2891 - Miolo-Revisaco-Cartorios-Lepore-Rossato-3ed tomo1 ? Notrio e Registrador Coleo RE9 ...

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  • ORGANIZADORES:

    PAULO LPORE E LUCIANO ROSSATO

    2017

    3 ediorevista, ampliada e atualizada

    TOMO 1

    CARTRIOSNotrio e Registrador

    Coleo

    RE ISAO

    Revisaco-Cartorios-Lepore-Rossato_Tomo1_3ed.indb 3 12/12/2017 12:16:01

  • Questes 17

    Estatuto dos Notrios e Registradores

    Martha Elias El Debs

    TABELA DE INCIDNCIA DE QUESTES

    Distribuio das questes organizada

    por ordem didtica de assuntos

    AssuntoNmero

    de QuestesPeso

    ESTATUTO DOS NOTRIOS E REGISTRADORES 84 100%

    Total 84 100%

    Revisaco-Cartorios-Lepore-Rossato_Tomo1_3ed.indb 17 12/12/2017 12:16:29

  • Questes 19

    Alternativa b: o exerccio da atividade nota-rial e de registro incompatvel com o da advocacia, o da intermediao de seus servios ou o de qual-quer cargo, emprego ou funo pblicos, ainda que em comisso (art. 25 da LNR).

    Alternativa d: em cada servio notarial ou de registro haver tantos substitutos, escreventes e auxiliares quantos forem necessrios, a critrio de cada notrio ou oficial de registro (art. 20, 1, Lei 8.935/1994).

    02. (Consulplan Cartrios Provimento - TJ MG/2017) Acerca da competncia dos tabelies, assinale a alternativa correta:

    a) Compete aos tabelies, com exclusividade, lavrar escrituras pblicas, procuraes pbli-cas e atas notariais, reconhecer firma e auten-ticar cpias.

    b) Compete aos tabelies, com exclusividade, formalizar juridicamente a vontade das par-tes.

    c) Compete aos tabelies, com exclusividade, formalizar os atos e negcios jurdicos que visem constituio, transferncia, modifica-o ou renncia de direitos de valor superior a trinta vezes o maior salrio mnimo vigente no Pas.

    d) Compete aos tabelies, com exclusividade, autenticar fatos.

    COMENTRIOS .

    Nota da autora: a questo versa sobre as funes do tabelio de notas. Conforme Lei fede-ral 8.935/1994, a principal atribuio do Tabelio de Notas ou Notrio captar a vontade das partes, autenticar e dar veracidade a documentos, atos e fatos, conferindo f pblica aos atos por ele pra-ticados. Oportuno consignar que, com o advento

    Estatuto dos Notrios e Registradores

    Martha Elias El Debs

    QUESTES

    01. (Consulplan Cartrios Provimento - TJ MG/2017) Acerca dos direitos e deveres de not-rios e oficiais de registro, assinale a alternativa correta:

    a) Os notrios e registradores tm direito de exercer opo, nos casos de desmembra-mento, extino ou desdobramento de sua serventia.

    b) O exerccio da atividade notarial e de registro incompatvel com o da advocacia, o da inter-mediao de seus servios ou o de qualquer cargo, emprego ou funo pblicos, salvo se ocupante de cargo em comisso.

    c) O notrio e o registrador tm o dever de observar as normas tcnicas estabelecidas pelo juzo competente.

    d) Em cada servio notarial ou de registro haver tantos escreventes e auxiliares quantos forem necessrios e podero ter at dois substitutos, a critrio de cada notrio ou oficial de registro.

    COMENTRIOS .

    Nota da autora: a questo abrangente e aborda vrios temas acerca da Lei 8.935/1994, exi-gindo do candidato amplo conhecimento acerca da matria.

    Alternativa correta: letra c: assertiva nos exatos termos do art. 30, XIV, da Lei 8.935/1994.

    Alternativa a: reza o art. 29 que so direitos do notrio e do registrador exercer opo, nos casos de desmembramento ou desdobramento de sua serventia. Logo, a questo da extino no est abrangida pela norma.

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  • Martha Elias El Debs20

    da Lei federal 11.441/2007, foi atribuda ao Tabelio de Notas, a possibilidade da lavratura de escrituras pblicas de inventrio e partilha, separao e divr-cio, desde que preenchidos os requisitos legais. A funo do notrio no se restringe apenas em ins-trumentalizar e autenticar documentos. No exerc-cio de sua funo ele exerce o relevante papel de orientador, assessor e conselheiro das partes que o procuram para formalizao de um negcio jurdico. Dessa forma, o notrio exerce a funo de: a) consultor jurdico, porque assessora as partes, imparcialmente, para que suas vontades se tradu-zam em possibilidades jurdicas; b) polcia jurdica, fazendo a preveno de litgios; e c) redator quali-ficado, pois reveste de forma jurdica e adequada a vontade das partes. As competncias exclusivas do tabelio de notas esto previstas no art. 7 da Lei 8.935/1994. Na lio de Walter Ceneviva, a exclu-sividade corresponde a um efeito ativo (reservar apenas para o tabelio de notas os servios mencio-nados no dispositivo, enquanto exercente de funo delegada, na forma preconizada pela Constituio e a um outro negativo (excluir de igual possibilidade todos os demais) (Lei dos Notrios e dos Registra-dores Comentada. 8. ed. So Paulo: Saraiva, 2010, p. 75).

    Alternativa correta: letra a (responde todas as alternativas): o art. 7 da Lei 8.935/1994 traz a competncia exclusiva do Tabelio de Notas e o art. 6 elenca a competncia dos notrios, vejamos:

    Art. 6 Aos notrios compete:

    I - formalizar juridicamente a vontade das partes;

    II - intervir nos atos e negcios jurdicos a que as partes devam ou queiram dar forma legal ou autenticidade, autorizando a redao ou redigindo os instrumentos adequados, con-servando os originais e expedindo cpias fide-dignas de seu contedo;

    III - autenticar fatos.

    Art. 7 Aos tabelies de notas compete com exclusividade:

    I - lavrar escrituras e procuraes, pblicas;

    II - lavrar testamentos pblicos e aprovar os cerrados;

    III - lavrar atas notariais;

    IV - reconhecer firmas;

    V - autenticar cpias.

    Pargrafo nico. facultado aos tabelies de notas realizar todas as gestes e diligncias

    necessrias ou convenientes ao preparo dos atos notariais, requerendo o que couber, sem nus maiores que os emolumentos devidos pelo ato.

    03. (Consulplan Cartrios Remoo - TJ MG/2017) Acerca da responsabilidade dos Not-rios e Registradores, assinale a alternativa correta:

    a) A individualizao da responsabilidade crimi-nal no exime os notrios e os oficiais de regis-tro de sua responsabilidade civil.

    b) A responsabilidade criminal ser sempre indi-vidualizada, mas aplicvel aos notrios e registradores a legislao relativa aos crimes contra a administrao pblica.

    c) Os notrios e oficiais de registro so civilmente responsveis por todos os prejuzos que cau-sarem a terceiros, independentemente de culpa ou dolo, pessoalmente, pelos substitu-tos que designarem ou escreventes que auto-rizarem, assegurado o direito de regresso.

    d) Prescreve em quatro anos a pretenso de reparao civil, contado o prazo da data de lavratura do ato registral ou notarial.

    COMENTRIOS .

