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Gramtica da Lingua Portuguesa

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  • LNGUA PORTUGUESA E LITERATURA:

    relatrio de experincia de estgio supervisionado na Escola Estadual

    Nilza de Oliveira Pipino

    Fernando Hlio Tavares de Barros*

    RESUMO

    Este artigo a sntese do relatrio de Estgio de Observao Supervisionado em

    Lngua Portuguesa e Literatura realizador no segundo semestre de 2010 no 6 semestre do

    Curso de Letras da Universidade do Estado de Mato Grosso, Campus Universitrio de Sinop

    Mato Grosso. A vivncia com alunos do Ensino Fundamental possibilitou tecer

    consideraes acerca da prtica docente em Lngua na realidade da escola pblica, permitindo

    assim apresentar algumas concluses crticas acerca do papel do livro didtico e a no

    utilizao do texto literrio como combate ao dogmatismo e alienao scio-humana.

    Palavras-chave: Estgio Supervisionado. Lngua Portuguesa. Literatura.

    1 INTRODUO

    O relatrio de observao de estgio de Lngua Portuguesa e Literatura tem como

    objetivo: tratar de descrever a realidade educacional das escolas visitadas, compreender a

    construo do ensino e conseqentemente a da aprendizagem nos ambientes escolares

    observados, descrever atravs de observao as metodologias aplicadas na sala de aula.

    O estgio um perodo necessrio para o processo de formao profissional, pois

    possibilita ao estudante ter a vivncia com os conhecimentos aprendidos na sua formao

    superior, pois o espao no qual o acadmico ir compartilhar seus conhecimentos, fazendo

    relao entre a teoria e a prtica, cooperando para a construo de uma melhor educao

    atravs dos seus apontamentos baseados em suas experincias.

    * Acadmico do 8 semestre do Curso de Letras Portugus/Ingls e respectivas Literaturas da Universidade do

    Estado de Mato Grosso; pertecente ao Grupo de Orientao da Prof Dra. Tnia Pitombo de Oliveira, do campus

    Universitrio de Sinop UNEMAT.

    Revista Eventos Pedaggicos v.2, n.2, p. 323 335, Ago./Dez. 2011

  • Pgina 324 - Fernando Hlio Tavares de Barros

    No estgio de observao necessrio observar e analisar dez aulas do Ensino Mdio

    e outras dez no Fundamental, considerando o seu funcionamento, conjugando-as com os

    outros componentes que compem o processo. O estgio tem como objetivo proporcionar um

    contato dos futuros professores de Lngua e Literatura com a sala de aula, ambiente que

    precisa se habituar para que seu desempenho como educador seja eficaz.

    O estgio do Ensino Fundamental foi realizado na Escola Municipal Centro

    Educacional, e o Ensino Mdio foi realizado na Escola Estadual Nilza de Oliveira Pipino. As

    observaes aconteceram no perodo matutino, entre os dias 02 e 30 de setembro.

    O cunho principal deste relatrio apresentar a realidade vista como tal e aps

    desenvolver uma anlise critica sobre o que foi presenciado. Este relatrio est dividido em

    quatro partes: primeiramente os procedimentos, pelos quais sero apresentas as escolas

    estudadas, descrevendo os aspectos fsicos, humanos e pedaggicos. Dentro deste mesmo

    item sero descritas as aulas presenciadas durante o processo de observao.

    A anlise crtica dos resultados trabalhar uma reflexo acerca do que foi visto, os

    pontos positivos e negativos da experincia do estgio, utilizando tericos que trabalham na

    rea de ensino-aprendizagem, como tambm pensadores da rea da filosofia, alguns estudados

    durante o perodo de estudo anterior ao contato com a sala de aula. Em seguida, o relatrio

    apresentar a bibliografia que sustenta a argumentao.

    2 PROCEDIMENTOS

    2.1 ASPECTOS FISICOS E HUMANOS DO CENTRO EDUCACIONAL LINDOLFO

    TRIERWEILLER

    O Centro Educacional Lindolfo Jos Trierweiller foi criado pelo Decreto n 011/1996

    e Lei n 517/98. O Ensino Fundamental de 5 a 8 sries foi autorizado pela Resoluo 32/04

    CEE/MT.

