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BRN o t c i a s d o B r a s i lFotos: reprodues

Di v u lg a o c i e n t f i c a

Revista Cincia & Cultura, 69 anos

A longevidade de uma publicao tem a ver com sua capacidade de se reinventar. A Cincia & Cultura, que teve seu primeiro nmero pu-blicado em 1949, ano seguinte ao da criao da SBPC, revela a dis-posio constante de fazer valer a divulgao e comunicao para o fortalecimento da cincia no pas. o que se v quando se entra em contato com seu acervo, no Cen-tro de Memria SBPC Amlia I. Hamburger, localizado no edif-

cio da rua Maria Antonia, em So Paulo. O prdio guarda registros da histria da SBPC em sua rela-o com a prpria Universidade de So Paulo (USP) na medida em que surge no seio da Faculda-de de Filosofia, Cincias e Letras. Apesar da experincia de manu-sear as transformaes pelas quais a publicao passou, o acesso aos documentos no mais depender de visita in loco: todos os nmeros da revista j esto acessveis na in-ternet (veja box). Disponvel em verso impressa e on-line a partir de 2002, ano em que passa a ser produzida no Labo-ratrio de Estudos Avanados em Jornalismo (Labjor), na Unicamp,

a revista um marco para a institu-cionalizao da cincia no pas. De acordo com Carlos Vogt, seu atual editor chefe, trata-se de uma das publicaes mais antigas e impor-tantes para a grande virada que a cincia brasileira conhece a partir dos anos 1950. No cenrio de ps-guerra, do ponto de vista do financiamento e de formao de pesquisadores, divulgar os resulta-dos das pesquisas era fundamental. Assim, desde sua concepo, a re-vista foi um veculo que expressou a importncia da pesquisa cientfi-ca para a sociedade.Idealizada por Jos Reis (1907-2002), que a dirigiu de 1949 a 1954 e de 1972 a 1985, a Cincia

Capas da Cincia & Cultura ajudam a contar a histria da revista que passoupor diferentes fases desde sua criao

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BRN o t c i a s d o B r a s i l& Cultura no considerada ape-nas uma revista, mas um rgo da SBPC, uma associao aberta no apenas a cientistas, mas a todos os que se interessem pela cincia, por suas aplicaes e pelas consequ-ncias destas, conforme se l na contracapa de sua primeira edio. Nesse sentido, seu objetivo como rgo que da SBPC, servir de aproximao dos cientistas entre si, e destes com o pblico, entre todos desenvolvendo forte e indis-pensvel sentimento de solidarie-dade e compreenso, registra seu primeiro editorial.

jos rEis No incio, a revista Ci-ncia & Cultura era feita com muita dificuldade, inclusive fi-nanceira. o que conta Paulo Sawaya (1903-1995), cientista e um dos trs cavaleiros andantes da cincia junto com Jos Reis e Maurcio Rocha e Silva, todos fundadores da SBPC, em depoi-mento gravado em vdeo sobre o histrico da associao. A revista comeou a ser feita dentro de seu laboratrio, na Alameda Glette, 463. A casa abrigou os Departa-mentos de Botnica, Zoologia, Gentica, Geologia, Mineralogia, Qumica e Biologia at 1956, ano em que ocorre a transferncia para a cidade universitria.O primeiro nmero, de 1949, j trazia ilustraes e fotos. A capa, escolhida pela diretoria da SBPC

dentre originais que examinou, era de autoria do arquiteto Ernest de Carvalho Mange, scio que ti-nha acabado de fazer estgio no ateli de Le Corbusier. Com pro-pagandas de material tcnico e dentifrcio, o primeiro nmero registra a subveno anual de 50 mil cruzeiros feita pelo industrial Francisco Pignatari para a revista se tornar realidade.Nessa fase, era dividida nas sesses: pesquisas recentes, notas originais, comentrios, homens e institui-es, livros e revistas e noticirio. Seu formato j dava conta das ten-dncias e das novidades da produ-o cientfica brasileira e mundial. Jos Reis remodelou a revista, deu um impulso, acompanhando mais ou menos o que Maurcio (Rocha e Silva) pensava que devia ser, do tipo da Nature, de Londres, afir-mou Sawaya. Sob a direo edito-rial de Jos Reis, os objetivos hist-ricos de comunicao e divulgao cientfica foram afirmados, con-sidera Vogt.Em 1968, a Cincia & Cultura remodelada. A lombada passa a ser em formato brochura, e no mais em canoa feita com grampos. O papel passa a ter mais brilho. As ilustraes das capas mostram um cuidado visual primoroso, com destaque aos trabalhos do artista uruguaio Luis Diaz. A partir dos anos 1970, junto com esse trata-mento artstico apurado, estavam

