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    1.0 INTRODUO

    O chumbo (Pb) um elemento de ocorrncia natural, encontrado em

    depsitos minerais de onde so extrados de 3 a 10%. um metal pesado de cor

    cinza azulada, com nmero atmico igual a 82, sua massa atmica relativa igual a

    207,2 unidades de massa atmica e densidade igual a 11340 Kg/m. A 327,4 C

    encontra-se seu ponto de fuso, e a 1749 C seu ponto de ebulio. A maior parte

    do chumbo utilizado pelas indstrias extrada do minrio, considerada uma fonte

    "primria", ou pela reciclagem de fragmentos de metais ou baterias, sendo ento de

    fonte "secundria". (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    Por meio da contaminao ambiental ou por exposio ocupacional, o

    chumbo pode estar presente no organismo em variados nveis, sendo a exposio

    ocupacional a principal forma de absoro excessiva do chumbo em adultos. Apesar

    de que, em pases desenvolvidos o nmero de casos de envenenamento por

    chumbo tenha diminudo, devido s medidas preventivas, as consequncias da

    exposio prolongada em trabalhadores assintomticos ainda no so totalmente

    conhecidas. (JACOB; ALVARENGA; MORATA, 2002).

    O Pb um elemento estranho ao metabolismo humano, considerado uma

    neurotoxina, que a partir de uma concentrao limiar, sua presena em diversos

    tecidos interfere em inmeras passagens metablicas, causando ento os sinais e

    sintomas da intoxicao pelo chumbo ou saturnismo. (CORDEIRO; LIMA FILHO,

    1995).

    Os efeitos nocivos do chumbo podem ser observados em diferentes rgos e

    sistemas do organismo humano, por no ser metabolizado esse elemento

    diretamente absorvido, distribudo e excretado, complexado em macromolculas.

    Uma vez absorvido o chumbo e distribudo entre o sangue, tecidos moles, como os

    rins, medula ssea, fgado e crebro, e os tecidos mineralizados, que so os ossos e

    dentes. (MOREIRA; NEVES, 2008).

    A reteno do chumbo nos ossos e na aorta acontece por toda vida, j nos

    tecidos moles tendem a estabilizar na vida adulta e decrescer em rgos com o

    avano da idade. Os tempos de meia vida deste metal so estimados em; 36 dias

    para o sangue, 40 dias para os tecidos moles e 27 anos para os ossos. O chumbo

    pode ser excretado por diversas rotas, porm s a excreo renal e gastrointestinal

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    tem importncia prtica, sendo que a idade, caractersticas da exposio e

    dependente da espcie afetam a quantidade excretada. (MOREIRA; NEVES, 2008).

    Os efeitos txicos do chumbo geram desde efeitos claros, ou clnicos, at

    efeitos sutis, ou bioqumicos, envolvendo vrios sistemas de rgos e atividades

    bioqumicas. Os efeitos crticos nas crianas atingem o sistema nervoso, e nos

    adultos com exposio ocupacional excessiva, ou mesmo acidental, os cuidados so

    com a neuropatia perifrica e nefropatia crnica. Em algumas situaes raras

    podem-se observar efeitos sobre a sntese da heme, e os sistemas gastrointestinal e

    reprodutivo tambm so alvo da toxicidade do chumbo. (MOREIRA, Ftima;

    MOREIRA, Josino, 2004).

    Os limites de tolerncia biolgica descritas para a intoxicao ocupacional no

    Brasil de acordo com a legislao NR-7 o valor de referncia da normalidade de 40

    g/dL para o chumbo no sangue e o ndice Mximo Biolgico Permitido (IMBP) de

    60 g/dL. Quando esse valor ultrapassado indica exposio excessiva do

    trabalhador ao metal e possvel risco a sade. (MINOZZO et al., 2009).

    Estudos mostram que para a intoxicao ambiental o nvel de Pb no sangue

    causam prejuzos sade em nveis igual ou at menor que 10 g/dl. E o valor de

    referncia da normalidade para chumbo urinrio de at 50,0 Mg/g creatinina,

    IMBP: 100,0 Mg/g creatinina (NR-7, 1994, MT/Br). Os limites de tolerncia biolgica

    para intoxicao ocupacional so apresentados no Quadro 01.

    Quadro 01 Limites de tolerncia biolgica para intoxicao por chumbo

    Amostra biolgica Valor de referncia da normalidade

    ndice Mximo Biolgico Permitido (IMBP)

    Sangue 40 g/dL 60 g/dL

    Urina 50 MCG/G creatinina 100 MCG/G creatinina Fonte: ELABORADA PELA AUTORA.

    Os indicadores de dose interna, como o chumbo no sangue total, plasma e

    urina so muito utilizados mais todos tem algum tipo de limitao, por isso a

    concentrao de chumbo no sangue total (Pb-S) ainda aceito como indicador de

    exposio total, embora indique uma exposio ambiental recente. J a

    concentrao de chumbo na urina (Pb-U) reflete exposio atual, sendo assim, tem

    sido aplicada tambm como teste de exposio na sade ocupacional. A urina um

    indicador de exposio potencialmente til, porm a relao que existe entre o

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    chumbo no sangue e na urina, no totalmente compreendida. (MOREIRA; NEVES,

    2008). Os indicadores de exposio so apresentados no Quadro 02.

    Quadro 02 Indicadores de exposio ao chumbo

    Amostra biolgica Indicador

    Concentrao de chumbo no sangue total (Pb-S)

    Exposio total

    Concentrao de chumbo na urina (Pb-U)

    Exposio atual

    Fonte: ELABORADA PELA AUTORA.

    Portanto o objetivo deste estudo verificar os nveis de chumbo no sangue e

    na urina dos pacientes dos grupos de diabticos e hipertensos cadastrados nos ESF

    dos bairros Amoreiras e Aeroporto, visando contribuir para o entendimento, o

    controle e a preveno da exposio ao chumbo e intoxicao por ele.

    Os estudos realizados para a avaliao da exposio ambiental biolgica

    sero executados com os pacientes do bairro Amoreiras (prximo a uma

    mineradora), e os pacientes do bairro Aeroporto sendo este o controle (mais distante

    da mineradora) considerando que a maior parte do chumbo utilizado pelas indstrias

    extrada do minrio, sendo avaliado como uma fonte primria, onde a populao

    esta sujeita a intoxicao ambiental atravs da disseminao deste metal pela

    poeira, dejetos liberados no solo e rios, dentre outros.

    1.1 Justificativa

    O chumbo (Pb) um elemento txico de ocorrncia natural na crosta

    terrestre, sem nenhuma funo fisiolgica no organismo humano, est associado a

    diversas doenas e seu efeito nocivo atinge praticamente todos os rgos e

    sistemas do corpo, sendo assim de imensa importncia que haja uma monitorao

    humana exposta a esse metal. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    O Pb no metabolizado pelo organismo humano, e sim complexado por

    macromolculas, sendo ento diretamente absorvido, distribudo e excretado.

    Quando absorvido se distribui entre o sangue, tecidos moles, como os rins, medula

    ssea, fgado e crebro, e os tecidos mineralizados, que so os ossos e dentes. E

    de acordo com os efeitos biolgicos o chumbo interfere no funcionamento normal da

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    clula e em inmeros processos fisiolgicos, no adulto, esses efeitos refletem

    principalmente em neuropatia perifrica e nefropatia crnica. (MOREIRA; NEVES,

    2008).

    O diagnstico clnico da intoxicao por chumbo deve levar em considerao

    tambm os rgos-alvos determinando assim os sinais e sintomas mais

    caractersticos. A confirmao definitiva do diagnstico se d pela dosagem de

    algum parmetro de dose interna, podendo ento ser empregado a dosagem de

    chumbo no do sangue (plumbemia) e na urina (plumbria). (CAPITANI, 2009).

    Contudo de imensa importncia apontar os efeitos nocivos da intoxicao

    por chumbo, sendo que a monitorao essencial populao exposta, uma vez

    que estes esto submetidos a riscos elevados, pois apesar da mineradora no

    extrair exclusivamente o chumbo, para a extrao do ouro necessrio que haja a

    exploso das rochas para conseguir partculas menores e proceder com a retirada

    do ouro, assim a poeira liberada por essas exploses levada pelas correntes de ar

    para cidade que esta situada prxima, e como o chumbo esta compactado as rochas

    acabam presente na poeira na forma particulada e a populao ento se torna

    exposta ambientalmente.

    1.2 Objetivos

    1.2.1Objetivo Geral

    O principal objetivo deste trabalho consiste em determinar os nveis de

    chumbo no sangue total (Pb-S) e chumbo urinrio (Pb-U) em amostras dos

    pacientes dos grupos de diabticos e hipertensos cadastrados nos ESFs dos bairros

    Amoreira e Aeroporto de Paracatu/Minas Gerais. Realizado no ms de Novembro de

    2015.

    1.2.2 Objetivos especficos

    Avaliar atravs do mtodo de Espectrofotometria de absoro atmica

    os nveis de Pb-S e Pb-U.

