19ª Edição - O Espectro

Download 19ª Edição - O Espectro

Post on 21-Jul-2016

216 views

Category:

Documents

3 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

 

TRANSCRIPT

<ul><li><p> 19 Edio - 30 Abril 2015 Ncleo de Cincia Poltica ISCSP - UL </p><p>Quando ser Abril pg2 </p><p>Euro: consequncias e desafios </p><p>pg9 </p><p>Para os pases do Sul como Portugal o Euro representou logo partida um </p><p>grande desafio j que uma moeda muito mais forte do que o escudo, o </p><p>que contribui para um maior dfice da balana comer-cial. </p><p>Mar de Sangue pg8 </p><p>Pobreza em Portugal IMAGES.CDN.IMPRESA.PT pg3 </p></li><li><p>POLTICA INTERNA </p><p>02 | O ESPECTRO 30 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro </p><p>Faz 41 anos que um golpe preparado pelo Movimento das Foras Armadas </p><p>derrotou o Estado Novo, colocando fim a dcadas de represso, privao e guerra. Por todo o pas, e pelo mundo fora, portugueses recuperaram a capacidade de sonhar com um futuro diferente. Esta </p><p>esperana pode ser lida na voz de um operrio de construo civil que </p><p>confessa a um jornalista: J esperava isto muito tempo. Faz todo o sentido recordar e celebrar as conquistas do 25 de Abril, especialmente hoje, quando o povo portugus enfrenta </p><p>um novo autoritarismo. O regime da austeridade reabilitou a represso, privao e outros abusos de poder. Mesmo quando passar o pretexto da crise da </p><p>dvida pblica, sero encontrados outros pretextos para prepetuar a dominao. Ficaram por cumprir os projectos de liberdade, solidariedade e soberania popular que, h 41 anos, </p><p>aqueciam os coraes dos nossos pais e avs. Quem os realizar? O povo unido que desespera, sem ver sada? As elites polticas, arrogantes e corruptas? Os movimentos sociais, </p><p>que desmobilizam para fundar mais uma fora partidria de esquerda trotskista? Os Marinhos Pintos da praa pblica? No h Dom Sebastio vista, continuar Abril por cumprir-se. </p><p>Quando ser Abril? </p><p>Rui Coelho </p><p> COMUNIDADE.SOL.PT </p></li><li><p>30 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro </p><p>O ESPECTRO | 03 </p><p>POLTICA INTERNA </p><p>em parceria com o NAE - ISCTE </p><p>A letargia econmica </p><p>em Portugal </p><p>Com o aproximar das eleies legislativas multiplicam-se as pro-postas para a salvao da economia nacional, no entanto a questo para a maioria dos portugueses reside na dvida incontornvel acerca da capacidade de mudana de qual-quer um dos executi-vos que venha a to-mar posse. Circuns-tncias cclicas par-te, a verdade que a economia portuguesa enfrenta um grave problema de competi-tividade, que nenhum governo conseguiu nos ltimos 20 anos resolver. A poltica de horizontes curtos, com perspetivas limi-tadas a 4 anos, impe-diu a implementao de uma estratgia co-esa de longo prazo que permitisse a alte-rao das caractersti-cas que o determi-</p><p>nam. Portugal tem um grave problema na sua estrutura pro-dutiva, devido es-pecializao em seto-res que se baseiam na competitividade-custo, semelhantes aos de pases asiti-cos e do leste euro-peu que nessa com-ponente conseguem ser mais competiti-vos. As deslocaliza-es, falncias e per-da de cota de IDE, foram uma dinmica demasiado evidente no incio do milnio, principalmente aps o alargamento da Unio, que veio re-forar a tendncia iniciada com a libera-lizao aduaneira a oriente em 95 com o fim do acordo Multi-fibras. Num pas que precisa rapidamente de se modernizar tecnologicamente e de intensificar a sua </p><p>Joo Rodrigues </p><p>aposta nas cincias e tecnologias, urge ex-plicar o que fazer a 258 mil desemprega-dos registados - que tm o 3 ciclo de es-colaridade ou menos. Poder a resposta a este problema dra-mtico no implicar a continuao de uma aposta nos baixos custos de trabalho? Ou implicar a rees-truturao do tecido empresarial portu-gus a excluso