28ª sem. do fazendeiro - caderno 2

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    ASSOCIAO E COOPERATIVA DE PRODUTORES RURAIS

    Ceplac/Cenex

    ASSOCIATIVISMO

    Associativismo toda a ao ou iniciativa forma ou informal, ondepessoas, grupos ou entidades renem esforos, vontades e recursos, como objetivo de superar dificuldades, resolver problemas e gerar benefcioscomuns.

    Qual a origem do associativismo?

    Os homens primitivos viviam em bandos. Com a evoluo o homemagrupou-se em pequenas tribos. A convivncia favorecia a aprendizagemcoletiva (criao de armas de pedra para a caa e domnio do fogo paracozinhar)

    O associativismo acompanha a evoluo da humanidade e, com opassar do tempo, fez-se necessrio estabelecer NORMAS para que aspessoas pudessem se sentir seguras por estarem participando de grupose movimentos que respeitam a vontade e o desejo de todos.

    A sociedade democrtica fruto do aperfeioamento desse processo,pois a prosperidade de uma nao tem relao direta com o nvel deesclarecimento de seu povo que, ao conhecer suas chances eoportunidades de participao, se organiza para viver numa sociedadeque garanta a todos o direito a uma vida com maior dignidade.

    O associativismo se utiliza das ASSOCIAES, entidades constitudaspela unio de pessoas fsicas ou jurdicas que se organizam para fins noeconmicos sejam eles sociais filantrpicos, esportivos cientficos, culturaisou de trabalho.

    Existem muitos tipos de associaes, que variam de acordo com operfil, objetivos e necessidades dos seus associados:

    Wilson Pontes de Melo

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    Associaes Filantrpicas - Congregam voluntrios que prestam as-sistncia social.

    Associaes de Pais e Mestres - Representam a organizao da co-munidade escolar, integrando pais, alunos, dirigentes, professores e tra-balhadores de unidades de ensino.

    Associaes em Defesa da Vida - Delas participam pessoas e entida-des que se unem em torno de questes sociais, polticas e culturais, pr-prias de grupos sociais marginalizados, tais como os grupos dos alcola-tras annimos, de preveno da AIDS, diabticos, entre outros.

    Associaes de Moradores - Formados por grupos de moradores dedeterminada localidade, visando o fortalecimento da comunidade na con-quista de bens comuns.

    Associaes Culturais, Desportivas e Sociais - Caracterizam-se pelaunio de pessoas ligadas s atividades literrias, artsticas, desportivas,etc.

    Associaes de Consumidores - Unio de consumidores que, ao seorganizarem, exigem produtos de melhor qualidade e preos mais justos.Geralmente lideradas por donas de casa, vm se fortalecendo em vistados crescentes avanos na legislao brasileira.

    Associaes de Classe - So os conselhos de classe dos profissio-nais liberais, federaes e confederaes que representam os interessesde suas categorias empresariais ou de trabalhadores. Por outro lado, ossindicatos e as centrais trabalhistas reivindicam junto ao patronato e aogoverno melhores salrios e benefcios, objetivo cada vez mais essencialpara uma maior participao nos resultados obtidos pelo trabalho coletivo.

    Associaes Ambientais/Ecolgicas - Caracterizam-se pela ao emdefesa de questes ambientais, congregando grupos de ecologistas.

    Associaes de Interesse Econmico - So entidades que buscam ofortalecimento econmico de seus associados, tornando-os mais compe-titivos, como forma de garantir a sua sobrevivncia no mercado. Diferentede uma cooperativa, como veremos adiante, a associao tambm admi-te pessoas jurdicas no seu quadro social. Uma associao uma socie-dade de fins no econmicos, o que significa dizer que ela no pode rea-lizar operaes comerciais em seu nome, mas um excelente instru-mento de defesa dos interesses dos seus associados, auxiliando no acessoao mercado, estimulando a melhoria tcnica, profissional e social e pro-movendo a qualidade de vida e desenvolvimento integrado e sustentveldas comunidades e regies.

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    A forma mais usual de associaes para a defesa de interesses eco-nmicos a associao de trabalho. Nelas se associam profissionais etrabalhadores, organizados para a viabilizao de suas atividades produti-vas. A prestao de servios ou trabalho de produo, apoio nacomercializao de mercadorias e capacitao de forma associativa, en-tre outras iniciativas, so alternativas de qualificao e de expanso nomercado. Exemplos dessa iniciativa so as associaes de produtoresrurais, artesos, taxistas, mdicos, costureiras, etc.

    Associativismo de interesse econmico vantagens competitivas

    aumento do poder de barganha preos mais competitivos ausncia de intermedirios menor custo de estocagem, frete e administrao acesso a grandes fornecedores auxlio em campanhas de divulgao facilidade de crdito qualificao empresarial

    Cada associao, dependendo dos seus objetivos e do tipo de associ-ados que representam, tem suas particularidades. Entretanto, em todaselas observam-se caractersticas comuns, tais como:

    renem duas ou mais pessoas fsicas e/ou jurdicas para a realizao de objetivos comuns; tm seu patrimnio constitudo por cotas, fraes ideais ou taxas pagas pelos seus associados, doaes, fundos, reservas, subvenes, etc.

