2012. Municipios SP [Vol1]

Download 2012. Municipios SP [Vol1]

Post on 30-Dec-2014

223 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

<p>Prticas Mdicas e de Sade nos Municpios paulistas: a histria e suas interfaces</p> <p>Coleo Medicina, Sade &amp; Histria</p> <p>Andr Mota Maria Gabriela S. M. C. Marinho (organizadores) Ana Silvia Whitaker Dalmaso Andr Mota Antonio Celso Ferreira Cssia Maria Baddini Fernando Salla Cristina de Campos Eliza Pinto de Almeida Fatima Aparecida Ribeiro Helosa Helena Pimenta da Rocha Joana Azevedo da Silva Jos Fernando Teles da Rocha Karla Maestrini Luis Ferla Marcela Trigueiro Gomes Marcia Regina Barros da Silva Marcos Cesar Alvarez Maria Alice Rosa Ribeiro Maria Aparecida Muniz Maria Cecilia Cordeiro Dellatorre Maria Cristina Turazzi Maria Gabriela S. M. C. Marinho Maria Lucia Caira Gitahy Maria Lucia Mott (In Memoriam) Marili Peres Junqueira Olga Sofia Faberg Alves Paula Vilhena Carnevale Vianna Ricardo Mendes Antas Jnior Tais dos Santos Tania Regina de Luca</p> <p>Prticas Mdicas e de Sade nos Municpios paulistas: a histria e suas interfacesColeo Medicina, Sade &amp; Histria</p> <p>Comisso de Cultura e Extenso Universitria</p> <p> 2011 by Prof. Dr. Andr Mota Profa. Dra. Maria Gabriela Silva Martins da Cunha Marinho Direitos desta edio reservados Comisso de Cultura e Extenso Universitria da Faculdade de Medicina da Universidade de So Paulo CCEx-FMUSP Proibida a reproduo total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorizao expressa da CCEx-FMUSP</p> <p>UNIVERSIDADE DE SO PAULO Reitor: Prof. Dr. Joo Grandino Rodas Vice-Reitor: Prof. Dr. Hlio Nogueira da Cruz Pr-Reitoria de Cultura e Extenso Universitria Pr-Reitora: Profa. Dra. Maria Arminda do Nascimento Arruda Pr-Reitor Adjunto de Extenso: Prof. Dr. Jos Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres Pr-Reitora Adjunta de Cultura: Profa. Dra. Marina Mitiyo Yamamoto Faculdade de Medicina Diretor: Prof. Dr. Giovanni Guido Cerri Vice-Diretor no exerccio da Diretoria da FMUSP: Prof. Dr. Jos Otvio Costa Auler Junior Comisso de Cultura e Extenso Universitria Presidente: Prof. Dr. Jos Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres Vice-Presidente: Prof. Dr. Cyro Festa Neto Museu Histrico Prof. Carlos da Silva Lacaz Coordenador: Prof. Dr. Andr Mota ASSISTNCIA TCNICA ACADMICA Mrcia Elisa da Silva Werneck SERVIO DE CULTURA E EXTENSO UNIVERSITRIA Coordenao: Meire de Carvalho Antunes</p> <p>Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) Vnia Aparecida Marques Favato CRB-8/3301 P912 Prticas mdicas e de sade nos municpios paulistas: a histria e suas interfaces / Andr Mota e Maria Gabriela S.M.C.Marinho. -- So Paulo: USP, Faculdade de Medicina: CD.G Casa de Solues e Editora, 2011 304 p. : il. ; 21 cm. (Coleo Medicina, Sade e Histria, 1) Vrios autores ISBN: 978-85-62693-03-8 1. Medicina So Paulo (Estado) Histria. 2. Medicina - Prtica So Paulo (Estado). 3. Sade Pblica So Paulo (Estado). I. Mota, Andr. II. Marinho, Maria Gabriela S.M.C. III . Ttulo. CDD 610.98161</p> <p>Imagem da capa Rua do Comrcio, Bragana Paulista, 1909 - Fundo Oswaldo Russomano Centro de Documentao e Apoio Pesquisa em Histria da Educao da Universidade So Francisco (CDAPH-USF) As imagens rerproduzidas no captulo A Medicina e a Lei: o Cdigo Penal de 1890 e o exerccio de curar. Prticas mdicas e autos criminais em Bragana: assimetrias da modernizao pertencem igualmente ao mesmo fundo e esto sob a guarda do CDAPH-USF, que autorizou o presente uso.