempo. Obvimente que, enqunto estudntes de ERASMUS, n o vos ser exigido esforos tit nicos nos estudos um vez que, por norm, os professores s o cess veis, permitindo-vos ssim proveitr experie nci o m ximo.

    Apesr de poder escrever muito mis, s minhs concluso es v o sobretudo pr o encorjmento de embrcr nest ventur todos os que puderem fze -lo. Por outro ldo, imgem com que fico e que h muito pr mudr neste continente, comer pelo sistem. Espero que n o fiquem surpresos com mise ri. Sber que el existe e um cois ms ve -l de perto e muito diferente. Nest tirni do dinheiro er f cil prever est relidde ms eu c n o fui engndo.

    P E D R O A I R E S

    P ra g a : D i r i o s d e q u e m f o i e n g a n a d o

  • Ncleo de Cincia Poltica Universidade de Lisboa - Instituto Superior de Cincias Sociais e Polticas

    Parceria com Jornal Econmico do ISEG

    CARTA CULTURAL

    C I C LO N A R R AT I VA & M E D I C I N A

    13 FEV a 13 MAR

    Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

    Filmes como Wit & Bigger than Life

    11 Fevereiro 2014 | 11

    O ESPECTRO

    POS ESO

    13 FEVEREIRO a 27 ABRIL

    M u s e u d a M a r i o n e t aM u s e u d a M a r i o n e t a

    Museu da Marioneta associa-se ao

    Festival MONSTRA 2014

    E s c r e v e r Pa ra S e r

    1 5 F E V - 1 9 A B R

    Biblioteca Municipal Palcio Galveias Pode-se ser criativo independentemente da rea em

    que se trabalhe e a que se aplique essa criatividade.

    Ciclo histria da lngua portuguesa por Ivo Castro

    27 Fevereiro, 6 e 13 Maro

    C e n t ro C u l t u ra l d e B e l m