    Nota da autora: tema recorrente nos concur-sos de cartrio, a responsabilidade civil est presente em todas as fases do certame. At a edio da Lei 13.286/2016 (que alterou o art. 22 da Lei 8.935/1997) prevalecia que a responsabilidade do Oficial de Registros e do Tabelio de Notas, diferentemente daquela do Tabelio de Protesto (subjetiva, em razo do art. 38 da Lei 9.492/1997), era objetiva. O art. 22 da referida Lei, passou a vigorar com a seguinte redao: Art. 22. Os notrios e oficiais de registro so civilmente responsveis por todos os prejuzos que cau-sarem a terceiros, por culpa ou dolo, pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado o direito de regresso. Par-grafo nico. Prescreve em trs anos a pretenso de reparao civil, contado o prazo da data de lavratura do ato registral ou notarial. Tal dispositivo ps fim discusso acerca da responsabilidade de tabelies e registradores ao prescrever que agora a responsa-bilidade subjetiva, igualando-se assim, respon-sabilidade dos tabelies de protesto assegurada no art. 38 da Lei 9492/1997. Alis, esta foi a justificativa da Lei 13.286/2016, vejamos: O projeto de lei ora apresentado tem, pois o objetivo de altear o art. 22 da Lei n 8.935/94, para definir a responsabi-lidade civil de notrios e registradores nos mes-

    Revisaco-Cartorios-Lepore-Rossato_Tomo1_3ed.indb 20 12/12/2017 12:16:29

  • Questes 21

    mos termos em que foi delimitada a responsa-bilidade civil dos tabelies de protestos. Assim, s por abuso, excesso, desdia, imprudncia ou negligncia os delegatrios podem ser direta-mente responsabilizados. E estes elementos so justamente os componentes da culpa lato sensu, que ser necessria para sua responsabilizao. At a edio dessa lei no havia posio unnime na dou-trina quanto responsabilidade civil do Tabelio e do Registrador, porm a maioria entendia ser ela responsabilidade civil objetiva. A responsabili-dade objetiva aquela que independe da prova da culpa ou dolo, bastando para a sua configurao a demonstrao do simples nexo causal entre a con-duta do agente e o resultado danoso. Essa corrente se baseava no pargrafo 6 do art. 37 da Consti-tuio Federal que traz a responsabilidade civil objetiva da Administrao (teoria do risco adminis-trativo prega que possvel que o Estado afaste sua responsabilidade em casos de excluso do nexo causal, como os casos de fato exclusivo da vtima ou de terceiro, caso fortuito ou fora maior). Segundo a norma constitucional as pessoas jurdicas de direito pblico e as de direito privado prestadoras de servios pblicos respondero pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsvel nos casos de dolo ou culpa. Pesquisando a jurisprudncia do Superior Tribunal de Justia notava-se que, at apro-ximadamente o ano de 2009, as decises eram mais favorveis responsabilidade subjetiva dos Not-rios e Registradores. A partir de 2009, percebeu-se uma mudana de posicionamento para responsa-bilizao objetiva dos Notrios e Registradores, restando ao Estado responsabilidade subsidiria. Com a alterao da Lei 8.935/1994 tambm fica ultra-passada a jurisprudncia do Superior Tribunal de Jus-tia que, como vimos, reconhecia a responsabilidade objetiva dos tabelies de notas e oficiais, na medida em que a lei ora em vigor no deixou dvidas que a responsabilidade civil dos delegatrios passou a ser subjetiva. Tambm era entendimento dominante que a responsabilidade objetiva somente poderia ser aplicada aos titulares delegados do servio, e no aos designados interinos, j que a responsa-bilidade que estava prevista no antigo art. 22 da Lei 8.935/1994 tratava especificamente dos delegados.

    Alternativa correta: letra a: so os termos do art. 24, pargrafo nico, da Lei 8.935/1994.

    Alternativa b: a responsabilidade criminal ser individualizada, aplicando-se, no que couber,

    a legislao relativa aos crimes contra a administra-o pblica (art. 24).

    Alternativa c: conforme o art. 22, da Lei 8.935/1994 cuja redao foi alterada pela Lei 12.386/2016, os notrios e oficiais de registro so civilmente responsveis por todos os prejuzos que causarem a terceiros, por culpa ou dolo, pessoal-mente, pelos substitutos que designarem ou escre-ventes que autorizarem, assegurado o direito de regresso.

    Alternativa d: prescreve em trs anos a pre-tenso de reparao civil, contado o prazo da data de lavratura do ato registral ou notarial (art. 22, par-grafo nico, da Lei 8.935/1994).

    04. (IESES Cartrios Provimento - TJ MA/2016) A respeito da Lei Federal n 8.935/94, examine as seguintes proposies:

    I. Os Notrios e Oficiais de Registro so civil-mente responsveis por todos os prejuzos que causarem a terceiros, somente, na hip-tese de culpa, pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que autoriza-rem, assegurado o direito de regresso, con-forme a Lei Federal n 13.286/16.

    II. Considerando que o Registrador e o Notrio so agentes pblicos, exercendo em carter privado, funo pblica delegado pelo Estado, o prazo para o ajuizamento de eventual ao de reparao civil contra tais profissionais do direito de 5 (cinco) anos, contados da data de lavratura do ato registral ou notarial, con-forme a Lei Federal n 13.286/16.

    III. Os Notrios e Oficiais de Registro so civil-mente responsveis, por todos os prejuzos que causarem a terceiros, somente, na hip-tese de conduta dolosa, pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado o direito de regresso, conforme a Lei Federal n 13.286/16.

    IV. A responsabilidade criminal ser individuali-zada, aplicando-se, no que couber, a legisla-o relativa aos crimes contra a administrao pblica.

    a) Os itens I e III esto corretos.

    b) Os itens II e III esto corretos.

    c) Os itens II e IV esto corretos.

    d) Somente o item IV est correto.

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  • Martha Elias El Debs22

    COMENTRIOS .

    Nota da autora: vide nota da autora na ques-to anterior.

    Alternativa correta: letra d

    Proposio I (responde a proposio III): nos termos do art. 22 da Lei 8.935/1994 cuja reda-o foi alterada pela Lei 12.386/2016, os notrios e oficiais de registro so civilmente responsveis por todos os prejuzos que causarem a terceiros, por culpa ou dolo, pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem, asse-gurado o direito de regresso.

    Proposio II: prescreve em trs anos a pre-tenso de reparao civil, contado o prazo da data de lavratura do ato registral ou notarial (art. 22, par-grafo nico, da Lei 8.935/1994).

    Proposio IV: o que reza o art. 24 da LNR.

    05. (IESES Cartrios Provimento - TJ MA/2016) So atos exclusivos dos tabelies de notas:

    a) Receber o pagamento de ttulos protocoliza-dos e averbar o cancelamento de protestos.

    b) Expedir traslados e certides.

    c) Lavrar o protesto e acatar o pedido de cance-lamento do protesto.

    d) Reconhecer firmas e autenticar cpias.

    COMENTRIOS .

    Nota da autora: a questo versa sobre as funes do tabelio de notas. Conforme Lei fede-ral 8.935/1994, a principal atribuio do Tabelio de Notas ou Notrio captar a vontade das partes, autenticar e dar veracidade a documentos, atos e fatos, conferindo f pblica aos atos por ele pra-ticados. Oportuno consignar que, com o advento da Lei federal 11.441/2007, foi atribudo ao Tabelio de Notas, a possibilidade da lavratura de escrituras pblicas de inventrio e partilha, separao e divr-cio, desde que preenchidos os requisitos legais. A funo do notrio no se restringe apenas em ins-trumentalizar e autenticar documentos. No exerc-cio de sua funo ele exerce o relevante papel de orientador, assessor e conselheiro das partes que o procuram para formalizao de um negcio jurdico. Dessa forma, o notrio exerce a funo de: a) consultor jurdico, porque assessora as partes, imparcialmente, para que suas vontades se tradu-zam em possibilidades jurdicas; b) polcia jurdica,

    fazendo a preveno de litgios; e c) redator quali-ficado, pois reveste de forma jurdica e adequada a vontade das partes. As competncias exclusivas do tabelio de notas esto previstas no art. 7 da Lei 8.935/1994. Na lio de Walter Ceneviva, a exclu-sividade corresponde a um efeito ativo (reservar apenas para o tabelio de notas os servios mencio-nados no dispositivo, enquanto exercente de funo delegada, na forma preconizada pela Constituio e a um outro negativo (excluir de igual possibilidade todos os demais) (Lei dos Notrios e dos Registra-dores Comentada. 8. ed. So Paulo: Saraiva, 2010, p. 75).

