6ª Edição - O Espectro

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Jornal acadmico online do Ncleo de Cincia Poltica.

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<ul><li><p>O ESPECTRO Ncleo de Cincia Poltica - ISCSP UL 6 EDIO - 24 de Fevereiro de 2014 </p><p>Ucrnia </p><p>Revolta Laranja: parte II </p><p>Destaque, 7 </p><p>POL TCA EXTERNA </p><p>Suia: um relgio </p><p>com defeito </p><p>Globo, 6 </p><p>ONU </p><p>Coreia do Norte </p><p>Globo, 5 </p><p>PSD </p><p>Expulsar. Ser </p><p>expulso no </p><p>Poltica Interna, 3 </p><p>EXPERINCIAS ERASMUS </p><p> n t e r c mb i o d e A l uno s </p><p> Grenoble, por Ana Catarina </p><p>Jesus </p><p> (pg. 8) </p><p> Praga, por Pedro Aires </p><p> (pg. 10) </p><p>segue-nos no </p><p> twitter.com/O_Espectro</p><p>publicidade </p><p>COLUNA EX LIBRIS </p><p>C r t i c s L i t e r r i s </p><p> Do socilismo uto pico </p><p>o socilismo cient fico </p><p>Friedrich Engels </p><p> (pg. 4) </p><p> Sudoso 2011 </p><p> (pg. 6) </p></li><li><p>02 | 24 Fevereiro 2014 </p><p>O ESPECTRO </p><p>EDITORIAL </p><p>Est sext edi o dO Espectro levr te os nossos leitores os destques e opinio es dos ssuntos que mrcm ordem do di. Tod noss equip n o poder deixr de reflectir e de expressr o seu pesr pelo cen rio de viole nci com o qul Ucr ni se depr. S o protestos e revolts que j durm h qutro meses, que j vitimrm 100 pessos, e que fizerm com que todos os olhos se voltssem pr o centro de Kiev, pr emblem tic Pr d ndepende nci. As luts contr governos opressores e pel defes dos direitos humnos form e ser o sempre um constnte n histo ri. Anos de luts que se trnsformrm com o tempo e que intensificm mior import nci o n vel dos vlores t o em vog ms muitos deles esquecidos. A toler nci e o respeito pel dignidde e pelos direitos humnos s o lguns exemplos. O que ctulmente se presenci n Ucr ni mostr-nos os contornos de mis que um crise pol tic ms sim o despoletr de um verddeir revolu o e firm o de msss. Como form de nos proximrmos de quem nos compnh edi o po s edi o e de dinmizr o nosso projecto, foi desenvolvid um inicitiv de fix o de crtzes lusivos o jornl, em lguns dos principis pontos cde micos d cidde de Lisbo. Esperemos contr com todos vo s pr um mior difus o d leitur e sobretudo do debte sobre os mis vridos tems d ctulidde, desde pol tic economi. Pr concluir, nest sext edi o, premimos-vos com qutro rtigos de opini o sobre os mis vridos tems, tnto relciondos com ssuntos ncionis como interncionis, com cr tics liter ris e ind com dus coluns pr dois lunos do curso de Cie nci Pol tic, que ir o reltr s sus experie ncis enqunto integrntes do plno ERASMUS. Desejmos um bo leitur, sempre de no s pr vo s. </p><p> Cristina Santos </p><p>FICHA TCNICA </p><p>Coordenao Adrin Correi Vice-Coordenao Jon Lemos Coordenador de Entrevistas e Reportagens Adrin Correi Reviso Adrin Correi e Cristin Sntos Editor s Rfel e Jo o Miguel Silv Plataformas de Comunicao Andre Cbrl, Jose Slvdor e Jo o Mrtins Cartaz Cultural Jo o Miguel Silv Redao An Ctrin Jesus Andre Cbrl Jon Lemos Jo o Pedro Louro Jo o Pedro Rodrigues Jo o Silv Pedro Aires Rui Coelho Rui Sous Tigo Sous Sntos </p><p>CONTACTOS Facebook: fcebook.com/OEspectro Correio electrnico: jornloespectro@gmil.com Twitter: twitter.com/O_Espectro </p></li><li><p> 24 Fevereiro 2014 | 03 </p><p>O ESPECTRO </p><p>POL TCA NTERNA </p><p>Em 1996, relizou-se o XX Congresso Ncionl do PSD curiosmente, no mesmo locl onde foi relizdo no pssdo fim-de-semn o XXXV - no Coliseu dos Recreios, em Lisbo. Ness ltur, er ent o l der do prtido o Professor Mrcelo Rebelo de Sous. Contv com personliddes bstnte conhecids como os seus vice-presidentes, entre os quis, Mnuel Ferreir Leite, Jose Pcheco Pereir, Anto nio Cpucho, e ind, como secret rio-gerl, Rui Rio. Nesse Congresso, Comiss o Pol tic Ncionl do PPD/PSD d qul Anto nio Cpucho fzi prte levou