per-manente do mercado de trabalho destes trabalhadores? Alm das bvias carncias de capital humano, que so a causa de maior relevncia pa-ra o atual padro de produo pouco competitivo e din-mico, existem entra-ves conjunturais que ameaam ir perpetu-ando o problema. A fraca dinmica do mercado interno mi-tiga o investimento interno e externo, pelo que a capacida-de de exportao se torna um fator deter-minante no processo de atrao e fomen-</p><p>tao de investimen-to. Consequentemen-te, Portugal tem de apresentar condies endgenas suficiente-mente mais favorveis s dos mercados de destino para compen-sar os custos incorri-dos pela no localiza-o nesses mercados. Neste sentido, preci-so ter uma viso de longo prazo para a im-plementao de uma estratgia nacional que vise a criao de condies para a for-mao de clusters in-dustriais, que atuem como polos de desen-volvimento e cresci-mento e que se alas-trem de forma trans-versal a todo o pas. No obstante os casos exemplares que exis-tem em Portugal, dos quais a Autoeuropa e o parque industrial de Palmela so o melhor exemplo, existe uma clara incapacidade de fazer florescer casos semelhantes de forma substancial. A perpe-tuao do problema resulta diretamente da avidez poltica pelo dispndio de recursos </p></li><li><p>04 | O ESPECTRO 30 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro </p><p>POLTICA INTERNA </p><p>cclico adverso acen-tuou a emigrao de populao qualifica-da, precisamente a que encontra mais oportunidades no exterior e paradoxal-mente, a que o pas mais precisa apesar de ser incapaz de a integrar. Talvez tiran-do proveito do es-quecimento e da crescente desconcen-trao que o uso in-cauto dos estmulos </p><p>virtuais trouxe ao no-vo milnio, a alterna-tiva socialista enri-quecida por demago-gias avelhentadas, pouco concretas, pouco sustentadas e que nos aspetos es-</p><p>em aes com efeitos de curto-prazo e com consequncias eleito-rais expressivas nas eleies seguintes. O desastroso resultado, a ingerncia dos problemas basilares da economia portu-guesa e a mera preo-cupao com a altera-o de condies de contexto, que nos condenam indefinida-mente reao ao in-vs da antecipao </p><p>das dificuldades. A mi-opia poltica um tu-mor no fulgor nacio-nal e as dioptrias pa-recem vir a agravar-se cada vez mais. Na pre-sente legislatura, s em 2013 o governo </p><p>diminuiu a verba do Ministrio da Educa-o em 370 milhes euros, o que repre-senta uma enorme laxao face ao mai-or problema nacional - descurando propo-sitadamente os ale-gados ganhos de efi-cincia. Em termos reais, entre 2005 e 2013 s o ensino su-perior perdeu 200 milhes de euros de dotao do oramen-</p><p>to de estado, o que difcil perceber face a outros to exagera-dos gastos noutras rbricas. Como se no bastasse, a inca-pacidade de resposta face a um perodo </p><p>senciais deixam vis-lumbrar muito pouco. No desprezando as propostas positivas apresentadas, a falta de ideias novas e de direo no foge tra-dio da poltica por-tuguesa de apresentar curativos para lceras varicosas. Muito pou-co se diz acerca da ex-plorao e potencia-o das capacidades do pas, no se adian-ta nada de novo para combater o problema do desemprego acima enunciado, nem se acrescenta uma clara estratgia de moder-nizao e qualificao dos recursos huma-nos, para alm do que j tem vindo a ser fei-to, apesar de reconhe-cida a sua importn-cia. bom que os por-tugueses no caiam em promessas fceis e vazias, e sejam mais exigentes com todos os candidatos ao po-der quanto apresen-tao de propostas de futuro para o pas, sob pena de o pas conti-nuar a agonizar na le-targia econmica. </p><p> COPY.PNN.PT </p></li><li><p>POLTICA INTERNA </p><p>30 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro </p><p>O ESPECTRO | 05 </p><p>#Je Suis Candidate </p><p>Aussi </p><p>Diz-se que as Presi-denciais de 2016 no tardam a. De entre