</p> <p>Editora CD.G. Casa de Solues e Editora Gregor Osipoff www.cdgcs.com.br</p> <p>Museu Histrico Prof. Carlos da Silva Lacaz da Faculdade de Medicina da Universidade de So Paulo Av. Dr. Arnaldo, 455 sala 4306 Cerqueira Csar So Paulo-SP Brasil CEP: 01246-903 Telefone/fax: 55 11 3061-7249 mhistorico@museu.fm.usp.br www.fm.usp.br/museu</p> <p>In Memoriam de Maria Lucia Mott</p> <p>SumrioPrefcio...................................................................................................................................................................................9Jos Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres</p> <p>Parte 1 A INSTITUCIONALIZAO DA MEDICINA EM SO PAULO.............................................13Antonio Celso Ferreira Tania Regina de Luca</p> <p>Medicina e prticas mdicas em So Paulo: uma introduo............................ 15 De Criadeiras a Fazedoras de Anjos: as amas de leite e a criana desvalida sob o olhar da medicina..................................................................37Jos Fernando Teles da Rocha Helosa Helena Pimenta Rocha</p> <p>Criminologia e medicina legal em So Paulo: juristas e mdicos e a construo da ordem ...................................................................... 63Luis Ferla Marcos Csar Alvarez</p> <p>Revistas mdicas paulistas e a nova realidade republicana .........................89Mrcia Regina Barros da Silva</p> <p>Maria Lucia Mott Maria Aparecida Muniz Olga Sofia Faberg Alves Karla Maestrini Tais dos Santos Marcela Trigueiro Gomes</p> <p>Perfil dos mdicos e mdicas em So Paulo (1892-1943)....................................105</p> <p>Parte 2 Medicina e as artes de curar em municpios paulistas ..........................131 A Medicina e a Lei: o Cdigo Penal de 1890 e o exerccio de curar. Prticas mdicas e autos criminais em Bragana: assimetrias da modernizao..............................................133</p> <p>Maria Gabriela S. M. C. Marinho Fernando Salla</p> <p>Andr Mota Cssia Maria Baddini</p> <p>Dilemas revelados e mito desfeito: Sorocaba e a epidemia de febre amarela na Repblica Velha ..............................................................153 O Vale do Ribeira entre 1970 e 1990: sade, educao, poltica e participao de sujeitos ............................................................................................ 183</p> <p>Ana Silvia Whitaker Dalmaso Joana Azevedo da Silva Maria Ceclia Cordeiro Dellatorre Maria Cristina Turazzi</p> <p>Cristina de Campos Maria Lucia Caira Gitahy</p> <p>gua tambm questo de Sade Pblica: Geraldo Horcio de Paula Souza e o debate sobre o abastecimento da cidade de So Paulo: propostas para a superao da crise, 1913-1925 ......................................................215 A sade pblica nas cidades de Rio Claro, So Carlos e Araraquara, em fins do sculo XIX .................................................................................................235 Sanatrios, tecnologia mdica e cultura urbana: uma visita cidade sanatorial de So Jos dos Campos na primeira metade do sculo XX ....................................................................................................... 259Paula Vilhena Carnevale Vianna Ftima Aparecida Ribeiro</p> <p>Maria Alice Rosa Ribeiro Marili Peres Junqueira</p> <p>Eliza Pinto de Almeida Ricardo Mendes Antas Jr.</p> <p>Os servios de sade no estado de So Paulo: seletividades geogrficas e fragmentao territorial ......................................281</p> <p>Sobre os autores..................................................................................................................................................... 