    Alternativa correta: letra d: nos termos do art. 7 da Lei 8.935/1994, aos tabelies de notas compete com exclusividade: I - lavrar escrituras e procuraes, pblicas; II - lavrar testamentos pbli-cos e aprovar os cerrados; III - lavrar atas notariais; IV - reconhecer firmas; V - autenticar cpias. Pargrafo nico. facultado aos tabelies de notas realizar todas as gestes e diligncias necessrias ou conve-nientes ao preparo dos atos notariais, requerendo o que couber, sem nus maiores que os emolumentos devidos pelo ato.

    Alternativa a: conforme o art. 11, III e VI, da Lei 8.935/1994 e art. 3, da Lei 9.492/1997 estas atribui-es so do Tabelio de Protesto.

    Alternativa b: nos termos do art. 10, IV, da LNR, aos tabelies e oficiais de registro de contra-tos martimos compete: I - lavrar os atos, contratos e instrumentos relativos a transaes de embarcaes a que as partes devam ou queiram dar forma legal de escritura pblica; II - registrar os documentos da mesma natureza; III - reconhecer firmas em docu-mentos destinados a fins de direito martimo; IV - expedir traslados e certides.

    Alternativa c: conforme o art. 11, V e VI, da Lei 8.935/1994 e art. 3, da Lei 9.492/1997 estas atribui-es so do Tabelio de Protesto.

    06. (IESES Cartrios Provimento - TJ MA/2016) Assinale a alternativa INCORRETA:

    a) O tabelio de notas no poder praticar atos de seu ofcio fora do Municpio para o qual recebeu delegao.

    b) O exerccio da atividade notarial incompat-vel com a advocacia apenas no municpio em que o delegatrio exerce sua atividade.

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  • Questes 23

    c) livre a escolha do tabelio de notas, qualquer que seja o domiclio das partes ou o lugar de situao dos bens objeto do ato ou negcio.

    d) facultado aos tabelies de notas realizar todas as gestes e diligncias necessrias ou convenientes ao preparo dos atos notariais, requerendo o que couber, sem nus maiores que os emolumentos devidos pelo ato.

    COMENTRIOS .

    Nota da autora: a questo abrangente e aborda vrios temas acerca da Lei 8.935/1994, exi-gindo do candidato amplo conhecimento acerca da matria.

    Alternativa correta: letra b: o exerccio da atividade notarial e de registro incompatvel com o da advocacia, o da intermediao de seus ser-vios ou o de qualquer cargo, emprego ou fun-o pblicos, ainda que em comisso (art. 25 da LNR). Oportuno mencionar que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ao Direta de Inconstitu-cionalidade n 1.531-1, por seu Tribunal Pleno e por maioria, utilizando-se do princpio da interpretao conforme a Constituio deferiu em parte o pedido de liminar para sem reduo de texto, dar interpre-tao conforme Constituio Federal ao 2 do art. 25 da Lei n 8.935, de 18.11.94, para excluir de sua incidncia a hiptese do art. 38, III, primeira parte, da Carta Magna. Assim, no que se refere parte final do art. 25, 2, da Lei n 8.935/1994 (implicar no afasta-mento da atividade) a interpretao atual do STF no sentido de possibilidade dos delegatrios de exercer mandatos eletivos em geral, desde que se afastem de sua atividade, mas no tocante ao mandato ele-tivo para vereador no se impe o afastamento de sua atividade, desde que haja compatibili-dade de horrios. A Corregedoria Geral da Justia do Estado de SP agasalhou a tese do STF e deu pare-cer em carter normativo nos autos do Processo CG 3115/2000, que foi aprovado em 22/10/2001.

    Alternativa a: so os exatos termos do art. 8 da Lei 8.935/1994.

    Alternativa c: o que reza o art. 9 da Lei 8.935/1994.

    Alternativa d: a alternativa est em conformi-dade com o art. 3, da Lei 9.492/1997.

    07. (IESES Cartrios Remoo - TJ MA/2016) Aos tabelies de notas compete com exclusivi-dade:

    I. Lavrar testamentos pblicos e aprovar os cer-rados.

    II. Formalizar juridicamente a vontade das par-tes.

    III. Lavrar atas notariais.

    IV. Reconhecer firmas.

    A sequncia correta :

    a) Apenas a assertiva II est correta.

    b) Apenas as assertivas I, III e IV esto corretas.

    c) As assertivas I, II, III e IV esto corretas.

    d) Apenas as assertivas I e II esto corretas.

    COMENTRIOS .

    Nota da autora: o tema abordado na ques-to bastante pertinente e corriqueiro nos concur-sos pblicos para a outorga de delegao de Notas e de Registro, devendo o candidato ficar atento ao assunto.

    Alternativa correta: letra b

    Proposio I (responde as proposies III e IV): nos termos do art. 7 da Lei 8.935/1994, aos tabelies de notas compete com exclusividade: I - lavrar escrituras e procuraes, pblicas; II - lavrar testamentos pblicos e aprovar os cerrados; III - lavrar atas notariais; IV - reconhecer firmas; V - autenticar cpias. Pargrafo nico. facultado aos tabelies de notas realizar todas as gestes e dilign-cias necessrias ou convenientes ao preparo dos atos notariais, requerendo o que couber, sem nus maio-res que os emolumentos devidos pelo ato.

    Proposio II: conforme o art. 6, aos notrios compete (neste caso, diferentemente do art. 7, no existe o requisito da exclusividade): I - formalizar juri-dicamente a vontade das partes; II - intervir nos atos e negcios jurdicos a que as partes devam ou quei-ram dar forma legal ou autenticidade, autorizando a redao ou redigindo os instrumentos adequados, conservando os originais e expedindo cpias fide-dignas de seu contedo; III - autenticar fatos.

    08. (IESES Cartrios Remoo - TJ MA/2016) Os notrios e oficiais de registro so civilmente responsveis por todos os prejuzos que causarem a terceiros, por culpa ou dolo, pes-soalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado o direito de regresso. Prescreve em a pretenso de reparao civil, contado o prazo da data de lavra-tura do ato registral ou notarial.

    Revisaco-Cartorios-Lepore-Rossato_Tomo1_3ed.indb 23 12/12/2017 12:16:30

  • Martha Elias El Debs24

    a) 03 (trs) anos.

    b) 06 (seis) meses.

    c) 01 (um) ano.

    d) 05 (cinco) anos.

    COMENTRIOS .

    Nota da autora: vide nota da autora em questes anteriores sobre a temtica.

    Alternativa correta: letra a (responde todas as alternativas): prescreve em trs anos a preten-so de reparao civil, contado o prazo da data de lavratura do ato registral ou notarial (art. 22, par-grafo nico, da Lei 8.935/1994).

    09. (IESES Cartrios Remoo - TJ MA/2016) Analise as seguintes assertivas:

    I. Os servios notariais e de registro sero pres-tados, de modo eficiente e adequado, em dias e horrios estabelecidos pelo juzo compe-tente, atendidas as peculiaridades locais, em local de fcil acesso ao pblico e que oferea segurana para o arquivamento de livros e documentos.

    II. Notrio, ou tabelio, e oficial de registro, ou registrador, so profissionais do direito ou administrao, dotados de f pblica, a quem delegado o exerccio da atividade notarial e de registro.

    III. Os servios notariais e de registro so desti-nados a garantir a publicidade, autenticidade, segurana e eficcia dos atos jurdicos.

    IV. O atendimento ao pblico ser, no mnimo, de seis horas dirias.

    Assinale a alternativa correta:

    a) As assertivas I, III e IV esto corretas.

    b) As assertivas II, III e IV esto corretas.

    c) Apenas a assertiva I est correta.

    d) As assertivas I, II e IV esto corretas.