    Aplicar questionrio, a fim de relacionar os sinas e sintomas para o

    diagnstico definitivo.

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    Elaborao de tabelas para organizar as informaes obtidas atravs

    da entrevista estruturada aplicada, separando por cdigo, bairro, sinais

    e sintomas especficos e diagnstico de cada individuo.

    Evidenciar os riscos da populao exposta, e destacar a importncia da

    monitorao, correlacionando os dados obtidos na pesquisa com a

    literatura.

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    2.0 REFERENCIAL TERICO

    2.1 Metal

    O chumbo (Pb) um metal toxico e no-essencial ao organismo humano, de

    ocorrncia natural, encontrado com relativa abundncia na crosta terrestre.

    encontrado na natureza em estado livre, bem como em composio com vrios

    outros elementos. Seu numero atmico igual a 82, e peso atmico igual a 207,21,

    apresenta ponto de fuso igual a 327o C, e ebulio 1740 oC. (CORDEIRO; LIMA-

    FILHO, 1995).

    Quando interage com outros elementos d origem a compostos como sulfato

    de chumbo, cromato de chumbo, arsenato de chumbo, dixido de chumbo, brometo

    de chumbo, chumbo-tetraetila, chumbo-tetrametila, litargrio (PbO), zarco (Pb3O4),

    alvaiade [PbCO3.Pb(OH)2]. E encontram-se dispersos na atmosfera em forma slida

    e em forma gasosa. (CORDEIRO; LIMA-FILHO, 1995).

    O chumbo um metal bastante utilizado pelas indstrias devido suas

    caractersticas fsicas qumica tm uma densidade elevada, maleabilidade,

    altamente dieltrico, resistncia a radiaes ionizantes e formao de ligas com

    outros metais. (CAPITANI; et al., 2009).

    As principais fontes de contaminao por compostos a base de chumbo, por

    meio ocupacionais e no ocupacionais de contaminao individual so, fontes

    ocupacionais ou industriais; fundies primarias e secundarias, produo de ligas,

    fabricao e recuperao de baterias, esmaltao de cermicas, fabricao de PVC

    e outros plsticos, indstria de borracha, fabricao de cabos eltricos, operao de

    corte e solda de peas e chapas metlicas contendo chumbo, Jateamento de areia

    de estruturas metlicas pintadas com tintas com chumbo, solda eletrnica e

    produo de compostos orgnicos de chumbo. (CAPITANI; et al., 2009).

    Nas fontes no ocupacionais ou no industriais destacam-se; bebidas

    alcolicas, uso de cristais finos e porcelana esmaltada, utenslios de PVC,

    fabricao caseira de chumbadas de pesca e cartuchos, tinturas de cabelo, prtica

    de tiro ao alvo, cermica artstica caseira, projtil de arma de fogo alojado em

    articulaes ou canal medular, alimentos industrializados, tintas em brinquedos,

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    medicina chinesa e indiana so as principais fontes. (CAPITANI; et al., 2009). A

    imagem a seguir mostra o chumbo na sua forma solida, (Figura 01).

    Figura 01- Chumbo

    Fonte: TABELAPERIODICACOMPLETA.COM .

    2.2 Vias de contaminao

    Atualmente, as maiores fontes ambientais de chumbo e seus sais, que

    contribuem para a ingesto diria, so ar, poeira, alimentos, bebidas e tinta, entre

    outros. A maior parte do chumbo entra no organismo humano pelas vias respiratria

    (inalao) e gastrointestinal (ingesto). Causando os mesmos efeitos bioqumicos

    seja qual for via de contaminao. Os compostos orgnicos de chumbo so

    capazes de penetrar atravs da pele ntegra, por exemplo, os compostos de chumbo

    tetra alquila, so absorvidos rapidamente pelos pulmes, trato gastrointestinal e

    tambm pela pele. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    2.3 Metabolismo

    O metal no metabolizado e sim complexado em macromolculas, sendo

    diretamente absorvido, distribudo e excretado. Sua absoro influenciada pela

    rota de exposio, espcie qumica formada, tamanho da partcula, solubilidade em

    gua e variaes individuais fisiolgicas e patolgicas. A absoro do chumbo no

    sangue pode ser superior a 50% da dose inalada/ingerida para gases de exausto e

    sais altamente solveis, e no trato gastrointestinal varia de 2% a 16% se ingerido

    http://tabelaperiodicacompleta.com/

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    com refeio, mas pode chegar a 60-80%, quando administrado em jejum.

    (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    Para ser distribudo pelo organismo o chumbo depende da taxa de

    transferncia da corrente sangunea para os diferentes rgos e tecidos. Quando

    absorvido se distribui entre o sangue, os tecidos moles (rins, medula ssea, fgado e

    crebro) e os tecidos mineralizados (ossos e dentes). Os tempos de meia-vida do

    metal so estimados em 36 dias para o sangue, 40 dias para os tecidos moles e 27

    anos para os ossos. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004. MOREIRA;

    NEVES, 2008).

    O chumbo excretado por vrias rotas, porm s a excreo renal e a

    gastrointestinal so de importncia prtica, sendo que a idade, caractersticas da

    exposio e dependente da espcie afeta diretamente a quantidade excretada. Alm

    de o chumbo absorvido ser excretado principalmente pela urina (75-80%) e cerca de

    15% pelas fezes, atravs da blis e secreo do trato gastrointestinal, outras

    possveis rotas de eliminao so suor, descamao cutnea, cabelo e unhas (<

    8%). (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004. MOREIRA; NEVES, 2008).

    2.4 Efeitos biolgicos

    Qualquer que seja a rota de entrada os efeitos biolgicos do chumbo so os

    mesmos, interferindo no funcionamento normal da clula e em inmeros processos

    fisiolgicos. Os primeiros efeitos adversos so observados nos rgos crticos na

    exposio ao chumbo, o sistema nervoso, medula ssea e rins, e os efeitos txicos

    crticos so os distrbios na funo do sistema nervoso (SN) e os desvios na sntese

    do heme, apesar dos ossos serem os maiores depsitos de chumbo, porm estudos

    que relacionaram o chumbo e a doenas nos ossos no puderam confirmar a

    existncia de uma associao. (NEVES; MENDONA JUNIOR; MOREIRA, 2009.

    MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    Os efeitos bioqumicos mais importantes observados na exposio ambiental

    ao chumbo so; o aumento da eliminao urinria do cido d-aminolevulnico,

    aumento da protoporfirina IX livre nos eritrcitos e diminuio da atividade

    enzimtica da desidratase do cido d- aminolevulnico (d-ALAD). (FERNICOLA;

    AZEVEDO, 1981).

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    O chumbo interfere nos processos biolgicos normais, pois, os mecanismos

    de toxicidade envolvem processos bioqumicos fundamentais, como a habilidade do

    chumbo de inibir ou imitar a ao do clcio e de interagir com protenas. A toxicidade

    deste metal no organismo resulta principalmente na interferncia das membranas

    celulares e enzimas, formando complexos estveis com ligantes contendo enxofre,

    fsforo, nitrognio ou oxignio que funcionam como doadores de eltrons. O

    chumbo tambm tem alta afinidade com as aminas e aminocido simples. Contudo,

    as ligaes dos ons Pb com o material bioqumico so fortes, porm inespecficas.

    (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    Dentro dos efeitos biolgicos destacam-se os efeitos neurolgicos,

    hematolgicos, endocrinolgicos, renais, sobre o crescimento, sobre a reproduo e

    desenvolvimento, cardiovasculares, carcinognicos, gastrointestinais e hepticos.

    (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004. MINOZZO; et al., 2009).

    2.4.1 Efeitos neurolgicos

    A encefalopatia causada pelo chumbo ocorre nas formas aguda e crnica. O

    curso clnico da encefalopatia aguda pelo chumbo varia, dependendo da idade e da

    condio geral do paciente, da quantidade absorvida, do tempo de exposio e de

    certos fatores concomitantes, como o alcoolismo crnico, a encefalopatia aguda se

    desenvolve somente aps doses macias. A encefalopatia crnica pode resultar de

    uma exposio prolongada ao chumbo ou pode ser um estado residual aps a

    encefalopatia aguda originada por esse metal. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA,

    Josino, 2004. JACOB; ALVARENGA; MORATA. 2002).

    2.4.2 Efeitos gastrointestinais

    Os Indivduos com exposio aguda a nveis elevados e sujeitos expostos

    ocupacionalmente demonstram como efeito inicial no quadro de intoxicao por

    chumbo a clica, que tambm um sintoma de envenenamento por chumbo em

    crianas. Esses sintomas ocorrem quando a exposio original por inalao, e em

    crianas quando a exposio pela via oral. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino,

    2004).

