538-abertura do rio amazonas a navegacao internacional e o parlamento brasileiro

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  • A Abertura do Rio Amazonas Navegao Internacionale o Parlamento Brasileiro

  • MINISTRIO DAS RELAES EXTERIORES

    Ministro de Estado Embaixador Celso Amorim

    Se c r e t r i o -Gera l Embaixador Samuel Pinheiro Guimares

    FUNDAO ALEXANDRE DE GUSMO

    Pr e s i d en t e Embaixador Jeronimo Moscardo

    A Fundao Alexandre de Gusmo, instituda em 1971, uma fundao pblica vinculada ao Ministriodas Relaes Exteriores e tem a finalidade de levar sociedade civil informaes sobre a realidadeinternacional e sobre aspectos da pauta diplomtica brasileira. Sua misso promover a sensibilizaoda opinio pblica nacional para os temas de relaes internacionais e para a poltica externabrasileira.

    Ministrio das Relaes ExterioresEsplanada dos Ministrios, Bloco HAnexo II, Trreo, Sala 170170-900 Braslia, DFTelefones: (61) 3411 6033/6034/6847Fax: (61) 3411 9125Site: www.funag.gov.br

  • A Abertura do Rio Amazonas Navegao Internacionale o Parlamento Brasileiro

    Braslia, 2009

    Paulo Roberto Palm

  • Copyright , Fundao Alexandre de Gusmo

    Capa:Lasar SegallMenino com lagartixa (detalhe)1924 - leo sobre tela.

    Equipe tcnica:Maria Marta Cezar LopesEliane Miranda PaivaCntia Rejane Sousa Arajo Gonalves

    Projeto grfico e diagramao:Juliana Orem e Maria Loureiro

    Direitos de publicao reservados

    Fundao Alexandre de GusmoMinistrio das Relaes ExterioresEsplanada dos Ministrios, Bloco HAnexo II, Trreo70170-900 Braslia DFTelefones: (61) 3411 6033/6034/6847/6028Fax: (61) 3411 9125Site: www.funag.gov.brE-mail: funag@mre.gov.br

    Depsito Legal na Fundao Biblioteca Nacional conforme Lei n 10.994, de 14.12.2004.

    Palm, Paulo Roberto. A abertura do rio Amazonas navegao internacional e o parlamento

    brasileiro / Paulo Roberto Palm. - Braslia : Fundao Alexandre deGusmo, 2009.

    100 p.

    Dissertao (Mestrado) - Universidade de Braslia, 1984

    ISBN: 978-85-7631-017-4

    1. Brasil - Histria. 2. Poltica Externa - Brasil. 3. Rio Amazonas -Brasil. I. Autor. II. Ttulo.

    CDU: 913(811.3)

    Impresso no Brasil 2009

  • S U M R I O

    INTRODUO ........................................................................................... 7

    1 ANTECEDENTES HISTRICOS .............................................................. 131.1 O Paraso Tropical e a cobia estrangeira ....................... 151.2 Evoluo da prtica jurdica sobre a utilizao

    de rios internacionais ......................................................... 191.3 A poltica brasileira para a navegao na

    Bacia do Prata ................................................................... 23

    2 PRESSES EXTERNAS ....................................................................... 272.1 As exigncias do expansionismo norte-americano............. 292.2 Ribeirinhos superiores: interesses prprios

    ou delegados? ................................................................... 342.3 As potncias europias ..................................................... 39

    3 A REAO BRASILEIRA ...................................................................... 433.1 Do isolacionismo ao pragmatismo ..................................... 453.2 A estratgia da contemporizao ...................................... 51

    4 O DEBATE PARLAMENTAR ................................................................... 554.1 A navegao nacional ........................................................ 574.2 O conflito doutrinal ............................................................ 614.3 O liberalismo insinuante .................................................... 644.4 O decreto de abertura ........................................................ 68

    CONCLUSO ......................................................................................... 71

    NOTAS .................................................................................................. 75

    DOCUMENTAO ..................................................................................... 87Fontes primrias ......................................................................... 89

    BIBLIOGRAFIA ........................................................................................ 91

  • INTRODUO

  • 9A abertura do rio Amazonas navegao internacionalconstitui, sem dvida, um tema vastssimo, dado o longo perodo emque se desenvolveu e a complexidade de interesses nela envolvidos, e,para ser convenientemente esgotado, demandaria inmeros estudosde carter mais especfico, dentre os quais, a meu ver, poder-se-iamdestacar as presses de interesses regionais das provncias do norte emfavor da abertura; a eventual influncia da Guerra do Paraguai nodesfecho da questo; os mitos criados e propagados no HemisfrioNorte sobre a Amaznia; as tentativas de colonizao preventiva daregio na dcada de 50 do sculo XIX; a importncia do rio Amazonas, poca, como rota comercial, e as conseqncias da questo noposterior relacionamento entre o Brasil e seus vizinhos amaznicos,apenas para mencionar alguns.