    Atualmente, atende alunos de 5 a 8 sries do Ensino Fundamental e Alfabetizao de

    Alunos D.A, alm de oferecer Sala de Recursos para alunos Deficincia auditiva (D.A.) e

    Deficincia visual (D.V.) e sua organizao, ou seja, o tempo escolar se d por srie.

    Os critrios de seleo que a escola utiliza distoro idade/srie e para alunos com

    Necessidades Educacionais Especiais de acordo com o grau de dificuldade de cada um. Aos

    portadores de necessidades educacionais especiais so oferecidos servios de apoio

    especializado e adaptao curricular de acordo com a necessidade de cada educando.

  • LNGUA PORTUGUESA E LITERATURA: relatrio de experincia... - Pgina 325

    O Centro Educacional Lindolfo Jos Trierweiller atende 893 alunos, divididos em 29

    turmas, sendo 26 de Ensino Regular, 01 de Alfabetizao de Alunos Portadores de

    Deficincia Auditiva, 01 Sala de Recursos para Alunos Portadores de Deficincia Visual e 01

    Sala de Recursos para Alunos Portadores de Deficincia Auditiva, no perodo matutino e

    vespertino.

    2.2 ASPECTOS FSICOS E HUMANOS DA ESCOLA NILZA DE OLIVEIRA PIPINO

    A Escola Estadual Nilza de Oliveira Pipino deve se orgulhar por ser a primeira

    escola de Sinop, sob a liderana da professora Nilza de Oliveira Pipino, razo pela qual

    carrega hoje, a escola, seu nome. Foi fundada em 12 de janeiro de 1976, por decreto do

    Excelentssimo Presidente da Repblica do Brasil, General Ernesto Geisel, lder poltico

    que assumiu a presidncia do Brasil em 15 de maro de 1974. Seu governo foi marcado

    pelo incio de uma abertura poltica e pela amenizao do rigor do regime militar brasileiro,

    durante o qual encontrou fortes oposies de polticos chamados de linha-dura.

    Atualmente, a Escola Nilza de Oliveira Pipino atende alunos do Centro da cidade, e

    tambm dos bairros: Jardim das Palmeiras, J. Imperial, Boa Esperana, Jacarands, violetas,

    Jd das Naes, Jd Botnico, Jd Industrial, Jd Imperial, Jd Paraso, Jd Primavera, Jd Celeste

    Maria Carolina dentre outros, conforme se v no grfico XX.

    A escola Nilza de Oliveira Pipino atende cerca de 1300 alunos do Ensino

    Fundamental e Mdio, tm cerca de 102 funcionrios e de 80 professores, efetivos e

    contratados. Possui uma quadra coberta, 20 salas de aula, um laboratrio de informtica,

    sala dos professores, trs banheiros e os recursos didticos e tcnicos diversos (sala com

    mesas e cadeiras, quadro, aparelho de TV e Vdeo Cassete, Retro projetor, computadores,

    material terico coletnea: revistas, jornais,livros para- didticos , textos variados, PCNS

    e materiais enviados pelo MEC) e uma biblioteca.

    No perodo noturno, nos dias atuais, sua estrutura recebe os alunos do CEJA (Centro

    de Educao de Jovens e Adultos), nvel 1 a 7 e a 8 srie seriada. Sua estrutura fsica

    boa, a iluminao parece estar em boas condies (as aulas foram no perodo matutino, no

    foram vistas ligadas, mas pareceu bem conservadas). As carteiras em bom estado de

    conservao contrapem ventilao que fica a desejar, uma vez que suas janelas so altas,

    impedindo uma ventilao condizente. A pintura no nova, mas ainda no desbotou,

    enfim, um ambiente harmnico. O que se pode acentuar que suas salas de aula so

    inadequadas ao clima quente. O Ensino Mdio e Fundamental funcionam na modalidade

  • Pgina 326 - Fernando Hlio Tavares de Barros

    seriado; so trs os turnos de funcionamento: matutino, vespertino e noturno, sendo que

    este, como j foi dito, so alunos do CEJA, que ocupam o ambiente.

    2.3 DADOS HISTRICOS DA ESCOLA

    Presidente: Ernesto Geisel, Governador: Jos Garcia Neto, 1 Administrador: Osvaldo

    de Paula 1 Vereador: Plnio Caglegaro, 1 Diretora: Irm Editha, Fundada em 12 de janeiro

    de 1976. Autorizada em 12 de outubro de 1978.