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    2.4.3 Efeitos hematolgicos

    A anemia no envenenamento por chumbo no est necessariamente

    associada com deficincia de ferro. Geralmente, de leve a moderada em adultos e,

    algumas vezes, severa em crianas. A ao txica do chumbo sobre as clulas

    vermelhas e eritropoiticas na medula ssea levam a anemia. Os efeitos desses

    desvios hematolgicos incluem inibio da sntese da hemoglobina (Hb) e

    diminuio do tempo de vida dos eritrcitos circulantes, resultando na estimulao

    da eritropoese. Contudo, a anemia no uma manifestao precoce, sendo rara,

    evidente quando o nvel de Pb-S significativamente elevado por perodos

    prolongados. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004. MINOZZO; et al., 2009).

    2.4.4 Efeitos endocrinolgicos

    Estudos mostram que o chumbo parece interferir na converso da vitamina D

    em 1,25-dihidroxivitamina D. E diversos estudos concluram ainda que a

    interferncia do chumbo na sntese da heme pode ser a base para os efeitos sobre o

    metabolismo da vitamina D. Alm disso, aparentemente, as alteraes iniciais

    causadas pelo chumbo sobre o metabolismo renal da vitamina D so semelhantes

    quelas causadas pela acumulao da protoporfirina eritrocitria. (MOREIRA,

    Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    Como o conjunto vitamina D-glndulas endcrinas , em grande parte,

    responsvel pela manuteno da homeostase do clcio extra e intra-celular, a

    interferncia do chumbo na produo renal de 1,25- dihidroxivitamina D ter um

    impacto sobre processos fundamentais por todo o corpo. A exposio ao chumbo

    pode causar ainda prejuzos endcrinos aos eixos hipotlamo-pituitria-

    tireide/supra-renal. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    2.4.5 Efeitos renais

    Os efeitos txicos do chumbo sobre os rins ocorrem na presena de nveis

    relativamente altos de Pb-S e se dividem principalmente em disfuno tubular renal

    reversvel e nefropatia intersticial irreversvel. A nefropatia por chumbo

  • 31

    caracterizada por uma reduo gradual da funo renal e frequentemente

    acompanhada por hipertenso. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    2.4.6 Efeitos sobre o crescimento

    A exposio ao chumbo pode reduzir o crescimento fsico e a estatura das

    crianas. Este metal pode afetar o crescimento em estatura e os nveis de

    gonadotropinas. Efeitos reguladores do chumbo sobre os condrcitos em cultura de

    clulas em estudos cientficos sugerem um efeito inibidor sobre o processo de

    formao endocondrial do osso, sendo que a placa de crescimento pode ser um dos

    principais tecidos alvo a serem considerados em termos dos efeitos adversos da

    exposio crnica ao chumbo sobre o desenvolvimento dos ossos. (MOREIRA,

    Ftima; MOREIRA, Josino, 2004. CARVALHO; et al., 2003).

    2.4.7 Efeitos hepticos

    Estudos mostram que os efeitos do chumbo sobre a sntese da heme podem

    reduzir a capacidade funcional do citocromo P-450 do sistema heptico para

    metabolizar drogas. Esses distrbios no citocromo P-450 so mnimos no caso de

    intoxicao crnica pelo chumbo em adultos, mas significativos em crianas com

    envenenamento agudo. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    2.4.8 Efeitos sobre a reproduo e desenvolvimento

    Nveis elevados de exposio ao chumbo causam efeitos adversos e

    significativos sobre a reproduo humana. O chumbo tambm atravessa a barreira

    placentria e pode causar danos ao feto, afetando no somente a viabilidade do

    feto, mas tambm seu desenvolvimento, e as consequncias da exposio pr-natal

    a baixos nveis de chumbo incluem peso reduzido ao nascer e nascimento

    prematuro. Entretanto, os dados encontrados em estudos no permitem estimar que

    nveis de Pb-S causariam danos em mulheres; em homens, essa definio apenas

    especulativa. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004. GONCALVES;

    FORNES. 2011).

  • 32

    2.4.9 Efeitos cardiovasculares

    A presso sangunea frequentemente elevada em pacientes com

    intoxicao aguda por chumbo, particularmente se o paciente tem clica, podendo

    ocorrer tambm hipotonia e danos ao miocrdio, e os efeitos cardiovasculares

    crnicos do chumbo tm sido estudados, mas ainda com resultados divergentes.

    (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    2.4.10 Efeitos carcinognicos

    O chumbo inorgnico e os compostos de chumbo so possivelmente

    carcinognicos para humanos. Em estudos o chumbo considerado como potencial

    carcinognico renal, mas a associao permanece incerta. Estudos recentes

    indicam que o chumbo pode substituir o zinco em vrias protenas que funcionam

    como reguladoras da transcrio, incluindo as protaminas. (MOREIRA, Ftima;

    MOREIRA, Josino, 2004).

    O chumbo tem um envolvimento epigentico na expresso do gene alterado,

    isso porque o chumbo reduz a ligao dessas protenas com os elementos de

    identificao no DNA genmico. Esses eventos tm relevncia nas exposies

    transplacentrias e no cncer. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    2.5 Sinais e Sintomas

    A exposio ao chumbo considerando duraes de curta ou longa durao,

    em alta ou baixa concentrao, afeta principalmente o crebro, promovendo sinais e

    sintomas de encefalopatia mais ou menos acentuada, causando, cefalia, perda de

    memria, perda da concentrao e ateno em tarefas corriqueiras, alteraes de

    humor, com irritabilidade, depresso, insnia ou sonolncia excessiva. (CAPITANI;

    et al., 2009).

    Os sintomas podem progredir ou manifestar-se de forma mais grave logo no

    inicio com alteraes como distrbios de comportamento evidentes (parania,

    delrios e alucinaes), alteraes da marcha e do equilbrio agitao psicomotora.

    Em situaes de exposio a concentraes muito elevadas em curto prazo,

  • 33

    observam-se, alteraes de conscincia como obnubilao, estupor e coma,

    precedidos, em alguns casos, de convulses. (CAPITANI; et al., 2009).

    Todos os sinais e sintomas de encefalopatia so inespecficos, nenhum deles

    de forma isolada, ou mesmo a soma deles, podem ser considerados como

    patognomnicos da intoxicao por chumbo inorgnico. A presena de outros

    sintomas, como clica abdominal, sintomas gerais de fraqueza, fadiga, mialgia

    generalizada (ou mais localizada nas panturilhas), inapetncia, queixas gstricas,

    perda da libido, associados a alteraes em alguns parmetros hematolgicos,

    como diminuio nos nveis de hematcrito e hemoglobina, e presena de

    pontilhado basfilo nas hemcias, corroboram a hiptese diagnstica. (CAPITANI; et

    al., 2009).

    2.6 Diagnstico

    O metal pode ser determinado em sangue, tecidos moles, ossos e dentes,

    atravs de indicadores de dose interna e de efeito, tais como, sangue total, plasma e

    urina, cido delta aminolevulnico na urina (ALA-U), cido delta

    aminolevulnicodesidratase (ALAD), zinco protoporfirina (ZPP) e protoporfirina

    eritrocitria (PE), mais todos possuem alguma limitao, sendo o chumbo no sangue

    total (Pb-S) indicador de exposio total a esse metal, embora indique uma

    exposio ambiental recente, e a concentrao de chumbo na urina (Pb-U) reflete

    exposio atual e tem sido aplicada como teste de exposio na sade

    ocupacional.(MOREIRA; NEVES, 2008. MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino,

    2004).

    No caso de exposio ambiental, o Pb-U no pode ser usado em substituio

    ao Pb-S de acordo com os resultados de estudos realizados com a populao em

    geral. (MOREIRA; NEVES, 2008. MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    Como qualquer outro exame laboratorial bioqumico, a interpretao das

    dosagens sanguneas e urinrias de Pb, e de porfirinas, depende da comparao

    com valores de referncia (VR) obtidos de populaes equivalentes, tidas como

    sadias e no expostas, e de valores limites de tolerncia biolgica, chamados de

    ndices biolgicos de exposio (IBE). (CAPITANI; et al., 2009).

  • 34

    Pela Norma Regulamentadora n 7 (NR-7) os limites de tolerncia biolgica

    proposto para a intoxicao ocupacional pelo metal no Brasil, para o chumbo no

    sangue o valor de referencia da normalidade de 40 g/dL e o ndice Mximo

    Biolgico Permitido (IMBP) de 60 g/dL. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino,

    2004. MINOZZO et al., 2009)

    A concentrao de chumbo no ar estabelecido pela legislao trabalhista

    brasileira o limite de tolerncia de (0,1mg m-3). Para a intoxicao ambiental o nvel

    de Pb no sangue devem ser menores do que 10 g/dL. (MOREIRA, Ftima;

    MOREIRA, Josino, 2004. MINOZZO et al., 2009).E o valor de referncia da

    normalidade para chumbo urinrio de at 50,0 mcg/g creatinina, IMBP: 100,0

    mcg/g creatinina (NR-7, 1994, MT/Br).

