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19 Congresso de Iniciao Cientfica

OS FAZERES EM PSICOLOGIA SOCIAL NA PRIMEIRA DCADA DO SCULO XXI: OSSENTIDOS DAS PRTICAS PSICOSSOCIAIS CONTEMPORNEAS

Autor(es)

CLAUDIA REGONHA SUSTER

Orientador(es)

TELMA REGINA DE PAULA SOUZA

Apoio Financeiro

FAPIC/UNIMEP

1. Introduo

Compreendendo que a importncia da atuao do psiclogo social na Amrica Latina relaciona-se com uma histria de colonialismo eregimes autoritrios de governo, nota-se que suas prticas psicossociais, no passado, intencionavam a mudana poltico-social,portanto, tinham um carter transformador. A realidade social era opressora e, para tanto, os psiclogos sociais criavam formas decompreender esse indivduo subjugado e imprescindvel para a manuteno do status quo. Teorias e categorias como: identidade,representao social, alienao, conscincia e linguagem so desenvolvidas a partir do olhar desses tericos para o momentohistrico-social do pas (BOMFIM, 2003; LANE, 1989). No possvel negar que a realidade no se fez esttica desde o trmino daDitadura. Realidades foram mantidas, outras transformadas e algumas deixaram de existir. Em meio a isso, novas problemticaspassam a permear a vida cotidiana dos brasileiros e latino americanos.

2. Objetivos

Sinteticamente, os objetivos deste trabalho foram trs: - Identificar as prticas profissionais relatadas nos manuscritos da RevistaPsicologia & Sociedade, no perodo de 2000 2010; - Analisar os sentidos de tais prticas na dimenso poltico-ideolgica; -Relacionar as prticas e seus sentidos com a formao de seus respectivos autores;

3. Desenvolvimento

Foram lidos todos os exemplares da revista Psicologia e Sociedade, produzidas pela ABRAPSO (Associao Brasileira de PsicologiaSocial), publicados entre o ano 2000 e 2010, totalizando 32 exemplares (cerca de 400 artigos). Todo material lido foi classificado deacordo com o contedo predominante, sendo estes: textos epistemolgicos (discutem teorias e/ou categorias da Psicologia Social);textos metodolgicos (discutem mtodos de pesquisa em Psicologia Social); textos temticos (discutem um tema, por exemplo:violncia, grupos, direitos humanos etc); textos de outras psicologias (apresentam claramente uma base no social); textos em outroidioma (que no estavam publicados em lngua portuguesa); textos de outros contextos (no retratam o cenrio brasileiro) e os textosrelativos s prticas (discutem prticas - intervenes identificadas como da Psicologia). Vale dizer que alguns artigos se

enquadraram em mais de uma classificao. Dos textos referentes s prticas, mais alguns dados foram selecionados: a) as prticasapresentadas no texto; b) populao alvo; c) local da prtica; d) vinculao institucional da prtica; e) equipe de trabalho; f) tempo dedurao das atividades; g) motivao/justificativa das atividades; h) base terica; i) base metodolgica; j) resultados; k) dificuldades/limites; l) observaes relevantes. Posterior a concluso da sistematizao dos dados (anlise descritiva) das prticas, iniciou-se acoleta dos currculos lattes dos autores identificados nesses artigos. A partir da anlise descritiva, cinco eixos foram identificadospara a realizao da anlise dos sentidos das prticas identificadas nos manuscritos, a saber: investigativo, sociolgico-adaptativo,poltico, educativo e tico.