discuss o e, consequentemente, prov o de um propost de lter o esttut ri do prtido. Tl propost incluiu um sn o disciplinr que preve cess o de inscri o no Prtido [PSD] do militnte que se presente em qulquer to eleitorl () em cndidtur dvers ri d cndidtur presentd ou poid pelo PPD/PSD. Sn o ess que ind const nos Esttutos do PSD. Or, foi est mesm sn o que ditou desfili o de Anto nio </p><p>Cpucho (e de outros militntes) do PPD/PSD, po s su cndidtur independente Assemblei Municipl de Sintr. Assim sendo, pode dizer-se que o ntigo vice-presidente foi expulso por um regr que ele mesmo judr crir. Em 1996, Cpucho poiou, criou, propo s e provou. Hoje, vitim-se pel sn o ser plicd su pesso. Ser incoere nci? Bo quest o. Anto nio Cpucho, em recentes declro es, firmou que Este processo de expuls o so vem confirmr o estdo que chegou o PSD, cd vez mis fstdo d mtriz socil-democrt. Um firm o no m nimo incoerente e controvers um vez que, se expuls o de militntes nests condio es constituir um fstmento d socil-democrci, o ex-militnte ter contribu do, em 1996, pr esse fstmento. Como militnte do PPD/PSD, concordo inteirmente com norm presente nos esttutos que dit expuls o em cso de cndidtur opost do prtido. Estou crente que f pouco sentido fzer prte de um estrutur como </p><p> do Prtido Socil Democrt, qundo n o existe qulquer identific o com mesm num to eleitorl ut rquico. Qundo se ssin um fich de militnte, ssin-se mis do que um folh de ppel. Assin-se um compromisso ideolo gico, de convico es, de ideis e de viso es. Dito isto, defendo convictmente que se, num ddo momento, um militnte deixr de se rever e identificr com vis o do prtido, escolh perfeitmente nturl e percet vel, deve ser su s d. Todvi, n o existe bsolutmente nd que me leve fzer qulquer ju zo de vlor pesso de Anto nio Cpucho. Devo te grdecer-lhe por ter juddo crir o prtido com que me identifico e por tudo o que fez pelo mesmo. Julgo pens titude que o mesmo tem demonstrdo po s su expuls o ter sido conhecid. Cpucho conhece certmente os esttutos. J os conhecer ntes de integrr um list contr ri do PSD. Porque o espnto e dmir o? </p><p>O P I N I O d e J O O P E D R O L O U R O </p><p> E x p u l s a r. S e r e x p u l s o n o . </p><p>Cro leitor, desengne-se se pens que perdeu 324 prtes ds peripe cis desculturis dos nossos pol ticos. Eu e que n o tive tempo pr s cobrir tods, ms, no meio de tnts, est tem obrigtorimente de se sublinhr. A idei gor e desclcetr. Tirr do ch o d noss Lisbo um ds nosss melhores rtes. Substituir o ch o que nos embelez e crcteriz por superf cies mis confort veis e segurs. Est idei foi ontem provd como prte do Plno de Acessibilidde Pedonl n Assemblei Municipl de Lisbo. Eu sou leigo ns res que isto dizem respeito tl como rquitectur, engenhri civil ou geologi tlvez. N o sei. O que sei e que isto e desidentificr e despersonlizr. A cld portugues fz prte d noss identidde. E mtriz del. Vej-se que h 24 nos foi </p><p>crid um escol municipl pr formr profissionis d tividde com o propo sito de n o deixr que el se esv sse por obr do tempo e h qutro nos tr s C mr de Lisbo te edificou um est tu em homengem os profissionis do sector. Agor reduz-se re de cld em nome d comodidde. Prdoxos. Eu compreendo que existe nci do pvimento em certs zons represente um perigo pr circul o de pessos qundo determinds condio es meteorolo gics dverss. Todvi, ser retird d cld u nic solu o? E cpz de ser mis f cil ms com certez n o ser u nic. As miores inclino es poderim muito bem trocr-se por escds de cld e quels que representssem um perigo pels fends que presentm poderim muito bem ser reprds. Prece </p><p>simples ms, tl como disse n primeir linh, n o percebo nd ds cie ncis que o cso dizem respeito. No entnto (e opinr tod gente pode), mnter um identidde (e identidde e cultur) n o e f cil, e te dispendioso e exige scrif cios tl como Churchill notou e bem