6. manual de higienização das mãos

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  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

    HOSPITAL UNIVERSITRIO JLIO MLLER SERVIO DE CONTROLE INFECAO HOSPITALAR

    SCIH

    Higienizao das Mos

    Introduo

    As infeces relacionadas assistncia sade constituem um problema grave e um grande desafio,

    exigindo dos responsveis pelos servios de sade aes efetivas de preveno e controle. Tais

    infeces ameaam tanto os pacientes quanto os profissionais de sade, acarretar sofrimentos e

    resultados em gastos excessivos para o sistema de sade.

    Em 1845, Ignaz Semmelweis, reportou a reduo do nmero de mortes maternas por infeces

    puerperal aps implantao da prtica de higienizao das mos em um hospital em Viena. Desde

    ento, esse procedimento tem sido recomendado como medida primria no controle da

    disseminao dos agentes infecciosos.

    As mos so consideradas as principais ferramentas dos profissionais que atuam nos servios de

    sade, pois atravs delas que eles executam suas atividades. Assim, a segurana dos pacientes,

    nesses servios, depende da higienazao cuidadosa e frequente das mos desses profissionais.

    A Portaria do Ministrio(MS) n 2.616, de maio de 1998, estabelece aes mnimas a serem

    desenvolvidas sistematicamente, com vistas reduo da incidncia e da gravidade das infeces

    relacionadas aos servios de sade. A Resoluo da Diretoria Colegiada (RDC) n 50 da Anvisa, de 21

    de Fevereiro de 2002, dispe sobre Normas e Projetos Fsicos de Estabelecimentos Assistenciais de

    Sade, definindo, a necessidade de lavatrios/pias para higienizao das mos.

    As mos constituem a principal via de transmisso de microrganismos durante a assistncia prestada

    aos pacientes, sendo a pele um possvel reservatrio de diversos germes, que podem ser transferidos

    de uma superfcie para outra, pelo contato direto (pele com pele), ou indireto, atravs do contato

    com objetos e superfcies contaminados.

    A pele das mos alberga, principalmente, duas populaes de microrganismos:

    Os pertencentes microbiota residente so constitudos por microrganismos de baixa

    virulncia, como Estafilococcus, corinebactrias e micrococus. mais difcil de ser removida pela

    higienizao das mos com gua e sabo, uma vez que coloniza as camadas mais internas da pele

    ligada s camadas mais profunda da pele, composta de microrganismos de baixa virulncia:

    estafilococos coagulase negativos, micrococos e corinebactrias. No facilmente removvel com a

    lavagem das mos, podendo ser introduzida nos pacientes quando da realizao de procedimentos

    invasivos.

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    Os pertencentes microbiota transitria colonizam a camada mais superficial da pele, o

    que permite sua remoo mecnica pela higienizao das mos com gua e sabo, sendo eliminada

    com mais facilidade quando utiliza uma soluo anti-sptica. Exemplo das bactrias de Gram-

    negativo, como as enterobactrias (Escherichia coli) bactrias no fermentadoras (Pseudomonas

    aeruginosa) alm dos fungos. Coloniza as camadas superficiais da pele, sendo adquirida no contato

    com pacientes ou com superfcies contaminadas em proximidade com os pacientes. a mais

    frequentemente associada a infeces transmitidas no cuidado aos pacientes (Infeces

    Hospitalares), sendo facilmente removvel com a lavagem adequada das mos.

    A higienizao das mos apresenta as seguintes finalidades:

    Remoo da sujidade, suor, oleosidade, plos,clulas descamativas e da microbiota da pele,

    interrompendo a transmisso de infeces veiculadas ao contato.

    Preveno e reduo das infeces causadas pela transmisso cruzada.

    Insumos Necessrios para higienizao das mos

    gua A gua utilizada em servios de sade deve ser livre de contaminantes

    qumicos e biolgicos, obedecendo aos dispositivos da Portaria n 518/GM, de 25 de maro de

    2004, que estabelece os procedimentos relativos ao controle e vigilncia da qualidade deste

    insumo.

    Sabes Nos servios de sade, recomendam-se o uso de sabo lquido, tipo refil,

    devido ao menor risco de contaminao do produto. Este insumo est regulamentado pela

    Resoluo ANVS n 481, de 23 de setembro de 1999. A compra do sabo padronizado, deve ser

    realizado segundo os parmetros tcnicos definidos para o produto e com a aprovao do

    SCIH. So produtos de ao detergente que contm cidos graxos esterificados e hidrxido de

    sdio ou potssio. Disponveis em vrias formas: barra, lquido, etc. No tem atividade

    antimicrobiana. Retiram a sujeira, vrias substncias orgnicas e a flora transitria frouxamente

    aderida pele mas, em geral, no removem os patgenos das mos da equipe de sade

    hospitalar. Podem causar secura e irritao da pele. Ocasionalmente podem sofrer

    contaminao (colonizando as mos da equipe)..

