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Tese Rebele-se para o 58 Coneg da UNE

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  • 58 CONEG da UNE Rio de Janeiro 22 a 25 de abril de 2010

    Projeto:

    Educao, Terra, Trabalho e Democracia

    Eixos:

    1. Introduo

    2. Controlar as reservas naturais do Brasil

    3. Defendemos a volta do monoplio estatal do petrleo

    4. A dvida eterna brasileira

    5. As privatizaes so um crime contra o Pas

    6. Nacionalizao da Terra e ampla reforma agrria.

    7. Democracia Brasileira

    8. Nosso direito ao transporte e a viver nas cidades

    9. Como o nosso pas deve se inserir no mundo?

    10. Abrir os arquivos da ditadura

    11. Dinheiro pblico para a educao pblica

    12. Educao no mercadoria

    13. Educao um direito para todos e todas

    14. Abaixo a represso nas universidades!

    15. Livre expresso de verdade.

    16. Meia-Entrada e passe-livre: um direito dos estudantes!

    17. Cultura

    18. Esporte para todos e todas

    19. Sade no mercadoria!

    20. Em defesa do combate as opresses

    21. Concluso

  • 1) Introduo

    A Unio Nacional dos Estudantes, em coerncia com sua histria de lutas e de defesa

    intransigente dos interesses do povo brasileiro, lana o atual documento Educao,

    Terra, Trabalho e Democracia, com propostas e anlises sobre o pas que so frutos do

    debate acumulado com a base do movimento estudantil e do dilogo fraterno com

    pensadores, intelectuais, artistas e com entidades do movimento social brasileiro

    identificados com um projeto de nao livre da submisso imposta pelo imperialismo e

    capaz de garantir a democracia para o povo, ao invs dos privilgios dos grupos

    capitalistas.

    O Brasil tem seus recursos naturais e o trabalho do seu povo profundamente explorado,

    o que torna possvel ser simultaneamente a 9 economia do mundo e o 8 pas em

    desigualdade, segundo o ndice de Gini.

    Em 2010 o calendrio eleitoral sugere a necessria reflexo sobre o futuro do nosso

    pas. Evidentemente, como entidade do movimento social organizado, fazemos essa

    reflexo a partir do ponto de vista das classes trabalhadoras e oprimidas, a partir do

    ponto de vista dos que constroem a riqueza e que, nesses cinco sculos de nossa

    histria, no tm recebido o fruto desse trabalho.

    Esta uma reflexo que vai muito alm do prprio debate eleitoral, muitas vezes

    limitado, refletindo apenas uma disputa pelo poder entre os que pouco se diferem no

    contedo poltico. Acreditamos que o atual projeto deve ser construdo e impulsionado

    dentro de cada universidade, nas lutas cotidianas que fazem o movimento estudantil e

    outros movimentos sociais, organizados numa frente anti-imperialista, tambm com o

    objetivo de influenciar e pressionar os que detero os mandatos instituicionais para que

    ajam no sentido de melhorar as condies de vida do povo alterarando a correlao de

    foras vigente na sociedade brasileira.

    Nesse sentido, chamamos todos e todas estudantes para participar ativamente da luta

    para transformar o atual projeto em realidade, construindo e fortalecendo entidades

    estudantis por todas as universidades desse pas, por um movimento estudantil

    democrtico, rebelde e combativo. Vamos juntos lutar por um Brasil soberano e

    socialista!

  • 2) Controlar as reservas naturais do Brasil

    Na atual fase do capitalismo, a fase imperialista, as potncias mundiais travam guerras

    de rapina pelo controle das reservas naturais e das fontes de matrias-primas

    estratgicas. Foi por matria-prima que o imperialismo estadunidense invadiu o Iraque e

    o Afeganisto e segue lanando ameaas contra o Ir e a Venezuela. Essa sanha por

    matrias-primas vem destruindo o meio ambiente, promovendo o consumo

    insustentvel, queimando combustveis fsseis que aquecem o planeta e ameaam as

    condies de vida.

    O Brasil pas estratgico para o controle dessas reservas, principalmente no atual

    momento em que foram descobertas, na camada pr-sal do litoral brasileiro, fontes de

    petrleo que esto estimadas em 100 bilhes de barris.

    parte da histria do nosso pas a participao popular na defesa do uso soberano das

    nossas reservas naturais, em especial o petrleo. Foi o povo nas ruas, e com participao

    fundamental da UNE e dos estudantes, quem tornou possvel a construo da Petrobrs

    e a aprovao de leis que garantiram o monoplio estatal do Petrleo, livrando as nossas

    reservas da sanha de lucro dos monoplios imperialistas.

    No entanto, em 1995, o governo de Fernando Henrique Cardoso vendeu esse nosso

    direito quebrando o monoplio estatal atravs da lei 9748/97. A partir desse momento

    teve inicio a privatizao do petrleo brasileiro atravs dos nefastos leiles de poos

    petrolferos, organizados pela Agncia Nacional do Petrleo ANP. Teve inicio

    tambm a privatizao da prpria Petrobrs, que hoje tem a maioria das suas aes em

    mos privadas deixando, portanto, de ser uma empresa 100% pblica.

