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  • NDICE 27.11.2016ABRE ASPAS O msico francs DidierSustrac celebra o amor pela Bahia

    06

    CHRISTIAN COLOMB /DIVULGAO

    CAPA Aos 80 anos, o poeta Fernando daRocha Peres planeja novo livro para 2017

    16XANDO PEREIRA / AG. A TARDE

    VERO Um passeio rpido s ilhas levaos baianos para longe do caos urbano

    24

    LCIO TVORA / AG. A TARDE

    11 ATALHOClima de bistr e pratossaudveis so o atrativodo Chef Natural Club,de Jussara Beaureau

    14 URBANOA beleza do Forte de SoMarcelo, que teve aprimeira etapa entregueeste ms pelo Iphan

    27 BIOA dupla jornada domdico, dramaturgoe roteirista de TVVictor Hugo Valois

    29 VINHOSEnto Natal e osacessrios surgemcomo excelentealternativa de presente

    EDITORIAL

    Da poesia, j disseram os poetas, inutilidade, inutenslio, traste.

    Mas eis que seguimos relendo o chamado cnone ou descobrindo que

    o verso medido ou livre ainda faz sentido na contemporaneidade.

    Nesta edio, Muito reverencia mais um de seus mestres, o baiano Fer-

    nando da Rocha Peres, que hoje completa 80 anos. Trata-se de um dos

    articuladores fundamentaisdacenaculturalbaianadosanos50.Esteve

    na organizao das lendrias jogralescas ao lado de Glauber Rocha e Paulo Gil Soares,

    entre outros , da criao da Iemanj Filmes, da editora Macunama e da revista literria

    Mapa, uma das mais importantes, apesar da curta tiragem. Tambm destacou-se como

    pesquisadordavidaeobradeGregriodeMattosGuerraeassumiufunes importantes

    na gesto cultural da cidade. Ainda nesta edio, a jornalista Daniela Paiva entrevista o

    francs Didier Sustrac, parceiro de Chico Buarque, escritor e pesquisador apaixonado da

    msica da Bahia. Boa leitura Ktia Borges, editora-coordenadora

    O poeta Fernando daRocha Peres nos jardinsdo prdio onde mora, emfoto de Xando Pereira

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  • 6 SALVADOR DOMINGO 27/11/2016

    ABRE ASPAS DIDIER SUSTRAC MSICO E PESQUISADOR

    O mundointeiro vivehoje uma criseda palavraTexto DANIELA PAIVA danielagoncalvesoliveira@gmail.com

    Cantor, compositor, escritor e pesquisador, o francs Didier Sustrac, 56, pretende

    redescobrir o Brasil, idealizado atravs do olhar estrangeiro, e revisitar a Bahia cls-

    sica em seu novo trabalho. Conhecido como uma espcie de embaixador da bos-

    sa-nova na Frana, Didier segue os passos do conterrneo Pierre Barouh, ao con-

    solidara ligaoanmicaentreasculturasmusicais francesaebrasileira.FoiBarouh,

    vale lembrar, o responsvel por abrir as portas para Baden Powell em Paris. Um

    intercmbio que comeou a ser desenhado com Dans Mon le, msica de Henri Sal-

    vador, cone da bossa-nova francesa. Previsto para ser lanado no primeiro trimes-

    tre de 2017, o lbum Ostende Bossa alavanca tambm a estreia de Didier no gnero

    romance adulto, com Je Hais Les DJ (Eu Odeio DJ), reflexo ficcional sobre seu pro-

    cesso criativo, com observaes sobre o mercado fonogrfico e que chega s lojas

    junto com o disco. Em sua carreira, no podem ser esquecidas as canes feitas com

    ChicoBuarqueeClaudeNougaro,duos inditoscompostosporDidier:asertquoi

    (Dequeservetudoisso?)eCogne(Soco).Nestaentrevista,exclusivaparaMuito,ele

    fala sobre afrossambas, bossa-nova, poltica e sobre a relao prxima com Chico,

    com quem retomar a parceria no filme de animao Graine lenfante de la lune,

    uma produo conjunta da Frana, do Canad e do Brasil. Por aqui, a animao em

    fase de captao de recursos est sob os cuidados da Conspirao Filmes.

    Em 2017, o senhor vai lanar o CD Osten-

    deBossaecompletaduasdcadasdecon-

    tato com a Bahia. apenas coincidncia a

    verso mpar de Samba da bno, com

    parceiros to emblemticos como Pierre

    Barouh e Philippe Baden Powell?

    Confesso que no pensei em todas

    as datas e em tudo isso. Apenas se-

    gui a minha inspirao. Se pudesse

    dar um discurso ao divino, diria que

    uma sincronicidade incgnita.

    Ostende a maior cidade litornea da

    costa belga banhada pelo Mar do Norte,

    no? Por que Ostende Bossa?

    Ostende , sobretudo, uma praia,

    uma cidade quase no fim do mundo,

    um lugar onde posso parar e ter as

    reflexes que um homem costuma

    ter aos 50 anos.

    O que ficou de memria da Bahia?

    Conheci Salvador depois que conhe-

    ci o resto do Brasil. A primeira vez,

    viajei pela Amaznia, Belm, Recife,

    morei no Rio... S fui a Salvador

    quinze anos depois e foi um choque.

