4ª Edição - O Espectro

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Jornal acadmico online do Ncleo de Cincia Poltica.

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  • O ESPECTRO Ncleo de Cincia Poltica - ISCSP UL 4 EDIO - 20 de Janeiro de 2014

    A Poltica do Desporto Globo, 8

    Donos do Mundo

    Os Donos do Mundo o t tulo

    qu faz alusa o ao conjunto d

    pssoas lobbis, ao

    conjunto d minorias lits

    qu rprsntam dsd ha

    muito tmpo prsnas

    fulcrais m qualqur sistma

    pol tico. Ests sa o capazs d

    comandar, invitavlmnt, o

    futuro do mundo.

    ECONOMIA, 3

    CINEMA LONDRES

    A balada da

    descultura

    CULTURA, 9

    POLI TICAS

    EXTERNAS

    Do pacifismo

    GLOBO, 7

    OPINIA O

    Viemos do Nada

    GLOBO, 7

    ENSINO SUPERIOR

    Os politcnicos

    e o crescimento

    regional

    EDUCAA O, 5

    Ncleo de Cincia Poltica Ncleo de Cincia Poltica Ncleo de Cincia Poltica --- ISCSP ULisboaISCSP ULisboaISCSP ULisboa

    http://www.ncp-iscsp.com/

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  • 02 | 20 Janeiro 2014

    O ESPECTRO

    EDITORIAL

    A quipa do jornal O Espectro est pront pr continur dsnvolvr trazr-vos mais do qu tmos vindo a construir com gosto muita ddicaa o. No ano passado st projcto nfrntou pr odos conturbados, passando por dtrminadas altrao s , com muita luta ntrga d todos foi poss vl concrtizar sta plataforma, sta voz, st sonho qu dv orgulhar todos os studants d ci ncia pol tica. Esta quipa d xcl ncia tm vindo a crscr todos os dias. A ja mncionada ntrga paixa o sa o dtrminants para qu inu mras surprsas surjam st ano. Contudo, tmos a obrigaa o d agradcr por toda a fora, cr ticas acompanhamnto continuado por part dos nossos litors qu nos t m vindo a contribuir smpr para a laboraa o do nosso mlhor. Em nom d toda a quipa quro dsjar-vos um pro spro ano novo, prnchido d amor, trnura carinho, bm como d muita sau d votos d sprana para aquls qu vivm situao s d maior alvoroo nas suas vidas. No passado dia 5 d Janiro, os portuguss na o viram somnt partir um mro jogador d futbol. Eus bio da Silva Frrira foi a maior glo ria portugusa d futbol alguma vz vista a actuar m Portugal, plas cors do su club - Sport Lisboa Bnfica mas tamb m plas cors da nossa bandira cultura qu chgaram ao Mundo. O futbol na o srv apnas para s dar uns pontap s numa bola. Srv para muito mais. Tnho a consci ncia qu o sp rito d ntrajuda, companhirismo harmonia na o s aprndm com as vicissituds qu cada um d no s ncontra diariamnt. O futbol uma scola, cultura art. Exprsso dsta forma, as minhas condol ncias a maior glo ria do futbol portugu s, o mlhor jogador do mundo d todos os tmpos. Na mmo ria fica um trno profssor qu, por via da sua humildad honstidad, tantas lio s du a comunidad provou qu um futbolista val muito mais do qu s diz. D no s para vo s, tnham uma boa litura.

    Andr Henrique Rodrigues

    FICHA TCNICA

    Coordenao Adriana Corria Andr Hnriqu Vice-Coordenao Joana Lmos Coordenador de Entrevistas e Reportagens Adriana Corria Reviso Adriana Corria Cristina Santos Editor Isa Rafal Joa o Migul Silva Plataformas de Comunicao Andr Cabral Jos Salvador Cartaz Cultural Joa o Migul Silva Redao Adriana Corria Andr Cabral Gonalo Srpa Joana Lmos Joa o Silva Lu s Francisco Sousa Marta Frnands Rocio Ruiz Susana Amador Tiago Sousa Santos