as promessas ilusrias da democra-cia, financiadas pela liberdade de imprensa e informao, e num momento em que a confiana no governo e nas instituies pol-ticas se encontra em declnio, num registo histrico no regime que o 25 de Abril de 1974 nos trouxe, sur-ge uma particular ideia de que as pesso-as se acham particu-larmente prximas e se acham capazes de exercer, no s o seu sentido crtico de opi-nio, mas tambm a competncia para ser-vir determinado cargo pblico, e no um qualquer: ou almejam um assento no Parla-mento ou a suite real no Palcio de Belm. Ou seja, para alm de </p><p>julgarem toda a pol-tica no caf, tambm possuem o descara-mento (ou no) de olhar para si prprios como um possvel exemplo. E o pior que a ideia comea a fazer-lhes sentido pelo menos, para mais de uma dezena de portugueses fez. As eleies Presiden-ciais de 2016 em Por-tugal contaro com, pelo menos, mais de dez potenciais candi-datos e continuamos atentos s prximas notcias porque pos-sivelmente aparecer mais algum. um va-lor histrico, que ba-te as Presidenciais de 1986, onde se dispu-taram Mrio Soares e Freitas do Amaral nu-ma segunda volta, numas eleies com 8 candidatos. Talvez a confiana no gover-no varie numa rela-</p><p>Francisca Sassetti </p><p>o inversa com a participao poltica, nomeadamente, com o interesse por assu-mir pastas institucio-nais polticas. Por um lado, no estamos aqui a menosprezar o voto que cada um to inalienavelmente possui para determi-nar o seu represen-tante, mas a capaci-dade de se auto-intitular um. No sei porque dizem que h uma crise de repre-sentatividade; nunca tivemos tantas pes-soas a querer ser a cara do pas! Se con-siderarmos a mnima proposta de 10 can-didatos, para 10 mi-lhes de portugue-ses, falamos de 0,0001 % de repre-sentatividade de to-dos os portugueses! Por outro lado, ser correcto banalizar o que mais profundo do que uma notcia e mais importante do que ateno mediti-ca? Afinal meus se-nhores falamos do futuro do pas. Mas porque h tan-tos candidatos? Per-</p><p>gunto-me se ser pela falsa proximidade en-tre governantes e go-vernados, entre cau-sas e participao, co-mo aquele euro que doam para a AMI que decerto que che-ga aos meninos esfo-meados em frica -; ou ento se ser pela tendncia exagerada de mobilizao dos Media e a mania de que toda a gente muito crtica neste pa-s e muito apta ao bom comentrio pol-tico todos adoramos o Cavaco e elogiamos o seu trabalho, por isso que votmos ne-le, certo? -, e isso re-lembra-me de #JeSuisCharlie. Lem-bram-se do ataque terrorista ao jornal Charlie Hebdo? Todos queriam ser Charlie quando um grupo ex-tremista islmico ma-tou meia dzia de pes-soas em resposta a medidas xenfobas e extremistas em Frana e o slogan inflamou as pessoas, que se consi-deraram aptas a de-fender a causa justa-mente; contra a radi-</p></li><li><p>06 | O ESPECTRO 30 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro </p><p>POLTICA INTERNA </p><p>calizao islmica, sa-bendo que muitas de-las so xenfobas e no radicalistas relati-vamente ao prprio islamismo. Agora, em Portugal, todos que-rem ser o novo presi-dente da Repblica Portuguesa, conside-rando-se aptas a de-fender a causa e o pa-s justamente, porm revelam-se pessimis-tas quanto ao estado do Pas e criticam mais a torto do que a direito, sabendo que muitas delas espera-ram, pelo menos 35 anos anos, para come-ar a preocupar-se com o raio do seu pa-s!! As ilusrias promessas da democracia dizem-nos que nem todos podemos ser o que quisermos. E que simplesmente triste a vulgarizao e banali-zao de assuntos s-rios, porque desvalori-zamos a nossa identi-dade e a seriedade da nossa poltica. Isto so assuntos srios. Um Presidente da Repbli-ca competente, srio e convicto, pode revi-</p><p> talizar a vontade e o poder nacionais. J dizia o Cames Um fraco rei faz fraca a forte gente. Apesar de tudo, fico, na