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  • Copyright 2006 [urandir Malerba

    Todos os direitos desta edio reservados Editora Contexto (Editora Pinsky Ltda.)

    Montagem de capa e diagramaoCustava S. Vilas Boas

    RevisoLilian Aquino

    Vera Quintanilha

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)(Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

    A histria escrita: teoria e histria da historiografia /organizador J urandir Malerba. - So Paulo: Contexto, 2006.

    Bibliografia.ISBN 85-7244-303-7

    I. Histria - Filosofia 2. Historiografia -Histria 3. Historiografia - Teoria I. Malerba,Jurandir.

    05-5761 COO-901

    ndice para catlogo sistemtico:1. Hisroriografia : Histria 90 I

    EDITORA CONTEXTO

    Diretor editorial: Jaime Pinsky

    Rua Acopiara, 199 - AI to da Lapa05083-110 - So Paulo - SP

    PABX: (l1) 3832 5838contexroteditoracontexro.com.br

    www.editoracontexto.com.br

    2006

    Proibida a reproduo total ou parcial.Os infratores sero processados na forma da lei.

    Sumrio

    Apresentao ...........................................................................................................................7

    Teoria e histria da historiografia .Jurandir Malerba

    11

    Para uma nova histria da historiografia 27

    Horst Walter Blanke

    Historiografia e tradio das lembranasMassimo Mastrogregori

    . 65

    Historicismo, ps-modernismo e historiografia 95

    Frank R. Ankersmit

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    114

    Historiografiacomparativa intercultural

    J6m Rsen

    Por que a teoria?Muitos trabalhos em historiografia so elaborados dentro da estrutura de

    uma histria nacional.' Uma perspectiva mais ampla incluir a historiografiaeuropia ou ocidentaF ou ahistoriografia de culturas no-ocidentais. Essa ltimatrataria principalmente de um nico pas ou uma nica cultura, como a China

    3

    ou a ndia." Estudos comparativos so raros.' H uma srie de razes para issoe mencionarei apenas duas delas: a dificuldade de aplicar habilidades depesquisa especializada a culturas histricas diferentes e o domnio dopensamento histrico ocidental nos estudos histricos mesmo em pases no-ocidentais. Essa dominao arrasta o interesse acadmico para as origens e o

  • desenvolvimento do modelo especificamente moderno de pensamentohistrico. Porm, h urna necessidade crescente de comparao interculturalsimples e inevitavelmente por causa do grande aumento da comunicaointernacional e intercultural, no apenas na economia ena poltica, mas tambmem vrios campos da vida cultural.

    Como a comparao intercultural deveria ser feita?" No basta prdiferentes histrias da historiografia juntas. Isso poderia fornecer um til emesmo necessrio panorama do conhecimento disponvel at determinadomomento, mas no se constitui em um tipo de comparao, uma vez que asdiferentes acumulaes de conhecimento carecem de uma estrutura comumde organizao cognitiva. Toda comparao precisa de um parmetroorganizativo. Antes de olhar para os materiais (textos, tradies orais, imagens,rituais, monumentos, assim por diante), necessrio saber que campo de coisasdeve ser levado em considerao e de que maneira as descobertas nesse campodevem ser comparadas. Trocando em midos: quais so as similaridades e ondeesto as diferenas nos domnios da historiografia?

    Essa questo simples exige uma resposta muito complexa. A comparaointercultural um assunto muito delicado. Ela resvala no campo da identidadecultural e, por conseguinte, envolve-se em conflitos de poder entre diferentespases, especialmente no que tange dominao ocidental e resistncia no-ocidental a ela, em uma grande variedade de formas de relao intercultural.Porm, no s Oconflito poltico pelo poder que torna problemtica umacomparao intercultural dentro da disciplina da histria. Para alm da poltica,encontra-se uma dificuldade epistemolgica com enormes conseqnciastericas e metodolgicas para as humanidades: tO~l2..ara~ feita emum dado contexto cultural, de~im.Elica~oda~o~araso. Os historiadores, ao olharem para o pensamento histrico deoutras culturas, normalmente o fazem por meio da idia de historiografia desua prpria cultura. Eles no sentem nenhuma necessidade urgente de refletirou de explicar isso teoricamente. Esse sentido preestabelecido do que historiografia funciona como parmetro oculto, como norma ou, pelo menos,como fator que vem estruturando o panorama de variedades de pensamentohistrico em diferentes lugares e pocas.

    A desateno o problema: em uma tal comparao, certo tipo depensamento histrico tem um metastatus irrefletido, e acaba determinando

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    os resultados da comparao. O modo "real" ou essencialmente "histrico"de historiografia naturalmente s poder ser encontrado nesse paradigmapreexistente e os outros modos ganham seu sentido, significado e significaoapenas em relao a ele.7Acomparao, aqui, no revela nada seno uma medidada distncia de uma norma acriticamente assentada. Em casos raros, estudiosospodem usar projees de alternativas dentro de outras culturas no sentido decriticar a seus prprios pontos de vista; mas, mesmo nesse caso, eles nuncatm um discernimento substancial das peculiaridades e similaridades de

    diferentes modos de pensamento histrico e de historiografia.Por exemplo, pode-se perguntar: como devemos tratar com elementos

    de fico e imaginao potica na representao do passado? Se avaliamosesses elementos como a-histricos, no-histricos (mesmo anti-histricos),ou como essenciais para entender a histria, vai depender do conceito depensamento histrico e historiografia dado pela nossa cultura. Um outroexemplo a questo da importncia de uma linguagem escrita. Por causa deuma convico acriticamente assentada sobre o papel constitutivo de umalinguagem escrita para o pensamento histrico, por muito tempodenominamos de lia-histricas" culturas com tradio unicamente oral,mesmo como no pertencendo histria como um todo:" tais culturas soconsideradas histricas somente depois da introduo da escrita. Por certo,esse preconceito impede discernir dentro da cultura tipos especficos depensamento histrico que no se apiem sobre uma linguagem escrita.

    No se pode evitar o conflito entre engajamento e interesse relativo identidade histrica das pessoas cuja historiografia pode e deve sercomparada. Esse engajamento e interesse tm de ser sistematicamente levadoem conta; tm de se refletir sobre eles, explic-Ios e discuti-Ios. H pelomenos um meio sistemtico de faz-lo, que d a oportunidade para odiscernimento compreensivo e o conhecimento e para a concordncia potenciale o consenso entre aqueles que se sentem comprometidos com umacompreenso rigorosa das diferentes culturas em questo. Eu penso na teoria,ou seja, um certo modo de refletir sobre e explicar os conceitos e as estratgiasde comparao. Somente por meio da reflexo teoricamente informada nspoderemos evitar ou corrigir qualquer imperialismo cultural oculto ou

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