296</p> <p>PREFCIOEm um artigo publicado em 2006 , a Professora Norma Crtes, da Universi dade Federal do Rio de Janeiro, desenvolve uma interessante discusso sobre o carter do conhecimento histrico. Dialogando com o vigoroso pensamento do filsofo Hans-Georg Gadamer, e fortemente apoiada nele, a historiadora defen de a tese, ainda hoje polmica, de que a Histria no dispe de um mtodo, no sentido clssico das cincias modernas. Antes, o conhecimento histrico pode ser melhor compreendido, segundo a autora, como um tipo de sabedoria prtica, no sentido da phronesis aristotlica, atualizada por Gadamer na sua Hermenutica Filosfica. Em outros termos, Crtes reafirma a estreita relao que, pelo menos desde Dilthey, estabelecida entre uma reflexo filosfica consciente de suas limitaes temporais e imediatamente interessada no sentido prtico-moral de toda expresso racional e uma conscincia histrica que recusa tanto o relativismo contextualista do historicismo romntico quanto a pretenso objetivista de uma Histria que se julga capaz de conhecer os fatos em si, resgatando-os sos e salvos de uma espcie de exlio a que a distncia temporal os teria condenado. Herdeiro e reconstrutor de uma tradio filosfica que passa por nomes como Dilthey, Husserl e Heidegger, Gadamer estabelece um point of noreturn, tanto para a Filosofia como para a Histria, no caminho do abandono da moderna hipostasia da relao sujeito-objeto do conhecimento. Filosofar ser sempre, se gundo essa tradio, pensar desde um horizonte temporal e sempre para alm dele; ser a superao dialtica da facticidade pelo reconhecimento, a cada vez, de seu sentido existencial. Historiar, por sua vez, ser sempre participar ativa mente de uma dada experincia de pensamento; ser explorar, desconstruir e reconstruir a temporalidade que constitui a facticidade da existncia, incluindo, evidentemente, o pensar a existncia. Nesse sentido, Crtes e Gadamer tm ra zo quando vm no procedimento histrico menos a aplicao sistemtica de um mtodo cognitivo que um movimento relativamente livre de apropriao crtica de experincias temporalmente circunstanciadas e sempre repletas de implicaes morais, ticas e polticas ainda que tal movimento dependa de rigorosas tcnicas de produo e interpretao de evidncias que sustentem a validade da narrativa histrica. Se as mtuas interpelaes entre Hermenutica Filosfica e Histria fecun dam ambos os campos com ricas aproximaes e diferenciaes, o que pode ser testemunhado pelo debate travado entre Koseleck e Gadamer2, maiores ainda sero os efeitos de desacomodao de velhos dogmatismos quando se trata deaspectos filosficos e histricos de campos cientficos e tecnolgicos. que no ambiente das cincias a temporalidade no costuma1 Crtes, Norma. Descaminhos do mtodo: notas sobre histria e tradio em Hans-Georg Gadamer. Varia Histria. V.22, N.36, julho/dezembro de 2006. Disponvel em http:// www.scielo.br/pdf/vh/v22n36/ v22n36a03.pdf. 2 Koselleck, Reinhart; Gadamer, Hans-Georg. Historia y hermenutica. Barcelona: Paids, 1997.1</p> <p>9</p> <p>ser tomada nem como des tino inescapvel, nem como contingncia a ser contornada: ela sequer reconhe cida! Com efeito, as revolues cientficas e tecnolgicas fizeram-se acompanhar da potente iluso iluminista de uma razo que caminha, segura e celeremente, das trevas para a luz, da suscetibilidade ao controle. O tempo aqui s uma espcie de cenrio desta crnica de progressivos e completamente administrveissucessos no conhecimento e domnio racional do mundo. principalmente con tra essa iluso cientificista (mas no contra a cincia, como muitos mal interpre tam) que a hermenutica gadameriana se levanta no clssico Verdade e Mtodo3. Gadamer, na contramo dessa iluso, fala-nos da tradio como fonte de racionalidade, da produtividade cognitiva do preconceito, da conscincia hist rica como antdoto para o relativismo, da histria dos efeitos como via de acesso aos significados. Dessa forma, ajuda a colocar em novas bases a auto-compreen so das cincias humanas, mas tambm a dos empreendimentos cientficos e tecnolgicos de modo geral uma reconstruo que ser, em larga medida, com partilhada por autores de linhagens tericas e preocupaes to diversas quanto Habermas, Rorty ou Giddens. Qualquer cincia e suas correlatas tcnicas so filhas de seu tempo, isto , so parte de uma experincia prtica que se projeta desde a, e para a, sua exis tncia temporal por meio das regularidades