    COMENTRIOS .

    Nota da autora: questionamento globali-zado acerca da Lei dos Notrios e Registradores (Lei 8.935/1994), arguida com alta frequncia em todos os concursos para a outorga e delegaes de Notas e de Registros, exigindo do candidato pleno e abran-gente conhecimento da matria.

    Alternativa correta: letra a

    Proposio I: so os termos do art. 4 da Lei 8.935/1994.

    Proposio II: consoante o art. 3, da LNR, notrio, ou tabelio, e oficial de registro, ou regis-trador, so profissionais do direito, dotados de f pblica, a quem delegado o exerccio da atividade notarial e de registro.

    Proposio III: o que dispe o art. 1 da Lei 8.935/1994. Tal norma tambm encontrada nos arts. 1 da Lei 6.015/1973 e art. 2 da Lei 9.492/1997.

    Proposio IV: assim dispe o art. 4, par-grafo 2, da LNR.

    10. (IESES Cartrios Remoo - TJ MA/2016) Analise as seguintes afirmaes relativas aos atos de competncia exclusiva do tabelio de notas:

    I. Lavrar escrituras e procuraes, pblicas.

    II. Lavrar testamentos pblicos e aprovar os cer-rados.

    III. Reconhecer firmas.

    IV. Protocolar de imediato os documentos de dvida, para prova do descumprimento da obrigao.

    Assinale a alternativa correta:

    a) Apenas a assertiva I est correta.

    b) As assertivas I, II e IV esto corretas.

    c) As assertivas I, II e III esto corretas.

    d) As assertivas II, III e IV esto corretas.

    COMENTRIOS .

    Nota da autora: o tema abordado na ques-to bastante pertinente e corriqueiro nos concur-sos pblicos para a outorga de delegao de Notas e de Registro, devendo o candidato ficar atento ao assunto.

    Alternativa correta: letra c

    Proposio I (responde as proposies II e III): nos termos do art. 7 da Lei 8.935/1994, aos tabelies de notas compete com exclusividade: I - lavrar escrituras e procuraes, pblicas; II - lavrar testamentos pblicos e aprovar os cerra-dos; III - lavrar atas notariais; IV - reconhecer firmas; V - autenticar cpias. Pargrafo nico. facultado aos tabelies de notas realizar todas as gestes e dili-gncias necessrias ou convenientes ao preparo dos atos notariais, requerendo o que couber, sem nus maiores que os emolumentos devidos pelo ato.

    Revisaco-Cartorios-Lepore-Rossato_Tomo1_3ed.indb 24 12/12/2017 12:16:30

  • Questes 25

    Proposio IV: conforme o art. 11, I, da Lei 8.935/1994 e art. 3, da Lei 9.492/1997 estas atri-buies so do Tabelio de Protesto.

    11. (IESES Cartrios Remoo - TJ MA/2016) Analise os itens a seguir:

    I. O tabelio de notas no poder praticar atos de seu ofcio fora do Municpio para o qual recebeu delegao.

    II. facultado aos tabelies de notas realizar todas as gestes e diligncias necessrias ou convenientes ao preparo dos atos notariais, requerendo o que couber, sem nus maiores que os emolumentos devidos pelo ato.

    III. de competncia dos notrios intervir nos atos e negcios jurdicos a que as partes devam ou queiram dar forma legal ou auten-ticidade, autorizando a redao, no sendo permitido redigir os instrumentos adequados, conservando os originais e expedindo cpias fidedignas de seu contedo.

    IV. de competncia exclusiva dos notrios lavrar testamentos pblicos, particulares e aprovar os cerrados.

    Assinale a alternativa que contm as assertivas corretas:

    a) As assertivas II e IV esto corretas.

    b) Apenas a assertivas I, II e IV esto corretas.

    c) As assertivas I e II esto corretas.

    d) As assertivas I, III e IV esto corretas.

    COMENTRIOS .

    Nota da autora: as competncias exclusivas do tabelio de notas esto previstas no art. 7 da Lei 8.935/1994. Na lio de Walter Ceneviva, a exclu-sividade corresponde a um efeito ativo (reservar apenas para o tabelio de notas os servios mencio-nados no dispositivo, enquanto exercente de funo delegada, na forma preconizada pela Constituio e a um outro negativo (excluir de igual possibilidade todos os demais) (Lei dos Notrios e dos Registra-dores Comentada. 8. ed. So Paulo: Saraiva, 2010, p. 75).

    Alternativa correta: letra c

    Proposio I: assertiva conforme o art. 8 da Lei 8.935/1994.

    Proposio II: o que dispe o pargrafo nico, do art. 7, da Lei 8.935/1994.

    Proposio III: diz o art. 6, II, da LNR que competncia dos notrios intervir nos atos e neg-cios jurdicos a que as partes devam ou queiram dar forma legal ou autenticidade, autorizando a reda-o ou redigindo os instrumentos adequados, con-servando os originais e expedindo cpias fidedignas de seu contedo;

    Proposio IV: da competncia exclusiva dos notrios, lavrar testamentos pblicos e aprovar os cerrados (art. 7, II, da LNR).

    12. (Vunesp Cartrio SP Remoo/2016) O tabelio de notas, o registrador de imveis e o registrador civil de pessoas jurdicas tm, respec-tivamente, atribuies para

    a) reconhecer firmas, registrar a alienao fiduci-ria em garantia de coisa imvel e registrar o penhor comum sobre coisas mveis.

    b) lavrar ata notarial, registrar loteamento e transcrever instrumento particular para a prova das obrigaes convencionais de qual-quer valor.

    c) lavrar escritura pblica, registrar o ato consti-tutivo dos partidos polticos e registrar o con-trato de parceria agrcola.

    d) lavrar escritura pblica, registrar cdula de crdito rural e matricular jornal.

    COMENTRIOS .

    Nota da autora: a questo versa sobre as atribuies dos Oficiais de Registros e Tabelies, prevista na Lei 8.935/1994 (Notrios e Registrado-res) e tambm a Lei 6.015/1973. O Registro Civil de Pessoas Naturais regulamentado pelos artigos 29 a 113 da Lei 6.015/1973 e art. 5, VI, da Lei 8.935/1994. No Ofcio Civil das Pessoas Naturais so registrados os nascimentos; casamentos; converses de unio estvel em casamento; casamento religioso de efeito civil; bitos; natimortos; emancipaes; sentenas declaratrias de interdio, ausncia e de morte presumida; transcries de assentos de nas-cimento, casamento e bito lavrados no exterior; opes de nacionalidade; sentenas de adoo (arts. 29 da Lei 6.015/1973 e 9 do Cdigo Civil) e ainda, no Estado de So Paulo tambm pode ser registrado neste Ofcio, a autenticao de livros comerciais, por fora do Decreto-Lei 486/1969. Trata-se de um servio delegado pela Junta Comercial do Estado de So Paulo JUCESP. Ademais, frise-se que a Lei Paulista 4.225/1984, c/c o art. 52 da Lei 8.935/1994, expressamente permitem que os Oficiais do Regis-