4. Resultado e Discusso

A partir da leitura do material produzido nas anlises descritivas (Anexo 1 correspondentes aos eixos classificatrios), algunssentidos (Anexo 2) foram identificados no que diz respeito aos artigos que fizeram referncia uma prtica em Psicologia Social,sendo estes: sentido investigativo, sentido sociolgico-adaptativo, sentido educativo (ou de conscientizao), sentido poltico e osentido tico. Alm dos sentidos, os pesquisadores optaram por apresentar o contexto, a metodologia de pesquisa, as tcnicasutilizadas para a coleta de dados e os objetivos identificados em cada publicao, visto que esses foram os elementos bsicos para adefinio dos sentidos. Sentido investigativo Prtica voltada produo do conhecimento, relacionados problemas da realidade, aoaprimoramento da Psicologia ou relacionados demandas da realidade e/ou atuao profissional para uma interveno psicolgica. Amaior parte dos artigos apresentados identificados como sendo de sentido investigativo estavam dentro do contexto do mundo dotrabalho, sade, gnero, ensino, economia solidria/cooperativismo e instituies. Sobre as metodologias utilizadas pelospesquisadores, quase todos os artigos (95) foram realizados atravs de pesquisa qualitativa, alguns optaram pelo mtodoquali-quantitativo (13) e apenas dois artigos utilizaram apenas o mtodo quantitativo. Dentre as tcnicas para coleta de dados maisutilizadas, apresentadas nos artigos, esto: entrevistas, pesquisa documental, observaes, visitas domiciliares/ campo, questionriose a narrativa autobiogrfica. Os objetivos das produes eram predominantemente voltados produo do conhecimento cientfico. Sentido Sociolgico-adaptativo Prticas em grupos/comunidades que consideram o contexto sociocultural, mas centram a atuao noindivduo para a incluso social, por meio do fortalecimento desse indivduo (associado ao conceito de resilincia). Apenas doisartigos foram identificados com relao ao sentido sociolgico-adaptativo. Um, focando o contexto da situao de rua e o outro, ocontexto das comunidades. Ambos apresentavam metodologia qualitativa e como tcnicas de coleta de dados o encontrotransformador e as oficinas. Dentre os objetivos dos trabalhos, um foi identificado como de interveno e outro como produo doconhecimento cientfico. Sentido educativo (ou de conscientizao) Prticas voltadas para o desenvolvimento de uma conscinciacomo processo de elaborao coletiva da compreenso da realidade e para o planejamento de aes na realidade analisada. Cincoartigos foram identificados como sendo de sentido educativo. Desses artigos, os contextos observados foram o da sade,infncia/adolescncia, escola/ universidade e avaliao. Quatro desses utilizaram metodologia qualitativa, e um, optou pelo mtodoquali-quantitativo. Dentre as principais tcnicas estavam as entrevistas, os grupos focais e oficinas. Quanto aos objetivos, dividiram-seentre trabalhos voltados interveno e produo do conhecimento cientfico. Sentido poltico Prticas voltadas para a participaosocial nos espaos pblicos tanto relacionados com as politicas pblicas (consenso) como as manifestaes antagonistas ordemsocial (dissenso). Apenas um artigo foi identificado como sendo de sentido poltico. Este, por sua vez, estava no contexto dasCooperativas/ONG e da infncia/ adolescncia. Foi realizado atravs da metodologia qualitativa por meio da tcnica de observaomilitante. O objetivo era claramente de interveno. Sentido tico Voltados elevao do indivduo, grupo ou comunidade condio humana genrica (hominizao/humanizao). Seis artigos foram identificados tendo um sentido tico. Alguns contextosforam identificados, sendo estes: Projeto educacional, instituies, Cooperativas/ONG, gneros, racial, violncia e da sade. Todosutilizaram metodologia qualitativa e tcnicas como os grupos focais (predominantemente), entrevistas, observao participante,oficinas, grupo dispositivo e grupo de convivncia. Referente aos objetivos foi possvel perceber que possuam aspectos voltadospara as esferas do individual (qualidade de vida e autonomia), do grupal (cooperao, construo de uma identidade coletiva, inclusosocial e qualidade de vida), da comunidade (englobando aspectos referentes ao grupal, individual e vinculados diretamente valorizao da diferena) e do universal (voltados para transformao social/local aspectos tico-polticos). Discusso Em relaoao Currculos lattes, foi possvel observar que os currculos lattes (vistos em sua totalidade) indicam que a formao e produo(campo de atuao, pesquisas realizadas e publicaes) dos autores dos textos relativos s prticas so atravessadas por questessociais em diversos campos de estudos e prticas. Nestes, destaca-se o mundo do trabalho, observado principalmente por meio dosujeito alvo das prticas analisadas: o trabalhador. Na sequncia aparece o campo educacional, o comunitrio e, por ltimo, a clnica,identificados tambm por meio dos sujeitos enfocados nos estudos/prticas dos outros autores considerados, a saber: professor/alunos,comunidades e movimentos sociais e, no enfoque clnico, o paciente, tambm relacionado a estudos de sade-coletiva em umaabordagem psicossocial. Estas caractersticas na formao/atuao dos autores tem total correspondncia com os dados observadosnos artigos, considerando-se os sujeitos alvos dos estudos/prticas publicados. Mundo do trabalho De acordo com o materialcoletado nas revistas, foi possvel observar que grande parte dos artigos analisa as transformaes no mundo produtivo e sua relaocom o adoecimento/sofrimento psquico. Destacaram-se questes subjetivas do trabalhador e objetivos do mundo do trabalho sem, noentanto, uma leitura poltica da realidade contempornea. Em outras palavras, o social apareceu no sentido despolitizado e, comoidentificado nas publicaes, ocorreu a ausncia ou baixa frequncia de discusses acerca de polticas pblicas, movimentos sociais eparticipao social. Ao que parece, esse elemento diferencia o conhecimento psicolgico Latino-americano da metade do sculo XX