no contexto d Segund Guerr Mundil qundo foi confrontdo com hipo tese de trnsferir o investimento feito n cultur pr indu stri ds rms. Ent o pr que e que estmos lutr? ter sido respost de Churchill. O sentido de estdo perdeu-se e com ele te m ido bos doses de bom senso. A rte d cld portugues n o se cinge somente os desenhos que exibimos ns res de mior tividde tur stic d cidde. O simples psseio que tr o cminho do lisboet no seu quotidino e t o identidde </p><p>qunto o lrgo do Cmo es ou o Rossio. E Portugl. J que n o se prez noss rte que se preze o nosso espo que, n verdde, sempre foi noss melhor rte. P.s. - sto poder , provvelmente, sor-vos demsido r gido, intolernte, incompreensivo e tod um outr pno pli de coiss do ge nero ms e nos pormenores que est cus de muito ml. Tlvez este sej um deles, o ml d desidentidde. N o h impe rio pr voce s: Pesso e Anto nio Vieir. </p><p>O P I N I O d e A N D R C A B R A L </p><p>B a l a d a d a D e s c u l t u ra : p a r t e 3 2 5 </p><p>DR </p></li><li><p>POL TCA NTERNA </p><p>04 | 24 Fevereiro 2014 </p><p>O ESPECTRO </p><p>Um jovem dolescente encminh-se pr cix depois d rdu corrid entre prteleirs de supermercdo. r s comprs em hor de pont e tref pr os mis resistentes ou pr os mis necessitdos. A minutos d su vez, o jovem lembr-se de ouvir lgo ns not cis "fctur d sorte" e "carros de alta cilindrada" e, quando questiondo sobre requisi o de fctur, n o hesit e responde firmtivmente com </p><p>o nu mero de identific o fiscl. Os contrceptivos comprdos pelo jovem podem jud -lo fzer mor num crro com vidros fumdos e com quse tnt pote nci como su juventude e e extrordin rio pensr que est simples compr ou o depilr de xils d su nmord e o fornecimento de um nu mero podem dr-lhes meios onde sejm felizes. N o questiono efic ci d medid ou inten o d mesm ms um exemplo vencedor como o cim descrito teri um publicidde estrtosfe ric. Ter mos o Correio d Mnh fzer mnchete com " Jovens protegidos gnhm novo veiculo de przer" ou os progrms d mnh entrevistr o csl seguido do segmento crime. Penso que este concurso pode brir ports outrs modliddes: um escpdinh pr um solteiro desesperdo, um vigem Disneylnd pr futuros rebentos prtid rios ou simplesmente ofert de um crro mis modesto. Esclreo desde j que concordo com medid, chndo prtid </p><p>que os pre mios podim ter sido mis reis e n o ostentosos. Bem sei que o vencedor ir vender o crro se n o precisr dele, ms s coiss podim ser mis simples. Um crro fmilir fbricdo em Plmel, sem recurso import o preci-me excelente e digno de pluso, ms l est , veremos os moldes em que o concurso ser feito. Um quest o prece-me importnte e </p><p>inquietnte o longo destes dis. Quem ser presentdor? E pu blico que existe um grnde concorre nci entre os cnis de televis o de modo decidir quem fic com Fctur d Sorte. Vejmos s vntgens de cd est o: n RTP, doce e experiente Serenell Andrde. Se os Jogos Snt Cs tivessem um cr pr definir o Totoloto, ess seri d Serenell. N SC, um certez podemos ter: o leque de opo es pssr pelo FmShow. Entre menin ds chmds de vlor crescentdo ou senhor dos recordes do Guiness, escolh n o ser f cil. Por fim, TV pode recorrer qulquer nin ds trdes domingo ou simplesmente optr pel Mris Cruz e n su experie nci euromilion ri. Por isso, poste decorr o seu NF ou n hbilidde de retirr o Crt o de Cidd o d crteir de modo repentino. N o se esque, sempre que fcturr est poir bos cuss. </p><p>O P I N I O d e R U I S O U SA </p><p>M e n i n a b o n i t a n o f a c t u ra m a s t a m b m n o a n d a </p><p>COLUNA EX LIBRIS </p><p>CRTICA LITERRIA, </p><p>por Joo Silva </p><p>Do Socialismo Utpico ao </p><p>Socialismo Cientfico </p><p>Friedrich Engels </p><p>E sensto firmr que, sem Engels, tlvez n o houvesse Mrx. Ningue m duvid que Mrx e exponente m ximo do Mrxismo o nome isso indic ms Mrx dificilmente teri lcndo o que lcnou sem Engels. Nest