2eficiencia dos brise soleil

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Apropriao e eficincia dos brisesoleil: o caso de Londrina (PR)Appropriation and efficiency of `brise soleil`: the case of Londrina (State of Parana)

Camila Gregrio Atem Admir Basso

Resumoste artigo descreve os estudos realizados sobre os dispositivos de proteo solar (brise soleil) utilizados na arquitetura moderna de Londrina (PR), avaliando-se estes elementos como apropriao da linguagem moderna e a sua eficincia real. Analisaram-se os primeiros edifcios modernos da cidade, tanto por sua representatividade como por terem sido projetados por Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, pioneiros nesta linguagem arquitetnica, que influenciaram o fazer arquitetnico da regio. A partir da integrao de ferramentas conhecidas as tabelas de Mahoney, o projeto de norma brasileira de conforto trmico e o Software Arquitrop 3.0, foram obtidos resultados quanto a uma proteo solar apropriada para a cidade de Londrina, podendo-se comparar a eficincia dos dispositivos projetados. Ao final, so feitas consideraes e comparaes com a atualidade, pois importante estudar o passado, aprendendo suas lies, porm com os olhos no presente, com os problemas atuais.

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Palavras-chave: Dispositivos de proteo solar, Arquitetura moderna, Eficincia.Camila Gregrio AtemCentro Unverstrio Filadlfia Av. Juscelino Kubitschek, 1626 Londrina PR Brasil CEP 86020-000 Tel.: (43) 3375-7447 E-mail: cgatem@yahoo.com.br

AbstractThis article describes studies carried out on the shading devices (brise soleil) used in the modern architecture from Londrina (State of Parana), assessing those elements in terms of appropriation of modern language and real efficiency. The first modern buildings in the city were analysed for their representativeness and for being designed by Vilanova Artigas and Carlos Cascaldi, pioneers in the use of this language, that has strongly influenced the architecture of the region. Based on the integration of well known tools, such as Mahoney`s tables, the proposal of the Brazilian standard for thermal comfort, and the Arquitop 3.0 Software, some results on the adequate solar protection for Londrina were obtained, enabling the comparison of the efficiency of the designed devices to be carried out. At the conclusion, considerations and comparisons in relation to the present time are made, since it is important to study the past, and learn from it, but with the eyes on the present as well as on the current problems. Keywords: Shading devices, Modern architecture, Efficiency.

Admir BassoEscola de Engenharia de So Carlos Av. do Trabalhador Sancarlense, 400 So Carlos SP Brasil Tel.: (16) 273-9312 Fax.: (16) 273-9310 E-mail: admbasso@sc.usp.br

Recebido em 23/06/04 Aceito em 04/08/05

Ambiente Construdo, Porto Alegre, v. 5, n. 4, p. 29-45, out./dez. 2005. ISSN 1415-8876 2005, Associao Nacional de Tecnologia do Ambiente Construdo. Todos os direitos reservados.

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IntroduoNo incio do sculo XX surgiram os brise-soleil, elementos criados a partir da linguagem moderna, idealizados para proteger os edifcios dotados de grandes aberturas envidraadas, dos raios solares diretos, melhorando assim as condies trmicas da edificao. Por trs desses elementos lineares, que tinham possibilidade de modificar as fachadas dos edifcios, havia pensamentos racionais, universalistas e abstratos da arquitetura da poca, provenientes de mudanas ocorridas em todos os nveis da civilizao, de uma nova maneira de enfocar o mundo. A arquitetura moderna brasileira foi caracterizada, entre outros elementos, pelo uso de dispositivos de proteo solar. Os arquitetos brasileiros no somente incorporaram as idias do mestre Le Corbusier como as reinventaram. No Brasil, nas dcadas de 40 e 50 havia muitos edifcios que utilizavam tais dispositivos, como o Ministrio de Educao e Sade (1936-1942), da equipe liderada por Lucio Costa, ou o edifcio Seguradoras (1943), dos Irmos Roberto. Esses edifcios se tornaram parte da linguagem universal da arquitetura moderna, ou seja, para adaptar um edifcio s condies mais agressivas do clima, foi utilizado um elemento mais puro, abstrato, tecnicamente projetado que condizia com os ideais de beleza da poca. No havia mais o processo de tentativa e erro do passado, cujo resultado era uma arquitetura bastante adequada ao clima brasileiro, com elementos como as varandas, muxarabis e gelosias. No perodo moderno foi sistematizado o uso da proteo solar. Na cidade de Londrina, norte do Paran, a arquitetura moderna se faz presente no final da dcada de 40, poca urea do caf, como uma apologia ao progresso, estendendo-se at perto dos anos 70. Os primeiros edifcios modernos foram projetados pelos arquitetos Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, que levaram consigo as idias modernistas, inclusive o brise-soleil. Na maior parte de suas obras e projetos para a cidade h a utilizao de algum tipo de dispositivo para barrar o sol. Depois da presena desses arquitetos na regio, os edifcios foram sendo construdos por engenheiros regionais, os quais, na medida do possvel, tentaram seguir a linguagem recmchegada. As obras pioneiras foram cones que, de alguma forma, vieram a influenciar a arquitetura produzida nos anos 50 e 60 na cidade. No possvel prever a extenso de sua influncia, mas fato que, como objetos concretos, estiveram presentes no inconsciente coletivo e no fazer arquitetnico da poca. Este trabalho visa, alm do resgate histrico destes elementos protetores, contribuir com o questionamento sobre o conceito de eficincia dos dispositivos sombreadores, tentando-se tambm olhar para a proteo solar no somente como um escudo protetor com caractersticas especficas para ser eficiente, mas tambm como parte de um sistema maior, isto , a arquitetura, na qual tambm tem seu papel, que nem sempre pode ser cumprido a partir de regras preestabelecidas. preciso aquilatar a importncia da proteo solar, e no impor regras rgidas.