    Agentes Anti-spticos - So substncias aplicadas pele para reduzir o nmero de

    agentes da microbiota transitria e residente. Entres os principais anti-spticos utilizados

    para higienizao das mos destacam-se : lcoois, Clorexidina, Compostos de iodo, Iodforos

    e Triclosan.

    Papel Toalha Deve ser suave, possuir boa propriedade de secagem, ser

    esteticamente aceitvel e no liberar partculas.

    lcoois - tem atividade antimicrobiana atribuda sua habilidade de desnaturar

    protenas. Solues contendo 60-95% de lcool so as mais eficazes (concentraes maiores

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    tem menor potncia). Tem excelente atividade germicida contra bactrias de Gram-positivos e

    Gram-negativos, M.tuberculosis e fungos. Tem ao contra a maioria dos vrus (para inativao

    do HBV e do HCV a concentrao deve ser de 60-70%). Tem pouca atividade contra esporos

    bacterianos, oocistos de protozorios e alguns vrus no envelopados e no lipoflicos. No tem

    atividade residual, no entanto, o re-crescimento lento. A adio de clorexidina, quaternrios

    de amnia ou triclosan s solues alcolicas resulta em atividade persistente.

    Produtos base de lcool so mais eficazes para a lavagem das mos e para anti-sepsia das

    equipes de sade do que outros sabes antimicrobianos, inclusive aqueles com PVPI e

    clorexidina. Tambm so eficazes na lavagem pr-operatria das mos da equipe cirrgica.

    Estudos recentes comprovam a eficcia do lcool etlico a 70%, glicerinado ou na forma de

    gel, em mos sujas com matria orgnica.

    No definida a quantidade ideal para aplicar s mos, ela pode variar conforme a

    formulao empregada (gel, espumas) mas deve ser suficiente para friccionar as mos , sem

    secar, durante 15 segundos.

    Problema do lcool: ressecamento das mos, que pode ser reduzido com a adio de glicerol

    (1-3%) ou agentes condicionadores de pele (emolientes ou umectantes).

    Clorexidina: Sua atividade antimicrobiana atribuda ligao e subsequente ruptura da

    membrana citoplasmtica. Tem boa atividade contra bactrias Gram positivos, sendo um

    pouco menos ativa contra bactrias de Gram-negativos e fungos e tendo ao mnima contra

    micobactrias. Tambm no esporicida. Tem ao contra vrus, principalmente aqueles com

    envelope (HSV, HIV, CMV, influenza). Existem formulaes aquosas ou detergentes (0,5% ou

    0,75%) e solues detergentes antisspticas (2% ou 4%). Tem ao residual significativa e

    nenhuma ou quase nenhuma absoro pela pele. Deve-se evitar o contato de preparaes

    com concentraes > 1% de clorexidina pelo risco de causar conjuntivite e leso de crnea. A

    ototoxicidade impede o seu uso em cirurgias de ouvido. Tambm deve ser evitado o contato

    direto com tecido cerebral e meninges. O uso freqente de solues com altas concentraes

    (4%) pode causar dermatite. A adio de baixas concentraes de clorexidina (0,5 a 1%) a

    preparaes alcolicas garante atividade residual.

    Iodo e iodforos: o iodo forma complexos com aminocidos e cidos graxos insaturados das clulas

    resultando em alterao da membrana celular e da sntese proteica. Tem ao bactericida contra

    bactrias de Gram-positivos e Gram-negativos, micobactrias, vrus e fungos, no sendo esporocida

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    nas concentraes normalmente utilizadas. A durao do seu efeito residual no est bem

    estabelecida, variando de 30-60 minutos a 6 horas em diferentes estudos. A presena de substncias

    orgnicas (sangue, escarro) reduz substancialmente sua atividade antimicrobiana. A maioria das

    preparaes empregadas para higiene das mos contm 7,5 10% de povidine.

    Quaternrios de amnia: so absorvidos membrana citoplasmtica levando sua alterao

    com a sada de constituintes citoplasmticos de baixo peso molecular. So primariamente

    bacteriostticos e fungistticos, tendo maior atividade contra bactrias de Gram-positivos do

    que sobre as bactrias de Gram-negativos. Apresentam fraca atividade contra micobactrias

    e fungos. Tem ao contra vrus lipoflicos. Sua atividade adversamente afetada pela

    presena de matria orgnica. Nas formulaes atualmente disponveis no recomendado

    como soluo anti-sptica para lavagem das mos. H novas formulaes em estudo.

    Hexaclorofeno: Inativa os sistemas enzimticos dos microorganismos, atuando como

    bacteriosttico. Tem boa atividade contra S. aureus mas fraca contra bactrias de Gram-

    negativos, micobactrias e fungos. Tem efeito residual e cumulativo. absorvido pela pele

    no usar jamais em queimados e em pacientes com reas extensas de pele sensvel.

    No recomendado para a lavagem anti-sptica das mos (falta de eficcia e segurana)

    Triclosan: penetra na clula bacteriana alterando a membrana citoplasmtica e a sntese de

    RNA, protenas e cidos graxos. Tem, em geral, atividade bacteriosttica de amplo espectro

    contra bactrias de Gram-positivos

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