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    ECONOMIA

    O P I NI O d e A D R I A N A C O R R E I A

    H o m e n s e M u l h e r e s : q u e I g u a l d a d e ? ascndr ou at msmo impdidas d o fazr tndo m conta a sua fort ligaa o a sfra privada ao facto das a ras d prdomina ncia fminina trm crit rios difrnts dos crit rios dos homns qu dmonstram sr muito importants causam muito impacto na sfra pu blica. Por outro lado, tmos outra qusta o: os pr mios. Os dsignados pr mios sa o um dos factors qu mais prjudica a dsigualdad, uma vz qu a mulhr aqula qu s ausnta para tomar conta dos filhos quando sts sta o donts para dar assist ncia a fam lia, a mulhr qu tira a licna d matrnidad ou a mulhr qu sai mais cdo do trabalho para ir buscar os filhos a scola. Todos sts momntos m qu a mulhr na o trabalha sa o obviamnt dscontados no sala rio. Logo, os homns acabam por rcbr mais no final do m s por uma qusta o d mnor rsponsabilidad familiar. Continua assim a assistir-s a um modlo, na o d paridad (pesr d Lei d Pridde e do sistem de quotas qu o Estado dcidiu implmntar no Dia rio da Rpu blica m 2006) mas ainda d sgrgaa o d pap is sxuais ntr homns mulhrs. Como altrar sta sgrgaa o? Mudana

    d mntalidads.

    E do snso comum qu quando falamos m discriminaa o ntr g nros sxuais, pnsamos d imdiato na clara distina o qu xist ntr mulhrs homns m va rios aspctos do quotidiano. Muitas dlas sa o considradas infriors fac aos homns, uma vz qu sa o ls qu s ncontram mais ligados a s ci ncias "pesds" e crgos de topo e de lidern. As mulhrs sa o tndncialmnt ligadas a s ci ncias sociais ao mundo da blza, da publicidad do markting no aux lio ou "assist ncia" a trciros m trabalhos d maior rsponsabilidad (secret ris ou enfermeirs, por exemplo). Falo d stro tipos criados pla socidad na o m pnsamntos, mais ou mnos, fministas ou machistas. Para al m da discriminaa o social rmtndo um pouco para o mrcado d trabalho, tndo m conta qu tm vindo a sr um tma bastant discutido nos u ltimos tmpos fac a conjuntura cono mica social m qu vivmos, dparamo-nos com a discriminaa o salarial. A discriminaa o salarial na o nada mais, nada mnos do qu uma "difrna monta ria atribu da com valors supriors para um g nro sxual com

    valors infriors ao g nro sxual oposto". Fac a discriminaa o salarial sta pod dvr-s, ntr outros factors, ao n vl d sindicalizaa o, ao baixo nu mro d mulhrs nas msas d ngociaa o aos cargos d topo srm maioritariamnt ocupados por homns. Ha mnos mulhrs intrssadas m

    DR

    O P I NI O d e A D R I A N A C O R R E I A

    D o n o s d o M u n d o

    Como st pquno dsabafo tndo como rfr ncia Jos Goms Frrira o documnta rio Donos do Mundo. Todos no s stamos stupfactos com o caminho qu Portugal tm prcorrido as dciso s tomadas para o bm (dizm ls) do nosso pquno pa s. Os mrcados, os parciros uropus, os banquiros, os conomistas tantos outros lobbis rprsntam, dsd ha muito tmpo, prsnas fulcrais m qualqur sistma pol tico qu s prz como tal. Dsd os jogos variados d intrss, a s chantagns ou a s lits - todos sts lmntos o intgram. Todavia, qum tnta combatr st sistma sta rd d lobbis fortmnt atacado convidado a sair d ond qur qu stja. Prgunto-m: Sra qu alguma vz irmos consguir vivr num modlo justo m qu as pssoas possam vivr d forma igualita ria? Chgo

    a conclusa o qu talvz o problma na o stja no modlo da socidad vignt mas sim m qum o constitui. Rfrindo novamnt Jos Goms Frrira qum govrna Portugal na o o Govrno nm somos no s (portuguss). Qum ralmnt govrna toda sta rd qu na o facilmnt dtctada idntificada. Mncionando a t tulo d xmplo os pros praticados nos nossos consumos ba sicos, como a a gua ou a luz, sts tornam-s insustnta vis m comparaa o com outras ralidads. Para al m disso, as nossas importao s na o dvm traduzir altos pros no consumo portugu s. E ncssa rio uma opinia o pu blica uma fora populacional mais fort para po r trmo a alguns dsts abusos scabrosos. Talvz sja ncssa rio comarmos a tr uma posia o mais agrssiva, talvz na o nos bast um dia d manifstaa o, talvz sts dias tnham d sr prcpcionados

    plo pro prio patronato como imprscind vis para uma mudana strutural. Na o basta mudar a forma mas o contu do d Portugal. E ssa mudana passa plo pro prio Govrno por todas as mdidas qu t m sido fctuadas, plo Prsidnt da Rpu blica qu nada tm contribu do para a dfsa da sua pa tria , pla maioria d no s qu tmos vindo a acitar st rumo d forma submissa. A poupana o invstimnto, na o so individual mas tamb m pu blico, tivram qubras significativas. Uma incapacidad gnralizada d pnsar num futuro, com vntuais prspctivas mnos boas, na o foi grada por qum scolhmos para govrnar o nosso pa s. Na o arranja mos um Plano B. Mas ainda stamos a tmpo d o concrtizar.