    Portanto, estudos recentes mostram que concentraes de chumbo

    sanguneo inferiores a 10 g/dL podem estar associadas com dficits no

    desenvolvimento neuropsicolgico e, concentraes sanguneas inferiores a 5 g/dL,

    podem ser responsveis por dficits cognitivos, retardo no desenvolvimento

    emocional e comportamental, decrscimo nos nveis de QI e dficit de memria.

    (MAZOTO; et al., 2014).

  • 35

    3.0 METODOLOGIA

    3.1 Tipo de estudo

    Foi realizado um estudo quanti-qualitativo, sendo que para essa pesquisa,

    necessrio compreender e classificar os processos dinmicos vividos nos grupos,

    onde este estudo descreve a complexidade de determinado problema e contribuir no

    processo de mudana, e assim possibilitando o entendimento das mais variadas

    particularidades dos indivduos. E tambm ser compreendida como passvel de ser

    medida em escala numrica. (DALFOVO; LANA; SILVEIRA, 2008).

    Foi empregada a quantificao, seja nas modalidades de coleta de

    informaes, ou no tratamento dessas atravs de tcnicas estatsticas, tendo como

    diferencial a inteno de garantira preciso dos trabalhos realizados, dando

    resultados com pouca chance de distoro. Este o modelo de pesquisa onde o

    pesquisador formula hipteses sobre os fenmenos e situaes que quer estudar,

    sendo que uma lista de consequncias ento deduzida das hipteses. (DALFOVO;

    LANA; SILVEIRA, 2008).

    A coleta de dados enfatiza nmeros ou informaes conversveis em nmeros

    que permitam verificar a ocorrncia ou no das consequncias, e ento a aceitao

    ou no das hipteses. Os dados, contudo so analisados com apoio da Estatstica

    numrica, e ento plotados grficos de acordo com os dados obtidos no questionrio

    e os resultados dos exames realizados de acordo com cada individuo. (DALFOVO;

    LANA; SILVEIRA, 2008).

    3.2 Local de estudo

    O estudo foi realizado com os pacientes dos grupos de diabticos e

    hipertensos cadastrados nos ESFs dos bairros Amoreira e Aeroporto de

    Paracatu/Minas Gerais. No perodo de Novembro de 2015.

  • 36

    3.2.1 Caracterizao do municpio

    O Municpio de Paracatu est localizado na regio Noroeste do Estado de

    Minas Gerais, populao estimada 2014, 90.294 habitantes, com uma rea de

    unidade territorial de 8.229.595 Km. Os limites municipais so: ao Norte; Unai-MG,

    ao Sul; Vazante-MG e Guarda-Mor-MG, ao Leste; Joo Pinheiro-MG e Lagoa

    Grande-MG, ao Oeste; Cristalina-GO. Est distante a apenas 220 km de Braslia, a

    Capital Federal, e a 500 km de Belo Horizonte. (IBGE, 2010).

    3.2.2 Caracterizao do local de estudo

    O estudo foi realizado com os pacientes cadastrados no ESFs dos bairros

    Amoreiras que um bairro localizado prximo a uma mineradora, onde sua

    populao esta mais exposta, e Aeroporto localizado mais distante da mineradora

    conferindo o bairro controle, onde a populao deste est menos exposta a

    contaminao ambiental.

    3.3 Delimitao do pblico alvo

    Os critrios de incluso e excluso considerados para realizao deste estudo

    delimitou, os pacientes cadastrados nos ESFs Amoreiras e Aeroporto que participam

    do grupo de diabticos e hipertensos, participando em media 20 pacientes por

    grupo, sendo este o critrio de incluso. Sendo assim o critrio de excluso

    compreende os pacientes que no so cadastrados e que no participam do grupo

    de diabticos, e os que relatarem j terem diagnstico de saturnismo.

    3.4 Anlise estatstica No se aplica.

    3.5 Instrumento utilizado

    Para realizao deste estudo foi aplicado uma entrevista estruturada para

    obteno de dados e correlacion-los os sinais e sintomas especficos da

  • 37

    intoxicao por chumbo, e elaborao de tabelas para organizar as informaes

    obtidas.

    As informaes obtidas na entrevista foram: iniciais ou cdigo; data de

    nascimento; sexo; bairro; renda mensal; quanto tempo mora no bairro; se j realizou

    algum exame para determinao de chumbo, se sim qual resultado; usa algum tipo

    de droga como cigarro ou bebidas alcolicas; se utiliza algum medicamento; se

    sente sintomas como dor abdominal, nuseas, vmitos, anorexia, constipao; se j

    observou palidez cutnea; manifestou alteraes neurolgicas como, agitao

    psicomotora e irritabilidade, convulso e coma; queixa de fadiga, perda de memria,

    alteraes de humor, mialgia generalizada, pirose, parestesias e paresia.

    Aps a obteno de dados a elaborao de tabelas foi separada para homes

    e mulheres, e teve informaes como: iniciais ou cdigo; data de nascimento; bairro;

    sinais e sintomas especficos; e resultados dos exames de Pb-S e Pb-U.

    3.6 Aspectos ticos

    Na resoluo n196/96 verso 2012, incorpora, sob a tica do indivduo e das

    coletividades, os referenciais da biotica, autonomia, no maleficncia, beneficncia,

    justia e equidade, dentre outros, e visa a assegurar os direitos e deveres que dizem

    respeito aos participantes da pesquisa, comunidade cientfica e ao Estado.

    A presente Resoluo adota as seguintes definies: 1 - Achados da

    pesquisa; 2 - Assistncia ao participante da pesquisa; 3 - Benefcios da pesquisa; 4 -

    Benefcio indireto; 5 - Comits de tica em Pesquisa CEP; 6 - Comisso Nacional

    de tica em Pesquisa; 7 - Consentimento livre e esclarecido; 8 - Dano associado ou

    decorrente da pesquisa; 9 - Encerramento do estudo; 10 - Incapacidade civil ou

    legal; 11 Indenizao; 12 - Instituio proponente de pesquisa; 13 - Instituio co-

    participante de pesquisa; 14 - Participante da pesquisa; 15 Patrocinador; 16

    Pesquisa; 17 - Pesquisa em reproduo humana; 18 - Pesquisa envolvendo seres

    humanos; 19 - Pesquisador responsvel; 20 - Protocolo de Pesquisa; 21 - Relatrio

    final; 22 - Relatrio parcial; 23 - Responsvel legal; 24 Ressarcimento; 25 - Risco

    da pesquisa; 26 - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TCLE; 27 - Termo

    de Assentimento; 28 Vulnerabilidade.

  • 38

    E destaca ainda os aspectos ticos da pesquisa envolvendo seres humanos,

    processo de consentimento livre e esclarecido riscos e benefcios, protocolo de

    pesquisa, sistema cep/conep, comit de tica em pesquisa (cep), comisso nacional

    de tica em pesquisa (conep/cns/ms/cns/ms) e operacionalizao. (RESOLUO

    N196/96 verso 2012)

    3.7 Desenvolvimento do estudo

    3.7.1 Entrega do oficio de autorizao e termos de consentimento

    Para realizao deste estudo inicialmente foi entregue um oficio de

    autorizao a SraMaria Aparecida Sicupira, Secretria de Sade de Paracatu.

    (APNDICE A). Aps a aprovao da Secretria de Sade foi enviado um oficio a

    Sra Margareth Flavia Ferreira e a Sra Gilcilene de Oliveira Souza, enfermeiras chefe

    dos ESFs Amoreiras e Aeroporto respectivamente (APNDICE B), (APNDICE C).

    O projeto seguiu as normas estabelecidas pelo comit de tica com pesquisa em

    humanos, a ser submetido para aprovao.

    3.7.2 Palestra aos pacientes

    Aps a autorizao dos termos foi agendado uma palestra explicativa aos

    pacientes em dois dias diferentes para atender os dois bairros, com o intuito de

    esclarecer os objetivos da pesquisa e estabelecer as normas de coleta dos materiais

    biolgicos e orient-los, para que cientes da pesquisa possam livremente escolher

    em participar ou no. Aps a palestra foi entregue aos pacientes que

    disponibilizarem a participar, um termo de consentimento (APNDICE D),

    documento que informa e esclarece o sujeito da pesquisa de maneira que ele possa

    tomar sua deciso de forma justa e sem constrangimentos sobre a sua participao

    no projeto de pesquisa. uma proteo legal e moral do pesquisador e do

    pesquisado.

  • 39

    3.7.3 Normas de coleta

    Para coleta das amostras de urina foram disponibilizados frascos estreis de

    resinas termo plsticas com tampa rosqueada em 80 ml de capacidade, marca: J.

    PROLAB. Antes da coleta da amostra os homens devem lavar as mos, em seguida

    lavar o pnis, retraindo todo o prepcio, enxaguar e secar com toalha limpa. E as

    mulheres no momento da higiene e da coleta, manter os grandes lbios afastados,

    lavar a regio genital de frente para trs, enxaguar e secar usando toalha limpa.