    Figura 0.1

    Figura 0.2

    3 DESCRIO DAS AULAS DO ENSINO FUNDAMENTAL

    Alunos da escola Nilza de Oliveira Pipino

    participando de comemorao cvica de frente a

    escola no ano de 1979

    Fonte: (ERARDI, 2007 p.124)

    A professora Nilza de Oliveira Pipino nasceu em Santa

    Maria Madalena-RJ em 13 de dezembro de 1920. Casou-se

    em 12 de junho de 1940 com Enio Pipino. Fundaram em

    1947 a Sociedade Imobiliria do Noroeste Paranaense.

    Faleceu em 21 de fevereiro de 1984.

    Fonte: Secretaria da Escola Estadual Nilza de Oliveira Pipino

  • LNGUA PORTUGUESA E LITERATURA: relatrio de experincia... - Pgina 327

    Sempre houve boa recepo por parte da escola, na qual foram observadas as aulas de

    Ensino Fundamental, e pelo professor A, o qual sempre buscou manter dilogo com os

    estagirios oferecendo informaes acerca dos contedos que trabalhava e a respeito dos

    alunos de suas salas. Foram assistidas a dez aulas do professor A, durante a semana. No

    primeiro dia de observao, no dia 22 de setembro, foram observadas quatro aulas de Lngua

    Portuguesa. As aulas foram na 6 B e na 6 A, assim distribudas: as duas primeiras foram na

    6 B e as demais na 6 A. Os alunos das duas primeiras aulas estavam calmos e pacientes.

    Assim que o professor conseguiu desenvolver o contedo, contextualizando-o e

    proporcionando o mantimento da ateno de todos. O texto trabalhado foi a respeito da

    realidade da gua doce no planeta Terra. Quase todos os alunos trouxeram o livro didtico e,

    aps o professor indicar a pgina a ser trabalhada, de imediato abriram seus livros,

    observaram a ilustrao e consequentemente puderam perceber qual a temtica proposta.

    Pelo o que foi observado, o professor planejou essa aula direcionando os alunos a um

    pensamento critico a respeito da representao da gua na vida e na rotina de uma sociedade,

    uma vez que cada aluno teria concepes distintas deste elemento em sua vida particular. O

    professor no utilizou outro recurso seno o livro didtico, mas um princpio importante que o

    professor no deixou parte, foi o desenvolvimento da prtica intelectual proporcionada aos

    alunos, possibilitando a gerao de sentido ante o assunto em debate. Nessa perspectiva,

    possvel considerar vlida a abordagem, pois como Charlot (2006, p. 98) relata o importante

    saber o que vai permitir ao aluno aprender a desenvolver suas prprias prticas intelectuais.

    Assim, os alunos leram o texto de maneira democrtica, ou seja, um de cada vez, e

    logo aps, trataram de expressar suas opinies acerca da representatividade da gua em suas

    vidas. Um relato de uma das alunas chamou bastante a ateno do professor, pois ela disse

    que a gua era tudo para a sua famlia, que a valorizava muito, uma vez que sua me era

    lavadeira e s podia trabalhar quando havia gua em casa. O professor, aps ouvir a todos os

    alunos que queriam se expressar, escreveu no quadro a palavra gua e pediu ento para que os

    alunos fizessem o mesmo em seus cadernos. Logo aps, pediu para que colocasse envolta

    dessa palavra outras cinco palavras que pudessem descrever o papel da gua na sociedade, e

    em seguida, redigissem uma redao, explicando o porqu da escolha daquelas palavras. As

    outras duas aulas, como j dito, foram na 6 B, onde o professor trabalhou o mesmo texto e

    encaminhou os alunos para a mesma reflexo, porm os alunos no se encontravam

    silenciosos, estavam bastante agitados, uma vez que haviam acabado de chegar da aula de

    Educao Fsica. O relacionamento do professor com os alunos foi bastante amistoso, isso

    com todas as sries com as quais trabalha. perceptvel o respeito que os alunos tm para

  • Pgina 328 - Fernando Hlio Tavares de Barros

    com o professor A, pois alm da idade e do extenso tempo em sala de aula, que so fatores

    que influenciam, o professor procura sempre ter uma postura que faa os alunos perceberem a

    representao de um profissional tico, humano e crtico.