obr, Engels bord lgums ds tem tics principis do Mrxismo, pr le m de fzer um explic o histo ric e distin o entre o socilismo uto pico e o cient fico. Primeirmente, bord s teoris uto pics de Owen, Fourier e Sint Simon, socilists por criticrem s injustis e s condio es d sociedde cpitlist, ms uto pics porque visvm um ordem socil idel, imprtic vel ns condio es d ltur. Apresent depois s crcter stics do me todo dile tico, por oposi o metf sic, e do mterilismo, por oposi o o idelismo, e s concepo es mterilists e idelists de histo ri. Se no in cio Engels reconhece que os uto picos fltv colocr o socilismo em terrenos reis, pr o converter em cie nci, po s s explico es do me todo dile tico, do mterilismo e d concep o mterilist de histo ri ess tref fic relizd: nlis-se cientificmente, dess form, o modo cpitlist de produ o, explor o lborl e possibilidde de superr esss condio es. Assim, existe nci do socilismo justific-se como o produto necess rio d lut entre dus clsses ntgo nics e historicmente formds: o proletrido, detentor d for de trblho, e burguesi, detentor dos meios de produ o. Por fim, de um modo conciso ms preciso, nlis s principis contrdio es do cpitlismo, s do cpitl x trblho, e os ntgonismos entre burguesi e o proletrido, o conflito entre s fors produtivs e s relo es de produ o, orgniz o x nrqui, que exigem emncip o e revolu o do proletrido, expressd teoricmente no socilismo cient fico. Est obr e , meu ver, tremendmente importnte e excelente pr ter um vis o so lid do Mrxismo e d su n lise histo ric, econo mic, pol tic e filoso fic, e d evolu o histo ric do socilismo. </p><p>Classificao: 5/5 </p><p>DR </p></li><li><p>GLOBO </p><p> 24 Fevereiro 2014 | 05 </p><p>O ESPECTRO </p><p>O P I N I O d e J O O P E D R O R O D R I G U E S </p><p>C o r e i a d o N o r t e </p><p>A 17 de Fevereiro, RTP noticiou um excerto do testemunho de qutro ex-prisioneiros norte-corenos que s o gor ouvidos pel Comiss o de nque rito d ONU. A pen nsul d Corei tem historicmente sido um zon de conflito, diverss vezes ocupd e plco do surgimento e extin o de diversos estdos o longo de se culos. O tul foco de tens o e ums ds mis pesds fturs d Guerr Mundil que trd em ser liquidd. Aqundo d derrot do Eixo e d rendi o do Jp o, Corei, nteriormente domind pelo impe rio Jpone s, foi dividid entre Sovie ticos e Estdunidenses, cujs trops estvm respetivmente norte e Sul do p s n ltur d rendi o Jpones. Com o poio d Uni o Sovie tic Kim -Sung chegou o poder, inicindo um governo totlitrist que com um punho de ferro continu deixr um mrco negro n histo ri mundil. A divis o d Corei em dois territo rios distintos e um exemplo ctego rico ds trplhds crids no per odo d Guerr-Fri. Com mbs s no es reclmrem soberni sobre tod pen nsul, inici-se em 1950 um conflito rmdo qundo Corei do Norte invde o Sul d Pen nsul e o conflito (ptrocindo por Estdunidenses, Sovie ticos e Chineses) resultou em 2 milho es de mortos, terminndo em 1953. N o deixndo contudo, te hoje, de pirr me de novo conflito visto que pens est em vigor um rmist cio. A condu o pol tic Norte Coren e reprov vel e s orgnizo es interncionis, como ONU e o Tribunl nterncionl d Justi te m flhdo ctegoricmente n resolu o do problem humnit rio. As sno es plicds te m tido custos pesdos principlmente sobre civis, como o embrgo comercil que, lido erros de gest o gr ri t picos de economis de plnific o centrl, conden fome milho es de norte corenos, como testemunhdo. O regime que control os cidd os como </p><p>pio es num tbuleiro de xdrez, torn rel cren determin stic d vid. A ctegoriz o dos cidd os segundo grus de import nci pss tmbe m pel estipul o de onde cd um pode viver, qul profiss o desempenhr, qundo poder estudr e te onde poder circulr </p><p>(a entrada na capital Pyonyang na o e permitid todos os cidd os e s vigens o estrngeiro s o proibids). O povo e mntido n obscur...</p></li></ul>