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  • Martha Elias El Debs26

    tro Civil das Pessoas Naturais podero praticar atos notariais referentes lavratura de procuraes, subs-tabelecimento e revogao de procuraes pbli-cas, alm de reconhecimentos de firma e autenti-caes de cpias reprogrficas. O Registro Civil de Pessoas Jurdicas regido pelos artigos 114 a 126 da Lei 6.015/1973 e art. 5, V, da Lei 8.935/1994. Nesta Serventia, sero inscritos os atos constituti-vos das sociedades simples, associaes, fundaes e dos partidos polticos. Anote-se que este Ofcio recepciona desde o ato constitutivo at o da extin-o das entidades supracitadas. Tambm sero feitas as matrculas de jornais, peridicos, oficinas impres-soras, agncias de notcias e empresas de radiodi-fuso. Apenas as entidades que possuem objeto lcito que podero ser registradas neste Ofcio, e consequentemente, adquirir personalidade jurdica. O Registro de Ttulos e Documentos encontra-se regulado pelos artigos 127 a 166 da Lei 6.015/1973 e art. 5, V, da Lei 8.935/1994. O Registro de Ttu-los e Documentos, no mbito de suas atribuies o servio de organizao tcnica e administrativa que tem por finalidade assegurar a autenticidade, segurana, publicidade e eficcia dos atos e neg-cios jurdicos, constituindo ou declarando direitos e obrigaes, para prova de sua existncia e data, alm da conservao perptua de seu contedo e efeitos erga omnes. O Registro de Imveis pre-visto nos artigos 167 a 288 da Lei 6.015/1973 e art. 5, IV, da Lei 8.935/1994. Ao Ofcio de Imveis cumpre, na forma da lei, garantir autenticidade, publicidade, segurana, disponibilidade e eficcia dos atos jurdicos constitutivos, declaratrios, trans-lativos ou extintivos de direitos reais sobre imveis. O Tabelionato de notas e o Tabelionato e Ofcio de registro de contratos martimos so regidos pela Lei 8.935/1994; o Tabelionato de Protestos subordinado Lei 9.492/1997; o registro das socie-dades empresrias feito no Registro Pblico das Empresas Mercantis regulado pela Lei 8.934/1994; enquanto a Lei 9.279/1996 e a Lei 9.610/1998 regem, respectivamente, a Propriedade Industrial e a Propriedade Intelectual.

    Alternativa correta: letra d: o que se extrai do art. 7, I, da Lei 8.935/1994; do art. 167, 13, da LRP e art. 116, II da Lei 6.015/1973, respectivamente.

    Alternativa a: reconhecer firmas da compe-tncia exclusiva do Tabelio de Notas (art. 7, IV da Lei 8.935/1994), registrar a alienao fiduciria em garantia de coisa imvel atribuio do Registrador de Imveis (art. 167, 35, da LRP) e registrar o penhor comum sobre coisas mveis compete ao Registrador

    de Ttulos e Documentos nos termos do art. 127, II, da Lei 6.015/1973.

    Alternativa b: lavrar ata notarial compete exclusivamente ao Tabelio de Notas (art. 7, III, da Lei 8.935/1994), registrar loteamento atribuio do Registrador de Imveis (art. 167, 19 LRP) e transcrever instrumento particular para a prova das obrigaes convencionais de qualquer valor da competncia do Oficial de Ttulos e Documentos (art. 127, I, Lei 6.015/1973).

    Alternativa c: o que se extrai do art. 7, I, da Lei 8.935/1994. Por outro lado, registrar o ato consti-tutivo dos partidos polticos compete ao Registrador Civil de Pessoas Jurdicas (art. 114, III, LRP). Quanto ao contrato de parceria agrcola, o registro deve ser feito pelo Registrador de Ttulos e Documentos.

    13. (Vunesp Cartrio SP Remoo/2016) A Lei n 8.935/94 estabelece os requisitos para a delegao do exerccio da atividade notarial e registral. Assinale a alternativa que elenca corre-tamente alguns desses requisitos.

    a) Verificao de conduta condigna para o exer-ccio da profisso, quitao com as obrigaes eleitorais e militares e diploma de bacharel em direito, salvo se j completos dez anos em ser-vio notarial ou de registro.

    b) Aprovao em exame da Ordem dos Advoga-dos do Brasil, nacionalidade brasileira e habili-tao em concurso pblico de provas e ttulos.

    c) Habilitao em concurso pblico de provas e ttulos, habilitao em curso de registros pblicos homologado pelo Conselho Nacio-nal de Justia (CNJ) e diploma de bacharel em direito.

    d) Habilitao em curso de registros pblicos homologado pelo Conselho Nacional de Jus-tia (CNJ), verificao de conduta condigna para o exerccio da profisso e diploma de bacharel em direito, salvo se j completos dez anos em servio notarial ou de registro.

    COMENTRIOS .

    Nota da autora: o leitor deve ter conheci-mento dos arts. 14 e 19 da Lei 8.935/1994, bem como das Resolues 80/2009 e 81/2009 do CNJ que dis-pe sobre os concursos pblicos de provas e ttulos, para a outorga das Delegaes de Notas e de Regis-tro, e minuta de edital.

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  • RESUMO E DICAS

    DA ATIVIDADE NOTARIAL E DE REGISTRO

    1. DILOGO DAS FONTES E O DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL

    Aflaton Castanheira Maluf fez uma excelente explanao sobre o tema, o que vale a citao (Lei de Notarial e Registral Anotada e Comentada. Belo Hori-zonte, Editora: BH, 2012, p. 600-601):

    Atividades Notariais/Registrais e os Direi-tos Constitucional e Administrativo: Os ser-vios do Extrajudicial, assim como quaisquer outros, devem obedecer em primeiro plano a Carta Nacional. Sendo assim, os princpios contidos no art. 37 da CF/1988, legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficincia, so de aplicao plena nas ativi-dades cartorrias, pois estas compreendem espcie de servios pblicos. J as pessoas que laboram nas Serventias, esto sujeitas aos preceitos administrativos destinados aos agentes pblicos em geral, sendo responsabi-lizados pelos seus atos/omisses (Carta Nacio-nal 1988 art. 37 1, 5 e 6). Destaque-se que dentre as atividades do Extrajudicial temos vrios procedimentos que eram promovidos somente pelas vias judiciais. Tais procedi-mentos administrativos so destinados atual-mente aos Notrios e Registradores: LRP arts. 46 (certides de nascimento extemporneas); 213 (retificaes sobre registros e averbaes); 288-A (regularizao fundiria urbana); Lei Federal n 11441/2007 (separaes, divrcios, inventrios e partilhas) etc.

    Atividades Notariais/Registrais e os Direi-tos Empresarial e Tributrio: As questes empresariais destinam-se aos empresrios e sociedades empresrias, bem como as socie-dades no empresrias. As sociedades no empresrias so denominadas pelo Cdigo

    Civil Livro II, Direito de Empresa de Socie-dades Simples que destinam-se ao Extrajudi-cial (CCiv. 997 a 1038 e 1150). Temos tambm os ttulos de crdito que possuem real inte-resse as atividades do Extrajudicial (CCiv. 887 a 926). No que tange a rea Tributria, existem vrias normas e dispositivos importantes para as atividades Notariais e Registrais. Citamos como exemplos: Constituio Nacional 1988, especialmente arts. 153, 155 e 156; CTN arts. 29 a 42,127 a 138 etc. Ademais, compreende dever de ofcio dos Notrios e registradores a fiscalizao dos impostos devidos (LNR art. 30, XI, infra).

    Atividades Notariais/Registrais e os Direi-tos Civil e Penal: de bom alvitre dizer que o Cdigo Civil a Bblia dos que laboram no Extrajudicial. As atividades cartorrias so exercidas nos quadrantes do Direito Civil, portanto, o conhecimento dessa rea jurdica fundamental. Parte Geral, Teoria Geral das Obrigaes e Contratos, Responsabilidade Civil, Ttulos de Crdito e Direito de Empresa, Direitos Reais, Famlia e Sucesses, todos pos-suem grande relevo para as atividades do Extrajudicial. Sem exageros, podemos dizer que o Titular deve ter em sua mesa a trilogia normativa dos cartrios (LRP + LNR + LP) e o Cdigo Civil (juntamente com a legislao civil satlite). Essas normas precisam estar sempre mo. J o Direito Penal possui obviamente incidncia menor para as atividades do Extra-judicial. Destacamos alguns crimes do Cdigo Penal de real interesse para as atividades car-torrias: crimes contra o casamento = arts. 235 a 239; crimes contra o estado de filiao = arts. 241 a 243; crimes contra a f pblica = arts. 289 a 310; incluindo fraudes em certames pblicos = art. 311-A; crimes contra a administrao pblica = especialmente arts. 312, 313, 313-A, 313-B, 314, 316, 317, 319, 324, 327, 328, 331, etc.