    ; no possuem capital social; tm seus fins alterados pelos associados, em assemblia geral; seus associados deliberam livremente em assemblia geral, tendo cada associado direito a um voto. as possveis sobras das operaes financeiras no so divididas entre os associados, sendo aplicadas na prpria associao; tm personalidade jurdica de direito privado; uma vez dissolvida a associao, as cotas ou fraes podero ser devolvidas aos associados e a sobra do patrimnio lquido ser destinada instituio de fins idnticos ou semelhantes.

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    OBJETIVOS E ATIVIDADES DAS ASSOCIAES DE TRABALHO DEPRODUTORES RURAIS

    OBJETIVOS

    A Associao de trabalho tem por objetivo incentivar, auxiliar, orientar,reivindicar, defender e representar os associados nas suas atividades comoprodutor rural, com vistas melhoria da organizao, produtividade e qua-lidade de sua produo visando o seu desenvolvimento scio-econmico.

    Atividades

    congregar os produtores estimulando o associativismo prestar orientao tcnica orientar a venda da produo adquirir mquinas e equipamentos para uso coletivo cadastrar a produo com vistas informao de mercado manter um cadastro de compradores da produo realizar pesquisa de mercado para os produtos e insumos orientar sobre preos de insumos orientar sobre preos de produtos e eventuais compradores transportar ou fazer transportar a produo para suas dependncias registrar as marcas classificar, padronizar, industrializar, beneficiar e embalar a produo armazenar a produo coletiva padronizar a produo com garantia de selo de qualidade criar marcas que tornem a produo conhecida na comunidade em geral promover cursos, congressos, seminrios reunies tcnicas e expo sies participar de campanhas de expanso do associativismo adquirir construir ou alugar os imveis necessrios s suas instala-es celebrar convnios com entidades pbicas ou privadas filiar-se a entidades associativas ou cooperativasracionar as atividades econmicas, estimulando formas de coopera-o reivindicar dos rgos pblicos melhoria nas comunidades

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    desenvolver aes/projetos que tragam melhoria nas condies de trabalho promover parcerias com instituies pblicas e/ou privadas promover a obteno de crdito, individual ou comunitrio desenvolver quaisquer outras atividades de interesse da Associao sustentar e defender, perante os poderes pblicos e onde quer que se faam necessrios, os direitos, interesses e reivindicaes de seus associados desenvolver e estimular o esprito associativista e a franca e efetiva colaborao prestar assistncia jurdica, contbil e administrativa, colaborar com movimentos voltados para a preservao do meio am-biente colaborar com os rgos pblicos no interesse restrito dos associa-dos preservar e proteger os ecossistemas interligados atravs do desen-volvimento sustentvelpublicar periodicamente um boletim informativo

    COOPERATIVISMO

    O surgimento da primeira cooperativa

    O surgimento do Cooperativismo como empreendimento scio-econ-mico aconteceu na Inglaterra em 1844, na cidadezinha de Rochdale, pertode Manchester.

    Sob a crescente ameaa de serem substitudos pelas mquinas a va-por e com o agravamento do estado de extrema misria da classe oper-ria, 27 teceles e uma tecel reuniram-se para buscar outra alternativa detrabalho e sobrevivncia.

    Baseados na experincia dos precursores do Cooperativismo e ten-tando evitar seus erros, esses pioneiros traaram o seguinte plano deao:

    a) fundao de um armazm para fornecimento de alimentos e vestu-rios aos cooperados;b) construo ou compra de boas casas para os cooperados;

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    c) montagem de uma linha de produo que garantisse trabalho aos cooperados sem emprego ou com salrios irrisrios;d) compra e arrendamento de terrenos para cultivo, pelos desempre- gados, para posterior diviso da terra em propriedades individuais;e) destinao de parte das sobras (excedentes financeiros) criao de um estabelecimento para a instruo e o desenvolvimento mora dos cooperados;f) dentro das possibilidades, organizao do trabalho e da educao, alm de ajuda a outros grupos, visando a fundao de novas coopera- tivas.

    O idealismo desses teceles e, sobretudo, o realismo de adequar oprojeto s suas possibilidades de execuo, constituindo uma pequenacooperativa de consumo no ento chamado Beco do Sapo (Toad Lane),foi que deu alicerce ao movimento cooperativista.

    Apenas dois cooperados atendiam na cooperativa. Um entregava osprodutos enquanto o outro recebia o dinheiro.

    Essa nova forma de organizao foi motiva de deboche por parte doscomerciantes vizinhos, que previam vida curta para essa iniciativa. Parasurpresa geral, a unio dos operrios em torno da cooperativa prosperou.

    No final do primeiro ano de atividades, a cooperativa aumentou seucapital integralizado de 28 para 180 libras. Em 1855 ela j cont