    Coletar preferencialmente a primeira urina da manh, desprezar primeiro jato

    da urina, sem interromper a mico, e recolher o ato mdio, evitando encher o

    frasco at a tampa, desprezar tambm o jato final. Coletar e encaminhar o mais

    rpido possvel ao ESF referente ao bairro de cada paciente, onde foram reunidas,

    armazenadas corretamente e enviadas para o laboratrio em um dia previamente

    agendado.

    Para a coleta das amostras de sangue, a pele deve ser limpa antes da coleta,

    o paciente deve ficar sentado cerca de 15 minutos antes da puno venosa, o

    torniquete deve ser utilizado em menos tempo possvel, e no deve ser realizado

    exerccios fsicos antes da coleta.

    As coletas de sangue foram feitas com tubo vacutainer Heparina sdica

    Verde, tamanho: 9 ml, marca: VACUETTE,para obteno de sangue total.Adaptador

    de agulha modelo: Labor Impor, e agulha 25x0,8mm 21G Verde, marca:

    VACUETTE. Ao final da coleta as amostras foram armazenadas corretamente e

    enviadas o mais rpido possvel ao laboratrio. O armazenamento foi feito em

    recipiente trmico e geladeira a 4 o C, as amostras de sangue e urina.

    3.7.4 Aplicao de entrevista estruturada

    No dia da coleta das amostras biolgicas foi aplicado aos pacientes dos

    grupos de diabticos e hipertensos cadastrados nos ESFs dos bairros Amoreira e

    Aeroporto que aceitarem a participar, uma entrevista estruturada. (APNDICE E),

    que conteve informaes essenciais para associao dos sinais e sintomas

    especficos do saturnismo e auxiliar no diagnstico definitivo.

  • 40

    3.7.5 Anlises dos materiais biolgicos e entrega dos resultados

    Foram feitas as anlises dos materiais biolgicos atravs do mtodo de

    Espectrofotometria de absoro atmica os nveis de Pb-S e Pb-U. Os resultados

    foram entregues aos pacientes em outro momento pr-agendado, onde foi discutido

    os resultados e esclarecida dvidas. Os valores foram tabulados, submetidos

    anlise grfica, e atravs dos resultados e relao com a sintomatologia, de acordo

    com os valores de referncia, diagnosticar o saturnismo ou no.

    3.8 Resultados e impactos esperados

    Atravs deste trabalho foi possvel determinar os nveis de chumbo nas

    amostras de sangue e urina dos pacientes dos grupos de diabticos e hipertensos

    cadastrados nos ESFs dos bairros Amoreira e Aeroporto de Paracatu-MG, uma vez

    que estas pessoas esto submetidas intoxicao por chumbo pela exposio

    ambiental. Com os resultados dos exames e a entrevista estruturada foi possvel a

    correlao com os sinais e sintomas e os nveis de chumbo, correlacionando

    tambm os nveis do chumbo dos pacientes dos diferentes bairros.

    O chumbo est presente compactado nas rochas e quando esta destruda,

    no caso na mineradora por exploso, o chumbo e disperso no ar e a poeira levada

    a cidade e chega ate a populao. A maior parte do chumbo utilizado pelas

    indstrias extrada do minrio, considerada uma fonte primria. E mesmo que a

    mineradora no extrai exclusivamente o chumbo ele est presente nas rochas de

    onde extrado o ouro, que a matria prima desta empresa.

    Em fim, com este estudo podemos evidenciar os riscos da populao exposta

    e a importncia da monitorao, levando ate a populao esse conhecimento e

    auxiliando na promoo da sade.

  • 41

    4.0 RESULTADOS E DISCURSSO

    De acordo com estudos recentes a toxicidade do chumbo no organismo

    humano mostra efeito adverso sobre a sade at mesmo em concentraes

    menores do que 10 g/dL. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    Estudos mostram ainda que nveis de chumbo no sangue maior que 40 g/Dl

    ocasionam danos ao sistema cardiovascular, reduo na velocidade do crescimento

    e anemia em crianas em nveis superior a 20 g/dL, e retardo do desenvolvimento

    neuropsicolgico, cognitivos e de memria em nveis entre 10 e 5 g/dL. (MAZOTO;

    et al., 2014).

    O chumbo na urina um indicador de exposio atual e no sangue exposio

    total. O chumbo urinrio deve ser utilizado como uma estimativa do chumbo

    sanguneo, no sendo utilizado como substituio. (MOREIRA; NEVES, 2008).

    4.1 Grupo amostral

    O estudo foi realizado com 23 pacientes do Grupo de Diabticos e

    Hipertensos cadastrados nos ESFs dos bairros Amoreiras e Aeroporto, sendo 9

    (39,1%) participantes do bairro Amoreiras e 14 (60,9%) do bairro Aeroporto, com 3

    (13,0%) pacientes do sexo masculino em cada bairro, e 6 (26,1%) pacientes do sexo

    feminino no bairro Amoreiras e 11 (47,9%) pacientes do sexo feminino no bairro

    Aeroporto. O Grfico 01 mostra o total de pacientes dividido pelo sexo.

    De acordo com estudos o nvel de chumbo vem diminuindo ao longo do

    tempo em diversos pases, a concentrao mdia em pessoas no expostas

    ocupacionalmente est situada entre 10 e 15 g/dL, e em algumas situaes

    inferior a 10 g/dL, sendo que os nveis de chumbo em amostras de sangue de

    indivduos do sexo masculino so mais altos do que os nveis encontrados em

    amostras de sangue de indivduos do sexo feminino. (MENEZES FILHO;

    CARVALHO; SPNOLA, 2003).

    Concordando com os achados deste trabalho, apesar da maioria dos

    pacientes serem do sexo feminino os 6 pacientes do sexo masculino do total de 23

    pacientes tiveram resultado mais altos que os resultados dos pacientes do sexo

    feminino. Os resultados de chumbo em amostras de sangue dos pacientes do sexo

  • 42

    masculino foram; Bairro Aeroporto JMG 68 anos 4,10 g/dl, APS 72 anos 7,20 g/dl,

    MMFC 70 anos 5,40 g/dl, e do bairro Amoreiras EMS 76 anos 10,70 g/dl, RSL 64

    anos 6,50 g/dl e APG70 anos 4,60g/dl.

    Grfico 01 Nmero de pessoas dividido pelo sexo dos pacientes participantes do grupo de Diabticos e Hipertensos cadastrados nos ESFs dos

    bairros Amoreiras e Aeroporto de Paracatu-MG (n=23)

    Fonte: ELABORADA PELA AUTORA.

    4.2 Renda per capita

    De acordo com as informaes obtidas na entrevista estruturada a renda per

    capitados pacientes variou, mais a maior parte dos pacientes recebem um salrio

    mnimo por ms como mostra o Grfico 02. No bairro Amoreiras 5 (21,7%)

    pacientes recebem um salrio mnimo e 4(17,4%) mais de um salrio, no bairro

    Aeroporto 2 (8,7%) pacientes recebem menos de um salrio, 11 (47,9%) paciente

    um salrio, e 1 (4,3%) paciente mais de um salrio mnimo.

    Em estudos realizados com crianas foram constatados que quanto menor a

    renda per capita maior os nveis de chumbo nas amostras, observou-se uma

    diferena estatisticamente significativa na concentrao mdia de chumbo em

    sangue capilar em relao renda per capita. (MAZOTO; et al., 2014).

    Neste trabalho a maior parte dos pacientes considerada baixa renda e esto

    entre eles os nveis mais elevados de Pb-S e Pb-U.

  • 43

    Grfico 02 Renda per capita dos pacientes participantes do grupo de Diabticos e Hipertensos cadastrados nos ESFs dos bairros Amoreiras e

    Aeroporto de Paracatu-MG (n=23)

    Menos de um salrio mnimo

    Um salrio mnimoMais de um salrio

    mnimo

    Aeroporto 2 11 1

    Amoreiras 0 5 4

    0

    2

    4

    6

    8

    10

    12

    14

    16

    18

    N

    mer

    o d

    e p

    esso

    as

    Fonte: ELABORADA PELA AUTORA.

    4.3 Tempo de exposio

    O tempo que cada paciente mora no bairro pode afetar diretamente nos nveis

    de chumbo no sangue e na urina, pois com o aumento do tempo no mesmo local

    aumenta tambm a concentrao da exposio ambiental. De acordo com o Grfico

    03, 7 (30,4%) pacientes do bairro Amoreiras e 11 (47,9%) pacientes do bairro

    Aeroporto vivem a mais de 20 anos nos bairros, 2 (8,7%) pacientes do Amoreira e 1

    (4,3%) do Aeroporto menos de 20 anos, e dos que moram a exatamente 20 anos foi

    relatado 2 (8,7%) no bairro Aeroporto.

    De acordo com estudos realizados com funcionrios expostos

    ocupacionalmente observa-se que os nveis de chumbo so maiores naqueles

    funcionrios que tem maior tempo de servio, aumentando assim o tempo de

    exposio ao metal, revelaram diferenas estatsticas significantes entre os trs

    subgrupos classificados segundo o nmero de anos na atividade de reforma de

    baterias para Pb-S. ( CARVALHO; et al., 1985).