    Atividades Notariais/Registrais e os Direi-tos Processuais: As atividades judiciais civis e penais so movidas pelos cdigos proces-suais. Os Cdigos Civil e Penal compreendem

    Estatuto dos Notrios e RegistradoresMartha Elias El Debs

    Revisaco-Cartorios-Lepore-Rossato_Tomo1_3ed.indb 79 12/12/2017 12:16:35

  • Martha Elias El Debs80

    os esqueletos e os Cdigos processuais os msculos que vo dar movimento aos corpos. So muitas as atuaes judiciais de interesse para o Extrajudicial. Citamos como exemplos: arguio/incidente de falsidade = CPC 390 e ss. CPP 145 e ss.; provas = CPC 332 e ss. CPP 155 e ss.; sequestros/arrestos/penhoras = CPC 659 e ss. 813 e ss. CPP 125 e ss.; especializao de hipoteca legal = CPP 134 e 135; CPC 1205 e ss.; usucapio de terras particulares = CPC 941 a 945 etc.

    A Lei de Registros Pblicos Lei Federal n 6015/73 contm vrios dispositivos desti-nados s atuaes judiciais. Destacamos: LRP arts. 109 e 113 [retificaes] 167, II .12. [averbaes], 198 e ss. [dvida registral] 212 p. nico [retificaes], 214 3 e 4 [bloqueio de matrculas] 216 e 250, I [cancelamentos], 221 III e IV [ttulos judiciais] 226 [usucapio], 247 [indisponibilidade de bens], 280 e ss. [Torrens] etc.

    No que tange s atividades notariais e registrais e ao Direito Processual, fao a correspondncia dos artigos citados pelo autor com o Novo Cdigo de Processo Civil:

    CPC/1973 CPC/2015

    Art. 390 Art. 430

    Art. 145 Art. 156

    Art. 332 Art. 369

    Art. 155 Art. 189

    Art. 659Arts. 831, 845, 836, 844 e 837

    Art. 813 Sem correspondncia

    ART. 125 Art. 139

    Arts. 134 e 135 Arts. 144 e 145

    Arts. 1.205 e 941 a 945 Sem correspondncia

    2. A IMPORTNCIA DAS ATIVIDADES NOTARIAIS E DE REGISTROS

    As Serventias Extrajudiciais so responsveis por assegurar a publicidade, autenticidade, segurana e eficcia dos atos jurdicos e, em razo disto, exercem um relevante papel para o desenvolvimento eco-nmico e social do pas.

    Os servios extrajudiciais fazem parte da Admi-nistrao Pblica como atividade jurdica. Sujei-tam-se aos princpios do Direito Administrativo, den-

    tre eles, aqueles previstos no art. 37 da Constituio Federal, quais sejam: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficincia.

    A relevncia de seus objetivos institucionais e seus reais benefcios, na maioria das vezes, visto de forma distorcida pela populao, que enxerga tal servio como marca do rano burocrtico brasileiro. Ora, desde a Constituio Federal de 1988 os servios notariais e de registros pblicos esto amplificando suas competncias em face dos direitos fundamen-tais, colaborando para a preveno e soluo de litgios ao oferecer segurana jurdica aos atos e fatos formalizados em razo da sua competncia.

    Outrossim, as serventias extrajudiciais exercem importante papel na desjudicializao e desafogo do Poder Judicirio e das relaes privadas. Entende-se por desjudicializao o processo de transferncia para os cartrios extrajudiciais de alguns servios que esto na esfera da justia, para simplificar pro-cessos e agilizar aes que no envolvem litgio. Como exemplo, podemos citar a Lei 11.441/2007, que possibilitou a realizao de inventrio, partilha, separao consensual e divrcio consensual por via administrativa. Na esfera do protesto, atualmente pacfica a idia de protesto de certides de dvidas ativas em razo da incluso do pargrafo nico do art. 1 da Lei 9.492/1997. O Novo Cdigo de Processo Civil tambm contribuiu e muito para este fen-meno, prevendo a usucapio administrativa, dentre vrios outros exemplos.

    Ademais, os servios notariais e de registros pblicos esto em constante modernizao e pro-gresso em razo da dinamicidade da evoluo da sociedade. Um exemplo disto o registro eletrnico, que logo ser estudado nesta obra.

    3. COMPETNCIA LEGISLATIVACompete privativamente Unio legislar sobre

    registros pblicos, nos termos dos artigos 22, XXV e 236 da Constituio Federal. No exerccio dessa competncia, que tambm era prevista na Carta anterior, foi editada a Lei 6.015/1973, dispondo sobre os registros pblicos. No ano de 1994, para cumprir a regra inserta no 1 do art. 236, editou-se a Lei 8.935 regulando as atividades e disciplinando os direitos e a responsabilidade dos Notrios e Registradores.

    4. NATUREZA JURDICAOs registros pblicos so atividades que consti-

    tuem funes pblicas, e que por fora do disposto no art. 236 da Constituio Federal, no so exe-

    Revisaco-Cartorios-Lepore-Rossato_Tomo1_3ed.indb 80 12/12/2017 12:16:35

  • Dicas 81

    cutadas diretamente pelo Estado, e sim, por meio de delegao. importante destacar que a ativi-dade registral, embora pblica (estatal), prestada em carter privado por um particular, por meio de delegao, cujo titular um profissional do direito, dotado de f pblica, exercendo-a, por sua conta e risco. O ingresso na carreira se d por meio de con-curso pblico de provas e ttulos, na forma dos arts. 14 e seguintes da Lei 8.935/1994 e tambm das Reso-lues 80/2009 e 81/2009. O titular da delegao est sujeito fiscalizao do Poder Judicirio, o que se d por meio das correies, ordinria e extraordinria.

    5. FINALIDADEA principal finalidade dos Registros Pblicos

    garantir a publicidade, autenticidade, segurana e eficcia dos atos jurdicos (artigo 1 da Lei 6.015/73, art. 1 da Lei n 8.935/94 e art. 2 da Lei 9.492/1997).

    A regra estabelecida no art. 1 da Lei de Regis-tros Pblicos define como fim dos servios registrais assegurar a autenticidade, segurana e eficcia dos atos jurdicos, e trata ainda nos artigos 16 a 21, da publicidade. A Lei dos Notrios e Registradores (Lei 8.935/1994), tambm no art. 1, dispe que os servios notariais, bem como os concernentes aos registros pblicos so os de organizao tcnica e adminis-trativa destinados a garantir a publicidade, autenti-cidade, segurana e eficcia dos atos jurdicos. Dessa forma faz tambm a Lei de Protestos (9.492/1997), que estabelece no art. 2, que os servios concernentes ao protesto so garantidores de autenticidade, publici-dade, segurana e eficcia dos atos jurdicos.

    A publicidade tem por finalidade outorgar segurana s relaes jurdicas, assegurando a qual-quer interessado o conhecimento do teor do acervo das serventias notariais e registrais e garantir sua oponibilidade contra terceiros. No direito brasileiro se d por meio de expedio de certido, a cha-mada publicidade formal ou indireta.

    Os registradores e notrios, via de regra, no podem permitir o acesso direto do interessado aos livros, pois haveria riscos conservao des-ses arquivos, afetando dessa forma, a segurana jurdica almejada pela publicidade, salvo em alguns casos legais, como por exemplo, o disposto no Dec. Lei n 58/37, art. 1 5 (O memorial, o plano de loteamento e os documentos depositados sero franqueados, pelo oficial do registro, ao exame de qualquer interessado, independentemente do pagamento de emolumentos, ainda que a ttulo de busca.) e na Lei Federal n 6766/79, art. 24 (O pro-cesso de loteamento e os contratos de depositados

    em Cartrio podero ser examinados por qualquer pessoa, a qualquer tempo, independentemente do pagamento de custas ou emolumentos, ainda que a ttulo de busca).