    20 Janeiro 2014 | 03

    O ESPECTRO

    DR

  • Dpois da altraa o dos crit rios d candidatura a bolsas d doutoramnto po s-doutoramnto qu lvaram a uma diminuia o no nu mro d candidaturas aprsntadas a Fundaa o para a Ci ncia Tcnologia (FCT), chgam agora a pu blico os dados rfrnts a s atribuio s das rspctivas bolsas. Estas sa o alvo d protsto por part da Associaa o d Bolsiros d Invstigaa o Cint fica (ABIC) dvido a rdua o dra stica d invstimnto qu classificada como uma razia sgundo dclarao s dsta msma instituia o. Dos 3416 candidatos para bolsas d doutoramnto, apnas 298 consguiram rcbr a bolsa. No caso dos po s-doutoramntos, so 233 cintistas obtivram apoio ntr 2305 candidaturas. Ests nu mros sa o dos mais baixos da u ltima d cada nos trmos d bolsas qu sa o ntrgus contrastam com o invstimnto fito nos u ltimos anos, ja qu foram dadas 2031 bolsas d doutoramnto 914 bolsas d po s-doutoramnto so no ano d 2007. Dvido a todos sts factors a ABIC prpara-s

    para ralizar um protsto junto da sd da FCT no dia 21 d Janiro a s 15 horas, rivindicando contra uma pol tica d dsinvstimnto

    d abdicaa o d dfsa dos intrsss nacionais m dtrimnto das opo s ditadas m sfras intrnacionais. Ests dados aprsntam muitas dscidas m rlaa o a 2012 mesmo contbilizndo as bolsas atribu das plo novo programa d bolsas d doutoramnto da FCT. Programa st qu atribuiu 431 bolss de doutormento gridas plas univrsidads cntros d invstigaa o das

    mais divrsas a ras, com a funa o d scolhr os alunos bnficia rios dstas ajudas. Somando sts nu mros, consgum sr contabilizados

    729 bolss tribu ds, nu mero abaixo das 1198 bolsas ntrgus m 2012. No caso das bolsas d po s-doutoramnto atribu das rgistou-s uma qubra na ordm dos 65%, uma prcntagm qu causa indignaa o a todos os candidatos. Todos sts rsultados mostram qu Portugal na o sta intrssado numa mlhoria significativa das invstigao s qu sa o

    lvadas a cabo no nosso pa s. Pod-s acitar qu xista uma ligira diminuia o no invstimnto fito dvido a cris cono mica qu lva a uma consqunt rdua o dos custos, mas num pa s qu na o muito dsnvolvido tcnologicamnt qu ncssita d dar um nfas maior na qualidad do qu na quantidad das produo s, o dinhiro tm qu sr canalizado para as invstigao s cint ficas qu proporcionam ssa tal qualidad qu muitos subsctors da conomia portugusa ja ntndram como o caminho a prossguir. Como nota final, dixo o sguint rparo: o qu ira acontcr a s candidaturas qu na o foram apoiadas aos rspctivos cintistas qu as dsnvolvram? Pois bm, para fugirm ao dsmprgo tra o qu sair do pa s procurar outras altrnativas d trabalho, ja qu Portugal na o lhs consgu dar uma plataforma para sguirm o su futuro tntar dsnvolvr a nossa ci ncia, umas das principais bass d progrsso dsnvolvimnto d um pa s.

