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  • 1DO OUTRO LADO

  • 2 DO OUTRO LADO

  • 3DO OUTRO LADO

    INSTITUTO DE DIFUSO ESPRITAAv. Otto Barreto, 1067 - Caixa Postal 110

    CEP 13602-970 - Araras - SP - BrasilFone (19) 3541-0077 - Fax (19) 3541-0966

    C.G.C. (MF) 44.220.101/0001-43Inscrio Estadual 182.010.405.118

    IDE EDITORA APENAS UM NOME FANTASIA UTILIZADOPELO INSTITUTO DE DIFUSO ESPRITA,

    O QUAL DETM OS DIREITOS AUTORAIS DESTA OBRA.

    www.ide.org.brinfo@ide.org.br

    vendas@ide.org.br

    Wilson Frungilo Jr.

  • 4 DO OUTRO LADO

  • 5DO OUTRO LADO

    FICHA CATALOGRFICA

    (Preparada na Editora)

    Frungilo Jnior, Wilson, 1949-

    F963d Do Outro Lado / Wilson Frungilo Jnior,Araras, SP, IDE, 30 edio, 2006.

    160 p.

    ISBN 85-7341-347-6

    1. Romance 2. Espiritismo. I. Ttulo.

    CDD-869.935-133.9

    ndices para catlogo sistemtico:

    1. Romance: Sculo 20: Literatura brasileira 869.9352. Espiritismo 133.9

    Capa:Csar Frana de Oliveira

    1983, Instituto de Difuso Esprita

    30 edio abril/200610.000 exemplares

    (169.001 ao 179.000)

  • 6 DO OUTRO LADO

  • 7DO OUTRO LADO

    ndice

    I - Duas famlias ......................................................... 9

    II - Vereda, o mgico .................................................. 37

    III - O espetculo ........................................................ 51

    IV - Visita ao orfanato ................................................. 63

    V - O segredo ............................................................. 75

    VI - Novos acontecimentos ......................................... 99

    VII - Lies de Fabrcio .............................................. 113

    VIII - Revelaes .......................................................... 143

  • 8 DO OUTRO LADO

  • 9DO OUTRO LADO

    I

    Duas famlias

    Vai nan, Betinho, que ainda muito cedo.Vai pra caminha, vai.

    Huuummmmnnnno!

    Vai dormir, menino. T quentinho na cama.

    Nnnnnnno!

    Ento, senta a, quietinho, enquanto o papai faz abarba.

    No minsculo banheiro, Albertinho, filho nico, dequatro anos, vai agachando-se at sentar-se, pesadamente,e fica olhando, com interesse e cenho franzido, o pai fazera barba.

    Seu Alberto d um sorriso ao menino e comea a esca-nhoar-se, satisfeito com a pronta obedincia do filho.

    Como acontecia toda a manh, nesse ritual do bar-bear, ele entra em devaneio, coordenando as idias noservio que ter que executar naquele dia, apesar de saberque nada de novo far no trabalho, pois h mais de oito anos,

  • 10 DO OUTRO LADO

    opera naquela mesma linha de montagem, na fbrica. Sabeque no passa de uma pequena engrenagem da empresa,alis, uma pea muito fcil de ser trocada quando comeara apresentar defeitos ou atrasos na produo.

    Tambm faz parte de seus pensamentos matinais, apreocupao com seu filho Albertinho. Ser que conseguircom que tenha uma profisso ou um estudo? No tem amenor idia. O que ganha, d, suficientemente bem, parasustentar a famlia de trs pessoas apenas, mas tem medo dofuturo, da instabilidade.

    Ainda bem que existe a loteria fala, dirigindo-se aomenino que, sem entender o significado dessas palavras,apenas sorri.

    Voc falou comigo? pergunta dona Eunice, suaesposa, l da cozinha.

    No. Eu falei com o menino.

    O que voc disse?

    Eu disse ao Betinho que ainda bem que existe aloteria.

    Por qu?

    Porque enquanto houver uma loteria, a gente sem-pre ter iluses.

    E o que voc pensa que o menino entende dessascoisas de loteria?

    No falei para que ele entendesse.

    Por que falou, ento?

    Porque me deu vontade de falar, u!

    Seu Alberto termina de barbear-se, lava o rosto na pia

  • 11DO OUTRO LADO

    de esmalte esfolado e faz um pequeno truque para que atorneira permanea fechada, sem pingar. Olha, novamente,para o menino e recorda-se do dia em que aquele pequeninoser entrou em sua vida:

    J era noite quando chegou do trabalho e, qual nofoi a sua surpresa e, mesmo espanto, quando viu Eunice,sua mulher, embalando uma criana que deveria ter maisou menos uns seis meses de idade.

    De quem essa criana, Eunice?

    Alberto, se eu contar, voc no acredita.

    Pois conta, mulher.

    Eu a encontrei dormindo, a, na soleira da porta,embrulhada nestes panos.

    Voc est brincando, Eunice. Conta a verdade.

    Pois a verdade. A, ento, procurei pelos seus pais,na redondeza, mas ningum conhecia a criana.

    Meu Deus!

    Ela estava com fome e eu comprei leite e estamamadeira... um menino...

    E o que faremos?

    No sei... vamos tentar encontrar seus pais. Ele to bonzinho, Alberto... No chora...

    Mais essa... j no chegam os problemas que temos!

    Fala baixo, Alberto. Ele est dormindo.

    Olha, Eunice. Amanh sbado e ns vamos procu-rar os pais dele.

    E onde ele vai dormir, hoje?