e permanncias de suas pretenses de verdade (ainda que no sentido de quase-verdades, tal como postulada por Costa4). A tarefa hermenutica da compreenso de uma cincia em sua atualida de, com seu fundamento histrico, assim como a tarefa da compreenso histri ca de uma cincia em seu passado, com seu fundamento hermenutico, no so outra coisa, portanto, que as duas faces de um mesmo movimento de uma razo prtico-moral que se debrua sobre essa experincia humana, realimentando-a de sentido e de possibilidades de compartilhamento de sentido. Se tal (re)apropriar-se do sentido de nossas prticas cientficas e tecnolgicas um exerccio fundamental em qualquer campo do conhecimento, dado o car ter emancipatrio do movimento compreensivo e auto-compreensivo da expe rincia hermenutica mediada pelo procedimento histrico (ou ser a experi ncia histrica mediada pelo procedimento hermenutico?), que dizer quando o campo de conhecimento em questo refere-se a prticas mdicas e de sade pblica? Desde o passado hipocrtico, no qual reconhecemos, por afirmao ou ne gao, a identidade dos saberes e prticas de sade de nossos dias, aprendemos a reconhecer na busca racional das verdades dos fenmenos scio-vitais um ele mento fundamental para o estabelecimento de bases normativas de enorme al cance individual e coletivo. Em momentos de importantes inflexes histricas o campo de conhecimento a que chamamos genericamente de cincias da vida e da sade tem desempenhado papis de3 Gadamer, Hans-Georg. Verdade e mtodo: traos fundamentais de uma hermenutica filosfica. Petrpolis: Vozes; So Paulo: Editora Universitria So Francisco, 1997. 4 Costa, Newton Carneiro Affonso da. O conhecimento cientfico. So Paulo: Discurso Editorial, 1997.</p> <p>10</p> <p>grande relevncia, como na emergncia do racionalismo clssico na Grcia, no antropocentrismo cultural do Renascimento, na construo cientficotecnolgica da modernidade ocidental, assim como no impressionante movimento contemporneo rumo engenharia gentica da vida. Assim, no ser difcil entender nossos sentimentos de curiosidade, satisfa o e esperana diante do presente trabalho. Curiosidade por encontrar nesta obra coletiva competentes pesquisadores de formao diversa, como historiado res, mdicos, socilogos, gegrafos, enfermeiros, antroplogos, todos envolvi dos na mesma tarefa prtico-moral de fazer falar de novo, no modo de dizer hermenutico, experincias das cincias e tcnicas da sade to significativas na construo das prticas de sade paulistas e brasileiras. Satisfao porque esta publicao inaugura a coleo Medicina, Sade e Histria do Museu Histrico Prof. Carlos da Silva Lacaz, da Faculdade de Medicina da USP, consolidando o processo de restauro e revitalizao iniciado na instituio em 2007. Para alm das atividades museais propriamente ditas, o Museu tornou-se, desde ento, sob a liderana dos historiadores Andr Mota, seu coordenador, e Gabriela Marinho, pesquisadora associada, um ativo centro de produo e difuso de conhecimen to histrico sobre medicina, sade pblica e reas afins. Portanto, nada mais ade quado para a realizao do escopo desse novo Museu que fazer fluir para a comunidade acadmica e tcnica interessada pesquisas histricas de qualidade e interesse, como as veiculadas neste primeiro volume. Por fim, mas no menos forte, o sentimento de esperana. Esperana de ver a rea da histria se incorporar radicalmente cultura institucional e acadmica de uma instituio como a Faculdade de Medicina da USP, to importante plo irradiador de pesquisa, ensino e extenso em nosso pas. Esperana de ver nosso Museu contribuir consistentemente para o campo da Histria brasileira, de modo geral, e da histria das prticas de sade em particular. Esperana, especialmen te, de que a auto-compreenso prtica das cincias e tcnicas da sade propicia das por produes como esta possa fazer nossa medicina e nossa sade...</p>