    Grande parte dos alunos apresenta um comportamento agitado, principalmente no

    intervalo entre aulas, em que perceptvel o desrespeito de um para com o outro. Na sala de

    aula esse desrespeito suavizado, uma vez que o professor A preza pela boa convivncia e

    sempre chama a ateno quando h algum desrespeito, por exemplo, propondo pedido de

    desculpas e fazendo-os lembrar que um comportamento correto um comportamento tico e

    humano, que o respeito para com o outro algo construtivo e necessrio para manter

    amizades e boa convivncia na sala de aula.

    No dia 23, foram presenciadas duas aulas do professor A: uma na 7 A e a outra na 7

    B. O professor planejou ambas as aulas para a apresentao de resumos feitos pelos alunos

    dos livros de literatura que cada um havia escolhido para ler. As apresentaes no foram

    feitas por ordem alfabtica nem por outro tipo de ordenamento, e, sim, pela disposio dos

    alunos. Quem se sentisse vontade para apresentar seu trabalho, seria convidado a ir prximo

    mesa do professor, ler sua produo textual e, logo aps, deveria relatar sua experincia com

    o livro escolhido. Houve dificuldade em se manter o silncio na sala de aula, porm a

    conversa paralela era combatida at pelos prprios alunos, aqueles que estavam atentos e se

    sentiam incomodados com o comportamento alheio. Nesse sentido, o professor tambm teve

    um papel decisivo para manter a ateno dos alunos na apresentao dos colegas, uma vez

    que ele permanecia em p e percorria a sala de maneira que a conversa paralela no tinha

    espao para atuar. As duas salas apresentaram um perfil semelhante, maior parte dos alunos,

    mais participativos, sentados a frente, e os que apresentam um comportamento problemtico,

    sentados ao fundo. A direo da escola mostrou-se atenta a isso, j que sempre pedia ao

    professor A, isso quem relatou foi o prprio, para que mude de carteira, quando for

    necessrio, os alunos que esto, por motivo de conversa paralela, atrapalhando o andamento

    da aula.

    No dia 24 de setembro foram presenciadas mais duas aulas do professor A, na 6 C.

    Ele utilizou o mesmo texto utilizado nas aulas do dia 22 nas outras 6 sries, o texto que

    retrata a realidade da gua no planeta Terra. Porm os alunos destas duas sries estavam

    bastante agitados, ambas as aulas foram aps o intervalo, um horrio que no possibilita o

    mesmo desempenho que o horrio anterior, pois, segundo o professor, os alunos j se

    encontram cansados, principalmente, na ltima aula do horrio. O texto foi lido, porm nem

    todos os alunos estavam interessados em fazer um comentrio. A conversa paralela esteve

  • LNGUA PORTUGUESA E LITERATURA: relatrio de experincia... - Pgina 329

    bastante presente e logo foi cessada por um convite da coordenao, que convidou o professor

    A e classe a dirigir-se ao anfiteatro para assistir a uma palestra sobre o trnsito. Os alunos

    saram em direo porta para formar uma fila. Com bastante dificuldade, o professor A os

    organizou e os dirigiu para o lugar indicado. A palestra tratava a conscientizao acerca da

    importncia do agente de trnsito e dos itens que compem o trnsito e o papel do cidado. Os

    alunos escutaram a palestra e dialogaram com a palestrante. Em seguida, retornaram para a

    sala de aula, pois em dez minutos terminaria o horrio de aula e retornariam para casa.

    No dia 27 de setembro acompanhou-se o professor A at as salas 6 A e 6 B, nas quais

    ele daria prosseguimento s atividades iniciadas nas aulas anteriores. O professor perguntou

    se todos haviam terminado a produo textual proposta aps a leitura do texto que tratava da

    realidade da gua no planeta, pois cada aluno iria ler e compartilhar seu trabalho com os

    colegas. A resposta foi parcialmente positiva, pois ainda havia alunos que no tinham

    terminado. Assim, o professor proporcionou queles que ainda no haviam terminado a

    oportunidade de finalizar e apresentar na prxima aula. Porm, os que j tinham pronta tal

    produo, poderiam apresentar naquele momento, e foi o que se sucedeu. Algumas

    apresentaes foram longas e outras nem tanto. A segunda aula foi na 6 B, na qual tambm

    foi trabalhado o referido texto e que havia um maior nmero de alunos com a produo

    textual finalizada, assim, poucos alunos ficaram sem apresentar. Os alunos estavam dispostos

    em circulo, por terem feito uma atividade proposta na aula anterior. Assim, o professor A

    preferiu manter a disposio dos estudantes como estava, e grande parte da aula manteve-se

    em p ao lado do aluno que estivesse apresentando, ao fim da apresentao de cada um

    vistava o texto e chamava o prximo a ler. A aula terminou e poucos ficaram por apresentar.