  • 44

    Grfico 03 Tempo de vivencia em cada bairro dos pacientes participantes do grupo de Diabticos e Hipertensos cadastrados nos ESFs dos

    bairros Amoreiras e Aeroporto de Paracatu-MG (n=23)

    Menos de 20 anos 20 anos Mais de 20 anos

    Aeroporto 1 2 11

    Amoreiras 2 0 7

    0

    2

    4

    6

    8

    10

    12

    14

    16

    18

    20

    N

    mer

    o d

    e p

    esso

    as

    Fonte: ELABORADA PELA AUTORA.

    4.4 Utilizao de drogas

    De acordo com o relato dos pacientes na entrevista estruturada a maior parte

    no utiliza nenhum tipo de droga no total de 5 (21,7%) pacientes do bairro Amoreiras

    e 13 (56,6%) pacientes do bairro Aeroporto. Dos que utiliza algum tipo de droga 2

    (8,7%) pacientes do Amoreiras e 1 (4,3%) paciente do Aeroporto relata utilizar

    lcool, e 2 (8,7%) pacientes do Amoreiras utiliza lcool e cigarros. Grfico 04.

    Estudos mostram que pode haver uma diferena significativa entre a

    dosagem de chumbo em amostras de indivduos que utilizam algum tipo de droga

    como o lcool e o tabagismo em relao aos que nos utilizam nenhum tipo de

    droga, em um estudo o grupo controle foi constitudo por 65 indivduos pareados por

    sexo, idade, raa, hbitos alimentares, tabagismo e alcoolismo com o grupo de

    trabalhadores expostos, mostrando que se faz necessrio separ-los para comparar

    ento os resultados. (MENEZES FILHO; CARVALHO; SPNOLA, 2003, PAOLIELO;

    et al,. 1997).

    Confirmando os resultados deste estudo, apesar da maioria dos pacientes

    no utilizarem nenhum tipo de droga, os que utilizam tiveram resultados mais

    elevado dos que no utilizam. De acordo com os resultados de Pb-S os pacientes de

    utilizam lcool e/ou cigarros so, APG 70 anos 4,60 g/dl, EMS 57 anos 10,70 g/dl,

  • 45

    AJOA 63 anos 5,40 g/dl, HAMAS 59 anos Pb-U 11,80mg/g do bairro Amoreiras e

    AX 61 anos 7,80 g/dl, do bairro Aeroporto.

    Grfico 04 Utilizao de drogas pelos pacientes participantes do grupo de Diabticos e Hipertensos cadastrados nos ESFs dos bairros Amoreiras e

    Aeroporto de Paracatu-MG (n=23)

    Alcool Cigarro Alcool e cigarro Nenhuma

    Aeroporto 1 0 0 13

    Amoreiras 2 0 2 5

    0

    2

    4

    6

    8

    10

    12

    14

    16

    18

    20

    N

    me

    ro d

    e p

    ess

    oa

    s

    Fonte: ELABORADA PELA AUTORA.

    4.5 Exame de determinao de chumbo

    Todos os 23 pacientes relataram no ter feito exames para determinao de

    chumbo, 9 (39,1%) pacientes do bairro Amoreiras e 14 (60,9%) pacientes do bairro

    Aeroporto. Como mostra no Grfico 05.

  • 46

    Grfico 05 Exames para dosagem de chumbo realizada pelos pacientes participantes do grupo de Diabticos e Hipertensos cadastrados nos ESFs dos

    bairros Amoreiras e Aeroporto de Paracatu-MG (n=23)

    Sim No

    Amoreiras 0 9

    Aeroporto 0 14

    0

    2

    4

    6

    8

    10

    12

    14

    16

    N

    me

    ro d

    e p

    ess

    oas

    Realizou exame para dosagem de chumbo

    Fonte: ELABORADA PELA AUTORA.

    4.6 Sinais e Sintomas

    Para relacionar os resultados dos exames com os sinais e sintomas os relatos

    obtidos atravs da entrevista estruturada revelam que 11 (47,9%) pacientes do

    bairro Aeroporto com dor abdominal, 3 (13,0%) pacientes do bairro Amoreiras e 4

    (17,4%) pacientes do bairro Aeroporto sentem nuseas, 2 (8,7%) pacientes do bairro

    Aeroporto relatam vmitos, 2 (8,7%) pacientes do bairro Aeroporto e 6 (26,1%)

    pacientes do bairro Amoreiras relatam anorexia, 3(13,0%) pacientes do bairro

    Amoreias e 2(8,7%) pacientes do bairro Aeroporto revelam constipao, 3 (13,0%)

    pacientes do bairro Aeroporto palidez cutnea, 8(34,8%) pacientes do bairro

    Aeroporto e 7(30,4%) pacientes do bairro Amoreiras sentem fadiga, 11 (47,9%)

    pacientes do bairro Aeroporto e 8(34,8%) pacientes do bairro Amoreiras relatam

    perda de memria, 7 (30,4%) pacientes do bairro Aeroporto e 5 (21,7%) pacientes

    do bairro Amoreiras relatam alteraes do humor, 10 (43,5%) pacientes do bairro

    Aeroporto e 5(21,7%) pacientes do bairro Amoreiras revelam mialgia, 7 (30,4%)

    pacientes do bairro Aeroporto e 4(17,4%) pacientes do bairro Amoreiras revelam

    pirose, 3 (13,0%) pacientes do bairro Aeroporto e 2(8,7%) do bairro Amoreiras

    relatam parestesia e2 (8,7%) pacientes do bairro Amoreiras revela paresia. Mostrado

    no Grfico 06.

  • 47

    Estudo de MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004., uma pesquisa

    realizada onde mostra a cintica do chumbo no organismo humano e sua

    importncia para a sade explica os efeitos do chumbo e revela que existe varias

    tipos de respostas biolgicas a esse metal pois os metais pesados podem danificar

    toda e qualquer atividade biolgica, podendo gera desde efeitos claros, ou clnicos,

    at efeitos sutis, ou bioqumicos. Onde mostram que a intoxicao pode causar

    efeitos neurolgicos, hematolgicos, endocrinolgicos, sobre o crescimento, renais,

    sobre a reproduo e desenvolvimento, carcinognicos, cardiovasculares,

    gastrointestinais e hepticos.

    Grfico 06- Principais sinais e sintomas relatados pelos pacientes participantes do grupo de Diabticos e Hipertensos cadastrados nos ESFs dos

    bairros Amoreiras e Aeroporto de Paracatu-MG (n=23)

    0

    3

    0

    6

    2

    3

    7

    8

    5 5

    4

    2 2

    11

    4

    2 2

    3

    0

    8

    11

    7

    10

    7

    3

    00

    2

    4

    6

    8

    10

    12

    N

    me

    ro d

    e p

    esso

    as

    Amoreiras Aeroporto

    Fonte: ELABORADA PELA AUTORA.

    4.7 Efeitos neurolgicos

    Os sintomas mais especficos relacionados neuropatia perifrica relatados

    na entrevista estruturada mostra que 4(%) pacientes do bairro Amoreiras e 5(%)

    pacientes do bairro Aeroporto no sentem nenhuma alterao psicomotora, 2 (%)

    pacientes do bairro Amoreiras e 6(%) pacientes do bairro Aeroporto relatam agitao

  • 48

    psicomotora, 5 (%) pacientes do bairro Amoreiras e 7(%) pacientes do bairro

    Aeroporto revelam irritabilidade. Grfico 07.

    Estudos mostram que o sistema nervoso o conjunto de rgos mais

    sensvel ao envenenamento por chumbo, e que o desvio mais serio induzido pelo

    chumbo em criana e adultos a encefalopatia. A encefalopatia pode ocorrer nas

    formas aguda ou crnica, a encefalopatia aguda pode se desenvolver aps doses

    macias e considerada rara quando os nveis de Pb-S esto abaixo de 100 g/dl,

    e a encefalopatia crnica pode ser um estado residual aps a encefalopatia aguda

    originada por esse metal, mas tambm pode resultar de uma exposio prolongada

    ao chumbo. (MOREIRA, Ftima; MOREIRA, Josino, 2004).

    Grfico 07 Alteraes neurolgicas relatadas pelos pacientes participantes

    do grupo de Diabticos e Hipertensos cadastrados nos ESFs dos bairros Amoreiras e Aeroporto de Paracatu-MG (n=23)

    No Agitao psicomotora Irritabilidade

    Aeroporto 5 6 7

    Amoreiras 4 2 5

    0

    2

    4

    6

    8

    10

    12

    14

    N

    me

    ro d

    e p

    esso

    as

    Fonte: ELABORADA PELA AUTORA.