    A fora dos negros, que se encontra

    espalhada por todo o pas, s se sen-

    te quando se est em Salvador.

    Samba da bno um clssico da dupla

    ViniciusdeMoraes/BadenPowell.Como

    essa cano entrou em sua vida?

    Eu era bem jovem, tinha s uma fita

    cassete. De um lado, todas as msi-

    cas de Um homem, uma mulher, do

    Claude Lelouch [cineasta francs]. E

    havia essa cano, numa verso de

    Pierre Barouh. Foi um choque emo-

    cional. Barouh dizia sou o francs

    mais brasileiro da Frana. Para

    mim, isso era poesia. Eu me pergun-

    tava o que ser ser brasileiro?.

  • 8 SALVADOR DOMINGO 27/11/2016

    Barouh ajudou Baden, quando ele che-

    gouaParis,efezaversofrancesanoBra-

    sil com ele e Vinicius. Claude Lelouch mu-

    dou o roteiro para inserir a cano...

    Barouh me contou essa histria mui-

    tas vezes. Quando voltou do Rio, ele

    levou consigo a adaptao da can-

    o gravada. Lelouch foi buscar ele

    emOrly[aeroportodeParis].Notra-

    jeto,psafita.Lelouchseapaixonou

    e mudou o roteiro.

    O filme completa meio sculo este ano e

    ganhou at uma verso restaurada.

    Vai ficar para sempre. Faz parte da

    pedra de construo do cinema fran-

    cs. como uma estrela no cu.

    O selo Saravah, criado por Barouh, tam-

    bm est comemorando 50 anos, no?

    Sim. E houve uma celebrao aqui,

    no teatro Trianon, no ltimo dia 20.

    Barouh no foi apenas embaixador

    da msica brasileira na Frana, ele

    foi, sobretudo, um nmade.

    Essa msica e sua verso, e os afrossam-

    bas, assim como as msicas de Caymmi,

    ajudaram a criar no cenrio internacional

    certa imagem da Bahia, no?

    H um aspecto tropical da cultura

    mestia, que a liberdade de apro-

    veitar a vida, e esse sonho pegou

    Hollywood. Mas ningum profeta

    emseupas.OBrasilnotinhamuita

    confiana em si, estava lutando com

    seus demnios. A bossa-nova teve

    que ir para fora para voltar maior,

    como se o Brasil precisasse do olhar

    do mundo para ter confiana.

    Nesse sentido, Samba da bno quase

    uma mitologia sobre a Bahia...

    . Porque foi, provavelmente, a pri-

    meira msica que falou de o Brasil

    ser branco e negro. Foi o primeiro

    afrossamba, entende? Quando as

    canes brasileiras chegaram

    Amrica, havia uma sociedade bem

    quadrada. Por isso, tocou to forte.

    O mesmo ocorreu na Frana. O su-

    cesso dos afrossambas aconteceu

    por causa de Baden. Ele veio primei-

    ro com a verso do cantor Claude

    Nougaro de Berimbau (Bidonville).

    De algum modo, as culturas brasileira e

    francesa se interpenetram?

    H tantas semelhanas! Lcio Costa,

    que arquitetou Braslia, disse ter si-

    do fortemente influenciado pelo ur-

    banismo francs do sculo 18. Bra-

    slia uma inveno brasileira, mas

    tem parentesco intelectual francs.

    Chico Buarque, seu parceiro em a sert

    quoi, acompanhou a ex-presidente Dil-

    ma em sua defesa contra o impeach-

    ment. O que achou dessa atitude?

    Chico, assim como Caetano e Gil, j

    era envolvido politicamente como

    artista. Ento, para mim, no foi

    uma surpresa. A diferena que, an-

    tes, todos estariam ao lado dele.

    Agora, h um mal-estar geral, no

    s no Brasil, no mundo inteiro. Pai-

    ra uma dvida sobre as palavras dos

    artistas, dos intelectuais, dos polti-

    cos. H uma crise da palavra.

    Vocs tm planos de novas parcerias?

    Sim. Escrevi um filme de animao,

    um musical. Parte da produo

    brasileira, com a Conspirao Fil-

    mes. Convidei o Chico para fazer a

    adaptao das canes.

    No Brasil, vivemos sob o fantasma das re-

    formas trabalhistas. Como avalia a situa-

    o poltica hoje na Frana?

    Estamos sob o jugo do establish-

    ment europeu. Mas penso que esta

    seja uma crise global e que o setor

    da indstria da msica foi atingido

    antes de todos. A eleio de Trump

    nos Estados Unidos , em parte, re-

    sultado dessa crise. Na Europa, no

    h uma reflexo sobre o lugar do ho-

    mem na economia, e vamos cami-

    nhar direto para votar em Le Pen

    [Marine, filha de Jean-Marie Le Pen,

    fundador do partido de extrema-di-

    reita Frente Nacional e candidata s

    eleies em 2017]. O que novo ho-

    je que mesmo a polcia est fazen-

    do manifestaes na rua. Ningum

    encontra o seu lugar na sociedade.

    Um diferencial em sua carreira o fato de

    ser tambm escritor. Como nasceu o seu

    novo roma

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