    Os alunos saram freneticamente da sala, e como de hbito esperou-se o professor carregar seu

    material para agradece a ele e dirigir-se sala de professores.

    4 DESCRIO DAS AULAS ENSINO MDIO

    Numa quinta-feira, dia 02 de setembro de 2010, visitou-se a Escola Estadual Nilza de

    Oliveira Pipino na qual se recebeu ateno da coordenadora e a professora de Lngua

    Portuguesa, as quais ofereceram de bom grado o espao para a realizao do estagio de

    observao. A professora de Lngua Portuguesa e Literatura, a qual ser designada com a letra

    B, fez o convite para assistir a sua primeira aula do dia num dos segundos anos do Ensino

    Mdio no qual ela trabalha. O 2 ano A, contava com 33 alunos. Ela entrou, e, logo aps

    obteve-se a permisso para entrar e acomodar-se ao fundo da sala.

  • Pgina 330 - Fernando Hlio Tavares de Barros

    A professora B aplicou uma avaliao, na qual constavam perguntas a respeito de trs

    obras lidas pelos alunos: Os miserveis de Victor Hugo, O cortio de Alusio de Azevedo e

    O Alienista de Machado de Assis. Os alunos receberam as avaliaes e comearam a redigir

    as respostas. Aps o sinal e adentrar a segunda aula, a professora fez a chamada e esperou

    alguns minutos para a entrega das avaliaes. Em seguida ela sugeriu uma auto-avaliao aos

    alunos, para que cada um aplicasse uma nota equivalente a sua participao, ao

    comportamento, e aprendizagem, etc. Houve a socializao e logo aps o termino da aula,

    esperou-se a sada dos alunos para acompanhar a regente afim de aguardar o comeo da

    prxima aula que seria no 2 ano B.

    A classe do 2 ano B composta por 26 alunos, grande parte deles j sentados em suas

    carteiras aguardando a professora. A professora adentrou e fez a apresentao dos estagirios.

    Foi pedido aos alunos que abrissem os livros didticos. O contedo trabalhado era a Escola

    Literria Realista, apresentando a sua configurao em Portugal e no Brasil.

    Antero de Quental foi o primeiro autor a ser trabalhado, suas poesias foram lidas pelos

    alunos de forma alternada. A conversa paralela era um fator que dificultava a participao e o

    entendimento da leitura. Aps o termino do contedo, o prximo foi elencado sem nenhuma

    pausa para reflexo do que havia sido visto.

    A prosa era o prximo contedo a ser visto pelos alunos, sendo Ea de Queirs o autor

    trabalhado. O livro didtico trazia a biografia do autor e, em seguida, um recorte de sua obra

    O Primo Baslio. Alm desse recorte, havia pequenos quadros onde se encontrava referencias

    de algumas produes cinematogrficas adaptadas a partir das obras de Ea. Foi apresentada a

    biografia, e em seguida ela os convidou a ler alternadamente o trecho de O Primo Baslio.

    Deu-se inicio a leitura, porm, a conversa paralela estava realmente atrapalhando o seu

    andamento, fazendo a professora interromper quatro vezes para chamar a ateno. Os alunos

    no se importavam, e, grande parte estava desatenta e ansiosa para a prxima aula, a de

    Educao Fsica.

    A quarta aula foi observada numa outra classe de 2 ano do Ensino Mdio, no 2 ano D

    que conta com 22 alunos, sendo duas alunas especiais, ambas auxiliadas por apenas uma

    professora interprete, lembrando que sua presena para alunos especiais assegurada pela lei

    n 10.436 de abril de 2002. As alunas se comunicavam apenas pela lngua de sinais, e estavam

    atentas a sua interprete e professora.