MetodologiaA necessidade de proteo solar nas aberturas transparentes de edificaes localizadas em climas tropicais e subtropicais consenso de muitos pesquisadores, como Olgyay e Olgyay (1957) e Rivero (1987). Porm, quando se trata de que tipo de dispositivo utilizar, que poca do ano e que fachada se proteger, logo surgem frmulas preestabelecidas do tipo: fachada leste e oeste usa-se proteo vertical; fachada norte usase proteo horizontal; e fachada sul, no h necessidade de proteo. Essas afirmaes vm se disseminando nos cursos de arquitetura de diversas partes do pas e mesmo entre os arquitetos mais experientes, sem haver discusso e verificao mais apurada das condies climticas de cada local. Tambm consenso que, dependendo do local, mais precisamente da latitude e da poca do ano, os caminhos aparentes do Sol na abbada celeste se modificam. Portanto, pode-se, a partir da, questionar as afirmaes generalistas sobre o assunto. Para uma anlise das necessidades de proteo solar para diferentes fachadas e em diferentes pocas do ano em Londrina, procurou-se atravs da anlise das tabelas de Mahoney, juntamente ao Projeto de Norma de Conforto Trmico, avaliar uma situao geral, ou seja, que respostas estes instrumentos o primeiro consagrado, e o segundo uma tentativa inovadora no mbito da construo brasileira de normalizar edifcios quanto ao desempenho trmico oferecem no tocante proteo solar na cidade. Com o intuito de obter resultados mais precisos, adotou-se o programa computacional Arquitrop 3.0 (BASSO; RORIZ, 1989), com o qual foi simulado um ambiente padro, com e sem proteo solar, visando conhecer os fluxos de calor que adentram

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Atem, C.; Basso, A.

o ambiente nas duas situaes, no clima de Londrina. Os resultados foram cruzados com os obtidos pelos instrumentos iniciais e chegou-se proteo ideal para cada fachada e poca do ano. Esta metodologia tem por objetivo avaliar situaes de projeto, dando subsdios para a melhoria do comportamento trmico dos edifcios, de forma a evitar ganhos trmicos devido radiao solar direta. O objetivo deste estudo inicial era chegar a protees solares eficientes para Londrina, levando-se em considerao seu clima. A cidade de Londrina est localizada no norte do Paran, entre as latitudes 230847 e 23 5546 e as longitudes 505226 e 511911. O clima da regio do tipo subtropical mido, com chuvas em todas as estaes, podendo ocorrer secas no perodo do inverno (BARBOSA, 1997).

estratgias de condicionamento passivo: B) aquecimento solar da edificao; C) vedaes internas pesadas (inrcia trmica); e J) ventilao cruzada. As concluses dos dois mtodos quanto ao projeto a ser desenvolvido em Londrina esto apresentadas no Quadro 1.

Concluses PreliminaresObservando os dados coletados, verifica-se que o clima de Londrina proporciona durante o dia conforto em 50% dos meses e desconforto devido ao calor nos 50% restantes do ano. noite 50% dos meses so considerados confortveis e 50%, considerados frios. O que se conclui a partir dos resultados, principalmente pelas tabelas de Mahoney, no tocante proteo solar, que se deve excluir o Sol o ano todo (no h especificaes maiores, pois para Mahoney, como Londrina no tem dias considerados frios, no h inverno). O Projeto de Norma afirma que deve haver entrada de sol para aquecimento dos ambientes. Neste quesito o Projeto mostra-se um pouco superficial, tratando somente do perodo frio, sem falar de sombreamento. Portanto, ponderando essas diferenas, conclui-se que deve haver excluso dos raios solares das edificaes de Londrina na maior parte do tempo. Nos meses de inverno (junho e julho) conveniente que o sol penetre na edificao para aquec-la, compreendendo a o perodo de aquecimento passivo. No item subseqente deste artigo verificar-se- a real necessidade de proteo, ms a ms, fachada a fachada.

Mtodo de Mahoney e diretrizes do Projeto de NormaAs tabelas de Mahoney fazem parte de um mtodo simplificado de anlise climtica que tem sido usado durante quase 30 anos em muitos pases como uma importante ferramenta d

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