    Todas as providncias que exigirem a apre-sentao de qualquer livro, ficha substitutiva ou documento, e mesmo as diligncias judiciais, devem ser efetuadas no prprio servio (art. 23 da Lei 6.015/1973) e os livros e documentos somente podem sair do respectivo servio mediante autori-zao judicial.

    Ademais, o art. 46 da Lei 8.935/1994, estabelece que os livros, fichas, documentos, papis, microfil-mes e sistemas de computao devero permanecer sempre sob a guarda e responsabilidade do titular de servio notarial ou de registro, que zelar por sua ordem, segurana e conservao.

    Por ser a publicidade formal ou indireta, tambm no seria possvel prestar informaes por telefone. Ademais, violaria o princpio da segurana jurdica e os dados fornecidos pelo usurio podem no corres-ponder com os da matrcula ou escritura, por exem-plo.

    Srgio Jacomino muito bem explicita ao escre-ver sobre o tema que (https://circuloregistral.com.br/2016/05/03/publicidade-registral-informacao-por-telefone/: Acesso em: 20-05-2016):

    a) Informao registral, prestada em qualquer meio, somente pode se dar nos moldes previs-tos na Lei 6.015/1973 e Normas de Servio da Corregedoria Geral de Justia. A informao eletrnica se far nos termos nico do art. 17 da mesma lei;

    b) Toda informao, seja em que meio prestada, deve ser cobrada. Alm dos emolumentos devidos dos quais o registrador no pode abrir mo, sob pena de infringir as regras e princpios de direito tributrio incidem custas e contribuies, cuja iseno ou no cobrana pode levar responsabilidade do Oficial, sujeito passivo por substituio;

    c) Informaes telefnicas devem cingir-se a meras informaes gerais, no cabendo responder consultas tcnicas, nem tampouco prestar infor-maes especficas sobre a situao jurdico-real acerca dos titulares de direitos inscritos;

    d) Cabe exclusivamente aos oficiais a escolha da melhor forma para a expedio das certides dos documentos registrados e atos praticados no Cartrio.

    Revisaco-Cartorios-Lepore-Rossato_Tomo1_3ed.indb 81 12/12/2017 12:16:35

  • Martha Elias El Debs82

    Miguel Maria de Serpa Lopes, ao discorrer sobre o tema em Caracteres e Funo da Publicidade, asse-vera que a publicidade um corolrio necessrio, atri-buto lgico do Registro, mesmo quando este faculta-tivo e s para fim de perpetuidade de um documento. H sempre uma publicidade, embora com efeitos de intensidade varivel (Tratado dos registros pblicos. 6. ed. Ver. e atual, pelo Prof. Jos Serpa de Santa Maria. Braslia: Braslia Jurdica, 1997. vol. I, p. 19-21).

    Sobre o princpio da publicidade, Leonardo Brandelli leciona que a funo notarial, bem como a registral pblica porquanto ao Estado pertence e a toda a coletividade interessa. Prevenir litgios, dando certeza e segurana jurdica s relaes, atividade que a todos beneficia, embora exercida em casos concretos, com partes estabelecidas na relao jur-dica especfica (Teoria Geral do Direito Notarial. 2 ed. So Paulo: Saraiva, 2007). Os atos notariais so pblicos, pois tornam o ato jurdico instrumenta-lizado e acessvel a qualquer cidado, mediante a expedio de certido pelo notrio ou registrador.

    Frise-se que essa publicidade no absoluta, e sofre limitaes nos servios registrais. o que se d no Registro Civil de Pessoas Naturais em razo do art. 18 da Lei 6.015/1973 (ressalvado o disposto nos artigos 45 e 96, pargrafo nico, a certido ser lavrada independentemente de despacho judicial, devendo mencionar o livro do registro ou o docu-mento arquivado no cartrio). Da mesma forma, h restrio no Tabelionato de Protestos, pois certides do protocolo e dos protestos cancelados s podem ser fornecidas ao prprio devedor ou por ordem judi-cial (artigos 27, 2, e 31 da Lei 9.492/1997). No que tange s demais Serventias, prevalece que no h qualquer impedimento, apenas respeitando a forma-lidade do requerimento por escrito do interessado.

    No direito notarial e registral existe ainda uma doutrina que agasalha dois tipos de publicidade: a publicidade necessria e a publicidade no-necessria. A primeira intervm no ato jurdico como seu elemento integrador. Tambm necess-ria a publicidade exterior ao prprio fato, que leva produo de efeitos em relao a terceiros, equivale dizer, funciona como condio de oponibilidade em relao a esses terceiros. Ademais, necessria quando imposta para servir de elemento comproba-trio, em relao a fato jurdico, determinando todos os efeitos imediatos que dele possam decorrer. no-necessria a publicidade que apenas leva ao pblico o conhecimento de fatos ou situaes jur-dicas de interesse geral, sem adentrar no elemento formador do ato jurdico. a lio de Serpa Lopes.

    (Tratado dos registros pblicos. 6. ed. Braslia: Braslia Jurdica, 1997. Vol. 1).

    A publicidade necessria, por sua vez, se classi-fica em declarativa e constitutiva, conforme sua carga de eficcia. constitutiva quando indispen-svel constituio de determinado direito. assim, uma publicidade de existncia. A publicidade declarativa afirma uma situao jurdica preexis-tente. No dizer de Nicolau Balbino, considerada declarativa quando relativa a fatos anteriores ou a negcios jurdicos j perfeitos, e a sua ausncia d lugar apenas a certas restries que no descons-tituem o ato jurdico, sendo condio de oponibili-dade perante terceiros (Direito Imobilirio Registral. So Paulo: Saraiva, 2001). A publicidade nesse caso de evidncia.

    Carlos Ferreira de Almeida elucida que a publici-dade no-necessria era denominada publicidade-notcia, essa em plena decadncia, at na Frana, seu bero.

    O autor apresenta como alternativa, na viso dele mais satisfatria, trs classificaes: publici-dade-notcia, publicidade constitutiva e publicidade essencial, qual se acrescentaram contudo outros termos, ainda, como os de publicidade reforativa, publicidade sanante, publicidade notificativa ou ainda a designao imprecisa de publicidade com efeitos particulares. (Publicidade e teoria dos regis-tos. Coimbra: Almedina, 1966, p. 117).

    Autenticidade a qualidade, condio ou car-ter de autntico. Na atividade notarial e registral, ela decorre da f pblica do notrio e do registrador.

    Walter Ceneviva elucida que, autenticidade qualidade do que confirmado por ato de autoridade, de coisa, documento ou declarao verdadeiros. O registro cria presuno relativa de verdade. retific-vel, modificvel. (Lei dos Notrios e dos Registradores Comentada. 8. ed. So Paulo: Saraiva, 2010, p. 46).

    Nos dizeres de Aflaton Castanheira Maluf, assim como acontece com os atos administrativos em geral, autenticidade e f pblica possuem como atributos: credibilidade e presuno de legitimidade sobre atos registrais e/ou notariais e suas cpias (CCiv. 217). Alis, admite-se autenticao dos arqui-vos eletrnicos contidos nos Tabelionatos de Pro-testo Lei Federal n 9492/97 art. 39. Vale dizer que autenticidade no se confunde com veracidade (CPC 372). Quaisquer atos maculados produzem efeito contrrio, ou f pnica (m f, perfdia) do cartorrio ou de seus prepostos. (Registros Pblicos, Notas e Protestos. 2. ed. Leme: BH Editora, 2013, p. 32).

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  • Dicas 83

    A autenticidade visa assim, estabelecer uma pre-suno relativa de verdade sobre o contedo do ato notarial ou registral, ou seja, diz respeito ao prprio registro, no ao negcio causal.