    Havia muita conversa na sala, a professora no trabalhou todo contedo planejado,

    uma vez que ela interrompia a aula para falar sobre assuntos que no estavam no contexto. O

    recurso para a aplicao da aula novamente foi o livro didtico. O contedo trabalhado foi o

  • LNGUA PORTUGUESA E LITERATURA: relatrio de experincia... - Pgina 331

    Realismo no Brasil, porm, anteriormente, a professora B fez um pequeno dilogo com os

    alunos para que eles recordassem do perodo realista em Portugal, contedo trabalhado na

    aula passada, e logo aps perguntou se os alunos j tinham aberto o livro na pgina

    informada.

    No dia 03 de setembro de 2010, foi acompanhada a professora sala do 2 ano F. O

    contedo trabalhado foi do livro didtico1 nas pginas 261 a 266. Os alunos eram 26 ao total.

    Ela comeou a dialogar com os alunos sobre as escolas literrias j vistas e a dizer-lhes que

    naquela aula seria apresentada a escola realista. Eles abriram o livro na pgina indicada e

    comearam a leitura do contedo introdutrio. Logo aps, a professora B os proporcionou

    conhecer as imagens que representavam a vida rural portuguesa, porm esqueceu-se de traz-

    las reflexo. Os alunos estavam abertos ao dilogo, e a conversa paralela era em menor

    escala comparada a outras classes.

    A professora no abriu espao aos alunos para tecerem sentidos s poesias do autor,

    ela apenas teceu concluses particulares acerca dos aspectos estticos da escola literria

    presentes na poesia e logo voltou a sua mesa para fazer a chamada j fazia pouco que o sinal

    soava recordando o inicio da segunda aula. Ela pediu aos alunos respondessem as questes

    propostas no livro. Aps isso a professora comeou a leitura da biografia de Ea de Queirs,

    em seguida a contextualizao do contedo, de repente o segundo sinal soou deixando claro o

    inicio do intervalo.

    A terceira e a quarta aula da professora foram no 2 ano C, nas quais iniciaria o mesmo

    contedo trabalhado nas outras turmas de segundo ano, a Escola Literria: Realismo. O 2 ano

    C composto por 31 alunos, no conta com nenhum aluno especial, e, segundo ela, a

    melhor sala para se trabalhar, uma vez que a participao dos alunos efetiva e a conversa

    paralela no comum. E, realmente, suas palavras foram confirmadas, pois os alunos tm um

    grande apreo por ela. Nesta sala, o contedo recebeu um grande destaque, permitindo a

    professora indicar outras leituras que fazem parte da escola literria e desenvolver uma

    conversa dentro do assunto.

    No dia 9 de setembro assistiram-se s professora para assistir s ltimas aulas no 2

    ano G. A professora pediu para que os alunos se concentrassem para a aplicao da avaliao

    que traria questes dos livros lidos por eles. A avaliao ocorreu com tranqilidade, sendo

    poucos alunos levantando a mo para tirar dvidas sobre as questes propostas. A segunda

    aula foi reservada para a auto-avaliao. Para a professora, a aplicao de prova se constitui o

    melhor mecanismo para comprovar os aprendizados.

    1 FARACO, Carlos Emilio. MOURA, Francisco Marto. Portugus: srie novo ensino mdio. So Paulo: tica

    didticos, 2007.

  • Pgina 332 - Fernando Hlio Tavares de Barros

    5 CONCLUSO

    Para iniciar essa anlise crtica, escolhe-se enfatizar a necessidade da prtica da

    pesquisa para o profissional da educao. necessrio pensar o estgio como pesquisa, [...]

    de nada valeria se no pudssemos pens-lo numa dimenso maior: a de um projeto coletivo

    de formao do educador (KENSKI, 1991, p.82). Considerando que [...] ser professor

    defrontar-se incessantemente com a necessidade de decidir imediatamente no dia-a-dia da sala

    de aula (CHARLOT, 2006, p.91), a importncia da pesquisa se constitui necessria para a

    melhoria das prticas de ensino e para o funcionamento do ensino-aprendizagem, uma vez

    que o:

    [...] papel da pesquisa forjar instrumentos, ferramentas para melhor entender o que est acontecendo na sala de aula; criar inteligibilidade para melhor entender o

    que est acontecendo ali. Depois, o professor vai se virando, no dia-a-dia, na

    situao contextualizada em que estiver vivendo. (CHARLOT, 2006 p.91)