    4.8 Nveis de Pb-S e Pb-U

    Dos 23 pacientes participantes da pesquisa 21 amostras de sangue foram

    colhidas e 13 amostras de urina foram entregues. Tabela 01. De acordo com os

    resultados das analise de chumbo em amostras de sangue e urina dos participantes

    do grupo de Diabticos e Hipertensos cadastrados nos ESFs dos bairros Amoreira e

    Aeroporto, 1 amostra de sangue teve valor acima de 10g/dl, e 1 amostra de urina

    teve valor acima da referncia sendo essas duas amostras do bairro Amoreiras

  • 49

    localizado mais prximo da mineradora onde os habitantes esto mais expostos

    ambientalmente ao chumbo que se dispersa principalmente atravs das correntes de

    ar misturada a poeira formada a partir das exploses das rochas para extrao de

    ouro.

    Tabela 01 Resultados dos exames de chumbo no sangue e na urina dos pacientes participantes do grupo de Diabticos e Hipertensos cadastrados

    nos ESFs dos bairros Amoreiras e Aeroporto de Paracatu-MG (n=23)

    Iniciais Bairro Idade Sinais e sintomas Pb-S Pb-U

    AX Aeroporto 61 Dor abdominal, perda de memria, alteraes do humor.

    7,80 -

    DPS Aeroporto 77 Anorexia, fadiga, perda de memria, alterao do humor, mialgia generalizada, parestesia.

    1,70 4,50

    JBB Aeroporto 77 Dor abdominal, mialgia generalizada.

    2,10 -

    SLN Aeroporto 60 Dor abdominal, fadiga, perda de memria, pirose.

    1,70 -

    MMFC Aeroporto 70 Dor abdominal, fadiga, perda de memria, alterao do humor, pirose.

    5,40 -

    LNG Aeroporto 71 Nuseas, vmitos, fadiga, perda de memria, mialgia generalizada, pirose.

    3,10 -

    APS Aeroporto 72 Dor abdominal, fadiga, perda de memria, mialgia generalizada, pirose.

    7,20 18,90

    ECS Aeroporto 62 Dor abdominal, nuseas, vmitos, fadiga, perda de memria, alterao do humor, mialgia generalizada.

    3,10 4,10

    LMS Aeroporto 63 Dor abdominal, nuseas, anorexia, constipao, fadiga, perda de memria, alterao do humor, mialgia generalizada, pirose.

    - -

    ARGC Aeroporto 56 Dor abdominal, nuseas, fadiga, perda de memria, alteraes do humor, mialgia generalizada, pirose.

    5,00 -

    MLF Aeroporto 57 Dor abdominal, constipao, perda de memria, alterao do humor, mialgia generalizada, pirose, parestesia.

    2,30 26,70

    JFO Aeroporto 61 Dor abdominal, perda de memria. 2,40 - NBS Aeroporto 56 Constipao, mialgia generalizada,

    parestesia, 2,90 4,30

    JMG Aeroporto 68 Dor abdominal, fadiga, perda de memria, mialgia generalizada.

    4,10 -

    SEM Amoreiras 57 Constipao, pirose. 10,70 15,10 BGA Amoreiras 78 Anorexia, fadiga, perda de memria,

    alterao do humor. 2,40 4,40

    AJOA Amoreiras 63 Nuseas, anorexia, palidez cutnea, fadiga, perda de memria, alterao de

    5,40 11,50

  • 50

    humor, pirose, parestesia. AAS Amoreiras 71 Nuseas, anorexia, constipao,

    fadiga, perda de memria, alterao do humor, mialgia generalizada, pirose.

    1,60 73,60

    RSL Amoreiras 64 Anorexia, fadiga, perda de memria, mialgia generalizada.

    6,50 -

    AVC Amoreiras 75 Anorexia, palidez cutnea, fadiga, perda de memria, paresia.

    3,60 8,60

    MCPS Amoreiras 76 Anorexia, fadiga, perda de memria, alterao do humor, mialgia generalizada.

    2,50 10,60

    HMAS Amoreiras 59 Nuseas, palidez cutnea fadiga, perda de memria, mialgia generalizada, pirose, parestesia, paresia.

    - 11,80

    APG Amoreiras 70 Perda de memria, alterao do humor, mialgia generalizada.

    4,60 5,20

    Fonte: ELABORADA PELA AUTORA.

    O paciente EMS de 57 anos teve resultado de Pb-S com valor

    consideravelmente elevado de 10,70bg/dl e de acordo com as respostas da

    entrevista estruturada relata sintomas como constipao e pirose (azia). Apesar de o

    valor estar abaixo da referncia estudos recentes como o de MAZOTO; et al., 2014,

    mostra que concentraes de chumbo sanguneo inferiores a 10 g/dL podem estar

    associadas com dficits no desenvolvimento neuropsicolgico e, concentraes

    sanguneas inferiores a 5 g/dL, podem ser responsveis por dficits cognitivos,

    retardo no desenvolvimento emocional e comportamental, decrscimo nos nveis de

    QI e dficit de memria.

    O paciente AAS 71 anos teve resultado de Pb-U de 73,60 mg/g, revela

    sintomas como nuseas, anorexia, constipao, fadiga, perda de memria, alterao

    do humor, mialgia generalizada e pirose. Possivelmente os sinais e sintomas e o

    resultado de Chumbo na urina revela uma intoxicao por chumbo, apesar de os

    nveis de chumbo na urina no poder ser utilizado em substituio ao chumbo no

    sangue esse paciente pode esta tendo uma intoxicao recente, pois o chumbo na

    urina revela intoxicao atual.

    Apesar dos nveis de chumbo no sangue ter revelados baixos neste trabalho,

    estudos mostram que mesmo abaixo dos LTB's adotados atualmente, podem

    desencadear importante toxicidade como nefropatia, neurotoxicidade central e

    perifrica, efeitos sobre a reproduo, cncer renal e hipertenso arterial.

    (MENEZES FILHO; CARVALHO; SPNOLA, 2003).

  • 51

    Os resultados obtidos nesta pesquisa confirmam os dados que demonstram

    que nveis mais altos de plumbemia so encontrados em populaes residentes em

    regies industrializadas, ao contrrio dos nveis de plumbemia observados em

    regies de pouca industrializao, como o caso da regio de Paracatu comparada

    com grandes capitais. (PAOLIELO; et al., 1997).

  • 52

    5.0 CONCLUSO

    A determinao dos nveis de chumbo no sangue total (Pb-S) e chumbo

    urinrio (Pb-U) das amostras dos pacientes dos grupos de diabticos e hipertensos

    cadastrados nos ESFs dos bairros Amoreira e Aeroporto de Paracatu/Minas Gerais

    realizadas no ms de Novembro de 2015, tiveram resultado de Pb-S abaixo no valor

    de referencia de acordo com a legislao NR-7 de 1994 onde o valor de referncia

    da normalidade de 40 g/dL para o chumbo no sangue e o ndice Mximo

    Biolgico Permitido (IMBP) de 60 g/dL.

    E nos resultados de Pb-U obteve 1 (uma) amostra acima do valor de

    referencia, sendo que o valor de referncia da normalidade para chumbo urinrio

    de at 50,0 Mg/g creatinina eIMBP: 100,0 Mg/g creatinina segundo NR-7. O valor

    encontrado acima da normalidade foi de 73,60 mg/g.

    Atravs da entrevista estruturada foi possvel relacionar os sinais e sintomas

    com o diagnostico definitivo. Paciente AAS 71 anos morados do bairro Amoreira

    localizado prximo a mineradora, teve resultado de Pb-U de 73,60 mg/g e revelou

    sintomas como nuseas, anorexia, constipao, fadiga, perda de memria, alterao

    do humor, mialgia generalizada e pirose, que pode esta relacionado aos efeitos do

    aumento do chumbo no organismo, uma vez que ele afeta praticamente todos os

    rgos e sistemas do corpo.

    Apesar dos nveis de chumbo no sangue deste paciente ter tido resultado

    abaixo do valor de referencia deve ser feita uma investigao clinica mais profunda

    para confirmar o saturnismo. O chumbo na urina indica exposio atual e no pode

    ser utilizado como substituio do chumbo no sangue.

    O chumbo um metal de ocorrncia natural e por exposio ocupacional ou

    ambiental pode se acumular no organismo e ultrapassar os limites de tolerncia

    afetando a populao e causando danos a sade. A contaminao pode se dar

    atravs de outras fontes como a gua, alimentos, poeira, e pode se tornar mais fcil

    atravs da proximidade de fabricas e indstrias que utilizam o chumbo como matria

    prima ou que extraia minerais.

    Contudo a realizao de estudos fundamental para auxiliar na monitorao

    e mostrar a populao os prejuzos causados sade levando ate elas o

    conhecimento dos efeitos nocivos da intoxicao por chumbo.

  • 53

    A realizao deste trabalho foi extremamente importante para alertar e

    conscientizar a populao quanto s fontes e riscos da intoxicao por chumbo, seu

    diagnostico e tratamento. Foi possvel mostrar os nveis de chumbo dos pacientes

    de dois bairros diferentes localizados mais prximos e mais distantes da fonte de

    contaminao e comparar os resultados, revelando aumento dos nveis de chumbo

    nas amostras dos pacientes localizados no bairro mais prximo da fonte de

    contaminao como de esperado.