    No que se refere segurana, tal atributo con-fere estabilidade s relaes jurdicas e confiana no ato notarial e registral. Para Eduardo Pacheco Ribeiro de Souza, a segurana decorre da certeza quanto ao ato e sua eficcia, promovendo a libertao dos riscos. A consulta aos teores dos registros e dos livros de notas, possvel a qualquer interessado (publici-dade formal), associada presuno de verdade dos atos que emanam dos servios notariais e registrais, permite a aferio da boa-f de quem pratica qual-quer ato fundado nas informaes recebidas (Os servios notariais e registrais no Brasil. Disponvel em: http://www.irib.org.br/html/biblioteca/biblio-teca-detalhe.php?obr=140. Acesso em 20-05-2016).

    Por fim, a eficcia consiste na aptido de produ-zir efeitos jurdicos. Ela assegura a produo destes efeitos decorrentes do ato notarial e registral. Quem exemplifica Aflaton Castanheira Maluf: no ser efi-caz nem vlido, por exemplo, o registro de casamento de quem j era casado; ser igualmente invlido e ineficaz o registro do imvel celebrado mediante instrumento particular, quando o ttulo deveria ser uma escritura pblica. Tambm podem ocorrer situ-aes onde o ttulo ou documentos precedentes estejam corretos e o registro ineficaz ou incorreto. O registro no supre vcios (princpio da no sanao). Quando necessrio deve ser corrigido ou at anulado (LRP 109, 110, 213, 214 etc.) (...) No eficaz/eficiente o tabelio que demora uma semana para elaborar uma escritura que normalmente levaria um dia, ou que solicita documentos insuficientes ou imprprios para a prtica do ato; ser igualmente ineficaz ou ineficiente um registrador de imveis que apresenta vrias e sucessivas notas de devoluo quando na verdade deveria ser apresentada apenas uma con-tendo todas as exigncias necessrias ao registro. (Op. cit. p. 33).

    Os atributos da publicidade, autenticidade, segurana e eficcia, nas palavras de Marcelo Rodri-gues, apontam o norte, distinguem os fins e pem em relevo os objetivos de toda legislao concer-nente aos Registros Pblicos (Tratado de Registros Pblicos e Direito Notarial. 2 ed, So Paulo: Atlas, 2016, p. 10).

    Vale transcrever os ensinamentos do autor: den-tre os mais importantes atos jurdicos, h os que, por sua natureza e atributos, repercutem no s entre as partes que os praticam, expandindo os seus efeitos,

    reflexos ou diretos, nas rbitas do Estado e de tercei-ros de boa-f, o que, por si s, justifica a existncia de um bom sistema de publicidade registral, seguro e confivel, estruturado em princpios e regras, que justifique a confiana nele depositada pela popula-o. Com efeito, com o crescimento populacional, a revoluo industrial e o incremento dos negcios verificados a partir do sculo XIX, fez-se necessria a construo de um eficiente sistema de publici-dade capaz de despertar a confiana da populao, inspirada por um fato externo, de natureza pblica, erigido por um rigoroso mecanismo de controle e de remisses recprocas, ao qual a lei atribui a mais robusta fora probante. Desde ento ficou claro que a possibilidade do conhecimento dos efeitos de um ato jurdico que se desenvolvia no estreito crculo de indivduos e, como tal, dele podiam dispor facil-mente, ficou definitivamente sepultada pela roda dos tempos. Na atualidade, essa necessidade se v ainda mais presente com o fenmeno da globalizao, da informatizao, digitalizao e da manifestao dos contratos e negcios jurdicos. Diferentemente do que se d no mbito do processo judicial, em que a sentena do juiz produz efeitos to somente entre as partes, no beneficiando, nem prejudicando, tercei-ros (art. 472, CPC), para determinados atos a lei no se contenta com a simples declarao de vontade, ainda que eventualmente a forma solene e especial seja de sua substncia. (Op. cit., p. 10-11).

    Importante ressaltar que os atributos da publici-dade, autenticidade, segurana e eficcia so aplica-dos a todos os atos aos quais a lei determina a obri-gao do registro, sejam eles pblicos ou privados, judiciais ou extrajudiciais.

    6. EFEITOSPrevalece na doutrina que os registros possuem

    os seguintes efeitos:

    a) constitutivos, significa que sem o registro, o direito no se constitui. Exemplos: emancipa-o, aquisio de propriedade imvel;

    b) comprobatrios: o registro prova a existn-cia e a veracidade do ato. Exemplo: registro de nascimento, registro de bito;

    c) publicitrios: o ato registrado acessvel a todos, salvo algumas excees. O art. 17 da Lei 6.015/1973 estabelece que qualquer pessoa, a qualquer tempo pode requerer certido do registro sem informar ao oficial ou ao funcio-nrio o motivo ou interesse do pedido. Exem-plo: interdio.

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  • Dicas 101

    LEGISLAO CORRELATARecomendamos a leitura dos seguintes diplomas

    normativos tendo em vista sua relevncia terica e pr-tica na atividade notarial e registral. Ademais, trata-se de legislao frequentemente abordada nos concursos de Outorgas de Delegaes de Notas e de Registro.

    de Viena sobre Relaes Consulares).

    Pblicos)

    a lavratura de escrituras pblicas e d outras providncias).

    1985, que dispe sobre os requisitos para a lavratura de escrituras pblicas, e d outras providncias).

    Constituio Federal, dispondo sobre servios notariais e de registros).

    Constituio Federal, mediante o estabele-cimento de normas gerais para a fixao de emolumentos relativos aos atos praticados pelos servios notariais e de registro).

    5.869, de 11 de janeiro de 1973 Cdigo de Processo Civil, possibilitando a realizao de inventrio, partilha, separao consensual e divrcio consensual por via administrativa).

    notariais e de registro civil do servio consular brasileiro e da dispensa de legalizao no Bra-sil das assinaturas e atos emanados das autori-dades consulares brasileiras)

    Justia CNJ (Disciplina a contratao, por delegados extrajudiciais, de cnjuge, compa-nheiro e parente, na linha reta e na colateral, at terceiro grau, de magistrado incumbido da corregedoria do respectivo servio de notas ou de registro).

    Justia CNJ (Aprova o Regimento Interno do Conselho Nacional de Justia e d outras pro-vidncias).

    Justia CNJ (Declara a vacncia dos servios notariais e de registro ocupados em desacordo com as normas constitucionais pertinentes matria, estabelecendo regras para a preser-vao da ampla defesa dos interessados, para o perodo de transio e para a organizao das vagas do servio de notas e registro que sero submetidas a concurso pblico).

    de Justia CNJ (Dispe sobre os concursos pblicos de provas e ttulos, para a outorga das Delegaes de Notas e de Registro, e minuta de edital).

    Justia CNJ (Altera dispositivos da Resoluo n 81, de 9 de junho de 2009, que dispe sobre os concursos pblicos de provas e ttulos, para a outorga das Delegaes de Notas e de Regis-tro, e minuta de edital).

    Justia CNJ (Dispe sobre a instituio e fun-cionamento da Central Notarial de Servios Eletrnicos Compartilhados CENSEC).

    Justia CNJ (Dispe sobre a alimentao dos dados no sistema Justia Aberta).

    Justia CNJ (Dispe sobre a regulamenta-o do uso do Malote Digital pelas serventias extrajudiciais de notas e de registro).

    Justia CNJ (Modifica o inciso I do artigo 16, do Provimento n 18, de 28 de agosto de 2012, dispe sobre a instituio e funcionamento da Central Notarial de Servios Eletrnicos Com-partilhados CENSEC).

    de Justia CNJ (Revoga o Provimento 34 de 09/07/2013 e a Orientao 6 de 25/11/2013 e consolida as normas relativas manuteno e escriturao dos livros Dirio Auxiliar, Visitas e Correies e Controle de Depsito Prvio pelos titulares de delegaes e responsveis interinos do servio extrajudicial de notas e registros pblicos, e d outras providncias).

    Justia CNJ (Dispe sobre a conservao de documentos nos cartrios extrajudiciais)

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