    Durante o estgio de observao foi constatado que o livro didtico se constitui para os

    sistemas educacionais observados material nico e dogmtico, tornando a educao

    engessada. pertinente dizer que h profissionais que trabalham o livro didtico de maneira

    alternativa e no conservadora, que procura desconstruir ideologias e guiar seus alunos para

    caminhos de sentidos possveis, porm mesmo assim necessrio que eles estejam atentos, a

    que Lajolo (2000, p. 63) prope: [...] muitos livros didticos contm erros graves de

    contedo, que reforam ideologias conservadoras, que subestimam a inteligncia de seu

    leitor/usurio, que alienam o professor de sua tarefa docente.

    Quando o professor A props um repensar sobre o que seria gua, constatou-se a

    postura de um profissional da educao que desconstri o senso comum, e que procura

    despertar ou dar continuidade atitude critica por parte dos seus alunos, oportunizando-os a

    resignificar a gua, tendo uma postura no dogmtica. Chaui (1995, p. 94) define dogmatismo

    como uma atitude muito natural e muito espontnea que temos, [...] nossa crena de que o

    mundo existe e que exatamente tal como o percebemos. Vem-se atitudes como essas

    como fortificantes para o ensino de lngua e cultura, para a prtica da leitura, para que o aluno

    perceba que tudo texto, pois tudo linguagem.

    Assim, pertinente dizer que esse tipo de trabalho de desconstruo, da busca da

    verdade e do pensamento crtico louvvel, pois como afirma a filsofa Chaui (1995, p. 96)

    se as palavras tivessem sentido bvio e nico, no haveria literatura, no haveria mal-

    entendido e controvrsia.

  • LNGUA PORTUGUESA E LITERATURA: relatrio de experincia... - Pgina 333

    desta forma que grande parte dos livros didticos, conforme apontado por Lajolo

    (2000, p. 63), est sempre reforando ideologias conservadoras uma vez que a [...] atitude

    dogmtica conservadora, isto , sente receio das novidades, do inesperado, do desconhecido

    e de tudo o que possa desequilibrar as crenas e opinies j constitudas. (CHAUI, 1995 p.

    98)

    claro que o trabalho do professor A no desenvolvido num ambiente com boas

    condies laborais, uma vez que o meio onde seu trabalho desenvolvido possu uma

    historicidade, um desnivelamento na aprendizagem e nas concepes do ato da leitura por

    parte dos alunos, porm constata-se que seu desempenho como profissional da educao

    encontra-se no caminho desejvel, e que busca atingir metas que esto de acordo com os

    Parmetros Curriculares Nacionais como por exemplo posicionar-se de maneira crtica,

    responsvel e construtiva percebendo-se integrante, dependente e agente transformador do

    ambiente.

    necessrio considerar tambm que o papel da pesquisa, segundo Charlot (1990,

    p.91), [...] forjar instrumentos, ferramentas para melhor entender o que est acontecendo na

    sala de aula; criar inteligibilidade para melhor entender o que est acontecendo ali. Depois,

    o professor pode refletir e agir no seu dia-a-dia na situao contextualizada em que estiver

    vivendo. Por isso no se pode afirmar que o professor A, est utilizando uma metodologia no

    adequada e que ele poderia inovar, uma vez que ele est num contexto, e no cabe ao papel da

    pesquisa, segundo Charlot (1990, p.92) dizer ao professor o que ele deve fazer em sala de aula

    e sim fornecer-lhes [...] ferramentas, instrumentos, inclusive instrumentos conceituais para

    que eles analisem as situaes e realizem o trabalho possvel.