verdade, muito feliz por saber que existem, pela primei-</p><p>ra vez na Histria de Portugal, tantas pes-soas competentes a lutar pelo destino do nosso pas. Pelo me-nos, h quem se inte-resse intrinsecamen-te pelo pas. Talvez seja isto obra de D. </p><p>Sebastio - quem sa-be? Este pas conti-nua a surpreender-me, e garanto-vos que nunca me abor-reo. H sempre no-vidades e coisas his-tricas inditas na poltica portuguesa, </p><p>sobretudo em elei-es o fenmeno Marinho e Pinto de vira-casaquismo, as Primrias do PS em 2014, a priso de um ex-Primeiro-Ministro, e agora um enorme nmero de candida-</p><p>tos que abrange um variado leque de pro-fissionais: desde ex-deputados, a ex-vices de Cmaras, ex-reitores, malta de sin-dicatos; a festa est cheia. Esperemos que o Tribunal Constitucio-</p><p>nal no se junte fes-ta e tenha juzo. Temos uma capacida-de extraordinria para nos reinventarmos. Ou no. Talvez seja mais: Tudo ao molho e f em Deus. </p><p> PPLWARE.SAPO.PT </p></li><li><p>POLTICA INTERNA </p><p>em parceria com o NAE - ISCTE </p><p>Qual o interesse da </p><p>Eduo (II)? </p><p>No ms passado apresentei, na primeira parte deste texto, algumas ideias para reflexo sobre o sistema de ensino. Embora o sistema de ensino em Portugal tenha vindo a ser progressivamente melhorado (com alguns altos e baixos) a continuidade dessas melhorias exige uma direco. Com isto em mente, gostaria de explorar a ideia de introduzir Filosofia como disciplina do ensino bsico, a partir do 7 ano. Vivemos, hoje em dia, numa sociedade cada vez mais marcada pela importncia do imediato. A informao prolifera e circula velocidade de uma ligao internet. A quantidade avassala-</p><p>dora de informao disponvel cria a iluso de um acesso a cada vez mais conhecimento. Porm, como aqui defendo, informao no conhecimento. Para ter acesso primeira apenas preciso ver na superfcie do terreno, almejar o segundo saber-se que preciso escavar. Mas mais do que di-zer onde escavar, os programas escola-res deveriam fornecer a p para o empreendimento. Em vez de limitar-se a impingir um con-junto de matrias aos alunos, a escola de-veria preocupar-se sobretudo em ajudar a activar as potencia-lidades dos mesmos: saber fazer e, sobre-tudo, cada vez mais importante, saber </p><p>Gonalo Lima </p><p>pensar. Para tal parece-me que a introduo de uma disciplina de Filoso-fia, j a partir do 7 ano, seria uma ideia a considerar. A filosofia lida essen-cialmente com con-ceitos que constitu-em a base do pensa-mento lgico, o que induz um maior sen-tido crtico e aptido para transformar in-formao em conhecimento. A melhoria nas capacidades dos alu-nos tenderia tambm a repercutir-se numa maior facilidade de aprendizagem das outras disciplinas di-tas nucleares (como a Matemtica ou o Portugus). Prova disso mesmo foi um projecto fi-nanciado pela Paul Hamlyn Foundation (www.phf.org.uk), realizado em dez escolas do Reino Unido, em que alunos entre os onze e os treze anos tiveram uma aula de filosofia por semana durante um ano lecti-</p><p>vo. A quase totalidade dos alunos (97%) revelou melho-rias significativas nas suas capacidades cog-nitivas, bem como na sua concentrao e confiana. Parece-me que este tipo de aprendizagem poderia ser, tambm, um forte incentivo a aulas com uma maior participao por parte dos alunos, na sua vontade de fazer perguntas e discutir conceitos que vo para alm do que o seu quotidiano, e alunos mais interessados so normalmente sinnimo de maiores competncias e melhores resultados. Um cenrio promis-sor, mesmo para os aficcionados pelos rankings. Mas, verdade, j quase me esquecia: pensar uma maada. Outros que o faam, ns compramos. </p><p>30 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro </p><p>O ESPECTRO | 07 </p></li><li><p>Mar de Sangue </p><p>Tiago Santos </p><p>Entre 700 e 900 pes-soas morreram no Do-min...</p></li></ul>