as crticas ao regime militar. A crtica volta-se principalmente concepo da cincia somente co-mo tecnologia e destinao pelo Estado de verbas apenas a parques industriais e no pesquisa bsica realizada nas universidades.Em 1972, Jos Reis posiciona-se na revista: Se em tempos idos a tecnologia cresceu paralelamente cincia e mesmo sua revelia, isso no ocorre com a atual, que nasce da cincia e a partir dela se consti-tui com velocidade de transforma-o cada vez maior. Infelizmente, os que governam financeiramen-te a pesquisa nem sempre se do conta dessa relao. Dessa forma, ao firmar sua posio, a SBPC assumiu um papel importante no processo de democratizao, aumentou sua independncia e conquistou maior reconhecimen-to pelo governo, segundo Ana Maria Fernandes, em A constru-o da cincia no Brasil e a SBPC (Braslia: Editora Universidade de Braslia, 2000, p. 243).

intErnacionalizao Nos anos 1990, uma grande transformao. Em consonncia com os ares da poca, de 1991 a 2001, a revista passa a ser publicada integralmen-te em ingls. Em editorial assinado por Cesar Timo-Iaria, da rea de neurofisiologia, a justificativa: A vantagem de usar o ingls que essa lngua, falada em pases predomi-

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BRN o t c i a s d o B r a s i lnantes em escala mundial, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, passou a ser a lngua franca em to-dos os continentes, e dessa forma intermediando todos os tipos de comunicao humana, prevalecen-do sobre todas as outras lnguas. Deste modo, a partir do volume 43, tendo como editor Luiz Rodol-pho Travassos, a Cincia & Cultura torna-se Journal of the Brazilian Association for the Advancement of Science, com esprito de rein-veno que a caracteriza na tenta-tiva de dar respostas aos problemas postos aos cientistas.

tEmas E tEndncias Entretanto, aps a reunio anual de julho de 2000, em Braslia, o conselho de-liberativo da SBPC define que a revista deve voltar a ser publicada em portugus. Em seu 54 nme-ro, o tema Violncia escolhido. A revista continua a contar com apoio do CNPq, da Fapesp, passa a ter suporte tcnico do Labjor e do Instituto Uniemp para desen-volvimento grfico. Carlos Vogt, ento vice-presidente da SBPC na gesto de Glaci Zancan, toma a frente da publicao, repensan-do seu formato e renovando seus princpios. Sob o binmio Temas e tendncias, desde ento, o mote so artigos com ncleo temtico e o acompanhamento do desenvol-vimento cientfico, sendo sensvel s tendncias, numa linguagem

CinCia & Cultura digital

Uma parceria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Cincia (SBPC)

com a Hemeroteca Digital Brasileira, da Biblioteca Nacional, viabilizou a

digitalizao de toda a coleo da revista Cincia & Cultura. A revista teve

seu primeiro nmero publicado em 1949, ano seguinte ao da criao da SBPC.

Desde 2002, quando a revista passou a ser produzida no Laboratrio de

Estudos Avanados em Jornalismo, Labjor Unicamp, alm da verso impressa,

a Cincia & Cultura conta com uma verso digital no portal Scielo. Os nmeros

anteriores a 2002, no entanto, eram de difcil acesso. Com a digitalizao, as

456 edies e suplementos da revista podem ser consultados no site: http://

bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/. Segundo Vincius Martins, coordenador

da Hemeroteca Digital, a consulta ao acervo pode ser feita por ttulo, perodo,

edio, local de publicao e palavra. A busca por palavras possvel devido

utilizao da tecnologia de reconhecimento tico de caracteres (optical

character recognition OCR), que proporciona aos pesquisadores maior alcance

na pesquisa textual em peridicos. Todo o texto reconhecvel indexado e pode

ser recuperado, explicou. Para Ildeu Moreira, como boa parte dos registros

histricos sobre a SBPC est documentada justamente nas pginas da Cincia

& Cultura, a digitalizao foi muito importante, tanto para recuperar como para

preservar a histria da instituio, disse.

acadmica mais aberta ao leitor, explica Vogt. Marcelo Knobel editor chefe da revista de 2008 a 2017, e acompanha esse formato. Quando se torna reitor da Uni-versidade Estadual de Campinas (Unicamp), a revista volta ento a ser dirigida por Vogt.O dinamismo que marca sua his-tria continua vivo. Em home-nagem ao seu idealizador, edito-

rial assinado por Vogt em 2002, quando do falecimento de Jos Reis, indica: Possamos ns, todos os que integram o corpo editorial da revista, cientistas e jornalistas, cumprir, retomando-o do incio e renovando-o sempre, o papel que Jos Reis e seus colaboradores to bem desenharam (...).

Mariana Castro Alves

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