    Em termos gerais, a sntese que se procurou realizar, com ointuito de produzir uma viso abrangente do encaminhamento daquesto pelos rgos executores da poltica externa brasileira e deoutros pases interessados, para ser referenciada, a seguir, ao debateparlamentar travado sobre o assunto no Brasil, levou a que, por vezes,fatos histricos de grande magnitude fossem apenas tangenciados, ou,quem sabe, mesmo omitidos, em virtude das inexorveis limitaesque este tipo de trabalho acadmico forosamente impe.

    Dentre as fontes primrias utilizadas, alm dos indispensveisAnais da Cmara dos Deputados e do Senado, foram, sobretudo,valiosas as Atas do Conselho de Estado e as Consultas da Seo dosNegcios Estrangeiros daquele Conselho, com seus globalizantes eperspicazes Pareceres e explicaes de voto, bem como a preciosa

    INTRODUO

  • 10

    PAULO ROBERTO PALM

    coletnea de Antonio Pereira Pinto, Apontamentos para o DireitoInternacional, cuja transcrio e comentrios de atos internacionaiscelebrados pelo Brasil foram de inestimvel auxlio.

    Quanto bibliografia, merecem especial meno, embora nocom exclusividade, as seguintes obras: Fernando Sabia de Medeiros, ALiberdade de Navegao do Amazonas; Relaes entre o Imprio e osEstados Unidos da Amrica, que extrapola aquele relacionamentobilateral em pertinentes consideraes polticas e jurdicas; lvaroTeixeira Soares, Um Grande Desafio Diplomtico no Sculo Passado, aose esmerar na anlise do duelo diplomtico entre o Brasil e os demaisinteressados na navegao do Amazonas; Ncia Vilela Luz, A Amazniapara os Negros Americanos, pelo levantamento exaustivo de dados epela anlise da questo sob o prisma do embate entre idias industrialistase escravagistas nos Estados Unidos; Arthur Cezar Ferreira Reis, AAmaznia e a Cobia Internacional, por uma viso ampla de toda aproblemtica amaznica; Amado Luiz Cervo, O Parlamento Brasileiroe as Relaes Exteriores (1826-1889), pelo quadro referencial da evoluoda atividade parlamentar, e mais especificamente quanto dialticaprotecionismo/liberalismo; Joo Camillo de Oliveira Torres, ADemocracia Coroada; Teoria Poltica do Imprio do Brasil, pelo estudoda interao entre liberais e conservadores; David Gueiros Vieira, OProtestantismo, a Maonaria e a Questo Religiosa no Brasil, porsubsdios teis sobre a influncia da ideologia e pregao protestantesna questo e sobre a imigrao de sulistas norte-americanos; e G.Kaeckenbeek, International Rivers, pela anlise diacrnica da prticajurdica sobre a utilizao de rios internacionais.

    O estudo tem como hiptese que a abertura do rio Amazonas navegao internacional teve condicionantes fundamentalmenteexternos, e por essa razo que inicia por construir o quadrointernacional, poltico e jurdico, que determinou as presses de pasese de grupos contra o Brasil em favor da livre navegao daquele rio atodas as bandeiras.

  • 11

    INTRODUO

    A reao brasileira avaliada numa perspectiva bifronte, decontemporizao ante as grandes Potncias e de negociaes com osco-ribeirinhos, visando a com estes entabular ajustes bilaterais que osafastassem de articulaes coletivas contra o Brasil, ensaiadasprincipalmente pelos Estados Unidos e pela Inglaterra.

    No contexto parlamentar, que constitui valioso foro dedebate dessa e de outras candentes questes nacionais, procurou-seassinalar as correntes de pensamento envolvidas na questo danavegao. Em ltima anlise, seria do Parlamento que partiria oimpulso bsico para a abertura, sob o influxo do culto ao liberalismoque ento se alastrava pelo Pas.

    Em 1866, j afastadas as nuvens sombrias da dcada anterior,a medida viria por Decreto, soberana, liberal, igualitria. A imagemdo Imprio estava salvaguardada, e, o que mais importante, tambma integridade territorial do Brasil.

  • 1.

    ANTECEDENTES HISTRICOS

  • 1.1 O PARASO TROPICAL E A COBIA ESTRANGEIRA

    O Congresso de Utrecht, que se reuniu entre 1712 e 1713para regular a sucesso ao trono espanhol, teve, dentre suas vriasconseqncias, a de assegurar a Portugal o domnio sobre a BaciaAmaznica. A diplomacia portuguesa, num de seus lances de maiorbrilho, conduzida, no evento, pela astcia e pertincia de DomLus da Cunha e do Conde de Tarouca, obteve o assentimentoexpresso da Frana e da Inglaterra no sentido de que renunciavama ampliar seus estabelecimentos coloniais na Amrica do Sul,desistindo, pois, de se fixarem na foz do Rio Amazonas e de onavegarem livremente, contra a vontade da Coroa lusitana.1

    Tendo assegurada, assim, formalmente, sua soberaniasobre a vasta regio, os portugueses passaram a consolid-lapaulatinamente, na esteira do povoamento efetuado por bandeirase expedies rgias.2 A atividade econmica preponderante,consoante os ditames do mercantilismo europeu, passou a ser oextrativismo, que possibilitava a c