    Desde ento, a poltica de leiles do petrleo brasileiro foi seguida e nos governos de

    FHC e Lula foram promovidos, respectivamente, 4 e 5 licitaes que possibilitaram,

    inclusive, a entrega de 30% da rea do pr-sal. Graas a esses leiles e poltica de

    entrega dos recursos naturais do pas que empresas como a OGX, do bilionrio Eike

    Batista, assumiram o controle de blocos em Cabo Frio (RJ) se apropriando das riquezas

    nacionais.

    Portanto, fundamental darmos um basta a essa entrega dos recursos naturais e colocar

    a servio do povo brasileiro as riquezas advindas do petrleo e da explorao do pr-sal.

  • Defendemos uma Petrobrs 100% pblica, a reverso dos leiles j realizados e a

    retomada desses blocos para controle do Estado brasileiro.

    No que tange a explorao de outros recursos como os hdricos, vemos a lgica de

    mercado se repetir, como no caso da transposio do Rio So Francisco, obra que

    beneficiar principalmente o agronegcio, e no caso da hidreltrica de Belo Monte,

    projeto que vem da ditadura e servir ao enriquecimento de monoplios industriais.

    Ambos os projetos carregam a marca da destruio do meio ambiente e da agresso s

    comunidades locais.

    3) Defendemos a volta do monoplio estatal do petrleo

    Foi atravs do esforo e do investimento do Estado brasileiro que o petrleo da camada

    pr-sal foi descoberto e para atender os problemas e necessidades do nosso povo que

    ele deve ser utilizado. Apenas com o petrleo brasileiro livre da explorao das

    petrolferas capitalistas e com a Petrobrs verdadeiramente pblica que conseguiremos

    destinar essa riqueza para os interesses do povo brasileiro e destinar 50% desses

    recursos para o financiamento e o fortalecimento da educao pblica. Defendemos,

    tambm, o investimento de parte desses recursos, atravs de um fundo, no

    desenvolvimento de energias alternativas afim de superar a lgica de destruio do meio

    ambiente.

    - Fim dos leiles do Petrleo! Leilo privatizao! Extino da Agncia Nacional do

    Petrleo!

    - Pelo Monoplio estatal do petrleo e revogao da lei 9748/97!

    - Pela reestatizao da Petrobrs.

    - 50% dos recursos do pr-sal para a educao pblica.

    - Investimento de parte dos recursos do Pr-sal no desenvolvimento de energias

    alternativas.

  • 4) A dvida eterna brasileira

    A dvida pblica, ou seja, a soma das dvidas interna e externa do Brasil, est na fonte

    dos principais problemas sociais que vive o nosso pas. A cada ano so bilhes gastos

    em seu pagamento, enquanto recursos para as reas sociais, em especial na moradia,

    educao e sade so cortados.

    Para se ter uma idia, o oramento previsto para a educao em 2010 no ultrapassa a

    marca de 2% do total do oramento federal, enquanto que os custos da dvida pblica

    representam um comprometimento de quase 30% desse mesmo oramento, alcanando

    a marca de R$ 596 bilhes. Pior: mesmo pagando tanto dinheiro, a dvida, ao invs de

    diminuir, cresceu.

    Ainda que pese toda a propaganda falando que a dvida externa brasileira acabou e

    mesmo com o governo federal tendo entregado mais de R$ 14 bilhes ao famigerado

    Fundo Monetrio Internacional FMI, a dvida ultrapassa R$ 1,2 trilhes.

    A verdade que a dvida pblica brasileira uma grande fraude, que comeou no

    sculo XIX com a cobrana indevida por parte da Inglaterra para reconhecer a

    independncia brasileira; cresceu com os emprstimos tomados pelo governo imperial

    brasileiro para realizar a guerra do Paraguai; se tornou gigante durante a ditadura militar

    que realizou um falso milagre econmico, tomando dinheiro emprestado para realizar

    obras faranicas e enriquecer quem j era muito rico; e se tornou impagvel durante o

    governo FHC com sua poltica de juros exorbitantes e a emisso de ttulos da dvida

    brasileira reajustados para assegurar lucros aos especuladores e grandes banqueiros. Em

    todos esses episdios, o povo brasileiro nunca foi consultado sobre a tomada de

    emprstimos, e muito menos os recursos foram utilizados em benefcio do nosso povo.

    necessrio realizar uma auditoria em toda a nossa dvida, interna e externa. Nessa

    auditoria descobriremos certamente que somos credores, e muito do que nos foi roubado

    precisa ser imediatamente devolvido pelas potncias imperialistas.

    O Brasil no ser capaz de financiar dignamente a educao enquanto seguir pagando

    bilhes todos os anos aos banqueiros. Apenas o fim do pagamento da dvida permitir

    ao Estado deter os recursos para sanar os problemas sociais que vive o povo brasileiro.

    - Fim do pagamento da dvida pblica. Usar o dinheir