do conhecimento psicolgico que foi produzido na primeira dcada do sculo XXI. No caso do mundo do trabalho, pode-se pensarque parte das transformaes discutidas pelos autores foi determinada principalmente pelas transformaes que o Sistema EconmicoCapitalista produziu na sociedade. Com a automizao do sistema produtivo, a mo-de-obra humana substituda pela mquina. Atecnologia passa a fazer rapidamente, e com eficcia, boa parte do servio que antes era realizado por dezenas de trabalhadores. Nessesentido, ocorre a diminuio dos empregos formais e aumentam os trabalhos informais e/ou precrios. E como amenizar esses efeitosna sociedade? A resposta talvez seja criando novos espaos de trabalho. exemplo disso tem-se a emergncia de trabalhos e projetossociais de incluso de jovens e adultos no mercado, apoiados por iniciativas governamentais ou no. tambm nesse contexto que aEconomia Solidria ganha fora, na medida em que os indivduos, antes marginalizados como mo-de-obra pouco qualificada paraalguns postos de trabalho, passam a reinserirem-se no mercado. Ainda assim, essa reinsero discutvel, considerando que algumascooperativas vivem em condies precrias de trabalho e, alm disso, estas iniciativas podem significar uma incluso perversa, vistoque a lgica da excluso permanecesse intacta (SAWAIA, 2004). Sobre as mudanas nas prticas psicossociais Apesar do nmerode artigos que abordam o contexto do trabalho e os fenmenos que o envolvem, as discusses raramente fazem crticas ao sistemaprodutivo. Ainda assim, possvel dizer que apresentam um carter tico de cuidado com os sujeitos, voltados para a diminuio dosofrimento psquico, mas pouco politizado. Outros temas recorrentes nas publicaes esto no mbito da sade. Em alguns casos, osprofissionais da sade eram os sujeitos e, em outros, os usurios dos servios ou pacientes. Questes referentes ao gnero e aviolncia tambm foram trabalhadas, tendo como principais sujeitos de estudo as mulheres. Considerando a anlise realizada, possvel entender que a predominncia do sentido investigativo que, alm de poder significar a valorizao da cientificidade dasprodues publicadas, validando a Revista como cientfica, pode significar que a Psicologia Social brasileira na atualidade tem maisperguntas do que respostas aos dilemas e demandas de nosso tempo histrico. Os sujeitos identificados nas prticas psicossociais Sobre os sujeitos apresentados nos artigos das prticas psicossociais, foi possvel observar uma diversidade entre eles, e nesse sentido,alguns aspectos da Psicologia Social contempornea podem ser destacados: - diferentemente do perodo em que a Psicologia Socialna Amrica Latina demarcou uma identidade prpria (em contraposio Psicologia Social norte-americana), em que o sujeito estavarelacionado a comunidades, em especial quelas marginais na arquitetura urbana, atualmente esse sujeito no representa um lcus depertencimento, mas sim um lugar de sofrimento. Ou seja, o alvo das preocupaes se expandiu, incluindo todos aqueles queparecem revelar um mal estar social, quer seja por uma excluso socioeconmica, por uma distoro identitria, pelainstrumentalizao humana, especialmente no mundo do trabalho, ou por qualquer mal-estar que impede a autonomia humana e suaobjetivao social. - a complexidade social tambm aumentou, j no suficiente pensar em sociedade de classes, ou emcombinaes binrias: ricos-pobres, brancos-pretos, homens-mulheres, professores-alunos. Atualmente, se vive em uma pluralidadede referenciais identitrios e em permanente deslocamentos (HALL, 2004), portanto so plurais os sujeitos tematizados nos estudos daPsicologia Social. Isto implica na no existncia de um sujeito unificado e antagonista ordem dominante. As discusses sobre osresultados das pesquisas envolvendo esses e outros segmentos sociais so atravessadas por indicadores de demandas subjetivas e porindicadores de aes necessrias, especialmente enquanto polticas pblicas. Resta a dvida se tais indicadores sero de fatocontribuies para prticas profissionais e/ou para a formulao de polticas pblicas sociais.

5. Consideraes Finais

Considerando os propsitos da pesquisa, entende-se que foi possvel a identificao de prticas da Psicologia Social que, em que peseno representarem a totalidade das prticas realizadas no Brasil, portanto no so representativas do fazer do psiclogo social,representam prticas visveis por terem se tornado pblicas atravs da revista, que consideramos como uma dimenso representativada Psicologia Social no Brasil. Em relao construo dos sentidos dessas prticas, necessrio reafirmar a pluralidade destes emcada artigo analisado e a opo de ter sido definido um predominante.

Referncias Bibliogrficas

BOMFIM, Elizabeth de Melo. Contribuies para a histria da psicologia no Brasil. In: Psicologia social: relatos na Amrica Latina.JAC-VILELA, Ana Maria; ROCHA, Marisa Lopes da; MANCEBO, Deise (Orgs.). So Paulo: 2003 HALL, Stuart. A IdentidadeCultural na Ps-Modernidade. RJ: DP&A, 2004. LANE, Slvia Tatiana Maurer. A Psicologia Social e uma nova concepo dohomem para a Psicologia. In: Psicologia Social: O homem em movimento. LANE, Silvia T. M. e CODO, Wanderley (Orgs.). SoPaulo, SP: Brasiliense, 1989. SAWAIA, Bader (2004). Identidade: Uma ideologia separatista? In: Sawaia, B. (org) As Artimanhasda Excluso: anlise psicossocial e tica da desigualdade social (pp.119-127). Petrpolis: Editora Vozes. 5 Edio.Anexos

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