    Sabe-se que ler no um costume que nasce junto ao ser humano, e, sim algo que se

    apreende com a prtica e vivncia. Assim, o ato de ler [...] para entender o mundo, para

    viver melhor. Em nossa cultura, quanto mais abrangente a concepo de mundo e de vida,

    mais intensamente se l, numa espiral quase sem fim, que se pode e deve comear na escola,

    mas no pode (nem costuma) encerrar-se nela. (LAJOLO, p.07)

    Constatou-se que a professora B trabalhava o texto literrio com o sentido de inscrio

    do mesmo na poca de sua produo, desconsiderando o teor esttico; ou, ento, inscrevendo-

    o em conjuntos de juzos crticos que sobre ele se foram acumulando, esquecendo-se de [...]

    fazer o aluno vivenciar a complexidade da instituio literria que no se compe

    exclusivamente de textos literrios, mas sim do conjunto destes mais todos os outros por estes

    inspirados. (LAJOLO, 2000, p.16)

  • Pgina 334 - Fernando Hlio Tavares de Barros

    Durante a realimentao da aula de literatura, no dia 06 de outubro de 2010, a proposta

    era de realimentar a aula da professora B, a qual trabalhou a Escola literria realista utilizando

    o livro didtico como objeto de trabalho. Na aula da professora, foram os alunos que leram o

    trecho da obra realista O Primo Baslio de Ea de Queirz, no estiveram aps a leitura numa

    contextualizao prvia para que pudessem se situar nesse espao que a obra pertencia, ou

    seja a professora no tinha propiciado aos alunos meios para que ocorresse uma discusso que

    no ficassem s em dados histricos, e partissem para elementos estticos, da discursividade,

    da retrica, e etc.

    A realimentao se preocupou em centrar o texto como um elemento que pertence a

    uma historicidade social, para isso foi utilizados pensadores para retratar as temticas que

    circulavam na sociedade daquele perodo e assim identificar essa obra como pertencente a

    este contexto, o texto foi lido aps a contextualizao e logo aps partiu-se para um dialogo

    com os alunos acerca das representaes existentes nele. Porm a abordagem utilizada para tal

    realimentao no foi adequada. Percebeu-se que havia a necessidade de reformul-la para

    que houvesse um maior envolvimento dos alunos para com o texto, como por exemplo,

    oportunizando a leitura por eles e proporcionando meios que fizessem como objeto de debate

    as representaes estticas presentes da obra.

    Logo necessrio que o professor busque ter uma postura mais centrada na reflexo

    do ambiente no qual est trabalhando para poder se movimentar e, alm disso, nunca se

    distanciar do hbito da leitura de obras literrias, para reforar, as palavras de Lajolo (2000,

    p.22) so de grande valia, pois segundo ela o professor deve estar familiarizado com uma

    leitura bastante extensa de literatura [...] em outras palavras: o professor de portugus pode

    no gostar de Cames nem de Machado de Assis, mas precisa conhec-los, entend-los e ser

    capaz de explic-los.

    LANGUE PORTUGAISE ET LITTRATURE:

    Rapport dExprience de Stage Supervis lcole Publique Nilza de Oliveira Pipino

    RESUM2

    Cet article est un rsum du Rapport de Stage sur la langue portugaise et la littrature,

    fait dans la deuxime moiti de l'anne 2010 au sixime semestre du Cours des Lettres,

    l'Universit du Mato Grosso Campus Sinop - Mato Grosso. Vivre avec les lves des coles

    2 Traduo de prpria autoria. (CRLE Revista Eventos Pedaggicos).

  • LNGUA PORTUGUESA E LITERATURA: relatrio de experincia... - Pgina 335

    lmentaires a permis quelques remarques sur la pratique et l'enseignement de la langue, dans

    la ralit de leur cole publique, prsentant ainsi des conclusions sur le rle critique de

    l'ouvrage et de la non-utilisation du texte littraire comme la lutte contre le dogmatisme et

    l'alination sociale et humaine.

    Mots-cls: Supervis. La langue portugaise. Littrature.

    REFERNCIAS

    CHARLOT, Bernard. Formao de professores: a pesquisa e a poltica educacional. In:

    PIMENTA, Selma Garrido; GHEDIN, Evandro (Orgs.). Professor reflexivo no Brasil:

    gnese e crtica de um conceito. 3.ed. So Paulo: Cortez, 2005.

    ERARDI, Luiz F. Santos. Razes da Histria de Sinop. Sinop: Grafitec, 2007.

    GARRIDO, Selma. Professor reflexivo no Brasil: gnese e crtica de um conceito. 4. ed. So

    Paulo: Cortez, 2006.

    KENSKI, Vani Moreira. A vivncia escolar dos estagirios e a prtica de pesquisa em

    estgios supervisionados. In: FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. A prtica de ensino e o

    estgio supervisionado. Campinas: Papirus, 1991.

    LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. So Paulo: tica, 2000.