    Ele pode dormir aqui, na sala, no sof.

  • 12 DO OUTRO LADO

    Ento, segura o menino, enquanto esquento acomida.

    Eu?!

    ... Voc."

    Alberto, ento, comea a lembrar o quanto procura-ram os pais do beb. Procuraram no sbado, no domingo eno fim da semana seguinte. At que um dia, depois de umms:

    " Alberto...

    Sim...

    E se os pais aparecerem?

    Levaro o menino...

    Mas... e se no forem os pais verdadeiros?

    Como assim?

    Tero que provar!

    Bem, o menino tem uma pequena mancha noombro e, certamente, eles iro que se lembrar.

    Tero que dizer antes! diz a mulher, categrica.

    Depois de alguns minutos de silncio.

    Alberto...

    Sim...

    Eu no quero mais devolver o menino diz Eunice,chorando.

    O qu...?

    isso mesmo. Voc sabe que no podemos ter filhose estou gostando da criana. ... bem... ... como se fossemeu filho.

    Que bobagem, Eunice!

  • 13DO OUTRO LADO

    Bobagem para voc, que fica o dia todo na fbrica enem se lembra que tem uma criana em casa. Eu fico o diainteirinho tomando conta dele e peguei amor no menino. E,no me diga que no gosta dele. Quero ver na hora deentregar a criana.

    Eunice...

    Voc at o chama de Albertinho!

    Tambm gosto dele, mulher, mas o que podemosfazer?

    Vamos adot-lo.

    Adot-lo?!

    Isso mesmo. Vamos adot-lo. Ns vamos falar como juiz, ou sei l quem e tenho certeza de que ele vai deixara gente ficar com ele."

    Alberto lembra-se, ento, de como combinaram dizer,no Cartrio de Registros, que a criana nasceu em casa, semmdico ou parteira e que, depois de muita burocracia,conseguiram registrar o menino com o nome de Alberto.

    Ainda est em devaneios, quando a esposa grita, l dacozinha:

    Vem tomar o seu caf, Alberto. Traz o menino.

    Vamos, Betinho.

    A cozinha pouco maior que o banheiro, contendoum fogo, uma pia, um armrio e uma pequena mesa,encostada na parede.

    Albertinho corre at o canto, perto da porta, e pega seunico brinquedo, um pequenino automvel de plstico.

    Vuuuuuuuuummmm!!! Vuuuuuuuuummmm!!!

    Fom! Fom! brinca o pai.

  • 14 DO OUTRO LADO

    Fom! Fom! responde o filho.

    Enquanto Eunice termina de preparar a marmita domarido, este, tomando o caf, desabafa, como sempre o faz,de manh:

    Vamos ter que trabalhar duro, hoje. A produo dafbrica est atrasada. Eu precisava mudar de emprego,sabe?

    Mas voc diz que gosta do servio.

    Do servio, eu gosto. O que no agento olhar paraa cara do Silva, todo o dia, quando ele vistoria a fbrica.

    Ele o diretor da empresa, Alberto.

    Eu sei que ele o diretor, mas o que voc quer queeu faa, se tenho verdadeiro dio por ele?

    Que isso, Alberto? Ele nunca lhe fez nada. Vocat reconhece que ele muito humano.

    Eu sei, Eunice, eu sei! E procuro sempre pensarassim. Mas impressionante! Toda vez que o vejo, tenhovontade de mat-lo.

    O que isso, Alberto?!

    No sei! No sei!

    Ficam em silncio.

    Sua marmita est pronta. No se esquea de trazerum litro de leite.

    Alberto puxa do bolso alguns trocados e torna acoloc-los de volta.

    Est acabando o dinheiro?

    ... est no fim, mas daqui a cinco dias, recebooutra vez.

  • 15DO OUTRO LADO

    Tenho que comprar o meu remdio, hoje.

    Dona Eunice tem o corao fraco, em virtude de umaleso congnita, que a obriga a tomar um determinadoremdio, diariamente.

    Pede para o seu Fabrcio marcar na nossa conta ediga a ele que, no dia dez, deste ms, eu pago diz Alberto,levantando-se, ainda com a xcara de caf nos lbios.

    Beija o filho, a esposa, e sai para o trabalho.

    E ento, Silva? pergunta, ansiosa, dona Nega, aomarido.

    Silva limita-se a menear a cabea, negativamente,passando Moacir, o pequenino de cinco anos, para o colo daesposa. O menino abraa a me.

    Gostoso viajar, mame!

    Passeou bastante, Moacir? pergunta a me aofilho, disfarando a ansiedade pela resposta de seu marido.

    Muito barulho, me. Muita gente.

    Vou levar voc para brincar um pouquinho e depoisa Maria vai dar-lhe um banho, t?

    A senhora liga o rdio?

    Ligo responde a me, levando o menino at oquarto e voltando, imediatamente. Silva est sentado nosof, com o rosto apoiado nas mos, demonstrando evidn-cias de cansao e desalento. Dona Nega ajoelha-se defrontea ele e apia-se em seus joelhos.

    E ento? Como foram os exames? pergunta,nervosa.

  • 16 DO OUTRO LADO

    Negativo.

    Como, assim, negativo?!

    Mais uma vez, o mdico foi categrico: no hindicao de transplante de crnea para nosso filho.

    Mas, como ?! O dr. Silveira nos garantiu que essemdico era um grande especialista e que havia esperanas...

    Eu sei, Nega, mas o nervo tico de nosso filho estatrofiado e no h chance nenhuma.

    No pode fazer um transpl