    O P I NI O d e G O N A LO S E R PA

    C o r t e n o P r o g r e s s o

    EDUCAA O

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    04 | 20 Janeiro 2014

    O ESPECTRO

    DR

  • O P I NI O d e T I AG O SO U SA SA N TO S

    O s P o l i t c n i c o s e o c r e s c i m e n t o r e g i o n a l

    O nsino suprior polit cnico tm vindo a sr muitas vzs dscrdi-bilizado qur por prsonalidads pol ticas, qur msmo plos pro -prios alunos qu, atrav s do pro-csso d candidaturas a st grau d nsino, mostram a avrsa o d todo um pa s a sts stablci-mntos. Quando vrificamos qu, dsd o jovm d 18 anos ao Min-istro da Educaa o, xist uma linha cont nua qu assombra as institui-o s m causa, importa qustionar as razo s para tal insucsso d-

    scrna. O Ensino Suprior Polit c-nico difr (ou plo mnos dvia) do Ensino Suprior Univrsita rio por ofrcr aos alunos a oportun-idad d prossguirm os sus s-tudos numa vrtnt mais pra tica, aproximando-os assim do mrcado d trabalho. No ntanto, sta vrtnt pra tica laboral dos In-stitutos Polit cnicos tnt a dsvancr com o tmpo. Em Por-tugal, facilmnt vrificamos qu os cursos lcionados por tais insti-tuio s m muito coincidm com a ofrta das aclamadas Univr-sidads, o qu condiciona a partida o sucsso dos considrados forastiros. Na o podm comptir msmo assim batm-s para tal. Como tudo s torna clarividnt

    quando s rcorr a xmplos pra ticos, vjamos o caso d S-tu bal. A capital d distrito do maior dsrto portugu s conta apnas com uma instituia o d nsino suprior pu blico: o Insti-tuto Polit cnico d Stu bal (IPS). Sria d sprar um grand fluxo d jovns adultos d Stu -bal para aqula instituia o um rjuvnscimnto da rgia o. Es-prava-s qu o pro mais atra-tivo das propinas aliciass

    aquls qu na o consgum su-portar os mais d mil uros das Univrsidads um dsnvolvi-mnto cono mico suportado p-los quadros formados plo Polit cnico. No ntanto, o qu tanto s sprava na o o qu s vrifica. O Instituto Polit cnico d Stu -bal continua a qurr concorrr com instituio s da ta o bla Lis-boa a confrontar-s olhos nos olhos com o Ensino Univrsi-ta rio. Na o s parc uma stra-t gia via vl, nm squr parc uma strat gia m si msmo. Saindo do dsrto rgrssando a ralidad nacional, mais pro-priamnt a ralidad do Ensino Polit cnico, parc-m qu algo

    dv sr fito. As instituio s dsspram pla mudana. As cidads apontam o ddo a cn-tralizaa o oprada pla capi-tal. Lisboa prospra! Esta na altura das cidads mais p-qunas munirm-s dos sus pro prios instrumntos para s aproximarm do dsnvolvi-mnto qu tanto almjam os Polit cnicos dvm fazr part disso. A formaa o smpr grou crscimnto, smpr foi a bas

    do progrsso t cnico cint fi-co das mprsas nm assim s aprovita a componnt pra tica qu as Univrsidads na o t m qu m toria sta a cargo dos Polit cnicos. E com stas prmissas m mnt qu scrvo qu proponho uma aproximaa o dstas institui-o s a ralidad dos mrcados d trabalho das difrnts rgio s. Nst sntido aprovitar os quadros lo-calmnt formados para as mprsas localmnt sdiadas parc o mais lo gico. Mas tudo isto ncssita d uma mudana d paradigma por part das diro s das s-colas m qusta o. A mudana

    EDUCAA O

    tm d prmitir uma altraa o dos cursos qu stas scolas ofrcm, d modo a ajusta -los a s ncssidads dssas ms-mas mprsas. Na o vjo outro caminho para os Polit cnicos. Mais uma vz rgrsso ao dsrto. Mais uma vz o xm-plo facilita-m a xprssa o. Olhmos novamnt para S-tu bal para o Instituto Polit c-nico local. Como cidad costira qu , a capital d dis-trito possui nquanto x-l bris mprsarial o su porto. O Por-to d Stu bal tm vindo a crs-cr, tanto m infra-struturas como m movimntaa o d cargas atividad cono mica. Aprsnta uma ntrada stra-t gica na Pn nsula Ib rica um po lo d dsnvolvimnto para as cidads nvolvnts. Ainda assim na o xist no dis-trito uma Instituia o d Ensino Suprior qu lh forna quad-ros t cnicos. Sria d sprar uma altraa o da ofrta curricular do IPS, qu nglobass a criaa o d cursos como d Gsta o Portua ria, d Engnharia Naval, d Pilot-agm d Navios ntr tantos outros, qu mlhor srviriam o intrss da mprsa da rgia o. Esta travssia no dsr-to torna-s numa viagm m va o. Os atuais cursos parcm tr mais fama, mbora o provito sja pouco. Navgando para o plano nacional a bordo dst navio a vla, m tmpos d vnto para-do, poucos sa o os Polit...