  • 54

    REFERNCIAS

    BRASIL. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica. 2010. Disponvel em:< http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?codmun=314700>. Acesso em: 12. dez. 2014. BRASIL. Ministrio da Sade Conselho Nacional de Sade Comisso Nacional de tica em Pesquisa. Resoluo N196/96 verso 2012. Disponvel em:. Acesso em: 12. dez. 2014. CAPITANI, Eduardo M de. Diagnstico e tratamento da intoxicao por chumbo, Ribeiro Preto. 2009. Disponvel em:. Acesso em: 12. dez. 2014. CAPITANI, Eduardo, M et al. Fontes de exposio humana ao chumbo no Brasil, So Paulo, 2009. Disponvel em: . Acesso em: 01. Jun. 2015. CARVALHO, Fernando, Martins et al. Chumbo no sangue de crianas e passivo ambiental de uma fundio de chumbo no Brasil, Washington, vol.13, n.1. 2003. Disponvel em: . Acesso em: 01. Jun. 2015. CARVALHO, Fernando Martins et al. Intoxicao por chumbo e cdmio em trabalhadores de oficinas para reforma de baterias em Salvador, Brasil, vol.19, n.5. 1985. Disponvel em: . Acesso em: 29. Nov. 2015. CORDEIRO, Ricardo;LIMA-FILHO, Euclydes Custdio de. A inadequao dos valores dos limites de tolerncia biolgica para a preveno da intoxicao profissional pelo chumbo no Brasil, Rio de Janeiro, vol.11, n.2. 1995. Disponvel em:. Acesso em: 12. dez. 2014. DALFOVO, Michael Samir; LANA, Rogrio Adilson; SILVEIRA, Amlia. Mtodos quantitativos e qualitativos: um resgate terico. Revista Interdisciplinar Cientfica Aplicada, Blumenau, v.2, n.4. 2008. FERNICOLA, Nilda A.G.G. de; AZEVEDO, Fausto A. de. Nveis de chumbo e atividade da desidratase do cido delta-aminolevulnico (delta-ALAD) no sangue da populao da Grande So Paulo, Brasil, So Paulo, vol.15, n.3. 1981. Disponvel em: . Acesso em: 15. Mai. 2015. GONCALVES, Renata, Moreira; GONCALVES, Jos, Rubens; FORNES, Nlida, Schmid. Relao entre nveis de chumbo no colostro, consumo alimentar e caractersticas socioeconmicas de purperas em Goinia, Brasil,

    http://www.fmrp.usp.br/revistahttp://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X1995000200002&script=sci_arttexthttp://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X1995000200002&script=sci_arttexthttp://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101981000300004&lang=pthttp://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101981000300004&lang=pt

  • 55

    Washington,vol.29, n.4. 2011. Disponvel em:. Acesso em: 01. Jun. 2015. JACOB, Lilian Cssia Bornia; ALVARENGA, Ktia de Freitas; MORATA, Thais Catalani. Os efeitos da exposio ocupacional ao chumbo sobre o sistema auditivo: uma reviso da literatura, So Paulo, vol.68, n.4. 2002. Disponvel em:. Acesso em: 12. dez. 2014. MAZOTO, Mara, Lopes et al. Perfil de exposio ao chumbo em crianas escolares da rede municipal da cidade do Rio de Janeiro, Brasil, Rio de Janeiro, vol.14, n.4. 2014. Disponvel em: . Acesso em: 01. Jun. 2015. MENEZES FILHO, Jos Antonio; CARVALHO, Wilson Andrade de; SPINOLA, Ademrio Galvo. Avaliao da exposio ocupacional ao chumbo em uma metalrgica um estudo transversal, Brasil, vol.28, n.105-106.2003. Disponvel em:. Acesso em: 29. Nov. 2015. MINOZZO, Renato et al. Prevalncia de anemia em trabalhadores expostos ocupacionalmente ao chumbo, So Paulo, vol.31, n.2.2009.Disponvel em:. Acesso em 12. dez. 2014. MOREIRA, Ftima Ramos; MOREIRA, Josino Costa. A cintica do chumbo no organismo humano e sua importncia para a sade, Rio de Janeiro, vol.9, n.1. 2004. Disponvel em:. Acesso em: 12 dez. 2014. MOREIRA, Ftima Ramos; MOREIRA, Josino Costa. A importncia da anlise de especiao do chumbo em plasma para a avaliao dos riscos sade, So Paulo, vol.27, n.2. 2004. Disponvel em: . Acesso em: 15. Mai. 2015. MOREIRA, Ftima Ramos; MOREIRA, Josino Costa. Os efeitos do chumbo sobre o organismo humano e seu significado para a sade,Washington,vol.15, n.2. 2004. Disponvel em :. Acesso em: 12. dez. 2014. MOREIRA, Maria de Ftima Ramos; NEVES, Eduardo Borba. Uso do chumbo em urina como indicador de exposio e sua relao com chumbo no sangue, Rio de Janeiro, vol.24, n.9.2008.pp.Disponvel em:. Acesso em: 12. dez. 2014. NEVES, Eduardo Borba; MENDONCA JUNIOR, Nelson; MOREIRA, Maria de Ftima Ramos. Avaliao da exposio a metais numa oficina de recuperao de

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  • 56

    armamento de uma organizao militar. Rio de Janeiro, vol.14, n.6. 2009. Disponvel em: . Acesso em: 15. Mai. 2015. NR 7 - Programa de Controle Mdico de Sade Ocupacional. Texto dado pela Portaria SSST n. 24, de 29 de dezembro de 1994. Disponvel em:. Acesso em: 12. dez. 2014. PAOLIELO, Monica M. B. et al. Valores de referncia para plumbemia em populao urbana, So Paulo, vol.31, n.2.1997.Disponvel em:. Acesso em: 29. Nov. 2015.

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  • 57

    APNDICE A OFCIO DE AUTORIZAO SECRETRIA DE SADE

  • 58

    APNDICE B OFCIO DE OUTORIZAO ENFERMEIRA CHEFE ESF

    AMOREIRAS

  • 59

    APNDICE C OFCIO DE OUTORIZAO ENFERMEIRA CHEFE ESF

    AEROPORTO

  • 60

    APNDICE D TERMO DE CONSENTIMENTO

    TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

    Prezado(a) participante:

    Sou estudante do curso de graduao na Faculdade TECSOMA de Paracatu-

    MG. Estou realizando uma pesquisa sob superviso da Coordenadora Claudia Peres

    da Silva, cujo objetivo , Determinar os nveis de chumbo em amostras de sangue e

    urina dos participantes do grupo de diabetes e hipertensos cadastrados nos ESFs

    dos bairros amoreiras e aeroporto de Paracatu-MG.

    Sua participao envolve doar as amostras biolgicas para realizao da

    pesquisa sendo estas, sangue por puno venosa e urina.

    A participao nesse estudo voluntria e se voc decidir no participar ou

    quiser desistir de continuar em qualquer momento, tem absoluta liberdade de faz-

    lo.Na publicao dos resultados desta pesquisa, sua identidade ser mantida no

    mais rigoroso sigilo. Sero omitidas todas as informaes que permitam identific-

    lo(a).

    Mesmo no tendo benefcios diretos em participar, indiretamente voc estar

    contribuindo para a compreenso do fenmeno estudado e para a produo de

    conhecimento cientfico.

    Atenciosamente

    ___________________________ Nome e assinatura da estudante

    ____________________________ Local e data

    __________________________________________________ Nome e assinatura do(a) professor(a) supervisor(a)/orientador(a)

    Consinto em participar deste estudo e declaro ter recebido uma cpia deste termo de consentimento.

    _____________________________ Nome e assinatura do participante

    ______________________________ Local e data

  • 61

    APNDICE E- QUESTIONRIO

    Questionrio

    Iniciais ou COD:

    Data de nascimento:

    Sexo: ( )Feminino ( )Masculino

    Bairro:

    Renda mensal: ( ) Menos de um salrio mnimo ( ) Um salrio mnimo ( ) Mais que um salrio mnimo.

    Quanto tempo mora no bairro?

    Utiliza alguma droga como cigarro e lcool?

    J realizou algum exame para determinao de chumbo? Se sim, quando? Qual resultado?

    Utiliza algum medicamento? Se sim quais?

    Relata sintomas como: ( ) dor abdominal ( ) nuseas ( ) vmitos ( ) anorexia ( ) constipao ( ) palidez cutnea ( ) fadiga ( ) perda de memria ( ) alterao do humor ( ) mialgia generalizada ( ) pirose ( ) parestesia ( ) paresia

    Relata alteraes neurolgicas como: ( ) agitao psicomotora ( ) irritabilidade ( ) torpor/obnubilao ( ) convulses

    Assinatura da coordenao: ________________________ Assinatura do funcionrio:________________________ Assinatura do aluno:_________________________

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